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Dead Land - 1x01

Série de Rafael Oliveira
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DEAD LAND
     
 

 

FADE IN:

CENA 1. INT. CARRO - NOITE.

Um chaveiro, com a frase "EU MATO, NÃO MORRO", prende a chave, que está na ignição do veículo.

INSERT - RODAS:

O carro, em alta velocidade.

VOLTA À CENA.

Uma mão masculina pressiona um dos botões do RÁDIO, o ligando.

RADIALISTA (V.O.): Com vocês, a música oficial da melhor rádio local: Back In Black!

A música Back In Black, da banda AC/DC, começa a tocar. No volante, um ROQUEIRO robusto, barbudo e cabeludo.

ROQUEIRO (RISOS): Essa eu gosto!

Com apenas uma das mãos no volante, desatento para o para-brisa, ele aumenta o volume da música; volta a olhar para frente, enquanto dá algumas pancadas no volante, seguindo os ritmos da canção.

Passa o instrumental, vem a letra da música - o homem canta algumas partes, mexe a cabeça, despreocupado.

A ESTRADA, vazia, só tem a iluminação que vem dos faróis do veículo. É nesse instante, que os faróis iluminam uma PESSOA, de costas, no meio da pista.

O roqueiro dá um berro.

INSERT - FREIO DO VEÍCULO:

O pé esquerdo do condutor pressiona o freio com toda força possível. OUVE-SE o barulho do corpo da pessoa bater contra o capô e cair no asfalto.

CENA 2. EXT. RODOVIA - NOITE.

Dentro do CARRO, a música alta continua tocando.

No CHÃO, o corpo, de bruços, é iluminado pelo farol.

O roqueiro, contido, abre a porta, olha pros lados e, em passos lentos, se aproxima do corpo.

ROQUEIRO: Oh, meu Deus, o que eu fiz? (PAUSA) Mas... Mas eu não tenho culpa! (OBSERVA O CORPO) Do nada, à noite, no meio da pista! Quer o quê? (T) Merda!

Com as mãos na cabeça, ele dá algumas voltas ao redor da pessoa, até que ela movimenta a cabeça pro lado oposto ao dele, chamando sua atenção.

ROQUEIRO (ALIVIADO): Ainda bem. (A OBSERVA) Ei, você está bem? Olha, podemos resolver isso com uma carona, certo?

Ele ajoelha no chão e toca-o. Quando o rosto se vira para ele, o vê transfigurado: cortado, machucado, com a íris dos olhos vermelhas, a encará-lo.

ROQUEIRO (HORRORIZADO): Oh, merda!

Antes de conseguir se levantar, as mãos da criatura agarram suas pernas, levando-o ao desespero.

FADE OUT.

LEGENDA - Danbury, Connecticut, 30 de maio de 2007.

FADE IN:

CENA 3. INT. CASA DE BRUCE/SALA - NOITE.

Um HOMEM abre os olhos, assustado. Cabelos pretos, curtos, barba por fazer, aproximadamente 35 anos. Ele está sentado no sofá e a TV está à frente, iluminando o ambiente.

Ao lado dele, uma MENINA, morena, 13 anos, está deitada. Com os pés sobre as pernas dele, dorme. O homem observa seu rosto e passa um dos dedos em sua bochecha, acariciando-a; solta um sorriso; se levanta e, encaixando-a perfeitamente em seus braços, se dirige as escadas, no canto direito do cômodo.

CENA 4. INT. CASA DE BRUCE/QUARTO DA MENINA - NOITE.

O mesmo homem, com a menina nos braços, a repousa sobre a cama. Ele percebe que um vento forte entra pela janela aberta e a fecha, contendo o vento e acalentando o ambiente.

Ao lado da cama há uma mesinha de cabeceira, com abajur, telefone, relógio digital e uma foto: ele, a menina e uma mulher loira. Todos abraçados.

O homem desliga o abajur, abre a porta e SAI em lentidão.

CENA 5. INT. CASA DE BRUCE/QUARTO DO CASAL - NOITE.

A MULHER da foto, olhos castanhos, magra, está em cima da cama de casal, no centro do quarto, folheando um álbum de fotos. Intercalados, o armário; a cama, de frente para duas janelas; uma escrivaninha e um grande espelho preso à parede, parecem limpos e arrumados.

O homem da cena anterior ENTRA, encosta a porta, retira o cinto, joga pro lado, faz parecido com a calça e olha para a mulher, de costas para ele.

HOMEM: Pensei que você já havia dormido.

Ele ajeita a cueca e se aproxima dela, observando as fotos que a mesma tem em mãos: a maioria delas, de um bebê tomando banho, comendo e rindo.

HOMEM (REVIRANDO OS OLHOS): Essas fotos de novo, Regina?

Ela desvia o olhar do álbum, se vira e o encara.

REGINA: Eu posso pelo menos olhá-las, Bruce? Ou você/

BRUCE (A CORTA; REVOLTA): Você não aceita, não é? Aconteceu, o perdemos.

Ele se vira de costas para ela.

REGINA (O ENCARA; LÁGRIMAS): Você pode tê-lo perdido, mas eu não! Ele foi e sempre será o nosso filho, Bruce. Mesmo morto e enterrado por aquela maldita doença!

BRUCE: ...Que você insiste em acusar o Jack e o médico, não é? Não vê que essa história só nos traz mais sofrimento?

REGINA: Eu insisto em culpar os culpados, apenas isso, Bruce. Você não pode negar que, depois do tratamento que o seu irmão forneceu ao Lincoln junto daquele médico, a doença piorou (LÁGRIMAS) piorou, e só piorou! Até que... Até que ele morreu! O nosso filho! Nosso único filho!

BRUCE (BERRA): O Jack e nem ninguém o matou, Regina. A doença o matou.

Bruce a encara, pega a calça - que acabara de tirar -, a veste novamente, junto do cinto, pega um casaco dentro do armário e se veste.

BRUCE: Ao invés de se preocupar com o passado, se preocupe com o presente. Você pode estar perdendo sua filha... Mais do que você imagina.

Ele a encara, abre a porta e sai, BATENDO-A. Regina pega o álbum de fotos e joga longe. Logo, se deita na cama e começa a chorar.

CLOSE-UP no álbum, todo contorcido no chão.

CENA 6. INT. CASA DE BRUCE/CORREDOR - NOITE.

A CÂMERA se afasta da porta em SLOW-MOTION. Os gemidos angustiantes de Regina permanecem. Nesse instante, um VIDRO SE QUEBRA dentro do quarto, num barulho bem forte. OUVEM-SE, então, gritos desesperadores.

CLOSE na porta.

FADE OUT.

FADE IN:

CENA 7. INT. CASA DE BRUCE/QUARTO DA MENINA - NOITE.

A menina abre os olhos e encara os lados: não vê ninguém. Levanta-se da cama, liga o abajur e se atenta para a JANELA, de onde se veem as luzes das sirenes dos carros de polícia e bombeiro, que passam a todo instante do lado de fora e ecoam o SOM para todos os lados.

O TELEFONE toca. A menina tira do gancho e põe no ouvido.

MENINA (SONOLENTA): Alô?

HOMEM (V.O; OFEGANTE): Susan? Anda, me deixe falar com o seu pai/

SUSAN: Tio Jack?

JACK (V.O.): Me deixe falar com ele, anda!

SUSAN: Mas eu não sei/

JACK (V.O.): Oh, merda! Não se/

SUSAN: Tio Jack? Tio Jack, você ainda está aí?

A ligação caiu.

CENA 8. INT. CASA DE BRUCE/SALA - NOITE.

Bruce ENTRA, rápido, e tranca a porta. Escora-se nela. Por um momento, observa a ampla sala, escura.

BRUCE: Oh, meu  Deus, isso não pode ser verdade. (REMEMORA; PAUSA) Susan, Regina!

Ele sobe as escadas rapidamente.

CENA 9. INT. CASA DE BRUCE/QUARTO DO CASAL - NOITE.

Bruce abre a porta e ENTRA, sem fechá-la.

As cortinas da janela, cujo vidro está partido em micros pedaços, no chão, são movidas pelo vento que vem do lado de fora.

Sobre a cama, está um HOMEM alto, camisa verde, em cima Regina, comendo seu braço em carne viva.

Bruce se aproxima, arregala os OLHOS. Seus LÁBIOS tremem e, por alguns segundos, não existe reação.

BRUCE (BERRA): Regina!

Bruce abre a primeira gaveta do móvel, à direita da porta, e pega uma ARMA, escondida numa meia branca. Ele observa o HOMEM, que larga o braço de Regina e o olha: tem as mesmas feições da criatura horrenda da cena 2.

Bruce dá alguns passos, aponta a arma para a cabeça dele e dá um TIRO, fazendo-o cair sobre o colchão, morto.

Ele joga a arma no chão e se aproxima de Regina. Ele a fita, morta, em sangue. Lágrimas saem de seus olhos.

SUSAN (O.S.): Pai?

Bruce se vira e se depara com Susan, na porta, parada, observando tudo. Ele vai até ela, ajoelha e segura seu rosto.

BRUCE (AFLITO): Susan, querida, precisamos sair daqui.

SUSAN: Mas o que está acontecendo? A mamãe...

Ela encara a arma, caída no chão e Regina na cama. Bruce vai até o objeto e o coloca na cintura, preso à calça.

BRUCE: Você só precisa confiar em mim, ouviu, querida? Eu prometo que vamos ficar bem.

SUSAN (TRANSTORNADA): Pai, a mamãe está morta!

Susan corre em direção a Regina, mas Bruce a segura, impedindo-a.

SUSAN (EM TRANSE): Mãe, mãe, mãe/

BRUCE: Não, não!!! (A OLHA; EMOÇÃO) Eu sinto muito. Temos que sair daqui. Vamos, Susan! Vamos!

Ele a puxa para fora do quarto. Ela chora alto.

Com o SOM das sirenes, CLOSE-UP no corpo de Regina, morta, e na criatura, ensanguentada.

FADE OUT.

 
     
     
     
     

1x01 - SOBREVIVENTES
 
     
 

FADE IN:

CENA 10. INT. CASA DE BRUCE/COZINHA - NOITE.

Uma mochila bate contra a mesa de madeira do pequeno cômodo, com pouca iluminação.

Bruce pega mantimentos; facas, sobre a bancada, ao lado de um fogão, e guarda tudo dentro da mochila, rapidamente. Cercando-o, está Susan, lágrimas nos olhos, aflita.

SUSAN: O que está acontecendo? Você precisa me dizer, pai!

BRUCE: Já te disse para confiar em mim, Susan.

SUSAN: A minha mãe está morta! (GRITA) Morta! Tem sirenes, carros de polícia, lá fora!

BRUCE (BERRA): Susan, basta! Eu sei que está tudo muito confuso. Pra mim também. Eu sei que a sua mãe/ (TEMPO; EMOÇÃO) Nós a amávamos, querida. Eu sei disso. Mas se ficarmos lá em cima, chorando, os próximos seremos nós.

SUSAN: Eu não quero morrer, pai. O que quer que seja, peça que parem. Por favor...

BRUCE: Eu gostaria que me acatassem, mas eu não posso. É tarde demais.

Ouvem-se BATIDAS fortes na porta.

JACK (O.S; BERRANDO): Bruce? Onde você está? Vamos! Não podemos perder tempo!

Bruce pega Susan pela mão e eles saem correndo, em direção à sala.

SUSAN (O.S.): Pra onde estamos indo?

BRUCE (O.S.): Eu não sei, Susan. Vamos embora daqui.

CENA 11. EXT. CASA DE BRUCE - NOITE.

Jack, 40 e poucos anos, cordões no pescoço, barbudo, cabelos pretos, pele clara, forte, está ao lado de uma camionete, estacionada na frente da casa.

JACK (IRRITADO): Bruce, por que não me atendeu ontem? Poderíamos ter solucionado essa viagem antes desse caos. Acabou, todos estamos ferrados!

BRUCE: O que quer que eu faça, Jack? A Regina está morta!

JACK (ESPANTA): Morta?

BRUCE: Agora, entra no carro e vamos embora daqui!

Jack obedece. Bruce abre a porta traseira da camionete, Susan ENTRA, ele fecha, abre a porta do carona, ENTRA e Jack arranca.

PLANO GERAL da casa, típica de classe média.

MONTAGEM - O caos, espalhado pela cidade.

A) Pessoas correm, desesperadas, pelas ruas fumarentas;

B) A polícia divide as pistas com os bombeiros;

C) Uma casa entra em chamas.

FIM DA MONTAGEM.

CENA 12. INT. CAMIONETE DE JACK - NOITE.

BRUCE: Eu ainda não acredito que aconteceu, Jack.

JACK: Essas pessoas estão se transformando cada vez mais rápido, Bruce. Não tem explicação!

BRUCE: Claro que tem. E você sabe qual é. Essas pessoas são mordidas e em menos de duas horas viram essas coisas.

JACK: Para onde vamos?

SUSAN: Para a casa da vovó! Vamos, pai, por favor!

Jack olha para Susan pelo retrovisor interno, desvia o olhar, encara Bruce.

BRUCE: Não podemos, Susan.

SUSAN: Por quê?

JACK: Vamos para o Centro de Controle de Doenças. É a única saída neste momento.

SUSAN: CDC? É longe e não vão nos abrigar lá. (PAUSA; EMOÇÃO) Essas pessoas/

Pela janela, Susan vê uma família chorando, sentados na calçada, frente a uma linda casa.

SUSAN: Vocês sabem o que está havendo. Me digam!

BRUCE: Susan, já chega! Não vê a situação? Essas pessoas estão se transformando. (T) Talvez uma praga de Deus contra pecadores.

JACK: Oh, merda. Olhe isso, Bruce.

A PISTA que leva à PONTE está totalmente congestionada.

JACK (SOCA O VOLANTE): Droga! Só chegamos ao CDC se atravessarmos a ponte. Parece que toda essa gente teve a mesma ideia que nós.

SUSAN: Como se não fosse tão óbvia.

BRUCE (REPREENDE): Susan, não fale assim com seu tio!

JACK: Se é que vamos conseguir chegar lá, pode ser que já esteja lotado e restemos a essas... A essas criaturas.

No CARRO DA FRENTE, Jack observa uma movimentação. A porta do carro é escancarada e mais uma daquelas criaturas SAI de lá, em direção ao carro de Jack.

JACK: Filho da puta!

SUSAN (GRITA): Tio Jack, corre!

BRUCE: Deus!

Jack dá ré, invade a pista contramão e SAI dali avoado.

Todos ofegantes.

BRUCE: Essa foi por pouco.

JACK (EXALTADO): E agora? Isso não podia ter acontecido. Para onde vamos?

SUSAN: Para o hospital? Talvez tenham alguma saída.

JACK: Hospital? O que acha Bruce?

BRUCE: Precisamos sobreviver. Essas coisas vão nos matar se dermos bobeira. Vamos até lá. Pode ser que consigamos abrigo.

Susan observa um carro de polícia passar avoado na PISTA contrária. Cai uma lágrima de seus olhos.

CORTE DESCONTÍNUO:

Jack dirige por uma RUA. Pessoas correm, outras choram. Veem-se as criaturas, soltas - uma pior que a outra -, pelas calçadas.

Susan as encara através do vidro.

De repente, uma dessas surge no meio da vista do PARA-BRISA.

BRUCE (ALTO): Cuidado, Jack!

Mas ele desvia rapidamente.

JACK (OFEGANTE): Merda de demônios! Quase que causo um estrago.

Jack olha para a esquerda e o farol forte, de um carro, cada vez mais intenso, atinge seus olhos. Num ato súbito, ele solta o volante e os tapa com os braços. Todos berram. O carro desgovernado preenche a tela e bate contra a camionete.

FADE OUT.

FADE IN:

CENA 13. EXT. RUA - NOITE.

O carro desgovernado se chocou contra a parede. A camionete está toda ferrada, capotada no chão. Alguém soca a janela, do último, com os pés. É Bruce, tentando sair.

BRUCE: Meu Deus. (REPARA UM RASTRO LÍQUIDO) É gasolina! (P/ DENTRO DO CARRO) Susan, Jack?!

Susan está presa entre as ferragens do banco. Ele a observa, tenta esticar as mãos até suas pernas, mas não as alcança.

BRUCE: Susan, acorda, por favor! (ALTO) Oh, não...

A lateral esquerda do carro começa a pegar fogo. Bruce encara a arma, que antes estava em sua cintura, do outro lado do veículo.

Ele SAI do carro definitivamente e anda em passos lentos para trás, observando Susan e Jack, desmaiados.

BRUCE (BERRA): Susan! Susan, minha menininha...

O carro entra em chamas e explode, jogando Bruce no chão.

Nesse momento, uma criatura se aproxima dele, mas quando vai atacá-lo, um TIRO é escutado. A mesma cai, morta, e ele estica o pescoço na direção do tiro, onde vê um MENINO negro, pequeno, com uma arma em mãos, próximo a um BECO. O encara. O menino faz sinal.

Bruce se levanta e observa o carro. Uma lágrima cai de seus olhos.

Ao redor, as pessoas correm e gritam por todos os lados. Ele cambaleia, enquanto troca olhares com o menino, e se aproxima do carro em chamas. Cai de joelhos no chão e rasteja. Ele berra o nome de “SUSAN”. E está prestes a se jogar nas chamas...

É quando o menino chega, correndo, e o puxa. Ele cambaleia pra trás, se levanta; encara o menino, vertiginoso.

BRUCE (BERRA): Quem é você? O que você quer?

MENINO (IDEM): Apenas me siga. Vamos!

CENA 14. EXT. TERRENO ABANDONADO - NOITE.

O menino observa o lugar de terra barrenta, iluminado por poucos postes de luz, e aponta, enquanto encara Bruce, para um bueiro, próximo ao chão.

MENINO: Tá vendo aquele bueiro?

BRUCE: O que tem ele?

MENINO: É a única saída de Connecticut. Vai te deixar numa estrada, que te leva a Boston. Não devem ter andarilhos lá. Poucos atravessaram a ponte.

BRUCE: Andarilhos?

MENINO: Essas coisas que estão matando a todos. Vi num filme, são zumbis.

Bruce o encara, pensativo.

MENINO: Ande logo! Quer ser pego? Entre no bueiro.

BRUCE: Você não vem?

MENINO: Ainda tenho que fazer sobreviventes. Prometi para a arma do meu pai. (MOSTRA O OBJETO EM MÃOS; T) Sinto muito não ter uma arma para te dar. Espero que fique bem.

O menino olha pros lados e sai correndo.

CLOSE em Bruce, assustado com tudo o que ouviu. De repente, algo o ilumina por trás.

MILITAR (O.S.): Ei, você?!

Bruce se vira e vê um MILITAR, com a lanterna presa à farda, apontando uma arma para ele.

MILITAR: O que faz aqui? É restrito. O exército está no controle dessa região.

BRUCE (MÃOS PRO ALTO): Olha, eu não estou infectado, juro. Eu só preciso entrar nesse bueiro e sair da cidade. Por favor.

MILITAR (OBSERVA O BUEIRO): Eu recebo ordens. Sinto muito.

O militar mira e atira. Bruce se abaixa no exato momento e sai correndo. Sem perder tempo, pula em cima dele, pega a arma e, com a ponta da mesma, lhe dá uma coronhada, levando-o ao desmaio.

BRUCE (O OLHA): Eu não queria fazer isso.

Ele olha pros lados, ofegante. Sem descansar, se levanta, seguindo rumo ao bueiro.

CENA 15. EXT. ESTRADA - DIA.

MÚSICA ON – Instrumental.

Bruce caminha por uma estrada pacata, suado, fadigado.

VOZ #1 (V.O.): O número de mortes confirmadas, na última semana, foi de 200 vítimas do vírus, que continua se alastrando.

VOZ #2 (V.O.): "São centenas de corpos na frente das prefeituras dos distritos. Não sei o que fazer".

VOZ #3 (V.O.): Da cúpula do exército, revela-se que os últimos dados da OMS comprovam a não eficácia da vacina, divulgada, no mês passado, à população sobrevivente.

Até que ele se depara com uma placa: BEM-VINDOS A BOSTON.

VOZ #4 (V.O.): Los Angeles entrou, na última Terça-feira, em lei marcial.

VOZ #5 (V.O.): As rebeliões pela falta de comida continuam. Os exércitos prometeram não ficar parados. O grupo dos Bats alegou responsabilidade pelos últimos cinco ataques.

VOZ #6 (V.O.): Três Bats foram mortos em praça pública. Não se sabe suas origens.

MÚSICA OFF.

FADE OUT.

VOZ #7 (V.O.): Você ainda pode se juntar a nós.  Estamos espalhados, esperando por você. (PAUSA) Lembre-se: quando estiver na escuridão, procure quem vive nela, procure os Bats. Acredite em nós.

LEGENDA - Boston, 10 anos depois.

FADE IN:

CENA 16. INT. AP DE BRUCE - DIA.

No ambiente, com a pouca claridade vinda da janela, cercada por três pedaços de madeira, Bruce dá um pulo do colchão e busca ar, desesperado. Dá um tempo e se acalma.

BRUCE: Mais um daqueles malditos pesadelos.

Alguém bate na porta. Ele atenta-se, se levanta e vai em direção à porta, próxima a uma janela, de onde a claridade entra para nos revelar um  Bruce MAIS VELHO, de cabelo e barba BRANCOS.

Ele retira os trincos da porta e a abre. Uma MULHER, 40 anos, alta, branca, loira, cabelos curtos, ENTRA. Bruce bate a porta e a tranca.

PLANO GERAL do ambiente: uma minicozinha (portando fogão, geladeira e uma pia, em forma de cotovelo) e a sala, se integram.

MULHER: Como foi sua manhã?

Sobre a mesa, há uma garrafa de uísque. Ela pega um copo sobre a pia e o enche da bebida.

MULHER: Me acompanha?/

BRUCE (POR CIMA): Onde esteve enquanto eu dormia, Lori?

Ela engole metade do que se serviu, coloca o copo sobre a mesa e encara Bruce.

LORI: Segundo distrito. Nós precisávamos daqueles tíquetes alimentação.

BRUCE (NERVOSO): Disse bem: nós precisávamos. Por que não me esperou? Poderiam ter morrido lá, nunca se sabe. (T) Aquele lugar é perigoso.

LORI: Se acordássemos você para pedir autorização, não nos deixaria. E, Bruce, estou intacta. (MÃOS SOBRE A TESTA) Quer dizer...

Ele se dirige a um freezer, abre, pega um gelo, põe sobre um pano de prato, enrola e a entrega. Lori coloca sobre um ferimento avermelhado, na testa.

BRUCE: Não importa se foi apenas uma ferida, poderia ser pior.

LORI: Pelo o que eu saiba, você queria ficar sozinho, não lembra?

BRUCE: Não justifica.

Silêncio.

BRUCE: Bom, então me deixa adivinhar... Deu merda na fuga e não conseguiram trazer os tíquetes. Estou certo?

LORI (RI): Deixa de ser negativo, Bruce. Não deu merda nenhuma. Pegamos os tíquetes, que, como disse, estavam espalhados por bares, bolsos de andarilhos, e voltamos, como você mesmo havia planejado.

BRUCE: Não foram vistos?

LORI: Desde que o governo abandonou os distritos de Boston, aquilo está deserto.

BRUCE: E com quem estão os tíquetes?

LORI: Deixei com Cody. Ele vai entregar à Emily.

BRUCE: Se não fossem esses tíquetes, morreríamos de fome esse mês.

LORI (SORRI): Graças a mim.

BRUCE (RESMUNGA): A você... (SE APROXIMA) Me dê isso aqui.

Ela lhe entrega o pano de prato com gelo e ele pressiona contra o ferimento.

BRUCE: Enquanto eu dormia só fizeram isso? Estou surpreso!

LORI: Nem vem, Bruce. Sabe que o nosso problema maior ainda está aí. O Joel ainda está com nossas armas.

BRUCE: Merda! Havia me esquecido disso. E o que planeja, falar com ele mais uma vez?

Ela tira o gelo da mão dele, põe sobre a mesa e, inquieta, anda de um lado para o outro.

LORI: Se não falarmos, só teremos a saída de matá-lo. Mas, desse jeito, não teremos nossas armas de volta.

BRUCE: Maldito ladrão! E aquele lá é que nem rato: cada hora está em um lugar.

LORI: Nem tanto. Sei onde está escondido. (PAUSA) Área 5. Mas o posto de controle ainda está aberto.

BRUCE: Tento negociar. Faltam poucas horas para o toque de recolher.

LORI: Então, vamos.

E eles se dirigem a porta.

CENA 17. EXT. POSTO DE CONTROLE - DIA.

Bruce e Lori caminham. Há uma faixa amarela, com as palavras, em preto: POSTO DE CONTROLE ÁREA 4-5.

A estrutura lembra uma fronteira, protegida por militares armados. Bruce e Lori se aproximam da passagem de pedestres. Na de automóveis, um caminhão do exército passa e o portão se fecha. Eles se aproximam de dois militares, no portão.

MILITAR: Identidade.

Ambos retiram dos respectivos bolsos da calça e as mostram. Um dos guardas averigua e os encara.

Atrás deles, DENTRO DA ÁREA 5, um caminhão estaciona.

MILITAR: Por que passar para o cinco?

LORI: Preciso visitar minha mãe. Está doente.

MILITAR: Sejam rápidos. Faltam três horas para o toque de recolher.

O militar dá a passagem, mas, nesse instante, o caminhão que estacionava, EXPLODE. Inicia-se uma correria dentro e fora do posto.

MILITAR (BERRA): São os Bats!

BRUCE: Os Bats! Vamos sair daqui, Lori, rápido!

Os militares atiram pro alto e o portão se fecha.

Nos POSTES DE LUZ, os alto-falantes exclamam...

VOZ (V.O.): Atenção, invasão de Bats no posto de controle 5. Toda a área está temporariamente fechada. Pedimos a todos os civis que não se aproximem da área. (PAUSA) Atenção, invasão de Bats (...)

Bruce e Lori já dobraram a ESQUINA.

BRUCE: Para onde vamos?

LORI: Vamos para a escola, rápido!!!

Close na fachada de uma casa, grande, de escadas na frente e uma porta grande.

INSERT letreiro - CENTRO ACADÊMICO DE BOSTON.

CENA 18. INT. ESCOLA - DIA.

Ambiente sem iluminação. Bruce e Lori entram. Algumas pessoas assustadas ali dentro.

LORI (SUSPIRA): Essa foi por pouco.

Algumas portas fechadas, outras abertas, choro de criança.

LORI: Vai arriscar a passagem do quarto do Chris?

BRUCE: Vamos tentar.

CENA 19. INT. ESCOLA/QUARTO DE CHRIS - DIA.

Lori e Bruce abrem a porta e entram na sala (quadro branco na parede central; algumas carteiras empilhadas no canto; um colchão no chão; uma privada; além de um sofá e um móvel, grande). Ele bate a porta e tranca.

Um COROA se dirige a eles. Esse é um homem alto, negro, barbudo, de 50 anos.

COROA: Quem é vivo sempre aparece!

LORI: Quem precisa de favor também. (SORRI) Como está, Chris?

Abraçam-se.

CHRIS: Depois que revoguei um quarto só para mim? Uma maravilha!

BRUCE: Amigo de tantos militares, tornou-se fácil.

CHRIS: E o que precisam? Não acredito que meu humilde quarto foi motivo para que viessem aqui.

BRUCE: Acertou, Chris. Queremos a passagem. Deve ter ouvido, não? Os Bats fizeram um atentado, há alguns minutos.

CHRIS: Os Bats. A revolução, o desejo de tirar o exército do controle, liderar tudo, é o que todos acreditam que eles planejam. Não vai dar certo nunca.

LORI (SORRI): Não sei porque, mas sabia que você iria falar mal deles!

CHRIS: Quando ouvir o contrário, me interne ou me entregue aos malditos andarilhos, Lori.

BRUCE: Com o exército temos problemas, mas a doença está contida.

CHRIS: Cada dia pessoas se transformam, Bruce, mas os Bats só aumentariam esse número.

BRUCE: Como sempre, temos que sobreviver.

LORI: Eu acho melhor irmos. Pode ser que, pelo atentado, aumentem a segurança e não consigamos passar pelo túnel ilesos.

CHRIS: Vocês conhecem o caminho.

Bruce e Lori se dirigem a uma estante e a arrastam, revelando um buraco na parede.

LORI (OLHA P/ DENTRO DO BURACO): Ufa, os latões de lixo estão ali. Vai dar para pular.

CENA 20. INT. CAFÉ - DIA.

De debaixo de uma tábua de madeira, estirada no chão, saem Bruce e Lori, suados.

LORI: Conseguimos.

O ambiente é um café abandonado, de janelas e mesas quebradas.

Bruce e Lori se dirigem a PORTA, SAEM...

...olham para os lados. Estão meio a uma AVENIDA. Ali, há prédios ao redor, a ponto de caírem, muito vidro quebrado, carros abandonados, árvores contendo uma passagem e arames farpados espalhados pelo chão. Em nenhum momento, sinal de pessoas.

Lori se dirige a uma escada, presa a janela de um DUPLEX abandonado e olha lá pra cima. Bruce segue-a.

LORI: Acho que conseguimos passar por aqui.

BRUCE: Por essa escada?

LORI: Ela vai nos levar ao duplex e lá dentro conseguimos sair e encontrar a rua. Joel deve estar no beco de sempre. (PAUSA) Ah, já ia me esquecendo...

Lori retira um REVÓLVER da cintura e entrega a Bruce. Ele a olha.

LORI: Sua arma.

E ela sobe as escadas. Bruce observa o objeto durante alguns segundos e faz igual.

CENA 21. INT. DUPLEX ABANDONADO - DIA.

Interior abandonado, chão com madeiras e pedaços de tijolos espalhados. Numa porta, a frase "CORRA E NÃO OLHE PARA TRÁS!" está escrita, em vermelho. Bruce observa.

LORI: Esse lugar está mesmo abandonado.

BRUCE: Falta muito pro toque de recolher?

LORI: O suficiente para encontrarmos o Joel.

BRUCE: Depois disso, não sabemos o que pode acontecer, certo?

LORI: Estou certa de que/

Ouvem-se alguns gemidos.

LORI (SUSSURRA): Oh, merda, abaixe-se.

Eles se escondem atrás de uma mesa, caída no chão. À frente, um andarilho caminha, lento, gemendo. Suas roupas rasgadas e, ao redor da boca, sangue.

BRUCE (SUSSURRA): Vou matá-lo.

LORI: De que jeito?

Bruce pega um pedaço de madeira, no chão, ao seu lado; segura firme, se levanta devagar e, de repente, corre em direção ao andarilho, que estica as mãos para pegá-lo, mas Bruce ergue o pedaço de madeira e lhe dá na cabeça, fazendo-o tombar no chão, morto. Lori sai de trás da mesa.

LORI: Belo golpe.

BRUCE: Obrigado.

Bruce joga o pedaço de madeira no chão e eles continuam caminhando, atentos. DOBRAM o CORREDOR e andam até certo ponto, cuja janela, presa numa corda, dá claridade ao ambiente. Ali, o chão cedeu e, abaixo, há, no mínimo, 10 andarilhos.

LORI: Merda! E agora?

As criaturas os veem e erguem as mãos, abrindo a boca e gemendo.

BRUCE: Tenho uma ideia.

Ele olha para o pedaço de corda, contendo a janela, e encara Lori, engenhoso.

CORTE DESCONTÍNUO:

Bruce puxa a corda com toda força possível.

BRUCE: Vai, me dá uma ajuda.

Ela o ajuda a puxar.

Por fim, o vidro se quebra e a corda se solta. Ele a pega; faz um nó na ponta e joga num lustre, no teto, bem em cima de onde o piso cedeu, fazendo a corda agarrar em um dos encaixes do objeto.

Os andarilhos, em baixo, ansiosos para devorá-los.

Bruce, por fim, dá alguns passos para trás, pega impulso e pula o buraco, agarrado na corda.

LORI: Belo trabalho...

Ele solta a corda em direção a Lori.

BRUCE: Sua vez.

CENA 22. EXT. AVENIDA - TARDE.

O pôr do sol está próximo. Bruce e Lori saem pelas escadas da fachada do duplex e pegam a avenida, olhando para os lados.

HOMEM #1 (O.S.): Essa história de remuneração não é eficaz. Joel ainda vai nos deixar a ver navios nesse bando de mortos-vivos.

Ao verem dois homens descendo de um caminhão, através de uma escada, Bruce e Lori se escondem na lateral de um carro abandonado e se aquietam.

HOMEM #2: Eu prefiro não reclamar. (ANDANDO C/ RAPIDEZ) Vamos logo com isso. Minha mulher está em casa, deve estar preocupada comigo.

Os homens passam próximos ao carro, mas seguem reto.

Bruce olha para Lori e, agachados, atravessam a avenida, até se aproximarem de um BECO ESCURO. Eles se olham. De repente, alguém atira próximo a eles.

LORI (ASSUSTADA): O que foi isso?

Bruce olha para trás e vê um ATIRADOR, na ponta de um PRÉDIO ALTO, do lado contrário da avenida.

BRUCE (GRITA): Filho da mãe. Corre!

Eles entram pelo BECO, a correr. No atirador:

ATIRADOR (ALTO; P/ OUTROS HOMENS): No beco, no beco!!!

CENA 23. EXT. BECO - TARDE.

Bruce e Lori correm desesperadamente.

Vindo de uma VIELA, um homem, nos fundos do beco, surge, com um pedaço de madeira em mãos.

BRUCE: Eu aprendi a sobreviver.

Bruce retira o REVÓLVER da cintura e dá um TIRO certeiro no peito do homem, que cai, morto. Lori se assusta.

BRUCE: O que tá esperando?

Eles voltam a correr, entrando pelas VIELAS, até que chegam a um PAREDÃO. A única saída é uma escada, que dá para um PRÉDIO.

LORI: Rápido, vamos subir por aqui.

Bruce puxa o último degrau da escada e ela se revela maior. Ele dá espaço e Lori as sobe.

Elas dão na SAÍDA DE EMERGÊNCIA do prédio.

HOMEM #1 (O.S.): Na escada!

Do OUTRO LADO DO MURO, estão QUATRO HOMENS armados. Eles atiraram em direção a escada, mas Bruce e Lori conseguem subir, rápidos, e ENTRAR pela porta sem serem atingidos.

HOMEM #2: Eles entraram!

CENA 24. INT. PRÉDIO - TARDE.

Já estão apressados, pelo extenso corredor, que desencadeia da porta.

LORI (DESESPERADA): Bruce, estamos ferrados! Vão cercar esse maldito prédio, vão nos matar aqui dentro!

BRUCE: Joel está aqui!

LORI: Como você sabe?

BRUCE: Por que todos esses guardas, bandidos, sei lá, estariam guardando o prédio em segurança máxima? Alguma explicação? (T) Só precisamos encontrar aquele desgraçado!

LORI: Num prédio de cinco andares, com vários bandidos em cada um deles?  Bala não dura para sempre, e a minha está próxima do fim.

BRUCE: Não me importa bandido. Eu quero o Joel.

LORI: Olha!

Um HOMEM sai de uma sala, correndo.

BRUCE (ALTO): É ele!

LORI: Joel?

BRUCE: Com toda certeza.

Quando eles se preparam para correr, de dentro da sala de onde Joel estava saem, no máximo, dez andarilhos, em direção a eles.

BRUCE: Oh, meu Deus!

FADE OUT.

FADE IN:

CENA 25. INT. AP DE EMILY - TARDE.

Uma MENINA, loirinha, 25 anos, pele clara, despeja café em uma caneca.

Agora, coloca-a em cima da mesa, onde um HOMEM, magro, pouco cabelo, aparência desleixada, está sentado.

MENINA: Bebe, Cody, vai te fazer bem.

O AP tem o mesmo modelo que o de Bruce, mas é menor.

Ela se senta em uma cadeira, em frente a ele.

CODY: Emily, hoje meu irmão completaria quarenta anos se ainda estivesse por aqui.

EMILY: Não acha que ele ainda está vivo, em Nova Iorque?

CODY: Ainda tenho esperanças, mas dependo do Bruce. Pior... Todos nós dependemos.

EMILY: Ele nos acolheu, confiou na gente, não poderíamos, se quer, pensar em ir embora. Seria muito risco, também.

CODY: Você não sente o mesmo que eu. Você tem o Ryan, seu irmão mais novo. Não deve te dar recordações desprezíveis, mas deve te lembrar da sua família. Eu sou sozinho. Depois que me separei do Trevor, naquela confusão do posto de controle de Nova Iorque, meu maior desejo passou a ser achá-lo.

EMILY: Ninguém aqui é sozinho, Cody. Temos um ao outro.

CODY: Eu não confio em ninguém, Emily. Eu tenho uma meta, quero alcança-la.

EMILY: Encontrar Trevor?

CODY: Realizar o que ele sempre desejou para nós dois depois que esse inferno começou, Emily. (PAUSA) Entrar para os Bats.

EMILY: Bats? Talvez não seja tão ruim. Ouvi falar que possuem muitas regras. Uma delas é a aversão ao exército em poder.

CODY: Graças ao meu pai, sempre os odiei. Tornaram meu pai um mostro. (PAUSA) Quanto a nós, não seria comum um grupo contrabandista ser a favor do exército.

EMILY: Não gosto de ser chamada assim, Cody. Não acho que você também goste. Fazemos por necessidade. Somos sobreviventes, precisamos continuar sendo, caso contrário, seremos mais uma dessas coisas que andam por aí.

CODY: É exatamente isso. Com os Bats, não precisaremos mais contrabandear ou roubar. Esse exército só acumula poder. Nas nossas mesas, está faltando tudo. (PAUSA) As mortes passarão a ter motivos diferentes dos que sabemos até hoje, Emily.

EMILY: E a nossa saída, será fugir?

CODY: Por isso eu apoio e sempre apoiarei meu irmão. Ele sabia o melhor para nós dois. Com os Bats, tudo isso pode acabar.

EMILY: Com tantos mortos pelo maldito vírus, que se alastra pelos distritos, uma guerra aumentaria ainda mais esse número.

CODY: Eu não estaria aqui se estivesse pensado no próximo, acho que você também não.

Cody a observa, se levanta, abre a porta e sai, fechando-a civilizadamente.

PLANO PRÓXIMO em Emily.

FLASHBACK PARA:

CENA 26. EXT. FAZENDA – NOITE (FLASHBACK).

Emily segura uma caixa de papelão enquanto chora, olhando a fachada de um CASARÃO de dois andares ser destruída pelo fogo. Uma mulher sai de dentro da casa pela porta, aos prantos.

EMILY: Vamos embora, ande!

MULHER: Eu não posso. Eu perdi tudo. Vá, você consegue sair da cidade e sobreviver.

EMILY: Não!!! Você vem comigo. Ande!

MULHER: Menina, você me ajudou, está na hora de eu lhe ajudar, está certo? Tome. (OFERECE A CHAVE DE UM CARRO) Suma daqui, sobreviva. Minha vida chegou ao fim. De qualquer jeito.

A mulher lhe entrega a chave do carro. Uma lágrima cai dos olhos de Emily, que dá alguns passos para trás, joga a caixa no chão e sai correndo dali.

A mulher se vira e observa o casarão, prestes a ter a fachada desmoronada. Do outro lado, andarilhos conseguem derrubar uma cerca que protegia o terreno e invadi-lo.

FIM DO FLASHBACK.

CENA 27. INT. AP DE EMILY - TARDE (DIAS ATUAIS).

CLOSE-UP em Emily.

CENA 28. INT. PRÉDIO - TARDE.

ABRE na figura de um ANDARILHO, com a boca aberta, com as mãos esticadas, até revelar vários deles mortos no chão.

Surge, em PRIMEIRO PLANO, contida por uma mão masculina, uma arma, da qual é disparado um TIRO contra o andarilho, que cai morto, junto do restante.

ZOOM-OUT dos andarilhos, até revelar Bruce e Lori, um ao lado do outro, sangue nas mãos, roupas; armas em mãos; olhar fixo para as criaturas caídas.

LORI: Bom trabalho.

BRUCE: Só me resta uma bala.

LORI: Guarda pro Joel. Vamos!

Eles saem correndo pelo corredor. DOLLY-IN.

BRUCE: Se ele não saiu por uma passagem qualquer, ele só pode estar na última sala do andar.

CENA 29. INT. PRÉDIO/SALA - TARDE.

Bruce escancara a porta.

Joel, um quarentão, cabelos pretos, roupas largas, magro, quebra a janela com um extintor, o joga pro lado e a pula, rápido.

Bruce e Lori saem correndo, em direção a mesma.

CENA 30. EXT. PRÉDIO/FUNDOS - TARDE.

INTERCUT entre a perseguição de Bruce e Lori (no alto das escadas) a Joel (em baixo).

Ao chegar ao chão, Joel tenta pular um portão de grade, mas se atrapalha. Bruce e Lori terminam de descer as escadas e lhe apontam as armas. Joel recua, põe as mãos atrás da cabeça.

JOEL: Por favor, não!!!

BRUCE: Não, seu desgraçado? Você está me pedindo, ou, melhor, me implorando para não estourar seus miolos ferrados, é isso?

JOEL: Eu juro que eu não queria ter pego suas armas.

BRUCE: E eu juro que eu vou te matar se você não me entregar as armas agora.

JOEL (TRÊMULO): Elas não estão comigo.

LORI: Que merda você disse?

BRUCE: Não brinca comigo, Joel. Eu quero as armas! Agora!

JOEL: Eu as negociei com os Bats.

CLOSE-UP em Bruce. Ele ajeita a arma nas mãos, encosta na cabeça de Joel.

BRUCE: Eu acho melhor você dizer a verdade, caso contrário, eu não vou poupar esforços, seu filho da... (TRAVA; BERRA). Eu quero minhas armas!

LORI: O que você fez com elas, seu otário?

JOEL: Eu já disse. Estão com os Bats.

BRUCE: Você vai morrer, cara, está me entendendo? Você vai morrer!

JOEL: Por favor. Eu estava endividado com eles, precisava pagar as dívidas.

BRUCE: Eu não poupo esforços com mentirosos. De qualquer forma, é melhor que eu não tenha o desprazer de te olhar de novo.

Bruce aponta a arma e atira no peito de Joel. Ele cai no chão, morto.

LORI: Com os Bats! Olhe onde essa merda chegou, Bruce. Podemos nunca mais vê-las. Custou caro! Você sabe.

BRUCE: Sim, eu sei.

Ouve-se um TIRO.

BRUCE: É melhor darmos um fora daqui.

Eles olham para os lados e SAEM dali.

CENA 31. INT. AP DE BRUCE - NOITE.

Bruce está de pé, encarando Lori.

BRUCE: Amanhã contamos a Emily, ao Cody e ao Ryan sobre o roubo.

LORI (SE VIRANDO): Foi uma tarde conturbada. Vou descansar um pouco.

BRUCE: Lori...

LORI (RETOMA): Diz.

BRUCE: Será que a gente não podia tomar uma, hoje?

LORI (RI): Bruce Collins, o mafioso de Boston, me convidando para apoiá-lo numa bebida?

BRUCE: Exatamente isso. (SORRI) Hoje não é meu melhor dia. Quem sabe conversar um pouco não seja bom pra nós dois?

LORI: Essa missão é, portanto, minha?

Bruce sorri.

CORTE DESCONTÍNUO:

Lori e Bruce, à luz de velas, gargalhando. Um copo de cerveja e uns biscoitos salgados sobre a mesa de madeira. Tapando a janela, um lençol escuro, preso às extremidades.

CENA 32. EXT. BOSTON – NOITE/DIA.

Principais ARRANHA-CÉUS do estado, visivelmente abatido.

Chega o DIA.

FUSÃO PARA:

A CÂMERA, em TRAVELLING, revela as RUAS de Boston, cercadas por postos de controle.

FUSÃO PARA:

De dentro da porta de saída, num PRÉDIO, sai uma pessoa, trajando jaleco branco, seguida por MILITARES armados. Ela é jogada no chão e um dos armados atira em sua cabeça.

FADE OUT.

FADE IN:

CENA 33. INT. AP DE BRUCE - DIA.

CÂMERA em 360º de Bruce, Lori, Cody, Emily e um MENINO (18 anos, estatura média, olhos claros e cabelo loiro escuro). O grupo forma um círculo. Todos de pé.

CÂMERA centra em Bruce, que encara um a um.

BRUCE: Joel vendeu as armas que pegamos na semana passada.

EMILY: As que limpamos o distrito dois, no mês passado?

LORI: Aquelas mesmo.

BRUCE: Pois bem, eu e Lori nos arriscamos ontem. Procuramos Joel, mas parece que ele já nos esperava e corremos risco de sermos pegos por um dos capangas dele.

MENINO: Mas conseguiram pegá-lo?

BRUCE: Sim. O maldito nos disse que as armas foram vendidas, em troca de dinheiro, para pagar dívidas.

EMILY: Vendidas para quem?

BRUCE: O matei depois que aquele desgraçado nos contou que as armas estão com os Bats.

MENINO: Com os Bats? Que merda!

CODY (ENCARA O MENINO): Merda? É uma boa oportunidade para nos aproximarmos deles, Ryan. Eles são a salvação desse caos.

BRUCE: Cody... Por favor, nós não vamos nos aproximar desse grupo. Sobreviver é para poucos. À medida que o líder deles não se sentir a salvo, vai usar todos eles para se salvar. E, convenhamos, o exército não é nosso aliado, mas faz o mínimo para quem não tem nada em Boston.

CODY: Você fala como se fosse o herói da história, mas heróis não contrabandeiam armas, Bruce.

LORI: Cody, Cody, já chega. Pare com isso. Nossa preocupação é pegar as armas, não nos juntarmos aos malditos Bats, está certo?

CODY: Já que os comandantes mandam, está certo.

Cody encara Lori e Bruce, que bufa.

BRUCE: Não marquei esta reunião para contar a história do que aconteceu, mas para arrumarmos um jeito de recuperarmos as armas. Não sabemos onde elas estão. Possivelmente, no esconderijo deles.

EMILY: Sabe onde fica?

LORI: Ninguém sabe, Emily. O exército trataria às regalias quem os revelasse a eles.

RYAN: Podemos descobrir e fazer isto.

BRUCE (EM LIDERANÇA): Não! Não vamos nos unir a ninguém. Eu já disse que eu confio em todos vocês e eu sempre contei com o contrário. Continuaremos unidos, neutros. Se sobrevivemos até aqui, é a prova de que estamos no caminho certo. Precisamos do contrabando, caso contrário, se não pegássemos as armas, enfrentaríamos os andarilhos no braço.

LORI: O que não nos daria a chance de estar aqui.

CODY: E o que você aconselha, Bruce, que abandonemos as armas?

RYAN: Em nenhum momento ele disse isso, Cody. (FARTO) Se manca, cara. Por que você não pega suas coisas e se manda com os Bats? Hum?

Cody faz menção em se aproximar de Ryan, que recua.

BRUCE: Ei, ei, parem com isso. Não parecem os mesmos de semanas atrás. O que há?

Cody o encara, respira alto, mas se afasta.

CODY: Eu observo que, cada dia mais, aliados chegam aos Bats. Ouço, todos os malditos dias da minha vida, pelos sinais das rádios piratas.

BRUCE: Eu também, Cody, mas eu prefiro não arriscar. Não entende que vamos correr mais risco do que corremos diariamente, com essas criaturas se proliferando? O exército maquia, mas não dão conta de todos.

LORI: Não sabemos onde os Bats ficam. A única saída pode ser se aliando a eles, Bruce.

BRUCE (PASMO): O quê?

LORI: Não de verdade. Precisamos, apenas, conhecer o território, até acharmos as armas e darmos um fora do distrito.

CODY: E se alguém quiser ficar lá? Vai se tornar um inimigo, Bruce?

BRUCE: Lamento que essa pessoa morrerá. Não em minhas mãos, mas na do grupo. Seríamos inimigos, Cody.

EMILY: Eu estou dentro.

RYAN: Eu também.

CODY: E então, Bruce?

CLOSE-UP em Bruce.

BRUCE: Vamos arriscar.

CENA 34. EXT. AP/FUNDOS - DIA.

Bruce e Lori saem pela porta dos fundos do AP, de design de pedras vermelhas, gastas pelo tempo. Nos prédios à volta, homens, nas sacadas e nas coberturas, seguram armas e fazem rondas. Bruce acena para um deles, que retribui.

LORI: O Cody me parece fascinado demais pelos Bats. Isso me preocupa, Bruce, ainda mais nesse novo plano.

BRUCE: Não me preocupa. Ele tem que escolher onde quer sobreviver, se vai sobreviver. Eu faço minha parte, Lori. Não me considero o líder do grupo, me considero o primeiro, o primeiro a fazê-lo. Eu espero de todos o que todos esperam de mim.

LORI: Eu sei que sim, Bruce. Vamos conseguir recuperar as armas, vai dar tudo certo no final. Não é possível que um bando de sortudos, que chegaram até aqui, em um mundo infestado por criaturas medonhas, (RI) não conseguiria recuperar armas e sair dessa ilesos.

BRUCE (SORRI): Gosto do seu otimismo.

LORI: Eu também.

Cody abre a porta e sai andando, os ignora.

BRUCE: Ei, Cody.

Cody não se vira, segue reto.

LORI: Deixe-o, Bruce.

Nisso, uma sirene soa.

VOZ (V.O.): Atenção, as portas para a coleta de alimentos serão abertas. Pedimos a todos o mínimo respeito. (PAUSA) Atenção, (...)

BRUCE: Depois da seca, que nos deixou uma semana sem alimentos, pedir respeito a um bando de famintos é uma puta sacanagem.

LORI: Vou pegar os tíquetes, me espere.

Lori adentra o PRÉDIO.

Bruce observa Cody, andando, longe dali.

CENA 35. EXT. RUAS DAS IMEDIAÇÕES - DIA.

Cody, olhando para o chão, pensativo. Ele pega a arma, na cintura, a observa, mira para o nada e continua a andar. De repente, uma mão, coberta por luvas pretas, surge do além e o puxa para dentro de uma RUA ESTREITA.

Cody observa uma MULHER, baixa, cabelos encaracolados, mãos cobertas pela luva, casaco jeans e calças pretas.

MULHER: Você é Cody, certo?

CODY (ASSUSTADO): Quem é você?

Cody puxa a arma da cintura, sorrateiro, mas a mulher percebe e dá um chute no objeto, que cai no chão, atrás dele. Ela segura seus braços.

MULHER (AGRESSIVA): É melhor parar, se não estouro seus miolos! (PAUSA) Venho a mando de seu irmão, Trevor.

CODY (PASMO): Trevor? Meu irmão?

MULHER (O SOLTA): Se você não se comportar, eu não vou dar o recado que vim dar.

CODY: Cadê ele? Ele está em Boston?

MULHER: Está. Ele é um dos nossos, agora.

CODY: Do que está falando?

MULHER: Trevor é um Bat. Ele manda o recado de que precisa ver você. Encontre-o na praça central, à noite. (PAUSA) Eu não tenho tempo. O recado está dado.

A mulher o encara e sai correndo.

CLOSE-UP em Cody.

CODY: Trevor, você está vivo.

CENA 36. INT. AP DE CODY - NOITE.

MÚSICA ON - Dead Land tema de abertura.

A lua ilumina o ambiente.

A porta do AP, modelo aos já mostrados, é aberta e Cody entra. Acende a luz, se dirige ao armário, o abre, pega várias mudas de roupas; saca uma mala, de baixo da cama, a abre e joga o conteúdo ali.

Da JANELA, uma sirene, presa no poste, à altura do andar de Cody, toca na maior altura.

VOZ (V.O.): Atenção para o toque de recolher. Qualquer um pego, será levado a julgamento. (PAUSA) Atenção para o toque de recolher. (...)

A VOZ que ecoa no ambiente é perdida.

Cody põe a mala recém-feita nas costas, abre a porta e sai. Ela é batida.

CENA 37. INT. AP DE BRUCE - NOITE.

Bruce, encarando a vista da janela, tomando um copo d'água. Tudo a sua volta é escuro, apenas a Lua ilumina seu rosto, cujos lábios se abrem para um sorriso.

BRUCE: Minha menina...

FLASHBACK – Bruce e Susan.

Bruce põe Susan na cama, desliga o abajur e sai do quarto da menina.

FIM DO FLASHBACK.

Bruce olha para a primeira rua, vista da janela, e vê Cody, correndo contra o relógio, à surdina, com a mala nas costas.

CLOSE-UP em Bruce.

MÚSICA OFF.

BRUCE (SURPRESO): Cody!

SLOW MOTION - Nervoso, ele põe o copo sobre a mesa, mas ele não tem apoio e cai, derramando tudo.

Ele se dirige a porta, abre as trancas, mas antes de colocar uma das mãos sobre a maçaneta, eleva ao peito, onde sente algo.

BRUCE: Oh, meu Deus.

FIM DO SLOW MOTION.

POV DE BRUCE - Ele cai no chão. Sua visão fica turva e, lentamente, se fecha, até não vermos mais nada, além do fundo negro.

CENA 38. EXT. PRAÇA CENTRAL - NOITE.

Cody chega à praça, onde um prédio caído destruiu parte dela e a restou ao piso gasto e as poucas árvores verdes. No meio do lugar, sentado num banco, iluminado por um único poste de luz, há um HOMEM, de costas.

CODY (SORRI): Trevor.

Cody se aproxima.

CODY: Irmão?

A pessoa se vira e se revela um morto-vivo horrendo, grande, cheio de sangue, com as tripas saindo do corpo.

CODY: Deus!!! (BERRA) Trevor, onde você está?

O andarilho, meio cambeta, se levanta; vai em direção a Cody, que dá alguns passos para trás; tenta retirar a arma da cintura. Ela trava.

Ainda de costas, ele começa a correr.

Desatento e nervoso, vira um dos pés numa PEDRA, grande, no meio do caminho, e cai no chão.

A criatura vem chegando, sedenta.  

Cody movimenta a cabeça para trás e percebe os pés de uma pessoa, trajando botas. Um TIRO é disparado. Ouvem-se gemidos do morto-vivo.

Quem está atrás dele é um HOMEM tragando um cigarro. Careca, barba branca, 40 e poucos anos, olha sua vítima.

HOMEM: Seu erro foi não olhar pra frente.  

POV DE CODY – Ele encara o HOMEM de baixo.

CODY: Quem é você? O meu irmão...

HOMEM: Trevor? (SORRI) Eu vim te pegar, vou te levar até ele. Bem que ele disse que você viria ao encontro.

O HOMEM oferece a mão; Cody segura e se levanta.

Sai do POV. Eles se encaram.

CODY: Não me disse quem é. Como o conhece?

HOMEM: Meu nome é Nolan, mas pode me chamar de Bat. Sou o líder de todos eles.

CODY (ADMIRADO): Dos Bats?

Nolan dá um sorriso, joga o cigarro no chão, PISA nas cinzas e se vira, em direção a uma moto.

NOLAN: Se quiser mesmo ver seu irmão, terá que vir comigo. (PAUSA) Eu não mordo. Prometo pra você.

Ele sobe na moto e põe o capacete.

CENA 39. EXT. RODOVIA - NOITE.

MÚSICA ON - Wait, por M83.

Nolan no controle, Cody na garupa - a moto passa em alta velocidade pela rodovia.

Trovões ecoam nos céus de Boston, seguidos por uma forte tempestade.

FECHA, no fim da estrada, na estrutura de uma HIDRELÉTRICA.

FADE OUT.

 
     

 

     


 

Criada e escrita por
Rafael Oliveira

Estrelando
Gerard Butler - Bruce Collins
Laurie Holden - Lori Blair
Woody Harrelson – Nolan
Wentworth Miller – Cody

Com

Britt Robertson - Emily Haven
Colin Ford - Ryan Haven

Participações especiais
David Harewood – Chris
James Purefoy – Jack
Nicole Leduc – Susan
Patrick Wilson – Joel
Vera Farmiga – Regina


Trilha sonora
Back In Black – AC/DC
Wait – M83

 Dead Land é livremente inspirada no jogo “The Last Of Us”, desenvolvido pela Naughty Dog.

Produção
Bruno Olsen
Diogo de Castro
 

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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