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Dead Land - 1x05: Em Julgamento (Season Finale)

Série de Rafael Oliveira
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DEAD LAND
     
 

 

FADE IN:

CENA 1. INT. HIDRELÉTRICA/RIO - NOITE.

Lori mergulha no rio e nada, até chegar ao grande resistor das turbinas.

Ela faz força e começa a fechá-lo. Com dificuldade, ela se apoia no resistor e o gira pro lado - cada vez mais forte... Até que o resistor roda e é selado.

Rapidamente, ela retorna à superfície para...

CENA 2. EXT. HIDRELÉTRICA/RIO - NOITE.

...buscar ar meio a escuridão, envolta ao amplo rio.

Ela se dirige a uma escada.

CENA 3. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

Os portões da hidrelétrica estão abertos. Os refletores iluminam o ambiente. A água, que atinge o exterior do local, já começou a abaixar. As FAMÍLIAS estão abraçadas - do lado de fora da hidrelétrica.

Lori vem andando lá de dentro, com dificuldade, passando meio à água. Emily já vem ao seu encontro. Ryan e Megan mais atrás.

EMILY: E então, Lori, conseguiu?

LORI: O menor resistor está fechado. O restante não é manual, fecha temporariamente. Daqui a algumas horas, a água não vai poder mais vazar das turbinas.

EMILY: E isso não é perigoso?

LORI: Por que seria?

Ryan se aproxima.

RYAN: A barragem... Quanto mais água ela conter, principalmente pelos resistores fechados, será pior.

EMILY: Temos quanto tempo, Ryan?

RYAN: Não tenho ideia.

CLOSE em Lori.

CENA 4. EXT. ESPLANADA/FACHADA - NOITE.

É uma rua completamente militarizada. Os OFICIAS protegem sua entrada, com um grande portão, através das armas – uma mais potente que a outra.

LEGENDA - Esplanada do Governo Militar.

CORTA pro CÉU, de onde, lentamente, cai um balão azul.

Os oficiais, no portão, à proteção do mesmo, se encaram; olham pro objeto em queda...

Não reparam nas duas camionetes de Nolan, vindo, à toda, pra cima do portão.

Quando eles olham pro portão, a camionete vem, em velocidade extrema, e passa por cima deles; do portão; do que estava pela frente.

CENA 5. EXT. ESPLANADA - NOITE.

Nolan, da caçamba, se diverte. Com sua arma em mãos, atira para o alto, pra onde vê, e quebra os vidros dos caminhões, espalhados pela rua, que porta, em sua margem, os CASARÕES DOS MILITARES.

CÂMERA dá um PLANO GERAL para mostrar os tiros saindo dos carros e chegando às casas ao redor: uma completa destruição das fachadas.

As camionetes param, de repente. Nolan observa tudo ao redor. Alguns militares, armados, ainda longe, correm na direção deles.

SLOW MOTION - Seus homens, dentro das camionetes, lançam coquetéis molotov sobre as casas ao redor.

E as camionetes fazem o contorno e saem correndo na RUA; atravessam o portão e vão embora.

O desespero aflora entre os militares e os casarões, ao longo da esplanada.

CENA 6. INT. CASARÃO MILITAR - NOITE.

Um MILITAR (alto, cabelos loiros, olhos pretos) escancara a porta de um dos casarões.

Um SENHOR (cabelos brancos, gordinho, trajando pijama) desce as escadas com a esposa (cabelos curtos, loiros; magra), meio ao lugar, em chamas.

O militar consegue passar entre as chamas e se aproximar do senhor.

MILITAR (BERRA, POR CAUSA DO BARULHO): Senhor coronel, recebemos um ataque! E a cidade... A cidade está em pânico. Vários andarilhos, do centro de pesquisa, fugiram!

O coronel não fala nada; encara o chão; até...

CORONEL (IDEM): Qual o protocolo de segurança?

MILITAR (IDEM): Agora? Precisamos sair daqui!

O coronel prende suas mãos às da esposa.

Todos saem pela porta, rápidos.

O lugar é tomado pelo fogo.

CENA 7. EXT. CENTRO DE BOSTON - NOITE.

A) Pessoas, correndo de um lado pro outro;

B) Fogaréu se espalha pelas ruas;

C) Um andarilho morde uma criança;

D) Um homem se joga de um prédio.

FECHA EM TELA PRETA, RÁPIDO.

 
     
     
     
     

1x05 - EM JULGAMENTO (SEASON FINALE)
 
     
 

FADE IN.

CENA 8. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

Megan, Ryan e Lori por ali, conversando. Todos aflitos, nervosos, impacientes...

LORI: Eu não sei se vou aguentar ficar aqui, esperando esses homens entrarem, verem o que sobrou... É claro que sobrou! O Bruce tá lá dentro!

RYAN: Tudo o que a gente tem que fazer é se acalmar, Lori. Não podemos entrar, ultrapassar toda essa água. Você já imaginou se... Se a barragem estoura?

MEGAN: Morreremos do mesmo jeito, se estivermos aqui, como estamos.

RYAN: Não! Você não entende. A barragem, quando estourar, vai sair carregando tudo. Temos tempo de correr. O máximo que vai acontecer é sermos levados pelo rio até algum ponto. Mas lá dentro, você pode ficar presa e acabar...

LORI: Mas se isso acontecer, o Bruce estará morto, também.

MEGAN: Eu não vou esperar mais. Eu vou entrar. Vocês vêm comigo?

RYAN: Eu não vou cometer essa loucura!

Emily se aproxima, com três garrafas d'água.

EMILY: Estão distribuindo. Peguem.

RYAN: Eu não quero.

MEGAN: Emily, a gente tem coisa importante pra resolver. A gente tem que salvar o Bruce.

LORI: Agora você quer entrar lá?

Lori balança a cabeça, negativamente.

EMILY: Eu acho melhor esperar.  Não é arriscado, Ryan?

RYAN: Eu acho.

MEGAN: Eu não vou esperar mais.

E Megan sai correndo, ultrapassando as águas.

RYAN (BERRA): Megan! Megan! Espere!

Mas ela já entrou.

LORI: Eu vou com ela.

EMILY (SEGURA EM SEU BRAÇO): Não! Por favor! Não vai. Eu te imploro. Sem você...

LORI: Vai ficar tudo bem, Emily. Eu prometo. Volto logo.

E ela sai correndo, em direção a entrada da hidrelétrica. CLOSE em Emily e em Ryan.

RYAN: Eu prevejo uma tragédia.

EMILY: Não. Vai tudo terminar bem. (T) Tem que terminar bem.

FECHA nela.

CENA 9. INT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

Megan, se segurando nas paredes, pisando, devagar, na água, que bate em sua cintura.

MEGAN: Bruce? Bruce, você está aí, meu bem? Fale comigo...

LORI (O.S): Ele não vai te ouvir dessa forma.

Megan leva um susto, olha pra trás, encara Lori, andando.

LORI: Assustada?

MEGAN: É claro. O que você tá fazendo aqui? Não prefere ficar lá, com eles, parada?

Continuam andando. Olhando os corredores...

LORI: Você sabe que não. (T) Sabe...  Eu só gostaria de entender por que você entrou no nosso grupo, na nossa vida, tão de repente; por que rejeitou salvar o Bruce naquele dia, no atentado à clínica.../

MEGAN (POR CIMA): Você não tem que entender nada.

LORI: O motivo é tão ruim?

Megan para, olha nos olhos de Lori.

MEGAN: Não. Não há motivo. Entrei porque quis, porque me apaixonei pelo Bruce, porque ele me traz paz nessa porcaria de mundo. É o suficiente?

LORI (EXALTADA): Então por que não salvou ele naquele dia? Em?

MEGAN: Você é tão interessada em saber isso. Salvar a vida de alguém não quer dizer nada! Não agora! Não hoje! Você vive no mesmo mundo que eu?

Lori aponta o indicador na cara dela.

LORI: Você roubou o Bruce de mim. Isso, sim! Eu sempre fui apaixonada por ele. O meu amor! Sempre!

MEGAN: Você... Você é completamente louca!

LORI: Aquele homem me fez feliz, Megan. É muito diferente. Eu troquei um homem, um homem que batia em mim todos os dias, pelo amor da minha vida. Mas você não imagina, não é? Pra você, eu só quero roubá-lo de você... Eu não meço esforços para salvá-lo, para tê-lo ao meu lado...

MEGAN: Mas ele escolheu a mim.

LORI: Por que ele não vê o seu olhar... O seu olhar ingrato, arrogante.

MEGAN: O que você tá fazendo aqui, me olhando? Vai... Passa na frente. Dispense me olhar.

LORI: É o que eu deveria fazer.

MEGAN: Então não precisa mais falar comigo. Faça.

LORI: Você está certa. Eu tenho uma causa muito maior.

Lori passa por ela; anda apressada, meio a água.

CENA 10. INT. HIDRELÉTRICA/SALA SECRETA - NOITE.

ABRE no rosto de Trevor, iluminado pela luz amarelada do ambiente. Sorriso diabólico na boca, olhos firmes no Menino, portador da síndrome de Down. Esse, tremendo, está nu, sentado numa cadeira, amarrado com uma corda.

Bruce está atrás, preso num pedestal de madeira.

Trevor fita ambos, enquanto anda pelo local, completamente desnorteado.

BRUCE (CALMO): Trevor, me tire daqui...  Me tire daqui, Trevor. Seja homem! Pelo menos uma vez na sua vida tente poupar e aceitar que você perdeu seu irmão, que você o perdeu por culpa própria.

Trevor não responde, anda de um lado pro outro, ouvindo tudo e engolindo a seco.

BRUCE (BERRA; FAZ FORÇA NAS MÃOS): Você não pode me manter, manter essa... Essa criança. Quem é ele? Meu Deus... Está frio. Não seja covarde, nos tire daqui. Trevor! Tire-nos daqui! (BERRA) Socorro! Socorro!

Trevor começa a rir, psicótico.

TREVOR: Grita! Mais alto! Vai! (ALTO) Vai, Bruce! Ninguém vai te ouvir. Ninguém pode te ouvir daqui. Ninguém vai se importar com você, (TOM) Bruce Collins. Ninguém vai se importar se você tiver que ser deixado pra trás, quando eles virem que todo esse lugar vai cair em ruínas.

BRUCE: Você não me respondeu. Quem é essa criança?

TREVOR (RI): Achou bonita? Quer levar, pra você cuidar? (T) Você não precisa saber quem ela é. (T) Vocês dois, Bruce... Vocês vão me fazer vingado da morte do meu irmão. Vão me fazer satisfeito...

BRUCE: Então... Então você pretende nos matar? Em? (BERRA) Fala, desgraçado! Eu vou acabar com você, Trevor. Eu vou acabar com você!

TREVOR (ALTO): Você não vai acabar comigo, não! Porque eu vou acabar com você. Antes de você, vou acabar com essa maldita (OLHA P/ CRIANÇA) criança e com...  E com seu maldito pai. Vão todos arder nas labaredas do inferno! Tudo... Tudo por terem destruído a minha vida. (OLHOS MAREJADOS) O meu irmão tinha um futuro pela frente. Mas você, Bruce... Você faz parte de toda essa história. E também vai pagar. Vai pagar muito caro pela morte dele!

BRUCE: Do que você tá falando? Você é louco, Trevor? (T) Eu não matei o seu irmão. Ele estava louco e você sempre soube disso. Ele não tinha a mínima condição de estar entre as pessoas. Em algum momento ele iria morrer. (ALTO) E morreu. E você não pode me manter aqui dentro, como um louco! Igual o seu irmão! Um psicopata, maluco!

E Trevor dá um soco no rosto, na cabeça de Bruce. E dá outro, e outro, e mais um. Bruce, por fim, sangue saindo do nariz, da boca, fecha os olhos. Bruce se contorce. Trevor se afasta.

CLOSE nele. Ele se ajoelha no chão; dá um BERRO forte.

CORTA pro menino: cabeça abaixada, tremendo de frio.

Trevor se levanta. Uma lágrima cai de seus olhos. Ele se aproxima do pedestal, se agacha e desamarra Bruce. Esse abre os olhos.

POV DE BRUCE - O ambiente parece estar se movendo; girando. Tudo é embaçado. De repente, algo o levanta por trás. Ele geme, de dor.

Sai do POV.

É Trevor, carregando Bruce, em direção a uma parede. Ele agarra uma alavanca, na altura do piso, e a levanta, revelando uma parte de parede falsa. Ali dentro, tudo é escuro. Trevor carrega Bruce para dentro da cavidade.

CORTA PARA DENTRO DA CAVIDADE:

Trevor acende as luzes. O lugar é um corredor, contendo várias jaulas, grandes, dignas de zoológicos. Ele abre uma delas e joga Bruce, ferido. Ele a tranca e fita o rosto de Bruce.

POV DE BRUCE - Lentamente, o ambiente vai se tornando real à sua vista e o efeito embaçado vai sumindo. Na sua frente, vê o rosto malicioso de Trevor, que sai, rapidamente.

Sai do POV.

A parede falsa é fechada.

Num PLANO GERAL, Bruce resta, meio a sala.

CENA 11. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

De dentro da hidrelétrica, vários homens retiram a água com baldes.

Emily e Ryan, um ao lado do outro, conversam no mesmo lugar onde estavam em suas últimas cenas.

EMILY: Eu não deveria ter mandado o Bruce ver o que estava acontecendo...

RYAN (SURPRESO): Então você estava com ele?

EMILY: Estava. Aliás...

RYAN: Você era pra ter dito, Emily! Se você tivesse falado para Megan, Lori, seria uma pista para achá-lo!

EMILY: Não, não, Ryan... Infelizmente, o Bruce deve ter sido carregado pela força da água.

RYAN: Onde vocês estavam?

EMILY: Numa sala. A sala das turbinas. Todos os canos; estava tudo vazando, descontroladamente. (T) Tudo começou quando a gente viu um rastro, um rastro de água no corredor.

FLASHBACK - Emily e Bruce veem o rastro de água.

VOLTA À CENA.

EMILY: E... E... Ah, foi tudo muito rápido. A gente estava indo ao dormitório, encontrar o...

CLOSE nela. Ela paralisa por alguns instantes.

EMILY: Espera aí... Você não está com o documento?

RYAN (DESCONHECE): Documento?

EMILY: O símbolo! O símbolo azul! Claro! Agora eu me lembro. Um símbolo azul. (T) Mais cedo, eu vi um soldado, um soldado conversando com Nolan. Ele usava um símbolo azul na farda...

RYAN (CAI A FICHA): Claro! O mesmo símbolo dos documentos.

EMILY: Exatamente. E onde você os deixou?

RYAN (MÃOS NA CABEÇA; IRRITADO): Oh, não... Oh, não! Merda! (T) Na hora de sair, estava com pressa, com medo, querendo encontrar vocês e acabei deixando o documento pra lá. Ele já deve estar bem longe da gente, Emily.

CLOSE nela.

CENA 12. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDORES - NOITE.

Lori anda pelos corredores. Tem dificuldade pela quantidade de água. Ela chama pelo nome de 'BRUCE'.

Ela se depara, de repente, à frente de uma porta. Ela abre a porta, clama por Bruce.

Mas, não o líder, algo lhe chama atenção: uma cadeira, uma mesa, vários papéis estão boiando. O que ainda se contém é um armário de madeira.

E Lori entra na SALA, olha pra parede, onde vê uma foto: a foto de Nolan. CLOSE.

Lori se movimenta pela água, vai até o armário e o abre. Vê uma lanterna, lá dentro. Pega-a. Acende-a, e ilumina o interior do objeto, vendo que as prateleiras à cima da água portam papéis secos. Ela movimenta cada um deles, tenta achar algo a mais; olha pros lados, não vê ninguém, e pega tudo que está seco.

CENA 13. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

POV de alguém, se aproximando de Ryan e Emily - estes a encaram. Revela-se Lori, com os papéis em mãos.

EMILY: Graças a Deus! Estava ansiosa.

LORI: Eu entrei na sala do Nolan. (MOSTRA A ELES) Peguei esses papéis. Pode ser útil?

RYAN: Nolan já deve estar voltando da ação noturna do bando. (T) O que são esses papéis?

Ryan saca os papéis da mão dela e observa um a um. Lentamente, seus olhos esbugalham para as duas.

EMILY (ASSUSTADA): O que foi, Ryan?

E ele vira o papel para elas.

RYAN: O Nolan. O Nolan e o exército. Eles estão juntos.

CLOSES alternados.

RYAN: Agora tudo se encaixa! Você ter visto um guarda, conversando com o Nolan. Ainda não, o símbolo azul.

LORI: Do que estão falando?

RYAN: Eu, Bruce e Emily sabemos que Nolan anda muito misterioso. Recebeu visita do exército...

LORI: Exército?

RYAN (VIRA O PAPEL P/ LORI): E agora tudo se confirma. Leia! Os Bats afirmam, integralmente, a união de paz entre exército e grupo, firmando uma só união.

EMILY: Mas se o Nolan foi à cidade em ataque, como haveria paz?

Todos se encaram.

RYAN: Simples. Ele não está em busca de paz.

De repente, uma explosão muito forte vem do céu. Os que ali estão, os que entram e saem da hidrelétrica, olham pra cima, assustados.

EMILY (NERVOSA): Oh, meu Deus! O que foi isso?

RYAN: Não sei... Parece...

FADE TO BLACK, RÁPIDO.

De repente, um barulho muito próximo, muito forte, de explosão em solo. Tempo.

FADE IN.

Uma explosão aconteceu no lugar. A maioria, dos que ali estavam, está no chão, tossindo muito. Uma fumaça acinzentada percorre o ambiente e quase não se vê, mas ouvem-se os motores de carros se aproximando do PORTÃO do pátio.

No meio da fumaça, surgem vários faróis. Carros vão entrando no local.

Lori tosse muito, coberta pela poeira da explosão; abre os olhos, não parece enxergar bem.

Muda para POV dela - ela enxerga embaçado, mas consegue ver uma bota, a bota de Nolan, passar próximo a sua cabeça, na direção de entrada à hidrelétrica.

Sai do POV.

PLANO GERAL: o lugar está completamente empoeirado. Os faróis dos carros continuam ligados e sombras de pessoas, passando meio aos corpos dos demais, são visíveis.

CORTA para um ROMBO, no meio da barricada; foi aberta no meio, pela explosão.

CENA 14. INT. HIDRELÉTRICA/SALA SECRETA - NOITE.

MÚSICA ON - Instrumental: tensão.

A porta é escancarada por Nolan. Este, entra na sala. CLOSE em seus olhos, demoníacos. Lentamente, a feição vai se transformando. Os olhos marejam, os lábios tremem.

CÂMERA vai buscar, em efeito VARRIDO, o MENINO, portador da síndrome de Down, preso a uma cruz, com cordas, estirado na parede, nu, com uma luz vermelha iluminando seu rosto. Ele começa a chorar, desesperado; enquanto faz força contra a cruz, tentando se soltar.

Eis que a parede falsa abre-se e Trevor sai de lá com Bruce, rindo, alucinado. Trevor o joga no chão e, aproximando-se da cruz, puxa um pedaço da corda que prende o menino.

Nolan, incrédulo, atônito.

O menino é solto e cai da cruz, direto no chão, chorando muito. Trevor puxa uma faca da cintura e levanta o menino, com brutalidade, o lançando a faca, à altura do pescoço.

Nolan ameaça se aproximar e Trevor ameaça com a faca no menino.

NOLAN: Meu Deus... Trevor, o que você está fazendo?

TREVOR (COMPLETAMENTE LOUCO): Essa não é a pergunta mais apropriada,  Nolan. Não para esta noite. Não para este momento.

CLOSE em Bruce, muito surpreso.

NOLAN (ENCARA O CHÃO): Bruce...

TREVOR (RAIVOSO): Você não está aqui por causa dele, Nolan! Não está!

NOLAN: Calma, Trevor. Vamos conversar. O que aconteceu?

TREVOR (RI): O que aconteceu? Você está me questionando o que aconteceu? (FECHA O ROSTO) Fala assim, mansinho, porque estou na mira do menino, não é? Quando se está na mira de alguém, não há como se conter... Mas você vai ter que se conter. Não foi isso, não foi essa, a justificativa pro Cody? Ele se matou, não foi?

NOLAN: Trevor! Acabe com isso, agora! Deixe de ser uma criança! Você não vai superar o seu irmão nunca! Você vai ser sempre assim. E não vai superar a morte dele. Não, se culpar a todos por isso.

TREVOR: Cale a boca! (BERRA) Cale sua imunda boca, Nolan! Ou eu...

Treme a faca, no pescoço do menino.

NOLAN: Trevor, não! Você não pode; você não vai fazer isso! Eu não vou deixar!

TREVOR: Eu matar o lindo menino, não é? Você matou o meu irmão, Trevor. O meu único irmão. E ele não confia mais em mim. Ele está naquela cova por sua culpa. E ele nunca vai me perdoar. Mas eu, Nolan. Eu me arrependo de tudo. E eu jurei... (LÁGRIMAS) Eu jurei, diante do corpo do Cody, de que ele seria justificado...

E a faca adentra a pele do menino. E vai rasgando, dando espaço pro sangue sair... Nolan, horrorizado, berra.

TREVOR (cont.): E que cada parte do corpo dele seria restaurada pela alma do seu filho, Trevor... Desse lindo menino.

Nolan, desesperado. A criança cai no chão, com metade do pescoço cortado, vazando sangue. E Trevor cai de joelhos, chorando muito.

TREVOR (CLAMA): Cody! Cody!

Nolan berra, caído no chão. Chora muito. Bruce assiste a tudo, horrorizado.

NOLAN: Eu vou acabar com você, Trevor! O meu menino. O meu único filho! A herança, a salvação, o que estava perdido! Você matou. E você vai se arrepender!!! Eu vou te matar!!!

E Nolan retira a arma da cintura, disparando contra Trevor. Pega no ombro. - Ele cai no chão, ao lado da criança.

Nisso, Bruce consegue se soltar; pula em cima de Nolan, impedindo que ele continue o tiroteio. Muita ação!!! Eles lutam pela posse da arma, até que Bruce consegue pegá-la e a aponta para Nolan.

BRUCE (BERRA): Quem é você? Quem é você? Fala!

E Bruce atira pro teto. Nolan começa a rir.

NOLAN (AINDA EM LÁGRIMAS): Me mata logo. Acaba com tudo, de uma vez por todas. Vai! Tudo o que era meu está acabado. O desgraçado/

BRUCE (RAIVOSO): Você não me respondeu!

NOLAN: O meu menino!!! (CHORA MUITO) Trevor, eu vou acabar com você! (BERRA) Ele era a esperança!

Nolan corre em direção ao filho. Bruce o ameaça com a arma, na cabeça, mas ele se aproxima do menino, catando seu braço, sujo de sangue, e revelando a cicatriz de uma mordida.

NOLAN (BERRA): Está vendo? Bruce! A salvação! Acabou a esperança!

E Bruce observa a cicatriz, surpreso.

BRUCE: Como.../

NOLAN: O meu filho! Ele está morto! Morto!!!

Nolan, cabeça erguida, respira fundo. A luz amarela da sala bate em sua testa; suor escorre.

BRUCE: Você manteve o seu próprio filho nesta sala? Todo esse tempo? Sedado?

NOLAN: Era pro bem de todos. Pro seu bem! (CÂMERA DESVIA P/ TREVOR; O.S.) Pro bem dele!

Trevor tosse muito, geme baixinho.

BRUCE: Você destruiu o meu casamento! Você matou o meu filho, Nolan. Isso, sim, merece justiça! O seu filho está morto. Não há mais solução pra caos algum! Está feito! (T) E eu estou aqui por causa do meu filho.

Nolan, lágrimas ainda saindo dos olhos, cospe no chão e ri pra Bruce, que fecha a porta.

NOLAN: Realmente, virou um palco de acusações. Por acaso você é complexado, que nem (OLHA PRA TREVOR) esse aí?

BRUCE: Até agora, você não me reconheceu, não é?

NOLAN (BERRA): Me tira daqui, seu psicopata. Eu tenho muitos homens lá fora. Eles vão notar o meu sumiço!

BRUCE: E vão te procurar, te procurar... (SE APROXIMA DE NOLAN; É FACE A FACE) Até encontrar o seu corpo, morto. Porque eu vou acabar com você. Como você fez na minha vida.

NOLAN: Essas frases de efeito pegam bem, não pegam?

Bruce dá um murro no rosto de Nolan, jogando-o pro lado. Ele respira fundo, fecha os olhos e encara Nolan, raivoso. Nolan começa a BERRAR, descontroladamente.

NOLAN: Socorro! Socorro!!! Me tirem daqui!

BRUCE: Não vão te ouvir, Nolan! Meu Deus... Então o seu filho, aquela criança...

CÂMERA mostra o corpo do menino, com uma poça de sangue ao redor.

BRUCE: Você o manteve aqui, esse tempo todo? Por quê? Você é um psicopata! Você matou o meu filho, Nolan! O meu filho!

NOLAN (BERRA): Quem é você?

BRUCE (BERRA): Lincoln Collins, Jack Collins, Regina. Reconhece esses nomes?

A feição de Nolan muda: abismado.

NOLAN: Oh, meu Deus...

BRUCE: Surpreso, Nolan? Surpreso? Pensou que eu já estava no quinto dos infernos, né? (T) Ou, pudera, estava andando por aí, atrás de carne viva, transformado naquelas coisas!

NOLAN: Todo esse tempo, no meu grupo... Você, todas aquelas pessoas. Era um golpe?

BRUCE: Não. Eu tive a felicidade de te reencontrar dentro da represa. Mas por outros motivos. Não por esses. E quando eu te vi novamente, algo me incomodou profundamente... E no dia que levei um tiro, eu finalmente me lembrei... Que você não é um simples proclamador de guerra. É um médico. O médico do Lincoln, do meu primeiro filho/

NOLAN: E do que vai me acusar? Ele tinha uma doença grave, degenerativa! Vai falar que eu o matei, também?

BRUCE (BERRA): Vou!

NOLAN: Você e aquela, sua mulher, não sabiam se quer cuidar de si. Saberiam cuidar de uma criança?

Bruce segura o rosto de Nolan.

BRUCE: Não fale assim da Regina! Ou eu acabo com você agora mesmo.

NOLAN: Eu já falei que não há impedimento. Acaba comigo logo, vai. (SUSSURRA) Eu suplico!

BRUCE: Não. Eu quero a história toda. Por que estamos aqui? O que estamos fazendo aqui? A história do Lincoln... Você o matou. E o meu irmão, o seu ajudante...

NOLAN: Eu não vou falar nada. Eu vou morrer aqui. Calado.

Bruce o encara.

BRUCE (DESAFIADOR): Você escolhe. Eu corto o seu filho, parte por parte, na sua frente, se você se negar a me contar tudo. E você vai ter que ver cada parte do seu (TOM) precioso se acabar na sua frente. (T) A escolha é sua.

Nolan o encara, raivoso.

NOLAN: Você não vai tocar no meu filho! (AFOITO) Não vai! Não vai tocar no meu menino. (ALUCINADO) Não vai...

Nolan derrama lágrimas após lágrimas... Bruce o encara, saca a arma, coloca-a no queixo dele.

BRUCE: A história!

Nolan soluça.

NOLAN: O que quer, da maldita história? Em?

BRUCE (ALTO): Eu quero tudo. Tudo!

CENA 15. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

MÚSICA INTENSIFICA.

Atiradores, homens dos Bats, procuram Nolan meio a escuridão. Lanternas às mãos, caçam em todo canto; clamam por ele. Não há respostas.

CENA 16. INT. HIDRELÉTRICA/SALA SECRETA - NOITE.

MÚSICA EM BAIXO VOLUME.

NOLAN: Tudo aconteceu rapidamente. Eu estava no auge da minha carreira científica. O Preto me trouxe uma vacina.

BRUCE: Preto?

NOLAN: Pensei que soubesse de tudo, pelo seu irmão. Por ele trabalhar comigo há algum tempo, quando recebemos a vacina nova, precisávamos testar. E, este homem, que ninguém sabe o nome, a identidade... Ele vendia vacinas para os principais laboratórios. Mas nenhum rato, coelho, qualquer espécie para teste, nenhuma delas reagia, até então, à vacina mais nova. Até que seu irmão me informou de seu filho.

Bruce não se controla, começa a chorar.

FLASHBACK - Nolan, no cemitério.

Todos saem do cemitério em passos lentos, deprimidos, debaixo de seus respectivos guarda-chuvas.

Em OUTRO PONTO, distante, um carro preto, moderno, estaciona. O vidro se abaixa e, friamente, Nolan encara a sepultura de longe.

VOLTA À CENA.

NOLAN: Ele me disse que o Lincoln estava com uma doença rara. Que não havia cura. E eu sugeri que testássemos a vacina. Eu sabia que não resolveria, mas o resultado era necessário.

BRUCE (SOFRE): Mas era ilegal!

NOLAN: Quem ligava pra isso, Bruce? (T) Na verdade, só essas criaturas mudaram no mundo. Continua a mesma coisa. Quem tem poder, tem tudo.

BRUCE (APONTA A ARMA): Continue a história! Vai!

NOLAN: E nós testamos no seu filho. Mas ele morreu. Não por conta da vacina. Quando, depois de morto, fizemos o exame de sangue, para teste de óbito, as células dele... Estavam... Estavam todas obstruídas, por conta do vírus. E as faciais... As faciais estavam se reunindo, tentando reformar algo/

BRUCE (CORTA; ALTO): Oh, meu Deus. O vírus. A transformação... Meu filho foi a primeira vítima desse caos!

BAQUE. CLOSE em Bruce.

NOLAN: Eu não tinha ideia! Não tinha noção.

Bruce lhe agarra pelo colarinho.

BRUCE (DESESPERADO): Noção? Ideia? Você não tinha nada na cabeça, para fazer isso! Um vírus mortal, que dizimou a maior parte das pessoas do planeta! Estamos num caos! E você foi o principal agente disso tudo!

NOLAN: O vírus foi vendido! Era minha obrigação testá-lo, se você não sabe.

BRUCE: Obrigação? Você não tinha ideia do que era a vacina?

NOLAN: Mutagênica, altamente feroz. Incompreensível. Primeira vez que vi uma na vida. Poderia ser a cura do câncer! (T) Você é um imbecil? Não percebeu que a culpa não é minha, do seu filhinho ter morrido?

BRUCE (ALTO): É sua, sim! Você matou o meu filho! O Lincoln morreu por causa da maldita doença. Mas agora eu quero nomes, vai...

NOLAN (OLHA AO REDOR): Não vai me perguntar sobre tudo isso? (RI) Pois eu faço questão de te dizer. Isso tudo aqui é meu. E esse Estado, a partir de agora, também será.

FECHA nele.

NOLAN (cont.): Todos eles, naquela maldita cidade, estão mortos, Bruce. Quem impera, agora, são os Bats.

BRUCE (ASSUSTADO): Bats? Você é louco! Quem impera, agora, é você! Com seu absolutismo, que vai terminar matar todas essas pessoas que acreditaram em você, seu desgraçado.

Bruce dá um soco em Nolan.

BRUCE: Me diz! Quem vendeu a vacina?

NOLAN: Eu não vou dizer.

BRUCE (ALTO): Você vai! Eu quero o nome! Eu vou procurar essa pessoa até o quinto dos infernos. E vou terminar de afogar ela, junto com você! (T) Me diz!

NOLAN: Eu não vou dizer!

Bruce aponta a arma na cara dele.

BRUCE: Eu vou acabar com você, Nolan. (BERRA) Pelo meu filho, por toda essa gente, porque você vai acabar com tudo. Porque você destruiu a minha vida!

FLASHBACK - Bruce e Regina no cemitério.

Um pequeno caixão branco está dentro de uma cova.

Um PADRE fala algo para um grupo de pessoas, todas em trajes pretos, atrás de Bruce e Regina, chorando muito, a observar o pequeno caixão.

VOLTA À CENA.

BRUCE (ALTO): DIZ!!!

FLASHBACK – Cont.

A lona já veio a baixo e uma lápide está sobre a recém-coberta sepultura.

No objeto, os seguintes dizeres: "LINCOLN COLLINS (1998-2005).", seguido da frase: "PARA SEMPRE CONOSCO."

VOLTA À CENA.

BRUCE: Eu vou te matar, Nolan. Acabou, pra você! (BERRA) Vai, diz!

NOLAN (ALTO): Acabou.

Nolan olha pro filho, morto, no chão, e joga um beijo.

CLOSE nas mãos de Bruce, prestes a apertar o gatilho. Tensão.

Olhos nos olhos. Nolan sorri, fecha um deles; sussurra algumas coisas.

Trevor, no canto, observa a cena, debilitado; com as mãos, vermelhas do sangue, pressionando o ferimento.

Volta pros rivais, se encarando. É o auge.

Bruce dá um berro de ódio e, no clímax, quando vai apertar o gatilho, a porta é escancarada e Lori entra, batendo-a.

MÚSICA OFF.

Bruce se assusta. Nolan abre os olhos, a encara.

LORI (OFEGANTE): Bruce, graças a Deus!

Lori abraça Bruce, forte.

BRUCE (ASSUSTADO): Lori...

LORI: Não faça isso! Não o mate!

CLOSE, ALTERNANDO ENTRE OS PRESENTES.

CENA 17. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

A fumaça já passou. As pessoas estão agitadas. Os homens de Nolan estão presos a um pedestal. Outros, vigiam.

As águas abaixaram um pouco.

CENA 18. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDOR - NOITE.

Megan sai de um dos corredores e encontra Ryan, procurando-a.

RYAN: Finalmente, te encontrei.

MEGAN: O que houve?

RYAN: Nolan está por aí. Estão todos loucos, atrás dele. Pegaram seus parceiros. Eu e Lori descobrimos que ele e o exército estão juntos. É perigoso ficar aqui. Todos querem levar Nolan a julgamento! Ele pode estar em qualquer lugar.

MEGAN: Com o Bruce, talvez!

RYAN: Oh, meu Deus! É verdade! Vamos lá fora. A Emily está ajudando alguns debilitados, com a Lori. Talvez precisemos procurar Bruce.

MEGAN: E acharemos o Nolan.

RYAN: Vamos!

Eles saem andando, meio a água, rumo à saída.

CENA 19. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

Emily entrega uma caneca a uma criança, que sorri. Ryan e Megan chegam.

RYAN: Emily! Onde está a Lori?

Todos se olham.

MÚSICA ON - Pray, por Kodaline.

De repente, vêm BRUCE e LORI, encaminhando NOLAN, que encara a todos. Atrás, carregado por homens, vem Trevor.

Ryan, Emily e Megan encaram a cena.

Eles param. As pessoas encaram Nolan com ódio, com nojo...

E as pessoas vão se aproximando do grupo: Trevor, Nolan, Lori e Bruce - este, segura Nolan, com as mãos amarradas. As pessoas o falam mal, jogam coisas sobre ele: papel higiênico, por exemplo. Ele se protege como pode.

No olhar maligno de Nolan. CÂMERA compreende seu rosto.

NOLAN (SUSSURRANDO): Ignorantes, mal educados, mal agradecidos... Povinho de merda! (T; ALTO) É melhor terem lugar, porque a cidade está (OLHOS ABERTOS) toda perdida, destruída, tomada!

BRUCE (APONTA O INDICADOR): É melhor ficar quieto. Você vai a júri popular, como nunca imaginou!

NOLAN: Não existe condenação. Façam o que quiserem comigo. Eu já estou entregue.

PLANO GERAL do lugar.

VOLTA para a roda, que se formou. Todos em volta do "acusado" e dos "juízes". Bruce dá um passo à frente, enquanto todos hostilizam Nolan.

BRUCE (ALTO): Peço silêncio. Silêncio!

Todos se aquietam, para escutá-lo.

BRUCE: Todos vocês sabem de uma coisa. Este homem, que na minha frente se dizia ser um homem competente, se revelou o desastre. Se os inimigos deveriam ser aquelas criaturas, que estão lá fora, algo deu errado. Porque (APONTA) Nolan virou nosso inimigo. Prometeu-nos tudo de bom, e o que sempre almejou foi poder. (ÓDIO) E é por esse poder que ele está diante de todos vocês. Para ser julgado e condenado! À morte, se for decisão!

Começa um reboliço entre os presentes.

LORI (ALTO): O que decidem?

SOBREVIVENTES (VÁRIOS; FALANTES): Morte! Matem-no! Acabem logo com isso! Morte para este desgraçado!

BRUCE: Se é da vontade de todos, será morto!

MULHER (CHORANDO MUITO): Matem esse desgraçado. (T) O meu filho...  Morreu nessa explosão! Isso tudo para nos matar? Para reinar? Você e sua coroa?

NOLAN (RI): Bem longe de todos vocês!

MÚSICA OFF.

Todos se rebelam. Nolan ri, louco. Bruce cata a arma da cintura e entrega a Lori.

BRUCE (FRIO): Mate-o.

Close nela. Ryan, Emily, Megan - todos observam.

No grito de todos, Lori mira para a cabeça de Nolan, que ri.

NOLAN: Termina logo, loira. (SÍLABA POR SÍLABA) Gostosa!

LORI: Morre, desgraçado!

E ela dá dois tiros, seguidos, nele. Nolan cai no chão, morto.

As pessoas encaram a cena, com nojo, e saem dali.

Close em Lori. Ela deixa a arma cair no chão, fria, e encara Bruce. Todos se aproximam dela.

BRUCE: Está tudo bem?

LORI: Sim.

Ela o abraça. Megan observa.

PLANO GERAL do lugar. A roda de pessoas vai se desfazendo; o corpo de Nolan permanece no centro.

Volta para o plano de Bruce, que se aproxima das pessoas que estão adentrando a represa.

BRUCE (ALTO): Esperem. Todos.

As pessoas voltam, se viram para ele.

BRUCE: Pra onde vão?

Um HOMEM, moreno, 50 e poucos anos, roupas gastas, dá um passo a frente.

HOMEM: Vamos ver o que restou, ora. Depois da inundação, tudo foi perdido. Precisamos sair desse lugar.

BRUCE: É o melhor pra todos nós.

HOMEM: Vamos procurar ajuda. O exército, talvez, esteja à nossa espera.

BRUCE: Não era o que os documentos diziam. Nolan tinha uma falsa aliança com o exército. E, como ele mesmo disse, a cidade está tomada, perdida. Acabou. A uma dessas, Boston é mais um estado, desolado.

HOMEM: E o que faremos?

BRUCE (OLHA AO REDOR): Não temos mais nenhum líder. Cada um por si, a partir de agora. Todos em seus devidos rumos, lutando por algo que batalhamos muito, até hoje, para permanecer: sobrevivendo. Eu espero que todos vocês conquistem a cura dessa maldita doença. E espero que nos reencontremos, todos salvos, e recriemos a nação.

HOMEM (RI): Gostaria do seu otimismo.

Este se vira, sumindo meio a multidão. Megan dá um passo a frente.

MEGAN: Eu vou pra cidade.

BRUCE (ESPANTA): Cidade? Megan?!

MEGAN (OLHA PRA ELE): Acabou, Bruce. (A TODOS) Se alguém quiser vir comigo, aceito companhias.

Alguns concordam, outros já adentraram a Hidrelétrica. Bruce se aproxima de Megan.

BRUCE: Como assim? Não acabou! Estamos sozinhos, no meio do nada, mas ainda somos um grupo! Agora, mais forte!

MEGAN: Mais forte, Bruce? (SORRI) Foi bom, estar aqui, estar ao seu lado. Descobrir você. Desejo tudo de melhor.

BRUCE: Então, é assim? Acabou?

MEGAN: Não estamos aqui para construir relações. Você sabe disso.

Lori se aproxima, pigarreia. Bruce e Megan se viram, a encaram.

LORI: Por que tomou essa decisão?

MEGAN: É o melhor a se fazer.

BRUCE: Eu acho que você não entendeu o sentido de tudo isso. Sozinho, somos muito mais fracos!

MEGAN: Eu vou encontrar o meu destino. Quem sabe, um dia nos reencontramos?

Megan sorri e se afasta. Bruce olha pra Lori, encafifado.

LORI: Megan! Espera.

Megan olha pra trás. Lori vai até ela.

LORI: Você está fazendo isso por causa da discussão?

MEGAN: Não. Não por causa do Bruce. Você acha que largaria tudo por causa dele? (SORRI) Você não me conhece.

LORI: Não, mesmo.

MEGAN: Você pode tentar ser feliz com ele, nessa terra. Mas eu te aconselho repensar no que é viver. Aqui, dessa forma, como vivemos. É um romance que pode acabar a qualquer momento. E chegou minha hora de seguir a vida, viver o que a sobrevivência está me mandando viver.

LORI: Estou surpresa.

MEGAN: Não fique. Apesar de tudo, eu te desejo sorte. Sorte, na sua caminhada.

LORI: O mesmo, a você.

MEGAN: Obrigada.

Megan se vira, em direção a porta de entrada à represa. CLOSE em Lori. Bruce se aproxima.

MÚSICA ON - Lithium, por Evanescence.

BRUCE: E então?

LORI: Não consegui convencê-la. Acho que nos restaremos.

BRUCE: Vamos embora daqui.

LORI: Sem antes pegar o que nos trouxe aqui? (SORRI) As armas, Bruce. Elas ainda nos pertence.

BRUCE (SORRI): Foram tantas surpresas, que me esqueci dela.

LORI: Esqueceu?

BRUCE: À uma hora dessas, devem estar encharcadas, lá dentro. Não?

LORI (SORRI): Eu sei da minha competência.

E ela sai andando. Bruce a observa e a segue.

CORTA PARA Trevor, escorado numa pilastra, mãos encharcadas de sangue -- ele consegue se levantar, sem ninguém perceber. E rasteja para o meio de um EXTENSO MATAGAL.

E ele caminha, adentrando aquilo. Respira alto, parece sentir dor. Olha pra trás, vê a represa hidrelétrica se afastando cada vez mais.

PLANO GERAL do matagal, que adentra uma densa FLORESTA.

COMEÇA A AMANHECER.

CORTA PARA o corpo de Nolan, estirado no CHÃO do EXT/ da HIDRELÉTRICA. Lentamente, os olhos se abrem. E revelam-se vermelhos. Os dentes se amostram, lentamente, ele começa a se levantar.

Duas pessoas, próximas, começam a gritar.

Bruce, que andava mais à frente, seguindo Lori, olha pra trás e vê Nolan se levantando, totalmente transfigurado. Bruce se assusta, o olha, enojado, retira a arma da cintura e lhe dá um tiro, certeiro, na cabeça. O corpo cai, com tudo, no chão.

Lori corre até ele e eles observam o corpo do vilão, desfalecido; agora, sim, morto.

FADE OUT.

MÚSICA OFF.

FADE IN.

CENA 20. INT. HIDRELÉTRICA/PORÃO - DIA.

Um porão sujo, guardando muitas caixas, muitos itens; inclusive, dentro de uma dessas caixas de papelão, armas e mais armas.

A porta do porão, no teto, é aberta e uma escada é lançada de lá. Bruce e Lori vêm descendo, até chegar ao chão e fitar todo aquele lugar, de cheiro e modo antigo.

BRUCE: Essas coisas... Como você descobriu isso?

LORI: Eu segui Trevor, uma vez. Encontrei esse lugar. (T) Não achou que eu tinha esquecido as nossas armas, né? Você mobilizou todo o grupo entorno da sua causa, não me contou tudo...

BRUCE: Ei, não é por sua causa. (T) Era pra não transformar uma história tão perversa em um ideal pra gente, pra acabar com o Nolan. Eu queria fazer como eu fiz. Descobrir todas as atrocidades...

LORI: E o que descobriu?

BRUCE: Todo esse caos começou no meu primeiro filho, Lincoln. Ele tinha uma doença raríssima. Para medida de testes, Nolan aplicou a vacina nele. Mudou várias células. Ele acabou morrendo. E eu nunca entendi por que. Nolan era o médico. O vírus foi aplicado, no lugar de uma medicação, Lori. O vírus que transformou todas essas pessoas!

LORI: Que o exército diz ser o vírus evoluído da raiva! (BOQUIABERTA) Oh, meu Deus! Então... O responsável por dizimar parte das pessoas/

BRUCE (A CORTA): Não. Foi um homem, foi quem lhe deu a vacina para teste. Eu implorei que ele dissesse o nome, pelo menos, mas ele se negou. Eu o mataria, se você não tivesse chego.

LORI: Oh, meu Deus! Então...

BRUCE: Existe alguém muito pior, nessa história toda, que quer, que queria... Todos mortos.

CLOSE neles.

BRUCE: E as armas, onde estão?

LORI: Ah, ali!

Ela aponta em direção as armas.

Bruce sorri, vai até elas.

BRUCE: Meninas...

LORI: Vamos levar todas?

BRUCE: Sem chamar atenção. As pessoas podem ver, entenderem de outra forma.

Bruce retira algumas armas, põe no chão, deixa umas cinco dentro da caixa, e a levanta.

LORI: Tudo bem.

BRUCE: Vamos embora?

LORI: Vamos.

Eles se dirigem à escada. Lori sobe primeiro. Quando Bruce vai subir,

PLANO DETALHE - Bruce observa uma MALETA PRATA (a mesma, que Nolan pegou na cidade), com uma luz vermelha, apitando. Encontra-se sobre uma bancada.

Bruce deixa a caixa no chão, vai à maleta.

POV DA MALETA - Bruce se aproxima, mexe em alguns botões da maleta, até conseguir abri-la.

ZOOM-IN vai buscar o rosto de Bruce, surpreso.

BRUCE (SURPRESO): O que é isso?

SAI DO POV.

Lori desce, rápida, e vai até ele.

Volta pro POV DO OBJETO - Nos dois, fascinados.

SAI DO POV.

CORTA para o conteúdo da maleta: um pen drive e uma seringa, ao lado de um pequeno vidro negro.

LORI (FIXA NO OBJ.): Bruce! Será uma vacina?

BRUCE: A cura?

LORI: O que fazemos?

BRUCE: Vamos levar. Vem, não podemos perder muito tempo.

LORI: Vamos, logo.

Lori pega a maleta, leva consigo; Bruce fica com a caixa de armas. E sobem as escadas.

CENA 21. EXT. HIDRELÉTRICA - DIA.

MÚSICA ON - Devil May Cry, por The Weeknd.

MONTAGEM - Os últimos momentos no lugar.

A) As pessoas começam a se dirigir ao portão.

B) Bruce, abraçado a Megan. Ryan e Emily, com uma pequena mala em mãos, olhando o abraço. Lori, atrás, também observando.

C) As pessoas começam a sair da represa.

D) Bruce fecha o portão.

FIM DA MONTAGEM.

Bruce, Ryan, Emily e Lori frente a todas aquelas pessoas - dentre elas, Megan.

BRUCE: Desejo sorte a todos. Até um dia.

Todos sorriem para Bruce.

PLANOS DETALHES - Sorriso das crianças; olhares confiantes, olhares estimulados de pais, mães, jovens, idosos...

CLOSE em Megan. Ela dá um adeus e já segue rota, rumo à cidade. Todas aquelas pessoas também vão.

Bruce, Lori, Emily e Ryan, porém, seguem outra pista.

FULL SHOT AÉREO do lugar. Cada grupo vai para um lado. A hidrelétrica é deixada pra trás.

MÚSICA OFF.

FADE OUT.

BRUCE (V.O.): Estar vivo não é simplesmente existir, mas fazer parte de uma vida. Não importa se isso foi um milagre.

LEGENDA - Tempos depois.

FADE IN.

CENA 22. EXT. CIDADE DE BOSTON - DIA.

Abre numa lança, sendo cravada na cabeça de um andarilho.

CÂMERA revela Megan: roupa gasta, suada, cabelos presos, encarando o corpo, no chão.

Ela continua andando, sem olhar pra trás, com uma mochila nas costas.

CENA 23. EXT. AP/FUNDOS - DIA.

São os fundos do AP em que viviam Megan, Bruce e todo o restante do grupo.

Quem está diante dele é Megan. Ela olha pra cima, observa que parte dele está destruído, com um rombo gigante, como se uma bomba estivesse feito o caos.

Megan se dirige à porta, de vidros quebrados, entra e fecha-a.

CENA 24. INT. AP DE BRUCE - DIA.

A poeira tomou conta do lugar. Megan entra, observa todos os cantos.

CLOSE nela.

FLASHBACK - Megan conhece Bruce.

Megan desce as escadas do AP, quando vê a porta do AP de Bruce escancarada. Seu corpo está caído próximo à porta. Ela se assusta, aproxima-se, para ajudar.

VOLTA À CENA.

Megan encara tudo, sai dali. A porta é batida.

De repente, vem um ANDARILHO, do quarto, cambaleando. Ele encara a CÂMERA.

CENA 25. EXT. PRÉDIO - DIA.

Megan sai do prédio pela mesma porta que entrou e o olha pela última vez.

VOZ MASCULINA (O.S.): Procurando alguém?

Megan se vira e vê Chris. Esse, sem barba e mais magro.

MEGAN: O senhor...  Não é o/

CHRIS: Chris. Antigo, ex-coronel do exército, inimigo dos Bats, conhecido em toda Boston? (SORRI) Sobrevivi a mais uma guerra.

MEGAN: Oh, meu Deus... (SORRI) E por que está aqui, olhando pro/

CHRIS: Amigos. Amigos que desistiram do que tinham para lutar por armas que, se quer, os salvaria de algo.

MEGAN: Morreram?

CHRIS: Não sei. (T) Eu estou unido com um grupo. Não quer se juntar a nós?

MEGAN: Separei-me de um. Acho que não. Minha ideia é seguir sozinha.

CHRIS: A escolha é sua. Sou das antigas, prefiro pessoas... (DESCONTRAI) Para me apoiar, quando alguma parte do corpo quiser sair de mim.

MEGAN (RI): Você é divertido.

CHRIS: Vem... Vamos andando. Prometo mudar sua ideia de morrer sozinha!

Ela ri, se aproxima e eles dão as costas para a CÂMERA, indo embora.

MÚSICA ON - Common Ground, por Kodaline.

CENA 26. EXT. ESTRADA - DIA.

Bruce, Lori, Ryan e Emily andam, cansados, pela reta pacata.

CÂMERA vai dando vários CORTES, seguidos, de PLANOS PRÓXIMOS dos rostos deles.

CENA 27. EXT. HIDRELÉTRICA - DIA.

Um helicóptero, no céu, sobrevoa a área.

BRUCE (V.O; CONT.): Não digo que não me arrependi de nada. O passado veio à tona; conheci o desconhecido e me assustei perante as atrocidades das pessoas.

Vai embora.

FUSÃO PARA:

CENA 28. EXT. ESTRADA - DIA.

Na pista, surge um ANDARILHO, vindo do meio do mato, à direta. Todos partem pra cima dele.

BRUCE (V.O; CONT.): Todos desejam poder. Nos momentos piores, nas situações mais desconfortáveis. E tudo o que encontram é a infelicidade da morte. E ela, sem dúvidas, é o maior significado de poder. (T) Não há solução nessa terra, sem ser lutar pela vida: o único mandamento dessa nação pecadora. E não diga que não há permissão para novas oportunidades. A vida está cheia delas. Basta ter vida. E matar, e sobreviver, meio a pessoas que também lutaram e sobreviveram, é ter algo em comum com todas elas. E, permanecer vivo, é uma questão de forças. Matar o inimigo é o pão de cada dia.

O andarilho cai no chão, morto.

E a CÂMERA vai buscar, em FULL SHOT AÉREO: depois do INTENSO MATAGAL, de onde saiu o andarilho, um TRILHO DE TREM.

Em alta velocidade, vem um TREM, passando direto.

CORTA PRA ESTRADA - olhares assustados de todos. Ouve-se a buzina do trem, longe.

BRUCE (V.O; CONT.): E para aqueles que a vida dá a nova oportunidade, é certo que o destino reservará, a elas, novas chances de cumprir o único mandamento dessa terra morta: lutar pela vida. Todos os dias. Para sempre.

VOLTA PROS TRILHOS, onde o trem passa, a buzinar.

MÚSICA OFF.

FADE OUT.

 
     

 

     


 

Criada e escrita por
Rafael Oliveira
 

Estrelando
Gerard Butler - Bruce Collins
Laurie Holden - Lori Blair
Woody Harrelson - Nolan Miller
Sarah Wayne Callies - Megan Campbell
Vince Vaughn – Trevor
 

Com
Britt Robertson - Emily Haven
Colin Ford - Ryan Haven
 

Participações especiais
David Harewood – Chris
Os demais fazem parte da figuração.
 

 Trilha Sonora
Common Ground - Kodaline
Devil May Cry - The Weeknd
Lithium - Evanescence
Pray – Kodaline
 

Dead Land é livremente inspirada no jogo “The Last Of Us”, desenvolvido pela Naughty Dog.


Produção
Bruno Olsen
Diogo de Castro
 

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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Proibida a cópia ou a reprodução

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