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Dead Land - 1x04: O Passado diz ao Presente (Penúltimo Episódio)

Série de Rafael Oliveira
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DEAD LAND
     
 

 

FADE IN:

CENA 1. INT. HIDRELÉTRICA/CLÍNICA - NOITE.

Na tela de um aparelho de monitoramento cardíaco, os batimentos se mostram constantes e estáveis.

Na maca, ao lado, está Bruce, curativo no ombro - onde foi baleado -, olhos abertos, meio a sala pouco iluminada.

POV MISTERIOSO - Da porta, alguém o encara.

Sai do POV.

Bruce ergue a cabeça, vê quem é e volta a se recostar no travesseiro, respirando fundo.

Aproxima-se, então, Lori: mãos nos bolsos, observando tudo ao redor.

LORI: Não vá me dizer que tudo é culpa sua.

BRUCE: Eu nem precisei. Você já disse.

LORI: A culpa de a missão não ter progredido com sucesso e três agentes terem sido mortos é sua?

BRUCE: Você insiste nessa droga.

LORI: Vou te lembrar pra sempre do que aconteceu daquele dia pra você não ficar remoendo a história de que foi tudo culpa sua. Você levou um tiro, estava ferido, eles precisavam parar/

BRUCE (EXALTADO): Não pararam para o que foi atingido com um tiro na cabeça. Por que pararam por mim?

Ela o encara durante poucos segundos.

LORI: O Nolan não falou mais nada?

BRUCE: Depois de me acusar de ter arruinado a rota deles? Não.

LORI: Como está o ombro?

BRUCE: Melhor.

LORI: Estava prorrogando para lhe dar a notícia, mas... Encontramos Cody.

BRUCE (REAÇÃO): Oh, e onde ele estava?

LORI: Aqui, todo esse tempo.

BRUCE: Aqui?

LORI: Nesta cama, onde você está.

BRUCE: Ele estava ferido? O que houve?

LORI: Completamente louco, pirado, maluco. Não fala nada com nada. Trevor, o irmão, também sempre esteve aqui. Está cuidando dele... Parece que Cody sofreu algum trauma enquanto não chegava aqui. Mas ele não fala nada que possamos entender. Infelizmente.

BRUCE: Oh, meu Deus. Mas... Ele reconheceu você, a Emily?

LORI: Nenhuma de nós. Pra falar a verdade, ninguém até agora. A não ser...

BRUCE: Quem?

LORI: Nolan.

CLOSE em Bruce.

MONTAGEM DE FLASHBACKS – As lembranças de Bruce surgem com rapidez e exatidão na tela...

A) RUA - A camionete de Jake explode, matando Susan.

B) QUARTO DE HOSPITAL - Bruce e Regina observam Lincoln, na maca, desmaiado.

C) CEMITÉRIO - A lápide de Lincoln.

D) QUARTO DE HOSPITAL - O médico de Lincoln se vira e, agora, reconhece-se Nolan.

FIM DO FLASHBACK.

Volta, como num estalo, em Bruce.

BRUCE (IMPACTADO): Eu me lembrei! Me lembrei de tudo.

LORI (CONFUSA): Do que você tá falando, Bruce?

Repentinamente, ele arranca tudo o que estava preso a seu corpo.

O aparelho de monitoramento cardíaco APITA.

Uma ENFERMEIRA surge na porta.

ENFERMEIRA: Paciente, você não pode sair assim!

LORI: Bruce, o que está havendo?

Bruce se levanta da cama e anda, rapidamente, com uma das mãos apertando o curativo no ombro.

BRUCE: Eu descobri tudo e vou acabar com isso agora.

Bruce se dirige a porta; a enfermeira tenta segurá-lo.

ENFERMEIRA: Você tem que voltar para a maca!

BRUCE (BERRA): Me solta!

Ela amedronta e dá passagem.

LORI: Bruce, Bruce...

Mas ele já caminha pelo CORREDOR.

CENA 2. INT. HIDRELÉTRICA/SALA - NOITE.

Cody, sentado em um dos quatro cantos da sala, sorri maleficamente para o chão, completamente louco.

De uma JANELINHA, na PORTA, Trevor o encara.

Cody se levanta, olha para a parede e dá um murro na mesma. Ele a encara, com ódio, enquanto repete o nome de "NOLAN".

FADE OUT.

 
     
     
     
     

1x04 - O PASSADO DIZ AO PRESENTE
 
     
 

FADE IN.

CENA 3. INT. HIDRELÉTRICA/TURBINAS - DIA.

Abre na estrutura da turbina, que antes estava sem funcionamento. Agora, esta gira, continuamente, incentivando relativa poluição sonora no local, fato que obriga Nolan, Scott e Trevor, nos CORREDORES a cima das turbinas, usarem um fone grande no ouvido. Eles observam todo o processo ali, movido por alguns homens, suados, em trabalho contínuo.

CENA 4. INT. HIDRELÉTRICA/SALA DE NOLAN - DIA.

Nolan acaba de se sentar em sua cadeira. Na da frente, já se acomoda Trevor.

NOLAN: Com a geração da água, podemos abastecer o máximo possível dos estoques.

TREVOR: Sem essa, Nolan. Influenciar toda essa gente para nos confiar suas vidas exige prova. Colocar essas turbinas para funcionar é garantir a vida.

NOLAN: Seu maior erro, pequeno Trevor, é acreditar que tudo o que faço é para influenciar o aumento dos Bats. Perdemos nossas chances de recursos. Nem a missão de busca a medicamentos conseguimos concluir.

TREVOR: Eu conheço o ferido na missão.

NOLAN: O que gerou toda essa confusão? Era pra ter sido jogado porta a fora. (T) Ele é o líder da loira gostosa, não é?

TREVOR: Lori?

NOLAN: Esse poço de mistério, mesmo.

TREVOR: Sim. O meu irmão, ele fazia parte do grupo deles no centro.

NOLAN: O olhar deles se cruzaram nos corredores. Tive que contar a ela que se tratava de um deficiente psicológico.

TREVOR: Até quando pretende enlouquecê-lo com aquelas malditas aplicações? (O ENCARA) Eu não vou permitir que você faça algo além disso.

Nolan se ajeita na cadeira, se curva na mesa e encara Trevor.

NOLAN (RISOS): Você sabe que nos trará problema, não será louco de me forçar a parar o tratamento de... (RI) de loucura. (T) Se seu irmão voltar ao estado normal, vai revelar que me viu matando aquele homem e, então, pode ser tarde demais para a confiança dessas pessoas.

TREVOR: Pensei que se importasse apenas com você.

NOLAN: E isso não é me importar comigo mesmo? (T) Todos nós sabemos que os Bats nasceram da necessidade de sobreviver. Você não foi comprado à toa, Trevor. Todos nós, líderes, buscamos poder e eu sou o encarregado de dar isso. Essas pessoas, por esses corredores, são apenas um pretexto.

TREVOR: Você fala como se fosse algo simples.

NOLAN: Por que não seria? Por que eu estaria errado? Não existe mais lógica lá fora. Não existe mais moral e cívica. É cada um por si.

TREVOR: É a sua justificativa?

Nolan se escora na cadeira, o encara.

TREVOR: Ao invés de discutirmos o passado, é melhor agirmos. Eu não acho que devamos adiar. Está na hora de ganhar Boston, Nolan...

NOLAN: Não, ainda não. Falta algo.

TREVOR: O quê?

NOLAN: O menino. Está em estágio final. Vamos, em breve, consegui-lo. Finalmente.

TREVOR: E quanto ao exército?

NOLAN: Vamos negociar a entrada dos Bats no governo. Mas vou mandar uma tropa de andarilhos dar um olá pra eles e acabar com a festa.

TREVOR: Será passe livre?

NOLAN: Hoje, à noite, vou até a cidade. Pegarei o que nos foi prometido no acordo de paz e vou dar início ao nosso plano. Vamos boicotar o acordo. (T) Ás vezes penso se estamos mesmo num mundo devastado por um vírus. Sou o único não desolado pelos cantos, que aproveita as oportunidades?

TREVOR (ENCARA-O): Eu espero que você não esteja armando algo pra mim, Nolan, caso contrário, todo o seu plano vai por água a baixo.

Ambos se encaram, olho no olho. Mistério.

CENA 5. INT. HIDRELÉTRICA/DORMITÓRIO MASC. - DIA.

Em PRIMEIRO PLANO, fora de foco dos outros homens, Ryan passa um pano úmido na testa de Bruce, dormindo. Ele o observa, retira o pano e põe sobre seu COLCHÃO, ao lado.

Devagar, Bruce abre os olhos e o encara.

BRUCE (CONFUSO): O quê?... O que estou fazendo aqui?

RYAN: Calma, Bruce, tá tudo bem. Você teve uma queda de pressão, ontem, depois de se exaltar um pouco. Como resistiu a clínica, trouxemos você para cá. Se sente melhor?

BRUCE: Sim, estou bem. Mas o que houve?

RYAN: Eu não sei. Lori me contou que você saiu da clínica mal, perambulando, atrás do... (PAUSA) Atrás do Nolan.

BRUCE: Nolan?

CLOSE-UP em Bruce.

BRUCE: Nolan. (T) Oh, meu Deus, eu não posso fazer isso. Não assim. Eu preciso pensar.

RYAN: O que está havendo? Aconteceu algo com ele?

BRUCE: Nosso passado, Ryan. Temos muito em comum.

RYAN: Você? Nolan?

BRUCE: Tudo o de mais simples é o mais complexo. Parece frase de efeito, mas é a pura verdade.

RYAN: Não entendo. Como você só se lembrou dele agora? E por que se lembrou? São parentes?

BRUCE: Foi há mais de quinze anos. Todos mudamos. As afeições se alteraram... (T) Mas é claro que não tinha como me esquecer.

RYAN: Vai me falar que vocês dois são irmãos?

BRUCE: Vou contar uma história...

MÚSICA ON - Atlas (Instrumental), por Coldplay.

BRUCE: Eu me casei jovem.

FLASHBACK RÁPIDO – Bruce casando.

Bruce, terno preto, ao lado do Padre, numa formosa e pequena Igreja; sorriso no rosto.

FIM DO FLASHBACK.

BRUCE: Eu e Regina nunca tivemos nenhum interesse em ter filho rápido. Mas... (SORRI) Quando se ama pela primeira vez, Ryan, nada é uma questão racional. Ela engravidou. Cismei que era menino e estava certo. O tempo passou. Tivemos nosso filho, Lincoln, durante algum tempo, até descobrirmos que ele tinha uma doença degenerativa, imparcial, incomum.

FLASHBACK RÁPIDO – A doença de Lincoln.

Lincoln deitado na maca; Regina, lágrimas nos olhos, ao seu lado; Bruce à frente, o observando.

FIM DO FLASHBACK.

BRUCE: Meu irmão, Jack, trabalhava para o Sr. Miller na faculdade de Medicina, em Danbury. Miller tinha uma vacina, posta em prática várias vezes, mas em ratos de laboratório. A vacina era constituída de muitas informações e privaria as degenerações, as convulsões e os distúrbios. Com o tempo, Lincoln só piorava. Havíamos investido pesado no tratamento e tínhamos aquilo com muita esperança... Até o dia que/ (T) Lincoln faleceu.

FLASHBACK RÁPIDO – A morte de Lincoln.

Os trovões no céu sustentam a triste e chuvosa imagem do enterro de Lincoln.

FIM DO FLASHBACK.

RYAN: E não suspeitaram da vacina?

BRUCE: Assim como ninguém suspeita dos medicamentos de cada um que morria nos hospitais, não suspeitamos. Pelo contrário... dei mérito ao doutor Miller. Mas Regina, não. Ela o acusou e acusou ao meu irmão. A ideia de que tudo aquilo era falso, de que aquele hospital não era realmente válido, que nenhuma vacina era testada... Eu não podia concordar com isso. Eu confiei!

RYAN: ...ou não quis acreditar?

BRUCE: Depois que Regina morreu, minha pequena... (LÁGRIMAS) minha pequena Susan, depois que perdi TUDO, caí em mim que era possível, sim, tudo ter sido uma grande fraude; a fraude que matou meu filho. Nesse mundo, todo mundo vai matar para sempre, até o último sobrevivente cair no chão e o planeta acabar, finalmente. E eu estou disposto a fazer justiça. O tempo passou, mas eu não vou conseguir dormir sabendo que o Dr. Miller é o Nolan, o Bat disposto a salvar tudo nesse lugar!

RYAN: Você quer dizer que... (CAI EM SI) Oh, meu Deus. Estamos correndo perigo, então. O Cody. Já imaginou se o Cody não está sendo torturado? Este lugar...

BRUCE: Este lugar, Nolan e nem ninguém ao seu lado são de verdade, Ryan. Precisamos pegar as armas e sair daqui o mais rápido possível.

RYAN (TEMPO): Sim, mas... Mas, Bruce, e se for um engano? E se Nolan não for o médico que matou seu filho?

BRUCE: É impossível. O tempo passou, Ryan, mas eu me lembro daquele olhar perfeitamente, daquele sorriso. Não pode ser uma simples coincidência.

MÚSICA OFF.

RYAN: Alguém mais sabe dessa história?

BRUCE: Só eu e você.

RYAN: Conte comigo pro que precisar, certo? (TEMPO) E quanto a Lori, Megan, Emily?

BRUCE: Acho melhor que essa história fique apenas entre nós dois, Ryan. (TEMPO) Se, por acaso, Nolan descobrir, pode ser tarde demais para todos nós. Depois contarei a elas, quando estivermos bem longe daqui.

VOZ (V.O.): Atenção. Convocamos a todos para a área externa em cinco minutos. (PAUSA) Atenção...

Bruce e Nolan trocam olhares.

BRUCE (OLHA AO REDOR): Vamos aproveitar, Ryan, é a hora. É claro que vai ficar tudo vazio. Vamos revirar a sala do Nolan.

RYAN: A sala dele?

BRUCE: (ERGUE OS BRAÇOS) Me ajude/

Ryan se levanta, dá a mão e ajuda a Bruce a se levantar. Este calça os chinelos, na borda do colchão, e encara o parceiro.

BRUCE: Temos que aproveitar essa chance, vamos.

RYAN: Mas...

BRUCE: Vamos.

Ryan e Bruce caminham em direção a saída do dormitório.

CENA 6. EXT. HIDRELÉTRICA/CASA DE FORÇA - DIA.

O lugar, um cubículo cercado por sistemas, fios e computadores quebrados. Várias pessoas amontoadas, fazendo pressão sobre um grande equipamento.

NOLAN: Vamos, vamos! A gente consegue! Mais força.

Lori entra pela porta, avoada.

LORI: Os cabos estão fazendo pressão. Não sei se vão aguentar a força da água que está descendo pelo reservatório e concentrando nas turbinas. Precisamos desembocar toda essa água no rio, rápido! Vamos!

Nolan a observa por alguns instantes. Todos voltam a fazer pressão.

NOLAN: Empurrem, empurrem!

Por fim, o equipamento é girado e um estrondo, como se algo muito forte estivesse desabando, acontece. Todos correm para FORA da casa de força.

CENA 7. EXT. HIDRELÉTRICA/RIO - DIA.

Das pedras secas, a água toma conta e inunda todo o buraco, cuja água desce até certo ponto, onde o mesmo acaba, passando a formar um rio.

DEBAIXO DAS ÁGUAS, o grande resistor das turbinas está aberto.

Todos, num CORREDOR, bem a cima do manancial, tem seus sorrisos estampados; comemorando entre si.

Apoiado no corrimão, está Nolan, ao lado de Trevor, observando o curso das águas.

NOLAN: Conseguimos. Finalmente, água.

Nolan fecha os olhos, ouve o barulho da pressão d'água.

TREVOR: São os últimos momentos, Nolan. (T) Mais um dos objetivos foi concluído...

Trevor sai e Nolan abre os olhos, percebendo que Lori se aproxima.

LORI: Não acha que fiz aquilo para lhe ajudar, né?

NOLAN: Permite que eu lhe faça uma pergunta, loira?

LORI: Não me chame assim ou vai se arrepender.

Eles se encaram.

NOLAN: Pergunto assim mesmo. O que faz aqui? Você, seu grupo? Estão mendigando abrigo? As tropas não deram o necessário? Ou viram alguma tempestade se aproximando e acharam que os Bats são a grande salvação? (MÃOS NA BOCA; CÍNICO) Oh, eu me esqueci de que não se importa comigo e com nada neste lugar, a não ser você e seu grupinho, incluindo o herói-líder. Estou certo? Responda-me: o quer aqui?

LORI: Se eu realmente não tivesse escolhido estar aqui, tenha certeza que você não estaria satisfeito com a minha presença.

Ela se vira e caminha em direção a porta. Nolan olha para sua bunda, esboçando um sorriso no canto dos lábios.

NOLAN (ALTO): Toma cuidado, loira.

ÂNGULO ALTO - A água flui pelas turbinas, em movimento contínuo.

CENA 8. INT. HIDRELÉTRICA/SALA DE NOLAN - DIA.

Bruce abre uma das gavetas da escrivaninha; Ryan fuxica um armário de madeira, grande.

RYAN: Só papel, livros de medicina...

BRUCE: Não tenho dúvidas de que esse desgraçado é o Dr. Miller.

RYAN: Ei, olha isso!

Ryan tem em mãos um papel com várias siglas, termos, palavras variadas, do início ao fim da folha, onde está escrito, no rodapé, a palavra CONFIRMADO em negrito. Bruce pega o papel, dá uma olhada. Todos eles têm algo em comum: um símbolo azul, em formato de círculo, com estrelas brancas.

BRUCE: Números, letra, o que será que significa?

RYAN: Vamos apressar, Bruce. Vou levar esse papel. Conseguiu achar alguma coisa?

Bruce fecha a gaveta.

BRUCE: Nada de importante. Pegue outros papeis aí dentro e vamos embora daqui. As pessoas já devem estar voltando. (T) Vamos manter tudo isso entre nós.

RYAN: Claro.

Ryan pega outros papéis e fecha o armário. Eles SAEM da sala.

CENA 9. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDOR - DIA.

Bruce anda apressado, meio cambeta, pelo corredor. Ao seu lado, Ryan.

BRUCE: Guarde esses papeis Ryan. Se, porventura, precisarmos de algum deles, teremos em mãos. (T) Vou pro refeitório.

RYAN: Nos vemos lá.

Bruce segue reto. As pessoas, antes na área externa, já estão pelo corredor. Ryan vira um cotovelo. CLOSE-UP na placa, presa à parede: "DORMITÓRIO MASCULINO".

CENA 10. INT. HIDRELÉTRICA/REFEITÓRIO - DIA.

As famílias na fila. Cada um se serve e se dirige às mesas. Emily pega um pouco de massa e se dirige a mesa, quando vê Bruce sentado lá, pensativo. Ela se aproxima, põe o prato sobre a mesa e se senta. Ele a repara.

BRUCE: Ah, oi...

EMILY (CONFUSA): Por acaso você está se sentindo bem?

BRUCE: Estou melhor, Emily. Eu levei um tiro no ombro, mas... Parece que atingiu outros lugares.

EMILY (SORRI): Que bom que se sente melhor. A Megan disse que ia até o dormitório te medicar, aproveitando que a maioria dos homens não estaria lá.

BRUCE: Ao dormitório?

EMILY: Sim.

Bruce reage, surpreso, e se levanta, saindo dali em passos largos, porém difíceis. Lori chega: prato em mãos; com o olhar, acompanha Bruce indo embora.

LORI: O que ele tá fazendo aqui? Ou... estava?!

EMILY (PERDIDA): Eu não sei...

CENA 11. INT. HIDRELÉTRICA/DORMITÓRIO MASC. - DIA.

Ryan guarda os papéis entre as espumas de seu travesseiro. Mexe de um lado, mexe de outro, encaixando os papéis com o máximo de cuidado.

Megan surge e o observa, sem ser notada.

MEGAN: Ryan? Está tudo bem? O que você está... (RISOS)

Ryan olha pra trás, surpreso, gela na hora e suspira, empacado. O papel, meio pra fora, chama a atenção de Megan.

MEGAN: O que é... o que é isso?

Ele se levanta.

RYAN: Megan, eu...

MEGAN: Ah... já entendi tudo.

RYAN: Entendeu? Como, entendeu?

MEGAN: São fotos de mulheres, né? (RISOS) Eu deveria te dedurar pra sua irmã.

Ryan respira, aliviado, solta um sorriso sem graça.

MEGAN: Onde está o Bruce?

RYAN: Ele está se sentindo melhor, decidiu comer algo. Não cruzou com ele no refeitório?

Neste exato momento, Bruce adentra o dormitório.

BRUCE: À minha procura, Megan?

MEGAN: Bruce, graças a Deus!

Ela se vira, lhe dá um abraço, enquanto Ryan pisca para ele, que encara os papéis. Ryan entende o recado, agacha e os enfia para debaixo do travesseiro, o fechando com pressa.

BRUCE: Estou me sentindo melhor.

MEGAN: Estou vendo! Se alimentou? Tudo o que você precisa é de uma boa alimentação. A bala, foi um choque pra você, né?

BRUCE: Não. Foram muitas coisas nessas últimas horas. Ainda estou digerindo cada uma delas.

MEGAN: Ah, claro. Se quiser compartilhar/

BRUCE: Eu prefiro guardar para mim. São assuntos muito ruins, que ninguém gostaria de saber.

MEGAN: Só quero ajudar.

BRUCE: Obrigado, Megan. (T) Vamos comer, eu soube que estava à minha procura e decidi vir lhe encontrar. Vamos, Ryan?

RYAN: Claro.

Ryan encara Bruce.

CLOSE-UP no travesseiro.

CENA 12. INT. HIDRELÉTRICA/SAÍDA DO REFEITÓRIO - DIA.

Lori sai do refeitório. Uma pessoa passa ao seu lado, fala com ela, que retribuiu. Logo à frente, ela vê Trevor, entrando em outro corredor, com uma chave em mãos.

CLOSE num papel, preso à parede: “DESTINADO AOS LÍDERES BATS”.

Lori segue-o, cautelosa.

CENA 13. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDOR - DIA.

A maçaneta de uma porta gira. De lá, sai Cody, completamente alucinado, olhares perdidos, confusão.

POV DE CODY - Seu olhar percorre o ambiente.

Sai do POV.

Ele solta um sorriso completamente alucinado e caminha pelo corredor, que dá numa esquina. VOZES MASCULINAS se tornam cada vez mais altas. Ele, sorrateiro, se aproxima, espia pelo canto da parede; vê dois homens, de costas.

CORTE DESCONTÍNUO:

Ambos os homens caídos, encarados pelo olhar psicótico de Cody, com um extintor em mãos. Ele continua a caminhar pelo corredor.

CENA 14. EXT. HIDRELÉTRICA - DIA.

A maçaneta gira e, agora, a porta sai num lugar amplo, próximo à barricada.

Cody passa por ela, sorrateiro, observa todos os cantos e se aproxima do PORTÃO de entrada da hidrelétrica.

Há um ATIRADOR vigiando.

Cody se esconde, pega um pedaço de madeira caído no chão e corre, batendo o objeto, com tudo, contra a cabeça do homem, que cai desmaiado. Ele esboça um sorriso; está cada vez mais próximo do portão. Toca na alavanca e puxa. O portão começa a abrir. Os ANDARILHOS, espalhados pelo lado de fora da BARRICADA, se aproximam para entrar; Cody encara a todos, fascinado; faz sinal indicador com as mãos para que se aproximem. É quando...

ATIRADOR #2 (V.O.; BERRA): Fechem o portão!!! Fechem o portão!!!

Barulhos de tiros seguidos.

POV DE CODY - Toda a fantasia foi por água a baixo. Os andarilhos já se amontoam para entrar. Cody dá alguns passos para trás e os andarilhos começam a invadir a hidrelétrica.

CENA 15. EXT. ESTRADA/BARRICADA - DIA.

A barricada, sobre o portão, tem um atirador, que, meio sonolento, chapéu caído no chão, atira para todos os cantos onde há andarilho – no caso, fora da barricada, em direção ao portão aberto.

ATIRADOR #2 (V.O.): Fechem o portão!!!

Esse atirador desce as ESCADAS que leva até a parte mais alta da barricada e vê Cody se afastando dos andarilhos, que invadem o lugar na pressa, em busca dele. O atirador corre, joga Cody pra longe e começa a atirar nos andarilhos.

Um alarme toca nos arredores. Trevor, Scott, Lori, Nolan entre outros guardas, entram por uma porta de metal e logo atiram contra os invasores, sem nem perceber Cody, caído.

Trevor voa em cima do irmão, no chão.

TREVOR (DESESPERADO): Cody? Cody? Você está bem, irmão?

Lori, Scott, Nolan, o atirador e os outros guardas tratam dos andarilhos - um por um, matam com um tiro na cabeça.

Nisso, Trevor dá um berro. Lori olha pra trás.

LORI (SURPRESA): Oh, meu Deus, é o Cody!

Ela se aproxima de Cody, lhe toca o rosto. Este, está fascinado, olhando para uma mordida de andarilho, no braço direito. Trevor chora; Lori eleva as mãos à boca.

Os andarilhos, por essa hora, já estão todos pelo chão.

CLOSE-UP na mordida, seguido dos olhos paranoicos de Cody.

IMAGEM FECHA EM PRETO, RÁPIDO.

FADE IN:

CENA 16. EXT. MATA - TARDE.

A terra é retirada de dentro de um buraco por uma pá.

Revela-se, meio a mata fechada, Trevor. Suor escorre pelo canto do rosto, lágrimas descem dos olhos.

Um corpo, coberto por um plástico preto, está estendido no chão.

Trevor termina de retirar a terra, joga a pá sobre a vegetação rasteira e, com toda força, arrasta o corpo da pessoa até a borda do buraco. Ele retira o plástico, que antes tapava o rosto, e Cody se revela morto, cabeça sangrando, mordida exposta. Trevor enxuga as lágrimas, chora baixinho e joga o corpo, com as mãos sujas de terra, para dentro do buraco. Rapidamente, com muito gás, ergue a pá e despeja a terra dentro do buraco freneticamente, até que, tapado pela metade, o buraco é deixado de lado e Trevor desaba com os joelhos sobre o solo, chorando muito. Suas mãos sujas tocam o rosto e o lambuza todo.

Alguém está ali: pigarreia. Trevor se vira e fita Nolan, a encará-lo, com uma sacola em mãos.

NOLAN: São as roupas dele.

Trevor as pega com força, joga sobre o buraco, pega a terra com as próprias mãos e as despeja sobre a sacola, até tapá-la superficialmente.

TREVOR (FRIO): Acabou, Nolan. Agora meu irmão não está mais aqui.

NOLAN: Eu não queria que isso tivesse acontecido. Por mais que seja evidente, espero que saiba que não o induzi a se atirar naquele portão e ser mordido.

TREVOR: É claro. Ele descobriu toda a verdade. Não era digno que fugisse comigo.

NOLAN: Não seja idiota, Trevor, fala isso porque ele está aí, debaixo da terra, morto. Se ele estivesse como um perigo pra você, não falaria o mesmo. Todos somos assim e é por isso que combinamos tão bem, Trevor.

TREVOR (RAIVOSO): Não vai me culpar pela morte de meu irmão! Aquelas drogas, aquelas coisas que você dava a ele... Eu posso ter todos os defeitos, mas o Cody era a única coisa real dentro de mim. E você me tirou isso, Nolan! Você!

NOLAN: Está escurecendo, não vou discutir com você. Se preferir fazer vela pro o defunto, é uma escolha sua. Pelo menos, agora, não corremos o risco de perder algo que deu tão certo. (ABRE OS BRAÇOS) Olhe pra isso: somos uma associação num mundo de caos! E estamos cada vez mais perto do poder. Cody poderia colocar tudo ao risco, Trevor. (T) Depois do enterro, a vida volta ao normal. Sempre.

Nolan o encara e sai, pisando firme. Trevor o acompanha no olhar.

CENA 17. INT. HIDRELÉTRICA/LINHAS DE TRANSMISSÃO - TARDE.

Emily lavando alguns pratos numa pia, improvisada, na sala de linhas de transmissão da usina, repleta de tubos.

Uma mulher se aproxima.

MULHER: Desculpe. Será que poderia buscar um pouco de leite? Acabou e precisamos repor. Está na primeira fileira da despensa.

Emily concorda, larga o que está fazendo e se dirige à saída. A mulher, por sua vez, retoma suas atividades.

CENA 18. EXT. HIDRELÉTRICA - TARDE.

Emily abre a porta e chega aos fundos da hidrelétrica, próximo a barricada. Ela se aproxima de uma porta grande, metálica, mas ouve um assovio se tornando intenso. Rapidamente, olha pra trás: vê Nolan, abrindo o portão de entrada da hidrelétrica. Ela se esconde entre pilastras e observa.

POV DE EMILY - Um homem, trajes militares contendo uma marca sobre o bolso da camisa: círculo azul com estrelas brancas; armado; encara Nolan e lhe entrega uma carta. Comenta alguma coisa com ele. Nolan concorda e fecha o portão. 

Sai do POV; Emily abre a porta do DEPÓSITO e ENTRA, rápida.

Ele, por sua vez, passa direto, saindo dali e voltando ao prédio.

No INTERIOR DO DEPÓSITO, ela se escora em uma das paredes e observa o local, repleto de mantimentos.  CLOSE-UP em seu rosto, assustado.

CENA 19. EXT. HIDRELÉTRICA/BARRICADA - DIA.

O Sol está indo embora. Bruce e Lori, um ao lado do outro, armas em mãos, observam a paisagem de cima da barricada. Não há andarilhos pela estrada, à frente deles.

LORI: Não acha que a morte do Cody é suspeita? Problemas de cabeça não se mostram tão repentinamente.

BRUCE: Não foi um trauma?

LORI: Não sei. Sei que foi achado em péssimas condições. Disseram que foram os militares.

BRUCE: Ou chegou aqui e foi transformado em um monstro.

LORI: Pode ser. Cego, como ele estava...

BRUCE: Nolan é pior do que todos imaginam, Lori.

LORI: É por isso que você anda assim, estranho? Pensando em mil coisas? (T; IMPERATIVA) Bruce, as armas! O que estamos fazendo aqui, afinal? São elas! Se não pegarmos, só vamos contribuir para isso. E, pior, eu temo os militares. Se esse lugar for descoberto, todos estarão mortos. Inclusive Nolan, eu, você, Emily, Ryan...

BRUCE: Aquele ali... Aquele ali, eu quero matar.

Lori deixa do foco na arma e o olha.

LORI: Tem alguma coisa que eu não sei?

BRUCE (OLHANDO NA MIRA): Se houver, você não sabe porque ainda não é a hora.

Bruce dá um tiro: mata um andarilho, que vinha longe. Lori encara o corpo, no chão, e volta a encarar Bruce.

LORI (FIRME): Eu tenho o direito de saber, Bruce. Estamos juntos, somos ou não um grupo?

BRUCE: Eu sinto muito, Lori. Agora, não.

LORI: Espero que, quando você me contar, não seja tarde demais para eu dar minha opinião e livrar-nos de um desastre.

BRUCE: Está dizendo que é a salvadora dos problemas? (SORRI) É isso?

LORI (SÉRIA): Vá perguntar a sua namorada. Ela deve saber bem.

Lori encosta a arma na borda da barricada e sai. CLOSE-UP em Bruce.

CENA 20. INT. HIDRELÉTRICA/TURBINAS - TARDE.

Os vários HOMENS movimentam peças, trabalham nas turbinas. Toca uma CAMPAINHA e todos eles, conversando entre si, se dirigem a SAÍDA.

POV MISTERIOSO - Uma pessoa anda pelas imediações do lugar, agora vazio. Dirige-se a uma caixa de ferramentas, sobre uma das mesas, e a segura firme: trata-se de mãos masculinas.

Sai do POV; vemos os olhos de Trevor, fixos aos oito tubos, que saem de dentro das três turbinas.

CORTE DESCONTÍNUO:

Vários tubos foram rompidos. A água começa a escapar em filamentos e se espalhar sob o chão, até se encontrarem com outras e formarem poças.

Trevor sai dali, rápido.

CENA 21. EXT. CÉU - NOITE.

O céu nublado lança alguns raios, trovões. A chuva chega, bem pesada.

CENA 22. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

SÉRIE DE PLANOS

A) A água da chuva molha as várias pessoas, tomando um verdadeiro banho.

B) Nolan lava o rosto.

CENA 23. EXT. ESTRADA/BARRICADA - NOITE.

A chuva cessou. Duas camionetes saem pelo portão, na Barricada; arrancam e tomam a estrada, se distanciando da hidrelétrica.

FADE OUT.

FADE IN:

CENA 24. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDOR - NOITE.

Emily, ao lado de Bruce.

BRUCE: O Nolan é perigoso, Emily.

EMILY: Eu juro que eu vi, Bruce.

FLASHBACK RÁPIDO - Emily na parte externa da hidrelétrica.

Emily vai ao depósito, quando vê Bruce conversando com um militar, à surdina.

FIM DO FLASHBACK.

BRUCE: Eu acredito em você. Tudo o que esse homem faz é estranho. Mas eu preciso saber o que você viu, exatamente.

EMILY: Aparentemente, nada demais... se não fosse um cara do exército falando com seu maior inimigo!

BRUCE: Nada de diferente nele?

EMILY: Pelo que eu me lembre/

FLASHBACK RÁPIDO

O círculo azul com estrelas brancas na farda do militar.

FIM DO FLASHBACK.

EMILY (CONT.): Um símbolo. Um símbolo que eu nunca tinha visto antes. Mas nada de mais... Pode ser que o adotaram agora, enquanto estamos/

BRUCE: Círculo/

Bruce, pensativo, buscando resposta.

BRUCE (CONT.): Já sei, vem comigo.

Eles saem correndo pelo corredor.

CENA 25. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDOR 2 - NOITE.

Emily e Bruce caminham. Mais a frente, uma placa mostra que o próximo cotovelo será o dormitório masculino.

BRUCE: Talvez você possa ver um símbolo parecido e distinguir se é ou não ou mesmo.

Eles, porém, veem um rastro d'água se formando ao longo do corredor. Bruce encara-o.

BRUCE (PARA, REFLETE): Água?

Ele segue o rastro, observa que, devagar, aquela água vai se expandindo ao longo do corredor.

EMILY (INTRIGADA): Será que está tendo um vazamento?

BRUCE: Não temos tempo pra isso.

Bruce se vira, em direção à entrada pro dormitório.

EMILY: Bruce, espera, pode ser importante.

Ele a olha meio em dúvida e se decide:

BRUCE: Vamos, então, rápido. (ÁGIL) Vem, vem!

Atravessam as correntes d'água e continuam correndo.

CENA 26. INT. HIDRELÉTRICA/TURBINAS - NOITE.

Bruce e Emily chegam à sala, de onde uma grande quantidade de água sai. CLOSE-UP em Bruce.

BRUCE (SURPRESO): Oh, meu Deus, está vazando. Precisamos de ajuda.

Ele tenta se mover, não consegue.

BRUCE: Ah, merda, acho que eu estou preso em um ralo. Rápido, Emily, aperte o botão de alerta.

Emily olha tudo aquilo, meio atordoada.

BRUCE: Vá!

EMILY: Tudo bem, estou indo.

Emily, com dificuldade, se movimenta pela água, que só cresce com a quantidade que sai dos tubos, que se ligam às turbinas internas.

Ela, finalmente, chega a um grande botão vermelho. Com vontade, o pressiona, mas nada acontece.

BRUCE: Era só o que faltava! Aperte novamente. Tente, vai!

Ela repete o movimento. Nada.

EMILY: Bruce, eu não posso te deixar aqui.

BRUCE: Vá chamar ajuda. Agora! Vá! Eu vou ficar bem, essa água não vai aumentar tanto assim. Vá, chama quem ver pela frente, rápido!

EMILY: Está bem.

Ela dá alguns passos, o observa e sai correndo pela água, que inunda, devagar, o CORREDOR, na saída da sala.

Bruce olha pros lados, tenta fazer força contra as águas.

NO FUNDO DA ÁGUA, um pé se solta, mas o outro continua preso ao ralo, uma espécie de vala, cuja grade protetora se soltou.

DE VOLTA À SUPERFÍCIE, Bruce, suando, olha pros lados, respira e tenta, novamente, retirar os pés. Sem sucesso.

Num dos TUBOS próximos, de cor verde, um filamento preto surge. Outro filamento: o tubo está se partindo. Aquilo chama a atenção de Bruce, que se segura nas grades próximas.

BRUCE (BERRA): Emily! Emily! Socorro, alguém me ajude!

O tubo explode, dando um jato contra o corpo de Bruce.

DE BAIXO DA ÁGUA, os pés se soltam.

DE VOLTA À SUPERFÍCIE, o corpo dele não se sustenta e é levado pela força das águas.

DE BAIXO DA ÁGUA, ele tenta se segurar em tudo o que vê pela frente.

DE VOLTA À SUPERFÍCIE, Bruce já saiu da sala das turbinas e, junto da água, percorre o corredor.

CENA 27. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDOR 3 - NOITE.

Emily corre, desesperada.

EMILY (BERRANDO): Alguém? Alguém acordado? Preciso de ajuda! Socorro!

Uma luz forte a ilumina: trata-se de um HOMEM FORTE.

HOMEM: Não deveria estar andando por aí/

EMILY (ATROPELANDO AS PALAVRAS): Não tenho tempo pra isso. Graças a Deus te encontrei. Há um vazamento...

Ela o puxa pelos braços, levando-o na direção oposta a que caminhava.

HOMEM (ASSUSTADO): O que está falando? Um vazamento?

EMILY (AFLITA): Nas turbinas. Preciso de ajuda, venha!

Eles vão andando, até que DOBRAM O CORREDOR e veem uma grande quantidade de água vindo do outro lado, numa velocidade extrema, de altura baixa, porém volumosa.

HOMEM (OLHOS ESBUGALHADOS): Oh, meu Deus!

EMILY (BERRA): Corre!

Eles saem correndo pelo corredor a fora. A água se aproxima, até chegar onde eles antes estavam e continuar a se alastrar.

CENA 28. INT. HIDRELÉTRICA/DORMITÓRIO FEM. - NOITE.

As pessoas acordam assustadas, outras já estão de pé. Choro de criança pra todo lado. O sinal de alerta faz um barulho horrível.

VOZ (V.O.): Atenção, favor se retirarem de seus dormitórios, de onde estiverem e se dirigirem ao exterior da hidrelétrica. Há um vazamento nas turbinas. Isto não é um treinamento. Repito: não é um treinamento. (...) Atenção...

Desesperadas, as pessoas saem correndo, em direção à saída. Lori atrás. Megan vai à frente.

MEGAN (ASSUSTADA): O que está havendo? Um vazamento?

LORI (DECIDIDA): Temos que sair daqui. Vamos, rápido!

Elas se misturam as outras mulheres e vão saindo.

SÉRIE DE PLANOS

A) Lori e Megan, entre as outras pessoas, correm pelos CORREDORES.

B) Bruce, meio a água, percorre vários lugares, até que consegue se segurar em uma PORTA. A força que faz deixa seu rosto vermelho. A água o puxa: ele não sustenta e solta, sendo levado.

C) As águas aumentam cada vez mais pelos lugares.

D) Enfim, a correnteza invade o dormitório masculino.

E) Ryan corre por um corredor.

CENA 29. INT. HIDRELÉTRICA/CENTRAL DE CONTROLE - DIA.

Mãos masculinas dedilham uma mesa de madeira.

Trevor está encarando um grande painel, com várias informações a cerca do controle d'água gerada pela usina. Ele fita a imagem em declínio do nível de produção.

CLOSE-UP em seus olhos. Ele sai da sala e fecha a porta.

CENA 30. EXT. HIDRELÉTRICA - NOITE.

Correria pelo exterior, próximo ao portão e a barricada. As pessoas, desesperadas.

O holofote, que antes estava virado pra estrada, agora se centra no interior: ilumina a todos, que procuram amigos e parentes meio as várias pessoas.

Uma mulher se mostra perdida dentre as demais.

MULHER (ALTO; LÁGRIMAS NOS OLHOS): Filho? Filho, cadê você?

Homens correm para dentro e para fora do interior da hidrelétrica.

CORTE para Megan, Lori e Ryan, abraçados.

LORI: Graças a Deus encontrei você! O que está acontecendo, pelo amor de Deus?

RYAN: Eu não sei! Vocês viram o Bruce?

MEGAN: Nem sinal dele e da sua.../

RYAN (SE TOCA): Emily! Eu vou entrar, eu tenho que achá-la!

MEGAN: Não, você não vai. Está louco, Ryan?

RYAN: Você não vai me mandar fazer nada, Megan. Eu vou salvar minha irmã. Agora!

LORI: Não vai! Ryan!

Ele tenta ir. Lori o agarra, prende seus braços.

RYAN: Me solta, Lori! Agora! Você não pode me impedir. (CHORANDO) É a minha irmã. A única coisa que eu tenho!

LORI: Eu não posso te deixar ir, Ryan...

Lori o segura, deixa escapar uma lágrima. Ryan se vira, a abraça, chora bastante. Megan encara ambos até perceber Emily, toda molhada, vindo em direção a eles, respirando fundo.

MEGAN (SORRIDENTE): Emily!

Ryan e Lori se viram.

RYAN: Graças a Deus! Emily...

Os irmãos se abraçam.

MEGAN: Emily, por favor, me diz que tem notícias do Bruce. Por favor.

Emily respira um pouco.

LORI: Calma. Está melhor, agora?

MEGAN (DESESPERADA): O Bruce está lá dentro... Eu não consegui salvá-lo e ele... (PAUSA) Ele foi arrastado.

CLOSE-UP geral.

FULL SHOT AÉREO DA HIDRELÉTRICA.

FADE OUT.

FADE IN:

CENA 31. EXT. ESTRADA - NOITE.

Uma fumaça preta se espalha pelo CÉU. Nolan, na caçamba de uma camionete, observa. A frente desse carro há outro, também estacionado. De ambos, saem quatro homens (entre esses, Scott). Nolan desce da caçamba, sempre a observar o rastro negro.

SCOTT: O cheiro está se espalhando. Será que é uma queimada... na mata?

NOLAN: É claro que é uma queimada.

HOMEM #2: O que faremos, senhor? Vamos prosseguir?

NOLAN: Não acho que recrutaremos alguém hoje. Ou a probabilidade é muito pequena.

Todos se entreolham, confusos.

NOLAN: Eu acho que acabou, Bats...

SCOTT: Acabou o quê, Nolan?

NOLAN (ENCARA-O): Os Bats. O exército vai finalmente entrar em extinção.

HOMEM #1: Do que você tá falando?

NOLAN: O exército. Finalmente eles vão acabar e eu vou entrar no governo. Eu e todos os Bats seremos uma população de sobreviventes. (T) Curados. (SORRI) Não é incrível?

SCOTT: Você está se sentindo bem?

NOLAN: Como nunca! (SORRI) Andem, parem de me olhar, entrem nos carros, vamos tomar o que é nosso! Andem!

Nolan sobe na caçamba, encara-os. Bate no capô.

NOLAN (SÉRIO; NERVOSO): Andem!!!

Todos tomam seus carros e ambos partem.

CENA 32. EXT. CENTRO DE BOSTON - NOITE.

CLOSE num auto falante, preso a um poste. Uma sirene ecoa e se expande pela extensa rua. As pessoas saem de suas casas, de seus apartamentos, lojas, correndo e se misturando entre si pela rua a fora. Ocorre um estouro.

ÂNGULO ALTO revela que as pessoas correm de um grande caminhão, cujos militares, firmes aonde podem, se seguram para não cair do veículo, que passa, em alta velocidade, pela rua. Uma infestação de mortos vivos percorre o caminhão. Os militares atiram contra eles.

Até que, na frente do veículo, surge um morto vivo e o MOTORISTA perde o controle, levando o veículo à mureta mais próxima, detonando sua frente.

Os andarilhos sobem no caminhão. Tiro pra todo lado. Eles mordem uns, outros pulam e saem correndo pela rua. A população assustada ao redor.

Uma infestação geral.

CENA 33. EXT. CENTRO DE BOSTON/ESTRADA - NOITE.

Desespero, correria. Mortos vivos para todos os lados. Nolan, de pé na caçamba da camionete, observa aquilo tudo com muito prazer. Um homem sai do banco do motorista.

HOMEM #1: Não vamos conseguir passar. Olhe essa gente! Estão alucinadas.

Um carro aparece arrastando a lataria contra a parede: seu condutor já se transformou em morto vivo.

Nolan observa.

NOLAN: Vamos para o posto de controle mais próximo.

HOMEM #1: Mas.../

NOLAN: Vamos!

O homem retorna ao volante e dá a partida. Nolan saca a arma e passa a atirar nos mortos vivos cuja mira centra.

CENA 34. INT. POSTO DE CONTROLE/SALA - NOITE.

Vários guardas já estão transformados. Eles batem contra o vidro da sala, mais parecida com uma guarita comprida. A porta é escancarada e Nolan entra, ligando a luz e atirando contra os militares (agora mortos-vivos).

O ambiente, uma espécie de sala de administração, possui papeladas, computadores, armários.

NOLAN (AOS SEUS HOMENS): Vigiem aqui.

Nolan adentra o ambiente e, como se já fosse certo, se dirige a última parede da sala e, com sua arma, lhe rasga ao meio. Tratava-se de um plano falso. Com a mão, arranca o que pode e, quando finalmente destrói a parede, retira dali uma maleta prata, a qual posiciona sobre a primeira mesa que vê e a abre.

CLOSE-UP na reação dele: maravilhado.

CORTA para dentro da maleta: um pen drive e uma seringa, ao lado de um pequeno vidro negro. Nolan, radiante, sorri e fecha a maleta, jogando para a mão direita e se dirigindo à saída.

NOLAN: Vamos embora daqui.

SCOTT (ENCARA A MALETA): O que é isso, Nolan?

NOLAN: Tudo o que eu procurei até aqui. Vamos embora.

Ele sai, seguido dos homens.

No chão, o morto-vivo pisca os olhos, ainda “vivo”.

CENA 35. EXT. POSTO DE CONTROLE - NOITE.

O grupo se dirige aos carros. O barulho da gritaria, a fumaça que vem negra das imediações, são notáveis.

HOMEM #4: Senhor, está entardecendo rápido. Precisamos voltar.

Nolan retira a arma da cintura, lhe aponta.

NOLAN: Você quer mesmo voltar?

HOMEM #4 (TRÊMULO): Não, perdoe-me. Por favor.

Ele devolve a arma à cintura.

NOLAN: Antes de pegarmos a última coisa que me falta, é hora de detonarmos nossos queridos rivais.

SCOTT: Os militares?

NOLAN: Não é esse, o interesse dos Bats?

Nolan se dirige a mala do carro com caçamba e a abre, revelando várias armas ali dentro. Ele bate a mala, se dirige aos homens.

NOLAN: Vamos sair atirando em todos os militares. Quero todos mortos!

CENA 36. INT. HIDRELÉTRICA/ÁREA QUALQUER - NOITE.

Abre em mãos masculinas na escuridão, largada meio ao piso molhado. Revela-se, devagar, Bruce: lábios roxos, tremendo de frio, meio ao chão de uma área interior da hidrelétrica. Ela encara os lados, se levanta com dificuldade.

VOZ (O.S.): Bruce?

VOZ #2 (O.S.): Bruce? Você está aqui?

MEGAN (O.S.): Bruce?

Bruce tenta falar algo, mas a voz não sai de sua boca. Então, uma luz forte o atinge no rosto.

BRUCE (DIFICULDADE): Graças a Deus... Socorro!

A luz diminui e Trevor se revela, encarando Bruce.

TREVOR: Bruce...

BRUCE (VOZ ROUCA): Quem é você?

TREVOR: Você deixou que meu irmão se perdesse, viesse para cá. Por quê?

BRUCE: Trevor?

TREVOR: Você está, realmente, numa situação muito pior, Bruce. Saiba disso.

BRUCE (TOSSE FORTE): Eu não o deixei vir pra cá. (TOSSE) Ele veio porque... (T) Porque quis.

Trevor se aproxima, apaga a luz da lanterna.

TREVOR: Ele está morto. Por tudo o que fizeram com ele. (CHORANDO) Meu pobre irmão! Ele está morto!

BRUCE (O ENCARA): Nolan!

TREVOR (SOLUÇANDO): Ele não podia ter feito isso com ele. Era o Cody... meu irmão.

BRUCE: É a hora de você se revoltar, Trevor, de ir contra ele, fazer justiça. (O ENCARA; TOSSE FORTE) Eu estou com você. Ele matou meu filho. Meu primeiro filho!

TREVOR: Não... eu já me vinguei. Olha tudo isso! (SORRI) Eu me vinguei, acabei com tudo o que estava nos planos dele. Não vai ter mais água agora. Vão todos morrer de sede!

BRUCE: O que você sabe sobre ele? Me diz, Trevor, por favor...

TREVOR: O menino, a salvação, agora ele está num lugar seguro. Finalmente.

BRUCE (TOSSE; OLHA PROS LADOS): Menino/ (T; REVIRA OS OLHOS) Eu não estou me sentindo bem...

Bruce o encara.

TREVOR (ASSUSTADO): Bruce!

Mas Bruce desmaia. Trevor o pega nos braços e, com dificuldade, o arrasta até certo ponto, a caminho de uma porta.

CENA 37. INT. HIDRELÉTRICA/SALA SECRETA - NOITE.

Sala escura. Uma vela é acesa e ilumina o rosto de Trevor, a encarar algo.

No meio da sala há uma maca. Trevor se aproxima, ilumina a maca. Sobre ela, uma pessoa, deitada, coberta por um lençol branco. Ele retira o pano e observa algo.

Num sofá preto, próximo a ele, está Bruce, desmaiado.

Trevor encara o menino dos episódios anteriores, o portador de síndrome de Down.

TREVOR: Está na hora. Acorde. (T) Acorde... Vai!

Trevor retira um pequeno vidro de dentro do bolso, o abre e aproxima-o das narinas dele.

Trevor respira fundo.

No sofá, Bruce abre os olhos, confuso.

CÂMERA vai buscar o menino, sobre a maca.

ÂNGULO ALTO compreende seu rosto. Os olhos se abrem.

FADE OUT.

 
     

 

     


 

Criada e escrita por
Rafael Oliveira
 

Estrelando
Gerard Butler - Bruce Collins
Laurie Holden - Lori Blair
Woody Harrelson - Nolan Miller
Sarah Wayne Callies - Megan Campbell
Wentworth Miller - Cody


Com
Britt Robertson - Emily Haven
Colin Ford - Ryan Haven
Vince Vaughn – Trevor 
 

Participações especiais
Kyle Catlett - Lincoln
Andrew Scott – Scott
Vera Farmiga – Regina
Os demais fazem parte da figuração.
 

Trilha sonora
Atlas (Instrumental) - Coldplay
 

Dead Land é livremente inspirada no jogo “The Last Of Us”, desenvolvido pela Naughty Dog.


Produção
Bruno Olsen
Diogo de Castro
 

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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Proibida a cópia ou a reprodução

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