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Dead Land - 1x03: Tiros e Munições

Série de Rafael Oliveira
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DEAD LAND
     
 

 

LEGENDA - Danbury, 2005.

REGINA (O.S.): Lincoln? Lincoln, querido?

FADE IN:

COMEÇO DA SEQUÊNCIA DE FLASHBACK

CENA 1. INT. QUARTO DE HOSPITAL – NOITE.

Regina, mais nova, de pé, observa um MENINO pálido, sobre uma maca, coberto, em sono profundo.

REGINA: Parece que você não quer acordar, não é, meu filho?

Ela rende-se ao choro, enquanto o encara.

Os aparelhos, presos por todo o seu corpo, emitem contínuos sinais e os batimentos cardíacos podem ser vistos por um dos aparelhos, sem alterações.

As mãos de Regina circulam pelos cabelos da criança e, lentamente, ele abre os olhos, encarando-a.

Regina lança as mãos até a boca e as lágrimas rolam por seu rosto.

REGINA: Oh, querido... (SORRI) Que bom que acordou. Como se sente?

Ele apenas a observa para, em seguida, prender as mãos, com toda força possível, ao cobertor, que o cobre, e forçar sua circulação sanguínea, de forma a avermelhar o rosto.

REGINA: Lincoln? O que está sentido, querido? (ESPANTADA; BERRA) Lincoln?

FADE OUT.

O.S. - Os gritos de Regina.

FADE IN:

Tudo está estabilizado com o menino e ele dorme. Ao lado de Regina, está Bruce.

Com uma prancheta em mãos, um médico, de costas para os dois, anota algo.

REGINA: Ele vai ficar bem, doutor?

BRUCE: Isso é normal, recorrente da vacina aplicada?

O médico se vira e se revela NOLAN, bem mais novo.

CLOSE em seu crachá: "NOLAN MILLER - MÉDICO E PESQUISADOR".

NOLAN (SORRI): Confiem em mim. Prevejo essa doença em baixos níveis. Sabemos que a degeneração está em estado contínuo, mas as vacinas pretendem diminuir este avanço. Possivelmente, esses ataques voltarão a acontecer, mas tenho certeza que a vacina vai ser o primeiro passo, em Lincoln, para salvar outras pessoas.

Bruce se abraça a Regina.

BRUCE: Esperamos isso.

NOLAN: Eu volto depois.

Nolan SAI da sala.

REGINA (SE AFASTA): Eu acho melhor cancelarmos este tratamento, Bruce... Não vou aguentar ver o meu filho, o seu filho, nessa situação, tendo ataques repentinos por um tratamento que nem sabemos se vai acontecer, se dará certo.

BRUCE: Como é que é? Regina, esse tratamento é muito caro. Demos tudo por ele e não vamos parar tudo agora. Sabemos que o Nolan e meu irmão são muito competentes e o Jack não indicaria se não fosse realmente necessário.

REGINA: Seu irmão é um simples auxiliar, Bruce! O nosso filho está pior, eu consigo ver isso a cada dia! Será que você é o único que não enxerga?

Bruce a encara por poucos segundos e SAI dali, batendo a porta.

CLOSE-UP em Lincoln, dormindo.

Regina se aproxima, o observa.

A porta se abre. Uma ENFERMEIRA entra na sala com um pratinho de metal, cujo carrega uma seringa e algodão. Ela se dirige a Lincoln e, aos olhares de Regina, limpa seu braço com o algodão e lhe aplica o medicamento via seringa.

Ela dá as costas e também se retira dali.

CLOSE-UP em Lincoln: ele abre os olhos.

Regina o observa, temerosa.

Inicia-se mais uma crise epilética.

Regina se apavora; tenta prender seu corpo na maca, com as mãos, não obtendo sucesso.

REGINA (BERRA): Socorro! Enfermeira! Socorro!

FADE TO BLACK.

FADE IN:

CENA 2. EXT. CEMITÉRIO - DIA.

Cai uma baita chuva.

Em meio ao extenso cemitério, um enterro ocorre em certo ponto, de baixo de uma lona preta.

CORTE DESCONTÍNUO PARA:

Um pequeno caixão branco está dentro de uma cova.

Um PADRE fala algo para o grupo de pessoas, todas em trajes pretos, atrás de Bruce e Regina, chorando muito, a observar o pequeno caixão.

CORTE DESCONTÍNUO PARA:

A lona já veio a baixo e uma lápide está sobre a recém-coberta sepultura.

No objeto, os seguintes dizeres: "LINCOLN COLLINS (1998-2005).", seguido da frase: "PARA SEMPRE CONOSCO.”

CORTE DESCONTÍNUO PARA:

Todos saem do cemitério em passos lentos, deprimidos, debaixo de seus respectivos guarda-chuvas.

Em OUTRO PONTO, distante, um carro preto, moderno, estaciona. O vidro se abaixa e, friamente, Nolan encara a sepultura.

FIM DA SEQUÊNCIA DE FLASHBACK.

FADE OUT.

 
     
     
     
     

1x03 - TIROS E MUNIÇÕES
 
     
 

FADE IN.

CENA 3. INT. HIDRELÉTRICA/TURBINAS - DIA.

ABRE numa estrutura gigante, circular, encaixada numa grande estrutura metálica, presa a vários tubos, que saem da sala por janelas, subterrâneo etc.

Vem caminhando, sobre um corredor, à cima das turbinas, o grupo de novos Bats - incluindo Bruce e seu grupo. Nolan lidera-os.

NOLAN: Uma fortaleza! Sim, diria que tudo isso é uma fortaleza, construída por uma grande equipe, com os mantimentos que as pessoas trouxeram ao longo de todos esses anos.

LORI (ENCARA A TURBINA): E por que ainda não colocaram toda essa estrutura para rodar e fornecer água?

NOLAN: Ora, me fez essa pergunta ontem, não foi? (SORRI) Qual é o nome da interessada em saber sobre nossas estruturas?

LORI (SÉRIA): Lori.

Nolan estende a mão para ela, mas ela não o cumprimenta. Ele recua, a observa, com raiva.

NOLAN: Lori! (OBSERVA A ESTRUTURA) Toda essa estrutura está corrompida. Há uma grande pressão nas turbinas, que fazem com que nossos técnicos tenham dificuldades em girá-las.

RYAN: Mas aquelas duas não estão girando?

Todos observam outras duas turbinas, girando, devagar, em silêncio, em outro canto.

NOLAN: Sim. Como bem observou, aquelas duas foram postas em trabalho, mas são inúteis sem a terceira turbina.

BRUCE: Já tentaram de tudo?

NOLAN: Todos os dias, tentamos. Os sobreviventes, que trabalhavam aqui e estavam aqui quando chegamos, dias após o caos, nos ajudaram e colocaram para funcionar, mas depois de dez anos, essa coisa parou totalmente. (ENCARA BRUCE) O seu nome, é?!

BRUCE: Bruce.

Nolan o encara por alguns segundos, mas estende a mão, sendo cumprimentado.

CLOSE-UP nas mãos de ambos. As mãos se soltam e Nolan toma a frente.

NOLAN (SE AFASTA): Vamos continuar. Ainda hoje escolherão uma de nossas tarefas.

CENA 4. EXT. RUA/BARRICADA - DIA.

FORA da barricada, uma série de HOMENS, enfileirados, atiram contra vários andarilhos, presos dentro de uma grande gaiola. SCOTT, de camisa preta, calça verde escura, arma na cintura, observa e dá os comandos.

Sobre a BARRICADA, surge Nolan e o grupo da cena anterior.

NOLAN: Como disse, uma de nossas tarefas consiste em fazer parte do batalhão, batalhão, esse, responsável por nossos ataques ao exército e aos andarilhos que, por ventura, invadam nosso território. Temos três equipes. A equipe de sigla 1A, temos a 1B e temos a 2A. A primeira e a segunda são as mais eficientes. A terceira é uma equipe de acesso à 1B.

MEGAN: E qual desses está treinando aí em baixo?

NOLAN: A equipe 1B.

Os andarilhos são mortos dentro da gaiola, um por um.

Um ATIRADOR surge ao lado de Nolan, com um binóculo.

NOLAN (ENCARA O ATIRADOR): Este é um dos atiradores do turno, responsável por preservar nossa barricada, daqui de cima.

Este atirador retira o binóculo do rosto e encara a todos, que o cumprimentam.

ATIRADOR: Vocês iriam gostar de ver o treino do Hurt, o general da equipe 1B. Parece que treinou a vida inteira para matar zumbi!

Todos dão risadas; Nolan, na observação.

ATIRADOR: Mas já era velho, morreu esses dias, na floresta. Disseram que saiu para matar zumbis e acabou/

Nolan, tenso.

NOLAN: Pois é. Deixemos essa conversa para outra hora. Temos mais coisas a serem vistas antes do almoço. Vamos.

Nolan dá as costas e as pessoas os seguem. Bruce, intrigado, observa o atirador, que volta ao serviço.

Bruce segue o grupo, que agora desce as escadas da barricada.

CENA 5. INT. HIDRELÉTRICA/REFEITÓRIO - DIA.

Bruce, Lori, Megan, Ryan e Emily sentados numa mesa. Todos com pratos e canecas. Ao lado de seus pratos, um papel.

EMILY (LÊ): Babá, agente... Aqui ressaltam até horários, aventais, roupas para trabalho.

Bruce pega seu papel e o amassa, jogando sobre a mesa.

BRUCE: Eu me recuso a trabalhar para que esse grupo cresça e dê mais poder ao poderoso chefão e a tantos outros.

LORI (SUSSURRA): Bruce, você não quer pegar as armas? Não pode agir desse jeito.

BRUCE (SUSSURRA): Como quer que eu haja, Lori? A forma mais natural que eu posso encontrar é esquecendo que eu estou aqui dentro. Eu só estou aqui por essas malditas armas!

Megan toma um gole na caneca e encara Bruce.

MEGAN: Eu te apoio totalmente, Bruce, talvez porque eu saiba que estar aqui é uma questão de necessidade.

RYAN: Eu não vejo a dimensão do problema como vocês.

EMILY: Ryan, não se meta.

RYAN: Como não, Emily? Aqui há abrigo. Desde o começo, tínhamos o pé atrás. Não sabíamos o que iríamos encontrar aqui e eu sempre concordei. Mas olhe para isso! Já pensaram em viver dentro de um lugar seguro, com comida, ordem, num mundo onde, lá fora, uns comem os outros?

Todos o encaram.

BRUCE: Não é por aí, Ryan. Eu, a Megan, a Lily, a sua irmã, sabemos que para chegar à Boston não foi fácil. Também não foi fácil viver sobre o nada que o exército sempre nos deixou, mas sabemos que ninguém dá nada ao próximo por puro amor. Não num mundo onde uma mordida te transforma num ser morto. Literalmente. (T) Nós sabemos o que os Bats querem. Poder. E eu não vou dar isso a eles. Não vou permitir que façam o que quiserem conosco, que nos tenham em suas mãos.

RYAN: O exército não só nos deixou na pior esse tempo todo, Bruce, porque eu também estava lá, mas também fez a cabeça de todos vocês contra os Bats. Só não vê o bem quem não quer.

Ryan pega o prato, a caneca, o papel que tinha em mãos, se levanta e sai dali.

EMILY: Eu vou conversar com ele.

Emily pega seus talheres e sai.

BRUCE: Mais um Cody em nossas vidas?

LORI: Falta objetivo, Bruce. Nós precisamos resgatar essas armas o mais depressa possível e sairmos daqui. Corremos o risco não só de perdermos o Ryan, mas ficarmos reféns dos Bats. Vai saber quando resolverem atacar, ganhar Boston e comandar.

MEGAN: As pessoas sairiam antes disso, despertariam.

LORI (RISOS): Por favor, Megan, sem ingenuidade. Esse grupo dá tudo para essas pessoas. O mínimo, em troca, é a obediência.

MEGAN: Você está dizendo que os Bats montaram tudo isso (OLHA AO REDOR) para, simplesmente, ganhar status, armas, mantimentos, homens, e atacar?

LORI: É o que achamos.

BRUCE: Eu não acho, eu tenho certeza.

MEGAN: E se o interesse for realmente ajudar?

LORI: Espera, até alguns instantes você era contra vir pra cá, contra tudo o que dizíamos! Parece se distorcer mais do que imaginava.

MEGAN: Lori, você está entendo as coisas do seu modo. Eu só gostaria de olhar por outros pontos de vista, mas isso não quer dizer que minha opinião sobre os Bats, sobre o exército, sobre todo esse caos, tenha mudado. Nunca estive do lado de ninguém.

Bruce cata o papel que amassou, desamassa e o encara.

BRUCE: Já que estamos do nosso próprio lado, vamos à procura dessas armas. (T) Acho que eu já sei no que me inscrever.

CENA 6. EXT. HIDRELÉTRICA/ÁREA DE TREINO - DIA.

Uma equipe treina em uma das externas do lugar. Entre eles, de botas pretas, arma em mãos, está Bruce, em movimento, junto dos outros futuros combatentes. Liderando-os, um CARECA, alto.

A porta que dá para aquele lugar se abre e Trevor entra. Fuma um cigarro, observa um a um, em treino -- Joga o cigarro no chão, se vira, abre a porta e sai, deixando-a bater com a pressão do vento.

CENA 7. INT. HIDRELÉTRICA/SALA QUALQUER - DIA.

A sala, uma das várias, dentro da estrutura, tem janelas vedadas e portas bem trancadas. Nesse primeiro instante, não vemos o piso e nada que possa estar sobre ele.

Uma das portas se abre e Trevor entra, fechando-a e trancando-a em seguida. Ele observa algo no chão, eleva as mãos à cabeça, dá algumas voltas, de um lado para o outro, e respira fundo.

Eis que, agora, revela-se, no chão do lugar, desmaiado e preso numa espécie de rede de pescas, Cody.

A maçaneta da porta gira. Trevor percebe e, meio nervoso, recolhe o molho de chaves de dentro do bolso, escolhe uma, mete na fechadura e abre a porta, dando de cara com Nolan, que entra, agressivo, e já encara o corpo, no chão. Ele se aproxima de uma parede próxima e, num ato furioso, choca a mão fechada, em cheio, contra o objeto.

Ele suspira, observa Trevor.

NOLAN (FURIOSO): Imbecil! Imbecil! É isso o que você é, um imbecil!

TREVOR (AFOITO): Você não imagina o que aconteceu, Nolan, é pior do que/

NOLAN: O que é pior que um abrigado meu desaparecer e seus coleguinhas de trabalho vir me questionar sobre sua ausência? Por acaso você é algum idiota? O que esse moleque está fazendo aqui, trancado nessa rede? Está louco, querendo manter seu irmãozinho vedado de mim, é isso?

TREVOR: Basta! Eu estou fazendo um favor, trancando meu próprio irmão dentro dessa rede. Ou você prefere que ele saia por aí, explanando que você matou o instrutor de tiros dele, no meio da mata, a sangue frio? Hum?

BAQUE em Nolan, que não esperava e, em segundos, murcha toda a agressividade.

NOLAN: Do que você está falando?

TREVOR: Do que estou falando? Não se faça de idiota, Nolan. Os papeis se inverteram. Se, antes, eu era um idiota, agora esse idiota é você, que matou um homem no meio de um matagal, a poucos metros do lugar onde todos acreditam que você é o grande herói. Pois bem, o Cody viu e veio até a mim, contou tudo, tentou fugir comigo, avisar a alguns, mas eu impedi. Não por você. Por mim, é claro.

NOLAN: Oh, merda... Isso, não/

Aflito, ele anda de um lado pro outro -- Até que para, suspende os braços e apoia numa das paredes, pensativo.

NOLAN: Isso não podia ter acontecido. Seu irmão não podia ter visto nada. (A CADA PALAVRA, UM SOCO) Merda, merda, merda!!! Aquele velho idiota atrapalhava até quando estava pra morrer.

Ele se vira, raivoso.

TREVOR: O que você pretende fazer, Nolan, matar o Cody?

Nolan o encara.

NOLAN: Eu não pretendo matar seu irmãozinho fofoqueiro, que não tinha nada que ver a morte daquele velho metido a Buda. Mas agora falta muito pouco para sairmos todos daqui, juntos, para a minha coroa ser entregue, para eu ser o grande imperador e mamar nos mamilos desses otários. E eu não vou suspender nada por causa do seu irmão. A partir de agora, ele é um louco.

TREVOR: Do que está falando, Nolan?

NOLAN: Vamos enlouquecê-lo. Afinal, uma pessoa que vê acontecimentos que não ocorreram, dia e noite, não é uma pessoa normal. O trataremos como louco e será o suficiente para o sedarmos, acabarmos com esses militares bostas e conquistarmos nossos objetivos sem problemas.

TREVOR: O Cody, louco?

NOLAN: Ou você prefere que eu use seu irmão como escudo de treino pros meus fuziladores?

TREVOR: Eu juro, que se meu irmão aparecer morto, eu te procuro até no inferno.

Trevor dá as costas, abre a porta, sai, e a bate.

CLOSE-UP no rosto sádico dele.

CENA 8. INT. HIDRELÉTRICA/DORMITÓRIO MASC. - DIA.

Abre num papelzinho branco, nas mãos de Bruce, com os números "176".

O número está estirado no rodapé da parede, onde se encontra um colchão, esticado. Bruce coloca sua mala sobre o colchão e observa o dormitório.

Do lado direito do colchão de Bruce, há outro colchão, onde o número escrito na parede é "175". Este colchão é o de Ryan, que se aproxima, com a mala em mãos, em silêncio. Bruce, a ignorar, abre sua mala.

RYAN: Me desculpe... Me desculpe, Bruce, eu não deveria ter falado aquelas coisas, daquela maneira.

Bruce ajeita a mala e olha para Ryan.

BRUCE: Tudo bem, Ryan.

RYAN: Não, não está, Bruce.

Bruce, intrigado.

RYAN: Você gostaria de dizer que sairíamos daqui, pegaríamos o que é nosso e que, no final, ficaria tudo bem. Mas não diz nada disso, pois acha que eu vou ficar aqui, vou abandonar o grupo, assim como Cody. Se for isso que está te impedindo de me confortar, como o líder do grupo, eu te asseguro que não vai acontecer. Não pretendo ficar.

BRUCE: Não? E sobre o que disse no refeitório?

RYAN: Não menti em nada. Não era daquela maneira que gostaria que soubessem da minha posição. Sei que sempre foi um pai para mim, para Emily, não seria justo me separar agora. (T) Minha mãe... Foram poucos, os nossos momentos juntos, mas me lembro de uma história: o filho que abandonou os pais para estudar. Parece ser incrivelmente estúpido discutir isso, pois todos os pais querem ver os filhos formados, mas agora entendo o sentido daquela história. Com você, Bruce. Eu, Emily, não podemos abandonar quem nos guiou até aqui. E eu realmente acho esse lugar seguro e ficaria aqui. Mas eu não faria sem ter seu apoio como posição. (T; SORRI) Esclarecido, capitão?

BRUCE (SORRI): Eu não mereço toda a responsabilidade de um capitão. Mas está esclarecido, soldado! (T) É bom ouvir isso, Ryan. Você também é como um filho. O que eu perdi.

RYAN: Pensei que só havia tido uma menina.

BRUCE: Ele morreu cedo. Era deficiente.

RYAN: Ah...

Ryan observa certa queda no clima, estampada no rosto de Bruce.

RYAN: Desculpe, Bruce, eu não queria/

BRUCE: Está tudo bem. (T) E quanto ao Cody? Soube que Lily tentaria achá-lo, perguntaria a algumas pessoas.

RYAN: Não o achamos e supomos que ele não chegou aqui. Sei lá, teriam o visto e, quando perguntássemos, reconheceriam.

BRUCE: O Cody não correria riscos na rua, podendo estar no lugar onde o sonho dele se realizaria. Ele fugiu de nós. Não pode ter ido para outro lugar, se não aqui.

RYAN: Talvez tenha encontrado o irmão.

BRUCE: O irmão... Cody daria tudo por ele. Será que até a vida?

RYAN: Podem estar muito longe daqui, à uma hora dessas, Bruce.

BRUCE: Por quê? Por que abandonariam o que sempre quiseram? Esse lugar, essas pessoas, todo esse sistema. Não acha estranho?

RYAN: Ele confiava no irmão. Bastaria uma palavra e ele esqueceria tudo isso.

BRUCE: Eu tenho minhas dúvidas. (T) É certo de que muita coisa não se encaixa nessa história.

RYAN: A começar por aquelas criaturas, lá fora.

CENA 9. INT. HIDRELÉTRICA/DORMITÓRIO FEM. - DIA.

Este dormitório, o mesmo do anterior, porém feminino.

Megan e Lori, arrumando suas respectivas malas. Uma em cada colchão. Megan, com o "151", Lori, "152".

MEGAN: Já sabe em que função vai se inscrever?

LORI: Não tenho dúvidas. Vou integrar o de agentes femininas.

MEGAN: Pensei que só entrassem homens.

LORI: Nem todas as mulheres são de seu estilo. Aquele, antigo: sentada e esperançosa.

MEGAN: Olha, eu juro que tento ser cordial com você. Mas você é impossível. Parece que só trata uma pessoa bem. O Bruce, claro. Acha o quê? Que todos devem batalhar, lá fora? Não nasci em uma terra de andarilhos, tinha uma vida normal. Até tudo isso acontecer. Me virei, por muito tempo, sozinha.

LORI: Eu pouco me importo sobre o que você pensa sobre mim. (T) Eu não me esqueci daquele dia, Megan.

MEGAN: Do que fala?

LORI: Você não me deixou voltar, não me deixou salvar o Bruce. Por quê? Eu não consigo entender.

MEGAN: Para poupar sua vida. Eu não queria ninguém morto, mas não permitiria que morresse para salvar a vida de alguém que já podia estar morto!

LORI: Você me espanta.

MEGAN: Eu só não quero sofrer mais do que eu sofri em todo esse tempo, Lori. (T) Quando eu tive a chance de salvar todas aquelas pessoas, eu fiz. Por que mataria o Bruce? Logo o Bruce?!

LORI: Por ser estranha de mais e aparentar ser o que, na verdade, não é.

MEGAN: Você, é que me espanta. Acha que é a líder de tudo, não é? Mal sabe você que, em uma mordida, você vira mais um deles, lá fora.

LORI: Eu morreria, sim, não ficaria para ser a protagonista da história. Diferente de você, faria questão de ser a figurante. Pode ter certeza.

Lori fecha a mala e sai do quarto.

CLOSE-UP em Megan, pensativa.

CENA 10. INT. HIDRELÉTRICA/SALA QUALQUER - DIA.

MÚSICA ON - The Ruler and The Killer, por Kid Cudi.

POV DE CODY - (EFEITO: EMBAÇADO) As botas de Nolan; sua calça preta; a camisa; o seu rosto maligno, encarando-o.

NOLAN: Bom dia, maluco.

E Nolan abre um sorriso pra ele.

Sai do POV.

CODY (SUSSURRANDO): Socorro, socorro!!!

Não há voz.

NOLAN: Pode gritar a vontade. Ninguém vai te escutar. Ninguém. Daqui pra frente, você será mais um paciente em crise. (T) Uma pena.

Nolan, em uma imagem puramente cínica, o encara, triste... Para logo desfazer toda aquela cara de pêsame e lançar uma gargalhada.

MÚSICA OFF.

ABRUPTAMENTE, IMAGEM FECHA EM PRETO.

FADE IN.

CENA 11. EXT. CÉU BOSTONIANO - NOITE.

A LUA ilumina o céu estrelado.

CENA 12. EXT. HIDRELÉTRICA/OBSERVATÓRIO - NOITE.

Abre no rosto de Bruce, encarando as estrelas do céu.

Ele se encontra em uma espécie de laje, a cima das diversas estruturas, inclusive da barreira.

A porta de ferro se abre e Megan entra, sorrateira.

MEGAN: Preferiu não jantar?

Bruce se vira.

BRUCE: Como me achou aqui?

MEGAN: Não foi tão difícil. Te vi, vindo pra cá, quando estava indo jantar.

BRUCE: Descobri esse lugar hoje. Meu pai trabalhou numa dessas, conhecia tudo.

MEGAN: Era vigia?

BRUCE (RISOS): Não, trabalhou numa hidrelétrica.

MEGAN (SORRI): Ah, claro! (T) Compensa pela vista. É impressionante como muita coisa se anula sem os seres humanos... Ou a maior parte dele. Está correndo um boato de que a Torre Eiffel foi tombada hoje. Vários estavam se abrigando lá. Inúmeros feridos.

BRUCE: Meu Deus. Aonde chegamos?

MEGAN: 10 anos depois de um caos.

BRUCE: Eu gostaria de procurar por respostas. Mas... (T) As armas são mais importantes.

MEGAN: Você acha que vamos conseguir?

BRUCE: Eu não sei.

Ela se aproxima dele, apoia os braços em um de seus ombros.

BRUCE: Eu já disse 'sim' para muitas coisas. 'Não' para outras. Definitivamente, o 'não saber' é a melhor opção.

MEGAN: Você chegou a Boston com alguém?

BRUCE: Sozinho, sem nenhuma oportunidade, revistado pelo exército, passando por inúmeros exames, buscando aliados. (T) Apenas com a confiança da Lori.

MEGAN: Você gosta dela, não gosta?

BRUCE: Eu não sei.

MEGAN: Agora não adianta... Me contou o segredo, sobre o 'não saber'.

Ambos dão risadas.

BRUCE: Digamos que, sem ela, eu não tenho utilidade. Mas/

MEGAN: A sua esposa, não é?

BRUCE: A Regina foi e sempre será a mãe dos filhos que me fizeram um homem feliz. Mas também não era paixão.

MEGAN: A sua filha. Prefere que tudo tenha acontecido com ela, para que não presenciasse o mundo, tudo isso, hoje?

BRUCE: Sim. A Susan se fazia de madura. (RI) Treze anos...

Lágrimas escorrem dos olhos dele.

BRUCE: A minha princesinha...

E ele chora bastante, afagado pelas mãos de Megan, que circulam pelas costas dele.

MEGAN: Eu estou aqui, com você.

Eles se encaram e Megan se aproxima, dando-lhe um beijo na boca. Olhos fechados, auge.

Na porta, aponta Lori, que vê tudo. Ela se espanta e SAI, sem que seja notada.

Os lábios se desencostam. Megan e Bruce se encaram.

BRUCE: Desculpa. Eu, eu/

MEGAN: Não. A culpa foi toda minha, isso não era para ter acontecido.

BRUCE: Tá, tá certo.

Eles se encaram por alguns segundos.

MEGAN: Eu, (SE EMBOLA) eu, eu... Eu vou, vou descer. Você vem?

BRUCE: Oi? É... Vou. Vamos, vou descer com você.

E eles vão em direção à porta de saída, envergonhados um do outro.

CEAN 13. INT. HIDRELÉTRICA/DORMITÓRIO MASC. - NOITE.

O corpo de Bruce recosta no colchão.

PANORÂMICA - O dormitório, agora, é um ambiente escuro, com homens por todos os lados. Uns dormem, outros viram de um lado para o outro, inquietos.

Ryan, ao lado de Bruce, já está em sono absoluto.

Bruce é um desses inquietos; vira de um lado para o outro.

FLASHBACK – O beijo.

Megan e Bruce se beijam.

FIM DO FLASHBACK.

Ele esboça um sorriso, vira pro lado e fecha os olhos.

PLANO DETALHE - Os olhos de Bruce.

CORTA RAPIDAMENTE PARA:

MONTAGEM DE FLASHBACKS – Bruce se recorda.

A) QUARTO DE HOSPITAL - O médico de Lincoln se vira, mas, dessa vez, não conseguimos ver seu rosto com perfeição – riscos pretos tapam a face.

B) CEMITÉRIO - Lincoln é enterrado.

C) BECO - Nolan aponta a arma para Bruce e seu grupo.

D) CEMITÉRIO - Todos se afastam da lápide de Lincoln.

FIM DO FLASHBACK.

PLANO DETALHE - Os olhos de Bruce se abrem.

CENA 14. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDOR - NOITE.

Uma lanterna ilumina o chão.

A cadeira de rodas é empurrada sobre os pisos do vazio corredor.

Revela-se, empurrando Cody, desmaiado sobre a cadeira de rodas, Nolan, com a lanterna presa à boca, com os dentes.

CENA 15. INT. HIDRELÉTRICA/CLÍNICA - NOITE.

Uma espécie de ambulatório improvisado está montado na sala. Macas, onde alguns doentes repousam, são observadas por DUAS ENFERMEIRAS. Neste lugar, a luz, apesar de fraca, existe.

Nolan aponta na porta, agora sem a lanterna, segurando a cadeira de rodas. As enfermeiras se aproximam e Nolan leva a cadeira até uma maca vazia, onde elas, com a ajuda dele, colocam-no.

CÂMERA detalha o rosto de Cody, pálido, desmaiado, para, depois, mostrar uma seringa, nas mãos de uma das mulheres, se aproximando de seu braço direito, aos olhares de Nolan.

NOLAN (ENCARANDO O CORPO): O nome dele é Cody, e seu problema é muito sério. Esquizofrenia. Fase aguda. Caso irreversível... (T) Eu sinto muito, querido Cody.

CENA 16. EXT. HIDRELÉTRICA/BARRICADA - DIA.

Já é DIA. O Sol ilumina cinco fuzileiros, atirando de cima da barricada, em vários andarilhos, frente a ela.

As cabeças rolam no asfalto...

CENA 17. INT. HIDRELÉTRICA/REFEITÓRIO - DIA.

Abre numa arma, nas mãos de Bruce.

Em seguida, revelam-se Lori, Megan, Emily e Ryan, sentados à mesa, com suas respectivas bandejas, recheadas com uma caneca de café, bolachas e brioches.

BRUCE: Gostaram do novo brinquedinho?

LORI: Deve ser uma das nossas...

BRUCE: Desgraçado. Usa nossas armas para fazer a revolução dele.

MEGAN: Onde conseguiu essa?

BRUCE: É minha, agora. Só posso usar durante o dia, em treinamentos dos agentes.

EMILY: Eu vou me alistar hoje, aos auxiliares na cozinha. Tenho vocação para poucas coisas da lista de tarefas.

RYAN: É uma boa. Diferente de você, eu não sei no que me alistar.

MEGAN: Tem o observatório. Não parece ser difícil. Eu também fui para o lado mais fácil, vou ficar na parte da manutenção. Não quero trabalhar na clínica, porque podem querer que fique lá além do tempo que ficaria em serviços pesados.

RYAN: É uma boa. Vou procurar saber sobre o observatório.

LORI: E como foi a noite de vocês?

Lori mira o olhar para Megan e, em seguida, para Bruce.

BRUCE: Por que a pergunta, Lori, algum problema?

LORI: Nenhum. Mas acho que deveriam contar a todos.

EMILY: Do que você tá falando, Lori?

MEGAN: Lori/

LORI: Contem. Digam à Emily e ao Ryan quem é o novo casal, nessa linda história de amor.

BRUCE: Ah, meu Deus, você viu o...

LORI: Bruce, por favor, eu não estou falando mal, apenas quero que vocês contem aos dois.

MEGAN: Qual o seu problema, Lori? Não estamos em relacionamento nenhum. Foi apenas um beijo, sem compromisso, em uma conversa delicada.

LORI: Eu não quero explicações para o beijo, Megan.

EMILY: É necessária, essa discussão, gente? Acredito que a Megan e o Bruce possam se beijar à vontade. Qual seria o problema nisso, Lori?

LORI: Parece que todo mundo está se esquecendo da nossa missão aqui dentro. Melhor, da nossa missão num mundo infestado por andarilhos. Não acho um bom momento para fazer uma linda história de amor. Mas, OK, sem julgamentos. Vou pro meu treinamento.

Ela se levanta com a bandeja e vai em direção à bancada.

De volta à mesa, Bruce passa as mãos sobre o rosto.

BRUCE: Não era ter acontecido. Mas a Lori/

RYAN: Me desculpe, Bruce, mas o seu braço direito está levando tudo isso como o plano que derrubou as torres gêmeas. Mal ela sabe que não sabemos nem por onde começar a pegar as armas que nos foram roubadas.

EMILY: Também acho que ela foi longe demais. Mesmo assim, se gostarem um do outro, devem ficar juntos. Afinal, nunca se sabe quando tudo isso pode acabar.

Megan e Bruce se olham.

MEGAN: Não há nada entre nós.

BRUCE: Sim. Apenas um grupo. Nada, além disso.

Nisso, Nolan surge, chamando a atenção de todos com um ASSOVIO.

NOLAN: Bom dia a todos. Notifico aos nossos agentes nível 1B, que se unam aos agentes 1A na missão de hoje. Vamos até o centro recolher munições, mantimentos em geral e, principalmente, remédios e comidas. Desde já, deixo claro o risco de feridos, visto que, se alguma tropa ou inimigos estiverem por perto, teremos que derrubá-la. Aos interessados, da equipe 1B, que esperem na barricada, às uma hora, em ponto. Tenham um bom dia, Bats!

E Nolan se senta à mesa mais próxima.

De volta à de Bruce, CLOSE-UP nele.

CEAN 18. EXT. ESTRADA/BARRICADA - DIA.

Os andarilhos, mortos na 16ª cena, já foram recolhidos. No lugar deles, foram colocados OITO ALVOS coloridos, para treino.

À frente, uma equipe de oito mulheres, inclusive Lori. Uma AGENTE, roupas pretas, boné, cabelos presos, faz um sinal e todas elas atiram contra o alvo.

Lori não acerta de primeira, mas logo emplaca um bom tiro, na CABEÇA do alvo; outro, no PESCOÇO e outro, exatamente nos JOELHOS.

Os tiros já pararam. Ela abaixa a arma e observa, em contraste com o restante dos alvos, seus tiros, EXATOS.

O.S. - Alguém bate palmas.

Todas as mulheres se viram e observam Nolan, à cima da BARRICADA, com um sorriso no rosto.

NOLAN (OLHANDO PARA LORI): Belos tiros, hum.../

LORI (SÉRIA): Lori.

NOLAN: Belos tiros, Lori. Agente, libere-a por um instante.

A Agente concorda. O portão da barricada se abre e Lori entra. O objeto grande, pesado, é fechado por um GUARDA.

Nolan já vem ao encontro dela, descendo as escadas.

NOLAN: Parece que você é boa de tiro, em? Que belo presente, os Bats receberam. Vamos conversar, venha.

Nolan vai à frente, Lori, atrás, sempre atenta.

CENA 19. INT. HIDRELÉTRICA/CORREDOR - DIA.

Nolan e Lori caminham lado a lado pelo corredor, pouco movimentado.

NOLAN: Treina há muito tempo?

LORI: Desde que o caos começou, pego numa arma. Aprendi em troca pela sobrevivência.

NOLAN: Uma mulher tão madura não deveria depender de um grupo pequeno, o do galã... Como é mesmo o nome dele?

LORI: Por ser madura, não estaria nem no grupo dele, nem no seu, estaria colhendo minha própria sobrevivência lá fora, por conta própria.

NOLAN: E o que está esperando para fazer isso?

LORI: Tornar-me madura.

NOLAN (SORRI): Não seja modéstia. Faz o que quer, com uma arma em punhos.

LORI: Me desculpe, Nolan, mas existem divergências entre fazer o que bem quiser com uma arma e a utilizá-la para matar andarilhos e não ser morta com uma mordida desgraçada.

NOLAN: Acha que os Bats inibem as pessoas a fazerem isso?

LORI: Não. Por isso estou no grupo de agentes em treino.

NOLAN: Seria ótimo se nos acompanhasse ao centro. Sem burocracias de grupo, sem contar seu estágio nos treinos... (SORRI) Convenhamos, está mais avançada que as outras.

LORI: Eu rejeito.

NOLAN: Por quê? Não vejo motivos.

LORI: Não me sinto preparada. E, se tem uma coisa que eu aprendi, é sempre lutar convicto de que irá vencer. Caso contrário, é melhor nem ir.

Scott se aproxima, rápido.

SCOTT: Nolan, os carros estão prontos. Precisamos da sua revisão e pegar o restante das armas para ir.

NOLAN (P/ LORI): Você sabe aonde ir, caso se decida a juntar a nós e mostrar que realmente tem algum valor com uma espingarda na mão.

Ele se vira e sai, junto de Scott. Lori vira os olhos e o observa se afastar. De repente, parece ter se atentado a algum detalhe.

CLOSE-UP nela.

LORI: As armas, claro!

Em passos largos, ela segue a direção de Nolan.

CENA 20. INT. HIDRELÉTRICA/SALA DE ARMAS - DIA.

DESFOQUE - da porta da sala de armas, um cubículo cheio de prateleiras, sacos pretos, grandes, espalhados; para o rosto de Lori, observando em silêncio, do cotovelo do corredor, as armas que Nolan recolhe dentro dos sacos; as balas, sobre as prateleiras, e todo o armamento necessário.

Não muitos minutos depois, ele se aproxima da porta e Lori sai correndo.

Ele a fecha e a tranca com uma chave, a qual, no meio de um molho, é jogada dentro do bolso da calça.

CENA 21. EXT. ESTRADA/BARRICADA - DIA.

Os jipes e um caminhão são abastecidos pelos agentes, que vão chegando, com suas armas, para sair pelo portão da barricada - este, aberto.

Bruce e Lori caminham, em direção ao jipe.

LORI: Tá preparado?

BRUCE: Nem eu sei...

LORI (SORRI): Claro que está. Vai dar tudo certo e logo vocês estarão de volta.

BRUCE: Espero que sim.

Ele vai se afastando dela, com um sorriso no rosto.

Nolan, que está próximo ao portão, os olha e se aproxima.

NOLAN (PARA BRUCE): Sua menininha não vai?

LORI: Não, não vou. A propósito, obrigada por se preocupar tanto comigo.

Ela se vira e sai. Nolan, calado.

BRUCE: Se eu fosse você, não fazia brincadeiras idiotas com pessoas que não as aceitam tão facilmente.

Bruce prossegue, em direção a um dos jipes.

CLOSE-UP em Nolan.

NOLAN (ALTO): Vamos logo, não quero perder mais tempo.

Nolan sobe na caçamba de um dos jipes e bate no teto do carro.

NOLAN (ORDEM): Vamos! Vamos!

CÂMERA ABRE para dar a PANORÂMICA de todo o local, além-barricada.

Os carros partem e o portão é fechado pelo mesmo guarda de cenas atrás.

CENA 22. INT. HIDRELÉTRICA/CLÍNICA - DIA.

CHICOTE - CÂMERA vai buscar Cody, deitado sobre a maca.

Seus olhos se abrem, tenebrosos, observando tudo ao redor, o ambiente vazio, com apenas uma enfermeira e, além da dele, uma maca em uso.

A enfermeira, com um pratinho de metal em mãos, este portando uma seringa, se aproxima dele. Porém, quando menos espera, Cody se levanta da maca, cata a seringa e aplica, com força, contra o pescoço da enfermeira. O local da aplicação começa a sangrar e a mulher cai no chão, ajoelhada, berrando de dor.

Cody, por sua vez, não pensa duas vezes, se dirige a porta, olha pros dois lados e sai correndo.

FLASHES RÁPIDOS – Enquanto ele corre, seguem lembranças momentâneas.

A) Nolan atira em Hurt, no meio da floresta;

B) Ele acorda, preso às redes de uma espécie de rede de pesca e encara Nolan, sádico, à sua frente;

C) Algo bate contra a sua cabeça -- foi a coronhada de Trevor nele.

D) Nolan aplica uma injeção em seu braço.

FIM DOS FLASHES.

Cody chega a um corredor, cujo se divide em dois cotovelos. Pensa rápido e entra no da direita, vendo Trevor, de costas, andando.

CLOSE-UP em seus olhos.

CHICOTE - Cody sai correndo pelo corredor, alucinado.

Trevor se vira e só vê um vulto pulando sobre ele, o jogando no chão e lhe dando uma mordida na orelha. Trevor dá um berro e uma cotovelada na barriga do irmão, que o joga pra trás, e se levanta, encarando-o. Trevor se levanta e tenta segurar suas mãos, juntas.

DOIS AGENTES entram no corredor, se deparam com a cena e correm para apartar. Um deles consegue conter Cody, que encara Trevor com um olhar tenebroso; Trevor, por sua vez, não reconhece o irmão e o olha com pêsame.

Um dos agentes observa uma pulseira branca na mão direita de Cody.

AGENTE: É um paciente fugitivo. Vamos levá-lo à clínica. (P/ O AGENTE 2) Leve o rapaz para lá em seguida.

O sangue da orelha de Trevor escorre pelo rosto e pinga no chão. O agente 2 o conduz, atrás de Cody. Os olhos desse lacrimejam de ódio.

CENA 23. INT. LOJA DE CONVENIÊNCIAS - DIA.

Bebidas, produtos farmacêuticos, comida, utensílios em geral - quebrados ou inteiros -, estão espalhados pelo chão do lugar, pouco iluminado.

O teto tende a desmoronar, por conta de algo muito pesado parecer estar em cima dele.

Vários agentes estão espalhados por ali, revirando e procurando coisas. Cada um carrega sua própria mochila e a enche. Entre eles, Bruce.

CENA 24. EXT. LOJA DE CONVENIÊNCIAS - DIA.

Todos aqueles agentes, inclusive Bruce, saem de dentro da loja, de externa simples, com vidros quebrados e um letreiro opaco.

À frente da loja, os carros esperam. Nolan e mais dois agentes, já esperavam ali.

NOLAN: Tá limpo?

AGENTE: Em todos os sentidos.

NOLAN: Vamos dar um fora daqui.

BRUCE: Vamos à outra loja? Acho que essa forneceu bastantes coisas.

NOLAN: Não, exatamente. Vamos à farmácia. Pegaremos alguns remédios, curativos, em geral, e voltaremos.

Neste momento, um forte barulho vem de dentro da loja. Todos se assustam.

NOLAN: Merda, o que foi isso? (RÁPIDO) Vamos, vamos, vamos ver.

E eles ENTRAM na loja. Restam, guardando os carros, dois agentes.

CENA 25. INT. LOJA DE CONVENIÊNCIAS - DIA.

O teto se abriu e vários andarilhos estão espalhados pelo lugar.

NOLAN (ALTO): Merda! (T) Não vamos matar, vamos dar um fora daqui, rápido.

Porém, um dos agentes já foi pra cima dos andarilhos, que o cerca. O homem tenta atirar em todos ao mesmo tempo, mas consegue matar poucos. Um dos andarilhos se aproxima, por trás, e lhe dá uma mordida.

NOLAN: Merda! (T; AOS OUTROS AGENTES) Atirem, salvem-no!!!

E os agentes atiram, matando os andarilhos que cercavam o tal agente, mas ele já está no chão, morto.

NOLAN (COLOCANDO PRESSÃO): Mortos-vivos de merda!!! Vamos sair daqui, rápido, podem ter escutado esse tiroteio. Vamos, vamos!!!

E todos eles saem correndo de dentro da loja. Nolan, por último.

CENA 26. EXT. ESTRADA - DIA.

Todos os agentes saem e cada um entra em um carro. Nolan, na caçamba de um deles, bate no teto e todos eles andam, em direção à rodovia, onde se pode tomar o caminho da direita ou esquerda.

Porém, nesse momento, surgem duas vans brancas, em alta velocidade. Vários homens, na parte de trás das vans, com a porta aberta, atiram contra os jipes de Nolan, que bate no teto, afoito.

NOLAN (BERRA): Não parem!!! Não parem!!!

Ele se abaixa, assim como os outros, que também estão na caçamba. Com as armas a postos, os homens das vans enchem as latarias de tiros.

Os carros se cruzam. Os de Nolan conseguem passar das vans, porém tomam direções opostas. O tiroteio continua: as vans dão meia volta e cada uma segue um grupo de carros.

CENA 27. EXT./INT. JIPE DE BRUCE - DIA.

Bruce, com a arma para fora da janela, atira na van. Da mesma forma, faz o soldado ao seu lado e o do banco do passageiro.

Enquanto isso, na rodovia, a van e os dois Jipes, um na frente do outro, competem pela frente da pista em intensos arrancos e alta velocidade. O tiroteio recomeça.

De volta ao Jipe, O soldado, ao lado de Bruce, tenta atirar no motorista da van, colocando a cabeça para fora, junto da arma, e atirando, mas é atingido por um tiro, na cabeça.

BRUCE (PARA O AGENTE NO PASSAGEIRO): Vou abrir a porta, não podemos deixá-lo se transformar aqui dentro.

AGENTE: Oh, não... Gavin...

Bruce toma a posição e abre a porta, empurrando Gavin, baleado, para fora, fazendo-o rodar e cair na PISTA.

Fecha a porta; respira, contrito; foca no presente.

A van consegue se aproximar e bater na lateral do Jipe de Bruce. Um dos tiros, então, vindos da van, atinge o vidro de trás do carro, fazendo-o se quebrar todo.

Bruce se abaixa. Os tiros são frequentes e atravessam, perfurando o estofado dos bancos do motorista e carona.

Ele saca a arma e volta a atirar, agora pelo vidro de trás. O agente da frente permanece atirando.

Porém, de repente, um tiro atinge o ombro de Bruce e ele se escora no estofado. O agente da frente se vira, observa o tiro, volta a olhar pra frente, escorado.

AGENTE: Oh, meu Deus, você está baleado! (AO MOTORISTA) Ele está baleado.

MOTORISTA: Não podemos parar, não, agora!

Do lado de fora, a perseguição continua a toda velocidade e tiros. Ao mesmo tempo,

...Bruce, debilitado, perdendo muito sangue, arma jogada pro lado, mexe a cabeça, zonzo, atônito, a dar suspiros profundos.

MONTAGEM DE FLASHBACKS – Bruce, avoado, relembra.

A) RUA - A camionete de Jake explode, matando Susan.

B) QUARTO DE HOSPITAL - Bruce e Regina observam Lincoln, na maca, desmaiado.

C) CEMITÉRIO - A lápide de Lincoln.

D) QUARTO DE HOSPITAL - O médico de Lincoln se vira e, agora, reconhece-se Nolan.

FIM DO FLASHBACK.

Os olhos de Bruce se viram para cima e ele desfalece.

IMAGEM FECHA EM PRETO, RAPIDAMENTE.

FADE IN.

CENA 28. EXT. LUGAR AREJADO - DIA.

POV DE BRUCE - Os olhos se abrem. O Sol, que atinge seus olhos, é tapado pela cabeça de Nolan, que o olha de cima.

NOLAN: Bem vindo de volta.

FLASHBACK RÁPIDO:

No hospital, finalmente, o médico de Lincoln se revela. É Nolan.

FIM DO FLASHBACK.

Na imagem de Nolan, através da visão de Bruce.

FADE OUT.

 
     

 

     


 

Criada e escrita por
Rafael Oliveira
 

Estrelando
Gerard Butler - Bruce Collins
Laurie Holden - Lori Blair
Woody Harrelson - Nolan Miller
Sarah Wayne Callies - Megan Campbell
Wentworth Miller - Cody


Com

Britt Robertson - Emily Haven
Colin Ford - Ryan Haven
Vince Vaughn – Trevor


Participações especiais
Kyle Catlett - Lincoln
Andrew Scott – Scott
Callum Keith Rennie - Atirador
Enfermeiras, os diversos agentes, são figuração.


Trilha sonora
The Ruler and the Killer - Kid Cudi
 

Dead Land é livremente inspirada no jogo “The Last Of Us”, desenvolvido pela Naughty Dog.
 

Produção
Bruno Olsen
Diogo de Castro
 

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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Proibida a cópia ou a reprodução

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