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Passos da Paixão - Capítulo 11

Novela de Édy Dutra
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PASSOS DA PAIXÃO - CAPÍTULO 11

 
 
 
 
 
 
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
 

O bar está movimentado, na hora do almoço. Sílvia está sentada em uma mesa, sozinha, fazendo a refeição, quando assiste à entrevista de Rosana e Mauro.

SÍLVIA (surpresa): - Noiva?!

JANICE (aproxima-se de Sílvia): - Você viu?! A Rosana ta noiva desse bacana aí?! Sabia disso?

SÍLVIA: - Não! Ela não me disse nada...

Alceu vai passando pelas duas.

ALCEU: - Rosana nunca me enganou. Sempre pareceu querer subir na vida...

JANICE: - Isso tudo mundo quer, Alceu. Bom que ela teve essa sorte.

Janice se afasta. Sílvia fica pensativa, olhando para TV, onde imagens de Rosana e Mauro, dando um beijo, fica em close na tela.

...

ROSANA: - Eu preciso falar com você.

JÚLIO: - Não pode pelo menos adiantar o assunto?

ROSANA: - Só posso dizer que interessa pra você e pra mim. Infelizmente.

Júlio olha intrigado para Rosana.

ROSANA: - Uma voltinha rápida, o assunto é importante, mas não vai demorar. Eu dirijo.

 

 

 

 

CENA  01. CASA ROSANA. INT. DIA.

Continuação do capítulo anterior. Júlio e Rosana conversam.

ROSANA: - Vamos?

JÚLIO: - Eu dirijo o carro.

ROSANA (pega a chave e Júlio): - Eu estou no comando aqui. Vem logo.

Rosana sai. Júlio, um tanto desconfiado, vai atrás dela.

CENA 02. PETRÓPOLIS. CASA LINHARES. INT. DIA.

Selma e Gilson sentados em uma das mesas. Tarso e Sandra sentam-se em outra mesa.

GILSON: - O Tarso e a Sandra não haviam se separado?

SELMA: - Não chegaram a separar de fato. Parece que ela perdoou o marido... Não é a primeira vez que ela aceita ele de volta depois de uma traição... Ah, mas se é comigo! Fico com todos os cartões de crédito dele e deixo ele na pindaíba! Não vai comprar roupas caras e joias pra qualquer mulherzinha não!

Sandra, de longe, acena para Selma e Gilson, que retribuem.

SANDRA: - Milagre a Selma estar bem vestida hoje.

TARSO: - Queria, por favor...

SANDRA: - Apenas um comentário, amor. (dá um selinho em Tarso).

Ivan faz fotos dos convidados no evento, caminhando por toda festa. Ele encontra Valquíria.

IVAN: - Com licença...

VALQUÍRIA: - Oi!

IVAN: - Uma foto, por favor?

VALQUÍRIA: - Claro querido!

Valquíria faz cara sexy para Ivan, que tira a foto. Eles estão próximos à mesa, onde doces e salgados são servidos sob os cuidados de Durval. Orestes se aproxima.

ORESTES: - Ótimo o seu Buffet, Durval. Parabéns!

DURVAL: - Muito obrigado, doutor Orestes. A gente faz o que gosta né? Isso já dá um toque especial.

ORESTES: - Tivemos excelentes recomendações dos serviços do seu restaurante, Prato Cheio. Aliás, um dos mais comentados do Rio de Janeiro!

DURVAL: - Muito obrigado! É sempre um prazer ouvir isso... (risos) E já que o senhor está contente, prove este doce aqui. Tâmara com creme especial. Vai gostar...

Numa rodinha, conversando, Adônis, Fernando, Raquel, Estér e Maria Helena.

RAQUEL: - Bom ver a Sandra e o Tarso juntos.

MARIA HELENA: - A Sandra é esperta... Pra não perder a boa vida, fez mais um filho com o Tarso...

ESTÉR: - Mamãe, por favor!

MARIA HELENA: - Não estou mentindo, Estér. A Sandra prendeu ele com a barriga novamente. Perdoou a traição, ele perdoou ela do escândalo no restaurante. Você mesma disse.

ESTÉR: - Eu sei que eu disse, mas ainda bem que passou. Situação constrangedora.

FERNANDO: - Raquel vem comigo, quero te apresentar uns amigos...

RAQUEL: - Claro.

Os dois saem.

MARIA HELENA: - Faz muito tempo que eu não via você, Adônis. Como estão seus pais lá no Sul?

ADÔNIS: - Estão bem, dona Maria Helena, graças a Deus.

ESTÉR: - Muito tempo mesmo, Adônis. Como você mudou.

ADÔNIS: - Você não mudou nada, Estér. Com todo respeito, continua linda.

MARIA HELENA: - Se ela gostasse de quem deveria gostar, eu faria gosto de um namoro entre vocês.

Estér fulmina Maria Helena com o olhar.

ADÔNIS: - Não entendi...

ESTÉR: - A mamãe, sempre fazendo seus comentários... Vem, mamãe, preciso falar com você.

As duas saem. Adônis fica a observar a festa.

CENA 03. CASA MAURO. QUARTO MAURO. INT. DIA

Leocádia conversa com Mauro.

LEOCÁDIA: - Você tem certeza disso, Mauro?

MAURO: - Tenho sim, mamãe. Não vejo problema nenhum da Rosana vir morar aqui em casa. Mas pelo visto a senhora tem.

LEOCÁDIA: - Eu? Não... É que (pausa) É que eu só acho isso tudo muito apressado.

MAURO: - Mamãe, eu e a Rosana já estamos há meses. E o melhor disso tudo, a gente se ama.

Leocádia tenta esconder a insatisfação. Mauro se aproxima, abraça a mãe.

MAURO: - Eu to feliz, mamãe. Muito feliz.

LEOCÁDIA: - Que bom, meu filho... O que importa mesmo pra mim é a sua felicidade. Você e a Celeste são os meus tesouros. São a minha vida.

CENA 04. PETRÓPOLIS. CASA LINHARES. INT. NOITE.

Imagens de Petrópolis anoitecendo. A festa de casamento prossegue. Enquanto isso, no escritório, Maria Helena e Estér discutem.

ESTÉR: - Será que nem numa data festiva como essa você não consegue guardar o seu veneno dentro da boca?

MARIA HELENA: - Olha lá como fala comigo, sua pervertida.

ESTÉR: - Olha as idiotices que você está falando! Você é louca, um poço de amargura!... Por isso que ninguém mais aguenta ficar perto de você! Você é chata, horripilante!

MARIA HELENA (grita): - Cala a boca!

ESTÉR: O que foi? Vai bater na sua filha de novo, por ela dizer a verdade, é isso?

MARIA HELENA: - Pra começo de conversa, eu não tenho filha nenhuma. E em segundo lugar, você nem sabe da verdade.

ESTÉR: - Do que você está falando?

MARIA HELENA: - Estou falando da mentira que é a sua vida desde que você chegou naquela casa... Maldita hora em que eu aceitei ficar com você, Estér.

ESTÉR (surpresa): - Está querendo dizer que eu sou adotada?!

MARIA HELENA: - Não, Estér. Estou dizendo que você é filha bastarda do seu querido pai. Você é fruto de uma traição do seu pai com a empregadinha!

Estér se mostra chocada. Orestes entra no escritório. Clima tenso.

ORESTES: - O que foi que você disse, Maria Helena?!

MARIA HELENA: - Eu só falei o que essa garota precisava ouvir. A verdade.

ESTÉR: - É isso mesmo, papai?

ORESTES: - Estér...

MARIA HELENA: - É isso mesmo sim. Seu pai me traiu com a empregada, que depois eu demiti e espero que esteja no inferno... E como eu tenho um coração muito nobre, aceitei ficar com você lá em casa.

ORESTES: - Pare já com isso, Maria Helena!

MARIA HELENA: - Orestes chega de ficar fazendo circo com essa história. A Estér já está madura o suficiente pra saber da verdade...

Estér chora, sentada na poltrona. Orestes se aproxima.

ORESTES: - Minha filha, não fique assim.

ESTÉR: - Por mais que eu me sinta feliz, não sendo filha dessa mulher, eu não sei quem foi que me gerou, pai. Eu não tenho mãe!

ORESTES: - Estér fique calma... Eu prometo que lhe contarei tudo, minha filha, quando a gente voltar pro Rio. Hoje é o dia do Fernando. A gente não pode voltar pra festa assim, nesse clima tenso.

MARIA HELENA: - Eu já fiz a minha parte. E pode ter certeza, Estér, que eu também agradeço e muito por não ter uma filha como você, estranha.

ORESTES (firme): - Maria Helena cala essa boca!

Maria Helena encara Orestes, um tanto surpresa com a reação dele e sai do escritório.

ORESTES: - Fique calma, meu amor.

ESTÉR: - É um choque, papai... É um choque...

ORESTES: - Eu sei. Mas tudo será esclarecido. Pode ter certeza, você vai saber de tudo.

CENA 05. RODOVIA. EXT / CARROS. INT. NOITE.

Imagens de uma rodovia, pouco movimentada. Num carro, Gustavo e Marília trafegam, felizes.

Em outro carro, Rosana e Júlio trafegam. Ela dirige.

JÚLIO: - Rosana, já estamos longe. Fala logo o que você tem pra me dizer. E cuidado com o trânsito! Esse carro nem é meu!

ROSANA: - Ai, Júlio, como você enche o saco!...

JÚLIO: - E você ta só me enrolando...

ROSANA: - Tá bom, eu vou dizer... (respira fundo) Eu estou grávida.

JÚLIO (surpreso): - O quê?!

ROSANA: - Isso mesmo, Júlio. Eu estou grávida de você.

JÚLIO (incrédulo): - Grávida?! Mas, como isso?! Eu não posso acreditar!

ROSANA: - Nem eu acredito nessa tragédia, mas é verdade. Daquela última vez que a gente, você sabe... Mas eu estou sendo bem franca com você. Não pretendo ter essa criança.

JÚLIO: - Como é que é?

ROSANA; - Não pretendo, Júlio! Eu não posso ter um filho agora! Eu estou noiva do Mauro! E outra, eu não nasci pra ter alguém dependente de mim! Não tenho vocação pra ser mãe, detesto a ideia!

JÚLIO: - Mas como você pode ser tão insensível, Rosana! Nós vamos ter um filho!

ROSANA: - Não, nós não vamos, Júlio! Por isso eu te chamei pra essa conversa. Eu vou fazer um aborto. Não vou, em hipótese alguma, ter um filho seu.

CENA 06. CASA SÍLVIA. INT; NOITE.

Sílvia olha os desenhos da coleção do amor, sentimental. A Tv está ligada no noticiário, mas ela nem presta atenção.

SÍLVIA: - Ai Júlio... Quando é que eu vou conseguir esquecer você?

A campainha toca. Ela guarda os desenhos numa pasta e vai atender a porta. É Laerte.

SÍLVIA: - Oi Laerte.

LAERTE: - Oi Silvinha... Posso entrar?

SÍLVIA: - Claro.

Laerte entra, um tanto nervoso. Sílvia fecha a porta.

SÍLVIA: - O que foi? Aconteceu alguma coisa? Você parece nervoso...

LAERTE: - De fato, eu estou.

SÍLVIA: - Mas nervoso por quê? Algum problema?

LAERTE: - Não, não é isso... Acontece que sempre que a gente precisa dar um passo importante na vida, o nervosismo toma conta da gente. É inevitável.

SÍLVIA: - Sei bem como é... Mas então você está para dar um passo importante, é isso? E que passo é esse?

LAERTE: - Preciso me declarar para alguém.

Sílvia olha Laerte surpresa.

LAERTE: - Eu estou apaixonado por você, Silvinha.

CENA 07. RODOVIA. EXT / CARROS. INT. NOITE.

Júlio e Rosana discutem no carro. Ela ao volante.

JÚLIO: - Você ficou louca?! Para esse carro, Rosana. Vamos conversar direito.

ROSANA: - Não há mais nada para falar, Júlio. Você já foi comunicado da minha decisão e é definitiva.

JÚLIO: - Rosana, para o carro agora!

Júlio segura a mão de Rosana, que o empurra. Ela perde o controle do carro. No outro veículo, em direção contrária, Gustavo e Marília conversam.

GUSTAVO: - E chegando em Miami, vamos fazer compras.

MARÍLIA: - Adoro, amor! Bolsas e sapatos! Que luxo!

GUSTAVO: - Você vai adorar!

Marília vê outro carro vindo na direção deles.

MARÍLIA: - Gustavo, cuidado!

O carro onde Júlio e Rosana está se choca com o carro de Marília e Gustavo, que capota na rodovia.

CENA 08. PETRÓPOLIS. CASA LINHARES. INT. NOITE.

Fernando e Adônis conversam.

FERNANDO: - Feliz em saber que você está aqui, Adônis.

ADÔNIS: - Eu também estou feliz, meu amigo. Apadrinhar esse casamento é uma honra.

FERNANDO: - Eu sei que você e a Raquel...

ADÔNIS (interrompe): - Já passou, já foi.

FERNANDO: - Mas você nunca deixou de ser namorador.

ADÔNIS: - Nem me fala nisso. Voltei pro Rio de Janeiro depois de descobrir que a garota que eu pegava às vezes ficou grávida.

FERNANDO: - Adônis!

ADÔNIS: - Desculpa, Fernando, mas você está feliz por ser pai, eu não desejei isso pra mim agora.

FERNANDO: - E aí você deixou a garota desamparada lá no Rio Grande do Sul, esperando um filho seu?

ADÔNIS: - Desamparada ela não ficou. Deixei uma boa grana pra ela cuidar do garoto. Ou garota, sei lá.

Fernando fica surpreso com a atitude de Adônis. Enquanto isso, Valquíria e Raquel conversam, não muito próximas dos dois.

VALQUÍRIA: - Por que você deixou isso, Raquel? Não ta nem um pouco constrangida?

RAQUEL: - Eu não!... Eu e o Adônis tivemos um namorico, coisa rápida, mas nada a ver a gente agora. O momento é outro.

VALQUÍRIA: - Mas ele é um partidão, não é?

RAQUEL: - É bonito sim. Às vezes me parece um pouco egoísta, mas acho que é só impressão. As pessoas mudam, não é? Já faz um tempinho que terminamos a faculdade...

Num outro ponto, Maria Helena encontra Sandra.

MARIA HELENA: - Ah, você está aí.

SANDRA: - Onde esteve, Maria Helena?

MARIA HELENA: - Dizendo umas boas verdades para a Estér.

SANDRA: - Maria Helena! Brigando justo hoje?!

MARIA HELENA: - Ah, mas não é nada. A Estér não me abala nem um pouquinho... Falando em abalar, seu casamento é que segue firme e forte.

SANDRA: - Tarso tentou cair fora, mas não teve jeito. Ele é meu pra sempre.

MARIA HELENA: - E como você conseguiu essa proeza?

Sandra coloca a mão sobre a barriga e sorri para Maria Helena.

MARIA HELENA: - Sandra...

SANDRA: - Nada como um filho para unir o casal. Tarso jamais me abandonaria grávida.

MARIA HELENA: - E sabendo disso, você tratou logo de dar um novo filho pra ele.

SANDRA: - O que não faz uma boa transa de reconciliação. (ri)

Enquanto isso, Tarso, Orestes e Gilson conversam.

ORESTES: - Então você vai ser pai novamente, Tarso?

TARSO: - Fiquei até surpreso. Meu casamento estava indo de mal a pior.

GILSON: - Mas um filho sempre traz fôlego novo para um relacionamento.

TARSO: - Assim espero.

ORESTES: - Você e a Selma não pensam em ter outro filho, Gilson?

GILSON: - Pra Selma fazer uma festança de chá de fraldas, depois outra festança de nascimento, depois de um mês, fora os aniversários!... Não, não... Um filho só está de bom tamanho.

Tarso e Orestes riem.

CENA 09. RODOVIA. EXT. NOITE.

O carro onde estão Marília e Gustavo está virado com as rodas para cima. CAM foca nos dois dentro do veículo, desacordados.

Próximo a eles, está o carro onde Júlio e Rosana estão. Júlio está machucado, desacordado. Rosana está praticamente ilesa, apenas com um corte na sobrancelha. Ela acorda, zonza e vê o estrago que causou.

ROSANA (aflita): - Meu Deus!

Rosana olha para o lado e vê Júlio desacordado. Ela se desprende do cinto de segurança, se aproxima de Júlio para ver se está vivo.

ROSANA: - Está respirando... (apreensiva) Meu Deus, eu não posso ficar aqui. Eu não posso ser culpada disso!

(fade in trilha “Infiltrado” – Bajofondo) Rosana sai do carro, vai até o lado do carona e tira Júlio do lugar. Com dificuldade, ela leva o rapaz até o lado do motorista, colocando Júlio ao volante.

ROSANA: - Você nasceu para perder, Júlio. Eu não. Aguente as consequências por mim, já que você me ama tanto!

Rosana se afasta apressada do local do acidente. Dentro do carro, Marília acorda, um pouco zonza e vê, com olhar turvo, alguém se afastando. Ela tenta gritar por ajuda, mas não consegue. (fade out trilha “Infiltrado” – Bajofondo)

CENA 10. CASA SÍLVIA. INT. NOITE.

Laerte se declara para Sílvia, que se surpreende.

SÍLVIA: - Laerte! Eu... Eu nem sei o que dizer!

LAERTE: - Eu sei que você deve estar surpresa, confusa com isso tudo dito assim, de repente. Mas acontece que eu não conseguia mais segurar isso dentro de mim.

SÍLVIA: - É lindo todo esse seu gesto, Laerte. Ninguém nunca se declarou para mim antes.

LAERTE (segura a mão de Sílvia): - Nem eu, nunca me declarei para ninguém. Por isso tudo o que eu te digo agora, é o mais puro e sincero sentimento que eu tenho aqui no meu peito.

Os dois ficam a se olhar. De repente, o som da TV invade a sala, no canal de notícias.

ÂNCORA: - E o nosso repórter está agora, ao vivo, no local do acidente na rodovia que liga a zona norte ao centro da cidade...

Sílvia desvia o olhar. Laerte percebe e se vira para a TV. Os dois acompanham a notícia.

REPÓRTER: - O acidente entre dois carros deixou três pessoas feridas. O acidente foi provocado quando este homem, que está sendo retirado deste veículo, invadiu a pista contrária e atingiu o outro carro, onde um casal estava.

A TV filma o socorro retirando o corpo de Júlio do carro. Sílvia e Laerte ficam chocados.

LAERTE: - Mas é o Júlio!

SÍLVIA: - Meu Deus!

REPÓRTER: - E nós acabamos de receber a informação de que, o motorista do outro veículo, identificado como Gustavo Caetano, não resistiu aos ferimentos e morreu. Os feridos estão sendo levados para o hospital São Marcos.

Sílvia e Laerte se mostram incrédulos.

SÍLVIA (aflita): - Laerte, o Júlio causou esse acidente horrível! Eu vou até o hospital, saber como ele está!

LAERTE: - Não, Silvinha, fique aqui. Você está muito nervosa. Deixa que eu vou até lá.

SÍLVIA: - Me avise de qualquer coisa, por favor!

Laerte sai apressado, enquanto Sílvia fica apreensiva.

CENA 11. HOSPITAL. INT. NOITE.

Marília dá entrada no hospital, levada numa maca para a emergência.

MARÍLIA (aflita, chorando): - Não, mãe! Eu quero o Gustavo aqui comigo, mãe! Eu quero ele vivo aqui!

Marília entra na emergência. Ilza, Cristóvão e Bruno ficam juntos, aflitos, na área de espera. Ilza chora, sendo confortada por Cristóvão.

ILZA: - A minha filha!

CRISTÓVÃO: - Fique calma, Ilza! Ela vai ficar bem!

BRUNO: - Que tragédia, meu Deus!

ILZA: - Não quero perder a minha filha, Cristóvão... Já perdi o Gustavo, que era como se fosse um filho pra mim.

CRISTÓVÃO: - Você não vai perder sua filha. A Marília vai ser bem tratada, vai se recuperar. Você precisa é ficar calma. Venha, vamos tomar um copo d’água.

Cristóvão e Ilza se afastam.

BRUNO: - Gustavo... Por mais inveja que eu tivesse de você, a morte seria a última coisa que eu te desejaria... Descanse em paz, meu amigo.

Neste instante, um grupo de médicos passa pelo corredor, trazendo Júlio, desacordado, numa maca.

CENA 12. CASA MAURO. INT. NOITE.

Leocádia e Celeste estão paradas na porta do banheiro. Leocádia tenta fazer a filha entrar no local, mas Celeste hesita.

LEOCÁDIA: - Vamos Celeste! Você me chamou para te ajudar, mas assim não dá! Você precisa entrar no banheiro senão vai fazer xixi nas calças!

CELESTE: - Eu não posso entrar assim.

Celeste está apurada. Ela bate com as palmas das mãos no marco da porta por cinco vezes, mas se perde nas contas e recomeça, ficando ainda mais angustiada e não conseguindo se segurar. Leocádia fica sem saber o que fazer.

LEOCÁDIA: - Que bobagem é esta, Celeste? Vamos logo!

CELESTE: - Eu preciso fazer isso senão não consigo fazer xixi.

LEOCÁDIA: - Não precisa disso, minha filha!

Celeste não consegue segurar e acaba fazendo xixi nas calças. A menina se recosta na parede, se agacha e começa a chorar. Leocádia também chora, sem saber que atitude tomar. Ela se aproxima de Celeste, abraça a garota.

CELESTE: - Eu não consegui...

LEOCÁDIA: - Não fica assim, minha filha... Tá tudo bem. A mamãe está aqui com você.

Leocádia fica pensativa, abraçada à Celeste.

CENA 13. CASA ROSANA. INT. NOITE.

Rosana chega em casa apressada, aflita.

ROSANA: - Calma, Rosana! Ninguém viu você... Você não estava lá nesse acidente...

A campainha toca.

ROSANA: - Droga! Quem será agora?

Rosana abre a porta. É Sílvia, que entra apressada no local.

SÍLVIA: - Rosana, você viu na TV o acidente que... (vê o ferimento no rosto de Rosana) O que aconteceu?

ROSANA: - Já está na TV o acidente?!

SÍLVIA: - Sim, já está... Rosana, esse ferimento na sua sobrancelha...

ROSANA: - Eu estava lá, Sílvia.

SÍLVIA (incrédula): - Como é que é?! Você estava nesse acidente? Mas como? Na TV falaram em três pessoas...

ROSANA: - Eu fugi.

SÍLVIA: - Mas fugiu por quê?! O Júlio foi levado para o hospital e um rapaz morreu!

ROSANA: - Eu fugi porque quem provocou esse acidente foi eu, Sílvia.

Sílvia fica chocada.

SÍLVIA: - Não pode ser verdade!

ROSANA: - Eu havia chamado o Júlio até aqui em casa para a gente ter uma conversa séria.

SÍLVIA: - Você e o Júlio?

ROSANA: - Sim. Eu estou grávida do Júlio, Sílvia.

SÍLVIA: - Meu Deus é muita coisa pra minha cabeça... Rosana! Grávida do Júlio?!

ROSANA: - É, isso mesmo... A gente transou uma vez aí e acabou que aconteceu. Eu chamei ele até aqui pra gente ter uma conversa. Eu ia contar pra ele sobre a gravidez. Mas decidi não contar aqui, então saímos de carro e eu fui dirigindo... Eu falei pro Júlio que estava grávida dele. Ele ficou feliz, mas mudou de comportamento quando eu disse que não iria ter essa criança.

SÍLVIA: - Como é que?! Você não vai ter a criança?

ROSANA: - Eu não posso ter esse filho, Silvinha!... Estou noiva do Mauro, esqueceu?

SÍLVIA: - Como eu poderia esquecer? Fui pega de surpresa na televisão com a notícia... Pensei que éramos amigas para confessar essas coisas uma pra outra.

ROSANA: - Eu sei que errei em não falar. Mas agora eu vou errar em ter essa criança. Eu não tenho vocação pra ser mãe, nunca quis ter filhos! Essa criança só vai atrapalhar a minha vida!

SÍLVIA: - Não fala isso! Um filho é uma bênção de Deus!

ROSANA: - No meu caso foi castigo... Quando eu falei pro Júlio que eu ia tirar a criança, a gente começou a discutir e eu acabei perdendo o controle do carro e... E invadi a outra pista.

SÍLVIA (incrédula): - Rosana! Por isso você fugiu! Não prestou socorro nem nada!

ROSANA (desesperada): - Eu não posso fazer isso! Não posso!... Eu serei presa se descobrirem a verdade! (pausa) Eu saí do volante e coloquei o Júlio no meu lugar.

SÍLVIA: - Ele vai levar a culpa por isso, sua desgraçada!

Sílvia dá um tapa no rosto de Rosana, que não reage.

SÍLVIA: - Você não pode estar sã...

ROSANA: - A minha vida está indo rumo ao topo, não posso cair!... E o primeiro passo a fazer é tirar essa criança. Mesmo que eu pudesse e quisesse ser mãe, jamais teria um filho do desgraçado do Júlio.

SÍLVIA (firme): - Nunca mais diga isso!

ROSANA: - O Júlio não tem onde cair morto é um derrotado!... Deus me livre um filho com o DNA de um fracassado, um inútil!

SÍLVIA (grita): - Já chega! Eu não admito que você fale isso!... Não vai fazer aborto, não vai!

ROSANA: - Então me diga o que eu faço? Jogar a criança no lixo? Bom, não me custa nada fazer isso...

Sílvia se surpreende com a frieza de Rosana.

CENA 14. HOSPITAL. INT. NOITE.

Laerte chega ao hospital, pede informações no balcão. A atendente lhe auxilia e ele sai, apressado, pelo corredor, em direção a emergência, quando é barrado por um funcionário.

FUNCIONÁRIO: - Ei, você não pode entrar aí.

LAERTE: - Eu preciso saber do estado de saúde de um amigo. Ele sofreu um acidente...

FUNCIONÁRIO: - Sinto muito, mas o senhor vai precisar aguardar na sala de espera. Aqui não pode entrar.

Laerte se afasta.

CENA 15. CASA ROSANA. INT. NOITE.

Rosana e Sílvia conversam.

SÍLVIA: - Rosana, não faça isso! Fique com a criança! Ela não tem culpa de nada...

ROSANA: - Você só pode estar louca, Silvinha! Eu não posso ficar grávida!

SÍLVIA: - Claro que pode!... O Mauro certamente tem vontade de ser pai.

ROSANA: - Mas eu não tenho vontade de ser mãe! Não quero! Não vou, nunca, jamais!... eu vou jogar essa criança fora!

SÍLVIA: - Não!... Eu fico com ela.

Rosana se surpreende.

ROSANA: - Você o quê?

SÍLVIA: - Eu vou ficar com a criança... O meu amor pelo Júlio é tão grande que eu aceitaria cuidar um filho dele. Mesmo não sendo gerado por mim.

Rosana fica pensativa.

ROSANA (debochada): - É praticamente a Madre Tereza.

SÍLVIA: - E você um ser do submundo!... Tratar o próprio filho como se fosse um simples objeto.

ROSANA: - Mas se você vai ficar com a criança... (pensativa) Eu digo que o filho é do Mauro... Mas a criança não vai sobreviver no parto.

SÍLVIA: - Monstro você.

ROSANA: - Cala a boca, deixa eu pensar... É isso! O Mauro vai ficar feliz em ser pai, mas infelizmente, a criança morrerá no parto. E aí você fica com ela e tudo se ajeita.

SÍLVIA: - Que forma mais horrível de decidir o futuro de um ser tão frágil, indefeso...

ROSANA: - É a única solução, Silvinha, para que todos saiam bem nessa história. Mas isso não será assim, de graça, tão fácil.

SÍLVIA: - Como assim?

ROSANA: - Eu te dou a criança. Mas em troca, você irá me dar a coleção do amor e todos os croquis e ajudas que eu precisar daqui pra frente para as criações da GF.

SÍLVIA (incrédula): - Como é que é?

ROSANA: - É pegar ou largar, Sílvia. Aceita criar o filho do seu grande amor em troca de me servir eternamente?

Rosana pressiona Sílvia.

 



autor:
Édy Dutra

elenco:
Malu Galli como Sílvia
Eduardo Lago como Júlio
Bruna Lombardi como Rosana
Domingos Montagner como Mauro
Marcello Antony como Fernando
Isabel Fillardis como Marília
Maria Fernanda Cândido como Raquel
Nill Marcondes como Bruno
Maria Luísa Mendonça como Valquíria
Adriana Garambone como Estér
Ana Lúcia Torre como Leocádia
Rafaela Mandelli como Celeste
Jonathan Haagensen como Vitinho
Maria Padilha como Sandra
Eduardo Galvão como Tarso
Erika Mader como Aline
Rafael Almeida como Talles
Paulo Figueiredo como Gilson
Denise Del Vecchio como Sophia
Iran Malfitano como André
Gabriela Durlo como Paula
Mário Gomes como Durval
Paulo Nigro como Guilherme
Luiza Tomé como Heloísa
Marcello Airoldi como Adônis
Gustavo Leão como Diogo
Lázaro Ramos como Ivan
Leonardo Vieira como Renato
Francisca Queiroz como Geórgia
Paulo Gorgulho como Laerte
Maria Ceiça como Tereza
Amanda Ritcher como Melissa
Bianca Comparato como Duda
Letícia Colin como Gaby
Luma Costa como Marcinha
Léa Garcia como Ilza
Valquíria Ribeiro como Amália
Antonio Pitanga como Cristóvão
Rocco Pitanga como Gustavo
Joana Foom como Janice
Roberto Bonfim como Alceu
Amandha Lee como Karina
Marcello Melo Jr. como Pedro
Gabriel Braga Nunes como Walter/Waleska
Guilherme Winter como Fábio
Lavínia Vlasak como Bia
Eva Wilma como Maria Helena
Othon Bastos como Orestes

participações especiais - 1ª fase
Maria Flor como Sílvia
Caio Blat como Júlio
Regiane Alves como Rosana
Rafael Cardoso como Laerte
Cauã Reymond como Fernando

Ana Sophia Folch como Raquel
Sophia Abrahão como Valquíria
Tainá Müller como Estér
Vergniaud Mendes como Adônis

Alex Gomes como Bruno
Caio Castro como Fábio
Élida Muniz como Marília
Quelynah como Amália
Darlan Cunha como Ivan
Armando Babaioff como Mauro

trilha sonora:
This Love - Marron Five (abertura)
Infiltrado – Bajofondo

produção:
Bruno Olsen
Diogo de Castro
Joey Anderson



Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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