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Talismã - Capítulo 42 (Último Capítulo)

Novela de Édy Dutra
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No capítulo anterior de Talismã:
Alexandre e Marilu saem por entre os jornalistas, levando Lívia e Rafael como reféns.
 
ALEXANDRE: - Saiam da frente, bando de urubus! Ninguém nos segue!
 
Eles entram no carro de luxo, que estava estacionado próximo. O motorista é obrigado a sair do carro. Alexandre dispara contra os jornalistas, que correm, se dispersando. Rafael está no banco do motorista, ao lado de Alexandre. No banco de trás, Lívia e Marilu.
 
ALEXANDRE (com a arma na cabeça de Rafael): - Arranca logo com a droga desse carro!
 
Rafael liga o carro e eles saem, em disparada.
 
MARILU (mirando em Lívia): - Como é bom te ver novamente, Lívia...
LÍVIA: - Você é louca, Marilu! Louca!
MARILU: - Louca foi você que cruzou o meu caminho. Mas agora tudo isso vai acabar. Você vai pagar por tudo o que fez comigo. Vadia!
 
As duas ficam a se encarar. Encerra com Pra Rua me Levar – Ana Carolina


 


CAPÍTULO 42 (ÚLTIMO CAPÍTULO)
 

 
 

CENA 01. CATEDRAL DA SÉ. INT. DIA.

 

Continuação do capítulo anterior. Pânico na igreja. Jonas, caído no altar, é amparado por Alaíde, Oscar, Adriana, Marcos e Fausto.

 

ADRIANA: - Ele está muito ferido. Precisa de socorro urgente.

 

Jonas está desacordado.

 

MARCOS: - A ambulância já está vindo?

ALAÍDE (aflita): - Jonas, fala comigo, meu filho!

FAUSTO: - Eu já chamei a ambulância, vamos levá-lo para a clínica.

ALAÍDE: - Por favor, salvem o meu filho! Não deixem que ele se vá!

OSCAR: - Calma, Alaíde! Vai ficar tudo bem!

 

Nos bancos, Rosa ajuda Jorge.

 

ROSA: - A gente precisa fazer alguma coisa?

JORGE: - Eu já avisei o Pereira e o Hugo. Vamos mobilizar a polícia de toda cidade e das cidades vizinhas. Desta vezes eles não escapam!

LOUISE: - Essa Marilu é uma louca! Tomara que não faça nada contra a Lívia!

 

CENA 02. RODOVIA. EXT / CARRO. INT. DIA.

 

Rafael dirige apreensivo. Alexandre com a arma apontada para ele.

 

ALEXANDRE: - Não tira os olhos do volante, cara! Não me custa nada dar um tiro nessa sua cara idiota! E você, Lívia, nem pensa em se mexer senão quem vai pagar vai ser o seu queridinho aqui.

RAFAEL: - Vamos conversar! Eu dou todo o dinheiro que vocês querem! Deixem a gente em paz!

 

Marilu termina de amarrar as mãos de Lívia.

 

MARILU: - Cala a boca, Rafael! Dirige a droga desse carro calado! (encara Lívia) Hoje é um dia especial pra gente...

LÍVIA: - Você está doente, Marilu.

 

Marilu puxa o cabelo de Lívia e bate a cabeça dela contra a porta. Lívia geme de dor.

 

MARILU: - Estou doente, doidinha... Doida pra dar um jeito em você, vagabunda!

LÍVIA: - Isso não vai acabar bem.

MARILU: - Pra você, não é, sua vaca! Só quis me ferrar, agora vai ter o que merece! Cadela! (puxa o cabelo de Lívia)

 

Marilu sorri, puxando o cabelo de Lívia.

 

CENA 03. CATEDRAL DA SÉ. INT. DIA.

 

Carla tenta acalmar Pedro, que chora.

 

PEDRO: - Mamãe!

CARLA: - Calma, Pedrinho! A mamãe daqui a pouco está de volta...

BRENO: - Coitado do garoto, presenciou tudo isso.

CARLA: - Que Deus proteja a Lívia e o Rafael! Que termine tudo bem!

 

Num outro ponto, Fausto conversa com Fabrício.

 

FABRÍCIO: - Eu, doutor?

FAUSTO: - Sim, Fabrício. Você está pronto e acho que pode ajudar. Aliás, pode comandar a operação. Você já sabe como proceder, me acompanhou em diversas cirurgias.

FABRÍCIO: - Claro. Então eu vou sim.

VITÓRIA: - Eu te acompanho, Fabrício.

 

Enquanto isso, Elizabeth e Agda estão aflitas.

 

AGDA: - Eu sempre disse que essa gente com quem a Lívia se dá é perigosa!

INÊS: – Calma, Agda, não é assim! Essas eram pessoas mal-intencionadas! Não vamos generalizar!

AGDA: - Não me interessa, Inês! Agora o meu neto está nas mãos de bandidos, sendo que um deles é pai do filho dessa mulher!

ELIZABETH: - Mamãe, não importa quem eles são! O que eu quero é que meu filho volte são e salvo!

ALFREDO: - Acabei de falar com o Jorge, ele já mobilizou toda polícia pra ir atrás dos bandidos.

CHARLOTE: - Estava tudo correndo tão bem!

DEMÉTRIO: - E eu pensei que a polícia já tivesse pego aquela Marilu, a assassina!

AGDA: - Polícia prendendo bandido daquele porte, Demétrio, é praticamente uma utopia! Vai ser preciso ela aprontar mais uma pra talvez conseguirem pegar essa sem vergonha!

 

Num outro ponto da Igreja, os enfermeiros da clínica vão levando Jonas na maca. Fabrício, Fausto e Vitória vão saindo. Adriana e Marcos também.

 

TATIANA: - Eu vou pra clínica também, dar uma força pra dona Alaíde.

PLÍNIO: - Eu também vou. Meu parceiro precisa da minha ajuda.

 

CENA 04. DELEGACIA. INT. DIA.

 

Pereira e Hugo se organizam para capturar Alexandre e Marilu.

 

PEREIRA: - Todas as saídas da cidade estão bloqueadas.

HUGO: - Ótimo! Já contatei o batalhão de táticas especiais. Eles também estão fazendo buscas.

PEREIRA: - Agora vamos nessa. Vou avisar o Jorge no caminho.

 

Os dois saem apressados.

 

CENA 05. CATEDRAL DA SÉ. INT. DIA.

 

Conrado e Isabela vão saindo da igreja, quando Charlote se aproxima.

 

CHARLOTE: - Já vão indo?

ISABELA: - Sim, mamãe. Foram emoções muito fortes em pouco tempo...

CONRADO: - E tudo muito perigoso. Coitada, a Sophia ficou muito assustada. Só agora que a Isabela conseguiu acalmá-la.

CHARLOTE: - Façam isso mesmo. Eu também vou chamar seu pai para irmos. Acho que vamos pra casa da Beth, dar uma força pra ela e pra Agda. Estão preocupadíssimas com o Rafael.

ISABELA: - Todos estamos. Eu não consigo parar de pensar na Lívia, coitada.

CONRADO: - Bom, vamos indo. Qualquer coisa, nos avise, dona Charlote.

CHARLOTE: - Claro, aviso sim. Vão com Deus!

 

Sarah conversa com Mayra.

 

SARAH: - Agora o seu pai foi junto pra clínica, me deixou sem carro...

MAYRA: - Mas você vai ir pra algum lugar?

SARAH: - Eu quero ir na casa do Henri, meu amigo, contar o que aconteceu aqui. O que a Marilu aprontou dessa vez.

MAYRA: - Henri... Esse nome não me é estranho.

SARAH: - Ele era dono da Age Aquárious.

MAYRA: - Ai, sei quem é! Adorava a boate! Se você quiser, eu te levo lá.

SARAH: - Obrigada! Então vamos!

MAYRA: - Vem junto, Gian?

 

Gian concorda, e os três saem. Num outro ponto, Roberto conversa com Elizabeth.

 

ROBERTO: - Eu tenho fé que vai ficar tudo bem.

ELIZABETH: - Eu já nem sei mais o que eu tenho, no que eu acredito... Mesmo diante dele (olhando para a imagem de Jesus Cristo no altar).

ROBERTO: - Mas você não pode desacreditar! (segura a mão de Elizabeth) Precisa ser forte, sempre.

 

Elizabeth olha surpresa para Roberto, que a encara com doçura.

 

ELIZABETH: - Muito obrigada pelo apoio.

ROBERTO: - Estou aqui pra isso.

 

Agda se aproxima.

 

AGDA: - Beth, vamos pra casa. Alfredo, Inês, Charlote e Demétrio também vão pra lá.

ELIZABETH: - Vamos sim, mamãe.

 

Agda se afasta.

 

ELIZABETH (a Roberto): - Você vem também?

ROBERTO: - Se você quiser, eu vou.

ELIZABETH: - Por favor.

 

Os dois trocam olhares. Nesse instante, o motorista do carro alugado para levar Lívia, entra na igreja e vai direto até Jorge.

 

MOTORISTA: - Você é da polícia?

JORGE: - Sim, sou eu.

MOTORISTA: - Eu sou o motorista do carro que eles fugiram. Acho que posso ajudar.

ROSA: - O que você sabe, meu senhor?

MOTORISTA: - O carro é equipado com um sistema de GPS que rastreia o veículo. Se a gente conseguir contato com a central, dá pra saber onde eles estão.

JORGE: - Ótimo! Me passe todos os dados que você tem!

 

CENA 06. CARRO. INT. DIA.

 

Rafael continua guiando o carro. Alexandre cuidando para saber se não estão sendo seguidos. Estão trafegando em outra rodovia. No banco de trás, Marilu mira a arma em Lívia.

 

ALEXANDRE: - Pega essa faixa aqui.

 

Rafael faz o que Alexandre pede. De repente, avista uma placa indicando posto policial mais adiante. Alexandre não percebe. Rafael faz uma manobra e acelera o carro.

 

ALEXANDRE: - Mas que droga é essa?!

MARILU: - Eu vi a placa na estrada! Ele ta nos levando pro posto da polícia! Um quilômetro!

ALEXANDRE: - Espertinho!

 

Alexandre dá uma coronhada na cabeça de Rafael, que desacorda. Alexandre segura firme o volante e vai para o acostamento.

 

LÍVIA: - Rafael! Fala comigo!

MARILU: - Cala a boca, cadela!

 

Alexandre sai do carro, tira Rafael do volante e coloca no banco do carona e amarra as mãos dele. Em seguida, pega a direção do carro.

 

ALEXANDRE: - E agora, pra onde a gente segue?

MARILU: - Acho que mais adiante tem uma saída e aí já deixa a gente bem no caminho pro esconderijo. Anda logo!

 

Alexandre arranca com o carro. Lívia apreensiva, preocupada com Rafael, que está desacordado.

 

CENA 07. CLÍNICA DR FAUSTO. INT. DIA.

 

Clima de aflição na sala de espera da clínica. Alaíde, de mãos dadas com Tatiana, reza fervorosamente.

 

OSCAR: - Será que demora muito?

ADRIANA: - Ele teve um ferimento grave no tórax. É um procedimento complicado pra retirada do projétil. É preciso também ter certeza de que nenhum órgão vital foi muito prejudicado.

MARCOS: - Vamos acreditar que vai dar tudo certo, seu Oscar.

ADRIANA: - O Fabrício é um excelente médico. Vai fazer um bom trabalho.

 

Vitória se aproxima de Alaíde, trazendo água.

 

VITÓRIA: - Bebe um pouco, dona Alaíde. Vai te fazer ficar um pouco mais calma.

 

ALAÍDE: - Obrigada, filha... Mas nada vai me deixar mais calma do que saber que o meu Jonas está bem.

TATIANA: - É uma agonia sem fim. O Jonas aqui na clínica, a Lívia e o Rafael nas mãos daqueles bandidos...

ALAÍDE: - Eu estou rezando por todos. Só Deus pra ajudar numa hora dessas.

VITÓRIA: - Se importa se eu ficar aqui com vocês?

ALAÍDE: - Claro que não! Afinal, seu irmão também está em apuros. Vamos fazer uma corrente, pra tudo dar certo.

 

Vitória senta-se ao lado de Alaíde, que segura sua mão.

 

CENA 08. CLÍNICA DR FAUSTO. SALA CIRURGIA. INT. DIA.

 

Jonas está deitado na mesa de cirurgia, passando pelos procedimentos médicos. Fabrício é quem comanda a operação, de forma sensata e precisa. Fausto acompanha tudo.

 

FABRÍCIO: - Verifique o oxigênio.

FAUSTO: - Sinais vitais enfraquecendo. Batimentos cardíacos estão caindo.

FABRÍCIO: - Desfibrilador, rápido.

 

Os médicos conseguem recuperar os batimentos cardíacos de Jonas.

 

FABRÍCIO: - A situação dele ainda é grave. Vamos precisar de concentração agora. Bisturi.

 

CENA 09. MANSÃO TARCÍSIO. INT. DIA.

 

Elizabeth é consolada por Inês e Charlote.

 

ELIZABETH: - Eu não sei o que eu faço se acontecer alguma coisa com o Rafael.

INÊS: - Não vai acontecer nada com ele, Beth! Tenha esperança!

CHARLOTE: - A Inês tem razão! Não pense no pior. A polícia já está atrás deles... Vai dar tudo certo.

 

Nice e Moisés chegam na mansão.

 

NICE: - Dona Beth! Ouvi no rádio! Que horror!

INÊS: - Já está na imprensa?

ALFREDO: - Acabou de passar no plantão da TV. A imprensa toda está cobrindo o sequestro de Rafael Magalhães Ferreira e Lívia Ribeiro da Silva.

DEMÉTRIO: - Não tem como esconder nada da imprensa... Se bem que, nesses casos, podem ajudar, divulgando nome dos bandidos, fotos.

ROBERTO: - O que mais me deixa revoltado é que essa tal de Marilu não foi presa ainda, mesmo depois de tudo o que ela fez.

MOISÉS: - É mesmo. A polícia ainda não conseguiu por as mãos nela.

AGDA: - Brasileiro adora dizer que a justiça tarda, mas não falha... Se tardar demais, é capaz de acontecer uma tragédia!

ELIZABETH: - Mamãe!

AGDA: - Sejamos realistas, Beth! A polícia nesse país é atrasada!

ALFREDO: - Não exagere, Agda...

DEMÉTRIO: - Falando assim até parece que você não acredita no sucesso do resgate do seu neto e da Lívia.

AGDA: - Ah, Demétrio! É claro que eu torço para que tudo acabe bem e que os bandidos apodreçam na cadeia. Sendo que essa última parte eu já não posso garantir. O sujeito é condenado a 30 anos, cumpre um sexto da pena e é liberado por bom comportamento. Isso pode acontecer, não pode, Alfredo? Você como advogado pode confirmar.

ALFREDO: - Realmente, a lei tem esses detalhes.

AGDA: - Trinta anos para quem matou, sequestrou, roubou, não é nada! Essa mulher aí, Marilu, é jovem, tem muito ainda pela frente! A gente nunca vai ter sossego!

NICE: - Mas eu acredito que todo mundo colhe aquilo que planta. Essa mulher vai pagar e caro por tudo o que ela fez.

AGDA: - Eu também desejo isso, Nice. Só desejo também que a justiça brasileira contribua para isso.

 

CENA 10. MANSÃO LÍVIA. INT. DIA.

 

Carla desce as escadas para a sala, onde estão reunidos Breno, Rosa, Louise, Kléber e Jorge.

 

CARLA: - Pronto, consegui fazer o Pedro dormir.

 

LOUISE: - Coitada dessa criança! Ele é tão apegado com a mãe... KLÉBER: - Eu não sou de briga, mas a minha vontade é de dar um soco bem dado na cara desse Alexandre, pra aprender a ser homem de verdade.

LOUISE (surpresa): - Ai amor!

KLÉBER: - Desculpa, mas é que esse cara só infernizou a vida da Lívia e agora é isso...

CARLA: - A Lívia nunca teve sossego com ele por perto. Esse cara é capaz de tudo.

ROSA: - E junto com a Marilu, é pólvora e fósforo numa grande bomba!... Tomara que nada de mal aconteça com o Rafael e a Lívia.

BRENO: - Vai ver eles só querem dinheiro. Conseguem a grana e vão embora.

CARLA: - Tomara que seja só dinheiro. A Marilu tem ódio mortal da Lívia, por causa da história com o Tarcísio. Pode muito bem querer se vingar dela agora.

 

O telefone de Jorge toca. Ele se afasta para atender. Todos ficam apreensivos.

 

JORGE (ao telefone): - Fala Pereira (T) É mesmo?! Onde? (T) Sei... (T) Vai indo pra lá que eu dou um jeito de chegar também. (T)Certo, não deixa de me avisar. (desliga)

ROSA: - O que foi, querido?!

JORGE: - Acharam o sinal do GPS em Diadema. Estamos próximos de encontrar eles!

CARLA: - Ai que maravilha!

BRENO: - Você vai pra lá agora?

JORGE: - Vou sim, mas antes, quero passar na casa da família do Rafael, pra dar notícias e tranquilizar eles também.

LOUISE: - Faz bem, Jorge. Eles também devem estar com o coração na boca!

ROSA: - Eu vou junto com você pra mansão.

JORGE: - Tem certeza?

ROSA: - Nessas horas, não há espaço pra desavenças do passado...

JORGE: - Ótimo. Vamos então!

 

Jorge e Rosa saem.

 

KLÉBER: - Ainda bem uma boa notícia!

BRENO: - É mesmo.

LOUISE: - Agora eu vou ligar pra Tati, saber como está o Jonas na clínica.

CARLA: - Faz isso, Louise. Eu vou preparar um café pra gente.

 

CENA 11. PRÉDIO ABANDONADO. EXT / INT. DIA.

 

Alexandre para o carro do lado de fora de um prédio antigo, uma fábrica abandonada. Ele retira Rafael do carro, ainda desacordado, enquanto Marilu sai com Lívia.

 

MARILU: - Caminha direitinho na minha frente. E nem pensa em correr, senão eu acerto uma bala bem no meio da cara do Rafael. LÍVIA: - Por favor, não faça nada com ele!

MARILU: - É só você obedecer...

Eles entram no prédio. CAM em travilling. Alexandre prende Rafael e Lívia sentados, juntos a um pilar. Os dois ficam o tempo todo sob a mira da arma de Marilu.

 

ALEXANDRE: - Prontinho. Estão bem presos.

MARILU: - Ótimo... (tira celular do bolso) Pega aqui, liga pra mansão. Faz o preço do resgate. Quero dizer, só faz o preço. Porque não vai existir resgate nenhum. Eu vou acabar com a vida desses dois aqui mesmo.

 

Lívia encara Marilu, apreensiva.

 

CENA 12. APTO HENRI. INT. DIA.

 

Sarah, Mayra e Gian estão no apto de Henri.

 

HENRI: - Eu não acredito que aquela cretina aprontou de novo! SARAH: - Todo mundo na igreja com o coração na mão! Era tiro pra todo o lado, teve até gente ferida!

HENRI: - Meu Deus do céu! Dentro da igreja! Nem isso aquela biscate respeita!

MAYRA: - E o pior é que o noivo foi levado lá pra clínica, estado dele não era bom não.

SARAH: - Coitado do Jonas. Rapaz tão querido. Me deu a maior força quando o Conrado me colocou pra fora de casa.

MAYRA: - Por que?

SARAH: - Ah, é uma longa história...

 MAYRA: - Essas obras de arte na sua sala, são todas originais?

HENRI: - Claro!

MAYRA: - Minha mãe tinha muitas!... (levanta-se) Vem Gian, olha isso aqui!

 

Mayra se afasta com Gian.

 

HENRI: - Meio metidinha essa sua enteada.

SARAH: - Ah, no fundo ela é bacana.

HENRI: - Bacana é esse cara que ta com ela. Um gato.

SARAH: - Sossega homem! (ri) Eu não consigo tirar aquela cena na igreja.

HENRI: - Posso imaginar... Mas a polícia já está atrás deles, não ta?

SARAH: - Sim! Deu até na TV. Espero que tudo se resolva.

 

 

CENA 13. MANSÃO TARCÍSIO. INT. DIA.

 

Nice olha pela janela.

 

NICE: - Tá cheio de jornalista lá no portão.

AGDA: - Essa gente não nos deixa em paz.

ALFREDO: - E da forma como são insistentes, só vão sair dali quando tiverem algum pronunciamento da família.

 

Neste instante, Jorge e Rosa entram na mansão.

 

AGDA: - Mas era só o que me faltava essa mulher aqui na minha casa.

ALFREDO: - Agda, por favor...

AGDA: - Não, Alfredo! Tudo tem limite! Veio fazer o que aqui, Rosa? Rir da nossa aflição?

ROSA: - Eu nunca faria, Agda. Eu também estou aflita pelo Rafael e pela Lívia. Eu quis acompanhar o Jorge para trazer a minha solidariedade pra vocês.

AGDA: - Mas/

ELIZABETH (firme): - Mamãe, chega! Tudo o que eu não quero adora é brigas...

DEMÉTRIO: - Então, Jorge, o que há de novo nas investigações? Estamos sem informação alguma!

JORGE: - O carro que os bandidos usaram na fuga, tem um chip de localização, um GPS e conseguimos encontrar o sinal em Diadema. A polícia está toda se mobilizando para lá, juntamente com a corporação local.

INÊS: - Finalmente uma boa notícia!

CHARLOTE: - Então logo tudo será resolvido!

 

De repente, o telefone da mansão toca. Elizabeth atende.

 

ELIZABETH (ao telefone): - Alô?!

 

Cena alternada entre a mansão e o cativeiro.

 

ALEXANDRE: - Fala perua!

ELIZABETH: - Quem é você?! O que você quer?! Está com o meu filho?

ALEXANDRE: - Mas não é que tu acertou? Estou com o seu filho sim. Mas no momento, ele ta dormindo.

ELIZABETH (apavorada): - dormindo?! O que vocês fizeram com o meu filho?! Eu quero falar com o meu filho!

 

Jorge pega o telefone de Elizabeth, que entra em pânico e é acolhida por Inês e Roberto.

 

JORGE: - Aqui é o Jorge, da polícia. Como estão os reféns?

ALEXANDRE: - Ih, Jorge, nós já estamos sem paciência com eles. Vivem querendo descumprir o que a gente manda...

JORGE: - Não façam nada com eles!

ALEXANDRE: - Cala a boca que quem manda aqui sou eu! Escuta aqui, a gente quer grana! Muito dinheiro ta ouvindo? Senão os dois aqui vão direto pra baixo da terra!

LÍVIA (grita): - socorro!

MARILU: - Cala a boca, vagabunda!

 

Marilu dá um tapa em Lívia. Jorge, ao telefone, escuta.

 

JORGE: - Lívia!

ALEXANDRE: - Escuta aqui, a gente quer duzentos milhões de reais. Ainda hoje!

JORGE: - Mas/

ALEXANDRE: - Eu vou ligar depois pra saber se estão com a grana. Se não tiver, eles aqui vão sofrer, está ouvindo?

JORGE: - Espera!

 

Alexandre desliga.

 

DEMÉTRIO: - E então?

ALFREDO: - Pediram dinheiro não é?

JORGE: - Duzentos milhões de reais, hoje ainda.

NICE: - Meu Deus, é muito dinheiro!

AGDA: - Dinheiro que nós temos.

MOISÉS: - Mas é arriscado entregar tudo assim, de mão beijada pra eles. E se mesmo assim fizerem algo com o seu Rafael?

ROBERTO: - Ele tem razão. Essa gente é perigosa!

ELIZABETH: - Pagamos o que for preciso! Eu só quero o meu filho aqui comigo!

 

CENA 14. CLÍNICA DR FAUSTO. INT. DIA.

 

Clima de apreensão na sala de espera da clínica. Fabrício chega no local, acompanhado de Fusto.

 

OSCAR: - Então, doutor! Como está o meu filho?

VITÓRIA; - O Jonas ta bem, Fabrício?

FABRÍCIO: - A cirurgia ocorreu bem. Ele teve algumas complicações, mas que conseguimos reverter. Ele ainda está no UTI.

ALAÍDE: - Mas o estado dele é grave ainda?

FAUSTO: - É. Ele vai precisar de muita força.

 

Alaíde chora, é acolhida por Tatiana e Plínio.

 

ADRIANA; - Então ele corre risco de vida?

FABRÍCIO: - A sorte foi que conseguimos trazê-lo logo pra cá, senão... Mas ainda assim, ele precisa de cuidados.

OSCAR: - Meu filho...

MARCOS: - Calma, seu Oscar. Vai dar tudo certo.

 

Fausto sai. Vitória abraça Fabrício.

 

FABRÍCIO: - Eu fiz o que eu podia.

VITÓRIA: - Eu sei, meu amor. E estou orgulhosa de você.

 

Gisa entra na sala.

 

GISA: - Gente, lá fora está cheio de jornalistas!

PLÍNIO: - Mas o que eles querem?

GISA: - Descobriram que o Jonas está aqui. Ele é noivo da Lívia, ta conhecido agora.

ADRIANA: - É preciso alertar a segurança pra não deixar ninguém entrar.

GISA: - O Almir já está cuidando disso.

VITÓRIA: - Então pra eu ir embora agora, vai ser um horror!

FABRÍCIO: - É mesmo. Vão querer saber do seu irmão também.

GISA: - Ah, mas isso não é problema. Tem a porta dos fundos. Lá é mais seguro.

VITÓRIA: - Eu vou mesmo pra casa. Saber como estão as coisas por lá. Também não consigo tirar o Rafa da cabeça.

FABRÍCIO: - Vai mesmo. Sua mãe vai gostar de ter você por perto agora.

 

Vitória se aproxima de Alaíde, a abraça.

VITÓRIA: - Dona Alaíde, eu estou indo pra casa, saber da minha família.

ALAÍDE: - Vai, minha filha. Muito obrigada mesmo pela força que você nos deu aqui. Que Deus ilumine sempre esse seu bom coração.

 

Alaíde beija a testa de Vitória, que se despede de todos e sai,acompanhada de Gisa. Alaíde torna a rezar.

 

CENA 15. APTO CONRADO. INT. DIA.

 

Conrado está na sala, assistindo TV.

 

REPÓRTER (NA TV): - Aqui em frente à mansão da família Magalhães Ferreira, nenhum familiar se manifestou sobre o seqüestro. Rafael, que é presidente da empresa Amaro, foi levado como refém juntamente com Lívia Ribeiro. A polícia ainda não divulgou pistas das investigações, mas nós estamos aqui, de plantão, na busca por qualquer informação.

 

Isabela entra na sala.

 

CONRADO: - Estão acampados em frente à mansão.

ISABELA (senta-se ao lado dele): - Alguma informação sobre onde eles possam estar escondidos?

CONRADO: - nada ainda... A Sophia dormiu?

ISABELA: - Dormiu sim.

CONRADO: - Fiquei com o coração na boca com aqueles tiros na igreja. Só pensei em proteger vocês.

ISABELA: - Cena de terror... Coitado do Jonas, ferido.

CONRADO: - Essa Marilu é uma bandida e tanto!

ISABELA: - Merece mofar na cadeia, essa louca!... Tomara que consigam colocar as mãos nela... Vou ligar pra mamãe, saber como estão lá na mansão.

 

CENA 16. PRÉDIO ANTIGO. INT. DIA.

 

Rafael acorda.

 

LÍVIA: - Rafael! Está bem?

RAFAEL: - Estou... Só um pouco zonzo...

 

Marilu se aproxima.

 

MARILU: - Acordou, garotão! (dá um tapa no rosto dele)

LÍVIA: - Pra quê fazer isso, Marilu?

MARILU: - Tá defendendo ele, sua cadela? Seu queridinho!

 

Marilu dá outro tapa em Lívia. Alexandre se aproxima, afasta Marilu pelo braço.

 

MARILU: - Me solta, Alexandre! Me deixa acabar com eles!

ALEXANDRE: - Calma, poxa!... Eu já liguei pra mansão, pedi o dinheiro! Agora é só esperar um pouco!

MARILU (soltando-se): - Eu estou cansada de esperar por essa droga de dinheiro! Eu quero é colocar pra fora tudo o que eu estou sentindo! E eu estou sentindo raiva, ódio!

ALEXANDRE: - Você ta é fugindo do nosso plano! Lembra? Pegar a grana, deixar eles aqui e a gente cai no mundo! Simples!

MARILU: - Eu não sou uma mulher simples, Alexandre. Eu sou uma mulher de requinte! (se afasta)

ALEXANDRE: - Marilu, espera!

 

Marilu se vira, apontando a arma para Alexandre.

 

MARILU; - Quem manda aqui sou eu, droga! Para de encher o meu saco!

ALEXANDRE: - Baixa essa arma!

MARILU: - Baixa essa banca, Alexandre!... A líder sou eu! Quem dá as cartas aqui sou eu, verme!...

 

Alexandre, disfarçadamente, arruma a sua arma na cintura.

 

MARILU: - Vai lá fora ver se ta tudo ok com o carro, se não tem ninguém por perto. Vai!

 

Alexandre, contrariado, sai. Marilu se volta para Rafael e Lívia.

 

RAFAEL: - Isso não vai acabar bem, Marilu. Se entrega, nos deixa ir embora.

MARILU: - Me entregar? (ri, debochada) Só você mesmo pra fazer piada agora, Rafael. (dá um tapa nele) Seu cachorro, desprezível! Você é um lixo Rafael. Como pessoa, como homem, na cama...

LÍVIA: - Chega, Marilu!

MARILU: - Olha só quem ta falando alto por aqui. A vaquinha loira! (dá um tapa em Lívia) Você também não escapa Lívia, é tão podre quanto ele. Se meteu no meu caminho e eu avisei para cair fora. Mas você não quis, e ainda por cima me desafiou!... Agora vai ter o que merece!

 

Marilu encara Lívia, totalmente insana.

 

CENA 17. MANSÃO TARCÍSIO. INT. DIA.

 

Charlote está falando ao telefone num canto da sala, enquanto os outros conversam.

 

AGDA: - Eu vou entrar em contato com o banco pra pegar o dinheiro.

JORGE: - Calma, Agda. Deve haver um jeito.

AGDA: - Que jeito, Jorge? Só vão libertar o Rafael quando tiverem o dinheiro na mão. E eu darei, pela vida do meu neto!

ALFREDO: - Agda, vamos escutar o Jorge. Ele é um policial experiente, sabe o que está fazendo.

AGDA: - Não podemos é perder tempo. É a vida do meu neto que está em jogo nessa história.

 

Vitória chega na mansão, um pouco aflita.

 

AGDA: - Vitória! Bom que você chegou!

ALFREDO: - Conseguiu passar pelos jornalistas?

VITÓRIA: - Quase que não deu, mas os seguranças me ajudaram. Onde está a mamãe?

NICE: - Subiu com a dona Inês para o quarto. Ela tomou um calmante.

AGDA: - Onde você estava, Vitória?

VITÓRIA: - Estava na clínica do doutor Fausto, vovó. O Jonas está internado lá.

ROSA: - E como ele está?

VITÓRIA: - O Fabrício operou ele. Mas o estado de saúde ainda é grave.

DEMÉTRIO: - Pobre rapaz...

ROBERTO: - Onde fica a cozinha?

MOISÉS: - Ali pra dentro, à esquerda.

ROBERTO: - Se importam se eu preparar um café pra gente?

AGDA: - Não, claro que não. Fique à vontade.

ROBERTO: - Assim eu também me acalmo um pouco.

MOISÉS: - Eu te acompanho, por aqui.

 

Roberto e Moisés saem. Charlote desliga o telefone.

 

DEMÉTRIO: - Era Isabela?

CHARLOTE; - Era. Disse que na TV não se fala em outra coisa senão no sequestro.

VITÓRIA: - Como estão as coisas por aqui, Jorge?

JORGE: - Descobriram o sinal do GPS do carro em Diadema. A polícia já deve estar realizando buscar.

O telefone de Jorge toca.

JORGE (ao telefone): - Fala Pereira! (T) Como é, encontraram?

 

Todos ficam ansiosos.

 

JORGE: - Está certo. Estou indo pra aí agora! (desliga)

ALFREDO: - E então?

JORGE: - Encontraram o sinal na periferia de Diadema, numa fábrica abandonada. Já estão se dirigindo pra lá.

ROSA: - Vai com cuidado, querido. E por favor, se proteja.

JORGE: - Pode deixar.

 

Jorge sai.

 

CHARLOTE: - Vou ligar pro Breno. (se afasta)

 

Rosa leva a mão ao peito, sente uma sensação ruim.

 

VITÓRIA; - Está bem, Rosa?

ROSA: - Alguém vai sofrer muito...

VITÓRIA: - Como? O que você está sentindo, Rosa?

ROSA: - Eu não consigo ver... Só vejo vultos... Alguém vai acabar sofrendo muito...

 

Vitória encara Rosa surpresa.

 

CENA 18. MANSÃO LÍVIA. INT. DIA.

 

Breno recebe ligação de Charlote.

 

BRENO: - Tá certo mãe, valeu! (desliga)

CARLA: - E então, Breno?

BRENO: - Minha mãe disse que encontraram o local onde o carro está. É na periferia de Diadema, numa fábrica abandonada.

CARLA: - Menos mal!

KLÉBER: - Só resta saber se eles também estão lá.

 

Louise na janela.

 

LOUISE: - Cada vez mais aumenta o número de jornalistas lá fora. Será que a gente vai lá falar com eles?

BRENO: - Não, não. Nenhum pronunciamento ainda. Vamos aguardar mais notícias.

CARLA; - Tomara que encontrem logo a Lívia...

 

CENA 19. PRÉDIO ANTIGO. INT. DIA.

 

Marilu fica alternando a mira da arma entre Lívia e Rafael, até que fixa nele.

 

MARILU: - Rafael, queridinho... Você vai ser o primeiro. Dê adeus à esse mundo tão cruel. (ri)

 

Alexandre chega no local e se surpreende.

 

ALEXANDRE: - Não, Marilu!

 

Alexandre corre em direção a ela, mas Marilu se vira e dispara contra Alexandre, acertando a perna dele. Alexandre cai no chão, com dor. Lívia fica aflita. Rafael também.

 

ALEXANDRE: - Droga!

MARILU: - Poxa, Alexandre! Que susto você me deu!... Não faça mais isso, meu querido...

ALEXANDRE: - Você está louca, é?!

MARILU: - Cala a boca!... Eu nunca estive tão sã em toda minha vida.

 

Marilu vira a arma para Lívia e Rafael novamente.

 

MARILU: - Onde eu estava mesmo? Ah sim, eu ia dar um fim na vida de vocês...

 

Lívia e Rafael se olham, apreensivos, enquanto Alexandre continua caído no chão, com dores.

 

CENA 20. RODOVIA. EXT / CARRO. INT. DIA.

 

Viaturas da polícia trafegam em alta velocidade pela rodovia. Pereira e Hugo juntos, no carro da polícia.

 

HUGO: - Essa rua aqui, entra nela! Vai dar lá na fábrica!

PEREIRA; - Avisa o Jorge que estamos perto! Vamos pegar esses bandidos agora!

 

CENA 21. PRÉDIO ANTIGO. INT. DIA.

 

Alexandre está caído no chão, sentindo dor na perna, por causado tiro. Rafael e Lívia apreensivos. Marilu parece estar decidida a dar fim à vida deles.

 

LÍVIA: - Marilu, por favor, pare com isso!

MARILU: - Está com medo, vagabunda? Está com medo de quê? (ri, insana) Que eu estoure os seus miolos?

RAFAEL: - Se é dinheiro que vocês querem, eu tenho, entrego tudo pra vocês! Vamos acabar com tudo isso!

MARILU (grita): - Cala essa boca imunda! (fica cara a cara com Rafael) Você me desprezou, Rafael. Só porque eu cometi uns errinhos aí, coisa pouca... Era pra ter um pingo de consideração, poxa!... Mas sabe que, por um lado foi até bom eu não ter me casado com você? Eu não iria ter saco pra aturar a tua família ridícula! A sua irmã enfadonha, sua avó múmia e a sua mãe, uma idiota completa! O Tarcísio enganou ela, o Eduardo enganou também. É muito burra!(se afasta) Eu já fui boazinha demais! E agora quer que eu tenha pena de vocês?!

LÍVIA: - Você está louca!

 

Marilu acerta um tapa no rosto de Lívia, que a deixa caída no chão. Em seguida, chuta Lívia.

 

MARILU: - Você não tem o direito de dizer nada pra mim, vagabunda! (puxa o cabelo de Lívia) Você é uma vadia, está ouvindo! (grita) uma vadia!

RAFAEL: - Lívia!

MARILU (mira a arma em Rafael): - Eu já mandei você calar essa boca!

ALEXANDRE: - Se controla, Marilu! A gente vai pegar o dinheiro do resgate e vai cair no mundo!

MARILU: - Tu pensa pequeno, Alexandre. Não vai ser o dinheiro que vai me deixar feliz, droga!... Eu só vou ter a felicidade completa, depois que acabar com esses dois aqui.

 

Marilu encara Lívia e Rafael.

 

ALEXANDRE: - Tá louca? O combinado não era esse!

MARILU: - Mas eu quis mudar o combinado.

ALEXANDRE: - Não! A gente vai fazer/

MARILU (mira em Alexandre): - A gente vai fazer o que eu quiser a partir de agora!

 

Marilu atira novamente, a bala não acerta Alexandre, que fica apreensivo, diante da frieza de Marilu. Ele tenta levantar, mas sente dor na perna. Marilu se volta para Lívia e Rafael. Mira em Lívia.

 

MARILU: - Primeiro você, minha vadia loira... Eu estou com uma gana de você que não cabe mais em mim! Eu preciso colocar pra fora antes que eu enlouqueça de vez!...

RAFAEL: - Como se já não estivesse louca! Você vai se dar mal, Marilu!

 

Marilu acerta um chute em Rafael, que se contorce de dor.

 

LÍVIA: - Rafael! Não!

 

Marilu aproxima-se de Lívia, mira a arma no rosto dela.

 

MARILU: - Você entrou na minha vida e acabou com todos os meus sonhos, os meus anseios. Você é o meu grande mal, Lívia.

LÍVIA: - Eu nunca fiz nada pra você, Marilu...

MARILU: - Você roubou a minha chance de ser feliz, Lívia. Não é o suficiente? Eu seria feliz com o Tarcísio do meu lado!

LÍVIA: - Você queria o dinheiro dele... O Tarcísio não seria feliz com você. Não era o destino dele.

MARILU: - A felicidade também não vai ser o seu destino. A sua vida termina aqui, Lívia. Mas não se preocupa com o seu filho. Ele vai te acompanhar nessa ida para o inferno.

LÍVIA: - Você não vai fazer nada para o meu filho!

MARILU: - Pode falar. Você não vai estar aqui para defender aquele pirralho inútil. Minha mão está até coçando pra virar o pescoço dele!

LÍVIA: - Vaca!

 

Marilu acerta outro tapa em Lívia.

 

MARILU: - Já chega! (mira a arma em Lívia) Dê adeus a tudo isso aqui, Lívia. Tudo o que você tem será meu! Eu torrar o seu dinheiro como papel, nada que é seu vai sobrar. Nem um pouquinho de vida, da sua vida desgraçada!(grita) Eu vou acabar com você!

 

Lívia fecha os olhos. De repente, escuta-se um disparo. Lívia, devagar, abre os olhos e vê Marilu, ferida na barriga. Sem entender, Lívia olha para o lado e enxerga Alexandre, ainda caído no chão, segurando sua arma.

 

Marilu vira-se para Alexandre, incrédula.

 

MARILU (sussurra): - O que você fez?!

ALEXANDRE: - Isso tudo precisa acabar...

MARILU: - Eu vou acabar com a sua vida primeiro, seu verme!

 

Marilu tenta mirar em Alexandre, mas ele atira novamente, acertando em cheio o peito de Marilu, que cai deitada no chão.

 

RAFAEL: - Ela morreu!

 

Alexandre, rastejando, se aproxima de Lívia que está assustada.

 

LÍVIA: - Por favor, Alexandre/

ALEXANDRE: - Eu não poderia deixar que ela fizesse isso com você, Lívia. Eu não deixaria que nada de mal acontecesse com você.

 

Lívia se surpreende com as palavras de Alexandre.

 

ALEXANDRE: - Eu posso ser o pior pai do mundo, um homem de caráter ruim, comportamento desprezível... Mas eu tenho uma coisa em mim que está acesa de forma muito verdadeira.

LÍVIA: - Alexandre/

ALEXANDRE: - Eu nunca deixei de amar você, Lívia. Você pode achar loucura, mas tudo o que eu fiz foi porque eu queria que você me amasse... Eu já me sacrifiquei por você uma vez, penando naquela cadeia por anos. Mas eu resisti por causa do meu amor por você. Eu tenho um filho lindo, porque você me proporcionou isso. Sempre tentou me mostrar o caminho melhor, eu é que não soube ver a sutileza da sua alma.

LÍVIA: - Você salvou a minha vida... Mais uma vez.

 

Surge no ambiente o som das sirenes policiais.

 

RAFAEL: - A polícia! Nos encontraram!

ALEXANDRE: - Lívia, eu só quero que você seja feliz.

 

Alexandre se aproxima de Lívia, a beija na testa. Lívia chora. Ele se afasta um pouco. A polícia entra no local. Pereira e Hugo também chegam, se aproximam dos reféns, soltando-os. Pereira chega perto do cadáver.

 

PEREIRA: - Marilu...

ALEXANDRE: - Ela está morta. Fui eu quem matou. Podem me levar.

 

Hugo algema Alexandre e leva ele para o carro. Rafael se aproxima de Lívia, a abraça.

 

RAFAEL: - Você está bem?!

LÍVIA: - Estou. Agora estou...

JORGE (chegando): - Vocês tiveram sorte. O carro alugado para o casamento possui sistema de GPS. Conseguimos encontrar o sinal.

LÍVIA: - E o Jonas? Como ele está, Jorge?

JORGE: - Ele havia sido levado para a clínica do doutor Fausto. Não sei bem como está a situação de saúde dele.

LÍVIA: - Eu vou pra lá!

RAFAEL: - Lívia, você precisa descansar!

LÍVIA: - Eu nunca vou conseguir descansar, Rafael, com o homem que eu amo correndo risco de vida.

 

Os dois se olham.

 

JORGE: - Vamos, eu vou com você. A polícia vai se encarregar de tudo isso aqui.

 

Lívia aproxima-se do corpo de Marilu, observa.

 

LÍVIA: - Eu só peço que você encontre o seu caminho. Seja ele onde for.

 

Lívia se afasta, acompanhada de Jorge e Rafael. CAM foca no rosto de Marilu, que em seguida é coberto por um lençol branco.

 

CENA 22. MANSÃO TARCÍSIO. INT. DIA.

 

Alfredo está ao telefone. Inês vem descendo as escadas com Elizabeth.

 

ALFREDO (ao telefone); - Está certo. Obrigado! (desliga)

ELIZABETH: - Quem era?

ALFREDO: - Era o Jorge. Conseguiram salvar o Rafael e a Lívia.

 

Todos vibram, felizes.

 

AGDA: - Que ótima notícia, meu Deus... Ótima notícia!

VITÓRIA: - Viu, Rosa? Você disse que alguém ia sofrer. Acabou tudo bem.

DEMÉTRIO: - E os bandidos? Prenderam?

ALFREDO: - Apenas o Alexandre. A Marilu foi morta.

 

Vitória olha surpresa para Rosa, que permanece calada.

 

NICE: - Morta?

ALFREDO: - O Jorge não explicou muito bem... Só sei que o Rafael e a Lívia estão bem e estão sendo trazidos de volta para São Paulo.

ROBERTO: - Sãos e salvos, ainda bem!

 

Rosa se aproxima de Elizabeth.

 

ROSA: - Graças a Deus, deu tudo certo.

ELIZABETH: - Eu nunca me conformaria. Nunca.

 

As duas ficam a se olhar.

 

ROSA: - Posso te dar um abraço?

 

Elizabeth encara Rosa.

 

ELIZABETH: - Pode, claro. Não há espaço para rancores. Ainda mais hoje.

ROSA: - Você não sabe como é bom ouvir isso.

 

As duas se abraçam, fortemente, emocionadas.

 

ROSA: - Que seu filho te dê ainda muitas alegrias.

ELIZABETH: - Muito obrigada!

 

Se afastam, sorriem uma para a outra.

 

ALFREDO: - Eu vou lá fora, falar com os jornalistas.

AGDA: - Faça isso, Alfredo. Acho que já podemos dar essas informações.

 

Alfredo sai.

 

CENA 23. MANSÃO LÍVIA. INT. DIA.

 

Breno ao telefone.

 

BRENO: - Tá bom, mãe! Obrigado! (desliga/ eufórico) Acharam eles e estão sãos e salvos!

 

O pessoal comemora.

 

CARLA: - Eu nem consigo acreditar!

LOUISE: - Acredita amiga! É tudo verdade! A Lívia está voltando!

BRENO: - Sim, estão vindo com o Jorge. Está tudo bem.

KLÉBER: - Que coisa boa! Vamos ter os dois de volta.

CARLA: - E a bandida da Marilu? E o Alexandre? A polícia prendeu?

BRENO: - Minha mãe não soube explicar muito bem. Parece que um deles morreu.

LOUISE: - Nossa...

CARLA: - O que importa agora é que a Lívia está voltando pra gente.

Estou tão feliz!

 

Carla abraça Breno.

 

CENA 24. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER

 

Transição do tempo. Mostra sequência de imagens da cidade de São Paulo ao anoitecer.

 

CENA 25. CLÍNICA DR FAUSTO. INT. NOITE.

 

Um pequeno tumulto começa no corredor da clínica, chamando atenção das pessoas. Seguranças tentam conter os jornalistas, que registram a entrada de Lívia no local. Ela chega na sala de espera, encontra Alaíde, Oscar, Tatiana, Plínio, Marcos e Adriana, que se surpreendem ao revê-la.

 

TATIANA: - Lívia!

 

Lívia abraça Oscar, cumprimenta Adriana, Marcos e Plínio. Aproxima-se de Alaíde.

 

ALAÍDE: - Minha filha, que bom ver você! Como você está?

LÍVIA: - Estou bem, dona Alaíde. E o Jonas, como ele tá?

OSCAR: - Está na UTI. O estado de vida dele é grave, Lívia.

ALAIDE: - Eu estou com muito medo, minha filha. (chora)

LIVIA (segura mão de Alaíde): - Não, dona Alaíde! Não pode fraquejar agora!... Por favor, seja forte!

 

Lívia se afasta, aproxima-se de Adriana.

 

LÍVIA: - Onde ele tá? Eu posso ver ele?

ADRIANA: - Ainda não, Lívia, ele/

LÍVIA: - Por favor, Adriana. Eu preciso muito...

ADRIANA: - Tudo bem. Vem comigo. Mas não vai poder ficar por muito tempo, tá?

LÍVIA: - Tá bom.

 

Adriana sai com Lívia.

 

 

CENA 26. CLÍNICA DR FAUSTO. UTI. INT. NOITE.

 

Adriana leva Lívia até a UTI onde Jonas está internado.

 

ADRIANA: - Ele está ali.

LÍVIA: - Meu querido...

ADRIANA: - Ele teve complicações durante a cirurgia. O cuidado com ele está sendo redobrado.

LÍVIA: - Mas ele vai ser forte. Vai conseguir superar tudo. ADRIANA: - Estamos todos torcendo por ele... Eu vou indo. Por favor, não demore.

LÍVIA: - Obrigada, Adriana.

 

Adriana sorri, graciosa e sai. Silêncio no local. Apenas o barulho das máquinas/aparelhos. Lívia se aproxima da cama de Jonas. Ele está dormindo, com tubos de oxigênio e cercado de aparelhos. Lívia se emociona, acaricia o rosto de Jonas.

 

LÍVIA: - O que fizeram com você, meu amor... Eu não consegui tirar você da cabeça durante todo esse tempo. Ainda bem que você teve anjos que te cuidaram... Mas mesmo assim, meu coração estava aos saltos, porque eu não estava aqui do seu lado, segurando a sua mão (segura mão de Jonas).

 

Lívia chora. Olha para Jonas, desacordado.

 

LÍVIA: - Lembrei da gente, durante todo esse tempo. Desde que eu cheguei aqui em São Paulo. A sua solidariedade, carinho, atenção... O seu amor! Ai Jonas, o seu amor! Eu demorei pra perceber que aquilo que eu sentia por você não era apenas um simples afeto, um simples gostar de amigo... Era amor mesmo, verdadeiro! Daqueles que enche a alma da gente de alegria, nos dá segurança e a certeza de que... De que a felicidade está sempre com a gente, nos carregando em seus braços.

 

Lívia se aproxima de Jonas, o beija no rosto, segura sua mão e chora. Silêncio no local. Apenas o som dos aparelhos e de Lívia, chorando, baixinho. A pedra do colar brilha.

 

JONAS (sussurra): - Lívia...

 

Lívia se surpreende.

 

JONAS (sussurra): - Lívia...

LÍVIA: - Meu amor! Eu estou aqui!

JONAS: - Lívia, você ta aqui... LÍVIA: - Estou sim, meu amor! Estou aqui do seu lado agora!... (chora, emocionada)

JONAS (sussurra): - Você está bem?

LÍVIA: - Estou sim, meu querido. Agora fique quietinho. Você também vai se recuperar e ficar bem.

 

Jonas abre os olhos. Encara Lívia.

 

JONAS (faz força para falar): - Eu. Amo. Você. Muito.

 

MUSIC ON: Amado – Vanessa da Matta

 

LÍVIA (emocionada): - Eu também te amo, Jonas. Muito.

JONAS: - Você é muito importante para mim.

LÍVIA: - Você também é importante, Jonas. Não fala nada agora, por favor. Fica quietinho. Vai ficar tudo bem, meu amor.

 

Lívia segura firme a mão de Jonas e sorri, emocionada e feliz.

MUSIC FADE OUT.

 

CENA 27. MANSÃO TARCÍSIO. INT. NOITE.

 

Rafael é recebido com emoção pela família. Ele chega junto com Jorge. Elizabeth está abraçada ao filho, emocionada.

 

ELIZABETH: - Eu pensei que fosse perder você, meu amor!

RAFAEL: - Você nunca vai me perder, mamãe!

ELIZABETH: - Eu não iria suportar perder o outro homem que eu mais amo nessa vida!

 

Os dois se abraçam felizes.

 

AGDA: - Beth, eu também quero abraçar o meu neto!

 

Agda abraça Rafael. Vitória se junta aos dois no abraço.

 

VITÓRIA: - Ficamos tão preocupados!

RAFAEL: - Graças a Deus terminou tudo bem, mas é um episódio que eu gostaria de esquecer.

INÊS: - Eu posso imaginar o terror psicológico que deve ter sido, Rafael.

RAFAEL: - Pior que filme de terror, Inês... Ver a loucura de um ser humano de perto.

ALFREDO: - Vocês já deram seus depoimentos na polícia?

RAFAEL: - Já sim. Por isso demoramos um pouco pra chegar. O Jorge achou melhor colher os depoimentos agora, para que possamos descansar depois de tudo isso.

DEMÉTRIO: - Fez bem...

 

O telefone de Vitória toca, ela se afasta para atender. Jorge conversa com Rosa.

 

ROSA: - E a Lívia, Jorge, como ela está?

JORGE: - Ansiosa para ver o Jonas. Parece que o estado dele na clínica não era dos melhores.

ROSA: - Nossa... imagino a angústia dela. Mas ela está bem, nenhum machucado, nada?

JORGE: - Sim, apenas alguns arranhões. Mas nada grave.

ROSA: - E Marilu, morreu mesmo?

JORGE: - Próprio Alexandre a matou. E sabe pra quê? Pra defender a Lívia.

ROSA: - É mesmo?

JORGE: - Parece que apesar de tudo, ele a amava...

ROSA: - Amor estranho esse... Sempre quis prejudicar a coitada... Mas o que importa é que ele vai pagar pelo o que fez.

JORGE: - Vai sim. E parece que tão cedo não vai sair da cadeia.

 

Roberto se aproxima de Elizabeth.

 

ROBERTO: - Graças a Deus que terminou tudo bem.

ELIZABETH: - Muito obrigada pela força, Roberto.

ROBERTO: - O Rafael é um rapaz bom, dona Beth. Amigo do meu sobrinho, merece toda força.

ELIZABETH: - Não precisa me chamar de dona não. Pode chamar apenas de Beth.

 

Elizabeth olha carinhosa para Roberto, que corresponde com um sorriso. Enquanto isso, Charlote, Nice e Moisés retornam da cozinha trazendo champanhe e taças.

 

CHARLOTE: - Tomei a liberdade de mexer na sua geladeira, Agda.

AGDA: - Você é de casa, Charlote, embora saiba que isso é um desrespeito às regras de educação e etiqueta. (risos)

CHARLOTE: - Eu sei, querida, mas é por um motivo especial! Hoje é festa! Vamos brindar!

NICE: - Champanhe!

MOISÉS: - Vamos lá pessoal, todo mundo pegando uma taça!

 

Eles se organizam para brindar. Vitória se junta ao grupo.

 

VITÓRIA; - Acabei de falar com o Fabrício. Ele disse que o Jonas apresentou uma melhora quase que milagrosa agora à noite!

ROSA: - Que maravilha! Um brinde ao Jonas!

AGDA: - E um brinde à volta do Rafael para o seio de sua família. À Lívia também, que voltou para a família dela. E que essa felicidade da volta nunca seja atrapalhada por nada.

ROSA: - E não será. Pode ter certeza.

 

Todos brindam. CAM foca nas taças erguidas ao alto.

MUSIC ON: THE LADY IS A TRAMP - Tony Bennett E Lady Gaga

 

CENA 28. PASSAGEM DO TEMPO. IMAGENS GERAIS.

 

Imagens gerais da cidade de São Paulo, mostrando diversos pontos turísticos: MASP, Avenida Paulista, Museu do Ipiranga, Parque do Ibirapuera, Monumentos aos Bandeirantes, Mercado Municipal, Estação da Luz. A movimentação das pessoas e do trânsito.

 

LEGENDA: DIAS DEPOIS...

 

CENA 29. MANSÃO LÍVIA. JARDIM. EXT. DIA.

 

MUSIC FADE OUT.

 

CAM abre plano para o vasto jardim da mansão de Lívia. Uma grande tenda está armada no jardim, onde está sendo realizado um almoço. Roberto organiza o bufê onde será servido o almoço, junto com alguns funcionários do Europa-Brasil. Elizabeth está próxima dele, acompanhando tudo, tomando uma taça de champanhe.

 

ROBERTO: - E este tipo de salada é ótima pra acompanhar esse prato aqui.

ELIZABETH: - Eu não sabia disso! Vou começar a me ligar mais nesses detalhes.

ROBERTO: - Sim, uma boa salada de acompanhamento dá todo um toque à refeição... Deixa essa taça aí e venha aqui que eu te mostro outras coisas.

 

Elizabeth deixa a taça numa mesa, ao lado de um jornal. Na capa da publicação, a notícia.

 

SEQUESTRADOR É CONDENADO A MAIS DE TRINTA ANOS EM REGIME FECHADO.

 

Embaixo da chamada, a foto de Alexandre, algemado.

Numa mesa cumprida, estão todos sentados: Pedro, Rafael, Vitória e Fabrício, Agda, Marcos e Adriana, Carla e Breno, Plínio e Tatiana, Alfredo e Inês, Oscar e Alaíde, Charlote e Demétrio, Rosa e Jorge, Lívia e Jonas. Todos conversam, animados.

 

JONAS: - Louise não vem?

ROSA: - Louise está em Buenos Aires!

CHARLOTE: - Adoro Buenos Aires! Ela foi a passeio?

ROSA: - Também... Na verdade, foi acompanhar o Kléber, que começa uma temporada de shows por lá.

ALAÍDE: - Louise pra festa não precisa convidar duas vezes! (risos)

OSCAR: - E com certeza vai ser um grande show. Kléber toca muito bem.

AGDA: - Eu ouvi ele no Europa-Brasil. É ótimo mesmo.

MARCOS: - No nosso casamento, ele deu show, né amor?

ADRIANA: - Foi sensacional!

 

Lívia se aproxima de Rosa.

 

LÍVIA: - Vem comigo um instante? Eu quero falar com você.

 

As duas saem da tenda, vão para dentro da mansão.

 

CENA 30. MANSÃO LÍVIA. QUARTO. INT. DIA.

 

Lívia entra com Rosa em seu quarto, fecha a porta.

 

ROSA: - E então, o que você quer falar comigo?

LÍVIA; - Na verdade, eu preciso de uma ajuda sua. Uma ajuda muito importante.

ROSA: - Pode falar, estou aqui pra isso.

LÍVIA; - Eu quero que você me ajude a descobrir o mistério que ronda esse colar.

 

Rosa se surpreende com o pedido.

 

LÍVIA: - Eu quero entender o que é que ele tem de especial, por que tudo isso... Essa magia que me protege sempre!

 

Rosa pega a mão de Lívia, as duas sentam na cama.

 

ROSA: - Eu não sei se consigo isso, mas a gente pode tentar. Me dá a outra mão.

 

As suas ficam de mãos dadas sobre a cama. A pedra brilha com o toque entre elas.

 

ROSA: - Isso deve ser um bom sinal, da nossa energia, dessa sintonia em que estamos.

 

LÍVIA: - Acho que também estou sentindo isso agora.

ROSA: - Por favor, Lívia, agora feche os olhos e procure se concentrar. Eu também farei o mesmo. Vamos focar em coisas boas e nessa energia que está nos cercando agora. Vamos pedir para ela nos ajude a entender essa aura...

 

As duas, de mãos dadas e olhos fechados, entram numa espécie de transe.

 

ROSA (ainda olhos fechados): - A pedra Sigba! Aquela que, com seu poder, protege quem tem bom coração.

 

CENA 32. MOSTRA SEQUÊNCIAS DE IMAGENS PASSADAS, PARA MOSTRAR A TRAJETÓRIA DA PEDRA MÁGICA DO COLAR.

 

SEQUÊNCIA DE IMAGENS 01: CAM abre plano, numa grande lavoura de café. Mostra negros escravos, trabalhando na aragem, num grande espaço de terra.

 

LEGENDA: INTERIOR DE SÃO PAULO, SÉCULO XIX.

 

Um destes escravos encontra a pedra rara no meio da terra. O brilho é intenso e chama atenção dele, que a pega e esconde. Ao chegar na senzala, entrega a pedra para sua amada, a pedra já amarrada num cordão, formando um colar. O brilho da pedra encanta o casal, que se mostra apaixonado um pelo outro.

 

Numa noite, a pedra brilhou forte, e sua dona não compreendeu o que causava tal brilho. De repente, o capataz entra na senzala, pega o escravo e o leva para o lado de fora. A dona da pedra vai até a porta da senzala e vê seu amado sendo açoitado até a morte. Ela esconde a pedra no cabelo. O capataz se aproxima dela, pergunta sobre a pedra, mas ela revela que não sabe de nada. Leva um tapa do capataz.

 

SEQUÊNCIA DE IMAGENS 02: Mercado de escravos. A escrava está na fila para ser comprada. Ela mexe no cabelo, pega a pedra não. Novamente, o brilho da pedra a impressiona. Ela esconde a pedra no cabelo, assim que um barão se aproxima e a analisa.

 

A jovem escrava é apresentada à esposa do barão, uma mulher loira, com expressão simpática e bondosa. Mostra o passar do tempo na casa grande do barão, que fica numa rica fazenda. A baronesa tem na negra escrava sua nova companhia e amiga. A escrava ganha da baronesa uma gargantilha, onde coloca a pedra, formando um novo colar.

 

SEQUÊNCIA DE IMAGENS 03: Noite na fazenda. A jovem escrava brinca com a filha dos barões, ainda bebê. Do lado de fora, os escravos se revoltam, pondo fogo na fazenda e almejando invadir a fazenda. A pedra do colar brilha fortemente. A jovem escrava olha na janela, vê os outros escravos revoltados, demonstram hostilidade com ela também. A baronesa se desespera, pega o bebê e entrega para a sua companheira, pedindo para que fujam dali.

 

A jovem negra corre pelo matagal, carregando o bebê, que chora. A pedra do colar brilha forte. A jovem continua correndo, sempre. Ela olha para trás e percebe que a fumaça e o clarão de fogo vem da fazenda. Ela chega até uma estrada, onde encontra um casal, passando numa carroça. Ela não diz nada, se aproxima e entrega o bebê. Antes que o casal parta, ela tira o colar do pescoço e coloca no pescoço do bebê. O casal vai embora. A jovem escrava volta para a fazenda, mas é atacada pelos outros escravos, sob acusação de ser uma traidora, já que trabalhava na casa dos patrões. E de, certa forma, desfrutava de pequenas vantagens.

 

SEQUÊNCIA DE IMAGENS 04: Mostra a paisagem do Rio de Janeiro. Aparece uma linda menina caminhando pelo quintal de uma casa humilde. Ela carrega sob o pescoço, o colar com a pedra. A menina vai caminhando e a passagem de tempo ocorrendo. CAM mostra uma mulher, com o colar no pescoço.

 

Nova imagem. A mesma mulher carrega no colo sua filha, que agora está com o colar. Nova imagem, outra casa, nova mulher com o colar. E assim, sucessivamente, acontece a passagem do tempo. Novas casas, outras mulheres usando o colar. Loiras, morenas, negras, mansões, casarões, casas humildes.

 

SEQUÊNCIA DE IMAGENS 05: Favela no Rio de Janeiro, década de 80. Num casebre, uma mulher muito doente, está deitada na cama. Expressão pálida, sofrida. Destaca-se sobre sua pele, o colar. Ao seu lado, uma linda menina, loira, por voltados 5/6 anos, passa um pano úmido em sua testa. De repente, um homem entra no quarto, expressão séria.

 

ZENAIDE: - João...

JOÃO: - O médico não vai poder vir aqui. Fecharam o posto. Só amanhã de manhã.

ZENAIDE: - Eu não sei se aguento. (tosse) Cuida bem da Lívia.

 

João olha para a menina, sentada num banquinho, ao lado da mãe.

 

JOÃO: - Pode deixar, minha irmã. Eu vou cuidar dela como se fosse minha filha.

ZENAIDE (olha para a menina): - Lívia, minha filha. Quero que você saiba que a mamãe ama muito você.

LÍVIA: - Também te amo, mamãe.

 

Com muito esforço, Zenaide tira o colar do pescoço e coloca em Lívia.

 

LÍVIA: - É seu colar, mamãe. Você ganhou da sua patroa...

ZENAIDE: - Agora é seu, meu anjo.

 

Zenaide beija Lívia. A pedra do colar brilha.

 

Zenaide começa a tossir, incessantemente. João se aproxima, pega Lívia pelo braço e vai levando a menina para fora do quarto. Lívia, o tempo inteiro, olhando para trás, vendo sua mãe sobre a cama. Zenaide sorri, volta a tossir. João coloca Lívia para fora do quarto, fecha a porta. Senta-se com a menina à mesa da cozinha, em silêncio. Os dois permanecem assim por um tempo. Pelo casebre, se ouve Zenaide tossir, mas de repente, para.

 

JOÃO: - Agora, Lívia, somos só eu e você.

LÍVIA; - E a mamãe?

 

João, emocionado, abraça Lívia, que o abraça também. A pedra do colar brilha novamente. O brilho intenso avança sobre a CAM.

 

CENA 33. MANSÃO LÍVIA. QUARTO. INT. DIA.

 

Lívia e Rosa abrem os olhos, emocionadas.

 

LÍVIA: - Essa é a minha história, a história desse colar, dessa pedra!

ROSA: - Eu nunca passei por uma experiência dessa antes, Lívia. Realmente, você é a escolhida por essa magia.

LÍVIA: - Quantas mulheres já tiveram esse colar...

ROSA: - É uma herança do tempo. Um tesouro!

LÍVIA; - Mas eu sou a última mulher com ele. Será que ficará comigo pra sempre?

ROSA: - Você é jovem, ainda pode ter filhos. Já pensou? Uma menina linda pra continuar essa história, carregando esse colar?

 

A pedra brilha forte. As duas se olham surpresas, riem felizes e se abraçam.

 

 

 

CENA 34. MANSÃO LÍVIA. JARDIM. EXT. DIA.

 

Lívia e Rosa retornam para o almoço, ao mesmo tempo em que Conrado, Isabela, Charlote e Demétrio chegam, junto com a pequena Sophia.

 

LÍVIA: - Que ótimo ver vocês!

DEMÉTRIO: - Demoramos?

LÍVIA: - Ainda não servimos... Estão no tempo. (ri)

CHARLOTE: - Tivemos que esperar a Isabela trocar a Sophia duas vezes.

LÍVIA: - Duas vezes?

CONRADO: - Isabela trocou uma vez, mas ela sujou a fralda de novo.

ROSA: - Mas que menina levada!

 

Vitória se aproxima.

 

VITÓRIA: - Sophia, princesa! Vem aqui comigo! (pega Sophia no colo)

LÍVIA: - Gente, pode ir pra mesa, tem lugar para todos!

 

Enquanto isso, Alfredo e Breno conversam.

 

ALFREDO: - Breno, tenho uma proposta pra fazer pra VOCÊ.

BRENO: - Proposta? Mais um caso pra eu cuidar? Tô topando!

ALFREDO: - Não é bem isso, mas você também vai se dedicar a alguns casos... Eu vi que você evoluiu durante todo esse tempo trabalhando comigo, lá no escritório.

BRENO: - Confesso que os conselhos e as cobranças do meu pai contribuíram pra isso. Eu deixei de ser um playboy bon vivant pra assumir uma postura de homem mesmo.

 

Carla se aproxima.

 

CARLA: - E eu estou adorando essa mudança!

ALFREDO: - Aproveito que a Carla está aí pra fazer então a proposta. Eu quero você seja meu sócio no escritório.

BRENO (surpreso): - Eu?!

CARLA: - Breno! Oportunidade ótima!

ALFREDO: - Quarenta por cento. O que acha?

BRENO: - Eu aceito, é claro!

CARLA: - Que maravilha! Parabéns, meu amor!

ALFREDO: - Já posso encaminhar os papéis então da sociedade?

BRENO: - Pode sim! (cumprimenta Alfredo) Muito obrigado, Alfredo!

ALFREDO: - Confio em você Breno, sei que vai honrar com a sua responsabilidade.

 

Os funcionários do Europa-Brasil servem o almoço. Todos se surpreendem com a beleza dos pratos e do ambiente harmonioso onde estão.

 

JONAS: - Está feliz?

LÍVIA: - Muito!

 

Todos começam a refeição, alegres, conversando, animados.

 

CONRADO: - Calma aí gente!

ISABELA: - O que foi, Conrado?

CONRADO: - Uma foto pra Flash Paulista!

TATIANA: - Ai que chique! Nunca saí na Flash Paulista! Vem, Plínio, bem do meu lado!

PLÍNIO: - Demorô!

CONRADO: - Se ajeitem aí pra foto!

 

Conrado programa a máquina fotográfica e se junta ao grande grupo.

 

LÍVIA: - Vem Pedro!

 

MUSIC ON: Samurai - Djvan

Pedro vai correndo para sair na foto. A máquina registra. CAM congela na imagem de todos à mesa, sorridentes, animados.

 

CENA 35. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER

 

MUSIC FADE OUT.

Imagens de São Paulo ao anoitecer. As luzes iluminando os prédios. Corta para a fachada da nova boate de Henri. Um prédio antigo, com um arco-íris colorido em neón na frente. Muita movimentação.

 

CENA 36. BOATE. INT. NOITE.

 

MUSIC ON: WORLD HOLD ON – Bob Sinclayr

Do lado de dentro, o DJ anima o público. Casais de homens, mulheres, travestis, drag queens, todo mundo se diverte no espaço.

Num dos camarotes, Sarah e Fausto, conversam.

 

FAUSTO: - Nunca pensei em entrar num ambiente assim.

SARAH: - Eu já estou um pouco mais acostumada. Mas confesso que assim, nessa animação toda, nunca vi!

FAUSTO: - É um pessoal com visual bem, digamos, exóticos...

SARAH: - Ah, no início deve ser um pouco estranho, mas depois você acostuma, meu amor... Eu fiquei tão feliz por você ter topado ajudar o Henri.

FAUSTO: - Ele é seu amigo, vai ser meu amigo também, ainda mais agora com o nosso casamento marcado.

SARAH: - Eu ainda nem falei pra ele. Vai surtar quando a gente convidar pra padrinho!

 

Henri se aproxima deles no camarote.

 

HENRI: - E aí pessoal, curtindo a festa? Mais champanhe!

SARAH: - Está tudo ótimo, Henri! Parabéns amigo! Ótima inauguração! Essa nova boate vai colorir ainda mais a noite paulistana.

HENRI: - Parabéns pra nós, sócia! E você, Fausto? Assustado com o público? Não se preocupa, seu dinheiro foi bem aplicado! (ri)

FAUSTO: - Eu sei! (ri) acho que com o tempo, eu me acostumo.

HENRI: - E Mayra, não vem?

FAUSTO: - Não. Está em Buenos Aires a trabalho.

 

CENA 37. BUENOS AIRES. IMAGENS GERAIS. NOITE.

 

Imagens de diversos pontos da cidade de Buenos Aires: o Obelisco, a Casa Rosada. Ruas, avenidas movimentadas.

 

CENA 38. CASA DE SHOWS. INT. NOITE.

 

Louise está numa mesa, acompanhada por Zezinho, Mayra e outro rapaz, Alejandro.

 

LOUISE: - Bom que você pode vir pra Argentina também, Mayra.

MAYRA: - O Conrado me nomeou como correspondente internacional da Flash Paulista. E eu tive sorte de pegar esse show aqui... Semana que vem, estarei em Nova York, cobrindo a Semana de Moda.

LOUISE: - Que bacana! Falando em moda, (cochicha) você não estava namorando um modelo? Não era esse moço aí não...

MAYRA: - Estava sim, o Gian. Era um gato, mas acho que o sonho dele era ser pavão! (ri) Mandei pastar, feito cavalo.

 

Louise acha graça.

 

MAYRA: - E já que estou em terras portenhas, conheci o Alejandro. Ele também é músico, sabia, Zezinho?

ZEZINHO: - É mesmo?

MAYRA: - Toca um bandoneón como ninguém.

ZEZINHO: - Bom saber... Estou pensando mesmo em produzir artistas fora do Brasil.

LOUISE: - Oh, ta aí a oportunidade!

 

Em outra mesa, Almir e Gisa aguardam o show.

 

ALMIR: - Ótima chance que a gente teve. Conseguir ajustar nossas férias juntos!

GISA: - E aqui em Buenos Aires! Adoro isso aqui!

ALMIR: - E o que eu mais gostei é que posso te beijar sem me preocupar se tem gente olhando...

 

Os dois se beijam, apaixonados. As luzes se apagam e a banda de Kléber é anunciada. São muito aplaudidos na entrada do palco e começam o show, animando o público.

 

CENA 39. MANSÃO TARCÍSIO. INT. NOITE.

 

Elizabeth e Agda chegam na mansão, acompanhadas por Roberto.

 

ELIZABETH: - Espero que o Rafael faça boa viagem.

AGDA: - Ele vai fazer sim... Vai ser bom pra ele.

ELIZABETH: - Dei um abraço bem apertado nele e pedi pra Vitória dar muitos beijos nele por mim, lá no aeroporto.

ROBERTO: - E ele vai pra onde?

ELIZABETH: - Londres. Passeio e negócios.

AGDA: - Falando em passeio, o dia de hoje na casa da Lívia foi muito agradável. E Roberto, parabéns. O almoço estava ótimo.

ROBERTO: - Muito obrigado, dona Agda. Só fiz o que eu gosto. Cozinhar. Quando a gente faz com gosto, tudo fica bom.

ELIZABETH: - Mas no restaurante você não cozinha, né?

ROBERTO: - Cozinho pouco, cuido mais da administração. Mas sempre que eu posso, vou pra cozinha e faço meus pratos.

AGDA: - Me avise quando fizer novamente!

ELIZABETH: - Mamãe se convidando... (risos)

ROBERTO: - Pode ter certeza que você estará presente, dona Agda. Você e sua filha.

ELIZABETH: - Estou sendo convidada também?

ROBERTO: - Está. E eu também tenho outro pedido pra fazer.

 

Elizabeth se mostra surpresa. Roberto retira do bolso uma caixinha, abre e oferece para Elizabeth. CAM mostra uma linda e delicada aliança.

 

ROBERTO: - Elizabeth, aceita namorar comigo?

 

MUSIC ON: Amor, Meu Grande Amor - Frejat

 

ELIZABETH: - Roberto!... É linda!

AGDA: - Posso adiantar que faço gosto dessa união. Você parece ser um homem de virtudes, Roberto, que realmente é capaz de fazer minha filha feliz.

ROBERTO: - Só resta saber se ela também concorda. (olha para Elizabeth) E então, Elizabeth. Aceita?

ELIZABETH: - Aceito!

 

Roberto coloca aliança em Elizabeth. Os dois se beijam apaixonados.

 

AGDA: - Vou deixar os pombinhos à sós...

 

Agda sai. Elizabeth e Roberto se abraçam, carinhosos.

 

CENA 40. AEROPORTO. SAGUÃO. INT. NOITE.

 

MUSIC OFF.

Vitória e Fabrício se despedem de Rafael, no aeroporto.

 

VITÓRIA: - Ai, maninho, faça boa viagem! E compras! Londres tem peças ótimas!

 

RAFAEL: - Mas eu não vou viajar apenas à passeio, Vitória. Estou indo a negócios também.

FABRÍCIO: - Mulheres, Rafael. Sempre têm tempo para compras. VITÓRIA: - Ah, vocês é que não sabem aproveitar...

 

O vôo de Rafael é anunciado.

 

RAFAEL: - Está na minha hora.

 

Vitória abraça Rafael e enche o irmão de beijos.

 

RAFAEL: - Nossa, que tantos beijos!

VITÓRIA: - Recomendações da dona Elizabeth.

RAFAEL: - Ah, mamãe... Vou sentir saudade dela.

VITÓRIA: - Pode ir tranquilo porque ela vai ficar bem. Ainda mais agora que eu vi um clima de romance no ar com o Roberto.

FABRÍCIO: - Eu também percebi. (risos)

RAFAEL: - Assim espero!

FABRÍCIO: - Faça boa viagem, Rafa. E quando chegar lá, nos comunique.

RAFAEL: - Pode deixar... E vocês dois, se cuidem! Obrigado por tudo!

 

Rafael vai para área de embarque.

 

VITÓRIA: - Já estou com saudades dele.

FABRÍCIO: - Não se preocupa, vai ficar tudo bem...

VITÓRIA: - Mas é que depois de tudo o que aconteceu, ficar longe dele mais uma vez...

FABRÍCIO: - Já sei o que pode acabar com essa sua angústia. VITÓRIA: - Sabe é?

FABRÍCIO: - Pizza!

VITÓRIA: - Oba!

FABRÍCIO: - Lá em casa...Depois um filminho... Que tal?

VITÓRIA: - Você anda tendo ótimas ideias...

 

Os dois se beijam e saem felizes.

 

CENA 41. AVIÃO. INT. NOITE.

 

Rafael entra no avião, procura seu acento. Encontra, senta-se ao lado de uma mulher, loira, 35 anos, cabelos compridos, lisos.

 

RAFAEL: - Com licença.

 

A moça sorri. Rafael parece se encantar com ela. A moça está lendo um livro.

 

RAFAEL: - José de Alencar? Gosta dos clássicos da nossa literatura?

MOÇA: - Gosto. Mas também gosto da literatura estrangeira.

RAFAEL: - Algum autor específico?

MOÇA: - Shakespeare. Romão e Julieta, Rei Lear, Hamlet, Macbeth...

RAFAEL: - Ótima referência! (ri) Prazer, me chamo Rafael.

MOÇA: - Sei quem você... Conheço você dos jornais, revistas... Me chamo Patrícia, jornalista.

RAFAEL: - Nossa, nem eu sabia que eu era famoso.

PATRÍCIA: - É o preço por ser bem-sucedido.

RAFAEL: - Vai a trabalho para Londres?

PATRÍCIA: - Não vou para Londres, vou para Liverpol. A passeio. Merecidas férias. E você, vai a Londres para o quê?

RAFAEL: - Vou a trabalho, fechar alguns contratos, mas depois pretendo passear também. Talvez não em Londres... Acho que Liverpol pode ser um destino interessante.

 

Os dois trocam olhares e sorriem um para o outro.

 

CENA 42. APTO MARCOS E ADRIANA. INT. NOITE.

 

Marcos e Adriana curtem o apto e a gravidez de Adriana. Os dois estão sentados no sofá. Adriana, já com a barriga um pouco saliente.

 

MARCOS: - Será menino ou menina?

ADRIANA: - Você tem alguma preferência?

MARCOS: - Pra ser sincero, não... Estou ansioso pra ver a cara dele.

ADRIANA: - Falou ele. Quer menino.

MARCOS: - Não!

ADRIANA: - Ah, então você afirma que quer mesmo uma menina!

MARCOS: - Também não! Quer parar de me confundir!

 

Os dois riem.

 

MARCOS: - Eu só quero que venha com saúde. E só tenho uma certeza. Essa criança vai nos trazer muitas alegrias.

ADRIANA: - Ela vai ter muito amor, muito, muito, muito!

MARCOS: - Se for menina, vou levar nas aulas de balé.

ADRIANA: - E se for menino, nos jogos do São Paulo!

MARCOS: - O quê? Nada disso! É Coringão na veia, mano!

 

Os dois riem, brincando um com o outro.

 

CENA 43. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER

 

Imagens de São Paulo ao amanhecer. O sol surgindo por entre os prédios da metrópole. Ruas e avenidas já movimentadas, o dia a dia da “locomotiva do Brasil”.

 

CENA 44. MANSÃO LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

 

Lívia está sentada no sofá, conversando com Jonas, enquanto Pedro está sentado, próximo da mesa de centro, desenhando.

 

JONAS: - Marcos está babando com a gravidez da Adriana.

LÍVIA: - Que ótimo! Tenho certeza que ele vai ser um ótimo pai.

JONAS: - E eu?

LÍVIA: - O que tem você?

JONAS: - Não acha que eu posso ser um ótimo pai?

LÍVIA: - Eu?... Ah, eu acho... Você é carinhoso, atencioso, brincalhão, responsável. Todas as qualidades de um pai perfeito. E é lindo, o que me deixa ainda mais apaixonada! (beija Jonas)

JONAS: - Nossa, nem eu esperava tantos elogios! (ri) Mas falando sério... O que acha da gente dar um irmãozinho pro Pedro?

LÍVIA: - Ou uma irmãzinha...

JONAS: - Eu quero muito ter um filho com você.

LÍVIA: - Vamos trabalhar essa ideia aí (risos)... Eu também adoraria ser mãe de um filho seu. Quem sabe nosso desejo se realiza?

 

Os dois se beijam.

 

JONAS: - Te amo.

LÍVIA: - E eu te amo mais ainda.

 

Eles se beijam novamente, apaixonados. Pedro termina seu desenho, pega um carrinho e sai correndo da sala para brincar.

 

CAM foca no papel que Pedro deixou. Há o desenho de uma família: um homem, uma mulher, um garoto e uma menina, que tem um colar no pescoço.

 

O colar do desenho brilha e o brilho deixa a tela branca.

Com escritas cristalinas, tal qual pedra diamante, surge a palavra...

 
     

 

Encerra com Pra Rua me Levar – Ana Carolina

autor
Édy Dutra

elenco
Christine Fernandes como Lívia
Taís Araújo como Marilu
Zé Carlos Machado como Tarcísio
Fábio Assunção como Rafael
Bruno Ferrari como Jonas
Marcos Caruso como Paulo
Renata Domingues como Carla
Júlio Rocha como Breno
Bianca Castanho como Beatriz
Júlia Feldens como Vitória
André Bankoff como Fabrício
Danton Mello como Marcos
Lavínia Vlasak como Isabela
Caco Ciocler como Conrado
Janaína Lince como Sarah
César Mello como Alfredo
Aída Leiner como Inês
Luíza Curvo como Tatiana
Jonathan Haagensen como Plínio
Marco Ricca como Fausto
Sílvia Pfeifer como Lorena
Thaís Vaz como Mayra
Gisele Policarpo como Gisa
Guilherme Leme como Almir
Mônica Martelli como Louise
Sérgio Menezes como Kléber
Cyria Coentro como Nice
Ernesto Piccolo como Moisés
Natália Guimarães como Rita

Atrizes convidadas
Sônia Braga como Elizabeth
Regina Duarte como Rosa
Valquíria Ribeiro como Adriana
Ângela Leal como Agda
Mila Moreira como Charlote
Denise Del Vecchio como Onira
Beatriz Segall como Wanda
Arlete Salles como Alaíde

Atores convidados
Gracindo Júnior como Demétrio
Rodrigo Santoro como Henri
Juan Alba como Alexandre
Nill Marcondes como Eduardo
Roberto Bonfim como Roberto
Floriano Peixoto como Jorge

Participações especiais
Dudu Azevedo como Romão
Elisa Lucinda como Cidália
Antonio Pitanga como Tenório
Vanessa Lóes como Clair
Alexandre Slaviero como Hugo
Lui Mendes como Pereira
Mônica Martelli como Louise
Dudu Azevedo como Romão

Trilha Sonora
Ainda Bem – Vanessa da Matta
Amado – Vanessa da Matta
Amor, Meu Grande Amor – Frejat
Bella Ciao – Alok, Bhaskar, Jetlag Music e André Sarate
Body And Soul - Tony Bennett e Amy Winehouse
Bom - Ludmilla
Downtown – Anitta feat. J Balvin
Esse Brilho é Meu - Iza
Joga fora – Grupo Benditos
Joia Rara – Walmir Borges
Mentiras – Adriana Calcanhoto
Nem um toque – Jorge Vercilo
Nua – Ana Carolina
Por Onde Andei – Nando Reis
Pra rua me levar - Ana Carolina (abertura)
Quanto ao tempo – Ivete Sangalo feat. Carlinhos Brown
Retratos e canções – Paulinho Moska
Samurai - Djavan
Sorri, Sou Rei – Natiruts
Sua estupidez – Roberto Carlos
Talismã – Monique Kessous feat. Raimundo Fagner
Tempo pra amar - Mahmundi
The Lady Is A Tramp - Tony Bennett e Lady Gaga
Theme from New York New York - Frank Sinatra
Toda la noche – Mario Bautista feat. Alok
World Hold On – Bob Sinclayr
Zero - Liniker


Produção

Bruno Olsen
Cristina Ravela
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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