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Talismã - Capítulo 39

Novela de Édy Dutra
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No capítulo anterior de Talismã:

Jorge analisa os vídeos do acidente de Lorena.
 
JORGE: - Eu preciso ir até a mecânica onde ela deixou o carro... (pega papel, caneca, escreve) se bem me lembro, é neste endereço...
 
Jorge tira o DVD do PC, guarda. Guarda o papel também.
 
JORGE: - Tudo se interligando. Perto do fim, graças a Deus.
 
Jorge pega suas coisas, e vai embora.
...

AGDA
: - Pois bem, Lívia, certamente você deve saber que a sua grande amiga, Rosa, que te apoiou durante todo o processo após a morte do Tarcísio/
LÍVIA: - O tem a Rosa, Agda?
AGDA: - A Rosa já teve um caso com o Tarcísio.
LÍVIA: - Como é?!
AGDA: - Um caso não... Foi uma história de amor arrebatadora, isso usando as palavras dela.
 
...
AGDA: - Você acha que eu iria sair da minha casa, agora de manhã, pra vir aqui inventar história? Poupe-me, Lívia... Estou aqui para dizer que você se acha tão forte, cercada por seus amigos, mas que na verdade, nem todos que te cercam são seus amigos mesmo. E a Rosa é um exemplo clássico disso... Ela sempre foi apaixonada pelo Tarcísio.
LÍVIA: - Não é verdade! Ela nunca me disse nada!
AGDA: - E nunca iria de dizer! Você acha que ela ficaria confortável em dividir o grande amor da vida dela com outra pessoa? E eu não duvido que ela tenha se aproximado de você para poder ter a chance, mesmo que remota, de ficar próximo do patrimônio dele, de tudo o que ele teve, que ele conquistou... Tudo que ela queria ter tido também, ao lado dele. Mas ela não foi a escolhida.

...
 
ROSA: - Para, Lívia! Você está entendendo tudo errado!
LÍVIA: - Será Rosa? Será que a errada nesta história sou eu?... Você soube da minha história com o Tarcísio, de tudo o que aconteceu com a gente... Você já tinha vivido tudo com ele!... Você esperava ser a próxima!

...

LÍVIA
: - Por favor, não chega perto de mim.
ROSA: - Eu nunca quis estar no seu lugar... Eu gostei sim do Tarcísio, amei ele de verdade. Mas eu soube respeitar a escolha dele. Ele escolheu você, Lívia. E antes que você me jogue todas as pedras, eu fui a primeira a incentivá-lo a ficar com você.
LÍVIA: - Difícil de acreditar... É difícil, Rosa. E essa aproximação pra cima de mim, de que queria me ajudar, me ver bem...
ROSA: - Mas é isso mesmo, Lívia. A minha mãe havia me dado esta missão. E eu cumpri, ou melhor, ainda estou cumprindo com muita honra!

...

LÍVIA
: - Ninguém abre mão de um grande amor assim, Rosa. Ninguém.
ROSA: - Há pessoas que não são capazes de amar suficiente, para ter a consciência de que, amar não é posse. Eu soube abrir mão do meu amor, Lívia.
LÍVIA: - E isso te machucou muito, Rosa. Por isso que você sempre conteve num mistério a sua vida amorosa, a sua história... Eu nunca pensei que eu pudesse ter despertado esse sentimento de reclusão em alguém.

...

 
ONIRA: - Jussara, minha querida. Tem uma farmácia aqui perto?
JUSSARA: - Perto, perto não... Por quê? A senhora ta precisando de alguma coisa?
ONIRA: - Estou... (anota num papel e entrega) eu quero esse remédio aqui. Ele vai me ajudar a ficar melhor. (dá dinheiro) Se você não achar na farmácia próxima, procure outra. Eu só posso tomar esse remédio aí. Por favor, me ajude! (fingida)
JUSSARA (preocupada): - Pode deixar, dona Onira. Vou ir o mais rápido que eu posso.
 
Jussara sai apressada, Onira para de fingir. Caminha pela sala, vai até o quarto, fica vasculhando a casa.

...

 
Onira retira da bolsa uma garrafa de álcool e começa a espalhar o líquido pela casa, no quarto, cozinha e na sala, sobre os presentes recebidos pelos noivos.
 
ONIRA: - Que a felicidade de vocês seja repleta de luz, calor... Como o fogo do inferno, que é pra onde você vai, Adriana... Você tirou meu filho de mim. Agora você vai ter o que merece... Preta suja.
 
Onira vai espalhando o álcool até a porta da casa. Em seguida, risca um fósforo e ateia fogo na casa. Rapidamente, o fogo se alastra pelo local.
 
Calmamente, Onira vai saindo, como se nada tivesse acontecido. Segue calmamente, caminhando pela rua, com um sorriso de satisfação estampado no rosto.

...

 
MARILU: - Até que você dança bem.
RAFAEL: - Estava desdenhando é?
MARILU: - Pensei que sua praia fosse mais os negócios e não as artes, como a dança.
RAFAEL: - Eu não sou um bailarino, um “pé de valsa”. Mas uma boa dança, com quem se gosta, inspira a gente a dançar melhor.
MARILU: - Você gosta mesmo de mim, Rafael?
RAFAEL: - Lembra que eu te falei que hoje poderia seu dia de sorte?
MARILU: - Lembro sim. Eu até peguei o buquê da noiva! (risos)
RAFAEL: - E o que acontece com quem pega o buquê?
MARILU: - Segundo a tradição, quem pega o buquê significa que vai ser a próxima pessoa a casar...
 
Marilu encara Rafael.
 
MARILU: - Você não/
RAFAEL: - Você quer se casar comigo, Marilu?
 
Marilu e Rafael trocam olhares. Ela surpresa com o pedido de casamento.


 

CAPÍTULO 39
 

CENA 01. EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.

Continuação do capítulo anterior. Rafael pede Marilu em casamento. Ela o encara, incrédula (fingindo surpresa).
 
RAFAEL: - Esse silêncio diante da minha pergunta é um sim um não?
MARILU: - Eu nem sei o que dizer...
RAFAEL: - Cinco segundos para resposta. Cinco, quatro/
MARILU: - Eu aceito! Eu. Aceito. Eu aceito me casar com você, Rafael!
 
Os dois se beijam. Rafael gira Marilu (no compasso da dança) pelo salão. Eles, visivelmente felizes, chamam a atenção de Lívia, que dança com Jonas.
 
JONAS: - Viu como eu danço bem?
 
Lívia não responde. Não consegue desviar o olhar de Rafael. Jonas percebe e para de dançar. Lívia estranha.
 
LÍVIA: - O que foi?
JONAS: - Difícil dançar com alguém que não se concentra.
LÍVIA: - Desculpa. Eu prometo me concentrar. (desvia o olhar para Rafael novamente)
JONAS: - Eu prefiro encerrar a nossa dança por aqui. Acho que você está mais afim de dançar com ele do que comigo.
LÍVIA: - Não, Jonas! Vamos continuar (pega mão de Jonas)
JONAS (solta-se): - Eu vou voltar pra mesa.
LÍVIA: - O que deu em você, Jonas? O que eu te fiz agora?
JONAS: - A questão é o que você não fez, Lívia. Me causa espanto em saber que o Rafael ainda consegue controlar a sua atenção. Mesmo estando longe, com outra pessoa.
LÍVIA: - Você sabe que eu não tenho mais nada pelo Rafael, além de respeito e estima. Não quero que ele sofra porque é uma pessoa boa. Só isso.
JONAS: - Será mesmo? será que você não gostaria de estar dançando com ele agora, como aquela bandida tá fazendo?
LÍVIA: - Fala baixo!
JONAS: - Eu vou voltar pra mesa.
 
Jonas volta. Lívia fica um pouco sem jeito, mas o acompanha. Enquanto isso, os casais dançam no salão. Marcos e Adriana felizes. Rafael e Marilu sentam-se.
 
MARILU: - Eu ainda não consigo acreditar!
RAFAEL: - Pois acredite porque é verdade... Mas vamos aguardar.
MARILU: - Como assim?
RAFAEL: - Fazer surpresa. Quero que todo mundo saiba ao mesmo tempo.
MARILU: - Vai anunciar na TV u na Flash Paulista? (risos)
RAFAEL: - Vou anunciar na festa de lançamento da coleção europeia da Amaro.
MARILU (surpreende-se, de verdade): - O quê?!
RAFAEL: - Claro. Quero que todos saibam, oficialmente, que estamos juntos e que vamos nos casar. Depois desse anúncio, planejamos tudo. Cerimônia, festa, lua-de-mel...
MARILU: - Você sempre me surpreendendo, Rafael... Mas e sua família? Sua mãe, sua avó/
RAFAEL: - Elas irão saber quando todo mundo souber. E vão ter que aceitar. É a minha vida.
 
Vitória e Fabrício se aproximam, sentam à mesa. Rafael e Marilu disfarçam.
 
FABRÍCIO: - Vocês dois aí não vão dançar?
MARILU: - Acabamos de sair da pista!
VITÓRIA: - A gente nem viu, né amor? (beija Fabrício) Nossa dança tomou conta de todos os meus sentidos.
RAFAEL: - Eu vi... Pareciam que estavam nesses programas de TV. (risos)
 
Enquanto isso, Cidália e Tenório voltam à mesa, onde Roberto está.
 
ROBERTO: - Vocês dois riscando o salão! Gostei de ver.
TENÓRIO: - Estou um pouco enferrujado, mas acho que dei pro gasto, não é meu amor? Nem pisei no seu pé! (risos)
CIDÁLIA: - O que já foi um progresso e tanto! (risos)
ROBERTO: - Marcos e Adriana também estão se divertindo. Fico tão feliz por eles.
CIDÁLIA: - Realmente, feitos um para o outro.
 
Marcos e Adriana dançam na pista, felizes, trocando olhares, sorrisos e beijos. Numa outra mesa, Gisa conversa com Almir.
 
GISA: - Eu não acredito que eu não consegui pegar o buquê...
ALMIR: - Mas você acha mesmo que/
GISA: - Sim! Eu acho, eu acredito!... E agora, meu Deus? Vou ter esperar outro casamento?
ALMIR: - Ué, tem o casamento do chefe...
GISA: - Do que você tá falando? Doutor Fausto vai casar?!
ALMIR: - Não sei se vai mesmo. Mas acredito que sim.
GISA: - Ih, já tá inventando história, Almir...
ALMIR: - Não estou não. Ele foi pro Ceará com uma mulher, de parar o trânsito. E eles já estão juntos há um tempo.
GISA: - É mesmo?
ALMIR: - Eu vi com meus próprios olhos... Não duvido que daqui a pouco ele não suba ao altar também.
GISA: - Mas quem garante que ele vai me convidar? Se ele não veio nem no casamento da Adriana, que é uma das melhores médicas da clínica, quem dirá vai convidar eu, uma simples técnica em enfermagem.
ALMIR: - Bem, eu como diretor da clínica, serei convidado. Se quiser, você pode me acompanhar...
GISA: - Tá bom, Almir...
ALMIR: - Tô falando sério...
 
CENA 02. CASA FAUSTO. INT. NOITE.
 
Fausto lendo um livro na sala. Mayra entra no local vestida pra balada, toda produzida.
 
MAYRA: - To saindo, pai.
FAUSTO: - Vai pra onde, Mayra?
MAYRA: - Pra balada. Ficar em casa chorando por causa daquele safado do Breno é que eu não vou. Aliás, o senhor deveria fazer o mesmo. A Carla te largou e você fica aí, sentado, lendo um livro?!
FAUSTO: - Mas eu estou ótimo, minha filha.
MAYRA: - Tá bom... Ah, não era hoje o casamento da médica lá da clínica, a Adriana?
FAUSTO: - Era sim. Eu já mandei o presente, mas não vou não. Só quero ficar em casa, descansar antes de voltar para a rotina da clínica.
MAYRA: - Ficar em casa é o que menos quero fazer!... (beija Fausto) Fica bem, tá?
FAUSTO: - E você também! Se cuida!
 
Mayra sai. Fausto volta a ler seu livro.
 
CENA 03. CASA CHARLOTE. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
 
Charlote se mostra um tanto surpresa em ver Breno e Carla.
 
CARLA: - Prazer, dona Charlote. O Breno falou muito bem da senhora.
 
Charlote não responde, fica encarando Carla, pensativa.
 
BRENO: - Mãe! A Carla está cumprimentando a senhora!
CHARLOTE: - Ah, desculpe, minha querida. Seja bem-vinda à nossa casa.
CARLA: - Muito obrigada.
BRENO (pega Carla pela mão): - Vem, Carla, deixa eu te apresentar o restante do pessoal.
 
Breno leva Carla para a sala.
 
CHARLOTE: - Essa moça... Não vem do berço da Mayra. Não vem mesmo.
 
Enquanto Charlote segue para cozinha, na sala, Breno apresenta Carla para os familiares.
 
DEMÉTRIO: - Bem-vinda, Carla. Fique à vontade.
CARLA: - Muito obrigada.
ISABELA: - Você é amiga da Lívia, não é?
CARLA: - Sou sim.
ISABELA: - Lembrei de você. Acho que já uma foto sua na casa da Lívia...
CARLA: - Ela é uma grande amiga, quase irmã. Vivemos praticamente juntas no Rio e depois nos reencontramos aqui em São Paulo.
DEMÉTRIO: - E você faz o que, Carla? Trabalha aonde?
 
Carla e Breno trocam olhares.
 
CARLA: - Eu...
BRENO: - A Carla trabalha no setor de vendas de uma multinacional. Quero dizer, trabalhava...
CONRADO: - Pena... Despediram você?
CARLA: - Cortes de gastos.
DEMÉTRIO: - É, o mercado mundial não tá fácil mesmo. Mas logo você consegue um novo emprego.
 
Charlote entra na sala.
 
CHARLOTE: - O jantar está servido.
 
Todos seguem para a sala de jantar. Charlote mantém a postura um tanto mais séria, de olho em Carla.
 
CENA 04. APTO JORGE. INT. NOITE.
 
Jorge e Elizabeth conversam.
 
JORGE: - Você tem certeza, Beth?
ELIZABETH: - Eu quero ter essa certeza com você. Eu pensei muito, Jorge. Muito mesmo. Eu não consigo mais guardar para mim que estou... Que estou me sentindo atraída por você.
JORGE: - Atraída por mim?
ELIZABETH: - Não precisa fingir que não percebeu isso, Jorge. Essa nossa aproximação nos últimos tempos tem mexido comigo.
JORGE: - Sim, mas eu não fiz nada para que isso acontecesse. Não forcei.
ELIZABETH: - Eu sei que não. E é isso que me deixa ainda mais confusa. Foi algo que foi surgindo. Não sei se pela sua atenção comigo, ou se é por você também estar sentindo o mesmo que eu.
JORGE: - Não Beth/
ELIZABETH (aproxima-se de Jorge): - A gente pode descobrir esse amor juntos, Jorge.
 
Elizabeth beija Jorge, que a afasta de si.
 
JORGE: - Por favor, Elizabeth. Não podemos seguir adiante nisso.
ELIZABETH: - Mas/
JORGE: - Eu estou com a Rosa.
ELIZABETH: - Mas a Rosa não/
JORGE: - O sentimento que eu sinto por você não é maior do que eu sinto por ela. Eu estou realmente apaixonado pela Rosa.
 
Elizabeth fica sem saber o que fazer.
 
JORGE: - Desculpa dizer isso assim pra você.
ELIZABETH: - Quer dizer que eu fui uma palhaça vindo aqui me declarar pra você, é isso?
JORGE: - Não! Eu não quis dizer isso!... A sua atitude foi de uma grandeza enorme. E linda. A gente não pode mesmo sufocar os sentimentos dentro do nosso peito. É preciso colocar pra fora.
ELIZABETH: - O ruim é que a gente nunca está preparada para ouvir um não.
JORGE: - Eu sinto muito.
ELIZABETH: - Ninguém pode sentir, Jorge... Ninguém nunca sente.
JORGE: - O que eu puder fazer para que você não fique desse jeito.
ELIZABETH: - Só tendo você nos meus braços. Mas sei que isso é impossível... Eu vou embora. Melhor assim.
 
Elizabeth caminha até a porta, segurando as lágrimas.
 
ELIZABETH: - Você é um homem bom, Jorge. Obrigada por não me fazer de boba.
JORGE: - Você não é boba.
ELIZABETH: - Eu sei que eu sou. E sou assim porque eu mesma me transformei numa boba. Como minha mãe me disse, eu preciso acordar pra vida! Talvez seja esse o momento.
 
Elizabeth abre a porta e sai. Jorge fica pensativo, um tanto chateado pela situação.
 
CENA 05. RUA. EXT. NOITE.
 
Jussara volta apressada, trazendo a sacola de remédios, quando percebe uma movimentação na rua. Ela diminui o ritmo, olhando atenta. Caminhão dos bombeiros, vizinhos aglomerados. Ela vê o incêndio e se desespera. Sai correndo em direção a casa.
 
JUSSARA (grita): - Não!
 
Ela caminha por entre as pessoas, abrindo caminho. Jussara tenta passar a linha de isolamento, mas é detida por um bombeiro.
 
BOMBEIRO: - Não pode passar, dona!
JUSSARA (aflita): - Pelo amor de Deus, tem uma pessoa aí dentro!
BOMBEIRO: - Nós já estamos averiguando. Fique calma, por favor.
 
Jussara, transtornada, se afasta, chorando. Uma vizinha se aproxima.
 
VIZINHA: - E a dona Adriana?!
JUSSARA: - Ela está casando hoje!... Que desgraça esse incêndio! E o pior é que a mãe do noivo estava lá dentro!
VIZINHA: - Eu vi na hora que o fogo começou, fui eu que chamei os bombeiros. Mas eu vi uma mulher saindo da casa antes do incêndio tomar conta.
JUSSARA: - Você viu é?
VIZINHA: - Sim. E ela saiu caminhando, me parecia feliz. Depois o fogo tomou conta.
JUSSARA: - Meu Deus... Eu preciso avisar a Adriana disso tudo!
 
CENA 06. APTO ONIRA. INT. NOITE.
 
Onira chega em casa cantarolando. Deixa a bolsa no sofá, vai até a cozinha. Abre a geladeira, retira uma garrafa de vinho. Serve-se. Volta para a sala, senta-se no sofá.
 
ONIRA: - O dia mais feliz da minha. Agora o meu filho volta pra mim. Volta pra nossa casa.
 
Bebe o vinho com satisfação.
 
CENA 07. APTO HENRI. INT. NOITE.
 
Henri e Sarah jantam no apto de Henri. A mesa é farta e a louça, sofisticada.
 
SARAH: - Você nunca fez um banquete desses pra mim, Henri!
HENRI: - Mas eu não fiz isso tudo não. A louça é alugada e a comida, do restaurante da quadra de trás. (risos)
SARAH: - Eu desconfiei... (risos)
HENRI: - Sarah, eu quero aproveitar e te pedir desculpas, pelo o que eu fiz. Tudo o que aconteceu com você foi culpa minha. Se eu não tivesse dito pro Conrado que você tinha pego o dinheiro/
SARAH: - Não peça desculpas, Henri. O que você fez foi certo mesmo. Cedo ou tarde, o Conrado iria descobrir e eu ia me ferrar mesmo... Tirando a perda do nosso filho, foi bom tudo o que aconteceu.
HENRI: - Agora é vida que segue.
SARAH: - É mesmo.
HENRI: - Sabe o que eu estive pensando nesses dias?
SARAH: - O que?
HENRI: - Vou fechar a boate.
SARAH: - Não! Fechar a Age Aquárious, onde a gente foi tão feliz?! Nunca!
HENRI: - Não precisa ser dramática, Sarah... A boate já teve seus momentos de glória, mas agora, não há mais atrativos... Desde que você e a Marilu deixaram de se apresentar, o movimento caiu muito. E as noites de baladas não trazem tantos jovens como antes... Não quero ficar tachado de "o dono da boate decadente".
SARAH: - Mas o que você vai fazer depois de fechar a boate?
HENRI: - Abrir outra boate.
SARAH: - Agora tu confundiu a minha cabeça, querido!... Se você já tem uma boate, pra que fechar pra abrir outra boate?
HENRI: - A Age Aquárious já tem um nome, muito respeitado. E para o projeto novo que eu estou pensando, não dá pra ser lá. Eu vou deixar eternizado o nome da Age Aquárious na noite paulistana e lançar um novo point.
SARAH: - E esse novo point seria...?
HENRI: - Uma boate GLS.
SARAH: - Nossa, que original! uma boate gls em Sampa! (ri)...
HENRI: - Deixa de ser debochada, menina... Eu sempre quis algo assim. Já tenho até o projeto idealizado na minha mente... To Live Sampa!
SARAH: - Me responde uma coisa: Por que os gays adoram nomes estrangeiros, principalmente, inglês?
HENRI: - Sei lá... Só sei que To Live Sampa terá vários ambientes, porque quero trazer o mundo todo pra dentro da boate. Imagina, Sarah! A pista oriental, cheia de ornamentos japoneses, chineses, indianos! A pista da América Central, com salsa, rumba e toda a energia do Caribe!... A pista africana, com negros lindos, como você, agitando o pessoal!
SARAH: - Já gostei!... Se bem que né, se a boate é GLS, é ruim de eu me arrumar nessas aí...
HENRI: - Você não vai ter tempo de se arrumar, porque estará ocupada.
SARAH: - Ocupada? Com o quê?
HENRI: - Você vai ser uma das diretoras da boate, oras!
SARAH: - Sério?! Você quer que eu trabalhe com você!
HENRI: - Quero! Não adianta eu estar nesse projeto sozinho, sem os amigos por perto.
 
Os dois se abraçam, Sarah feliz.
 
SARAH: - Mas você disse, uma das diretoras. Tem mais gente que vai entrar aí?
HENRI: - Eu vou falar com a Marilu. Quero que ela minha sócia.
SARAH: - Não acredito, Henri! Você vai atrás daquela sem vergonha?!
HENRI: - Eu quero falar com ela, oras! A gente faz tempo que não se vê... E por incrível que pareça, eu sinto falta.
SARAH: - Eu não vou discutir com você sobre isso. Acho uma tremenda burrada correr atrás de alguém que não te dá a mínima. Mas, enfim, se você quer assim... Eu só estou mesmo é feliz que vou trabalhar na boate GLS mais bombada de Sampa!
 
Os dois riem.
 
CENA 08. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.
 
Jussara chega na festa, aflita.
 
JONAS: - Chegou uma mulher um pouco estranha aqui.
LÍVIA: - Como assim, estranha?
JONAS: - Sei lá, atordoada, como se procurasse alguém.
LÍVIA: - Marcos tá indo falar com ela. Talvez seja alguém que se enganou de festa.
 
Marcos se aproxima de Jussara.
 
MARCOS: - Jussara?! O que foi?
JUSSARA: - Seu Marcos! Aconteceu uma tragédia!
MARCOS: - Calma, Jussara!... Respira!
 
Marcos pega uma cadeira para ela, que senta. Adriana se aproxima. Cidália, Roberto e Tenório também.
 
CIDÁLIA: - O que aconteceu?
JUSSARA: - A sua casa, dona Adriana.
ADRIANA: - O que tem, Jussara?
JUSSARA: - Foi destruída pelo fogo.
ADRIANA: - Como é que é?
JUSSARA: - Botaram fogo na sua casa, Adriana!
 
Adriana é amparada por Tenório.
 
MARCOS: - Como assim, Jussara?!
JUSSARA: - Eu estava lá, organizando as coisas com a dona Adriana pediu, quando eu vi que tinha chegado alguém. Era uma mulher muito bem vestida, que disse ser sua mãe, Marcos.
 
Marcos e Roberto trocam olhares.
 
JUSSARA: - Ela disse que tinha passado um pouco mal na cerimônia e que foi lá pra casa da Adriana se recompor e que depois iriam buscar ela pra vir pra festa. Mas aí ela meio que passou mal e pediu para ir buscar um remédio pra ela... (chora) Eu sai. Demorei um pouquinho. Quando eu voltei, a casa estava em chamas! Bombeiros, vizinhos em volta...
MARCOS: - E a minha mãe?! Ela estava na casa?
JUSSARA: - Uma vizinha falou que viu ela saindo da casa um pouco antes do fogo começar.
CIDÁLIA: - Menos mal que ela não se feriu então.
JUSSARA: - Mas a vizinha disse algo que me chocou muito. Que a sua, Marcos, saiu sorrindo da casa.
ADRIANA: - Ela colocou fogo na minha casa?!
 
Adriana chora. Os convidados começam a comentar.
 
CIDÁLIA: - Mas que loucura! A troco de quê ela faria isso, meu Deus?
ADRIANA: - A Onira, mamãe, é racista. Por isso que ela não veio ao casamento. Por isso que ela não foi ao nosso jantar.
TENÓRIO (a Marcos): - Isso é verdade?
MARCOS: - A minha mãe nunca a favor do nosso namoro. Quando eu disse que íamos casar então, ela perdeu completamente a noção do juízo.
ROBERTO: - A sua mãe passou de todos os limites!
ADRIANA: - Eu não posso acreditar que isso esteja acontecendo... (caminha até o centro do salão)
 
Todos os convidados olham para ela. Marcos se aproxima.
 
MARCOS: - Meu amor.
ADRIANA (cai de joelhos): - Eu não mereço isso no dia mais feliz da minha vida! (chora) Não, Marcos!
 
CIDÁLIA: - Precisamos fazer alguma coisa!... Isso não pode ficar assim.
ROBERTO: - Eu vou atrás da Onira e é agora!
CIDÁLIA: - Vou com você.
TENÓRIO: - Eu também/
CIDÁLIA: - Não, Tenório. Fique com a Adriana e com o Marcos. Eles precisam de apoio...
TENÓRIO: - Está certo.
 
Roberto e Cidália saem. Enquanto isso, Gisa, Lívia, Jonas e Rafael aproximam-se dos noivos, que choram juntos. A música já parou. Clima é triste no salão.
 
ADRIANA: - A minha casa, Gisa, está em cinzas!
GISA: - Ai meu Deus, que pecado!
MARCOS: - A minha mãe... Ela provou o quão amarga ela é. Isso foi crime! Muito mais que uma simples rejeição.
RAFAEL: - Calma, Marcos... É a sua mãe.
MARCOS: - Que mãe é essa, Rafael, que faz isso com um filho no dia do seu casamento? É amor isso? Não, isso é egoísmo, doença! É tudo, menos amor!
ADRIANA: - E agora, eu vou morar aonde, gente? E as minhas coisas? As nossas coisas, Marcos!
LÍVIA: - Adriana, no que vocês precisarem, eu estou aqui, está bem?
 
Adriana segura a mão de Lívia, que a afaga, carinhosa.
 
ADRIANA: - Obrigada.
 
Tenório se aproxima, acode Adriana.
 
TENÓRIO: - Vem, minha filha... Vamos sentar ali na mesa.
 
Adriana se levanta, acompanhando Tenório. Ela e Marcos se olham.
 
MARCOS: - Desculpa.
ADRIANA: - Você não precisa se desculpar de nada, Marcos. É vítima também.
MARCOS: - Eu vou até lá a nossa casa. Quero ver tudo.
RAFAEL: - Marcos, melhor não. Só vai trazer mais tristeza.
MARCOS: - Eu não posso ficar aqui parado sabendo que tudo o que a gente ganhou, conquistou, está em chamas ou em cinzas já...
ADRIANA: - Eu também quero ir.
MARCOS: - Vamos então.
TENÓRIO: - Calma! Eu vou com vocês.
 
Adriana, Marcos e Tenório saem. Jussara se junta a eles e vai embora também.
 
GISA: - E agora gente? O que a gente faz? E esse povo todo aí!
LÍVIA: - Vamos ter que avisar aos convidados que a festa infelizmente acabou.
RAFAEL: - Eu vou.
JONAS: - Eu vou acompanhar o Marcos, Lívia.
LÍVIA: - Tá certo. Eu vou com você.
 
Lívia e Jonas saem, enquanto Rafael sobe ao palco.
 
RAFAEL: - Eu gostaria de pedir a atenção e compreensão de todos vocês.
 
Os convidados prestam atenção em Rafael.
 
RAFAEL: - Infelizmente, os nossos queridos noivos tiveram um imprevisto, urgente, mas que já está sendo resolvido. Porém, a festa deverá ser encerrada. Peço, novamente, a compreensão de todos e tenham uma boa noite.
 
As pessoas comentam, ficam sem entender. Rafael volta para a mesa, onde Marilu, Fabrício e Vitória permanecem.
 
MARILU: - O que aconteceu, Rafael?
RAFAEL: - Uma tragédia...
VITÓRIA: - Ai Rafa! O que foi?
RAFAEL: - Parece que a mãe do Marcos colocou fogo na casa da Adriana.
FABRÍCIO: - Como é que é?
MARILU: - Gente, estou chocada!
 
Alguns convidados já começam a ir embora.
 
CENA 09. CASA CHARLOTE. SALA DE JANTAR / SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
 
Após a refeição, todos saem da sala de jantar e seguem para sala de estar. Demétrio, Isabela, Conrado e Breno seguem na frente. Carla vai saindo, quando Charlote a interrompe.
 
CHARLOTE: - Você e o Breno se conhecem há muito tempo?
CARLA: - Sim. Há um bom tempo.
CHARLOTE: - Certamente então, você deveria saber que ele tinha uma namorada e era muito feliz com ela.
CARLA: - Eu soube que ele teve uma namorada sim. Agora, se era feliz ou não, isso eu não posso afirmar.
CHARLOTE: - Eu não quero parecer chata, nem grosseira com você. Mas tem uma coisa aí nessa história que não está certa. Vocês dois/
CARLA: - A senhora quer saber se eu e o Breno éramos amantes? Não. O Breno, até onde eu sei, sempre foi muito fiel com a Mayra.
CHARLOTE: - Ah, você a conhece?
CARLA: - Sim. Ela é filha do meu ex-namorado.
CHARLOTE (surpresa): - Como?!
CARLA: - É uma história um tanto confusa... No fundo até engraçada (ri). Mas eu e Breno, como ia dizendo, nos conhecemos bem antes de existir Mayra, o pai dela, enfim... É caso antigo.
CHARLOTE: - Caso antigo?!
 
Nesse instante, Breno se aproxima.
 
BRENO: - Dona Charlote, já checando todas as informações sobre a Carla é?
CHARLOTE (sem graça): - Breno!...
CARLA: - Sua mãe estava perguntando há quanto tempo a gente se conhece.
BRENO: - Ih, mamãe. Eu e a Carla somos caso antigo. (ri)
CARLA: - Não disse, dona Charlote? (ri)
 
Charlote se mostra surpresa, dá um sorriso amarelo. Breno pega Carla pela mão, a leva para sala. Charlote acompanha. Na sala, Conrado e Isabela sentados lado a lado.
 
CONRADO: - Eu nem preciso dizer que gostei e muito de ter você novamente na Flash Paulista, meu amor!
ISABELA: - Também gostei do retorno.
DEMÉTRIO: - Eu até agora não sei nem porque ela tinha saído de lá!
ISABELA: - Ai, papai... Eu estava confusa com tudo o que estava acontecendo. Mas não reclamo nem me arrependo. Foi bom que tenha sido dessa forma. Senão fosse assim, o meu retorno não seria tão bacana como está sendo.
CHARLOTE: - Eu sempre achei que você fosse voltar, minha filha.
CONRADO: - Eu também, dona Charlote. (ri)
BRENO: - E ela voltou em grande estilo, levando um brinde na barriga.
 
Todos riem.
 
CARLA: - Pra quando é o bebê, Isabela?
ISABELA: - Daqui a cinco meses...
CHARLOTE: - Cinco meses passa tão rápido...
CARLA: - Menino ou menina?
CONRADO: - Menino.
ISABELA: - A gente ainda não sabe!... Eu acredito que seja menina. Mas, de qualquer forma, eu pretendo saber o sexo apenas na hora do parto.
CONRADO: - Enquanto isso, o enxoval vai sendo branco, verde, amarelo... Nada de muito azul ou rosa. (risos)
DEMÉTRIO: - Pra que esperar até nascer? Não é mais fácil saber o sexo antes?
CONRADO: - Mulheres, seu Demétrio. Sempre na espera por surpresas...
ISABELA: - E vocês, homens, sempre querendo o prático. A vida é boa porque há surpresas também.
BRENO (encara Carla): - Eu é que sei o valor de uma surpresa na vida.
 
Os dois sorriem, carinhosos.
 
ISABELA: - Hummm... Vejo corações surgindo no ar! (risos)
BRENO: - Ah, para com isso!
DEMÉTRIO: - Mas é um meloso, esse Breno! Bem que eu disse que a sua mãe te mimava demais.
CHARLOTE: - Lá vem ele implicar!... Carinho de mãe, apenas!
 
Eles riem e seguem conversando animados.
 
CENA 10. MANSÃO TARCÍSIO. QUARTO ELIZABETH. INT. NOITE.
 
Elizabeth entra em seu quarto, desapontada. Senta-se na cama e chora. MUSIC ON: Mentiras – Adriana Calcanhoto
 
FLASHBACK. CAP. 39. CENA 04. APTO JORGE. INT. NOITE.
 
Elizabeth beija Jorge, que a afasta de si.
 
JORGE: - Por favor, Elizabeth. Não podemos seguir adiante nisso.
ELIZABETH: - Mas/
JORGE: - Eu estou com a Rosa.
ELIZABETH: - Mas a Rosa não/
JORGE: - O sentimento que eu sinto por você não é maior do que eu sinto por ela. Eu estou realmente apaixonado pela Rosa.
 
Volta à cena atual.
 
Elizabeth deita-se na cama, enxuga as lágrimas.
 
ELIZABETH: - O meu problema não é amar... É ser amada. Ah, se eu pudesse aliviar essa dor aqui no peito!...
 
MUSIC FADE OUT.
 
CENA 11. CASA ADRIANA. EXT. NOITE.
 
Marcos, Adriana e Tenório observam os bombeiros apagarem alguns poucos focos de incêndio. A casa está totalmente destruída. Adriana, ajoelhada no chão, totalmente desolada. Marcos aproxima-se dela, a abraça. Tenório observa, também entristecido com a situação.
 
JONAS: - Isso é um crime bárbaro... Qual o motivo pra fazer isso?!
LÍVIA: - Uma mãe estragar dessa forma a felicidade do filho. Deve ser duro para a Adriana, por perder a casa, mas mais ainda, para o Marcos, em saber que foi a própria mãe quem provocou esse estrago todo.
JUSSARA: - E ela, toda cheia da pose. Me pareceu até uma boa pessoa...
TENÓRIO: - A mãe dele, uma mulher racista. É inacreditável que nos tempos de hoje, isso ainda seja uma praga!
JONAS: - Pessoas que vivem na intolerância. Uma pena. A vida vai ensinar pra ela uma bela lição.
 
Lívia vai até Marcos e Adriana.
 
LÍVIA; - Adriana, Marcos. Eu quero muito que vocês vão lá pra casa. O momento é difícil e vocês precisam ter onde ficar também.
ADRIANA: - Ai, Lívia, eu nem sei como agradecer.
LÍVIA: - Agradeça aceitando a minha solidariedade. Eu desejo do fundo do coração que tudo isso seja superado por vocês. E eu sei que será.
MARCOS: - Obrigado, Lívia. E se realmente não for incômodo, a gente aceita sim a sua ajuda.
LÍVIA: - Não será incômodo nenhum. E vocês ficar lá o tempo que precisarem.
 
CENA 12. APTO ONIRA. INT. NOITE.
 
Onira na sala, degustando o seu vinho. Vai até o rádio, coloca um cd. A música começa a tocar e Onira, segurando a taça de vinho, dança sozinha, cantarolando a música.
 
ONIRA: - Essa música bem que poderia ser pra você, Marcos... “Quando você me deixou, meu bem... Me disse pra ser e passar bem. Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci” (ri) Mas isso não vai ser costume, Marcos... (bebe um gole) “Quando você precisar rever, já vai me encontrar refeita, pode crer...”
 
A campainha toca.
 
ONIRA: - Será que a música está incomodando algum vizinho? essa gente não gosta nem do barulho de uma agulha caindo no chão.
 
Onira abre a porta. CAM foca Roberto e Cidália. Onira os encara.
 
ONIRA: - Boa noite!
ROBERTO: - Precisamos conversar.
ONIRA: - Eu não tenho nada para falar com você, Roberto.
ROBERTO: - Mas eu tenho muita coisa pra falar com você. Eu não, nós temos. Essa aqui é a Cidália, mãe da Adriana.
 
Onira encara Cidália.
 
CIDÁLIA: - Finalmente... Prazer em conhecê-la.
ONIRA: - Não sei se posso dizer o mesmo.
CIDÁLIA: - Pode sim. Tenho certeza que depois da nossa conversa, você vai ter adorado me conhecer. (entrando) Com licença.
 
Cidália passa por Onira, que se surpreende com a atitude dela. Roberto também entra.
 
ONIRA: - É uma invasão? Vão entrando na casa dos outros sem ser convidados?
CIDÁLIA: - Exatamente o que você fez na casa da minha filha.
ONIRA: - Eu?! Não sei do que vocês estão falando.
ROBERTO: - Estamos falando dessa barbaridade que você fez com a Adriana e principalmente, com o seu filho, Onira.
ONIRA: - Eu não tenho filho.
CIDÁLIA: - Percebe-se. Isso que você fez não é atitude de mãe.
ONIRA: - Escute aqui/
CIDÁLIA: - Escute aqui você, sua desequilibrada!... Eu sou uma pessoa que crê nos ensinamentos divinos. Nas lições que pregam a paz do espírito e a harmonia entre os homens. Infelizmente, você transpassou o limite da maldade e da falta de fé, destruindo a felicidade não apenas da minha filha, mas do seu filho também.
ONIRA: - A macumbeira querendo dar lição de moral.
ROBERTO: - Onira!
ONIRA: - O que foi? Eu já fui catequizada, minha querida!
CIDÁLIA: - Eu sou uma pessoa que sabe o que são valores, virtudes. Sabe o que significa respeitar escolhas, e acima de tudo, diferenças.
ONIRA: - Eu também sei.
CIDÁLIA: - Tocar fogo na casa de uma pessoa é respeitar as diferenças? Estamos aonde, no período das guerras bárbaras?
ONIRA: - Eu respeitei até o ponto onde fui desrespeitada... Eu avisei, várias vezes, para a sua filha se afastar do Marcos. Mas não adiantou. Ela conseguiu tirar ele de casa!
ROBERTO: - Eles se amam, Onira! Você precisa aceitar!
ONIRA: - Eu não aceito! Não aceito que meu filho destrua a vida dele ao lado de uma pessoa que não tem condições de acompanhar o seu crescimento na vida!
CIDÁLIA: - A Adriana é uma ótima profissional, uma pessoa de princípios.
ONIRA: - Vamos ficar nós duas aqui, cada uma defendendo a sua cria e não chegaremos a nenhuma razão.
 
As duas ficam a se encarar por um instante, em silêncio. Roberto observa, atento.
 
CIDÁLIA: - Você tem medo.
ONIRA: - Medo?! (ri, debochada)
CIDÁLIA: - Medo que seu filho seja feliz ao lado de uma negra. Medo que uma negra consiga conquistar um espaço de adoração no coração do filho. Espaço que você sempre achou ser seu. De fato, eu não duvido que não era, mas esse preconceito idiota só fez você virar um peso, ao invés de conforto pra ele... (pausa) O preconceito, Onira, é uma reação do nosso ser a algo que a gente considera novo, ou mesmo, na maioria das vezes, abomina sem conhecer. Não te culpo por ter preconceito. Eu também tenho os meus, todos nós temos... O que eu não tolero é que você transforme esse preconceito em discriminação. Isso sim, eu não perdoo.
ONIRA: - Eu não quero o seu perdão. Aliás, quero que você saia logo daqui, antes que a minha casa fique cheirando igual à gente da sua cor... Cheiro de sujeira.
ROBERTO: - Modere as suas palavras, Onira!
CIDÁLIA: - Eu vou, mas antes te darei dois recados. O primeiro é de que, no caminho, entrei em contato com os meus advogados. A senhora irá responder na justiça pelos crimes que cometeu.
ONIRA: - Eu não cometi crime nenhum!
CIDÁLIA: - A justiça vai dizer se isso é verdade ou não.
ONIRA: - E o segundo recado? Fala logo e vai embora!
 
Cidália aproxima-se de Onira e lhe acerta um tapa no rosto.
 
CIDÁLIA: - Minha filha nunca lhe ergueu um dedo. Mas como toda mãe, eu irei sempre defendê-la. Isso é por tudo o que ela ouviu. Tudo de ruim que ela sentiu e sofreu desde que você surgiu na vida dela.
ONIRA: - Isso não vai ficar assim...
CIDÁLIA: - Pode ter certeza que não vai mesmo. Nos veremos diante do juiz.
 
Cidália vai embora.
 
ONIRA: - E você, meu irmão, não vai fazer nada?
ROBERTO: - Eu irei depor contra você, Onira. Pode ter certeza. Você vai pagar por tudo o que fez. E o pior não é nem isso... O pior é ficar sozinha, sem ninguém pra te amparar.
 
Roberto sai. Onira vai até a porta.
 
ONIRA: - Eu prefiro ficar sozinha do que convivendo com essa gente imunda! (bate a porta) Nunca... Nunca!
 
Onira sai apressada até o banheiro, abre a torneira e lava o rosto, no lado onde levou o tapa. Esfrega de forma rápida, apreensiva. Está atordoada.
 
ONIRA: - Nunca mais essa gente vai encostar em mim. Eu não fiz nada! Só fiz o que era necessário. Eles vão ver que eu estou certa...
 
CENA 13. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.
 
Aos poucos, os convidados vão deixando o local da festa.
 
RAFAEL: - Vamos indo, Marilu?
MARILU: - Vamos sim.
RAFAEL: - Vitória, Fabrício, aceitam carona?
VITÓRIA: - Não, Rafa, obrigada.
 
Marilu despede-se de Fabrício e se aproxima para beijar Vitória, que sorri, falsa. Marilu e Rafael vão embora. Vitória limpa o beijo de Marilu.
 
FABRÍCIO: - Por que você fez isso?
VITÓRIA: - Eu não fiz nada...
FABRICIO: - Você acabou de limpar o beijo que a Marilu te deu. Por que você não gosta dela?
VITÓRIA: - Eu não disse nada disso, Fabrício.
FABRÍCIO: - Nem precisava dizer... Eu to percebendo que vocÊ está bem estranha ultimamente, Vitória. Desde que seu irmão e a Marilu começaram a se relacionar. O que é?
VITORIA: - Ai, Fabrício, chega de perguntas... Vamos embora? Eu estou cansada... E essa situação toda aqui no casamento, tá me deixando ainda mais pra baixo.
FABRÍCIO: - Vamos sim...
 
Enquanto isso, em outra mesa, Gisa e Almir conversam.
 
GISA: - Coitada da Adri, Almir! Ela não merecia isso! Nunca!
ALMIR: - Ninguém merece uma coisa dessas... A sogra botando fogo na casa!
GISA: - Bem que a Adriana tinha comentado que essa mulher não é flor que se cheire. Mas não imaginei que ela fosse chegar a tal ponto pra impedir o casamento.
ALMIR: - Essa mulher precisa de tratamento.
 
Num outro ponto, Tatiana e Plínio caminham em direção À saída.
 
PLINIO: - Poxa, o chefinho deve estar arrasado.
TATIANA: - Pelos comentários, a mãe dele que causou tudo isso.
PLÍNIO: - Ela já tinha ido lá na agência uma vez. E a conversa deles não foi muito boa não. Ela era contra o namoro, com certeza pirou quando ficou sabendo do casamento.
TATIANA: - A Lívia vai ajudar eles. Espero que fiquem bem. Uma festa tão bonita acabar triste deste jeito.
 
Kléber se aproxima deles.
 
KLÉBER: - E aí pessoal, estão indo embora?
TATIANA: - Já sim.
KLÉBER: - Posso pegar uma carona?
PLÍNIO: - Claro, chega junto.
KLÉBER: - Escuta, o que aconteceu afinal hein? Escuto diversos comentários por aí. A casa da noiva pegou fogo, é verdade?
TATIANA: - A sogra botou fogo lá!
 
Os três seguem conversando.
 
CENA 14. CASA LÍVIA. INT. NOITE.
 
Lívia chega em casa, com Jonas, Marcos e Adriana. Jonas segue para a cozinha.
 
LÍVIA: - Marcos, Adriana, fiquem à vontade, está bem?
MARCOS: - Obrigado, Lívia.
 
Adriana senta-se no sofá, inconformada.
 
ADRIANA: - Estava tudo tão lindo, tão perfeito... Era pra ser o dia mais feliz da minha vida.
LÍVIA: - Adriana, fique calma... As coisas vão se resolver... Você teve sim um dia especial. Todos nós adoramos tudo! A festa, a cerimônia, a sua alegria contagiante. Pode ter certeza que todas as pessoas que estavam lá, estão agora torcendo e muito pela felicidade de vocês.
 
Jonas chega na sala, trazendo água para os noivos.
 
JONAS: - Tudo vai se resolver.
MARCOS: - Minha mãe passou de todos os limites.
LÍVIA: - Vamos evitar de falar disso agora. Vocês estão exaustos. Lá em cima, no quarto de hóspedes, tem toalha, roupão. Tomem um banho de banheira, relaxem, procurem dormir. Amanhã, com a cabeça mais fria, a gente vê o que pode fazer.
ADRIANA: - Eu nem consegui falar com a minha mãe...
MARCOS: - Ela e o seu pai vão ficar bem. Estão hospedados na casa do meu tio. Amanhã eles passam por aqui.
JONAS: - Agora vamos dormir pessoal. A noite foi cheia.
 
CENA 15. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER
 
Imagens de São Paulo ao amanhecer. Mostra o sol nascendo por entre os prédios da “Selva de Pedra”.
 
CENA 16. CASA INÊS. INT. DIA.
 
Corta para a fachada da casa de Inês. Na sala de jantar, Alfredo toma seu café da manhã, lendo jornal. Inês chega logo em seguida.
 
INES: - Bom dia, meu amor!
ALFREDO: - Bom dia, querida. (concentrado na leitura)
INÊS: - O que tem aí nesse jornal? Está tão compenetrado! (risos)
ALFREDO: - Acredita que  um casal de noivos teve sua casa incendiada pela mãe do rapaz, que era contra o casamento?
INÊS: - É sério isso?!
ALFREDO: - Está aqui no jornal!... Mas o pior você nem sabe. O crime foi motivado pelo fato da mãe do noivo  não aceitar o casamento do filho com uma negra.
INÊS: - Meu Deus! Mas em que mundo nós estamos!
ALFREDO: - É triste saber que o racismo no Brasil ainda existe. Aliás, existe em tudo quanto é lugar.
INÊS: - Intolerância pura!... Pobre desse casal...
ALFREDO: - E aqui diz que a noiva não é médica cardiologista e que a casa era avaliada em mais de quatrocentos mil reais. Ou seja, ela tinha uma ótima condição de vida.
INÊS: - E o preconceito racial vê cifras por acaso?
ALFREDO: - É verdade. Não importa se é rico ou pobre, o preconceito está ali, agindo contra... Muitas vezes, o negro rico não é bem quisto, e sim, é tolerado. Mas isso certamente por influência do dinheiro. Se é pobre, é tratado de forma torpe.
INÊS: - Eu ainda prefiro aquela atitude nua e crua, na minha frente, do que a falsidade de um sorriso. Isso é o pior de tudo... Ah, eu só desejo felicidade pra esse casal. Que eles consigam superar isso tudo. E que a mãe desse cara pague pelo o que fez. Ela não pode sair impune.
 
Nesse instante, Nice entra na sala.
 
NICE: - Bom dia, seu Alfredo, dona Inês.
ALFREDO: - Bom dia, Nice.
INÊS: - Como vai Nice?
NICE: - Tudo bem... Eu já fiz a lista de compras e estou indo no mercado com o Moisés. Era só aquilo mesmo que a senhora tinha pedido ontem?
INÊS: - Acho que sim, Nice. Não esqueci de nada não.
NICE: - Bom, então eu vou indo.
INÊS: - Obrigada.
 
Nice se retira.
 
INÊS: - Já estou me organizando para a sua festa de aniversário.
ALFREDO (surpreso): - Minha festa?! Mas eu disse que não precisava... E ainda faltam uns dias!
INÊS: - Deixa de bobagem, Alfredo! Todos os anos a gente comemora. Não seria diferente neste ano. (ri)
 
CENA 17. APTO RAFAEL. QUARTO. INT. DIA.
 
Marilu e Rafael deitados na cama. Ele dormindo ainda. Ela acordada, pensativa.
 
FLASHBACK. CAP 38. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.
 
Casamento Marcos e Adriana. Rafael e Marilu dançam.
 
MARILU: - Você gosta mesmo de mim, Rafael?
RAFAEL: - Lembra que eu te falei que hoje poderia seu dia
de sorte?
MARILU: - Lembro sim. Eu até peguei o buquê da noiva!
(risos)
RAFAEL: - E o que acontece com quem pega o buquê?
MARILU: - Segundo a tradição, quem pega o buquê significa
que vai ser a próxima pessoa a casar...
 
Marilu encara Rafael.
 
MARILU: - Você não/
RAFAEL: - Você quer se casar comigo, Marilu?
 
Volta à cena atual.
 
Marilu levanta-se da cama, vai para o banheiro. Encara-se em frente ao espelho.
 
MARILU: - Casar com o Rafael... Finalmente a sorte olhou pra mim. (pausa, observa-se com mais frieza) Eu não posso ficar com o Alexandre no meu pé. Agora que eu já atingi o meu objetivo, posso muito bem botar aquele trouxa no lixo.
 
Ela fica a se encarar diante do espelho.
 
CENA 18. APTO ISABELA. INT. DIA.
 
Vitória vai até o apto de Isabela.
 
ISABELA: - Pensei que você não fosse conseguir vir aqui cedo, depois da festança de ontem.
VITÓRIA: - Que nada, Isabela. A festa de ontem, infelizmente, acabou cedo. Uma tragédia.
ISABELA: - Tragédia?! Como assim?
VITÓRIA: - Parece que a mãe do noivo, contra o casamento, incendiou a casa da noiva. Coisa de cinema.
ISABELA: - Gente, que mulher louca!
VITÓRIA: - Tudo porque a noiva é negra, acredita?
ISABELA: - Posso acreditar. Racismo ainda é uma praga. Gente como essa louca precisa ser presa, pagar por tudo.
VITÓRIA: - Uma pena. A festa foi lindíssima! Desde a cerimônia na igreja, até a recepção no Europa-Brasil. Até show de escola de samba teve. E eu me arrisquei nuns passos. (ri)
ISABELA: - Não creio! (ri) E sua futura cunhada, estava lá?
VITÓRIA: - Aquela falsa... Estava sim. Muito bem vestida por sinal. E ainda pegou o buquê da noiva!
ISABELA: - Mas tem mais sorte que juízo essa Marilu!
VITÓRIA: - Eu tive que me controlar e muito para não arranhar a cara dela. Ela é muito falsa, sempre se fazendo de amiguinha!... Não sei como eu aguentei, Isabela!
ISABELA: - Eu sei que é difícil, Vitória, lidar com gente assim. Mas agora você vai ter que incorporar o espírito falso dela.
VITÓRIA: - Como assim?
ISABELA: - É hoje que você vai tentar pegar a prova que pode finalmente incriminar a Marilu. E pra isso, você vai ter que ser tão falsa quanto ela.
VITÓRIA: - Será que eu consigo?
ISABELA; - Você precisa tentar...
VITÓRIA: - E qual o plano?
ISABELA: - Eu já falei com o Jorge e ele vai te acompanhar. O plano é o seguinte...
 
Isabela vai contando o plano para Vitória, que fica atenta a todos os detalhes.
 
CENA 19. CASA LÍVIA. INT. DIA.
 
No café da manhã, Lívia, Marcos, Adriana, Cidália e Tenório conversam.
 
ADRIANA: - Como passaram a noite, mamãe?
CIDÁLIA: - Tudo bem, minha filha. O Roberto nos acolheu na casa dele.
TENÓRIO: - E vocês, como passaram?
ADRIANA: - Eu até que consegui dar uns cochilos... Mas o Marcos não dormiu nada.
MARCOS: - Impossível pregar o olho diante de tudo o que aconteceu.
LÍVIA: - Mas é preciso descansar, Marcos.
MARCOS: - Eu tentei, Lívia... Mas não dá. É difícil pra mim.
TENÓRIO: - Está sendo difícil para todos...
 
Jonas chega na sala, senta-se à mesa.
 
JONAS (a Lívia): - Falei com a minha mãe. O Pedro está bem. Dormiu a noite inteira.
LÍVIA: - Bom que ela pode ficar com ele pra gente ir ao casamento.
CIDÁLIA: - Pedro é o filho de vocês?
LÍVIA: - Não... Apenas meu filho.
JONAS: - Eu a Lívia não temos filhos. Ainda.
 
Os dois se olham.
 
MARCOS: - Você falou com a minha mãe, dona Cidália?
CIDÁLIA: - Sim, Marcos... Não foi um encontro muito amistoso.
MARCOS: - Ela destratou a senhora?!
CIDÁLIA: - Tentou, mas não conseguiu... Triste um filho tão bom como você, ter uma mãe com este tipo de consciência, atitude...
ADRIANA: - E o que ela disse, mamãe?
CIDÁLIA: - Ela acha que está certa, oras.
TENÓRIO: - Não dá pra acreditar.
CIDÁLIA: - O ato de discriminação que ela cometeu será levado ao conhecimento da Justiça, Marcos.
MARCOS: - Concordo...
ADRIANA: - Tem certeza, meu amor?
MARCOS: - Adriana, a minha mãe perdeu completamente a noção do bom senso, do respeito. Ela precisa aprender a respeitar as pessoas. Não há justificativa plausível para o que ela fez.
ADRIANA: - Eu só perguntei porque é a sua mãe...
MARCOS: - Eu sei que vai doer, mas só assim para ela saber que tudo tem uma consequência.
LÍVIA: - Vocês podem contar comigo para o que precisarem. E não preciso lembrá-los que a minha casa está aberta para vocês o tempo que for. Não se apressem.
ADRIANA: - Obrigada, Lívia. Você está sendo de uma bondade enorme com a gente. Fico muito feliz.
LÍVIA: - Vocês são pessoas boas comigo também, Adriana. Merecem.
JONAS: - E quanto a agência, Marcos, pode ficar tranquilo, porque eu e  Plínio vamos tocando tudo lá.
MARCOS: - Valeu Jonas... Pelo menos por hoje, eu não estou com cabeça pra trabalho...
CIDÁLIA: - Eu e o Tenório conversamos com nossos advogados, filha. Eles virão para São Paulo. Vamos mover um processo contra a Onira. Ela vai sim, pagar por tudo que fez contra vocês dois.
 
Adriana se abraça em Marcos, que se mantém firme.
 
CENA 20. PENSÃO BEM QUERER. INT. DIA.
 
Kléber, Tatiana e Plínio comentam o ocorrido no casamento com Alaíde e Oscar, durante o café.
 
ALAÍDE: - Mas não me diga que aconteceu tudo isso?!
PLÍNIO: - Maior chororô da noiva, dona alaíde. Foi triste de ver.
TATIANA: - O que mais me deixou chocada foi o fato da mãe do noivo ter causado tudo isso! Mulher louca!
KLÉBER: - Não gostava da noiva só porque é negra.
OSCAR: - Mas que gente ignorante! Essa mulher tem que ser presa!
ALAÍDE: - Pobre dos noivos... Tanto ela quanto ele né... Com uma mãe dessas!...
 
Pedro chega na sala.
 
PEDRO: - Bom dia! (senta-se à mesa)
OSCAR: - Bom dia, campeão! Vem tomar seu café porque hoje eu é que vou te levar pra escola.
PEDRO: - E a minha mãe, não vem?
ALAÍDE: - Ela está trabalhando, Pedro. Mas vai buscar você na escola. Agora toma seu café pra não se atrasar.
 
Neste instante, Louise chega.
 
LOUISE: - Bom dia!
KLÉBER (surpreso): - Louise?
LOUISE: - Ai, que bom encontrar você! Tem um tempinho?
KLÉBER: - Claro. Vamos ali na outra sala.
 
Kléber e Louise vão para a sala de estar.
 
KLÉBER: - Surpresa boa ver você aqui.
LOUISE: - Eu estava contando as horas pra ver você. Eu preciso te falar uma coisa.
KLÉBER: - O que foi?
LOUISE: - Eu tive um sonho.
KLÉBER: - E...?
LOUISE: - E nesse sonho, você era um pop star da música, Kléber!
KLÉBER: - Nossa, que bacana!
LOUISE: - E eu fiquei martelando esse sonho na minha cabeça depois que eu acordei... Kléber, eu conheço uns caras que manjam de produção, sabe?
KLÉBER: - Sei...
LOUISE: - Kléber, eu acho que esse meu sonho foi uma previsão do que está te esperando no futuro.
KLÉBER: - Espera aí. Você acha que eu vou ser um astro da música?
LOUISE: - Eu não acho, meu querido. Tenho certeza!
KLÉBER: - Você está bem, Louise?
LOUISE: - Estou ótima, meu bombom!... Raciocina. Você toca sax como ninguém. Eu nunca ouvi nada igual. Tem tudo para estourar!... Teus amigos, todos tocam bem. Imagina, vocês montando uma banda, tocando nas casas de shows, fazendo sucesso por aí.
KLÉBER: - Eu só toquei em barzinhos, Louise.
LOUISE: - Mais um motivo, meu querido!... Eu não tenho muito dinheiro agora. Na verdade, não tenho quase nada. Mas eu tenho os contatos. Eu posso ajudar você a chegar até o sucesso!... Você quer ou não quer?
KLÉBER: - Sei não... Isso tá tudo tão confuso.
LOUISE: - Meu querido, confia em mim! Eu sei bem como fazer.
KLÉBER: - Você tem experiência nesse ramo?
LOUISE: - Não... Mas eu aprendo. A gente aprende junto!... Kléber, vamos arriscar! se não der certo, a gente continua como tá. Mas se dá certo, Kléber, inúmeras portas se abrirão pra você e para o seu talento. E eu estarei junto, é claro. Até porque, você vai fazer sucesso e as mulheres vão querer tudo de você, vão ficar histéricas, gritando seu nome, puxando sua roupa, querendo sua cueca.
KLÉBER (ri): - Louise!
LOUISE: - Eu sei como é fã, meu amor. Eu já fui uma, fanática pelo Queen. Uma vez, quando eu era jovem / isso há pouco tempo, tá? Porque eu ainda estou podendo!... Num show da banda, em Londres, driblei a segurança e arranquei a regata do vocalista! (ri) Lógico, depois fui expulsa do local do show.
KLÉBER: - E a regata, ainda tem?
LOUISE: - Eu tive que vender pra conseguir a passagem de volta para o Brasil.
 
Os dois riem.
 
LOUISE: - Promete que pensa com carinho na minha proposta?
KLÉBER: - Prometo.
 
Os dois se beijam.
 
CENA 21. EMPRESA AMARO. INT. DIA.
 
Rafael e Lívia chegam juntos ao estacionamento da empresa.
 
RAFAEL: - Bom dia, Lívia.
LÍVIA: - Como vai, Rafael?
RAFAEL: - Tudo bem... Quero dizer, um pouco chateado pelo o que aconteceu no casamento.
LÍVIA: - Que coisa horrível... O Marcos e a Adriana ficaram lá em casa. Estavam inconsoláveis.
RAFAEL: - Eu posso imaginar. Não sabia que a mãe do Marcos era contra ao casamento, ao ponto de chegar à esse nível.
LÍVIA; - Ela precisa de ajuda, de tratamento.
RAFAEL: - Ou não. Há quem faça isso por pura maldade mesmo, tendo a real consciência dos seus atos... Fico feliz em saber que você os ajudou.
LÍVIA: - Eu só fiz o que achava certo. Até porque, eles são pessoas boas.
RAFAEL: - Você sempre com esse coração enorme.
 
Os dois ficam a se olhar. De repente, Marilu chega, de táxi, ao local e não gosta de ver Rafael e Lívia juntos.
 
MARILU: - Rafael!
 
Lívia e Rafael disfarçam. Marilu chega sorridente, abraça Rafael.
 
MARILU: - Como vai, (sussurra) querido?
RAFAEL: - Tudo bem.
MARILU: - Lívia.
 
Lívia dá um sorriso amarelo, forçado.
 
MARILU: - E então, o que o presidente e a sua diretora fazem sozinhos aqui no estacionamento?
RAFAEL: - Apenas conversávamos sobre o casamento de ontem.
MARILU: - Ah sim, aquela tragédia. Uma pena...
LÍVIA; - Bom, eu já vou indo. Bom dia pra vocês. (saindo)
MARILU: - Bom dia querida!
 
Lívia sai sem dar ouvidos. Marilu ri.
 
MARILU: - Ela não suporta me ver junto de você.
RAFAEL: - Um pouco normal, não acha? Eu e ela tivemos um romance.
MARILU: - Um caso. Um casinho... Romance você terá comigo, Rafael. (o beija) Co-mi-go.
 
Rafael sorri.
 
MARILU: - E ela não vai no nosso casamento.
RAFAEL: - Prometemos tratar da lista de convidados e de todos outros detalhes depois, lembra? Só depois do anúncio na festa.
MARILU: - Ok! Ok!
RAFAEL: - Agora vamos entrando porque tem bastante trabalho pra hoje.
 
CENA 22. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. INT. DIA.
 
Roberto conversa com Marcos e Adriana. A decoração do restaurante está sendo retirada. Há pouca coisa da festa. Os três conversam em uma mesa.
 
ROBERTO: - A sua mãe me pareceu muito certa, no sentido de, saber bem o que tinha feito. Ela não estava fora de si. Tinha noção do que fez. E o pior, parecia estar satisfeita.
ADRIANA: - Ela sempre quis isso. Me atingir. Só desta vez, ela atingiu o Marcos também.
MARCOS: - Sempre que ela fez alguma coisa contra você, estava fazendo contra mim também, Adriana.
ROBERTO: - A dona Cidália já avisou que vai falar com os advogados/
ADRIANA: - Ela já entrou em contrato. Vamos mover o processo.
 
Eles escutam passos de sapato de salto, caminhando pelo salão.
 
ROBERTO (incrédulo): - Essa não...
 
Adriana e Marcos se viram. Onira entra no local. Se mostra triunfante e os encara.
 
ONIRA: - Soube que o casamento foi um sucesso.
ROBERTO: - Onira! O que você está fazendo aqui?
ONIRA: - Eu vim saber das últimas do casório. Então, foi ou não foi um sucesso?... Ou melhor, gostaram do meu presente?
ADRIANA: - Mas isso é tripudiar em cima da própria insanidade! Você é louca, Onira!
ONIRA: - Louca foi você que se meteu na minha vida e na vida do meu filho.
MARCOS: - Para, mãe, vai embora!
ONIRA: - Meu filho! Eu só vim até aqui saber como você está!
MARCOS: - E como você acha que eu estou? Feliz? Alegre? Agradecido?
ONIRA: - Deveria.
 
Roberto aproxima-se de Onira, a pega pelo braço.
 
ROBERTO (firme): - Você vai sair daqui agora, está ouvindo?
ONIRA (soltando-se): - Me larga!... Antes, eu quero dizer umas boas verdades pra essa negrinha aí.
ROBERTO: - Você não vai dizer nada!
ONIRA: - Se você acha que vai fazer meu filho feliz, está muito enganada. Você não vai ser feliz, Adriana. Você não merece a felicidade! Você já é preta, escura! Todo o lado ruim está com você!
ADRIANA (entre dentes): - Cala a boca, sua cobra...
ONIRA: - Eu rezei tanto, mas tanto pra Deus me ajudar... Desde aquele dia em que o Marcos te levou lá em casa... O pior dia da minha vida. O meu filho se refestelando com uma negra!... O que mais de ruim poderia acontecer com ele? Que mãe deseja isso para um filho?! Nenhuma!
MARCOS (grita): - Já chega!
 
Marcos caminha firme em direção à Onira. Adriana tenta impedi-lo. Marcos está muito bravo.
 
ADRIANA (segura Marcos): - Não Marcos! É isso mesmo que ela quer! Ela quer briga, desavença! Não entra nesse jogo!
MARCOS: - Ela vai perder esse jogo, Adriana. É isso que ela vai fazer!
 
Marcos segura Onira pelos braços, firme. A encara com olhar cheio de raiva. Ela também o encara, séria.
 
ONIRA: - Vai bater na sua mãe?
 
Os dois ficam a se encarar por um tempo. Silêncio no local. Roberto e Adriana acompanham, apreensivos.
 
MARCOS: - Por mais que você mereça, eu não seria capaz disso... Mas uma coisa eu consigo fazer. Defender quem eu amo.
 
Marcos vai puxando Onira pelo braço para a saída do restaurante. Adriana e Roberto acompanham.
 
ROBERTO: - Marcos, por favor!
MARCOS: - Não fala nada, tio!
ONIRA: - Você está machucando o meu braço!
MARCOS (grita): - Cala a boca!
 
CENA 23. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. EXT. DIA.
 
Marcos sai com Onira para fora do restaurante. Avenida Paulista movimentada. Marcos empurra Onira na calçada. Ela cai. As pessoas se surpreendem.
 
ONIRA: - O que você está fazendo? Eu sou sua mãe!
MARCOS (grita/irado): - Eu não tenho mãe! (grita para as pessoas na rua) Essa mulher aqui não é minha mãe!... Eu não sou filho de um monstro da discriminação, do preconceito! Eu não sou!
 
As pessoas passam por Onira, se chocam com a cena.
 
MARCOS: - Você é um monstro!
ONIRA: - Marcos, por favor... (ergue a mão para ele)
 
Marcos empurra a mão de Onira. Aproxima-se dela.
 
MARCOS: - Um monstro!
 
Onira, sente-se humilhada. Adriana abraça Marcos e o leva de volta para o restaurante, acompanhados de Roberto. Onira, tenta se levantar. As pessoas passam, a olham com estranheza. Onira sente-se humilhada, rejeitada, com certa vergonha. Ela sai caminhando pela rua, um tanto atordoada.
 
Dentro do restaurante, Adriana se abraça em Marcos.
 
ADRIANA: - Meu amor...
MARCOS: - Agora eu estou bem, Adriana... Agora sim. Eu te amo. Nada vai nos abalar, nada mais.
 
Os dois se beijam e permanecem abraçados.
MUSIC ON: Body and soul -Tony Bennett e Amy Winehouse
 
CENA 24. PASSAGEM DO TEMPO
 
Imagens gerais da cidade de São Paulo. Os prédios, o trânsito, as pessoas caminhando pelas ruas do centro. A movimentação da metrópole.
MUSIC FADE OUT
 
CENA 25. CASA ROSA. INT. DIA.
 
Jorge e Rosa conversam, sentados lado a lado no sofá.
 
ROSA: - Adorei a sua surpresa, vindo aqui, me visitar.
JORGE: - Tirei um tempinho na delegacia pra vir aqui ficar com você.
ROSA: - Poderia fazer isso mais vezes, que eu não iria reclamar.
 
Se beijam.
 
JORGE: - Eu também queria te falar uma coisa, que aconteceu...
ROSA: - O que foi?
JORGE: - A Beth me procurou novamente.
ROSA: - Como é que é?!
JORGE: - Calma... Deixa eu falar...
ROSA: - Essa mulher não desiste!
JORGE: - Ela falou que gostava de mim... Enfim, se declarou.
ROSA: - Eu não acredito!
JORGE: - Mas eu disse pra ela que é com você que eu quero ficar. Que eu estou apaixonado por você, Rosa.
ROSA: - Jorge...
JORGE: - Não quero que você duvide disso. Não quero mesmo. O meu amor é todo seu.
 
Os dois se beijam novamente, apaixonados. De repente, Louise chega em casa, apressada.
 
LOUISE: - Olá! Opa! Atrapalhei o casal?
ROSA: - Não, imagina... (risos)
JORGE: - Como vai, Louise?
LOUISE: - Tudo bem, Jorge... Eu vou lá pro meu quarto, porque preciso resolver uns assuntos profissionais e/
ROSA: - Assuntos profissionais?
LOUISE: - Eu tive um sonho hoje, onde o Kléber era um super astro da música. Eu falei com ele e ele topou pensar no assunto. Mas eu quero ajudar ele a chegar ao estrelato!... Passei o dia inteiro zanzando na rua, indo atrás de casas de shows, produtoras... Agora eu vou lá pro meu computador ver se encontro o e-mail do meu amigo, Zezinho, que é produtor musical. Tenho certeza que vai dar certo.
ROSA: - É uma empreitada e tanto! Tomara que dê certo mesmo!
LOUISE: - Imagina! Eu, namorada de um astro da música?! Festas, shows, camarotes e entradas Vips! (ri)
ROSA: - O glamour que você sempre quis, né?
LOUISE: - Eu nasci pra isso, meu amor! Agora deixa eu ir lá... Podem ficar à vontade. (saindo) E Jorge, olha o comportamento com a minha amiga aí, hein!
 
Louise sai. Jorge e Rosa riem.
 
 
 
CENA 26. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER
 
Imagens de São Paulo ao anoitecer. Mostra os carros em movimento nas avenidas, as luzes dos prédios da cidade.
 
CENA 27. PENSÃO BEM QUERER. SALA. INT. NOITE.
 
Carla está bem vestida, dando os últimos retoques no visual em frente ao espelho. Alaíde e Oscar a observam, sentados no sofá.
 
ALAÍDE: - Ah, quando eu tinha a sua idade, Carla...
OSCAR: - Isso há pouco tempo atrás... (ri)
ALAÍDE: - Tinha esse gás da juventude!
CARLA: - Mas a senhora ainda tem esse gás, dona Alaíde. Não é mérito da juventude não. É coisa de amor...
OSCAR: - Amor é?
CARLA: - É, seu Oscar... Meu namorado vem me buscar pra gente sair para jantar.
ALAÍDE: - Que lindo!
CARLA: - Eu já fui na casa dele, conhecer a família. Agora ele vem me buscar pra conhecer a minha. Aliás, vocês já podem se arrumar.
ALAÍDE: - Como assim?
CARLA: - Eu falei que ele vem conhecer minha família. A minha família são vocês!...
OSCAR: - Mas Carla, é um jantar romântico.
ALAÍDE: - É mesmo, não cabe eu e o Oscar ficar lá, atrapalhando.
CARLA: - Não vão atrapalhar em nada!
 
A campainha toca. Carla atende. É Breno.
 
BRENO: - Demorei?
CARLA: - Não, ainda tem um tempo. (o beija)
 
Carla leva Breno até a sala.
 
CARLA: - Breno, esses são o seu Oscar e dona Alaíde. Donos da pensão e a minha família do coração.
BRENO: - Muito prazer.
CARLA: - Então, eu estou tentando convencê-los a ir com a gente jantar.
BRENO: - Espero que tenha conseguido.
ALAÍDE: - A gente não quer atrapalhar o jantar de vocês. Não há nada pior do que namorar com plateia.
BRENO: - Imagina, dona Alaíde. Será um prazer ter vocês conosco. E se a Carla fez um convite, são meus convidados também.
CARLA: - Vamos lá! Aceitem!
OSCAR: - Se vocês insistem tanto!...
ALAÍDE: - Eu preciso me arrumar então!
OSCAR: - E eu também!
BRENO: - Podem ir à vontade. A gente espera sem problemas.
 
Alaíde e Oscar saem apressados.
 
CARLA: - Qual o destino de hoje?
BRENO: - O melhor de são Paulo. Europa-Brasil.
 
Carla e Breno se beijam, felizes.
 
CENA 28. RUA. EXT. NOITE.
 
Vitória e Jorge no carro, estacionado quase em frente ao prédio de Marilu.
 
JORGE: - Está preparada?
VITÓRIA: - Estou um pouco nervosa, mas acho que consigo sim.
JORGE: - Toma cuidado, porque ela pode não estar sozinha.
VITÓRIA: - Sim, eu tomarei cuidado... Talvez seja até melhor eu ir pela escada, para não cruzar com alguém no elevador.
JORGE: - Ótimo. Faça isso. A Isabela já explicou tudo né?
VITÓRIA: - Já sim... Obrigada pela ajuda, Jorge.
JORGE: - Qualquer coisa, me liga. Eu estarei te esperando aqui.
 
Vitória encara Jorge, confiante.
 
CENA 29. APTO MARILU. INT. NOITE.
 
Marilu e Alexandre no apto.
 
ALEXANDRE: - Você tá toda estranha comigo desde que chegou. Aquela festa de ontem... Aconteceu alguma coisa.
MARILU: - Você sempre tão esperto. Não dá pra esconder nada de você!... Sim, aconteceu.
ALEXANDRE: - Fala aí então.
MARILU: - O Rafael me pediu em casamento.
ALEXANDRE: - Como é que é?
MARILU: - Finalmente! E mais rápido do que eu esperava!
ALEXANDRE: - Rápido mesmo!... Mas e agora, o que a gente faz?
MARILU: - A gente?!
ALEXANDRE: - Sim, eu e você. Estamos juntos nessa, esqueceu?... Como eu deduzo que você não seria louca de recusar o pedido, quero saber qual o próximo passo. E já vou avisando que não quero ficar posando de amante, de coadjuvante, sempre de escanteio.
MARILU: - Calma, Alexandre... Antes de qualquer coisa, nós vamos é comemorar!
ALEXANDRE (agarra Marilu): - Hummm... Assim que eu gosto!
MARILU (escapa dele): - Apressadinho você! (risos) Eu quero fazer um jantar especial pra gente. Hoje é o início de uma nova vida pra nós dois.
ALEXANDRE: - Ótimo! E qual vai ser o cardápio?
 
Marilu vai até a cozinha, volta com uma listinha e entrega para Alexandre.
 
ALEXANDRE: - O que é isso?
MARILU: - A lista do mercado, querido. Você precisa comprar isso aí pra gente poder ter o nosso jantar.
ALEXANDRE: - Fala sério! (deixa a lista na mesa próxima da porta)
MARILU: - To falando seriíssimo. Agora vai logo antes que o mercado feche... Vai enquanto eu preparo um drink pra gente comemorar!
 
Marilu beija Alexandre, sedutora. Entrega dinheiro pra ele.
 
MARILU: - Acho que isso dá pra trazer tudo.
ALEXANDRE: - Eu vou e não demoro, minha gata!
 
Alexandre sai, encosta a porta. Marilu muda expressão.
 
MARILU: - Eca! (limpa a boca) Monte de lixo.
 
Marilu vai para a cozinha. Pega garrafa de uísque, prepara dois copos. Ela volta pra sala, pega sua bolsa e tira lá de dentro um frasco de veneno.
 
MARILU: - Fiel companheiro. Hoje você me ajuda de novo.
 
Ela volta para a cozinha, e coloca um pouco do pó do frasco num dos copos. De repente, escuta um barulho na sala. Ela deixa o frasco na cozinha e vai até a sala. Não há ninguém e a porta está fechada. Ela vê a janela do apto aberta e fecha vidro.
 
MARILU: - Vento forte hoje... (volta pra cozinha)
 
Marilu termina de preparar o drink mortal, quando a campainha toca. Marilu se mostra um tanto apreensiva. Ela volta para a sala e coloca o frasco do veneno na bolsa novamente. Ela ajeita o cabelo. Abre a porta. CAM foca Vitória.
 
MARILU (surpresa): - Vitória?!
VITÓRIA (simpática): - Oi Marilu! Desculpa vir aqui, sem avisar. Quase que eu não achei o seu prédio.
MARILU: - Imagina... Entra.
 
Vitória entra. Marilu estranha a visita.
 
MARILU: - Só não repara a bagunça.
VITÓRIA: - Que isso... Está tudo organizado. Muito bonito seu apartamento. (ri, graciosa)
MARILU: - Para quem mora naquela mansão de cinema, elogiar meu apartamento assim, me deixa nas nuvens. (ri, falsa)
VITÓRIA: - Falo sério, é bonito mesmo.
MARILU: - Mas então, a que devo a honra da visita? Não me diga que era apenas curiosidade em saber onde eu moro? (risos)
VITÓRIA: - Não, não. Na verdade, eu estou querendo uns documentos da festa de lançamento da coleção europeia. Uma lista, mais especificamente, das personalidades que estarão presentes lá. Se não me engano, algumas modelos famosas. Eu quero a lista completa porque pretendo convidá-las para desfilar algumas peças especiais. Falei com o Rafael e ele me disse que a lista está com você. Daí me deu o endereço e cá estou eu.
MARILU: - Claro, está sim... Mas deve estar no meu arquivo. Espera aqui só um minuto, que eu vou lá no quarto procurar.
VITÓRIA: - Claro.
 
Marilu sai, vai para o quarto. Ao entrar, encosta a porta.
 
MARILU (para si): - Preciso tirar essa idiota daqui antes que o Alexandre volte!
 
Marilu começa a procurar a lista, de forma meio desordenada, no meio das roupas, no armário, em sua pasta. Enquanto isso, Vitória, disfarçando, vai vasculhando com cuidado o apartamento até que encontra a bolsa de Marilu. Cuidadosamente, Vitória abre a bolsa e encontra o frasco.
 
VITÓRIA: - Só pode ser isso...
 
Vitória guarda o frasco em sua bolsa e volta para o lugar onde estava.
 
MARILU (OFF): - Achei!
 
Vitória disfarça. Marilu volta para a sala, trazendo os papéis e entrega para Vitória.
 
MARILU: - Estão aqui. São duas listas.
VITÓRIA: - Ótimo. Muito obrigada! Desculpa mesmo vir sem avisar...
MARILU: - Não precisa se desculpar. É um prazer poder ajudar. Sempre.
VITÓRIA: - Bem, vou indo nessa... Boa noite!
 
Marilu abre a porta para Vitória, que contribui com um sorriso e sai. Marilu fecha a porta.
 
MARILU: - Essa foi por pouco...
 
Marilu volta para a cozinha. Observa o drink envenenado.
    
MARILU: - Não quero ver uma gotinha nesse copo!
 
 
CENA 30. CARRO JORGE. INT. NOITE.
 
Vitória entra no carro de Jorge, que a espera do outro lado da rua.
 
VITÓRIA: - Está aqui.
 
Ela entrega o frasco do veneno para Jorge.
 
JORGE: - Perfeito, Vitória!... Ela não desconfiou de nada?
VITÓRIA: - Não... Eu procurei ser o mais natural possível, como você orientou.
JORGE: - Ótimo. Agora vamos antes que ela pareça na sacada e nos veja aqui.
 
 
CENA 31. CASA LÍVIA. INT. NOITE.
 
Adriana e Marcos chegam em casa. Lívia está na sala com Pedro.
 
ADRIANA: - Boa noite, Lívia!
LÍVIA: - Olá, boa noite!... E aí, como vocês estão?
MARCOS: - Tudo bem... Só um pouco cansado ainda.
ADRIANA: - Claro, você nem dormiu à noite, Marcos.
LÍVIA: - Adriana, leve esse rapaz lá pra cima, deixa ele tomar um bom banho e coloca ele na cama. (risos)
ADRIANA: - É isso mesmo que eu vou fazer.
LÍVIA: - Depois, se vocês quiserem, tem lanche lá na cozinha e até jantar pronto.
MARCOS: - Valeu, Lívia.
ADRIANA: - Obrigada, Lívia. (a Marcos) Agora vamos subindo, pra descansar...
 
Marcos e Adriana saem.
 
PEDRO: - Eles vão morar aqui?
LÍVIA: - Por um tempo, filho. até a casa deles ficar pronta.
PEDRO: - O meu pai também não tem casa. Ele poderia morar aqui.
LÍVIA: - Filho, o seu pai é outro caso, é diferente.
PEDRO: - Diferente por quê?
LÍVIA: - Bem... É que... Seu pai não pode ficar aqui... Ele está viajando.
PEDRO: - Faz tempo que eu não vejo ele. Estou com saudades.
 
Jonas chega na sala.
 
JONAS: - Opa! Saudades de mim, Pedro? (sorri)
PEDRO: - Não... Do meu pai.
 
Jonas e Lívia trocam olhares.
 
PEDRO: - Mas também tenho saudade de você, Jonas. Faz tempo que não brinca comigo.
 
Jonas abraça Pedro.
 
JONAS: - Ei, campeão!... Eu brinco com você hoje. Vai lá pro seu quarto e prepara todos os brinquedos, tá bom?
PEDRO: - Oba! Viu mamãe, o Jonas vai brincar comigo!
LÍVIA: - Que legal, filho!
 
Pedro corre para a escada, animado.
 
LÍVIA: - Só você pra fazer ele sorrir assim... Acabou de dizer que sente falta do pai. Se é que dá pra dizer que o Alexandre é um pai.
JONAS: - Normal... O Pedro ainda é muito puro. Não consegue enxergar o que o pai tem de ruim. Pra ele, o Alexandre é um amigo, apesar de tudo.
LÍVIA: - Ele sente falta desse amigo... Eu também sinto falta dos meus.
JONAS: - Quer falar sobre isso?... Eu sei que tá rolando alguma coisa. Entre você e a Rosa.
LÍVIA: - Sabe?
JONAS: - Está na cara. Ela nunca mais ligou, nem apareceu. E você não falou mais com ela, nem dela. Eu sei que aconteceu alguma coisa.
LÍVIA: - A Rosa mentiu pra mim, Jonas, sobre o Tarcísio. Eles tiveram um caso. E ela escondeu isso de mim. Na verdade, ela se aproximou de mim não pela minha pessoa, e sim, para ficar próxima dele. A Rosa nunca foi minha amiga de verdade.
JONAS: - Lívia, tem certeza? A Rosa não parece/
LÍVIA: - Não parece, mas é. Ela sentiu inveja de mim, Jonas. Ela sempre quis estar no meu lugar... Uma pena. Eu sempre tive uma consideração enorme por ela e agora ela me atinge com um punhal pelas costas.
JONAS: - Eu ainda acho que você deve repensar tudo isso. A amizade de vocês é muito forte. Com certeza, há uma razão pra Rosa ter escondido isso de você. E eu aposto que não foi por maldade ou inveja.
 
Jonas abraça Lívia.
 
LÍVIA: - Isso ainda me dói muito.
JONAS: - Eu sei... Mas só você pode fazer essa dor parar, Lívia. Só você.
 
Jonas beija Lívia.
 
JONAS: - Agora deixa eu subir e ir lá brincar com o Pedro. Meu amigo está esperando! (ri)
 
Jonas sai. Lívia fica pensativa.
 
CENA 32. APTO MARILU. INT. NOITE.
 
Alexandre chega com as compras, deixa na cozinha. Marilu está na sala, com os drinks que preparou.
 
ALEXANDRE: - Mercado cheio à noite!
MARILU: - Tem gente que só tem esse horário para fazer as compras...
ALEXANDRE: - Estou morrendo de curiosidade pra saber o que você vai preparar para o nosso jantar de comemoração! Finalmente, vamos colocar as mãos na grana do Rafael e da família dele!
MARILU: - Questão de pouco tempo... Agora, eu preparei um drink pra gente brindar essa nossa nova fase que se inicia.
 
Marilu oferece o copo da bebida envenenada para Alexandre, que pega. Os dois trocam olhares. Marilu o tempo todo sedutora.
 
ALEXANDRE: - Um drink pra gente é?
MARILU: - Com todo amor, carinho e tesão que a gente merece!
 
Marilu ergue o copo.
 
MARILU: - Um brinde a nós, Alexandre! À nossa riqueza que está pra chegar!... (o beija) E ao nosso prazer sem fim!
 
Alexandre ergue o copo, os dois brindam. Marilu bebe. Os dois, o tempo inteiro, trocando olhares.
 
MARILU: - Não vai beber?
ALEXANDRE: - Claro...
 
Alexandre vai colocando o copo na boca. Marilu o observa, atenta, com expectativa. Alexandre vai virando o copo. Mas desiste e joga a bebida no rosto de Marilu, que se surpreende.
 
MARILU: - Mas o que você está fazendo!
ALEXANDRE: - Você acha que eu sou idiota, Marilu?
 
Alexandre joga o copo na parede.
 
ALEXANDRE: - Você às vezes nem parece ser a vadia inteligente que aparenta. É uma burra, ordinária!
MARILU: - Do que você está falando?
ALEXANDRE (pega Marilu pelo pescoço): - Eu vi você envenenando a bebida, sua vaca!
 
FLASHBACK. CENA 25. APTO MARILU. INT. NOITE.
 
Marilu está na cozinha e volta pra sala, pega sua bolsa e tira lá de dentro um frasco de veneno.
 
     MARILU: - Fiel companheiro. Hoje você me ajuda de novo.
 
Ela volta para a cozinha.
 
     ALEXANDRE (OFF): - Eu voltei para pegar a lista que eu tinha deixado sobre a mesa perto da porta. Foi quando eu vi você colocando o pó dentro do meu copo.
 
Marilu coloca um pouco do pó do frasco num dos copos.
 
     ALEXANDRE (OFF): - Eu peguei a lista e quando eu saí, bati a porta.
 
De repente, Marilu escuta um barulho na sala. Ela deixa o frasco na cozinha e vai até a sala. Não há ninguém e a porta está fechada.
 
Volta à cena atual.
 
Alexandre segura Marilu pelo pescoço. Ela tenta se livrar dele.
 
MARILU: - Você está ficando louco!
ALEXANDRE: - Louca está ficando você, tentando me tirar da jogada!
 
Alexandre empurra Marilu, que cai deitada no chão. Ele se aproxima, a puxa pelo cabelo.
 
MARILU: - Tá me machucando, poxa!
ALEXANDRE: - Estou é? Isso é tão pequeninho perto do estrago que você ia fazer comigo...
 
Ele empurra Marilu contra a parede. Em seguida, a pressiona. Ficam cara a cara.
 
MARILU: - Eu juro que não queria!... Era só um remedinho pra dormir, Alexandre. Amanhã você ia acordar e pronto, fica tudo bem.
 
Alexandre dá um tapa no rosto de Marilu.
    
ALEXANDRE: - Eu já falei pra não me fazer de idiota! Fala logo! O plano era dar um fim na minha vida pra ficar sozinha com a grana, né? Piranha!
MARILU: - Não dá pra gente ficar junto, poxa! É arriscado de mais! O Rafael pode descobrir!
ALEXANDRE: - O Rafael só vai descobrir se você ou eu contar pra ele. Por isso, a escolha é sua. Se me tirar da jogada, eu simplesmente vou até ele e conto tudo o que eu sei. Ou melhor, o que a gente fez aqui... Eu e você transando, juntinhos!... ele vai adorar saber que a futura noiva tem ódio mortal da Lívia, mas rola na cama com o ex dela. Ele me conhece, Marilu...
MARILU: - E qual a outra parte do trato?
ALEXANDRE: - A outra parte é você casar com ele e, estando rica, me sustenta até o fim dos meus dias. Mas eu não quero mesadinha não... É grana alta!... E, é claro... (alisa a perna dela) Umas noites com você estão incluídas no pacote.
 
Marilu empurra Alexandre.
 
MARILU: - A partir do momento em que eu estiver casada com o Rafael, você não pode encostar um dedo em mim. (caminha de costas, em direção à mesa da cozinha)
ALEXANDRE: - Quem dita as regras aqui sou eu, está ouvindo?
MARILU: - Eu estou falando sério, Alexandre!
ALEXANDRE: - Eu encosto em você sempre que eu quiser, sua vagabunda!
 
Marilu pega uma faca, aproxima-se de Alexandre, que se surpreende.
 
ALEXANDRE: - Ah, ficou corajosa agora é?
MARILU