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Talismã - Capítulo 36

Novela de Édy Dutra
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No capítulo anterior de Talismã:

JONAS: - Mas você ainda não respondeu a minha pergunta.

LÍVIA; - Que pergunta?

JONAS: - Que não vai mais abandonar.

 

Lívia beija Jonas, carinhosa.

 

LÍVIA; - Esse beijo responde sua pergunta?

 

Jonas sorri, feliz. Os dois se abraçam, apaixonados.


...
 

Paulo parece inconsciente.

 

JORGE: - Pereira, chama a ambulância. Rápido!

 

Pereira liga, pede socorro. Jorge percebe, próximo ao corpo de Paulo, algo brilhoso. Ele se aproxima. Vê o colar de Lívia.

 

JORGE: - Mas esse colar... Eu já vi em algum lugar essa peça...

 

Jorge pega o colar e guarda.

 

JORGE: - O que o Paulo estava fazendo com esse colar?

 

Pereira se aproxima.

 

PEREIRA: - O socorro está chegando. Chamei a guarda de trânsito também.

JORGE: - Ótimo. Agora vamos esperar... (aproxima-se de Paulo, verifica respiração) Ele tá vivo. Mas vai precisar ser levado para o hospital.

 

CAM foca em Paulo, caído no chão.

...

 

Isabela se mostra desconfiada.

 

ISABELA: - A Beatriz disse que a Marilu estava lá... Mas isso a Marilu não falou pra gente no hospital...

...

 

MARILU: - Solta o meu braço, queridinho. E sobe.

ALEXANDRE (soltando Marilu): - Valeu nega.

MARILU; - Nega?!

ALEXANDRE: - Jeitinho carinhoso de falar...

MARILU: - Não quero o seu carinho. Apenas informações em troca de uma noite. Apenas uma noite, entendeu? Amanhã você arruma outro lugar.

ALEXANDRE (debochado): - Como quiser, Marilu.

 

Os dois entram no prédio.



...


 

ISABELA; - Essa mulher é doente!

LÍVIA; - Por isso que a gente precisa fazer tudo isso com muito cuidado... A gente não pode deixar a Marilu fazer essas coisas horríveis e se dar bem.

ISABELA: - Pena que não temos provas mais concretas.

JONAS: - Mas essa gravação já é um começo. Tem como fazer cópias, Isabela? Por segurança.

ISABELA: - Acho que eu consigo sim.

LÍVIA; - Ótimo. Essa gravação será o nosso primeiro passo para desvendar essa farsa perigosa que chama Marilu.


...

 

MARILU: - Não chega mais perto de mim.

ALEXANDRE: - Se eu chegar mais perto de você, a gente acaba na cama, baby... E sabe que a ideia não é ruim não...

MARILU: - Mas é um cachorro mesmo!

ALEXANDRE: - Deixa de frescura... Desde a primeira vez que eu te vi, saquei qual é a tua. tu é do ramo, eu sei... (passa a mão na coxa de Marilu) Tem corpão, é bonita... (sussurra) Deve fazer gostoso.

MARILU (tentando resistir): - Não faz isso comigo, Alexandre...

ALEXANDRE: - Por que? Você não quer?...


...

ALEXANDRE: - Tá esperando alguém?

MARILU: - Não!... Se esconde! Sai daqui!

ALEXANDRE: - Vou pra onde?

MARILU: - Não sei! Some daqui agora!

 

Alexandre se esconde atrás de uma bancada, próxima da parede. Marilu se ajeita e vai até a porta. Ela abre.

 

MARILU (surpresa): - Rafael?!

RAFAEL: - Desculpa vir sem avisar...

 

Os dois trocam olhares.

 

RAFAEL: - Posso entrar?

 

Marilu fica sem reação.

 
     
     
     
     

CAPÍTULO 36
 
     
 
 
 

CENA 01. APTO MARILU. INT. NOITE.

Continuação do capítulo anterior. Marilu surpresa com a visita de Rafael.

 

RAFAEL: - E então, posso entrar?

MARILU: - Claro, por favor.

 

Rafael entra no apto, Marilu ainda incrédula.

 

MARILU: - Não repara a bagunça...

RAFAEL: - Imagina, está tudo em ordem. E mesmo que estivesse bagunçado, eu não diria.

MARILU: - Um cavalheiro.

RAFAEL: - Educação né? Eu chego na casa da pessoa sem avisar e ainda vou reclamar se está bagunçado? Não dá né... (risos)

MARILU: - Senta, Rafael... Quer uma água, um suco, um café?

RAFAEL: - Não quero nada não... E nem quero sentar.

MARILU: - Não?

RAFAEL: - Eu vim até aqui pra esclarecer uma coisa que me está me deixando um pouco confuso o dia inteiro.

 

Alexandre, escondido, escuta toda conversa.

 

MARILU: - É alguma coisa que eu possa ajudar?

RAFAEL: - É sim.

MARILU: - Bom, então, me fala...

RAFAEL: - Hoje à tarde, tudo o que você disse sobre mim/ sobre o que você sente por mim...

MARILU: - O que é que tem?

RAFAEL: - É tudo verdade mesmo?

MARILU: - Eu não iria brincar com algo sério, Rafael. Muito menos com os meus sentimentos e com os sentimentos de outras pessoas.

RAFAEL: - Então/

MARILU: - Tudo o que eu te disse hoje lá no escritório é verdade. Eu estou apaixonada por você. Acabei me envolvendo sem querer e quando me vi, estava sem saída. Se eu não colocasse pra fora tudo o que eu queria, meu coração ia explodir!... E olha que eu nem fiz tudo o que eu queria.

RAFAEL: - Você é uma mulher linda, Marilu. Tem qualidades incríveis e, esteve do meu lado em momentos difíceis.

MARILU: - Eu só fiz o que eu achava correto.

RAFAEL: - Você fez mais do que isso. Acabou mexendo comigo também.

 

Marilu procura conter-se.

 

MARILU: - Como assim?

RAFAEL: - Eu pensei que depois do que aconteceu comigo e com a Lívia, eu não iria mais me acertar com alguém. E aí vem você, com toda verdade e sinceridade que alguém pode ter e acaba me conquistando.

MARILU: - Rafael! Eu nem sei o que dizer...

RAFAEL: - Você mesma disse que teve que reprimir o que sentia em respeito à Beatriz. Eu sei que deve ser difícil sufocar um sentimento.

 

Rafael se aproxima de Marilu, acaricia seu rosto.

 

RAFAEL: - Eu quero poder te ajudar a libertar esse sentimento preso em você.

MARILU: - É o que eu mais quero agora.

 

Marilu enlaça seus braços sobre o pescoço de Rafael, o olha, sedutora.

 

MARILU (sussurra): - Tudo o que eu mais quero...

 

Os dois se beijam, calorosamente. Alexandre, escondido, fica totalmente chateado em ter que ficar ali, “presenciando” toda situação.

 

CENA 02. APTO ISABELA. INT. NOITE.

 

Lívia, Jonas e Isabela conversam.

 

ISABELA: - E quando vamos falar com o Jorge então?

LÍVIA: - Assim que pudermos, mas tem que ser num lugar neutro... Lá na empresa não dá.

JONAS: - Vamos marcar um encontro. Pode ser lá na pensão. Meus pais vão sair de férias por uns dias. A gente pode se encontrar lá.

LÍVIA: - Ah, seu Oscar e dona Alaíde vão viajar é?

JONAS; - Vão sim. Fortaleza. Saem amanhã. Eu vou levá-los no aeroporto. Se você quiser...

LÍVIA: - Eu quero ir junto sim!

ISABELA: - Bom, então deixamos combinado assim: eu organizo as cópias da gravação, enquanto você, Lívia, tenta contato com o Jorge.

LÍVIA: - Tá certo.

JONAS: - A Marilu vai ter que se explicar... Ela não vai ter saída.

 

CENA 03. APTO JORGE. INT. NOITE.

 

Rosa flagra Jorge e Elizabeth bem próximos.

 

JORGE: - Rosa?

ROSA: - Estou atrapalhando a conversa com vocês? Acho que sim, então eu já vou embora e/

ELIZABETH: - Pode ficar Rosa.

ROSA: - Ah, então eu posso? Que legal...

JORGE: - Vejo que os ânimos estão exaltados por aqui.

ROSA: - Eu só estou um pouco surpresa diante da cena que eu vi.

ELIZABETH: - Não há motivos para ter surpresa, Rosa. Eu e o Jorge estávamos apenas conversando e nada mais.

ROSA: - Uma conversa bem ao pé do ouvido, pelo o que eu pude perceber.

JORGE: - A Elizabeth já disse que não teve nada demais, Rosa.

ROSA: - Tudo bem, tudo bem... Mesmo assim eu vou embora. A noite já perdeu todo o clima pra mim.

ELIZABETH: - Por favor, Rosa... Não fique assim por minha causa.

ROSA: - Por sua causa, imagina... Nunca me abalei por você, Beth.

ELIZABETH: - Eu sei que sim, querida. Eu sei que sim.

ROSA; - Isso há muito tempo. A gente cresce, amadurece.

ELIZABETH: - Mas sempre fica uma manchinha marcada lá no fundo do peito.

 

Rosa não diz nada.

 

ELIZABETH: - Pena que você nunca soube respeitar uma escolha.

ROSA: - Eu respeitei sim. Respeitei e muito. Tanto é que segui minha vida. Agora, se você não soube fazê-lo feliz, a ponto dele me procurar novamente, eu não posso fazer nada.

 

Elizabeth encara Rosa, também sem dizer nada. Rosa olha para Jorge, o encara por um instante, e sai.

 

JORGE: - Rosa!

 

Rosa vai embora sem dar ouvidos.

 

ELIZABETH: - Desculpa, Jorge. Eu nem sabia que vocês estavam juntos.

JORGE: - Você não teve culpa de nada, Beth.

ELIZABETH: - Eu não queria causar nenhum constrangimento aqui, mas pelo visto, foi inevitável.

JORGE: - Situações assim acontecem, não é?

ELIZABETH: - Bem, eu vou embora também. Acho que é melhor.

JORGE: - Devo concordar que sim. Nos falamos melhor na empresa.

ELIZABETH: - Claro. Na empresa.

JORGE: - Eu te acompanho até a porta.

 

Jorge leva Elizabeth até a porta do apto. Os dois trocam olhares novamente. Elizabeth estende a mão em cumprimento, Jorge retribui. Ela vai embora. Jorge fecha a porta, fica pensativo.

 

CENA 04. CASA CHARLOTE. QUARTO. INT. NOITE.

 

Charlote e Demétrio conversam, enquanto se arrumam para dormir.

 

CHARLOTE: - Não gostei nada de ver aquele bandido falando com você.

DEMÉTRIO: - Eu já disse que ele veio apenas me cumprimentar, só isso...

CHARLOTE: - Eu sei, mas mesmo assim. Não gosto nem de pensar em ver você/

DEMÉTRIO: - Charlote, eu não vou voltar a jogar! Eu dei minha palavra, lembra? Confie em mim.

CHARLOTE: - Está bem. Eu vou confiar, querido.

 

Charlote beija Demétrio, carinhosa, vai para o banheiro. Demétrio tira do bolso do casaco o cartão de Olavo, fica pensativo por um tempo. Ele pega a carteira e guarda o cartão lá dentro.

 

CENA 05. APTO CONRADO. SALA. / ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

 

Conrado janta com Sarah.

 

CONRADO: - Está bom o jantar?

SARAH: - Tá ótimo!

CONRADO: - Você precisa se alimentar bem.

SARAH: - Eu sei... Conrado, você ainda está chateado comigo?

CONRADO: - Não mais... Você me irrita às vezes, mas depois passa. (ri)

SARAH: - Ai, que bom! Eu não gosto quando você fica bravo comigo.

CONRADO: - Eu só fico bravo com você quando você faz coisa errada, como gastar meu dinheiro com futilidades.

SARAH: - São necessidades de uma mulher grávida!

CONRADO: - Bolsas de luxo não são necessidades de mulher grávida... Mas vamos deixar essa conversa pra outra hora.

SARAH: - Eu queria te pedir um favor.

CONRADO; - Qual?

SARAH: - Amanhã é o aniversário do Henri e eu queria muito dar uma lembrancinha pra ele. Será que você poderia me emprestar um dinheiro pra eu comprar um presente pra ele?

CONRADO: - Quanto você quer?

SARAH: - O quanto você quiser me dar...

 

Conrado se levanta da mesa, caminha em direção ao escritório. Sarah o segue. No local, Conrado digita a senha do cofre. Sarah observa tudo. Conrado retira algumas notas de dinheiro (somam-se um grande valor) e entrega para Sarah.

 

SARAH: - Gente! Dá pra comprar muita coisa!

CONRADO: - Compra o presente para o seu amigo e uma roupa bonita pra você usar na festinha dele.

SARAH: - Ele não vai fazer festinha...

CONRADO: - Então fica pra você.

SARAH (agarra Conrado): - Obrigada Conrado! Querido! Te adoro muito, muito!

 

Sarah tenta beijar Conrado, mas ele se esquiva.

 

CONRADO: - Vamos com calma, ok?

SARAH: - Mas eu pensei que/

CONRADO: - Vamos voltar para o jantar? Está ótimo e eu não quero deixar a comida esfriando.

 

Conrado volta para a sala. Sarah fica pensativa, enquanto olha para o dinheiro que ganhou e para o cofre na estante.

 

CENA 06. APTO MARILU. INT. NOITE.

 

Marilu e Rafael aos beijos no sofá. Ela deitada sobre ele. Ele com as mãos nas costas dela, tenta abrir sua blusa. Marilu recua.

 

RAFAEL: - O que foi?

MARILU: - Ai Rafael, desculpa... (levanta-se) Mas eu não sei se estou preparada pra isso agora.

RAFAEL: - Como é?

MARILU: - Eu sei que parece estranho. Pareço uma virgem falando, mas... É novo isso pra mim. Você é meu chefe, enfim. Não quero ficar misturando as coisas, entende? Eu preciso de um tempo antes de avançar...

RAFAEL (sentando-se): - Claro. (se recompõe) Você tem toda razão. Vamos dar tempo ao tempo.

MARILU: - Bom que você me compreende.

RAFAEL (levanta-se): - Eu vou indo nessa então.

MARILU: - Não quer ficar, comer alguma coisa? Não tenho nada aqui, mas a gente pode chamar uma pizza e/

RAFAEL: - Não, obrigado... Eu vou indo agora mesmo, já está tarde, amanhã o trabalho me espera. Ou melhor, nos espera. (risos)

MARILU: - É verdade... (risos)

RAFAEL: - Foi muito bom estar com você.

MARILU: - Digo o mesmo. E espero que a gente possa ter mais momentos assim, só nós dois.

RAFAEL: - Teremos, pode ficar certa disso.

 

Rafael se aproxima de Marilu, a beija. Depois, vai até a porta, abre. Volta-se para Marilu, sorri. Marilu retribui o sorriso. Rafael vai embora. Marilu vai até a porta, a fecha. Fica escorada na porta. Abre um sorriso de satisfação e vibra.

 

Alexandre sai de trás da bancada.

 

ALEXANDRE: - Safada!

MARILU: - Você viu isso?! Você viu?!

ALEXANDRE: - Ver eu não vi... Mas eu não sei o que é pior... Ver ou ouvir... O playboy tá na tua.

MARILU: - Eu sabia que eu ia conseguir! Agora é uma questão de tempo, pouco tempo, pra entrar naquela família e ser a mais nova poderosa paulistana!

ALEXANDRE: - Pensando alto.

MARILU: - Eu nunca pensei baixo, meu querido... Comigo a aposta é sempre lá em cima.

ALEXANDRE: - Quando maior o passo, pior a queda... Vai devagar...

MARILU: - Escuta aqui, Alexandre. Tu tá falando com Maria Luísa Barroso, não com qualquer vadia de esquina, como a Lívia... Aliás, eu deixei você ficar aqui justamente porque ia me dizer os podres daquela cadela. Não pensa que eu esqueci.

ALEXANDRE: - Mas depois dessa sua cena toda aqui com o riquinho, se fazendo de puritana! Acabou tirando toda a minha concentração na conversa.

MARILU: - Concentração, sei... Eu é que tive que me concentrar, manter minha pose de boa moça... Assim eu ganho cada vez mais a confiança dele.

ALEXANDRE (aproxima-se e agarra Marilu): - Mas comigo não vai ter essa não.

MARILU (tenta se soltar): - Mas o que é isso?! Me solta!

ALEXANDRE: - Não vem com essa de “me solta”, “me deixa”, que eu sei que tu ficou tentada pra ir pra cama com o Rafael. Já que tu mandou ele embora, eu to aqui pra te ajudar a apagar essa chama aí que tá te queimando toda por dentro.

MARILU: - Tá ficando louco?

ALEXANDRE: - Tô... To louco, doidinho pra te levar pra cama... Vadia.

MARILU: - Vadia é a sua/

 

Antes de Marilu terminar, Alexandre a beija com força.

MUSIC ON: 5.  Bella Ciao – Alok Bashkar, Jetlag Music e André Sarate

 

Marilu tenta reagir, mas acaba se entregando à ele. Ela pula em seu colo, trançando suas pernas na cintura dele. Alexandre a pressiona contra a parede. Os dois se beijam, calorosamente. Em seguida, vão para o quarto.

 

No quarto, Alexandre deita Marilu na cama. Ela, arrancando a blusa. Ele, tirando a camisa apressado. Os dois se beijam com tesão, muita vontade.

 

CENA 07. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER

 

Imagens de São Paulo ao amanhecer. Mostra o Ibirapuera, o dia ensolarado na cidade. MUSIC OFF.

 

CENA 08. CASA ROSA. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

 

Na sala de jantar, Rosa toma café sozinha, um tanto chateada. Louise chega.

 

LOUISE: - Bom dia, Rosa! (percebe o clima) O que foi amiga? Baixo astral já agora de manhã?

ROSA; - Desculpa, Louise, mas eu não consegui sair da cama com outra cara senão essa.

LOUISE: - Mas o que aconteceu?

ROSA: - Ontem eu fui fazer uma surpresa para o Jorge. Passei num restaurante japonês, comprei nosso jantar... E quando eu chego na casa dele, encontro ele e a Beth, numa cena, num clima tão... Íntimo.

LOUISE; - O Jorge e a Beth, ex-mulher do Tarcísio?! Mas como?

ROSA: - Eu não sei... Só sei que ficou claro pra mim que eles estavam bem próximos... Fiquei quase sem chão. Não esperava isso do Jorge.

LOUISE: - Ai amiga, calma! As coisas podem não ser assim...

ROSA: - Eu já não sei de mais nada, Louise. Eu só quero é esquecer o que eu vi ontem. Esquecer!

LOUISE; - Isso aí, é assim que se fala! Até porque ontem foi ontem, e hoje é hoje, novo dia, novos ares!

 

A campainha toca.

 

LOUISE: - Visita agora?

ROSA: - Não é visita não... Imagina...

 

Louise vai até a porta, atende. É o carteiro, que lhe entrega uma correspondência.

 

LOUISE: - Carta, pra mim...

ROSA: - Carta pra você? Algum admirador secreto? (ri)

LOUISE (volta p/ o café, lendo envelope): - Não! É de uma amiga minha dos Estados Unidos! Clair! Mas gente, essa carta já era pra ter chegado há dias!

ROSA: - Esqueceu que os correios estavam em greve? Até normalizar tudo... Mas mesmo assim, é muito tempo né?

LOUISE: - Tempo demais! (Abre a carta, começa a ler)

ROSA: - E aí, o que a sua amiga diz?

LOUISE: - Diz que mandou a carta porque eu não respondi nenhum dos treze e-mails que ela me mandou! (ri) Eu perdi a senha e a resposta de segurança! (risos)

ROSA (rindo): - Só você mesmo!

LOUISE: - Ah, ela diz aqui está vindo para o Brasil... (empolga-se) Chega hoje à noite em Sampa! E me convidou pra jantar! Mas é claro que eu vou!

ROSA: - De onde vocês se conhecem?

LOUISE: - Quase da mesma forma como eu e você. Ela é brasileira, mas mora nos Estados Unidos com o marido. Acabou se separando, mas ficou bem de vida. Ela andou tendo uns problemas financeiros, mas se recuperou. Numa viagem, quando ainda era casada, pra França, a gente acabou se conhecendo. O marido dela, o John, e o Pierre eram parceiros de negócios. Ela é uma pessoa encantadora. Tenho certeza que você vai gostar dela também.

ROSA: - Se é sua amiga, é minha amiga também.

 

Louise fica animada com a notícia, Rosa também acaba sendo tomada pela alegria da amiga.

 

 

CENA 09. CASA INÊS. INT. DIA.

 

Inês e Alfredo conversam.

 

INÊS: - Você acha que a gente consegue mesmo achar essa mulher que foi vítima do Eduardo?

ALFREDO: - Vai ser difícil, mas como eu disse, não impossível.

INÊS: - Pobre dessas pessoas...

ALFREDO: - Seu irmão vai pagar por tudo, Inês. Eu só espero, profundamente, que a Beth não seja mais uma vítima dele. Ela não merece.

INÊS: - Não merece mesmo. Me dá um dó em saber que a minha amiga está nas mãos desse bandido!

ALFREDO: - Ela vê, mas não quer enxergar. Impossível que a Beth não desconfie nem um pouco do Eduardo, mesmo depois de tudo o que você disse pra ela. E agora com esse episódio da Agda, não sei se ele vai conseguir manter o disfarce por mais tempo.

INÊS: - Ela vai sofrer muito quando descobrir a verdade. Ou melhor, quando encarar a verdade, nua e crua. Deve ser difícil pra alguém gostar de uma pessoa e essa pessoa estar te apunhalando pelas costas, dizendo apenas palavras ao vento para que você se sinta bem. Tudo mentira...

ALFREDO: - Não se deixe abater por isso, Inês. A Beth pode até sofrer, mas ela vai se recuperar logo. E você precisa estar forte ao lado dela para dar todo o apoio que ela precisar.

INÊS: - Claro, como sempre eu faço e com muito carinho.

ALFREDO: - Vou indo pro escritório. Ah, quando eu voltar, esteja bem bonita.

INÊS: - Programa especial? (risos)

ALFREDO: - Apenas um jantar fora...

INÊS: - Que ótimo! Pode ter certeza que estarei sim, lindíssima!

 

Os dois se beijam, apaixonados.

 

CENA 10. CASA ADRIANA. INT. DIA.

 

Adriana e Marcos conversam.

 

ADRIANA: - Hoje eu chego um pouco mais tarde em casa, meu amor.

MARCOS: - Plantão na clínica?

ADRIANA: - Vou acompanhar uma cirurgia. Não é muito demorada, mas eu quero estar presente...

MARCOS: - Claro, entendo.

ADRIANA: - Ah, falei pro pessoal da clínica do casamento, ficaram todos muito animados. Principalmente a Gisa, que vai ser madrinha.

MARCOS: - Que bom que ela gostou. Os rapazes lá da agência também curtiram. Pensaram até em despedida de solteiro.

ADRIANA: - Nada disso, senhor Marcos!

 

Marcos ri. Adriana se aproxima dele, se beijam.

 

ADRIANA: - Não vejo a hora da gente ficar juntinho assim, no nosso cantinho.

MARCOS: - Agora, você falando nisso, enquanto a gente tomava café, eu pensei bastante.

ADRIANA: - Pensou no quê?

MARCOS: - Eu vou pra casa, buscar minhas coisas e trazer pra cá.

ADRIANA: - Não, Marcos... Não sai de casa assim.

MARCOS: - Não dá pra ficar desse jeito, Adriana.

ADRIANA: - Mas a sua mãe/

MARCOS: - A minha mãe vai ter que entender que eu amo você e quero ficar contigo, pra sempre. Logo a gente vai casar. Cedo ou tarde eu ia sair de lá mesmo.

ADRIANA: - Só espero que ela não arme nenhum barraco pra humilhar você.

MARCOS: - Não se preocupa. Eu sei lidar bem com a dona Onira...

 

Os dois se beijam, carinhosos, depois se abraçam. Marcos com olhar confiante.

 

CENA 11. EMPRESA AMARO. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

 

Rafael coordena a reunião sobre a festa de lançamento da coleção europeia.  Vitória, Eduardo e outros diretores estão presentes, além de Conrado.

 

RAFAEL: - O espaço no Anhembi já está todo disponível para nós. A equipe de decoração e segurança estará lá a partir de hoje à tarde para fazer os estudos do local, o que será necessário.

CONRADO: - Já confirmei também uma equipe da Flash Paulista, que terá um pequeno estande para entrevistas, registros, enfim.

RAFAEL: - Ótimo, Conrado. Com certeza será um espaço bacana na festa.

 

Marilu entra na sala. está atrasada.

 

MARILU: - Desculpem o atraso... Com licença.

 

Marilu senta-se ao lado de um dos diretores. Ela e Rafael trocam olhares. Rafael fica em silêncio, a observando, contemplativo. Vitória se manifesta, chamando atenção do irmão.

 

VITÓRIA: - E quanto aos convites, Rafael, como anda esse processo?

RAFAEL (voltando à reunião): - Ah, claro, está tudo bem encaminhado. Inclusive já estamos recebendo confirmações importantes. Até de algumas celebridades.

CONRADO: - Depois então eu quero a lista das personalidades do evento, se possível.

RAFAEL: - Claro. A Marilu pode passar pra você, não é?

MARILU: - Está aqui a lista (entrega para Conrado)

CONRADO: - Muito obrigado.

 

A reunião continua. Marilu e Rafael com constantes trocas de olhares.

 

CENA 12. MANSÃO TARCÍSIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

 

Agda e Elizabeth na sala. Beth pensativa, cabeça longe.

 

AGDA: - Há tempos eu queria falar com você sobre isso, mas nunca conseguimos ficar à sós.

ELIZABETH: - E o que a senhora quer falar comigo, mamãe?

AGDA: - É sobre o Eduardo.

ELIZABETH: - O que tem ele?

AGDA: - Beth, outro dia eu flagrei o Eduardo mexendo no cofre do escritório.

 

Elizabeth continua com o pensamento longe.

 

ELIZABETH: - Sim...

AGDA: - Ele ainda disse que foi você quem tinha pedido para ele pegar uns documentos lá dentro.

ELIZABETH: - Ele fez isso é?

AGDA (se irrita): - Elizabeth!

 

Elizabeth "volta a si", surpresa com a atitude de Agda.

 

ELIZABETH: - Mamãe?

AGDA: - Você não está vendo que estou tendo, ou melhor, tentando ter uma conversa séria com você? Por favor, preste atenção no que eu estou te dizendo! O Eduardo estava mexendo no cofre da mansão!

ELIZABETH: - Mas como isso? Ele não tem a senha...

AGDA: - Pois é, estranho não? Você não tem nada a dizer sobre isso?

ELIZABETH: - Eu falar com o Jorge, ele vai me dar uma explicação.

AGDA (estranha): - Jorge?! Que Jorge? Beth, traga a sua cabeça da Lua direto para o planeta Terra, pelo amor de Deus!

ELIZABETH: - Ai, mamãe! Você está muito estressada!

AGDA: - Eu estou te alertando que a hora em que você acordar pra vida, pode ser tarde demais.

ELIZABETH: - Onde você quer chegar, mamãe, com essa conversa toda?

AGDA: - Abrir seus olhos, Beth... Abrir seus olhos!

ELIZABETH: - Não se preocupe mamãe. Está tudo bem... A senhora deveria se preocupar um pouco menos comigo, curtir mais um pouco a sua vida, seus momentos. Vai ser bom.

AGDA: - Você me dando conselhos agora?

ELIZABETH: - Ontem à noite, quando eu cheguei em casa, o Eduardo me convidou para ir ao Europa-Brasil jantar com ele. Você poderia vir junto.

AGDA: - Não, minha querida, muito obrigada. Prefiro ficar em casa do que sair com vocês.

ELIZABETH: - Nossa! Quanto desprezo.

AGDA: - Desculpa, não foi intencional. Agora, que mal lhe pergunte, onde você foi ontem?

ELIZABETH: - Resolver uns assuntos.

AGDA: - Esses assuntos tem alguma relação com o Jorge?

ELIZABETH: - Com o Jorge? Não...

AGDA: - Então o nome dele na nossa conversa surgiu do nada?!

ELIZABETH: - Ai mamãe, você vem com umas conversas totalmente sem pé nem cabeça...

 

Elizabeth sai. Agda fica pensativa.

 

AGDA: - Mas era o que estava faltando. A Beth interessada em outro homem. E justo o Jorge.

 

CENA 13. AEROPORTO. INT. DIA.

 

Alaíde e Oscar no saguão do aeroporto, acompanhados por Jonas, Lívia e Pedro, Tatiana e Plínio. Eles se despedem do pessoal que fica.

 

JONAS: - Façam boa viagem, mãe.

ALAÍDE: - Faremos sim, meu filho, com a bênção de Deus. E você, juízo!

JONAS: - Pode deixar...

OSCAR: - O Jonas já é grandinho o bastante pra essas recomendações, Alaíde.

ALAÍDE: - Recomendação de mãe nunca é demais.

LIVIA: - Eu concordo, dona Alaíde.

TATIANA: - Eu vou torcer pra que tenha sempre tempo bom, pra vocês voltarem bem bronzeados!

ALAÍDE: - Eu quero voltar com marca de biquíni, bem sensual!

OSCAR: - Ei, ei, ei! Marca do quê?

PLÍNIO: - Ih, pelo visto o teu lance embaçou, dona Alaíde.

ALAÍDE: - Que embaçar o quê! Oscar tá fazendo cena, mas no fundo tá adorando a ideia de me ver bem douradinha do sol...

OSCAR: - Essa mulher me enlouquece! (beija Alaíde)

PEDRO: - Tia Alaíde, traz um presente pra mim?

LÍVIA: - Pedro! A gente não pede as coisas assim, filho.

ALAÍDE: - Deixa ele, Lívia (beija Pedro) Vou trazer um presente bem grandão pra você, tá bom?

PEDRO (abraça Alaíde): - Tá bom! Adoro você!

ALAÍDE: - Desse jeito ele amolece meu coração!

OSCAR: - Então vamos indo antes que você chore e não queria mais viajar por motivos de saudades!

ALAÍDE: - Por favor, cuidem bem da minha pensão!

TATIANA: - Pode ir tranquila que ela estará em boas mãos!

 

Alaíde e Oscar seguem para a sala de embarque, empolgados com a viagem.

 

PLÍNIO: - Seus pais são uma figura, Jonas!

JONAS: - E eu não sei? (risos)

TATIANA: - Parecem crianças!

JONAS: - Se amam tanto. Merecem mesmo essa felicidade toda... (abraça Lívia) Como a gente, não é?

 

Lívia sorri, beija Jonas.

 

PLÍNIO: - Eu vou indo pra agência, Jonas. Quer carona?

JONAS; - Claro. Lívia, você vem junto?

LÍVIA: - Eu preciso deixar o Pedro na escolinha, depois vou pra Amaro. Inclusive estou atrasadíssima pra reunião!

TATIANA: - Vem com a gente. Eu também preciso ir pro restaurante. A deixa o Pedro na escolinha e depois o Plínio nos larga nos serviços.

PLÍNIO: - Vamos nessa então.

 

Eles saem caminhando pelo saguão. Jonas brincando com Pedro, enquanto Tatiana, Lívia e Plínio seguem conversando.

 

CENA 14. EMPRESA AMARO. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

 

A reunião está encerrada. Os presentes vão saindo da sala. Rafael e Marilu permanecem. Em pouco tempo, estão a sós. Rafael se aproxima de Marilu.

 

RAFAEL: - Eu queria pedir desculpas pra você.

MARILU: - Desculpas? Por quê?

RAFAEL: - Por ontem... Eu não deveria ter ido no seu apartamento, te beijado... A gente quase/

MARILU: - Transou... É, quase. Mas não precisa pedir desculpas não. Eu adorei a visita surpresa e principalmente, o que aconteceu durante a sua presença lá em casa...

RAFAEL: - Eu só não quero que a nossa relação profissional seja abalada por conta do que aconteceu. Eu te respeito muito, Marilu. Muito mesmo.

MARILU: - Eu entendo, Rafael. Mas pode ficar tranquilo que nós dois vamos continuar tendo uma relação ótima. Ainda mais agora, com nossos ponteiros se acertando... (alisa o rosto de Rafael) Não tirei você da cabeça um minuto durante a noite, sabia?

RAFAEL: - Confesso que aconteceu o mesmo comigo... (sussurra) Fiquei imaginando nós dois... (ri, um tanto envergonhado)

MARILU: - Nós dois é? (fica cara a cara) E o que você imaginou, foi mais ou menos igual a isso?

 

Marilu beija Rafael, calorosamente.

 

RAFAEL: - Nossa, você sabe muito bem transformar as fantasias em realidade.

MARILU: - Eu posso fazer muito mais por você. E principalmente, com você.

 

Eles trocam olhares. De repente, Conrado entra na sala. Marilu e Rafael disfarçam.

 

CONRADO: - Rafael, bom te encontrar aqui ainda. Eu queria conversar com você pra saber mais detalhes do evento, mas coisas um pouco mais técnicas. Tem um tempinho pra mim? Quero dizer, se não atrapalho...

RAFAEL: - Não, claro que não.

CONRADO (sentando-se): - É jogo rápido, porque eu preciso voltar pra redação.

MARILU: - Eu vou dar uma saída, mas não demoro.

RAFAEL: - Claro, Marilu. Fiquei à vontade.

 

Marilu sai. Conrado fica de olho nela. Rafael se senta.

 

CONRADO: - Com todo respeito, Rafael, mas a Amaro está de parabéns. Belíssimo time de funcionários.

RAFAEL: - Devo admitir que estamos com um time de alta qualidade...

CONRADO: - Bem, deixa eu me concentrar, senão perco o fio da meada...

 

Conrado e Rafael conversam.

 

CENA 15. APTO ONIRA. QUARTO MARCOS.INT. DIA

 

Marcos está em seu quarto, arrumando as malas. Onira chega na porta, observa o filho, que não percebe sua presença. Marcos, ao notar Onira, para por um instante. Mãe e filho se olham. Ele continua a organizar suas coisas.

 

ONIRA: - Você está decido mesmo a fazer isso.

MARCOS: - Eu queria que fosse diferente, mas você não me deixou escolhas, mãe.

ONIRA: - Eu não deixei? Te alertei várias vezes do perigo que essa negrinha/

MARCOS (firme): - Chega! Não precisa nem continuar... A gente já vai brigar de novo! (volta a arrumar as malas)

ONIRA: - Desde que essa mulher entrou na sua vida é isso que a gente faz... Brigar, brigar, brigar. Você não percebeu isso, meu filho? Não se sente incomodado com essa situação?

MARCOS: - Não fui eu quem deixou essa situação assim, muito menos a Adriana.

ONIRA: - Meu filho! A gente não consegue ter uma conversa civilizada! Brigamos na última vez em que estivemos juntos e agora (pausa, fica emocionada) agora você está indo embora dessa casa onde a gente foi tão feliz...

 

Marcos para. Onira senta-se na cama, chora. Marcos abraça a mãe, carinhoso.

 

MARCOS: - Eu sei que poderia ter sido diferente, mãe. Não fico feliz assim, vendo você sofrer. Se você aceitasse/

ONIRA (levanta-se): - Nunca! Não peça isso, Marcos! Nunca eu vou aceitar isso! Esse sofrimento pra mim será eterno! Ver você e a negra fuleira juntos será um martírio pra mim! Mas eu não aceitarei, jamais!

MARCOS (levanta-se):- Tá vendo?! Tá vendo só? É assim que você quer que a gente fique de bem? Desse jeito?

 

Marcos fecha a mala, sai apressado do quarto. Onira vai atrás dele.

 

CENA 16. APTO ONIRA. SALA. INT. DIA.

 

Marcos vai seguindo em direção à porta do apartamento, quando Onira se ajoelha, agarra-se na perna dele.

 

MARCOS: - Mãe, para com isso, por favor!

ONIRA: - Eu quero que você vá, meu filho! Não abandone sua mãe, pelo amor de Deus! Marcos!

MARCOS: - Mãe, para! Eu já me decidi, chega!

ONIRA: - Você não pode me deixar pra ficar com aquela cor de sujeira!

MARCOS: - Não fala assim da Adriana!

ONIRA: - Não me deixa, Marcos! Não me abandona!

 

Marcos segura Onira pelos braços, a levanta. Os dois ficam cara a cara.

 

MARCOS: - Foi você quem me abandonou, mãe. E só você pode me fazer voltar. Você já sabe como...

 

Marcos pega sua mala e sai, sem olhar para trás. Onira cai de joelhos, chorando, misto de raiva e tristeza.

 

CENA 17. APTO CONRADO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

 

Sarah entra no escritório de Conrado, vai até o cofre e digita a senha. Vibra quando consegue abrir o cofre. Ela retira alguns maços de dinheiro e fecha, digitando a senha que trava a porta.

 

SARAH: - Conrado me deu tão pouquinho ontem (contando o dinheiro) acho que com isso eu consigo comprar a lembrancinha do Henri.

 

Sarah sai do escritório, empolgada.

 

CENA 18. LOJA DE CARROS IMPORTADOS. INT. DIA.

 

MUSIC ON: Esse Brilho é Meu – Iza

Imagens de Sarah numa loja que vende carros de luxo. Ela olha vários veículos, acompanhada por um dos vendedores. Cena mostra diversas imagens de Sarah em vários carros, ao volante, sentada no capô, olhando a maquiagem pelo vidro.

 

Sarah enfim escolhe um dos carros e paga o veículo nota por nota. Ela assina alguns papéis.

 

SARAH: - E com um laço bem grande, vermelho, por favor!

VENDEDOR: - Entregar nesse endereço mesmo?

SARAH: - Isso mesmo, meu bem! Eu vou junto porque quero entregar pessoalmente o meu presente.

 

Sarah se mostra empolgada.

MUSIC OFF.

 

CENA 19. HOSPITAL. CORREDOR / QUARTO PAULO. INT. DIA

 

Hugo está sentado, no corredor do hospital, próximo da porta que dá para o quarto de Paulo. Ele vê Marilu entrar no local e fica atento.

 

Dentro do quarto, Marilu e Paulo conversam.

 

PAULO: - Ele tá lá fora ainda?

MARILU: - Está sim. Essa gente não descansa? (senta-se na cama)

PAULO: - Eles estão esperando eu ficar melhor. Mas acho que não vou conseguir dar esse gostinho pra eles.

MARILU: - Vira essa boca pra lá! Você vai ficar bom logo logo e vai dar a volta nesses trouxas aí...

PAULO: - Eu sinto muita dor, Marilu. Fui sedado duas vezes essa noite. Mas as dores cada vez aumentam mais.

MARILU: - Isso deve ser porque você está nervoso, ansioso com toda essa história. Eu vou pegar uma água pra você e/

PAULO (segura a mão de Marilu): - Marilu, me escuta, por favor.

 

Marilu se surpreende.

 

PAULO: - Eu acredito em você. Acredito em todo o seu potencial, na sua força. Na sua determinação em conseguir o que quer.

MARILU: - O que você está falando? Por que está dizendo isso pra mim, Paulo?

PAULO (fala com dificuldade): - Eu sempre tentei ter tudo o que aquela família teve, mas eu nunca consegui.

MARILU: - Paulo, não/

PAULO: - Eu nunca cheguei aos pés do Tarcísio, nunca assumi o comando da empresa... Todas as minhas chances fracassaram. Eu fracassei.

MARILU: - Não, Paulo! Não fale assim!

PAULO: - Marilu, eu quero muito que você consiga atingir o seu objetivo, seja ele qual for. Eu nunca fui valorizado por eles.

MARILU: - Estão todos te esperando lá na empresa! Querem você de volta!

PAULO: - Para empregado! Coisa que eu nunca suportei ser! Sempre estarei abaixo de alguém, recebendo ordens!... (respira fundo)

 

Marilu fica aflita.

 

MARILU: - Calma, Paulo!... Eu vou chamar um médico.

 

Paulo segura forte a mão de Marilu, que permanece ao seu lado, comovida.

 

PAULO: - Quero que você consiga ter o que eu não consegui. Que tenha a valorização que eu não tive, o poder que eu sempre desejei. (pausa, respira fundo) Que você controle toda aquela família e o dinheiro deles com as próprias mãos e que eles aprendam, definitivamente, a dar valor pra quem merece.

MARILU (emocionada): - Pare de falar essas coisas, Paulo!... a gente já conhece há tanto tempo! Você é um homem incrível! Vai sair dessa e conseguir conquistar tudo o que você sempre quis!

PAULO: - Faça por mim, Marilu... Faça por mim...

 

Os dois permanecem de mãos dadas. Marilu, chorando. Paulo, aos poucos, ficando fraco. A máquina que monitora os batimentos cardíacos marca a queda.

 

Silêncio na sala. Apenas o sinal de que o coração de Paulo parou de bater. A sua mão, recostada sobre a mão de Marilu. Ela, aperta firme a mão do amigo, entristecida.

 

CAM abre o plano, visão de cima. Marilu deitada próxima ao corpo de Paulo na cama. Ela chorando.

 

CENA 20. BOATE AGE AQUARIOUS. EXT. DIA.

 

CAM foca no rosto de espanto de Henri. Logo, abre plano. Mostra o carro que Sarah lhe deu de presente. Ela, totalmente empolgada.

 

SARAH: - E então meu querido? O que achou?

HENRI: - De onde você tirou isso?!

SARAH: - De uma loja que é puro luxo, meu amor! Adorei essa cor e eu sei que você gosta também... Tá com essa cara de espanto toda por que, Henri?

HENRI: - Eu não posso aceitar... É muito pra mim!

SARAH: - Deixa de ser bobo, criatura! Esse carrão é o meu presente pelo seu aniversário! Aposto que ninguém te deu um presente tão bom quanto esse.

HENRI: - Ninguém mesmo!

SARAH: - Viu? Nem a sebosa da Marilu?

HENRI: - Ela nem me ligou... (chateado) Acho até que esqueceu de mim. Nunca mais deu sinal de vida.

SARAH: - Aquela lá só quer saber de andar com os ricos agora. Esqueceu que veio da poeira... Mas não fica assim não! Se joga, bicha! Entre nessa carro, curte a máquina. É todinho seu.

HENRI: - Eu só tenho uma pergunta.

SARAH: - Sobre o seguro né? Tá tudo pago, tudo em ordem. Não precisa se preocupar com segurança também/

HENRI: - Não, não é isso... Foi o Conrado que teu dinheiro pra comprar esse carro, não foi?

SARAH: - Claro, né? Na verdade, o que ele deu não foi muita coisa, mas aí eu peguei mais um pouco pra completar.

HENRI: - Quanto?

SARAH: - Duzentos mil reais.

HENRI: - O quê?!

SARAH: - Ele tem bastante! Nem vai perceber!

HENRI: - Você pegou mais dinheiro dele, sem ele saber? Sarah, isso é loucura! Roubo, sabia?

SARAH: - Que roubo o quê! Eu só peguei emprestado pra comprar um presente pro meu grande amigo. Só isso. E o Conrado é o pai do meu filho, o dinheiro é da criança também, por tanto, eu posso fazer uso como bem entender.

HENRI: - Lá vem você com essa história de pai.

SARAH: - Não me desminta, Henri!

HENRI: - Que seja! E como assim, dinheiro emprestado?... E vai devolver como?

SARAH: - Sei lá, depois eu penso num jeito.

HENRI: - Mas eu sei. Não vou aceitar o seu presente.

SARAH: - Como é que é?! Que história é essa, Henri? Vai fazer essa desfeita?

HENRI: - Vou. E me agradeça, pois estou tentando safar a sua pele, sua destrambelhada!... Pode devolver o carro, pegar o dinheiro de volta e pagar o Conrado.

SARAH: - Mas nem morta! Ridículo isso que você está fazendo. Recusando um presente meu!

HENRI: - É a atitude mais correta que eu fiz em toda a minha vida, Sarah.

SARAH; - Então tá. Se é assim... Eu vou pegar o carro pra mim e pronto.

HENRI: - Ótimo. Se joga sozinha na toca dos leões.

SARAH (entra no carro): - Feliz aniversário, Henri rabugento!

HENRI: - Obrigado, amiga desnaturada e irresponsável!

 

Sarah liga o carro e sai dirigindo. Henri fica a observá-la.

 

HENRI: - Isso não vai acabar bem... Desculpa amiga, mas eu preciso dar um jeito nessa história. Para o bem de todo mundo.

 

CENA 21. DELEGACIA. INT. DIA.

 

Pereira ao telefone. Jorge chega na sala.

 

PEREIRA (ao telefone): - Tem certeza, Hugo? (T) Tá bom, estamos saindo. (desliga)

 

Jorge vai até seu arquivo, abre umas das gavetas e coloca um pacote lá dentro, tranca a gaveta.

 

JORGE: - O que foi?

PEREIRA: - O Paulo. Morreu agora a pouco.

JORGE: - Como é que é?!

PEREIRA: - Hugo acabou de avisar.

JORGE: - Droga!... Sempre que a gente vai arrancar alguma coisa desses caras, dá errado... Me acompanha até o hospital?

PEREIRA: - Claro.

 

Os dois vão saindo.

 

PEREIRA: - O que tem naquele pacote que você trancou no arquivo?

JORGE: - Material de investigação. Direto da central de monitoramento das câmeras de vigilância da cidade. E mais algumas imagens capturadas...

PEREIRA: - Do caso do Tarcísio?

JORGE: - Não só dele... Mas depois eu vejo isso com calma.

 

Os dois saem.

 

CENA 22. EMPRESA AMARO. CORREDOR. INT. DIA.

 

Lívia e Rafael se encontram no corredor da Amaro. Trocam olhares.

 

LÍVIA: - Desculpa pela minha ausência na reunião.

RAFAEL: - A Marilu te passa um relatório do que foi discutido.

LÍVIA: - Como você está, Rafael?

RAFAEL: - Bem. Muito bem. E você?

LÍVIA: - Bem, também. Retomando minha vida... Eu queria te agradecer novamente pela força, na recuperação da minha casa. Obrigada.

RAFAEL: - Fiz o que era certo. Nada demais.

LÍVIA; - Mesmo assim eu agradeço. Você é um homem de verdade, de bons princípios.

 

Os dois ficam a se olhar. E o silêncio no corredor só é quebrado com o telefone de Rafael, que toca. Ele atende.

 

RAFAEL (ao telefone): - Alo? (T) Fala Marilu...

 

Lívia vai saindo.

 

RAFAEL (espantado): - Como é que é?!

 

Lívia para, volta.

 

RAFAEL (ao telefone): - Não pode ser... (T) Está bem, eu estou indo pra aí. (desliga)

LÍVIA: - O que foi que aconteceu, Rafael?

RAFAEL: - O Paulo. Acabou de falecer.

LÍVIA (chocada): - O Paulo?! Meu Deus!

RAFAEL: - Eu vou ir pro hospital agora.

LÍVIA: - Eu vou com você.

 

Os dois saem, apressados.

 

 

CENA 23. REDAÇÃO FLASH PAULISTA. INT. DIA.

 

Conrado em sua sala, quando Henri chega no local.

 

HENRI: - Com licença?

CONRADO: - Henri?

HENRI: - Eu mesmo. Posso entrar?

CONRADO: - Pode sim, por favor...

 

Henri entra.

 

CONRADO: - A Sarah me disse que hoje é o seu aniversário. Parabéns!

HENRI: - Obrigado.

CONRADO: - Ela ficou faceira quando eu dei dinheiro pra ela comprar o seu presente. Aliás, vocês já se encontraram hoje? Ou combinaram algo aqui na redação? Ela já entregou o seu presente?

HENRI; - A gente se encontrou hoje à tarde. Ela foi lá na boate levar o meu presente, mas eu recusei.

CONRADO; - Recusou? Mas/ ela comprou algo muito bizarro?

HENRI: - Não, nada disso... Aliás, o que ela comprou foi a coisa mais linda que eu já vi na vida. Só que infelizmente eu não pude aceitar. Não por ela, mas pela forma como esse presente veio até mim.

CONRADO: - Não estou entendendo.

HENRI: - A Sarah comprou pra mim um carro de luxo, Conrado. Duzentos mil reais.

 

Conrado começa a rir, compulsivamente.

 

CONRADO: - Você tá zoando com a minha cara, né? Pode falar! Pode falar que é brincadeira!...

 

Henri está sério. Conrado percebe, vai deixando de rir.

 

CONRADO: - Fala que é brincadeira...

HENRI: - Eu gostaria muito, Conrado, mas...

CONRADO: - Mas isso é impossível! Eu não dei duzentos mil reais pra ela!

HENRI: - Ela disse que pegou o restante do dinheiro no seu cofre.

CONRADO: - Do meu cofre?!... (senta-se na cadeira) Não posso acreditar... Ela tá pensando que meu cofre é dispensa da casa?! Que meu dinheiro é gramado, que eu colho num quintal qualquer?!

HENRI: - Eu recusei o carro. Não acho justo a Sarah ficar esbanjando com uma grana não é dela.

CONRADO: - E eu concordo! O dinheiro é meu! Ela passou todos os limites agora!... O meu compromisso é com a criança e não ela!

HENRI: - E é justamente sobre isso que eu vim falar com você, Conrado.

CONRADO: - Isso o que?

HENRI: - A gravidez da Sarah.

CONRADO: - O que tem? Ela passou mal?

HENRI: - Não, mas cuidado para você não passar mal.

CONRADO: - O que foi desta vez? Ela comprou um apartamento para o nosso filho morar quando fizer 18 anos?

HENRI: - Não... Na verdade, não tem “nosso filho”.

CONRADO: - Como assim?!

HENRI: - O filho que Sarah está esperando, não é seu.

 

Conrado encara Henri sem entender.

 

HENRI: - A Sarah está grávida, só que o filho, é meu.

 

Conrado fica em estado de choque.

 

CONRADO: - Seu?! Mas que palhaçada é essa?!

HENRI: - Eu e a Sarah tivemos uma noite lá na boate. A gente tinha bebido muito, enfim, aconteceu. Quando ela descobriu que estava grávida, a gente ficou sem saber o que fazer... A Sarah é louca por você, Conrado. E então, ameaçando ter a criança quase que no meio da rua, ela me obrigou a mentir, ajudando ela nessa farsa de que o filho é seu. Mas não é. Você não é o pai da criança.

CONRADO: - Que desgraçada!... Mas, por que isso agora?! Por quê?!

HENRI: - Eu já queria ter contado muito antes. Mas eu achei que a Sarah ia tomar jeito. Mas depois do que eu vi hoje, não deu pra aguentar. Não posso ver você ser enganado, ter o seu dinheiro que você batalhou pra conquistar, sendo jogado no ralo, atirado ao léu. A Sarah tá querendo boa vida às suas custas, Conrado. E eu não gostaria que fizessem comigo o que eu não curto que façam com os outros.

CONRADO: - Você estava de complô com ela durante todo esse tempo...

HENRI: - Eu confesso que errei, mas eu tomei coragem e vim aqui. Assumo meu erro.

CONRADO: - Então, eu não sou o pai do filho que a Sarah espera?... Ela me enganou esse tempo todo? Usando e abusando de mim?! Mas é hoje que ela me paga!

 

Conrado sai apressado da sala. Henri fica pensativo, um tanto chateado. Mayra entra na sala, apavorada.

 

MAYRA: - O que aconteceu aqui? O Conrado saiu feito um furacão!

HENRI: - Ele vai ter um problema muito sério pra resolver... (a si mesmo) Eu é que não queria estar na pele da Sarah agora.

 

CENA 24. HOSPITAL. INT. DIA.

 

Marilu chora a morte de Paulo, sob os olhares de Hugo. ele se aproxima.

 

HUGO: - Você é parente dele?

MARILU: - Apenas uma amiga.

HUGO: - Quer um pouco d'água, pra se acalmar?

MARILU: - Não, obrigada.

 

Marilu vê Rafael chegando, acompanhado por Lívia.

 

MARILU: - Rafael! (se joga nos braços dele, encarando Lívia)

RAFAEL: - Calma, Marilu.

MARILU: - Foi tão triste...

RAFAEL: - Eu sei... Eu também estou arrasado.

MARILU: - Ele me disse que gostava muito de você, da sua família.

RAFAEL: - Ele foi um grande amigo.

 

Lívia se aproxima.

 

LÍVIA: - Você estava com ele no quarto?

MARILU (seca): - Sim, estava.

 

Jorge e Pereira chegam ao local.

 

RAFAEL: - Jorge? Você aqui?

JORGE: - Fiquei sabendo da morte do Paulo.

RAFAEL: - Você o avisou, Marilu/

MARILU: - Não. A única pessoa pra quem eu liguei foi pra você, Rafael.

HUGO: - Eu avisei o Jorge.

RAFAEL: - Por que a polícia está aqui, Jorge?

JORGE: - É uma história complicada, Rafael/

RAFAEL: - Eu quero saber. O Paulo não tinha problema nenhum com a polícia.

PEREIRA: - Calma aí, doutor Rafael. As coisas não são tão simples assim.

 

Rafael encara Jorge sem compreender. Marilu tenta tirar Rafael dali.

 

MARILU: - Venha Rafael, tomar um pouco d'água, diregir tudo isso... Depois vocês conversam.

 

Marilu afasta Rafael. Lívia aproxima-se de Jorge.

 

LÍVIA: - O que tem nessa história, Jorge? Eu sei que o Paulo deve estar envolvido em alguma coisa. Ele não ficaria com o meu colar por acaso. E a Marilu, visitando ele no hospital. Essa mulher não me desce.

JORGE: - Eu prefiro falar com o Rafael primeiro, Lívia.

LÍVIA: - Tudo bem... Mas eu também preciso falar com você.

JORGE: - Sobre?

LÍVIA: - Sobre ela. (indica Marilu com o olhar)

JORGE: - Conversamos depois então, tudo bem? Agora eu preciso resolver esse assunto aqui.

LÍVIA: - Claro.

 

Jorge se reúne com Pereira e Hugo. Lívia se afasta. Enquanto isso, Marilu e Rafael também estão afastados do grupo.

 

RAFAEL: - O que será que o Jorge quer me falar sobre o Paulo?

MARILU: - Posso te dizer que nunca fui com a cara dele. Ele parece tão misterioso... Investiga tudo e todos, mas nunca mostra nada concreto.

RAFAEL: - As investigações são demoradas...

MARILU: - Pra mim ele está só tomando o seu dinheiro. Nem na Amaro ele aparece mais.

RAFAEL: - Eu preciso avisar o pessoal da mansão.

 

Rafael se afasta para dar telefonemas. Marilu procura por Lívia no corredor, mas não a encontra. Ela sai à procura.

 

CENA 25. HOSPITAL. INT. DIA.

 

Marilu encontra Lívia num outro ponto mais afastado. Lívia observando o movimento do hospital, pela janela. Marilu a aborda, agressiva.

 

MARILU: - O que você quer aqui?

LÍVIA: - Acompanhar todo esse caso... Tem coisa estranha aí.

MARILU: - É da polícia agora?

LÍVIA: - Não sou, mas poderia. Tem muita coisa que eu quero saber... (encara Marilu)

MARILU: - Não quero saber de você andando com o Rafael pra cima e pra baixo, está ouvindo?

LÍVIA; - Tá com medo de perder seu homem de novo pra mim, Marilu? Não se garante?

 

Marilu levanta a mão para bater em Lívia, mas Lívia a detém.

 

LÍVIA (segurando Marilu): - Você encosta um dedo em mim e eu acabo com a sua raça aqui mesmo.

MARILU: - Tá ficando corajosa, Lívia... Deve ter sido a época de prostituta que está te fazendo agir assim, mais selvagem.

LÍVIA: - O que você está falando?!

MARILU (soltando-se): - O que foi? Ficou surpresa com o que eu disse? (ri, debochada) Quem diria que a boa moça é uma rameira, como diria minha avó. Eu prefiro chamar de prostituta, vagabunda, piranha!

LÍVIA: - Cala a boca!

MARILU: - Estou falando alguma mentira?

LÍVIA: - Você não sabe nada da minha vida. Nada!

MARILU: - Então para você de ficar tentando me derrubar, sua vadia. Me deixa em paz!

LÍVIA: - Eu não vou deixar você usar o Rafael pra satisfazer o seu desejo de ganância. Você um monstro, Marilu. Capaz das piores atrocidades.

MARILU: - Já chega, Madre Tereza. Para de bancar a santinha, Lívia. Deveria era tratar de melhorar a sua reputação. Prostituta, vagabunda... Pobre do seu filho que/

LÍVIA: - Não fala nada sobre o meu filho, sua víbora! Eu já dei na sua cara por falar dele. Não me custa nada repetir.

MARILU: - Não precisa exercer a sua brutalidade... Só fica bem avisada: eu também sei ser bruta quando quero. Ou você me deixa em paz com o Rafael, ou você vai ver do que eu realmente sou capaz.

 

Marilu se afasta, vai embora.

 

LÍVIA (pra si mesma): - Eu não vou te deixar em paz, Marilu. Mas não vou mesmo!

 

CENA 26. APTO CONRADO. INT. DIA.

 

Sarah em casa, deitada no sofá, assistindo TV. Conrado chega feito um furacão.

 

SARAH (surpresa): - Conrado? O que aconteceu?

CONRADO: - Você acha que o meu dinheiro é capim?! Que ele nasce nos canteiros, no meio das avenidas, das ruas?

SARAH: - Calma, querido!

CONRADO (grita): - Não me pede calma!

 

Sarah se assusta, se levanta, chocada.

 

CONRADO (gritando): - Eu não quero ficar calmo! Você extrapolou todos os limites, Sarah!

SARAH: - Tá bravo por causa do carro lá na garagem, né? Eu vou explicar, meu querido. Acontece que/

CONRADO: - Não precisa me explicar mais nada. Eu já sei de tudo.

SARAH: - Sabe como?

CONRADO: - O Henri foi lá na revista falar comigo.

SARAH: - Ah, ele foi é? Bom, se ele já falou com você e não quer o carro, a gente pode ficar com ele. É um modelo lindo, combina até com a gente, sabia? Com o nosso estilo de vida...

CONRADO: - Que, “a gente”?! Não existe “a gente” Sarah!

SARAH: - Conrado, eu e você/

CONRADO: - Nós não estamos juntos, não temos nada! Nunca tivemos nada!... Nem um filho meu você tem!

 

Sarah fica sem reação.

 

CONRADO: - Nem o seu filho é meu.

SARAH: - De onde você tirou essa ideia maluca, Conrado?

CONRADO: - Não precisa fingir, nada disso. Eu já sei de tudo.

SARAH: - Tudo o quê? Isso que você disse agora é menti/

CONRADO (firme): - O Henri me falou tudo, Sarah. Tudo! O filho que você está esperando é dele. Ele falou do plano de vocês dois, ou melhor, do seu plano, das suas reais intenções comigo. Tudo.

SARAH (aproxima de Conrado, o abraça): - Meu querido, isso é mentira! O Henri está com inveja de mim, da minha felicidade! Ele sempre foi assim, inventa intrigas, historinhas. Nada disso é verdade!

CONRADO (empurra Sarah): - Já chega Sarah! Não dá mais, acabou! Sua história não cola mais...

SARAH: - Mas Conrado!

CONRADO: - Arruma suas coisas e vai embora da minha casa.

SARAH: - O quê?! Conrado! Eu estou grávida!

CONRADO: - Primeiro lugar, você me fez de trouxa esse tempo todo, me fazendo acreditar que o filho era meu. Segundo lugar, pensasse nisso antes de querer bancar a esperta. Eu não tenho nada com essa pobre criança. Por que você não procura o pai dela?

SARAH: - Esqueceu que eu já vim de lá pra cá porque o Henri me colocou pra fora?

CONRADO: - Sendo assim, eu não posso fazer mais nada por você, além de tudo o que eu já fiz. Acredito que você deva ter em sua bolsinha um pouco do muito dinheiro que eu já te dei. Junta para alugar um quarto, alguma coisa. Segue a sua vida, Sarah, e me deixa em paz!

 

Sarah começa a chorar.

 

CONRADO: - Eu vou no bar ali da esquina, beber uma coisa forte, pra esquecer tudo isso... Quando eu voltar, espero não ver mais você aqui dentro, está bem?

 

Conrado sai. Sarah se joga no sofá, aos prantos.

 

CENA 27. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER

 

Imagens de São Paulo ao anoitecer. Mostra os prédios da cidade iluminados, a movimentação do trânsito nas ruas e avenidas.

 

CENA 28. MANSÃO TARCÍSIO. INT. NOITE.

 

Elizabeth, Agda e Vitória na sala de estar.

 

AGDA: - Não posso acreditar que o Paulo tenha morrido...

ELIZABETH: - Nem eu, mamãe...

VITÓRIA; - É tanta gente indo embora assim, de repente. Pessoas que conviviam conosco. É triste isso. Me dá medo até.

AGDA: - Viver hoje em dia é um privilégio mesmo.

VITÓRIA: - E quando vai ser o enterro?

ELIZABETH: - Seu irmão ligou, disse que vai ser realizada uma cerimônia de cremação, como o Paulo desejava.

VITÓRIA: - Ele não tinha parentes, nada?

AGDA: - Não.

VITÓRIA: - Eu não sei se conseguiria viver sozinha...

 

Eduardo desce as escadas, chega na sala sorridente, empolgado.

 

EDUARDO: - E então, como estou? (girando para verem sua roupa)

ELIZABETH: - Vai aonde todo empolgado, Eduardo?

EDUARDO: - Ora Beth, para o nosso jantar! E você, não está pronta ainda?

AGDA: - Depois do que aconteceu hoje, vocês ainda irão jantar fora?

EDUARDO: - Mas o que foi que aconteceu?

VITÓRIA: - O Paulo faleceu, Eduardo. Você não soube?

EDUARDO: - Ah sim, ouvi alguns comentários na empresa...

ELIZABETH: - Fiquei tão chateada...

EDUARDO: - Beth, pessoas morrem todos os dias e a gente não dá a mínima... Vamos lá, coloque um sorriso no rosto e vamos lá jantar. Já fiz nossa reserva e não quero perder isso.

ELIZABETH: - Ai, meu amor... Tem certeza? Eu não tô no clima de/

EDUARDO: - Vai ficar mal por causa da morte do Paulo, Beth? Ah, por favor!

AGDA: - Por favor digo eu, Eduardo. Respeite nossa dor. Paulo era um amigo da família, trabalhava na empresa há anos!

VITÓRIA: - Eu confesso que estou surpresa, Eduardo. Pensei que também estivesse chateado pela perda do colega.

EDUARDO: - Mas eu estou chateado sim. Só não acho que preciso me fechar dentro de casa e não fazer mais nada. A vida continua. Quem morreu foi ele e não eu!

 

Vitória se levanta, sai da sala sem dizer nada.

 

AGDA: - Eu nem sei o que dizer diante disso.

EDUARDO: - Não diga nada, Agda... Eu quero ouvir a resposta da minha amada Elizabeth. Quanto tempo você quer para se produzir e ficar linda para mim?

 

Elizabeth hesita, mas aceita sair.

 

ELIZABETH: - Meia hora.

EDUARDO: - Só isso?... Bom, se você diz... Te espero aqui.

 

Elizabeth levanta-se do sofá, sobe as escadas. Agda e Eduardo sozinhos na sala.

 

AGDA: - Parece tão feliz com a morte do outro.

EDUARDO: - Feliz eu não diria. Mas também não estou afundado na tristeza.

AGDA: - Poderia pelo menos disfarçar então, em respeito aos nossos sentimentos. Se você tivesse, entenderia.

EDUARDO: - Eu sou um ser humano, Agda. Também tenho sentimentos, mas não é por qualquer coisa, nem por qualquer um. E hoje eu acordei assim, mais alegre e não há nada nesse mundo que vai atrapalhar a minha felicidade hoje. Nada.

 

Agda se levanta.

 

AGDA (cínica): - Bom jantar pra você. (saindo)

 

Eduardo faz pouco caso de Agda. Não esconde sua satisfação.

 

CENA 29. CASA LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

 

Lívia, Jonas, Isabela conversam.

 

ISABELA: - Então quando você e o Rafael chegaram ao hospital, a Marilu já estava lá?

LÍVIA; - Sim. Foi ela quem ligou para o Rafael dando a notícia da morte do Paulo.

JONAS: - Sinal de que ela e o Paulo eram amigos.

LÍVIA: - Ela estava visivelmente entristecida... E eu acredito que tenham sido amigos sim. Foi por intermédio do Paulo que ela entrou na empresa.

ISABELA: - De que forma?

LÍVIA; - Paulo dizia que era um pedido do Tarcísio, que gostaria muito de ter ajudado ela a ter uma vida melhor... Não acredito muito nisso.

JONAS; - História mal contada.

LÍVIA; - E a Marilu e o Paulo eram próximos...

JONAS: - Eu não lembro do rosto dessa mulher... Acho que eu nunca a vi antes.

ISABELA: - É uma mulher bonita, de fato, mas de caráter duvidoso.

LÍVIA: - Pena que o Paulo se foi e eu não consegui saber dele uma coisa.

JONAS: - O que?

LÍVIA: - Porque ele escondeu o colar de mim... Com qual propósito?

ISABELA: - Será que a Marilu sabia?

LÍVIA; - Também não sei... Ai, nessas horas eu sinto pena do Rafael, de estar perto dela, que não vale nada!

JONAS: - Você chegou a falar com o Jorge?

LÍVIA; - Sim, disse que tinha um assunto importante pra falar com ele. Ele preferiu resolver uns assuntos pendentes, mas se prontificou a me atender assim que puder.

JONAS: - Espero que não demore muito.

LÍVIA; - Mas ouvi uns comentários dos policiais que estavam com ele. Sobre o Paulo.

ISABELA: - E falaram o quê?

LÍVIA: - Eu não entendi muito bem, mas parece que o Paulo estava sendo procurado pela polícia. Envolvido em alguma história...

ISABELA: - O Paulo?

LÍVIA: - Pois é. Jorge não quis me dizer. Mas se não fosse verdade, a polícia não estaria no hospital.

JONAS: - Faz sentido.

LÍVIA: - Mesmo assim, tentarei falar com o Jorge amanhã. Quero dar um fim nessa situação o quanto antes.

 

 

CENA 30. FORTALEZA. IMAGENS GERAIS.

 

Sequências de imagens de Fortaleza, já à noite. O mar, a cidade iluminada. Mostra a fachada de um resort à beira-mar.

 

 

CENA 31. FORTALEZA. RESORT. INT. NOITE.

 

Alaíde e Oscar passeiam pelas dependências do local, maravilhados.

 

OSCAR: - Mas isso aqui é a coisa mais linda que eu já vi!

ALAÍDE: - É bem como mostra nas revistas. Parece mesmo um sonho a gente estar aqui, curtindo tudo isso, não é?

OSCAR: - E o hotel tá cheio, viu? Vi uns caras falando uma língua estranha, acho que são gringos.

ALAÍDE: - Sim, tem gente do mundo inteiro. Vi japonês também...

OSCAR: - Como você sabe de que eles são japoneses?

ALAÍDE: - Ouvi falarem arigatô... Mas não só por causa disso. Quando eu era mocinha, morei uns tempos na Liberdade.

OSCAR: - Isso você não me contou...

ALAÍDE: - Ah, meu amor! Vamos ali no bar do hotel que eu te conto tudinho!

 

Os dois seguem animados, de mãos dadas, até o bar.

 

CENA 32. FORTALEZA. RESORT. RESTAURANTE. INT. NOITE.

 

Fausto e Carla participam de um jantar com outros médicos. Todos com roupas formais. Carla muito bem vestida, chama atenção pelo seu charme e elegância. Fausto ao lado dela, orgulhoso pela sua companhia. Os dois trocam olhares enquanto ele conversa com os colegas.

 

Carla degusta de champanhe, exibindo no colo um belo colar de rubi, presente de Fausto. Uma mulher se aproxima dela.

 

JOVITA (simpática): - Olá, como vai?

CALRA: - Tudo bem. (sorri)

JOVITA: - Eu me chamo Jovita.

CARLA: - Prazer, sou Carla.

JOVITA: - Devo dizer que você foi escolhida a mais bem vestida na noite, nas rodinhas de conversa.

CARLA: - É mesmo?! Nossa, obrigada!

JOVITA: - E desculpe a minha indiscrição, mas... Esse seu colar é lindíssimo!

CARLA: - Amaro. Ouro e rubi.

JOVITA: - Ficou lindo em você.

CARLA: - O Fausto também achou.

JOVITA: - Doutor Fausto é um homem muito elegante. Soube escolher alguém À altura para acompanhá-lo nesse evento. A esposa dele quase nunca vinha com ele. Pena que faleceu... Há quanto tempo se conhecem?

CARLA: - Alguns meses. Estamos namorando.

JOVITA: - Parabéns!... (cochicha) Com todo respeito, ele é um partidão! (ri) Meu marido que não me ouça!

CARLA; - Quem é o seu marido?

JOVITA: - Aquele lá, sentado na mesa central. Organizador do congresso, doutor Ramiro Bragança.

CARLA; - Ele fez um belo discurso lá no auditório.

JOVITA: - Ramiro adora falar... Não sei como os pacientes aguentam!

 

As duas riem. Carla olha para Fausto, que a observa. ele abre um sorriso. Ela acena com o champanhe.

 

CENA 33. PENSÃO BEM QUERER. INT. NOITE.

 

Jonas chega em casa, quando a campainha toca.

 

JONAS: - A essa hora?

 

Jonas vai até a porta. Abre. É Sarah, com suas malas.

 

JONAS: - Sim?

SARAH: - É aqui a pensão Bem-Querer?

JONAS; - É aqui mesmo.

SARAH: - Moço, eu estou grávida e não tenho onde ficar... Será que eu poderia alugar um quarto aqui por um tempo?

 

Sarah com olhar tristonho para Jonas.

 

CENA 34. APTO MARILU. QUARTO. INT. NOITE.

 

Marilu deitada na cama, com os expressão entristecida, de quem chorou.

 

MARILU: - Ai, Paulo... Por que você, meu amigo?...

 

Alexandre entra no quarto, trazendo uma bandeja com suco e um sanduíche.

 

ALEEXANDRE: - Trouxe um lanche pra você. Chegou com a cara lá no chão... Precisa comer.

MARILU: - Eu não quero nada.

ALEXANDRE: - Ah não! Você tem que se alimentar.

 

Marilu empurra a bandeja das mãos de Alexandre. O lanche cai no chão.

 

ALEXANDRE: - Eu não vou limpar nada disso aqui! Fiz tudo com tanto carinho e você faz isso?

MARILU: - Quer parar de encher meu saco, poxa! Eu não tô com paciência contigo hoje, Alexandre!... Perdi um grande amigo, tive que posar de santinha pro Rafael e ainda aturar aquela vadia da Lívia no meu pé!

ALEXANDRE: - Viu a Lívia hoje é? E como ela está?

MARILU: - A mesma vagabunda de sempre! Ordinária!... Vontade que eu tenho é lascar a cara dela a tapa!... Mas ela vai cair do cavalo. Questão de tempo.

ALEXANDRE: - Tá armando o quê contra ela?

MARILU: - Não é da sua conta.

ALEXANDRE: - Tudo que envolve a Lívia é da minha conta.

MARILU: - Me deixa sozinha.

ALEXANDRE: - Você não vai me dizer o que vai fazer?

MARILU (grita): - Me deixa sozinha, caramba!

 

Alexandre se afasta. Pega o sanduíche caído no chão, dá umas mordidas.

 

ALEXANDRE: - Ficou uma delícia... (saindo)

 

Marilu fica sozinha no quarto.

 

MARILU: - Questão de tempo... Você vai ver, Paulo. Eu vou conseguir tudo o que eu quiser, tudo!

 

CENA 35. EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.

 

Louise sentada em uma mesa, à espera de sua amiga, no Europa-Brasil. Ela está ansiosa. De repente, uma mulher se aproxima.

 

LOUISE (levanta, animada): - Clair!

 

As duas se abraçam, felizes pelo reencontro.

 

LOUISE: - Menina, que bom ver você de novo!

CLAIR: - Louise, você não sabe o quanto eu estou feliz também com esse encontro.

 

As duas se sentam.

 

LOUISE: - Me fala, como você está?!

CLAIR: - Estou bem, tocando a minha vida.

LOUISE; - Está lindíssima hein!

CLAIR: - Eu sempre digo que Paris renova as minhas energias.

LOUISE: - Para tudo! Você veio de Paris? mas não estava nos States?

CLAIR: - É uma longa história, minha amiga.

LOUISE: - Não tem problema. Vamos pedir um bom vinho e botar todos os assuntos em dia. Hoje a noite é nossa!

CLAIR: - E eu também quero saber de você! E Pierre, como tá?

LOUISE; - Pierre? então... Vamos escolher o vinho? (ri)

CLAIR: - Louise, Louise! Conheço você!

LOUISE: - Pois é, Clair... Estou solteira novamente. Solteira em partes né... Tá vendo o saxofonista lá no palco?

CLAIR: - Estou sim.

LOUISE: - Pois é, tô pegando.

 

As duas riem. Enquanto isso, numa outra mesa, Eduardo e Elizabeth jantam. Ela não parece tão a vontade, já Eduardo, se mostra satisfeito.

 

EDUARDO: - Não sei se é porque hoje é um dia especial, mas esse jantar está ótimo. Não acha, querida?

ELIZABETH: - Dia especial por que?

EDUARDO: - Não sei... Acho que a vida sorriu pra mim... De repente, parece que eu encontrei mais uma oportunidade de crescer, sabe? Na vida, na empresa.

ELIZABETH: - Você está "comemorando" a morte do Paulo pra assumir o lugar dele, Eduardo?!

EDUARDO: - Eu? Não, Beth! Claro que não!... Eu falo isso porque eu sinto que eu vou conseguir vencer meus desafios, só isso.

ELIZABETH: - O Paulo era muito amigo do Tarcísio...

EDUARDO: - Você não acha que fala muito desse seu ex-marido não?

ELIZABETH: - Está com ciúmes?

EDUARDO: - Não vou negar que me incomoda um pouco. Parece que ele é mais importante na sua vida do que.

ELIZABETH: - De fato, o Tarcísio foi importante na minha vida, sim. Ele é o pai dos meus filhos, fomos casados por mais de trinta anos.

EDUARDO: - Mas agora o homem da sua vida sou eu, Beth. E é bom você pensar agora na nossa vida futura. No nosso casamento, por exemplo.

 

Eduardo retira do bolso do paletó uma caixinha e coloca sobre a mesa. Elizabeth se mostra surpresa.

 

ELIZABETH: - O que é isso?

EDUARDO: - Veja você mesma.

 

Elizabeth abre a caixinha. Vê um lindo par de alianças de ouro.

 

ELIZABETH: - Eduardo!...

 

Eduardo retira as alianças.

 

EDUARDO: - Beth, aceita se casar comigo?

ELIZABETH (emocionada): - Oh, meu Deus! Eu aceito sim!

 

Eduardo coloca a aliança na mão de Beth. Ela fica encantada.

 

EDUARDO: - Agora você.

 

Elizabeth pega a aliança.

 

ELIZABETH: - Eduardo, você aceita se/

EDUARDO: - Aceito, de olhos fechados!

 

Elizabeth coloca a aliança em Eduardo. Os dois se beijam.

 

ELIZABETH: - É linda, meu amor!

EDUARDO: - Agora, champanhe pra gente brindar a nossa nova vida!

 

O garçom se aproxima, traz a garrafa com as taças já servidas. Eduardo e Elizabeth brindam.

 

CENA 36. FORTALEZA. HOTEL. INT. NOITE.

 

Alaíde e Oscar rindo animadamente no balcão do bar do hotel. De repente, Alaíde vê Carla e Fausto juntos, saindo do restaurante do hotel. Os dois se beijam.

 

ALAÍDE: - Oscar!

OSCAR: - O que foi?

ALAÍDE: - Olha ali atrás... Não é a Carla?

 

Oscar se vira, observa.

 

OSCAR: - É... É ela mesmo.

ALAÍDE: - Ela disse que ia vir para um treinamento da empresa.

OSCAR: - Mas treinando é o que ela não tá fazendo não, hein... E aquele cara que tá com ela, eu conheço de algum lugar.

ALAÍDE: - Com certeza ela não veio treinar não... Toda bem vestida, bem arrumada. Olha só as joias!

OSCAR: - O que será então que ela veio fazer aqui?

ALAÍDE: - Eu também quero descobrir...

 

Alaíde observa desconfiada. Carla e Fausto nem percebem.

 

CENA 37. APTO ISABELA. CORREDOR. INT. NOITE.

 

Isabela chegando no corredor do seu apartamento, procura as chaves na bolsa, na saída do elevador. Ela encontra. Quando olha pra frente, se surpreende ao ver Diogo no local.

 

ISABELA: - Diogo?

DIOGO: - Oi!

ISABELA; - O que você está fazendo aqui?

DIOGO: - Eu estou preocupado com você. Desde aquela vez lá na redação, que você saiu um pouco preocupada... Resolvi vir até aqui, saber como você está.

ISABELA; - Eu estou bem. Obrigada pela sua atenção comigo. (sorri, graciosa)

DIOGO: - Então, não sei se você já jantou. Eu trouxe vinho e fiz umas compras no mercado.

ISABELA: - É mesmo?!

DIOGO: - Macarrão à lá Diogo!

ISABELA: - Nossa! E isso é mesmo comestível?

DIOGO: - Posso garantir que sim. Aceita provar?

ISABELA: - Aceito... Confesso que estou morrendo de fome mesmo.

 

Isabela abre a porta do apto, entra. Diogo entra em seguida.

 

CENA 38. EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.

 

Clair e Louise conversam.

 

LOUISE: - Meu Deus, Clair! Que história terrível!

CLAIR: - Eu nem sei como consegui sobreviver a esse golpe tremendo, Louise... Eu me separei do meu marido por uma aventura, acreditando em todas as palavras que aquele safado me dizia. Ele termina roubando todo o meu dinheiro. Eu tive que recomeçar do zero.

LOUISE: - E esse canalha, onde está?

CLAIR: - Sumiu no mundo... Solano. Nunca vou esquecer esse nome.

LOUISE: - E é impressionante como golpes assim acontecem cada vez mais. Mulheres que são enganadas por verdadeiros bandidos, que se aproveitam da fragilidade delas, não sei nem explicar.

CLAIR: - São psicopatas, Louise! sanguessugas!

LOUISE: - Esse tal Solano deveria estar preso!

CLAIR: - Mas eu dei parte na polícia de Nova York. Ele está sendo procurado por tudo...

LOUISE;-  Bem que você fez.

CLAIR: - Você me dá licença, amiga, eu vou até o banheiro.

LOUISE: - Claro, pode ir.

 

Clair se levanta, caminha entre as mesas em direção ao banheiro. De repente, ela para. Se mostra surpresa/chocada. Clair, decidida, caminha em direção à mesa de Eduardo e Elizabeth, que jantam animados.

 

CLAIR: - Até que enfim te encontrei. Seu bandido!

 

Elizabeth se mostra surpresa com a chegada hostil de Clair. Eduardo a olha, impassível.


Encerra com Pra Rua Me Levar – Ana Carolina

 
     
     


autor
Édy Dutra

elenco
Christine Fernandes como Lívia
Taís Araújo como Marilu
Zé Carlos Machado como Tarcísio
Fábio Assunção como Rafael
Bruno Ferrari como Jonas
Marcos Caruso como Paulo
Renata Domingues como Carla
Júlio Rocha como Breno
Bianca Castanho como Beatriz
Júlia Feldens como Vitória
André Bankoff como Fabrício
Danton Mello como Marcos
Lavínia Vlasak como Isabela
Caco Ciocler como Conrado
Janaína Lince como Sarah
César Mello como Alfredo
Aída Leiner como Inês
Luíza Curvo como Tatiana
Jonathan Haagensen como Plínio
Marco Ricca como Fausto
Sílvia Pfeifer como Lorena
Thaís Vaz como Mayra
Gisele Policarpo como Gisa
Guilherme Leme como Almir
Mônica Martelli como Louise
Sérgio Menezes como Kléber
Cyria Coentro como Nice
Ernesto Piccolo como Moisés
Natália Guimarães como Rita

Atrizes convidadas
Sônia Braga como Elizabeth
Regina Duarte como Rosa
Valquíria Ribeiro como Adriana
Ângela Leal como Agda
Mila Moreira como Charlote
Denise Del Vecchio como Onira
Beatriz Segall como Wanda
Arlete Salles como Alaíde

Atores convidados
Gracindo Júnior como Demétrio
Rodrigo Santoro como Henri
Juan Alba como Alexandre
Nill Marcondes como Eduardo
Roberto Bonfim como Roberto
Floriano Peixoto como Jorge

Participações especiais
Dudu Azevedo como Romão
Elisa Lucinda como Cidália
Antonio Pitanga como Tenório
Vanessa Lóes como Clair
Alexandre Slaviero como Hugo
Lui Mendes como Pereira
Mônica Martelli como Louise
Dudu Azevedo como Romão

Trilha Sonora
Pra Rua Me Levar – Ana Carolina (abertura)
Bella Ciao – Alok Bashkar, Jetlag Music e André Sarate
Esse Brilho é Meu – Iza

Produção

Bruno Olsen
Cristina Ravela
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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