Talismã - Capítulo 31



     
 

No capítulo anterior de Talismã:

CHARLOTE: - Então é aqui o clube que você diz frequentar com seus amigos, Demétrio. Uma banca de apostas.

 

Demétrio se surpreende.

 

DEMÉTRIO (surpreso): - Charlote!

CHARLOTE (chocada): - As minhas joias!

 

Charlote vai até a mesa, recolhe algumas peças. Encara Demétrio.

 

CHARLOTE: - O que você está fazendo, seu louco?

DEMÉTRIO: - Meu amor, eu/

CHARLOTE (grita): - Você está doente, Demétrio! Doente!

...
 

PAULO (fecha a porta): - O que você está fazendo aqui, Romão?!

ROMÃO: - Vim falar contigo e com a bisca da Marilu. Vocês estão me devendo.

PAULO: - Como é que é?!

ROMÃO: - Você ta surdo, cara?! Vocês estão me devendo! E eu quero o que é meu! Eu cumpri com a minha parte do trato. Agora falta vocês.

PAULO: - Cumpriu com a sua parte? Você matou quem não deveria e ainda diz que cumpriu a sua parte? Nem pra matar você tem capacidade, Romão!

ROMÃO: - Mas eu tenho capacidade de ferrar gente que não cumpre com a palavra, sabe?... Eu não tenho nada a perder indo até a polícia e dizer tudo o que eu sei.

PAULO: - Você não seria capaz...

ROMÃO: - Tá duvidando?

PAULO: - Canalha!...

...
 

MARILU; - Estou querendo te elogiar. A sua esperteza me deixa pasma! Primeiro, o pai. Agora, o filho... Quem diria, hein, Lívia. Você se revelando a cada dia.

...

LÍVIA; - É, você... Está com inveja porque eu consegui atrair homens maravilhosos... E você não conseguiu nada além do que o desprezo de um deles. Talvez essa a sua grande tristeza. Tarcísio não ter te amado como me amou.

...
 

MARILU; - Me engana que eu gosto... Não satisfeita em ter o dinheiro dele, quer ter ele pra você.

LÍVIA: - Modere suas palavras!

MARILU; - Por quê? Vai me bater? Além de vadia é briguenta?... Pobre filinho. Imagino a vergonha dele em saber que a mãe é uma golpista, oferecida? Não duvido que não deva ter feito coisa pior!

 

Lívia não resiste e acerta um tapa no rosto de Marilu.

 

LÍVIA; - Você não presta!

...

 

JORGE: - Eu estou acompanhado desses dois policiais e trago aqui comigo, um mandado de prisão preventiva.

RAFAEL: - Mas porque isso, Jorge? Aqui na festa?

LÍVIA; - Mas vai prender quem?

JORGE: - Você, Lívia.

 

Todos se surpreendem.

 

JONAS: - O que?!

CARLA: - Isso só pode ser brincadeira!

 

Louise se aproxima de Rosa.

 

LOUISE: - Diz para o Jorge parar com essa brincadeira, Rosa! Por favor!

ROSA; - Ele não está brincando, Louise...

 

Jorge continua.

 

JORGE: - Senhora Lívia Ribeiro da Silva, você está presa preventivamente, sob suspeita do assassinato do empresário Tarcísio Ferreira.

 
     
     
     
     

CAPÍTULO 31
 
     
 
 
 

CENA 01. CASA LÍVIA. INT. NOITE.

 

Continuação do capítulo anterior. O clima é de tensão. Jorge dá voz de prisão à Lívia. Os convidados se mostram surpresos/chocados.

 

PAULO: - Minha nossa! Marilu precisa saber disso!

 

Lívia fica nervosa.

 

LÍVIA: - Não! Não é verdade!

RAFAEL: - Que palhaçada é essa, Jorge?!

JORGE: - Não é palhaçada, Rafael. São resultados da investigação que você pediu.

LÍVIA: - Você pediu isso, Rafael?!

RAFAEL: - Eu não pedi isso! (a Jorge) Não pedi que ela fosse presa!

JORGE: - Ela é suspeita, Rafael. (aos policiais) Algemem.

 

Os policiais que acompanham Jorge, algemam Lívia, mesmo ela tentando se desvencilhar. Ela olha para Rosa, aflita. Todos os convidados se mostram chocados.

 

RAFAEL: - Jorge, não é verdade!

JORGE: - A justiça sabe o que faz, Rafael. (aos policiais) Podem levar.

LÍVIA (grita): - Não! Me soltem! Eu sou inocente!

 

Lívia tenta reagir, mas não consegue. É levada pelos policiais sob os olhares de todos os convidados. Passa por Rosa.

 

LÍVIA: - Rosa, por favor, fica com o Pedro!

ROSA: - Eu vou cuidar dele sim, Lívia!

LÍVIA: - Ele é a minha vida, Rosa! A minha vida!

 

Lívia é levada. Rafael vai atrás dela. Carla se aproxima de Rafael.

 

CARLA: - Eu vou com você, Rafael.

RAFAEL: - Então vamos. Eles vão levá-la para a delegacia. Vou ligar para o Alfredo.

 

Rafael e Carla saem. Paulo escuta, contém seu sorriso.

 

PAULO: - Não posso perder nenhum momento.

 

Paulo se afasta.

 

ADRIANA: - A festa estava tão bacana, agora essa sensação estranha...

VITÓRIA: - Gente, será que ela é responsável pela morte do meu pai?

MARCOS: - Calma, Vitória. Isso a justiça vai dizer.

 

Enquanto isso, observando tudo de longe, Alexandre vibra.

 

ALEXANDRE: - A Lívia, presa?! (ri) Mas isso tá melhor do que eu planejei! (saindo)

 

Os convidados ficam chocados.

 

ALAÍDE: - Minha nossa, que horror!

OSCAR: - A Lívia presa! Deve ter acontecido algum engano.

TATIANA: - Suspeita da morte do doutor Tarcísio? Será que ela seria capaz?

PLÍNIO: - Olha essa casa, olha tudo o que ela ganhou? E de onde ela veio mesmo?... Sei não.

ALAÍDE: - Não diga bobagem, rapaz! A Lívia tem um coração de ouro! Com certeza é inocente nessa história. Está sendo vítima de uma injustiça.

 

Jonas se aproxima de Rosa e Louise.

 

JONAS: - E agora, o que a gente vai fazer?

LOUISE: - Eu vou ter que dar um basta aqui né! Clima de festa foi pro espaço!...

 

Louise se afasta.

 

JONAS: - Isso não pode ser verdade, Rosa.

ROSA: - Infelizmente, Jonas, ela precisa passar por isso. E eu não queria ser tão pessimista, mas essa será a primeira de muitas turbulências na vida da Lívia.

JONAS: - E o Pedro, como fica?

ROSA: - Eu vou tomar conta dele enquanto a Lívia estiver nessa situação. Aliás, vou subir pra ver se ele está bem lá no quarto. Estava dormindo.

 

Rosa sai, enquanto Louise avisa a todos, no palco, que a festa estava encerrada.

 

KLÉBER: - Poxa, que chato isso hein!

LOUISE: - Ninguém esperava. Pobre Lívia. A festa estava tão bacana... Obrigada por vir, Kléber.

KLÉBER: - Lívia é uma pessoa muito querida. não poderia deixar de estar presente com ela. Ainda mais com um convite seu.

LOUISE: - Obrigada, querido.

 

Num ponto mais afastado, Paulo fala ao telefone.

 

PAULO: - Alô? Marilu? Sou eu, Paulo (T) Você não vai acreditar...

 

CENA 02. APTO BEATRIZ. INT. NOITE.

 

Marilu ao telefone, se mostra eufórica. Beatriz está curiosa.

 

MARILU (ao telefone): - Não diz isso, Paulo! (T) Você vai? (T) Espertinho você, hein! (T) Claro, pode deixar. Obrigada pela ótima notícia! (T) Beijo! (desliga o telefone)

BEATRIZ: - Fala logo, Marilu! O que aconteceu?!

MARILU: - A Lívia foi presa!

BEATRIZ (surpresa): - Como é que é?! Presa?!

MARILU: - No meio da festa! Polícia prendeu a Lívia, suspeita pela morte do Tarcísio!

BEATRIZ: - Gente, não to acreditando! Até que enfim a justiça foi feita!

MARILU: - Ela vai pagar por tudo, Beatriz. Tudo!

BEATRIZ: - Vai mesmo!... Agora, uma coisa que me deixou curiosa.

MARILU: - O que?

BEATRIZ: - De onde vem essa sua amizade com o Paulo? Você se mostrou tão a vontade com ele no telefone. E pelo visto, ele também não vai muito com a cara da Lívia...

MARILU: - É... O Paulo era muito do Tarcísio, como você sabe. E ele me deu uma força enorme no meu início na empresa, me ensinou muita coisa. Ele realmente conhece a minha história com o Tarcísio. Sabe que quando eu o conheci, ele já estava separado.

BEATRIZ: - Já? Lembro de vocês dois na festa da revista e se, não me engano, ele ainda estava com a Beth.

MARILU: - Não estava mais. Palavras dele... A nossa relação foi sempre muito sincera e verdadeira. Eu fui o ponto de paz da vida do Tarcísio, Beatriz. E ao contrário do que se pode pensar, eu o aconselhei e muito durante a crise do casamento dele. E ele procurou me ajudar também, incentivando meus conhecimentos, me ajudando a reconquistar minha autoestima.

BEATRIZ: - Ele era um homem muito culto mesmo.

MARILU: - Até que a Lívia surgiu na vida dele, provocando tudo isso que a gente já sabe. Puro interesse. Eu e o Tarcísio, além de termos um amor puro, singelo, éramos amigos, Beatriz. E a Lívia estragou tudo por causa da sua inveja, do seu interesse, da sua ganância. Ela não vai sossegar enquanto não colocar as mãos no dinheiro do Rafael e da família dele.

BEATRIZ: - Mas isso ela não vai fazer, ainda mais agora, atrás das grades.

MARILU: - Por isso que a gente precisa se unir, Beatriz, para tirar essa gananciosa do nosso caminho! Pra livrar o Rafael e a família dele dessa sanguessuga!

BEATRIZ: - E o primeiro passo será a minha gravidez!

MARILU: - E não poderia ser num momento melhor! Rafael não vai querer ficar frequentando cadeia, sabendo que agora, ele tem um filho, com uma mulher linda!

BEATRIZ: - Eu estou tão feliz, Marilu. Ao mesmo tempo, nervosa. Será que vai dar certo?

MARILU: - Você só precisa fazer o que eu te disser...

 

CENA 03. CASA LIVIA. INT. NOITE.

 

Aos poucos, os convidados vão indo embora. Conrado conversa com Louise.

 

CONRADO: - Pena uma festa linda como esta, acabar dessa forma.

LOUISE; - Eu sei que será em vão pedir para que não mencione nada do que aconteceu aqui, na revista.

CONRADO: - Eu vou procurar tratar o acontecido da melhor forma possível. A Lívia foi uma anfitriã magnífica. Não merece ser desmoralizada também na revista, depois de tudo isso. Embora a prisão dela vá parar em outras publicações. Não esqueça que aqui estavam presentes pessoas influentes, que conhecem outras revistas, jornais, enfim.

LOUISE: - Claro, será inevitável... Mesmo assim, obrigada pela presença.

CONRADO: - Boa noite.

 

Conrado vai embora. Kléber se aproxima de Louise.

 

KLÉBER: - Já vou indo, meu bem.

LOUISE: - Já?! Ai, meu amor, queria tanto que você fosse pra minha casa, dormir de conchinha. Preciso de um carinho. Estou muito abalada depois de tudo o que aconteceu.

KLÉBER: - Conchinha?

LOUISE: - É, conchinha... Você vem?

KLÉBER: - Vou sim.

 

Louise sorri, graciosa. Num outro ponto, Paulo vai saindo quando Vitória o aborda.

 

VITÓRIA: - Paulo, você está indo embora?

PAULO: - Eu vou até a delegacia, ver como anda a situação. Quer me acompanhar?

VITÓRIA: - Não, eu quero ir pra casa... Essa história mexeu comigo.

 

Marcos e Adriana se aproximam.

 

MARCOS: - Vem com a gente, Vitória. Te deixo em casa.

VITÓRIA: - Se não for incomodar.

ADRIANA: - Imagina. A gente está indo pra casa também. Não tem problema.

PAULO: - Bom, então vou indo. Boa noite. (sai)

VITÓRIA: - Só quero minha cama... Só em pensar que essa história do meu pai pode voltar à tona novamente, me deixa um pouco mal...

MARCOS; - Fica tranquila, Vitória. As coisas vão se resolver da melhor maneira possível. Seu irmão vai dar um jeito nisso. Vamos nessa.

 

Os três saem. Enquanto isso, Jonas conversa com os pais.

 

OSCAR: - E agora, como a Lívia sai dessa?

JONAS: - Não sei pai. Mas com certeza, o novo namorado dela vai dar um jeito. Ele tem dinheiro, tem condição de livrar a Lívia dessa situação. Se fosse comigo, já não sei...

ALAÍDE: - Você também daria um jeito, oras! aliás, todos nós!... Não importa quem vai estar à frente disso. A gente precisa é torcer, rezar para que a Lívia fique bem e não atrás das grades.

TATIANA: - Acho que a gente pode ir, né? O clima da festa ficou tão pra baixo.

PLÍNIO: - Se vocês quiserem carona, podem vir no meu carro.

ALAÍDE: - Vamos sim, Plínio, obrigada. (a Jonas) Você vem com a gente, filho?

JONAS: - Não, mãe. Podem ir que eu vou ficar mais um pouco. Quero ver se falo com a Rosa antes de ir.

ALAÍDE: - Tá bom. Fica bem, meu filho. Vai dar tudo certo. Vamos acreditar.

 

CENA 04. CASA LÍVIA. QUARTO PEDRO. INT. NOITE.

 

Rosa entra no quarto de Pedro para ver como ele está e se surpreende ao ver Alexandre sentado na poltrona ao lado da cama onde o garoto dorme.

 

ROSA: - O que você está fazendo aqui?!

ALEXANDRE: - Cuidando do meu filho, já que a mãe dele não poderá mais fazer isso.

ROSA: - Vai embora!

ALEXANDRE: - Fala baixo! A criança está dormindo!

ROSA: - Você não se enxerga não, Alexandre!

ALEXANDRE: - Olha, ela sabe o meu nome...

ROSA: - Se afasta do garoto! deixa ele em paz.

ALEXANDRE: - Eu sou o pai dele. e tenho direito de ficar próximo do meu filho, assim como ele também tem direito de ficar perto de mim.

ROSA: - Mas enquanto eu estiver cuidando dele, você não vai ver nem a cor do cabelo do Pedro.

ALEXANDRE: - Então vai curtindo seus minutos ao lado dele, porque quem vai cuidar do meu filho, sou eu.

 

Alexandre sai, vai em direção a porta. Rosa se aproxima de Pedro, que dorme tranquilo.

 

ALEXANDRE: - Ah, e quando eu estiver cuidando do meu filho, quem não vai ver a cor do cabelo dele vai ser você e toda essa corja que fica cercando a Lívia.

 

Alexandre sai. Rosa se mostra apreensiva.

 

ROSA: - Meu Senhor, não permita que o mal prevaleça...

 

CENA 05. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.

 

Eduardo e Elizabeth comentam de Inês e Alfredo.

 

EDUARDO: - Que surpresa mais desagradável vê-los aqui nesse restaurante.

 

Elizabeth não diz nada. Está pensativa.

 

EDUARDO: - Mas nós não vamos deixar de curtir nosso amor por causa da Inês e do Alfredo.

 

Eduardo saboreia seu jantar, enquanto Elizabeth pouco toca na comida, olhando para a mesa onde Inês e Alfredo estão. De repente, seu olhar "encontra" o olhar de Inês. Elizabeth disfarça.

 

INÊS: - Eles parecem que estão juntos numa peça de teatro, numa ficção. Nenhuma demonstração real de sentimento.

ALFREDO: - Impossível seu irmão amar alguém.

INÊS: - Ele é frio, uma pedra... Como a Beth pode cair nas garras dele.

ALFREDO: - Mas você a alertou. Não há o que fazer. Ela quis assim.

INÊS: - Mas eu sinto falta da minha amiga, Alfredo.

ALFREDO: - Eu posso imaginar, mas/

INÊS: - Eu vou lá.

ALFREDO: - Como é que é?

INÊS (levantando-se): - Não posso ficar aqui, indiferente. Não vou deixar o Eduardo destruir minha amizade com a Beth. Não vou.

 

Inês vai até a mesa de Elizabeth e Eduardo.

 

EDUARDO: - O que você está fazendo aqui?

 

Inês não dá ouvidos a Eduardo.

 

INÊS: - Beth, a gente precisa conversar.

EDUARDO: - Você está atrapalhando o nosso jantar. Por favor, queira voltar para a sua mesa.

INÊS: - Beth... Nós éramos tão amigas! Tão unidas!

 

Elizabeth se mostra tocada.

 

INÊS: - Sinto falta das nossas conversas, da nossa cumplicidade. Da sua companhia.

ELIZABETH: - Inês, eu/

EDUARDO (levantando-se): - Eu não quer ser grosseiro ao ponto de chamar o segurança. Você está importunando o nosso jantar, Inês! Por favor, saia daqui e nos deixe em paz!

 

Nesse instante, Alfredo se aproxima.

 

EDUARDO: - Muito bom! Pensei que não ia vir buscar sua esposa e levá-la de volta para a mesa.

ALFREDO: - Cala a boca, oportunista. (a Inês) Vamos embora, querida. Rafael acabou de me ligar.

ELIZABETH: - O Rafael?

ALFREDO: - Sim. A Lívia foi presa preventivamente, acusada pela morte do Tarcísio.

ELIZABETH: - Mas que ótima notícia!

ALFREDO: - Vamos Inês.

INÊS: - Vamos sim. (a Beth) Vamos conversar uma hora dessas, só nós duas. Vai ser bom pra gente.

 

Elizabeth segura a mão de Inês e afirma com a cabeça. Inês sorri. Alfredo e Inês saem.

 

EDUARDO: - Até que enfim foram embora. Podemos continuar o jantar.

ELIZABETH: - Não, não podemos. Vamos agora para casa.

EDUARDO: - Mas eu ainda não terminei!

ELIZABETH: - Meu querido, a morte do Tarcísio está por ser definitivamente resolvida. Não posso ficar aqui. (levantando-se)

EDUARDO (a contra gosto): - Tudo bem. (levanta-se)

 

Elizabeth e Eduardo saem.

 

CENA 06. DELEGACIA DE POLÍCIA. INT. NOITE.

 

Lívia chega na delegacia, com Jorge e os policiais. Rafael, Carla e Paulo logo em seguida.

 

POLICIAL: - Pode colocar seus pertences aqui no balcão. Todos os acessórios.

 

Lívia desfaz-se dos pertences. Rafael, Paulo e Carla  acompanham.

 

RAFAEL: - Jorge, tem alguma coisa errada. A Lívia seria incapaz de qualquer coisa!

CARLA: - Ela é uma pessoa do bem!

JORGE: - Ela estava junto com o Tarcísio no momento do crime. Há imagens de câmeras de segurança.

RAFAEL: - Eu quero ver!

JORGE: - Por enquanto, estão sob segredo de justiça.

RAFAEL: - Eu já acionei o Alfredo. Ele vai tomar todas as providências para tirá-la daí.

JORGE: - Claro, você tem direito. E ela também. Agora, não me culpe por nada. Estou apenas fazendo o meu serviço. Com licença. (sai)

 

Enquanto isso, Paulo acompanha bem próximo Lívia tirar seus acessórios. De repente, ela vê que ela tirou o colar e coloca junto das outras peças. Sem ser percebido, Paulo consegue pegar o colar e guarda no bolso do casaco. Se afasta. Aproxima-se de Rafael e Carla.

 

PAULO: - E então?

RAFAEL: - Liguei para o Alfredo. Ele vai me encontrar no meu apartamento. Não há muito o que fazer por aqui.

PAULO: - Bom, nesse caso, eu vou indo embora. Mas, qualquer coisa que você precisar, pode contar comigo, Rafael.

RAFAEL: - Obrigado, Paulo.

 

Paulo vai embora.

 

CARLA: - Desculpa, Rafael, mas esse cara não me deixou boa impressão.

RAFAEL: - Imagina. Ele é amigo da família há anos.

 

Lívia termina e vai sendo encaminhada para a cela.

 

RAFAEL: - Meu amor!

LÍVIA: - Eu estou com medo, Rafael!

RAFAEL: - Não se preocupa! Você vai sair daqui o mais rápido possível! Fica calma!

CARLA: - Amiga, a gente vai tirar você daí!

LÍVIA: - Não me deixem, gente! Por favor!

 

Os policiais levam Lívia.

 

CENA 07. DELEGACIA DE POLÍCIA. CARCERAGEM. INT. NOITE.

 

Os policiais levam para a carceragem. Ela é colocada numa cela, junto com outras duas mulheres. Lívia sente-se acuada, aflita.

 

DETENTA 01: - O que você fez, loirinha? Roubou? Matou?

LÍVIA: - Não fiz nada. Eu sou inocente! Não roubei nem matei ninguém!

DETENTA 01: - Isso todo mundo fala, loirinha. Aqui não é novela não...

DETENTA 02: - Mas é um milagre uma mulher como você tá aqui no meio da gente pobre... Eu tô aqui faz três dias só porque roubei um quilo de arroz e feijão de um num supermercado chique do shopping. Roubar pra alimentar os filhos. Isso é crime? Seria crime se eu deixasse eles morrerem de fome!... Tô presa, mas pelo menos a comida ta lá em casa e eles estão sendo bem cuidados.

DETENTA 01: - Tem gente que rouba milhões de dinheiro e ninguém prende.

 

As detentas ficam conversando, enquanto Lívia se encosta na parede. Aos poucos, vai sentando na cela, entristecida.

 

CENA 08. APTO MARILU. INT. NOITE.

 

Marilu chega no seu apto, está escuro. Quando acende a luz se assusta ao ver Romão no local.

 

MARILU (surpresa): - Como você entrou aqui?!

ROMÃO: - Esqueceu que eu sou um mestre no crime?

MARILU: - Tão mestre que matou a pessoa errada e agora tá me causando uma dor de cabeça daquelas!...

ROMÃO: - Lá vem você com essa história!

MARILU: - Mas para sua sorte, a vida está começando a sorrir pra mim. E sabe por que? Porque a Lívia foi presa!

ROMÃO: - E o que isso significa?

MARILU: - Isso significa que ela vai ser julgada, condenada como mandante da morte do Tarcísio e eu vou poder finalmente usufruir do que é meu por direito.

ROMÃO: - E o que é seu por direito?

MARILU: - Aí você está querendo saber coisas demais...

ROMÃO: - Então fala aí, o misteriosa, onde está o resto da minha grana.

MARILU: - Que resto da grana o quê!

ROMÃO: - Não se faz de louca, Marilu! Eu quero receber pelo meu serviço completo!

MARILU: - Mas você esqueceu um detalhe, queridinho. Você não fez o serviço completo! Por tanto, pode tirar o seu cavalinho da chuva, porque daqui da fonte, você não tira uma gota, ok?

ROMÃO: - Não tem problema. Então eu vou até a delegacia, trocar uma ideia com o delegado. Dizer pra ele que era eu quem estava lá, assaltando o Tarcísio, a mando de duas pessoas que na época, estavam bem próximas dele e loucas para se livrarem da Lívia.

MARILU: - Vai se entregar também, palhaço?

ROMÃO (firme): - Vou.

 

Marilu sente que Romão está falando sério.

 

MARILU: - Você não seria capaz.

ROMÃO: - O Paulo me disse a mesma coisa. Eu resolvi dar um tempo. Mas o tempo está acabando. Eu não tenho nada a perder, Marilu. Agora, pelo o que eu vejo, vocês têm.

MARILU: - Mas o que você fez com a metade do dinheiro que recebeu? Vinte e cinco mil reais não é pouca coisa!

ROMÃO: - As mulheres no Rio de Janeiro custam caro, sabia?

MARILU: - E porque não ficou lá no Rio?! Teve que voltar pra infernizar a minha vida!

ROMÃO (se aproximando): - Tu tá muito estressada, Marilu.

MARILU: - É que quando eu acho que a minha vida vai melhorar, sempre tem uma coisa pra atrapalhar!

 

Romão agarra Marilu pela cintura. Ela se surpreende.

 

ROMÃO: - A vida vai ficar boa, minha safada...

MARILU: - O que significa isso, Romão?!

ROMÃO: - Significa que eu vou tirar esse seu estresse, de um jeito que você não vai esquecer.

MARILU: - Será?

ROMÃO: - Só a gente reviver os velhos tempos... Lembra do terreno baldio na rua do casarão? Ou da casa da minha tia Alcina?

MARILU (dá uns tapinhas nele): - Para, Romão! Quem vive de passado é museu.

 

Romão agarra Marilu, pressionando-a contra o seu corpo. Os dois ficam cara a cara.

 

ROMÃO: - Eu quero você na sua nova versão. Mais mulher, mais poderosa (beija o pescoço) Mais gostosa.

MARILU (tentando resistir): - Não faz assim... Você sabe que eu sou fraca.

ROMÃO: - Vem que eu vou te dar toda força que você merece.

 

Os dois se beijam, calorosamente. Vão se despindo enquanto se beijam. Deitam-se no chão da sala. E vão se agarrando, aos beijos e gemidos.

 

CENA 09. APTO RAFAEL. INT. NOITE.

 

Rafael, Carla e Alfredo conversam.

 

ALFREDO: - A justificativa do mandado de prisão é legal.

RAFAEL: - Mas não pode ser verdade, Alfredo! A Lívia tinha um respeito enorme pelo meu pai. Seria incapaz de tirar a vida dele!

ALFREDO; - Tudo bem, Rafael, mas ela é suspeita sim. Estava com ele no momento do crime, onde nada foi roubado. Ganhou parte da herança. Querendo ou não, são possíveis provas de que ela pode estar envolvida sim.

CARLA: - Isso é um absurdo.

ALFREDO: - Eu também acredito na inocência dela. Vou providenciar um pedido de habeas corpus para que ela possa responder em liberdade.

RAFAEL: - Faça isso, Alfredo. A Lívia não pode ficar presa.

 

CENA 10. PENSÃO BEM QUERER. QUARTO JONAS. INT. NOITE.

 

Jonas entra em seu quarto, entristecido. Senta-se na cama.

 

JONAS: - Eu sabia que o Tarcísio não traria coisa boa pra ela... Olha ai! Presa!...

 

Alaíde entra no quarto, senta-se ao lado do filho.

 

ALAÍDE: - Meu filho...

JONAS (abraçando Alaíde): - Mãe!... Por que isso, mãe? Por que as coisas precisam ser assim, pela dor?

ALAÍDE: - Jonas, Deus nunca dá um obstáculo que a gente não possa ultrapassar... A Lívia vai conseguir sair dessa situação e dar a volta por cima.

 

Jonas deita-se na cama, coloca a cabeça sobre as pernas de sua mãe.

 

JONAS: - Eu queria estar do lado dela agora.

ALAÍDE (acariciando o filho): - Mas você não está? A gente não precisa estar junto fisicamente para ficar do lado de alguém.

JONAS: - Eu não sei porque eu fiz isso, mãe. Não sei...

ALAÍDE: - Mas se você queria tanto estar do lado dela, por que terminou Jonas? Qual o motivo?

 

Jonas levanta-se.

 

ALAÍDE: - Vocês eram um casal tão bonito.

JONAS; - Eu sei.

ALAÍDE: - E porque então terminaram? Até parece que você descobriu algo que não deveria, ou a Lívia te fez alguma que/

JONAS: - Olha mãe, amanhã eu preciso levantar cedo, ir pra agência...

ALAÍDE: - Ah, claro. Já está tarde.

JONAS: - Obrigado pelo carinho.

ALAÍDE: - Eu vou estar sempre aqui para o que você precisar, meu filho. (beija-o na testa) Te amo.

JONAS: - Também te amo.

ALAÍDE (saindo): - Boa noite.

 

Alaíde sai. Jonas deita-se na cama, pensativo.

                                             

CENA 11. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER

 

Imagens de São Paulo ao amanhecer. Mostra o Estádio do Pacaembu, a praça da Sé, a Avenida Paulista.

 

CENA 12. MANSÃO TARCÍSIO. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

 

Café da manhã. Vitória comenta o acontecido na festa, com Elizabeth, Agda e Eduardo.

 

VITÓRIA: - Foi uma cena muito triste. Fiquei com uma sensação ruim.

ELIZABETH: - Você deveria é comemorar! Finalmente a morte do seu pai vai ter um desfecho merecido.

VITÓRIA: - Sei lá, mãe...

AGDA: - Está com pena da assassina, Vitória?

VITÓRIA: - Eu não sei se ela é assassina, vovó. E é isso que está me deixando confusa. Não sei se a Lívia seria capaz de matar o papai pra ficar com dinheiro dele. ai, não gosto nem de pensar nisso. Ela seria muito falsa, dissimulada, se fosse verdade.

EDUARDO: - As pessoas se escondem atrás de todos os artifícios para não serem descobertas, Vitória. E essas pessoas que se dizem boazinhas, acima de qualquer suspeita, podem na verdade, serem as grandes vilãs.

EIZABETH; - Disse tudo, Eduardo. A Lívia matou seu pai para ficar com o dinheiro dele. Conseguiu, mas não estando satisfeita, tratou logo de se jogar em cima do Rafael. Bem feito.

AGDA: - Falando em Rafael, o que ele fez diante disso tudo?

ELIZABETH: - Ligou para o Alfredo. Ficamos sabendo disso tudo ontem, no Europa-Brasil. Alfredo e a Inês estavam lá também. Com certeza ele vai cuidar do caso.

AGDA: - O Alfredo é um bom advogado.

EDUARDO: - Você acha, Agda?

AGDA: - Acho. Não é porque ele é marido da sua irmã, com quem você não se dá bem, que eu vou ter que achar que tudo que vem deles é ruim. Para o seu governo, e o seu também, Beth, a Inês é minha amiga e muito bem quista aqui em casa.

EDUARDO: - Pena que pensa assim, Agda.

AGDA: - Nada me provou que esteja errada até agora, Eduardo.

VITÓRIA: - Rafael foi ontem mesmo até a delegacia. Acompanhou o Jorge.

ELIZABETH: - Jorge? O que  Jorge tem a ver com essa história?

VITÓRIA: - Foi o Jorge quem deu a voz de prisão da Lívia.

ELIZABETH: - O quê?! Então o Jorge é da polícia?

VITÓRIA: - Contratado pelo próprio Rafael para investigar a morte do papai.

AGDA: - Gente, estou surpresa.

ELIZABETH: - O Jorge... Nunca desconfiei de nada... Mais tarde vou até a empresa, falar com o Rafael. E se o Jorge estiver lá, vou cumprimentá-lo pelo belo trabalho.

EDUARDO: - Que admiração repentina pelo Jorge é essa?

ELIZABETH: - Oh, tá com ciúmes, meu amor?

EDUARDO: - Eu? Não...

ELIZABETH: - Não se preocupa, querido. Sua cotação está em alta comigo.

 

Eles continuam o café.

 

CENA 13. DELEGACIA DE POLÍCIA. SALA. INT. DIA.

 

Rafael aguarda na sala para visitas. Lívia é trazida por uma policial. Entra na sala e abraça Rafael. Os dois permanecem abraçados por um tempo.

 

LÍVIA: - Que bom ver você, meu amor!

RAFAEL: - Como você tá?!

LÍVIA: - Eu nem dormi direito, só pensando em sair daqui. Quero ver meu filho, Rafael!

RAFAEL: - Calma! Você vai sair daí o mais rápido possível. O Alfredo já entrou com pedido de habeas corpus pra você. Hoje mesmo a gente tem a resposta.

LÍVIA: - Eu não sei se consigo ficar aqui, Rafael. (chora) Eu não fiz nada!

RAFAEL (abraça Lívia): - Oh, meu amor! Eu sei, eu confio em você.

LÍVIA: - Agora, o Jorge, essa investigação. Tudo isso me deixou confusa.

RAFAEL: - Eu contratei o Jorge para que ele agilizasse esse processo de investigação da morte do meu pai. Ele esteve acompanhando tudo de perto. Até chegar nessa conclusão precipitada. Está na cara que você é inocente! Não sei porque ele acha que você/

LÍVIA: - Agora desse jeito, todo mundo acha! Sua família, os convidados da festa... A imprensa!... Minha vida está acabada.

RAFAEL: - Não se preocupe com o que os outros vão dizer. o que importa é que você sabe que é íntegra. Você vai conseguir provar que estão todos errados. E eu vou estar do seu lado, fazendo o possível e o impossível para que você consiga.

 

Os dois se beijam.

 

POLICIAL: - Acabou o tempo.

 

Lívia levanta-se. A policial a leva embora. Rafael fica na sala, pensativo.

 

CENA 14. APTO MARILU. INT. DIA.

 

Marilu e Paulo conversam.

 

PAULO; - Mas que bagunça é essa aqui, hein!

MARILU: - Fala baixo!

PAULO: - Deu uma festinha ontem é?...

MARILU: - Também sou filha de Deus, poxa.

PAULO: - Falando em Deus, graças a ele acho que me livrei do Romão. Ele nem apareceu lá em casa ontem.

MARILU: - Ele não apareceu lá porque está aqui, dormindo na cama, lá no quarto.

PAULO (surpreso): - Você e o / Não acredito!

MARILU: - Veio aqui para especular a minha vida ou trazer informações importantes sobre a prisão da vadia loira?

PAULO: - Claro... Marilu, você perdeu. Foi cena de cinema! (sentando-se no sofá)

MARILU (trazendo café): - Me conta tudo!

PAULO: - Você acredita que o Jorge é um investigador da polícia, contratado pelo Rafael?

MARILU: - Mas eu sabia que tinha algo estranho nessa história! Então é isso! Ele é da polícia.

PAULO: - Levou mais uns policiais pra festa, parou o som e decretou voz de prisão pra Lívia. Foi incrível.

MARILU: - E o Rafael, o que fez?

PAULO: - Tentou impedir, lógico. Mas Jorge foi firme e levou a coitadinha pra cadeia. Eu, como sempre, dei uma de bom amigo e acompanhei até a delegacia.

MARILU: - Eu imagino a sua cara de bonzinho, Paulo! (ri)

PAULO: - Eu sou uma pessoa boa, oras! (risos)

MARILU: - Que maravilha!... Então a vadia está presa... Isso não poderia ter acontecido em uma hora melhor!

PAULO: - O que você está tramando?

MARILU: - Na hora certa você vai ver.

PAULO: - Ih... De segredo pra mim, é? Você não era assim não.

MARILU: - Ao invés de querer saber os meus planos, você precisa é achar uma forma de pegar dinheiro da Amaro e pagar o Romão. Ele está disposto a abrir o bico!

PAULO; - Tá louca?! Dar dinheiro pra ele, de graça? ele estragou tudo! E outra, com a Lívia presa, ninguém mais vai desconfiar de nada!

 

Nesse instante, Romão surge na porta do quarto, mas não é visto por ninguém. Ele escuta a conversa.

 

MARILU: - Não sei não, Paulo. Ele Está decidido. Eu até me fiz de apaixonada por ele ontem pra ver se conseguia deixar ele na minha. Mas não sei se consigo segurar isso por muito tempo. Romão é um encosto.

PAULO; - Eu vou pensar no que eu posso fazer. Por enquanto, vai dando um jeito de sossegar seu amiguinho. Até porque, quem meteu ele nessa história foi você. (levantando-se)

MARILU: - Tirando o corpo fora, é?

PAULO: - Eu só não quero me meter em confusão, quero dizer, mais ainda. Estou indo para a empresa. Quer carona?

MARILU: - Não, obrigada. Vou daqui a pouco.

 

Paulo sai. Marilu fica pensativa. Romão se aproxima por trás dela.

 

ROMÃO (beija o pescoço de Marilu): - Bom dia, meu amor.

MARILU: - Bom dia, querido! Dormiu bem?

ROMÃO: - Feito um anjo! sua cama é fantástica!

MARILU: - Quer café?

ROMÃO: - Eu quero é um banho antes... Me acompanha?

MARILU (levantando-se): - Não posso. Daqui a pouco estou de saída. Mas eu deixo você usar a banheira se quiser. (vai para o quarto)

 

Romão fica pensativo, desconfiado.

 

CENA 15. EMPRESA AMARO. SALA JORGE. INT. DIA.

 

Alfredo conversa com Jorge.

 

ALFREDO: - Eu vou precisar analisar as provas que você disse ter para pedir a prisão preventiva da Lívia.

JORGE; - Claro. Eu vou providenciá-las pra você. Elas estão sob segredo de justiça, mas você sendo advogado da ré, pode ter acesso... Fiquei sabendo que pediu habeas corpus.

ALFREDO: - Pedi sim, mas foi negado pelo juiz.

JORGE: - Rafael já sabe?

ALFREDO: - Ainda não falei com ele. Estou esperando aqui na empresa.

JORGE: - Ele deve estar com ódio de mim. Mas só fiz o que ele me pediu! Investiguei a morte do pai dele. Só isso.

 

Nesse instante, Elizabeth entra na sala.

 

ELIZABETH: - E fez isso muito bem, Jorge.

JORGE: - Dona Elizabeth.

ELIZABETH: - Pode tirar o dona. E por favor, me chame de Beth. (a Alfredo) Como vai, Alfredo?

ALFREDO: - Bem, Beth.

ELIZABETH: - Então, Jorge, quer dizer que você esteve infiltrado por aqui para descobrir quem matou o meu ex-marido...

JORGE: - A grosso modo, é isso mesmo. A pedido do Rafael, fui contratado para agilizar as investigações.

ELIZABETH: - Confesso que estou surpresa. Mas devo admitir que você fez muito bem em prender aquela oportunista. Está na cara que ela é culpada.

ALFREDO: - Ninguém pode ser culpado sem antes as provas confirmarem. Por enquanto, a Lívia é apenas suspeita.

ELIZABETH: - Então você vai mesmo defendê-la, Alfredo? Defender a suspeita de ter matado o homem que te deu a mão quando você mais precisou?

ALFREDO: - Não misture as coisas, Beth. E estou fazendo isso também pelo Rafael. E pela imagem da empresa. Eu serei eternamente grato ao Tarcísio por tudo o que ele me fez. Mas eu sou profissional.

ELIZABETH: - Só lamento saber que você está na defesa de uma assassina...

ALFREDO: - Veremos se você tem razão ou não. Com licença.

 

Alfredo sai.

 

JORGE: - Vejo que você não gosta da Lívia.

ELIZABETH: - Já viu alguma mulher gostar da amante do seu marido? Ainda mais depois dela ter assassinado ele, ficado com uma parte da herança e, não satisfeita, tentar ficar com filho. É um absurdo o que essa moça fez na minha família. É imperdoável!

JORGE: - Fique calma, Beth.

ELIZABETH: - Eu só passei aqui para te parabenizar pelo seu trabalho. Finalmente a justiça será feita.

JORGE: - Realmente, a justiça será feita. Mas lembre-se que a decisão da justiça nem sempre é aquela que queremos.

ELIZABETH: - Eu sei que ela estará do meu lado. Assim como você.

JORGE: - Eu vou estar do lado da justiça. Independente de qual for.

 

Os dois ficam a se olhar.

 

ELIZABETH; - Eu preciso ver outros setores aqui na empresa.

JORGE: - Claro, fique a vontade.

ELIZABETH; - Tenho certeza que iremos ter mais conversas agradáveis.

JORGE: - Sempre que eu puder, estarei presente, com certeza.

 

Elizabeth estende a mão, em cumprimento a Jorge, que retribui. Nova troca de olhares. Elizabeth sai.

 

CENA 16. REVISTA GOLD MAN. CORREDOR / REDAÇÃO. INT. DIA.

 

CAM foca na porta de um elevador. Ela se abre. Mostra Isabela, linda, saindo, e caminhando em direção à Revista Gold Man. Ela passa pela porta de vidro. O ambiente é moderno, e mistura sofisticação e descontração. A chegada dela na redação chama a atenção dos jornalistas (maioria homens). Vindo ao encontro de Isabela no meio da redação, está Diogo. Caminha esbanjando charme e segurança.

 

DIOGO: - Isabela Alcântara. Bem-vinda à Gold Man. (estende a mão, em cumprimento)

ISABELA: - Diogo Cordeiro, muito obrigada. (retribui o cumprimento)

DIOGO: - E então, o que achou?

ISABELA: - Olha, confesso que nem parece uma redação. Tudo muito bem organizado, decorado.

DIOGO: - Espero que se sinta bem aqui com a gente.

ISABELA: - Já estou!

 

Diogo pega Isabela pela mão, a leva para próximo dos funcionários.

 

DIOGO: - Gente, essa aqui é a Isabela. Ela será nossa jornalista convidada durante algum tempo. Com experiência grandiosa na Flash Paulista, ela vai ser a responsável pela coluna... (cochicha com Isabela) Qual o nome da coluna?

ISABELA (cochicha): - Olhar Feminino.

DIOGO (cochicha): - Obrigado! (a todos) Olhar Feminino. Ela vai trazer o ponto de vista das mulheres sobre alguns assuntos tratados na revista e sobre demais temas que ela achar interessante.

ISABELA: - Não quero provocar uma guerra dos sexos aqui não! (risos) Mas acho que a revista só tem a ganhar com um ponto de vista a mais sobre o que ela tão bem já trata.

DIOGO: - Então pessoal, é isso. Agora, oficialmente, seja bem-vinda, Isabela!

ISABELA: - Obrigada, Diogo, e obrigada a todos vocês!

 

Uma salva de palmas é dada para Isabela, que sorri, agradecida. Diogo, ao seu lado, se mostra encantado.

 

CENA 17. REVISTA FLASH PAULISTA. INT. DIA.

 

Conrado em sua sala, aponta um lápis incessantemente, nervosamente. Mayra, sentada no sofá, conversa com ele, mas ele nem presta atenção.

 

MAYRA: - Aí nós dormimos juntos, Conrado! Foi lindo! Tudo o que eu sempre quis era deitar ao lado do Fabrício!

 

Conrado nem escuta, apontando o lápis "desesperadamente".

 

MAYRA: - Conrado! Tá ouvindo o que eu estou dizendo?!

CONRADO: - Sinceramente? Não.

MAYRA; - Estou vendo!... E para de apontar esse lápis! Já tá um toco!

CONRADO: - Eu não posso parar, senão, enlouqueço.

MAYRA; - Como já não estivesse. Tá assim por que?

CONRADO: - A Isabela começa hoje lá na Gold Man.

MAYRA: - Nossa, que bacana!

CONRADO (deixa o lápis): - Não é bacana! Ela está se jogando na boca do jacaré, do leão, do tigre!

MAYRA: - Meu Deus, ela tá numa floresta ou numa revista? (risos)

CONRADO: - Ela vai trabalhar junto com Diogo Cordeiro, um dos jornalistas mais conhecidos daqui de São Paulo e também um dos homens mais canalhas e pegadores da noite paulistana. Tem noção disso?!

MAYRA: - Estou tendo a noção do seu ciúme!...

CONRADO: - Ele vai agarrar ela! Parece que estou vendo! Aquele papinho furado, aquela conversinha querendo saber onde ela mora, o que gosta de fazer... (pega o lápis novamente, volta a apontá-lo)

MAYRA: - Conrado, a Isabela não é nenhuma criança, meu amigo. Ela sabe se virar sozinha.

CONRADO; - Ela está grávida! está frágil... Presa fácil nas mãos de um malandro da Selva de Pedra como o Diogo! (larga o lápis)

MAYRA (levantando-se): - Você e o Diogo tem uma rixa de anos né?

CONRADO: - Disputávamos páreo a páreo, ou melhor, mulher por mulher, o posto de maior pegador da cidade. Ele venceu. Trapaceando!

MAYRA: - Trapaceando como?

CONRADO: - Ser aceito numa orgia de lésbicas, sendo o único homem, não contava no regulamento!

MAYRA: - Minha nossa! Esse Diogo, vou te contar hein!... Nunca vi ele. É bonitão?

CONRADO: - E você vem perguntar isso pra mim?! (pega outro lápis)

MAYRA: - Vou deixar você na sua loucura aí... Vou lá editar minha matéria sobre mini-saias. Vai ser o último grito do verão! E me preparar, porque à noite, vou sair com meu amor!

 

Mayra sai. Conrado fica, apontando o lápis.

 

CONRADO: - Essa aqui, Diogo, será a sua cabeça, caso você encoste um dedo na mãe do eu filho... (apontando o lápis bruscamente)

 

 

CENA 18. EMPRESA AMARO. SALA PRESIDÊNCIA. INT. DIA.

 

Rafael com Alfredo na sala. Rafael está chateado.

 

RAFAEL: - E não tem como reverter isso?

ALFREDO: - Eu vou fazer um novo pedido de habeas corpus. Pode demorar um pouco mais para termos a resposta.

RAFAEL: - Pedido negado... Como isso?

ALFREDO: - Às vezes é difícil entender cabeça de juiz. Mas eu vou tentar novamente, como já disse... Eu preciso ir para o escritório. Qualquer novidade, eu te aviso.

RAFAEL: - Obrigado, Alfredo.

 

Alfredo sai. Rafael fica pensativo, com as mãos na cabeça. Nem percebe a entrada de Beatriz na sala.

 

BEATRIZ; - Sinto muito pelo o que aconteceu.

RAFAEL (surpreso): - Beatriz!

BEATRIZ; - Espero não estar incomodando.

RAFAEL: - Imagina. Fica a vontade.

 

Beatriz senta-se na cadeira em frente à mesa de Rafael.

 

BEATRIZ; - Como você está?

RAFAEL: - Péssimo... A Lívia presa era tudo o que não queria.

BEATRIZ: - Não vou dizer que estou feliz, mas também não desejo nada disso para ela... Na verdade, Rafa, eu acho que a minha vinda até aqui se deu num bom momento.

RAFAEL: - Bom momento? Como assim?

BEATRIZ; - Eu preciso te dizer uma coisa. É importante. Pra mim e pra você.

 

Beatriz entrega um envelope para Rafael.

 

BEATRIZ: - É o exame de gravidez. Eu fiz hoje mesmo, de manhã. Esperei algumas horas e eles já me deram o resultado. Positivo.

 

Rafael lê o exame, fica sem reação.

    

BEATRIZ: - Eu estou grávida, Rafael. Você vai ser pai.

RAFAEL: - Mas a gente não/

BEATRIZ: - Antes da gente se separar, Rafael... Foi naquela noite... Agora não tem como voltar atrás. Vamos estar ligados para sempre.

RAFAEL: - Lembro bem de você me dizendo isso.

BEATRIZ: - E olha que quando eu falei, nem sabia que estava grávida.

RAFAEL: - Bem, você pode ter certeza que eu vou te ajudar com todas as despesas que você tiver e, certamente, carinho e amor pra ele não vão faltar.

BEATRIZ: - E para mi? Eu não terei direito ao carinho e ao amor?

RAFAEL: - Beatriz, vamos com calma...

BEATRIZ: - Nada mais saudável para uma criança do que crescer com os pais juntos, lado a lado.

RAFAEL: - Mas nós estaremos lado a lado. Não precisamos estar casados para isso.

BEATRIZ: - Você não entende, não é? Mas tudo bem. Eu vou deixar você pensar, processar tudo isso... Eu tenho certeza que a paternidade vai fazer você pensar melhor e realmente ter certeza de qual caminho a seguir. O da felicidade, com uma família perfeita ao meu lado. Ou a sombra de tristeza, ao lado de uma mulher presa, acusada de matar o seu pai.

RAFAEL: - Por favor, Beatriz. Não precisamos disso.

BEATRIZ (levantando-se): - A gente conversa outra hora... Parabéns, papai.

 

Beatriz sai. Rafael fica pensativo.

 

CENA 19. CASA LÍVIA. INT. DIA.

 

Rosa e Louise conversam na sala, enquanto Pedro brinca no chão com alguns brinquedos.

 

LOUISE: - Me dá um aperto no coração, sabia? Pobre do Pedrinho!... Tomara que a Lívia saia logo.

ROSA; - Ele acordou hoje e perguntou pela mãe... Falei que ela saiu cedo para o trabalho.

LOUISE: - Quero ver quando a noite chegar. Ele vai sentir falta.

ROSA: - Espero que esse pesadelo acabe logo. Mas algo me diz que isso está longe de terminar.

LOUISE: - Ai Rosa, vira essa boca pra lá!... Vibrações positivas!

 

A campainha toca. Louise vai atender. Se surpreende ao ver Alexandre, acompanhado de Nestor.

 

ALEXANDRE (entrando): - Como vai, tudo bem?

 

Nestor acompanha Alexandre. Louise o segue, atordoada.

 

LOUISE; - Mas o que significa isso? Vai entrando assim, sem mais nem menos?!

ROSA: - O que você quer aqui, Alexandre?!

 

Pedro, vê o pai e corre para abraçá-lo.

 

PEDRO: - Papai!

ALEXANDRE (abraçando Pedro): - Pelo menos alguém gosta de mim. Me recepciona calorosamente, como eu mereço.

ROSA: - Se afasta do garoto!

ALEXANDRE: - Ele é meu filho caso você não lembre.

LOUISE: - Eu vou chamar a segurança do condomínio.

ALEXANDRE: - Não precisa chamar ninguém, querida. A não ser que seja para você ir embora escoltada.

LOUISE: - Do que você está falando?

ALEXANDRE: - Este aqui é o Nestor, meu advogado. Nestor...

NESTOR: - Eu tenho aqui em mãos, um documento expedido pela justiça, passando a guarda do pequeno Pedro Ribeiro da Silva para o seu pai, Alexandre, enquanto a mãe estiver com pendências judiciais.

 

Nestor entrega uma cópia do documento para Rosa, que lê, perplexa.

 

ROSA: - Não pode ser verdade! Isso aqui é falso!

ALEXANDRE: - Você pode confirmar a autenticidade em qualquer cartório da cidade, Rosa. E tem mais!... Por favor, Nestor, prossiga.

NESTOR: - Enquanto estiver com a guarda da criança, Alexandre irá residir na casa de Lívia Ribeiro da Silva, sendo o responsável pela administração do imóvel enquanto ela não puder responder.

LOUISE; - Mas isso é uma loucura!

ALEXANDRE: - Isso é uma reparação judicial! Eu nunca me senti tão bem sendo contemplado pela justiça por algo que é meu também, por direito. Estava na hora da Lívia me pagar o que deve. E ainda sim, é pouco... Mas por enquanto, está bom. Acho que vou me dar bem aqui.

ROSA: - Não pode ser verdade. Isso não está acontecendo.

ALEXANDRE: - Está sim. E eu agora, como dono desta casa, ordeno que saiam daqui. (firme) Agora!

LOUISE: - A gente não pode deixar o Pedro com ele, Rosa! A Lívia pediu/

ALEXANDRE: - Eu sou o pai dele e sei bem o que é bom para o meu filho. Ele ficará bem comigo. Agora saiam. Vamos! Antes que eu chame a segurança.

 

Rosa, inconformada, se aproxima de Pedro para se despedir. Ela vai beijar o garoto, mas Alexandre o afasta dela. Rosa o encara, chocada.

 

ALEXANDRE: - Sem maiores aproximações do meu filho. Vocês não são boas influências.

ROSA (cínica): - E você é uma ótima referência para ele!

 

Alexandre sorri, debochado. Rosa se afasta. Ela e Louise vão embora. Alexandre se joga no sofá, dando risada, comemorando.

 

ALEXANDRE: - Eu nem acredito, Nestor! Conseguimos!

NESTOR: - Eu disse que não seria difícil. É ótimo ter amigos no cartório. Esse documento não passou nem pelas mãos do escrevente. Isso aqui é mais falso que nota de três reais.

ALEXANDRE: - Mas deixa assim. Você fez tudo direitinho. E enquanto a Lívia não sai da cadeia, eu posso aproveitar um pouco dessa mordomia... Mas sabe o que eu queria mesmo? Era poder tomar conta do dinheiro dela, da parte dela na empresa...

NESTOR: - Isso aí já é um passo grande, Alexandre. Não sei se consigo.

ALEXANDRE: - Tudo bem. Vamos arquitetando tudo com calma... Agora, champanhe!

 

Pedro se aproxima de Alexandre.

 

PEDRO: - Você brinca comigo, papai?

ALEXANDRE: - Não amola o papai, filho. Vai brincar lá no seu quarto, depois o papai vai lá, tá? Agora me deixa.

 

Pedro pega o brinquedo e sai.

 

NESTOR: - Quanto amor pela criança. (risos)

ALEXANDRE: - Eu gosto dele. Mas sabe como é criança, né? Às vezes enjoa.

 

CENA 20. EMPRESA AMARO. SALA VITÓRIA. / CORREDOR. INT. DIA.

 

Elizabeth conversa com Vitória.

 

ELIZABETH: - Estive a pouco na sala do seu irmão. Ele estava tão estranho...

VITÓRIA: - Também pudera né, mãe? olha a barra que ele tá passando.

ELIZABETH: - Sei lá. Acho que no fundo não é só isso. Coração de mãe não se engana.

VITÓRIA: - Talvez não seja isso mesmo... Vi a Beatriz saindo aqui da empresa.

ELIZABETH: - A Beatriz? Veio fazer o que aqui? Matéria para a revista?

VITÓRIA: - Não sei. Só sei que nem falou comigo, foi embora feito um furacão... Deve ter vindo falar com o Rafa e pelo visto, a conversa não foi das melhores.

ELIZABETH: - Não entendo seu irmão!... Trocar uma moça tão linda, inteligente, adorável como a Beatriz, pela Lívia?! Essa mulher não vai acrescentar em nada na vida dele!

VITÓRIA: - Ele está apaixonado, mamãe!

ELIZABETH: - Não sei se é paixão ou burrice... Bom, vou indo embora. Passei aqui só para te dar um oizinho. Bom trabalho.

VITÓRIA: - Obrigada.

 

Elizabeth sai da sala de Vitória e vai caminhando pelo corredor quando encontra Inês. As duas se surpreendem. Ficam a se olhar.

 

INÊS: - Como vai Beth?

ELIZABETH: - Tudo bem. E você?

INÊS: - Bem também. Mas poderia estar melhor se tivesse minha amiga do meu lado.

ELIZABETH: - Olha só Inês, eu preciso ir e/

INÊS: - Por favor, Beth, não fuja de mim!... Vamos aproveitar que estamos as duas aqui, só nós, frente a frente e esclarecer tudo. (segura a mão de Elizabeth) Nós éramos tão amigas! Compartilhávamos tudo uma com a outra!... Não me conformo de você ter mudado tanto assim comigo por causa do Eduardo.

ELIZABETH: - Eu não mudei por causa do Eduardo! Foi você quem me atacou com aquelas mentiras e fez com que eu me afastasse, Inês. Não tem como ficar próximo de alguém que quer ver sua infelicidade.

INÊS: - Eu não quero te ver infeliz. Muito pelo contrário. Quero que você tenha a maior felicidade do mundo. Só acho que a pessoa que você escolheu para ser sua companheira nessa jornada, não foi uma pessoa bacana. Só isso. Tenho direito de discordar de você, justamente por ser sua amiga e querer seu bem.

ELIZABETH: - E eu também tenho o direito de discordar de você por ser sua amiga. Não acho justo o que você faz com seu irmão.

INÊS: - Se você soubesse o que eu passei, não estaria me dizendo isso, Beth.

ELIZABETH: - Vejo que você continua irredutível.

INES: - Você sabe que no fundo, tudo isso que eu estou te dizendo é verdade. Eu não iria abrir meu coração para qualquer outra pessoa se não fosse você. aquilo que eu disse ontem no restaurante, é verdade. Sinto falta da gente, Beth.

 

Os olhos de Elizabeth marejam.

 

INÊS (emocionada): - Sabe o que eu mais quero nesse mundo, agora? Quero que, independente de existir o Eduardo na nossa vida, para o bem ou para o mal, que a nossa amizade / que a nossa fraternidade, seja cada vez mais forte, mais pura e verdadeira. Não quero que seja igual àquela que tínhamos.     Quero que seja melhor!

ELIZABETH: - Eu também.

 

As duas se abraçam fortemente, emocionadas. Se afastam, olham fixamente uma à outra.

 

INÊS: - Eu vou respeitar a sua vontade, Beth. Mas quero que você entenda que/

ELIZABETH: - Eu vou procurar entender... Também vou procurar respeitar a sua vontade.

INÊS: - Bom ter você de volta.

ELIZABETH: - Não sabe o quanto isso me deixa feliz.

 

As duas se abraçam novamente, felizes.

 

CENA 21. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER

 

Imagens de São Paulo ao anoitecer. Mostra a movimentação da cidade.

 

CENA 22. APTO RAFAEL. SALA. INT. NOITE.

 

Rafael conversa com Marcos, enquanto bebem cerveja.

 

MARCOS: - Grávida?!

RAFAEL: - Grávida meu caro. Grávida!... Eu fiquei totalmente sem reação.

MARCOS; - Eu nem sei o que dizer, Rafa.

RAFAEL: - Pois é. Mais essa agora. A Lívia na cadeia. A Beatriz, grávida... Mas o pior disso tudo, é que a Beatriz vai usar a gravidez pra tentar me aproximar dela, me amarrar literalmente. Já saquei isso hoje na conversa dela.

MARCOS: - Mas você acha que ela seria capaz disso? A Beatriz é uma pessoa tão sensata. Pelo menos me parece.

RAFAEL: - Sei lá... Senti ela estranha hoje.

MARCOS; - Mas você sente alguma coisa por ela ainda? Porque pra ela estar grávida agora...

RAFAEL: - Isso aconteceu na última vez que a gente se reconciliou. E que não deu certo... Ou melhor deu né, num bebê... Mas eu não sinto mais amor pela Beatriz. Tenho um carinho por ela sim. Foi uma pessoa legal na minha vida, sabe? Mas amor mesmo, não tenho mais. Meu coração já está preenchido.

MARCOS: - O meu também. Adriana tomou conta dele todo!

RAFAEL: - Gostei de ver vocês dois na festa, juntos, felizes.

MARCOS: - Eu me sinto bem do lado dela... Agora preciso me preparar para enfrentar dona Onira!... Ela não sabe que eu e a Adriana voltamos.

RAFAEL: - Cara, eu não entendo porque sua mãe não é a favor desse namoro. A Adriana é super gente boa, honesta, batalhadora, bonita, bem de vida.

MARCOS: - É triste admitir isso, Rafa, mas minha mãe é racista. Descobri isso justamente quando me apaixonei pela Adriana... Só em lembrar nas coisas que eu ouvi minha mãe dizer, me deixa mal pra caramba.

RAFAEL: - É ruim ver a pessoa ter esse tipo de preconceito. Como a cor da pele designasse a qualidade, capacidade, dignidade da pessoa.

MARCOS: - Infelizmente minha mãe pensa.

RAFAEL: - Bom que você não pensa assim!

MARCOS: - E pode escrever aí! Eu estou disposto a enfrentar o que for preciso para ficar com a Adriana. Ela é a mulher da minha vida.

RAFAEL: - Vamos fazer um brinde às mulheres das nossas vidas! Adriana e Lívia!

 

Os dois pegam as garrafinhas de cerveja e brindam.

 

CENA 23. APTO BEATRIZ. / CORREDOR. INT. NOITE.

 

Beatriz comemora com Marilu.

 

BEATRIZ: - Ele ficou balançado, Marilu. O fato dele vir a ser pai mexeu com ele.

MARILU: - Que ótimo! Eu nem vi você lá na empresa. Que bom que deu tudo certo.

BEATRIZ: - Deu sim. E eu conheço o Rafael. Não vai demorar muito para ele vir atrás de mim, me pedindo desculpas/ desculpas não! Perdão, pelo erro que ele fez.

 

Marilu fica pensativa.

 

BEATRIZ: - Ele não quis admitir, mas eu sei que no fundo ele ainda é apaixonado por mim. Rafael é meio introspectivo. Quase não demonstra os sentimentos.

MARILU; - Eu disse que essa gravidez seria ótimo pra você...

BEATRIZ: - Eu não teria conseguido se você não tivesse me ajudado, Marilu. Obrigada, por tudo.

MARILU: - Imagina. Sou sua amiga. Quero se seja feliz. E que os infelizes, como a Lívia, se afastem da nossa vida e não atrapalhem a nossa caminhada.

BEATRIZ: - Que assim seja!... Ah, você vai adorar o jantar.

MARILU: - Ai amiga, eu não vou jantar.

BEATRIZ: - Ah não brinca, Marilu! Você disse que ia ficar!

MARILU: - Pois é, mas eu tenho compromisso...

BEATRIZ: - Que compromisso é esse, que surgiu assim, do nada?

MARILU: - Na verdade, eu preciso ir pra casa, analisar uns documentos da empresa, enfim. Não dá pra adiar mais.

BEATRIZ: - Pena... Chamei uma comida japonesa deliciosa, de um restaurante na Liberdade.

MARILU: - Outra hora a gente comemora com tudo o que temos direito.

BEATRIZ: - Vou cobrar hein!

MARILU: - Pode cobrar. (risos / falsa)

 

Marilu pega sua bolsa, vai para a porta. Beatriz a acompanha.

 

BEATRIZ: - Valeu.

 

As duas se abraçam. Marilu se despede e sai. Beatriz entra no apto. Marilu caminha até o elevador, pensativa.

 

MARILU: - E agora é agir novamente...

 

O elevador abre a porta, Marilu entra. Encara-se no espelho no interior do elevador.

 

MARILU: - Hora da subida, Maria Luísa!

 

Marilu se contempla, poderosa.

 

CENA 24. AGE AQUÁRIOUS. INT. NOITE.

 

Festa na Age Aquários. CAM mostra plano geral. A danceteria está lotada. Entre os presentes, Fabrício e Mayra, que dançam na pista, curtindo um ao outro.

 

FABRÍCIO: - Vamos dar uma pausa? Tô ficando com sede. Vou pegar uma bebida no bar. Você quer?

MAYRA: - Quero sim!

FABRÍCIO: - Me espera ali na mesa então. Volto já.

 

Mayra vai até a mesa, enquanto Fabrício segue para o balcão do bar. No balcão, Breno bebe um drink, enquanto observa as pessoas na festa. Ele troca olhares com uma mulher.

 

Enquanto isso, na mesa, Mayra troca mensagens com Conrado.

 

MAYRA (escrevendo): - Conrado, estamos aqui na Age Aquárious. Eu e o meu brinquedinho amado. Ele é tão fofo! E mesmo não dançando tão bem, é encantador. (termina de escrever) Enviar.

 

Ela envia a mensagem. Aguarda um pouco, recebe uma resposta.

 

MAYRA (lendo): - Você fisgou bem ele então, hein! Parabéns! (risos) Ah Conrado... (escreve a resposta) Eu quero é esfregar na cara da idiota da Vitória, que duvidou que eu conseguiria ficar com ele. Quero mostrar pra ele que eu consegui. Agora ele tá na minha mão, me paparicando, fazendo tudo o que eu gosto. Estou amando! (termina de escrever, aperta em enviar)

 

Fabrício se aproxima com as bebidas.

 

FABRÍCIO: - Drink de morango. Espero que goste.

MAYRA; - Eu amo!... Mas antes, eu vou ao banheiro. Já volto.

 

Mayra deixa o celular na mesa e sai. Fabrício permanece, bebendo. O celular de Mayra recebe uma mensagem. Fabrício ve que é de Conrado e abre.

 

FABRÍCIO (lendo a mensagem): - Fico feliz que tenha conquistado o garotão. E mais ainda que esteja curtindo tudo o que ele está fazendo pra você. Aliás, você sempre consegue o que quer, sabe bem influenciar as pessoas. (termina de ler) Que mensagem é essa?

 

Fabrício começa a ler outras mensagens no celular de Mayra e descobre as conversas dela com Conrado. Fabrício se mostra surpreso.

 

FABRÍCIO: - Não posso acreditar...

 

CENA 25. APTO PAULO. INT. NOITE.

 

Paulo chega em seu apto trazendo sacolas de compras. Romão está no sofá, assistindo TV.

 

PAULO: - Porque você não arruma algum trabalho, alguma atividade útil?

ROMÃO; - Nunca trabalhei na vida. Não vai ser agora que eu vou trabalhar. Ainda mais que eu estou pra receber uma grana.

PAULO: - Receber grana é? De quem?

ROMÃO: - Tá me achando com cara de palhaço, Paulo? Eu hein! Não te mete a besta comigo, mano! O teu tempo e o da Marilu ta acabando...

PAULO: - Calma! Eu vou dar um jeito!

ROMÃO: - Eu até achei uma coisa que dá pra gente negociar.

PAULO: - Achou o quê?

 

Romão tira do bolso o colar de Lívia. Paulo fica atônito e num impulso rápido pega o colar das mãos de Romão.

 

PAULO: - De onde você tirou isso, marginal?!

ROMÃO: - Você não sabe nem esconder uma jóia! Não dá pra dar bandeira com uma coisa dessas, escondendo num pote de creme vazio no banheiro!

PAULO: - Acontece que aqui em casa ninguém mexe nas minhas coisas. Mexiam né, já que agora você deu o primeiro passo.

ROMÃO: - Então, eu pensei em você me vender esse colar aí e a gente/

PAULO: - Pode esquecer! Aliás, esqueça que você viu esse colar, tocou nele!

ROMÃO: - Ih, o que foi? O que tem esse colar aí? Roubado é?

PAULO: - Não é da sua conta (guardando o colar no bolso)

ROMÃO: - Taí... Temos mais um ladrão aqui! A diferença é que eu sou profissional.

PAULO: - Você é um folgado!... E não se preocupe. Eu vou tentar conseguir esse dinheiro o quanto antes para você. Assim eu me livro da sua cara mal feita e da sua presença infame na minha casa!

 

Paulo sai. Romão ri, debochado.

 

CENA 26. CASA LÍVIA. QUARTO PEDRO / CORREDOR. INT. NOITE.

 

Pedro chora, deitado no chão, envolto por seus brinquedos. Alexandre entra no quarto, com uma garrafa de cerveja nas mãos.

 

ALEXANDRE: - Tá chorando por quê, Pedro?

PEDRO: - A mamãe... Onde ela está?

ALEXANDRE: - Tua mãe? Tá na cadeia. Tá lá onde é o lugar dela.

PEDRO: - Ela vai voltar?

ALEXANDRE: - Se Deus quiser, não mais... Sabe por quê? Porque sua mãe é uma pessoa muito má!... Ela fez muita coisa ruim, sabia? Ela não é uma fada encantada. Ela é a bruxa má!

PEDRO: - A minha mãe é boa.

ALEXANDRE: - Sua mãe é uma mentirosa!... E vamos parar com esse chororô, que isso é coisa de mulherzinha; Você é homem e não menininha pra ficar chorando por aí.

 

Pedro chora ainda mais, entristecido.

 

ALEXANDRE: - Poxa, Pedro! Para de chorar!... Que pé no saco isso! Nem parece meu filho!

 

Alexandre bebe um pouco da cerveja, enquanto Pedro chora.

 

ALEXANDRE: - Quer saber? Fica aí chorando então. Não to com paciência pra ficar tentando alegrar criança.

 

Alexandre sai do quarto e tranca a porta, deixando Pedro sozinho.

 

ALEXANDRE: - Será que na TV a cabo tem canal adulto?... Senão vou ter que dar umas voltas por aí... (sacana) Conhecer um pouco mais da mulher paulistana.

 

CENA 27. AGE AQUÁRIOUS. INT. NOITE.

 

Mayra chega de volta do banheiro, senta-se a mesa. Abraça Fabrício, que se afasta.

 

MAYRA: - O que foi, Fabrício?

FABRÍCIO: - Quem faz as perguntas aqui sou eu.

MAYRA: - Por que está falando isso? o que está acontecendo.

 

Fabrício mostra as mensagens no celular para Mayra, que se surpreende.

 

MAYRA; - Você mexeu no meu celular?!

FABRÍCIO: - Eu não podia mexer, né? Sou só um brinquedinho pra você!

MAYRA: - Ai Fabrício, você entendeu tudo errado! Eu estava/

FABRÍCIO; - Você estava me fazendo de trouxa, de palhaço, é isso?!

MAYRA: - Não! (aproximando-se) Fabrício, meu amor, eu nunca faria isso!

FABRÍCIO (levanta-se); Não chega perto de mim!... Você queria mesmo era me exibir como um troféu, não é? A sua conquista!... Mayra, eu me aproximei de você, achei que você estivesse precisando de ajuda, de apoio... Te ajudei na reportagem da revista, estive com você quando a sua mãe morreu. e é assim que você me agradece? Me chamando de brinquedinho, dizendo que eu estou nas suas mãos?!

MAYRA: - Foi uma forma errada de dizer que nós estamos juntos, só isso.

FABRICIO: - Mas nós não estamos mais juntos.

MAYRA: - Fabrício, para de bobagem. Vamos curtir a festa. (pega ele pela mão, leva para a pista)

FABRÍCIO (soltando-se): - Não! (firme) Chega!

 

Mayra se assusta. Do bar, Breno observa a situação.

 

FABRÍCIO: - Você é mentirosa, insensível. Egoísta. Eu fui um palhaço mesmo, te dando uma chance. Você é um erro na minha vida, Mayra. Eu erro. E eu não quero repetir esse erro. Nunca mais. (saindo)

MAYRA: - Fabrício! Fabrício espera!

 

Fabrício sai sem dar ouvidos. Mayra fica chateada, sem chão, no meio da pista. Chora. Breno ai do bar e se aproxima dela.

 

BRENO: - Oi.

MAYRA: - Eu não quero dançar cara, acabei de levar um fora!

BRENO: - Eu sei. Não quero dançar. Eu vi o que aquele cara fez pra você.

MAYRA: - Viu é?... Ele disse que eu era um erro na vida dele. (chora)

BRENO (abraça Mayra): - Não chore!... Vem, vamos ali na mesa.

MAYRA: - Eu não sabia que gostar demais de uma pessoa era um erro...

BRENO: - Se isso fosse erro, eu também errei. E errei feio.

 

Breno sai da pista, levando Mayra para a mesa.

 

MAYRA: - Nunca pensei ouvir isso de alguém.

BRENO: - As pessoas não estão preparadas para receber carinho.

MAYRA: - Ai Meu Deus! Por que isso comigo?!...

BRENO: - Quer beber alguma coisa?

MAYRA: - Não, obrigada... Não! Eu quero sim. Vodka. Não! Tequila!

BRENO: - E você consegue?!

MAYRA: - Desce feito água... (risos)

BRENO: - Me chamo Breno. E você?

MAYRA: - Sou Mayra.

BRENO: - Vou buscar sua tequila.

MAYRA: - Limão e sal, por favor.

 

Breno sai. Mayra fica pensativa.

 

CENA 28. APTO RAFAEL. INT. NOITE.

 

Rafael conversa no telefone com Rosa.

 

RAFAEL (ao telefone): - Não pode ser verdade, Rosa! Esse cara não pode ficar na casa da Lívia, muito menos com o Pedro! (T) Documento? (T) Sei... E a autenticidade? (T) Mesmo assim. Vou pedir para o Alfredo averiguar. Não pode estar certo isso.

 

A campainha toca.

 

RAFAEL (ao telefone): - Eu preciso desligar Rosa. Mas obrigado por me avisar disso tudo. (T) Boa noite pra você. (desliga o telefone)

 

Rafael atende a porta. CAM mostra Marilu, vestida totalmente sensual.

 

RAFAEL: - Maria Luísa?

MARILU: - Desculpe vir aqui assim, sem avisar... Posso entrar?

 

Marilu encara Rafael. Encerra com Pra Rua Me Levar – Ana Carolina
 
     
     


autor
Édy Dutra

elenco
Christine Fernandes como Lívia
Taís Araújo como Marilu
Zé Carlos Machado como Tarcísio
Fábio Assunção como Rafael
Bruno Ferrari como Jonas
Marcos Caruso como Paulo
Renata Domingues como Carla
Júlio Rocha como Breno
Bianca Castanho como Beatriz
Júlia Feldens como Vitória
André Bankoff como Fabrício
Danton Mello como Marcos
Lavínia Vlasak como Isabela
Caco Ciocler como Conrado
Janaína Lince como Sarah
César Mello como Alfredo
Aída Leiner como Inês
Luíza Curvo como Tatiana
Jonathan Haagensen como Plínio
Marco Ricca como Fausto
Sílvia Pfeifer como Lorena
Thaís Vaz como Mayra
Gisele Policarpo como Gisa
Guilherme Leme como Almir
Mônica Martelli como Louise
Sérgio Menezes como Kléber
Cyria Coentro como Nice
Ernesto Piccolo como Moisés
Natália Guimarães como Rita

Atrizes convidadas
Sônia Braga como Elizabeth
Regina Duarte como Rosa
Valquíria Ribeiro como Adriana
Ângela Leal como Agda
Mila Moreira como Charlote
Denise Del Vecchio como Onira
Beatriz Segall como Wanda
Arlete Salles como Alaíde

Atores convidados
Gracindo Júnior como Demétrio
Rodrigo Santoro como Henri
Juan Alba como Alexandre
Nill Marcondes como Eduardo
Roberto Bonfim como Roberto
Floriano Peixoto como Jorge

Participações especiais
Dudu Azevedo como Romão
Elisa Lucinda como Cidália
Antonio Pitanga como Tenório
Vanessa Lóes como Clair
Alexandre Slaviero como Hugo
Lui Mendes como Pereira
Mônica Martelli como Louise
Dudu Azevedo como Romão

Trilha Sonora
Pra Rua Me Levar – Ana Carolina (abertura)

Produção

Bruno Olsen
Cristina Ravela
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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