Talismã - Capítulo 26



     
 

No capítulo anterior de Talismã:

LÍVIA: – Você nunca se preocupou comigo, Alexandre. Sempre me explorou, me fez uma escrava!

ALEXANDRE (grita): - Mentira! Mentira, meu amor! (se aproxima, agarra Lívia) Eu sempre te amei! Sempre tive por você um amor incondicional!

LÍVIA (empurra Alexandre): - Amor?! Você me obrigava a fazer programa pra pagar aquele quartinho imundo! Você nem dava bola

pro Pedro!

ALEXANDRE: - Eu sempre pensei no melhor para você e pro moleque.

LÍVIA: - Não vem dar uma de bonzinho, Alexandre. Você não tem coração, não tem alma pra isso... Você é seco feito deserto, coração duro feito pedra. É podre de espírito/

ALEXANDRE: - E você é má agradecida!

LÍVIA: - Má agradecida?! Eu sou a presa que fugiu do predador! Eu não devo nada a você, nada! Me deixa viver a minha vida, seu monstro!

ALEXANDRE (segura Lívia fortemente): - Não deve é?! Esqueceu do passado, Lívia? Esqueceu do sacrifício que eu fiz por você?

LÍVIA (apreensiva): – Do que você está falando?

ALEXANDRE: - Eu quero receber de volta tudo o que eu mereço por ter passado o que eu passei por sua causa! E você sabe muito bem disso! (empurra Lívia)

Lívia cai sobre o sofá.

ALEXANDRE: - Esqueceu que eu fui parar na cadeia por sua causa, Lívia?

Os dois ficam a se encarar. Lívia surpresa com a pressão de Alexandre.

...

ALEXANDRE: - Esqueceu, Lívia?! (grita) Esqueceu?!

LÍVIA: - Não grite! O Pedro está dormindo!

ALEXANDRE: - Foram anos ruins da minha vida. Você não sabe o quanto eu sofri naquela cadeia, junto com outras pessoas más, cruéis. Gente que roubou e até matou, coisa que eu não fiz!

LÍVIA: - Eu sinto muito, de verdade, por tudo o que você passou/

ALEXANDRE: - Era você quem deveria estar lá! Eu não sou um assassino, Lívia!

Lívia chora.

...

ISABELA / SARAH (ao mesmo tempo): - Você vai ser é pai!

As duas se olham, surpresas. Conrado toma um choque com a notícia.

CONRADO: - Como é que é?!

SARAH / ISABELA (ao mesmo tempo): - Eu estou grávida!

...

MARILU: - Viu só? A Lívia já está colocando as asinhas de fora. Deixou o patrãozinho em maus lençóis com a noiva. Espera essa Lívia.

PAULO: - Espera a Lívia, espera você, também. Já fiquei sabendo que você foi jantar na casa da Lorena.

MARILU: - Mas as notícias voam nessa empresa.

PAULO: - Está conseguindo ficar bem próxima dela então.

MARILU: - Tô sim. Conseguindo mais do que eu imaginei.

PAULO: - Não entendi.

MARILU; - Disfarça que ela vem vindo.

...

Onira é levada de maca pelos funcionários para o interior da clínica. Marcos acompanha, aflito. Encontra Gisa e Almir.

GISA: - Marcos?

MARCOS: - Gisa, minha mãe! Ela está muito mal!

Almir examina Onira.

ALMIR: - Emergência, rápido!

MARCOS: - Por favor, me ajuda!

GISA: - calma, vai ficar tudo bem!

Almir sai com os outros funcionários. Gisa acompanha. Marcos fica esperando, apreensivo.

...

BRENO: - Eu vi você entrando num carro ontem, na avenida perto daqui e eu segui vocês. Vocês entraram nesse mesmo motel. E você volta aqui hoje comigo e age como se nada tivesse acontecido.

CARLA: - Breno, eu posso explicar.

BRENO (firme): - Então fala, Carla! Quem é você, de verdade?!

Breno pressiona Carla.

...

Marilu está no corredor, chega em frente a porta de um dos quartos do motel. Bate à porta. De repente, a porta se abre. CAM

mostra Fausto.

FAUSTO: - Sabia que você viria.

Fausto e Marilu se olham, maliciosos.

 
     
     
     
     

CAPÍTULO 26
 
     
 
 
 

CENA 01. MOTEL. INT. NOITE.

 

Continuação do capítulo anterior. Marilu encontra Fausto no motel.

 

FAUSTO: - Você está linda.

MARILU: - E você é louco, me mandando mensagem quando eu não posso responder. A Lorena estava bem próxima, sabia?

FAUSTO: - Não, não sabia... Mas pra mim não importa. Eu quero é curtir essa noite com você.

 

Fausto puxa Marilu para dentro do quarto, fecha a porta. Os dois se beijam, calorosamente e caem sobre a cama. Marilu se afasta.

 

FAUSTO: - O que foi? Vem cá!

MARILU: - Safado!... Só quer se divertir comigo...

FAUSTO: - Você é que pensa. Tá vendo aquela chave ali. (aponta)

 

Marilu vê a chave de um carro sobre a mesa.

 

MARILU: - O que é que tem?

FAUSTO: - Teu carro.

MARILU (surpresa): - o quê?! Você comprou um carro pra mim?!

FAUSTO: - Comprei... Não é modelo novo não, é mais popular, pra não dar bandeira. Mas é pra você ver que eu to te valorizando, que eu sei bancar uma mulher bonita, gostosa. Que eu tenho cacife como o Tarcísio tinha.

MARILU: - Desse jeito você me surpreende bem mais que o Tarcísio. Gostei de ver!... (maliciosa) Agora, vamos brincar de médico?

FAUSTO: - Só se for agora... Vem pra cá!

 

MUSIC ON: Bella Ciao – Alok Bashkar, Jetlag Music e André Sarate

Marilu se joga sobre Fausto, o beija calorosamente. Os dois rolam sobre a cama.

 

CENA 02. CASA FAUSTO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

 

FADE OUT MUSIC.

Lorena e Mayra conversam. Lorena lendo uma revista enquanto Mayra, em seu notebook tenta editar a matéria com Fabrício.

 

MAYRA: - Ai que saco! Não ficou como eu queria!

LORENA: - O que foi Mayra?

MAYRA: - Minha matéria para a Flash Paulista. Vou ter que refazer... Ou dar uma boa melhorada nisso aqui.

LORENA: - Matéria sobre o quê?

MAYRA: - Jovens bonitos e bem sucedidos no emprego. Além de entrevista, tem um ensaio sensual.

LORENA: - Mayra! Que matéria é essa? E ainda na Flash Paulista?

MAYRA: - Ai mamãe, a revista precisa inovar. Eu vou dar esse toque especial pra eles. Mas se não fosse aquela sonsa da Vitória, eu/

LORENA: - Espera aí! O que tem a Vitória nessa história? Você entrevistou ela?

MAYRA: - Olha pra minha cara, mãe! Vê se eu to com jeito de ter entrevistado aquela entojada!

LORENA: - Eu deveria ter desconfiado mesmo. Você no mínimo foi atrás do Fabrício e a Vitória viu tudo.

MAYRA: - Não só viu como atrapalhou toda a reportagem. Fez o maior escândalo quando viu o Fabrício sem camisa e eu tirando fotos dele.

LORENA: - Mayra!

MAYRA: - É o ensaio sensual mãe!... Mas azar, agora vou ter que tocar a matéria com o que tem mesmo... (saindo)

LORENA: - Você precisa parar de correr atrás do Fabrício, Mayra! Deixa ele ser feliz com a Vitória!

 

Mayra sai sem dar ouvidos para Lorena.

 

CENA 03. CASA LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

 

Jonas chega na casa de Lívia, ela tenta esconder sua aflição.

 

JONAS: - Lívia! (abraça Lívia)

LÍVIA: - Oi Jonas! Já está tudo bem...

JONAS: - Está mesmo?! Onde ta o Pedro, como ele está?

LÍVIA: - Ele está bem, ta lá em cima, brincando...

JONAS: - Mas, que história absurda é essa que a professora falou? Que o pai dele foi buscar ele na escolinha e/

LÍVIA: - Não tem absurdo nenhum, Jonas. A história é verdadeira.

JONAS: - Como é que é?

LÍVIA: - Quem foi buscar o Pedro na escola foi o pai dele, o Alexandre.

JONAS: - Mas você tinha dito que ele havia abandonado vocês lá no Rio e/

LÍVIA: - Pois é, mas ele voltou. Voltou e quer se aproximar do Pedro agora. Mas eu não quero. Não dessa forma, brusca. Meu filho não ta preparado pra isso, nem eu estou.

JONAS: - Mas ele voltou como? Como achou você, o Pedro?

LÍVIA: - Eu fiquei famosa, Jonas. Apareci em jornais, revistas, televisão. Essa exposição toda fez com que ele me achasse... Eu sempre tive medo disso, Jonas.

JONAS: - Por isso que você estava preocupada. Parecia estar prevendo isso tudo.

LÍVIA: - Eu tenho até medo de pensar no que ele pode fazer de novo, uma loucura dessas.

JONAS: - E onde ele está? Vamos denunciar esse cara pra polícia!

LÍVIA: - Não!... Não quero a polícia envolvida nisso. Seria mais um escândalo, mais alarde. Não quero. Eu acho que posso resolver esse assunto sozinha.

JONAS: - Sozinha não, porque eu vou estar do seu lado. Sempre.

 

Jonas beija Lívia, a abraça, confortando-a.

 

CENA 04. CLÍNICA DR. FAUSTO. QUARTO. INT. NOITE.

 

Onira em observação. Marcos no quarto, ao seu lado.

 

MARCOS: - Mãe... Fica bem...

 

Adriana entra no quarto, acompanhada por Gisa. Adriana se comove ao ver Marcos. Ele a olha, entristecido.

 

ADRIANA: - Ela vai ficar bem.

MARCOS: - Será?... Estou com tanto medo.

ADRIANA: - Você é forte. E precisa passar essa força pra ela também.

GISA: - Ela vai ficar aqui no quarto ainda, Marcos. Quem sabe você vai pra casa, descansa. Amanhã você volta pra e/

MARCOS: - Não. Não quero me afastar da minha mãe. Eu fico aqui com ela hoje.

 

Marcos acaricia o rosto de Onira. Adriana e Gisa observam.

 

CENA 05. APTO BEATRIZ. INT. NOITE.

 

Beatriz em seu apartamento, na sala, quando a campainha toca. Ela abre a porta e se depara com um lindo buquê de rosas vermelhas. Logo, Rafael aparece.

 

BEATRIZ (surpresa): - Rafael! São lindas!

RAFAEL: - É clichê, mas são flores para uma linda flor.

BEATRIZ (pegando o buquê): - Clichê mesmo. Mas as flores são lindas! Lindas de verdade. Obrigada.

RAFAEL: - Mas tem uma coisa aqui que não é clichê... O sentimento que eu sinto por você.

 

MUSIC ON: Nua – Ana Carolina

 

BEATRIZ: - Rafael, melhor você/

RAFAEL (segura Beatriz): - Melhor você deixar de ser durona e aceitar o que eu tenho pra te dar.

 

Rafael agarra Beatriz e a beija. Beatriz, de início resiste, mas depois se entrega para Rafael, totalmente apaixonada. Os dois seguem se beijando pela sala, indo em direção ao quarto de Beatriz.

MUSIC FADE OUT

 

CENA 06. MANSÃO TARCÍSIO. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

 

Eduardo entra no escritório, fecha a porta. Vai até a grande prateleira de livros, retira alguns do lugar. CAM mostra o cofre.

 

EDUARDO: - Sabia que estaria por aqui. Gente besta, não olha filme? Cofre sempre fica na estante dos livros...

 

Eduardo começa a digitar vários números, tentando descobrir o segredo do cofre.

 

EDUARDO: - Data de aniversário da Beth... (digita) Não deu!... Número da casa (digita) Droga! Também não!...

 

De repente, Agda entra no local. Eduardo se surpreende.

 

AGDA: - Eduardo? O que você quer aí?

EDUARDO: - Estava apenas verificando se esse cofre estava bem seguro mesmo.

AGDA: - Se certificou?

EDUARDO: - Sim, ele é seguro.

 

Agda encara Eduardo, que a olha como se nada tivesse ocorrido.

 

AGDA: - Você viu a Beth?

EDUARDO: - A Beth foi até a casa da Inês. Disse que não demoraria.

AGDA: - E você não foi ver sua irmã por quê?

EDUARDO: - Um pouco de indisposição... (finge) Acho que está voltando a dor de cabeça... Com licença. (saindo)

AGDA: - Melhoras...

 

Eduardo sai.

 

AGDA: - Indisposição... Sei... Aí tem coisa.

 

Agda fica pensativa.

 

CENA 07. CASA INÊS. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

 

Inês e Elizabeth estão a sós, na sala de estar.

 

ELIZABETH: - Eu cheguei aqui o mais rápido que eu pude depois da sua ligação. O que aconteceu, Inês?!

INÊS: - É uma coisa muito séria que eu tenho pra falar pra você, Beth. Você é minha amiga, praticamente uma irmã pra mim.

ELIZABETH: - Eu sei disso, Inês. Essa consideração é recíproca. Mas o que de tão importante você tem pra me falar?

INÊS: - É sobre o Eduardo.

ELIZABETH: - Sobre o Eduardo?!

INÊS: - É, Beth. Tem uma coisa muito séria que você precisa saber sobre o meu irmão.

ELIZABETH: - Então finalmente eu vou descobrir o real motivo do seu desconforto ao estar próximo dele ou quando ele desconversa quando eu falo de você. Eu finjo que não vejo tudo isso, mas eu sei que tem algo por trás dessas atitudes.

INÊS: - Tem sim. Algo sério... Há alguns anos atrás, o Eduardo havia criado um grupo de investimentos. Ele se mostrava muito empenhado nesse projeto, dizia estar realizando um sonho, já que ele havia se formado em administração e economia. Ele nos fez um convite para investir no grupo... Eu e o Alfredo tivemos receio.

ELIZABETH: - Receio por quê?

INÊS: - O Eduardo nunca teve sucesso nos seus projetos. Na verdade, nunca teve foco, objetivo. Cada dia era uma coisa nova, um ambiente novo, tudo muito estável e com pensamentos megalomaníacos. Depois que ele perdeu a parte dele da herança que meu pai deixou pra gente, ele nunca mais se recuperou, vivendo de pequenas desilusões.

ELIZABETH: - E então vocês investiram...

INÊS: - Eu e você nem nos conhecíamos ainda naquela época. Eu e o Alfredo éramos recém casados e acabamos achando melhor dar um voto de confiança para o Eduardo. Afinal, ele estava mostrando ter sucesso com esse novo empreendimento. Mas na verdade, não estava. Era tudo mentira.

ELIZABETH: - Mentira?

INÊS: - O Eduardo nos enganou, nos fez investir quase tudo no fundo, prometendo um retorno gigantesco. Tudo mentira, um grande golpe.

ELIZABETH: - Do que você está falando? Está dizendo que seu irmão aplicou um golpe em você, é isso?

INÊS: - O Eduardo roubou quase tudo o que nós tínhamos, declarou falência do grupo e foi embora. Foi nesse período, onde eu e o Alfredo estávamos na pior, que o Tarcísio apareceu em nossas vidas, procurando um advogado para a empresa.

ELIZABETH: - Foi então que nós duas nos conhecemos... Claro, eu lembro! Você tinha uma aparência tão entristecida.

INÊS: - Eu tive que sair da casa que meu pai deixou pra mim para poder pagar as dívidas que o Eduardo ainda nos deixou. Depois desse golpe, ele sumiu. E eu só o vi uma única vez antes dele ir para os Estados Unidos, naquela festa da Associação Comercial, lembra?

ELIZABETH: - Claro, ele se apresentou como seu irmão. Mas estava muito diferente.

INÊS: - Naquela festa, ele deu outro golpe. Enganou uma socialite e foi para os estados Unidos com ela. Aplicou golpes, deixou a coitada na pior e sumiu.

ELIZABETH: - Inês!... Isso que você está dizendo...

INÊS: - Você não sabe o quanto me dói falar tudo isso do meu irmão, Beth. Mas o Eduardo não presta! Ele é uma pessoa sem valores, sem escrúpulos, capaz de qualquer coisa por dinheiro, poder!

ELIZABETH (levanta-se): - Não Inês! Não é isso!... O Eduardo está se mostrando ao contrário de tudo isso que você falou. Ele é atencioso, carinhoso. Nem pergunta nada sobre dinheiro!

INÊS: - Beth, você é inteligente! O Eduardo está fingindo tudo isso! Ele não te ama!

ELIZABETH: - Para Inês! Você não tem o direito de julgar o sentimento das pessoas.

INÊS (segura Beth): - Você está sendo enganada, não está vendo? O Eduardo só quer o seu dinheiro, Beth! Você vai ser mais uma vítima desse psicopata!

ELIZABETH: - Me solta! (se afasta) Você está inventando tudo isso por que? Ciúmes da minha relação com ele? Inveja da minha felicidade? Eu não esperava isso de você, Inês!

INÊS: - Inveja?! Beth, eu nunca/

ELIZABETH: - Não venha querer envenenar o meu relacionamento com o Eduardo, Inês. Essas suas mentiras não vão me afastar dele. (pega sua bolsa) Estou decepcionada com essas suas mentiras.

INÊS: - Não é mentira! Acredita em mim, Beth! Por favor!

 

Elizabeth sai sem dar ouvidos a Inês.

 

INÊS: - Você vai se decepcionar Beth não comigo, mas com você mesma por não ter dado ouvidos ao que eu falei... É tudo verdade.

 

CENA 08. BAR. INT. NOITE.

 

Kléber toca num bar. Louise, Tatiana, Plínio estão em uma mesa, curtindo.

 

LOUISE: - Ai gente, que bom achar vocês aqui. Pensei que ia ficar sozinha.

TATIANA: - A gente vira e mexe está aqui, não é amor?

PLÍNIO: - Sim, é um dos lugares que eu mais gosto de frequentar, depois do meu hip hop é claro.

LOUISE: - Ai Tati, fiquei sabendo do que aconteceu com você lá na Amaro. A Lívia comentou... Que chato!

TATIANA: - É, foi triste, mas já passou... Estou buscando já novas oportunidades.

LOUISE: - E você vai conseguir sim, pode ter certeza. Se precisar de alguma coisa, só dá um toque tá?

TATIANA: - Obrigada, Louise.

LOUISE: - Agora gente, vamos combinar... O Kléber não é um pedaço de mal caminho?

PLÍNIO: - Eu não acho!

 

Eles riem.

 

PLÍNIO: - Amor, acho que a gente pode ir né? Amanhã eu preciso estar cedo na agência.

TATIANA: - Vamos sim.

LOUISE: - Já?! Agora que ta ficando legal? Até to tomando uns drinks aqui. Bem gostosinhos pra falar a verdade...

TATIANA: - Ficamos mais tempo, numa outra oportunidade. Tchauzinho Louise, boa noite!

LOUISE: - Tchau queridos! Valeu pela companhia!

 

Tatiana e Plínio saem.

 

LOUISE: - Boa essa bebida mesmo hein!... (toma uns goles)

 

Num outro ponto do bar, Fabrício e Almir conversam.

 

FABRÍCIO: - Aí a Vitória chegou lá e entendeu tudo errado. A gente acabou discutindo e ela foi embora.

ALMIR: - Que situação hein, Fabrício?... Mas também fica difícil arranjar uma justificativa nesse caso. Você estava a sós com a filha do chefe numa sala, sem camisa, fazendo um ensaio sensual! Que ideia maluca foi essa?

FABRÍCIO: - A Mayra tá trabalhando na Flash Paulista, fazendo uma reportagem sobre jovens no mercado de trabalho... O ensaio vai trazer uma boa grana. E eu estou precisando, Almir. Preciso organizar ainda o meu apartamento.

ALMIR: - Sim, você consegue arrumar o apê, mas e com a Vitória, como fica?

FABRÍCIO: - Não sei... Só sei que ela precisa confiar mais em mim. Eu e a Mayra não fizemos nada de mais.

 

CENA 09. PENSÃO BEM QUERER. QUARTO CARLA. INT. NOITE.

 

Alaíde consola Carla, que está muito entristecida. Alaíde, sentada na cama. Carla com a cabeça no colo de Alaíde.

 

ALAÍDE: - Calma, minha filha... O amor é isso mesmo. Tem altos e baixos.

CARLA: - Mas dessa vez eu fui ao fundo do poço, dona Alaíde. Não tem mais volta não.

ALAÍDE: - Mas o que de tão grave você fez pra ficar assim, Carla?

 

Carla se levanta rapidamente. Alaíde a encara, esperando uma resposta. Carla volta a chorar.

 

CARLA: - Eu não dei valor a quem merecia, dona Alaíde. Eu sou uma burra mesmo!

ALAÍDE (abraça Carla): - Não diga isso, Carla!... Você é uma mulher linda, corpão, sorrisão, determinada, que trabalha dignamente.

 

Carla suspira.

 

ALAIDE: - Você só não pode se afundar nessa tristeza! Um amor se vai para chegar outro. Você vai ver.

CARLA: - Obrigada pela força, tá?

ALAÍDE: - Você vai me agradecer abrindo um sorriso bonito e erguendo essa cabeça.

 

Carla sorri, timidamente.

 

ALAÍDE: - Agora deixa eu ir organizar o jantar, senão já viu!

 

Alaíde sai. Carla fica pensativa.

MUSIC ON: Zero - Liniker

 

CENA 10. CASA DEMÉTRIO. SALA DE JANTAR. INT. NOITE.

 

Música continua em BG.

Clima alegre na casa de Demétrio. Todos estão felizes com a notícia da gravidez de Isabela. Porém, Breno está mais calado, um tanto entristecido. Demétrio se aproxima do filho.

MUSIC FADE OUT.

 

DEMÉTRIO: - O que foi Breno? Não gostou da ideia de ser tio?

BRENO: - Que nada... Fiquei muito feliz de ter um sobrinho. Ou sobrinha.

DEMÉTRIO: - Mas então por que esse baixo astral aí?

BRENO: - Aconteceram algumas coisas aí...

DEMÉTRIO: - É mulher.

BRENO: - Como você sabe?

DEMÉTRIO: - Não há nada nesse mundo que não deixe um homem nesse estado que não seja mulher...

BRENO: - Pois é... Essa mulher brincou com meus sentimentos, pai. Fiquei sem chão.

DEMÉTRIO: - Você? Apaixonado? O rei do ‘pego mas não me apego’ caiu nas redes de alguém, é isso? (risos)

BRENO: - Para de debochar, pai. É sério...

DEMÉTRIO: - Eu sei, eu sei... Decepções amorosas sempre estarão nos perseguindo, Breno. Essa não foi a primeira, e talvez não será a última vez que você vai quebrar a cara com alguém. Mas se você gosta mesmo dessa mulher, pensa bem. O coração pode perdoar também, sabia?

BRENO: - Acho difícil, pai. Acho difícil.

DEMÉTRIO: - Acha impossível também? Às vezes é bom deixar a razão de lado e se entregar...

 

Demétrio abraça Breno e sai. Isabela se aproxima de Breno.

 

ISABELA: - Você foi o único que não vibrou com a novidade. Pelo visto deve pensar do mesmo jeito que eu. Não sirvo pra ser mãe.

BRENO: - Que nada! Vem cá que eu quero te abraçar e bem forte!

 

Breno abraça Isabela.

 

BRENO: - Meu sobrinho vai ser jogador de futebol!

ISABELA: - Tá louco? Não, não! É natação!

BRENO: - Que nada! Criar jogador e não peixe! (risos)

ISABELA: – Que peixe, Breno! Eu sempre quis fazer natação e nunca pude. Meu filho vai poder. Quero dizer, se ele quiser, né?

BRENO: - Ele vai querer é ver as meninas gritando por ele nos gramados!

ISABELA: - Poupe-me! Maria Chuteira na cola do meu filho nem pensar! (risos)

 

Os dois seguem brincando.

 

CENA 11.BAR. INT. NOITE.

 

Louise na mesa sozinha. Já há alguns copos vazios. Louise ri sozinha, um tanto “alta” por causa da bebida. Kléber termina o show e vai até a mesa de Louise.

 

KLÉBER: - Oi Louise! Bom ter você aqui.

LOUISE (voz enrolada): - Oi Kléber... Você e seu irmão são bem parecidos mesmos... Se vestem até com as mesmas roupas.

KLÉBER: - Irmão?!

LOUISE: - É... Ele parece um clone seu! Tudo o que você faz, ele faz também... (ri)

KLÉBER: - Louise, você está bêbada! Tá vendo coisas...

 

Nesse instante, Gisa chega no bar e logo vê Kléber com Louise. Ela se aproxima dos dois.

 

GISA: - Boa noite gente!

LOUISE: - Chegou a anã invejosa...

GISA: - O que aconteceu?

KLÉBER: - Ela bebeu demais...

LOUISE: - Que nada! Só tomei uns goles disso aqui, só isso... (soluça)

KLÉBER: - Acho melhor levar ela pra casa... (se aproxima de Louise) Vem Louise, vou te levar embora.

GISA (pra si mesma): Mas eu não vou deixar ele ir embora com a girafona de novo... (a Kleber) Kléber, deixa que eu levo ela. Vou ali fora, tem um amigo meu que tem táxi, eu chamo ele e deixa a Louise na porta de casa.

LOUISE: - Não, eu quero ir com o Kléber... Vamos Kléber.

KLÉBER: - Eu preciso pegar minhas coisas no palco ainda e/

GISA: - Então, deixa eu faço isso.

KLÉBER: - Você, ajudando a Louise?

GISA: - Kléber, eu não tenho nada contra ela. E ta na cara que ela não pode ir pra casa dirigindo.

KLÉBER: - É mesmo. Vem Louise, vai com a Gisa pegar o táxi.

LOUISE: - Ir com quem? Com a anã?

GISA (pega Louise pela mão): - Vem, meu amor, vou cuidar de você.

 

Gisa leva Louise para o lado de fora do bar. Gisa chama qualquer táxi que estava do lado de fora.

 

GISA: - Oi amigo, tudo bem?

 

Gisa abre a porta do carro, empurra Louise e fecha a porta.

 

GISA: - Minha amiga mora em Itaquera, mas como o senhor pode ver, ela não tem como ir dirigindo. O senhor deixa ela lá pra mim, por favor? Obrigada!

 

O táxi sai.

 

GISA: - Vai, vai pra bem longe, girafona! (ri, debochada).

 

Kléber chega do lado de fora.

 

KLÉBER: - E então, a Louise pegou o táxi?

GISA (disfarça): - Pegou sim, já foi... E você, ta indo já?

KLÉBER: - Sim, já vou... E você?

GISA: - Eu também já vou... mas quem sabe se a gente não vai Junto, hein? (fica cara a cara com Kléber) Tem um lugar que eu quero que você conheça.

KLÉBER: - Tem é?

GISA (sussurra, sexy): - A minha cama... (sorri, maliciosa)

KLÉBER (tenta resistir): - Gisa, Gisa...

GISA (puxando Kléber): - Tô de carro. Vem que você não vai se arrepender...

 

Gisa vai embora com Kléber.

 

CENA 12. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER

 

Imagens de São Paulo ao amanhecer. Mostra o monumento dos Bandeirantes, a Avenida Paulista, o Museu do Ipiranga.

 

CENA 13. CASA FAUSTO. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

 

Fausto, Lorena e Mayra à mesa, tomando café da manhã.

 

LORENA: - Você chegou tarde ontem, amor.

FAUSTO: - Muito trabalho...

MAYRA: - Clínica bombando então?

FAUSTO: - É mesmo filha. E eu também queria falar uma coisa com vocês.

LORENA; - O que querido?

FAUSTO: - Eu vou precisar viajar.

LORENA: - De novo, Fausto?

FAUSTO: - Sim. Mas desta vez não é pra longe. Vou para o Rio de Janeiro, saber mais sobre um novo programa medicinal. Novidade que chegou dos Estados Unidos.

LORENA: - Quantos dias fora?

FAUSTO: - Uma semana, no máximo.

MAYRA: - E vai quando?

FAUSTO: - Hoje à noite.

MAYRA: - Que rápido!

FAUSTO: - É, mas se eu não for agora, posso perder negócios importantes.

MAYRA: - E eu já vou indo pra não perder a hora na revista. (levanta-se) Beijo mãe! Beijo pai, boa viagem!

LORENA: - Bom trabalho, filha.

FAUSTO: - Bom dia Mayra, até a volta. Prometo trazer presentes pra você.

MAYRA: - Adoro!

 

Mayra sai.

 

LORENA: - Não gosto quando você viaja. Não quero ficar longe de você...

FAUSTO: - Se eu pudesse, juro que levava você. Mas é reunião atrás de reunião. Fica difícil dar atenção.

LORENA: - Eu entendo. Mas se ao menos nós tivéssemos um momento só nosso. (coloca sua mão sobre a de Fausto) Faz tempo que a gente não/

FAUSTO: - Eu juro que quando voltar a gente resolve tudo isso. Você vai ver.

 

Lorena sorri, conformada.

 

CENA 14. CASA ROSA. INT. DIA.

 

Rosa apreensiva, se mostra preocupada com algo. De repente, Louise chega na sala, exausta.

 

LOUISE: - Aquela anã vilãzinha me paga! Você acredita, Rosa, que ela me fez pegar um táxi que me levou pra fora do planeta! Tive que gastar horrores pra voltar... Cheguei quase ao amanhecer em casa e ainda por cima, bêbada! (geme, dor de cabeça) Só pra ela ficar com o meu Kléber!... (percebe a aflição de Rosa) O que foi? Ta preocupada?

ROSA: - Estou sim, Louise. Com a Lívia... Desde ontem eu sinto um aperto aqui no peito.

LOUISE: - Ui, cheguei a me arrepiar agora!

ROSA: - Eu tentei ligar pra Lívia, mas não consegui... Acho que vou até a Amaro, saber como ela está, ver ela de perto.

LOUISE: - Vai mesmo. Assim acalma essa sua preocupação toda.

 

CENA 15. EMPRESA AMARO. INT. DIA.

 

Lívia chega na empresa e encontra Rafael.

 

RAFAEL: - Oi Lívia, bom dia!

LÍVIA: - Bom dia, Rafael. Como está?

RAFAEL: - Tudo bem e você? Me parece um tanto cansada...

LÍVIA: - Tive uma noite mal dormida...

RAFAEL: - Preocupada com alguma coisa?

LÍVIA: - Nada de mais. Apenas um pouco apreensiva. Deve ser por causa do projeto, um pouco de ansiedade em ver ele se concretizar.

RAFAEL: - Sei como é/

 

O celular de Rafael toca. Ele olha a chamada. É Beatriz. Rafael não atende.

 

LÍVIA: - Não vai atender?

RAFAEL: - Depois. Depois eu atendo.

 

Rafael desliga o telefone.

 

RAFAEL: - Não quero atrapalhar nossa conversa.

LÍVIA: - Você como presidente deve ser muito solicitado. Todo mundo ligando pra você.

RAFAEL: - Agora que eu estou me acostumando com isso. No início eu estava como você, sem saber muito bem como agir...

LÍVIA: - Mesmo sendo filho, deve ter sido complicado assumir o lugar do seu pai.

RAFAEL: - De certa forma foi um pouco. Meu pai era um líder nato. Eu estou aprendendo a ser.

 

Silêncio.

 

RAFAEL: - Mas eu acredito que ele tinha algo a mais, que cativava as pessoas.

LIVIA: - Ele era uma pessoa muito especial, dedicado... Você tem uns traços dele.

RAFAEL: - Você acha? (ri)

LÍVIA: - Acho...

 

Os dois trocam olhares por um instante. De repente, Lorena se aproxima, quebrando o clima.

 

LORENA: - Rafael, bom te encontrar aqui! (a Lívia) Oi Lívia, bom dia!

LÍVIA: - Bom dia, Lorena.

RAFAEL: - O que foi Lorena?

LORENA: - Quero sua assinatura nesses documentos aqui. (entrega os papéis para Rafael)

 

Lívia vai saindo, Rafael, com os olhos, a acompanha, sem ser notado por Lorena, que lhe mostra os documentos.

 

CENA 16. CLÍNICA DR. FAUSTO. CANTINA. INT. DIA.

 

Adriana toma café na cantina, quando Marcos se aproxima da mesa dela.

 

MARCOS: - Posso sentar aqui?

ADRIANA: - Pode sim.

 

Marcos se senta. Os dois ficam em silêncio.

 

ADRIANA: - Como está sua mãe?

MARCOS: - Dormindo, mas a enfermeira disse que ela está bem. O coração está funcionando normalmente.

ADRIANA: - Que bom. Desejo melhoras.

MARCOS: - Obrigado.

ADRIANA (levantando-se): - Com licença.

MARCOS (segura Adriana): - Adriana, por favor. Vamos conversar.

ADRIANA: - Olha Marcos, eu não/

MARCOS: - A gente precisa resolver a nossa situação. Não é certo isso que aconteceu.

 

MUSIC ON: Joia Rara – Walmir Borges

 

ADRIANA: - Pode não ser o certo, mas foi o melhor pra gente.

MARCOS: - Tem certeza? Eu não paro de pensar em você um segundo sequer! Me dói não ter o seu abraço, sentir sua pele... Será que isso é bom? Isso é o melhor pra mim, pra nós dois?

ADRIANA: - Não há como a gente seguir junto com alguém muito forte batendo contra, Marcos. Não dá. Ainda mais do jeito que foi...

MARCOS: - Mas coisas vão mudar. Você vai ver.

ADRIANA: - Então vamos dar tempo ao tempo... até as coisas mudarem pra gente.

 

Adriana se afasta, vai embora. Marcos fica pensativo.

MUSIC OFF.

 

CENA 17. EMPRESA AMARO. SALA LORENA. INT. DIA.

 

Lorena está em sua sala, pensativa. Marilu entra no local.

 

MARILU: - Pronto, Lorena. Já encaminhei os documentos que você me pediu.

 

Lorena não responde, está “longe”.

 

MARILU: - Lorena? Está tudo bem?

LORENA: - Oi Maria Luísa, desculpe!... Estava com a cabeça longe.

MARILU: - O que aconteceu? Parece estar preocupada...

LORENA: - Coisa minha. Não quero encher sua cabeça com meus problemas, deixa pra lá.

MARILU: - Imagina! Lorena, acima de tudo, somos amigas. Estou vendo que você quer conversar, desabafar. Estou aqui, pode me falar.

LORENA: - Obrigada, Maria Luísa... Eu estou com essa angústia desde hoje de manhã, quando recebi uma notícia do Fausto.

MARILU: - Notícia? Que notícia?

LORENA: - O Fausto disse que vai viajar, de novo. Agora para o Rio de Janeiro.

MARILU (finge surpresa): - É mesmo?

LORENA: - Sim... Ele tem viajado muito seguido...

MARILU: - Mas você mesma disse que ele tem muito trabalho com a clínica.

LORENA: - Mas a questão não é essa... Eu nem sei dizer quando foi a última vez que eu e o Fausto transamos. Ele não me procura mais, Maria Luísa. Isso me deixa tão triste. Parece que eu não agrado mais o meu marido.

MARILU: - Lorena, não diga uma coisa dessas! Você é uma mulher linda!

LORENA: - Mas às vezes eu penso que o Fausto não acha mais isso. Eu cheguei até a pensar que/ bom, deixa pra lá.

MARILU: - Fala, o que você pensou?

LORENA: - Cheguei até a pensar que ele tem uma amante. Que ele diz que vai viajar, mas vai ficar com ela. Quem sabe até com outra família!

 

Marilu se surpreende.

 

LORENA: - Veja só que loucura a minha!

MARILU: - Lorena, o Fausto parece um homem tão íntegro, fiel, leal... Não creio que ele traia você. Você deve estar é estressada com tanto trabalho e aí fica pensando essas coisas.

LORENA: - Você acha?

MARILU: - Eu acho. Não deixa esses pensamentos ruins tomarem sua cabeça. O Fausto ama você. Eu vi isso aquela noite do jantar.

LORENA (segura a mão de Marilu): - Obrigada, Maria Luísa, por ouvir minhas lamúrias. Você está se mostrando mesmo uma verdadeira amiga.

MARILU: - Quando você precisar, eu estarei aqui.

LORENA: - Obrigada mesmo. Mas agora me conte essa novidade! Você de carro novo?! Vi lá na garagem.

MARILU: - Gostou? Eu tinha umas economias, e aí aproveitei e comprei. É usado, mas já é uma mão na roda pra mim.

LORENA: - Fez muito bem! Agora prepare-se para enfrentar o transito paulistano.

 

As duas riem. Em Marilu, falsa.

 

CENA 18. APTO HENRI. INT. DIA.

 

Sarah conversa com Henri, empolgada.

 

SARAH: - Se eu soubesse que ficar grávida me traria tanto lucro, eu ficaria grávida mais cedo, sabia?

HENRI: - Que isso Sarah! Vira essa boca pra lá!

SARAH: - É verdade, Henri! O Conrado acabou de me ligar, dizendo que já marcou médico pra mim, numa clínica poderosa e que depois vamos fazer compras no mercado. Só coisa cara e natural, meu bem.

HENRI: - Natural e sem graça né? Sem açúcar, sem sal, tudo pra não prejudicar a saúde do bebê.

SARAH: - Você é pobre, Henri, não sabe nada da dieta das grávidas, principalmente as grávidas chiques.

HENRI: - Mas eu sei que quanto maior o passo, maior o tombo. Você tá brincando com os sentimentos desse cara.

SARAH: - Que nada! Eu estou defendendo os meus direitos. Ele como pai vai ter que arcar com as consequências ora!

HENRI: - Se ele fosse o pai, tudo bem né?

SARAH: - Ele é o pai!... Você nem pense em falar uma coisa dessas perto do Conrado, Henri! Se ele desconfia que o filho é seu, ele me mata e acaba com a minha boa vida... Deixa como está que o plano tá dando certo.

HENRI: - Quero ver até quando.

SARAH: - Eu ainda nem ganhei meu apartamento nos Jardins.

HENRI: - Apartamento nos Jardins?! Você vai pedir um/

SARAH: - Questão de tempo, meu amigo. Pouco tempo. Conrado vai fazer todas as minhas vontades. Você vai ver.

 

Henri se surpreende com as ideias de Sarah.

 

CENA 19. BAR. INT. DIA.

 

Num bar próximo da Amaro, Alexandre está sentado em uma mesa, bebendo cerveja. De repente, Lívia chega no local.

 

ALEXANDRE: - Você é mesmo pontual. Modéstia a parte, aprendeu comigo aqui, a não atrasar com os clientes nos programas.

LÍVIA: - Eu só quero é me livrar de você, o mais rápido possível.

ALEXANDRE: - Infelizmente isso não será tão fácil. Infelizmente pra você, porque pra mim, será um prazer ficar bem pertinho de você.

LÍVIA: - Vamos deixar de conversinha e ir logo ao assunto. Eu não posso ficar muito tempo fora da empresa.

ALEXANDRE: - Vamos então, senhora de negócios. Marcou comigo aqui pra quê?

 

Lívia abre a bolsa e retira de lá um envelope. Da rua, passando pelo bar, Rosa enxerga Lívia e Alexandre. Rosa estranha, fica a observá-los. Alexandre abre o envelope, retira um maço de dinheiro. Rosa se surpreende.

 

ALEXANDRE: - Quanto tem aqui nesse pacote?

LÍVIA: - Cinquenta mil reais.

ALEXANDRE: - Só isso?!

LÍVIA: - Deixa de bancar o canastrão, Alexandre. Você nunca viu tanto dinheiro na sua vida!... E isso é pra você me deixar em paz com o Pedro.

ALEXANDRE: - É, pra começar, está bom.

LÍVIA: - Para começar?! Isso é o fim, Alexandre! Você pediu dinheiro e eu te dei, pronto. Já chega! Vai embora da minha vida.

ALEXANDRE: - E tu acha que eu sou trouxa é? Isso que você me deu é troco. Eu sei que você tem muito mais, que a família do falecido é podre de rica e você pegou uma boa fatia disso tudo... Lívia, eu não sou burro não!

LÍVIA: - Por favor, Alexandre! Deixa eu viver a minha vida em paz. Pega esse dinheiro e segue a sua vida também. Está tudo certo.

ALEXANDRE: - Tudo certo? Ainda não... Por hoje a gente deixa assim... Mas eu não demorarei para fazer contato, minha querida.

 

Alexandre vai com a mão para acariciar o rosto de Lívia, que não deixa, empurra a mão de Alexandre. Rosa observa tudo do lado de fora do bar, cuidando para não ser vista. Alexandre abre um sorriso sacana e vai embora. Lívia sai logo em seguida.

 

ROSA: - Eu sabia que tinha alguma coisa errada...

 

CENA 20. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER

 

Imagens de São Paulo ao anoitecer. Mostra as rodovias, os prédios da cidade iluminados.

 

CENA 21. APTO BEATRIZ. INT. NOITE.

 

Rafael chega no local, um tanto cansado, senta-se no sofá, aliviado. Beatriz vem do quarto, inquieta.

 

RAFAEL: - Boa noite, meu amor...

BEATRIZ (seca): - Boa noite.

 

Rafael estranha.

 

RAFAEL: - O que foi? Tá tudo bem?

BEATRIZ: - Tá sim.

RAFAEL: - Não, não está não. Você está seca comigo. Fiz alguma coisa errada?

BEATRIZ: - Eu te liguei, mas você não me atendeu. E pior, desligou o telefone depois. Posso saber por quê?

RAFAEL: - Estava trabalhando, oras... nada de mais!

BEATRIZ: - É mesmo? Ou será que eu atrapalhei alguma coisa?

RAFAEL: - Por acaso você está insinuando alguma coisa, Beatriz?

BEATRIZ: - Eu? Não, imagina!

RAFAEL: - Olha só, eu estou cansado, tive um dia cheio... Não estou a fim de discutir com você.

BEATRIZ: - Eu também não quero discutir. Só queria uma explicação pra sua atitude.

RAFAEL: - Que atitude, Beatriz?!... Sinceramente, você está tendo uma atitude tão infantil, com essa crise aí de ciúmes bobo.

BEATRIZ: - Ciúmes bobo? Você desliga o telefone pra não falar comigo e quer que eu ache graça disso?! Poupe-me Rafael! Mais fácil você dizer que estava com aquela insossa da Lívia do que querer que eu aceite essa sua grosseria comigo.

RAFAEL: - Sim, eu estava com a Lívia sim, se era isso que você queria ouvir. Eu estava com ela.

BEATRIZ: - Eu sabia! Meu sexto sentido não falha nunca!

RAFAEL: - Sexto sentido tem de sobra, agora confiança...

BEATRIZ: - Aquela impostora ta de olho no seu dinheiro!

RAFAEL: - Não, não está! Ela só quer levar a vida em paz, só isso.

BEATRIZ: - E você defende ela de novo...

RAFAEL: - Já chega. Eu vou pro meu apartamento... Pensei que a gente estava bem depois da noite de ontem.

BEATRIZ: - Pois é, eu também pensei, mas você nunca está satisfeito. Tem que ir atrás de outra mulher.

RAFAEL: - Você agora está passando dos limites. Está sendo injusta comigo. Eu não fui atrás de ninguém!

BEATRIZ: - Injusto está sendo você, comigo! Desde que assumiu a empresa não tem mais tempo pra mim, pra gente. Eu cansei, Rafael. E agora com essa vadia lá dentro.

RAFAEL: - Eu também cansei do seu ciúme, Beatriz. Cansei.

 

Rafael pega sua maleta e vai embora. Beatriz chora.

 

CENA 22. HOTEL LUXUOSO. SUÍTE. INT. NOITE.

 

Fausto e Marilu se instalam na suíte luxuosa de um hotel.

 

FAUSTO: - Bem-vinda ao paraíso! O hotel cinco estrelas mais caro de São Paulo.

MARILU: - Você é louco, Fausto! Inventar uma viagem para o Rio de Janeiro e se instalar num hotel luxuoso como este em plena São Paulo? Só você mesmo...

FAUSTO: - Eu queria mesmo é estar pertinho de você. E se você fosse sair da cidade também não daria certo, a Lorena iria desconfiar.

MARILU: - Ela já está desconfiada... Eu tive que ouvir as queixas dela e fingir que não sei de nada... Ela disse que vocês não transam a tempo.

FAUSTO: - Eu sei. Mas na seca eu não estou.

MARILU: - Não?!

FAUSTO: - Não... Sempre dou um jeito. Afinal, as prostitutas estão aí pra quê?

MARILU: - Safado!

FAUSTO: - Agora vamos deixar de conversinha e vamos ao que interessa... Quero ter você inteirinha. Não sabe o quanto eu esperei por isso.

 

MUSIC ON: Bella Ciao – Alok Bashkar, Jetlag Music e André Sarate

 

Marilu empurra Fausto, que cai deitado na cama. Marilu sobe na cama, começa a fazer um strip tease para ele. Fausto se impressiona com a beleza dela. Fausto não resiste, agarra Marilu. Os dois rolam sobre a cama, aos beijos ardentes e abraços calorosos.

 

CENA 23. CASA LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

 

MUSIC OFF.

Lívia e Jonas estão na sala. Jonas brincando com Pedro. Lívia mais quieta.

 

JONAS: - O que foi, Lívia? Preocupada?

LÍVIA: - Não, apenas um pouco cansada...

JONAS: - Então por que não deita? Descansa um pouco.

LÍVIA: - Não posso agora. A Rosa me ligou hoje à tarde, disse que queria falar comigo. Daqui a pouco ela está chegando aqui.

 

De repente, a campainha toca. Lívia atende. É Rosa.

 

ROSA: – Oi Lívia, tudo bem?

LÍVIA: - Tudo bem, Rosa. Entra.

 

Rosa chega na sala.

 

ROSA: - Oi Jonas, como vai?

JONAS: - Tudo bem Rosa, e você?

ROSA: - Bem, também... (a Lívia) Eu queria falar com você, a sós...

LÍVIA: - Claro... (a Jonas) Você se importa de subir com o Pedro para que eu e a Rosa possamos conversar?

JONAS: - Claro. Vem Pedrinho, vamos lá pro seu quarto.

 

Jonas pega Pedro pela mão e sobe para o 2º andar. Lívia e rosa ficam a sós.

 

LÍVIA: - O que você queria falar comigo, Rosa?

ROSA: - Eu estive pensando muito em você nos últimos dias... Senti uma angústia muito forte.

LÍVIA: - Não gosto quando isso acontece.

ROSA: - Nem eu, Lívia. Eu precisava saber como você estava. Eu resolvi ir até a empresa para te ver, mas no meio do caminho, avistei você no bar próximo da amaro. Você estava conversando com um cara que não me pareceu muito seu amigo. Você deu dinheiro a ele.

LÍVIA: - Você viu?!

ROSA: - Vi... Eu vi tudo. Quem é esse homem, Lívia? Tenho a impressão que seja ele o motivo de tudo isso que esteja acontecendo. Essa minha angústia, a sua aflição...

LÍVIA; - Esse homem é o Alexandre. Ele é o pai do Pedro, que voltou do Rio de Janeiro.

 

Nesse instante, Jonas vai descendo a escada, mas para. Ele presta atenção na conversa.

 

ROSA: - Voltou agora? Depois de tanto tempo?

LÍVIA: - Sim... Ele quer é causar um vendaval na minha vida!

ROSA: - Sim, eu sinto que a volta dele traz algo ainda mais ruim... Por que você entregou aquele envelope de dinheiro para ele, Lívia?

LÍVIA: - É parte de uma dívida que eu tenho com ele e também uma forma de afastá-lo da minha vida de uma vez por todas.

ROSA: - Dívida?

LÍVIA: - Sim... O Alexandre era meu agenciador no Rio de Janeiro. Eu era garota de programa, Rosa.

 

Rosa se surpreende com a revelação de Lívia. Jonas também fica chocado ao descobrir que Lívia era garota de programa.

Encerra com Pra Rua me Levar – Ana Carolina
 
     
     


autor
Édy Dutra

elenco
Christine Fernandes como Lívia
Taís Araújo como Marilu
Zé Carlos Machado como Tarcísio
Fábio Assunção como Rafael
Bruno Ferrari como Jonas
Marcos Caruso como Paulo
Renata Domingues como Carla
Júlio Rocha como Breno
Bianca Castanho como Beatriz
Júlia Feldens como Vitória
André Bankoff como Fabrício
Danton Mello como Marcos
Lavínia Vlasak como Isabela
Caco Ciocler como Conrado
Janaína Lince como Sarah
César Mello como Alfredo
Aída Leiner como Inês
Luíza Curvo como Tatiana
Jonathan Haagensen como Plínio
Marco Ricca como Fausto
Sílvia Pfeifer como Lorena
Thaís Vaz como Mayra
Gisele Policarpo como Gisa
Guilherme Leme como Almir
Mônica Martelli como Louise
Sérgio Menezes como Kléber
Cyria Coentro como Nice
Ernesto Piccolo como Moisés
Natália Guimarães como Rita

Atrizes convidadas
Sônia Braga como Elizabeth
Regina Duarte como Rosa
Valquíria Ribeiro como Adriana
Ângela Leal como Agda
Mila Moreira como Charlote
Denise Del Vecchio como Onira
Beatriz Segall como Wanda
Arlete Salles como Alaíde

Atores convidados
Gracindo Júnior como Demétrio
Rodrigo Santoro como Henri
Juan Alba como Alexandre
Nill Marcondes como Eduardo
Roberto Bonfim como Roberto
Floriano Peixoto como Jorge

Participações especiais
Dudu Azevedo como Romão
Elisa Lucinda como Cidália
Antonio Pitanga como Tenório
Vanessa Lóes como Clair
Alexandre Slaviero como Hugo
Lui Mendes como Pereira
Mônica Martelli como Louise
Dudu Azevedo como Romão

Trilha Sonora
Pra Rua Me Levar – Ana Carolina (abertura)
Nua – Ana Carolina
Bella Ciao – Alok Bashkar, Jetlag Music e André Sarate
Joia Rara – Walmir Borges
Zero - Liniker

Produção

Bruno Olsen
Cristina Ravela
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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