Talismã - Capítulo 25



     
 

No capítulo anterior de Talismã:

JONAS (desconfiado): - O senhor quer alguma coisa? Alguma informação?

ALEXANDRE: - Não, nada não... (encara Lívia) Apenas quis cumprimentar. Hoje é um dia feliz para mim e quero que seja para vocês também... (a Jonas) Um lindo dia.

JONAS: - Obrigado.

LÍVIA (entra no táxi): - Vamos Jonas, vamos logo.

JONAS: - Vamos sim. (a Alexandre) Bom dia pra você também.

ALEXANDRE: - Até a próxima.

Lívia e Jonas vão embarcam e saem. Alexandre sorri, sacana.

...

LÍVIA: - Eu vou para a minha sala, depois você me diz o que achou, Rafael.

RAFAEL: - Claro, Lívia.

Lívia sai.

MARILU: - Com licença, doutor.

Marilu sai logo em seguida.

...

MARILU
: - Cuidado, Lívia... O patrão é noivo já. Se a noiva dele descobre que você ta dando em cima/

LÍVIA: - Eu não estou dando em cima de ninguém, Marilu. Me deixa em paz!

MARILU: - Eu já disse que quero te ver na lama.

LÍVIA: - Não se mete no meu caminho, na minha vida! (encara Marilu) Eu estou te avisando.

...

EDUARDO: - Veja só que legal, Alfredo. Gostou da minha sala?

ALFREDO: - A sua cara de pau é tremenda, Eduardo.

EDUARDO: - Alfredo?! Por que todo esse ódio?

ALFREDO: - Deixa de ser sonso, cara! Porque você está fazendo com a Beth, com a família dela?

EDUARDO: - De novo essa história? No jantar, a Inês já veio me perguntar isso. Eu não estou fazendo nada! Vocês dois precisam parar de cuidar a minha vida e cuidar da vida de vocês!

ALFREDO: - Eu não esqueci o que você me fez, Eduardo. Não mesmo.

EDUARDO: - Eu nunca te fiz nada, Alfredo. Sempre te apoiei em tudo, te ajudei/

ALFREDO: - Você quase me levou à falência, desgraçado!

...

FAUSTO (cumprimenta Marilu): - Prazer em conhecê-la.

MARILU: - O prazer é meu.

Os dois trocam olhares. Lorena nem percebe.

LORENA: - Vai tomar seu banho, querido. Daqui a pouco vou mandar servir o jantar.

FAUSTO: - Vou sim. Até daqui a pouco então.

MARILU: - Até.

Fausto sai. Marilu disfarça.

LORENA: - Ele chega cansado da clínica.

MARILU: - Ele é médico?

LORENA: - É sim. E um dos mais renomados!

...

JONAS: - Fica bem.

LÍVIA: - Pode deixar. Volta com Deus.

Jonas vai embora. Lívia entra em casa, fecha a porta. Vai indo para a sala de estar quando tem uma surpresa. Lívia fica em choque ao ver Alexandre sentado em seu sofá.

ALEXANDRE: - Muita melação você e esse moleque aí.

LÍVIA (chocada): - O que você está fazendo aqui, Alexandre?! Como você/

ALEXANDRE: - Segurança falha, Lívia, nesse condomínio. Qualquer um entra e tal... Mas como eu entrei aqui não interessa. O que interessa é o porquê eu entrei aqui. A gente precisa acertar algumas contas, meu amorzinho.

LÍVIA: - Não tenho nada para acertar com você! Saia daqui agora!

ALEXANDRE: - Tem sim... É como diz como aquele velho dito, “o teu passado te condena”. E aqui, eu sou o juiz, Lívia.

Alexandre encara Lívia, totalmente aflita.

 
     
     
     
     

CAPÍTULO 25 - CAPÍTULO ESPECIAL
 
     
 
 
 

CENA 01. CASA LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT.DIA.

 

Continuação do capítulo anterior. Lívia e Alexandre se encaram.

 

LÍVIA: - Você só pode estar louco, drogado/

ALEXANDRE: - Eu nunca estive tão são em toda minha vida. Você não sabe o quanto eu esperei tanto pra te encontrar novamente, sua piranha.

LÍVIA: - Mas agora vai esperar pouco pra ir embora daqui (pega o telefone) porque eu vou ligar agora pra polícia e/

ALEXANDRE (arranca o telefone de Lívia): - Você não vai fazer nada! (joga o telefone na parede) A conversa é entre eu e você. E olha que a gente tem muita coisa pra falar.

LÍVIA: - Monstro! Você voltou pra aterrorizar a minha vida, é isso? Por que não ficou no esgoto onde você estava?

ALEXANDRE: - Porque o meu lugar é do seu lado, meu amorzinho... (ri, sacana) você acha que eu ia deixar você desfrutar desse luxo todo aqui, sozinha? Você acha que eu ia te abandonar agora que você ta bem de vida?

LÍVIA: – Você nunca se preocupou comigo, Alexandre. Sempre me explorou, me fez uma escrava!

ALEXANDRE (grita): - Mentira! Mentira, meu amor! (se aproxima, agarra Lívia) Eu sempre te amei! Sempre tive por você um amor incondicional!

LÍVIA (empurra Alexandre): - Amor?! Você me obrigava a fazer programa pra pagar aquele quartinho imundo! Você nem dava bola

pro Pedro!

ALEXANDRE: - Eu sempre pensei no melhor para você e pro moleque.

LÍVIA: - Não vem dar uma de bonzinho, Alexandre. Você não tem coração, não tem alma pra isso... Você é seco feito deserto, coração duro feito pedra. É podre de espírito/

ALEXANDRE: - E você é má agradecida!

LÍVIA: - Má agradecida?! Eu sou a presa que fugiu do predador! Eu não devo nada a você, nada! Me deixa viver a minha vida, seu monstro!

ALEXANDRE (segura Lívia fortemente): - Não deve é?! Esqueceu do passado, Lívia? Esqueceu do sacrifício que eu fiz por você?

LÍVIA (apreensiva): – Do que você está falando?

ALEXANDRE: - Eu quero receber de volta tudo o que eu mereço por ter passado o que eu passei por sua causa! E você sabe muito bem disso! (empurra Lívia)

 

Lívia cai sobre o sofá.

 

ALEXANDRE: - Esqueceu que eu fui parar na cadeia por sua causa, Lívia?

 

Os dois ficam a se encarar. Lívia surpresa com a pressão de Alexandre.

 

CENA 02. AVENIDA. EXT. NOITE.

 

Breno, trafegando em seu carro, vê Carla, do outro lado da rua,

toda produzida.

 

BRENO (surpreso): - Carla?!... Mas ela nem me disse que ia sair hoje!

 

Breno vai mais devagar. De repente, Almir em outro carro, para próximo de Carla. Ela se aproxima.

 

ALMIR: - Demorei?

CARLA: - Um pouquinho... Mas ta perdoado.

ALMIR: - Vamos lá que você não vai se arrepender.

 

Carla entra no carro de Almir e sai. Breno, em seu carro, estranha.

 

BRENO: - Mas, o que é isso?!

 

Breno segue o carro de Almir.

 

CENA 03. MOTEL. EXT. NOITE.

 

O carro de Almir entra no motel. Do outro lado da rua, Breno estaciona o carro e fica arrasado.

 

BRENO: - A Carla?! No motel com outro cara?

 

CENA 04. PENSÃO BEM QUERER. INT. NOITE.

 

Jonas, em casa, conversa com Alaíde e Oscar.

 

ALAÍDE: - E a Lívia, meu filho, como ela ta? Nunca mais apareceu, nem pra dar um oi...

JONAS: - Muito trabalho, mamãe. Ela ainda está tentando se adaptar a essa nova rotina de vida.

OSCAR: - Realmente deve ser estranho. Ficar rica da noite pro dia... Eu ia aproveitar muito!

ALAÍDE: - Ia, ia sim... Comigo, é claro, não é?

OSCAR: - Claro, com você minha rainha!

JONAS: - Mas sabe que o que a Lívia menos tem feito é aproveitar todo esse dinheiro?... Ela tem trabalhado bastante. Mas, ultimamente ela ficou um tanto diferente, preocupada.

ALAÍDE: - Com o quê?

JONAS: - Com ela, com o Pedrinho. Ela estava se sentindo insegura, morando naquela casa enorme.

OSCAR: - Ah, isso aí, de segurança tem que cuidar mesmo. São Paulo anda numa onda de violência tremenda! Vira e mexe sai nos jornais, na TV... É arrastão aqui, grandes roubos ali. A situação é crítica!

ALAÍDE: - Mas onde a Lívia mora é condomínio fechado, não é? Coisa chique!

OSCAR: - Mas por isso mesmo é até mais visado pelos ladrões do que a nossa pensão, por exemplo.

ALAÍDE (faz sinal da cruz): - Credo! Que Deus não permita isso, nem pra gente, nem pra ninguém!

JONAS: - Eu conversei com a Lívia, tentei confortá-la... No fundo, eu também fiquei preocupado com ela.

ALAÍDE: - Meu filho, o melhor que a gente tem a fazer é rezar pra Deus proteger ela, o Pedrinho...

OSCAR: - Pede pra ela ter uma segurança particular!

ALAÍDE: - Pra quê, Oscar? Pra ficar feito sombra atrás da moça? Não gosto disso não. Vai na loja, tem uma sombra. Vai no mercado, tem uma sombra. Se duvidar, nem no banheiro dá pra ir!

JONAS (rindo): - Mãe, não funciona assim não.

ALAÍDE: - Claro que é! Eu vejo isso nos filmes!

OSCAR: - Alaíde, filme é ficção, não é realidade.

ALAÍDE: - Mas no que eu vi tinha escrito lá, baseado em fatos reais. Ou seja, mostrava realmente como era. O segurança só não tomava banho com o patrão porque não tinha lugar na banheira!

 

Jonas e Oscar riem.  

 

CENA 05. CASA LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

 

Alexandre e Lívia discutem.

 

ALEXANDRE: - Esqueceu, Lívia?! (grita) Esqueceu?!

LÍVIA: - Não grite! O Pedro está dormindo!

ALEXANDRE: - Foram anos ruins da minha vida. Você não sabe o quanto eu sofri naquela cadeia, junto com outras pessoas más, cruéis. Gente que roubou e até matou, coisa que eu não fiz!

LÍVIA: - Eu sinto muito, de verdade, por tudo o que você passou/

ALEXANDRE: - Era você quem deveria estar lá! Eu não sou um assassino, Lívia!

 

Lívia chora.

 

CENA 06. FLASHBACK. RIO DE JANEIRO. FAVELA. EXT. INT. DIA.

 

TAKES imagens gerais do Rio de Janeiro, legenda mostra 15 anos atrás. Corta para:

 

Lívia, ainda jovem (15/16 anos), caminha pelas ruelas da favela, trazendo sacolas da feira. Ela é uma jovem linda, chama atenção dos garotos. Subindo as escadarias, cumprimenta os vizinhos, conhecidos. Lívia chega em frente à sua casa. Passa por ela, de bicicleta, um outro rapaz, que para próximo.

 

RAPAZ: - Quer ajuda com as compras?

LÍVIA: - Obrigada, mas não precisa não, Alexandre. (sorri, graciosa).

ALEXANDRE: - Quando você vai aceitar meu pedido de namoro, hein?

LÍVIA: - Namoro?! Eu nem posso pensar nisso agora... Mas quando eu crescer, prometo ficar com você, ok?

ALEXANDRE: - Promessa é dívida!

 

Lívia sorri. Alexandre corresponde. Lívia olha na janela e vê

João, espiando a conversa dos dois. Lívia baixa a cabeça, entra

em casa com as compras. Alexandre a observa, pensativo,

encantado com a beleza dela.

 

CENA 07. FAVELA. CASEBRE LÍVIA. INT. DIA.

 

Lívia chega com as compras. João se aproxima.

 

LÍVIA: - Já trouxe tudo o que precisava, tio.

JOÃO: - Já falei mais de mil vezes que não quero você de conversinha com esse marginal.

LÍVIA: - O Alexandre não é marginal, tio. Ele está estudando. Vai terminar a escola este ano.

JOÃO; - É marginal sim. O pai dele morreu por dívida de droga. E ele vai pelo mesmo caminho. E você (segura o braço de Lívia) não fica defendendo esse bandido aqui dentro, ta ouvindo?

LÍVIA: - Está me machucando!

JOÃO: - Estou é? Desculpa... (solta o braço de Lívia).

 

Lívia se afasta, assustada.

 

JOÃO: - Eu não queria machucar você... (se aproxima de Lívia, malicioso) Vem aqui que o titio vai cuidar de você, direitinho.

LÍVIA: - Não, tio! Eu não quero!

JOÃO: - Vai ser bom, igual foi ontem à noite, minha linda.

 

João agarra Lívia, que tenta fugir, mas não consegue. João a leva para o quarto, a empurra sobre a cama. Lívia chora, aflita.

 

LÍVIA: - Não faz nada comigo, por favor!

JOÃO: - O tio João vai cuidar bem de você...

 

João rasga o vestido que Lívia estava usando. Ele tira a camisa e vai abrindo a calça. CAM foca no rosto de Lívia, que vira para o lado, entristecida. João passa a mão pelo corpo de Lívia, que não tem como fugir. CAM sai do foco.

 

CENA 08. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER. FAVELA. RUA. EXT. DIA.

 

TAKES da passagem do tempo, noite para dia. Corta para:

 

Lívia caminha pela rua, acompanhada por outra moça, morena, voltando da escola.

 

MOÇA: - Não sei mais o que fazer... Acho que vou ficar com nota  vermelha em Química. Minha prova foi um desastre!

LÍVIA: - Mas você disse que estudou tudo, Carla! Por horas e horas!

CARLA: - Eu disse que ia estudar tudo... Mas aí o Fernandinho foi lá em casa e ao invés de química, eu estudei biologia. Anatomia humana completa! (risos)

LÍVIA: - Que cabeça, hein Carla!

 

Alexandre vai se aproximando das duas. Carla o vê.

 

CARLA: - Lá vem o seu admirador.

LÍVIA: - Quem?

CARLA: - Alexandre, oras!... Vou deixar os pombinhos em paz.

LÍVIA: - Que história, nem tem nada disso!

 

Carla se afasta. Alexandre chega junto. Carla acena e vai embora.

 

ALEXANDRE: - Como vai?

LÍVIA: - Bem.

ALEXANDRE: - Tá conseguindo pegar bem a aula de geografia? Eu estou com as calças na mão nessa matéria.

LÍVIA: - Estou sim. Se quiser, eu te empresto meu caderno depois, para você copiar tudo.

ALEXANDRE: - Valeu.

 

Alexandre beija Lívia, no rosto.

 

ALEXANDRE: - Passo na sua casa depois para pegar o caderno.

LÍVIA: - Está bem.

 

Lívia entra em casa. Alexandre sai.

 

CENA 09. FAVELA. CASEBRE LÍVIA. INT. DIA.

 

Lívia e João na mesa do almoço. Silêncio total. Apenas o barulho dos garfos e das mastigadas. João levanta-se da mesa.

 

JOÃO: - Depois que você limpar tudo aqui, me avisa.(aproxima-se de Lívia, toca o seio dela) Quero você pronta pra mim.

 

João se afasta. Lívia contém sua raiva.

 

CENA 10. CASEBRE LÍVIA. INT. DIA.

 

Lívia guarda a louça. Ela termina de arrumar tudo e vai saindo na porta de casa, quando João segura o seu braço.

 

JOÃO: - Saindo sem me avisar?

LÍVIA: - Me solta, tio, por favor! Eu não quero mais/

JOÃO: - Mas eu quero! Você está aqui pra me satisfazer, vadiazinha. Teu pai e tua mãe morreram e você ficou sob a minha responsabilidade. Então tem fazer o que eu mandar! E eu to mandando você tirar essa roupa e deitar lá na cama!

LÍVIA: - Eu não quero!

 

Lívia empurra João, mas ele consegue pegá-la e a leva para o  quarto. Lívia briga, dando tapas e João, que se defende. 

 

CENA 11. FAVELA. CASEBRE LÍVIA. EXT. DIA.

 

Do lado de fora, Alexandre chega na casa e escuta os gritos de Lívia.

 

ALEXANDRE: - Lívia!

 

Alexandre entra no casebre.

 

CENA 12. FAVELA. CASEBRE LÍVIA. INT. DIA.

 

Alexandre entra rapidamente no casebre e vai para o quarto. Ao chegar lá, encontra João deitado sobre Lívia, tentando abusar dela novamente. Alexandre puxa João e lhe dá um soco. João cai no chão.

 

ALEXANDRE: - Animal! Sai de perto dela!

JOÃO; - Mas esse moleque é muito atrevido!

 

João empurra Alexandre, que bate com as costas na parede. João lhe dá socos. Alexandre tenta se defender. Lívia, aflita, vai até o guarda-roupas e retira uma caixa lá de dentro. Ela abre a caixa e pega um revólver.

 

LÍVIA (grita): - Chega!

JOÃO (vira-se para Lívia): - O meu revolver! Larga isso vadia!

ALEXANDRE: - Cuidado, Lívia!

JOÃO (caminha em direção a Lívia): - Me dá essa arma aqui, você vai acabar se machucando! E eu não quero que você se machuque. Quero cuidar de você...

LÍVIA (transtornada): - Mas eu não quero mais isso! Não quero!

 

Lívia atira. João recebe dois tiros e cai no chão, já morto. Lívia deixa a arma no chão, totalmente aflita, nervosa. Alexandre também.

 

LÍVIA: - Ele morreu?!

ALEXANDRE: - Sim.

 

Ouve-se aglomeração dos vizinhos e barulho de sirene da polícia. Lívia se desespera.

 

ALEXANDRE: - Calma, calma!

LÍVIA: - Eu não quero ir presa, Alexandre! Não quero!

 

Alexandre se aproxima de Lívia, a segura firme.

 

ALEXANDRE: - Eu vou proteger você. Confia em mim?

LÍVIA: - Confio.

ALEXANDRE: - Então foge daqui, se esconde, desaparece.

LÍVIA: - Mas e você/

ALEXANDRE: - Faz o que eu estou dizendo, Lívia. Sai daqui!

 

Lívia abraça Alexandre fortemente e sai da casa, procurando se esconder. Alexandre se aproxima do corpo de João, pega a arma na mão. Nesse instante, a polícia chega.

 

POLICIAL: - Larga a arma no chão!

 

Alexandre solta a arma e leva as mãos à cabeça.

 

CENA 13. FAVELA. CASEBRE LÍVIA. EXT. DIA.

 

Alexandre sai do casebre algemado. Os vizinhos vaiam, gritam, protestam, se chocam. Ao longe, Lívia observa tudo. Alexandre consegue vê-la. Ele é colocado no carro da polícia e levado para a cadeia.

 

CENA 14. VOLTA AOS DIAS ATUAIS.CASA LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

 

Lívia tenta conter as lágrimas. Alexandre com expressão fechada, ressentido.

 

ALEXANDRE: - Eu fiquei dez anos lá dentro. E lembro até hoje, quando você foi lá me visitar e disse que ia me esperar aqui do lado de fora.

LÍVIA: - De fato, eu esperei você... E fiquei feliz em voltar a ter próximo de mim aquele que eu achava ser o meu príncipe encantado. Mas você voltou transformado, Alexandre. Com ódio, raiva! Onde está aquele Alexandre que eu conheci lá na favela, carinhoso, atencioso, de estudar, ajudar?

ALEXANDRE: - Aquele Alexandre morreu na cadeia, Lívia. Aqui está o novo Alexandre, que teve que aprender a dormir com um olho fechado e o outro aberto para não perder a vida. (T) Teve que aprender a respeitar e impor respeito. Eu tive que conquistar o meu espaço, viver constantemente a lei do olho por olho, dente por dente. (T) Eu fui ao inferno Lívia por causa de você! E agora que você está bem de vida, me vira as costas?!

LÍVIA: - Você virou um monstro! Eu não tinha outra saída!

ALEXANDRE: - Mas agora tem!... Eu quero uma parte do seu dinheiro.

LÍVIA: - Como é que é?

ALEXANDRE; - Você precisa me ressarcir de tudo o que eu passei por sua causa, Lívia! Você é uma assassina, esqueceu? Outra pessoa foi presa no seu lugar!

LÍVIA: - Já chega, Alexandre!

ALEXANDRE: - A verdade dói, não é? E no seu caso, ela vai ser cara também, se você quiser dificultar as coisas.

LÍVIA: - Eu não vou dar nada pra você!

ALEXANDRE: - Imagina só, o escândalo que seria se todas essas pessoas que ficam em volta de você saber o que você fez no passado? Que você foi capaz de matar para chegar onde está!

LÍVIA: - Não foi bem assim! Você sabe disso!

ALEXANDRE: - A única coisa que eu sei é que eu quero a minha parte nessa tua grana toda aqui. Senão eu abro minha boca e falo

pra todo mundo ouvir. Já pensou no que o Pedro vai pensar quando

descobrir que a mãe dele/

LÍVIA (empurra Alexandre): - Não! Você não vai falar nada,

nem chegar perto do meu filho!

ALEXANDRE: - Eu vou dar um tempinho pra você pensar. Mas não demora não, Lívia. Eu não quero perder tempo e a minha paciência

contigo está no limite.

 

Alexandre encara Lívia e vai embora. Lívia fica totalmente desolada, transtornada.

 

LÍVIA: - Meu Deus! Isso não pode estar acontecendo! Não!

 

CAM foca na expressão de Lívia, tensa, aflita.

 

CENA 15. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER

 

Imagens de São Paulo ao amanhecer. Mostra os prédios da cidade, a movimentação das pessoas nas ruas.

 

CENA 16. APTO CONRADO INT. DIA.

 

Conrado, tomando café quando a campainha toca. Conrado vai até a porta, abre. É Isabela.

 

CONRADO (surpreso/feliz): - Isabela?! Você! (a si mesmo) a Mayra tinha razão, ela veio atrás de mim!

ISABELA: - Disse alguma coisa?

CONRADO: - Não, não. Quero dizer, que surpresa você aqui!

ISABELA: - Desculpa vir aqui sem avisar, mas é que eu queria falar com você. O assunto é importante.

CONRADO: - Claro, sem problemas. Entra.

 

Isabela entra.

 

CONRADO: - Quer café, ta fresquinho. Acabei de passar.

ISABELA: - Não, obrigada. Eu pretendo ser breve.

CONRADO: - Como quiser... Mas então, o que traz você aqui?

ISABELA: - Bem, Conrado, acontece que/

 

A campainha toca.

 

ISABELA: - Está esperando alguém?

CONRADO: - Não.

 

Conrado abre a porta. É Sarah, que vai entrando no apartamento.

 

SARAH: - Oi Conrado querido! (vê Isabela) O que essa daí ta fazendo aqui no seu apartamento?

ISABELA: - Não sabia, Conrado, que você estava namorando.

CONRADO: - Mas eu não estou!

ISABELA: - Mas parece, porque essa daí ta cobrando satisfações suas...

SARAH: - Ah, quer ficar aí fica, queridinha. Só não atrapalha, porque eu tenho um assunto importante pra falar com o Conrado.

ISABELA: - Ei, então você vai ter que esperar, porque eu cheguei aqui primeiro pra falar com ele.

SARAH: - Nem vem! O assunto que eu tenho pra falar é importantíssimo!

ISABELA: - O meu é muito mais importante!

CONRADO: - Ei, gente! Vamos colocar ordem na casa!

ISABELA: - Mas Conrado, eu cheguei aqui primeiro!

SARAH: - Mas o meu assunto é de extrema importância!

ISABELA: - O meu também é!

CONRADO: - Eu vou ficar é louco!

ISABELA / SARAH (ao mesmo tempo): - Você vai ser é pai!

 

As duas se olham, surpresas. Conrado toma um choque com a notícia.

 

CONRADO: - Como é que é?!

SARAH / ISABELA (ao mesmo tempo): - Eu estou grávida!

 

As duas se olham novamente, surpresas.

 

CONRADO: - Eu não posso acreditar...

 

Conrado desmaia. Sarah e Isabela ficam sem reação.  

 

CENA 17. APTO ONIRA. QUARTO MARCOS. INT. DIA.

 

Marcos está no quarto, entristecido. Onira entra no local.

 

ONIRA: - Meu filho... Você chegou ontem, se trancou nesse quarto e não saiu mais! Mamãe está preocupada com você.

MARCOS: - Está mesmo? Pensei que estivesse feliz pelo o que aconteceu.

ONIRA: - Como assim? Tá falando desse jeito comigo, por que, Marcos?

MARCOS: - A Adriana terminou comigo. Não era isso que você queria?

ONIRA: - Terminou é? Pois foi a atitude mais sensata que ela tomou na vida dela. Vai ser bom pra ela e pra você. Você vai ver, meu filho.

MARCOS: - Bom?!

ONIRA: - Claro, Marcos! Assim você pode seguir sua vida, continuar trabalhando e atingindo seus objetivos, ganhando prestígio, sucesso e/

MARCOS: - Eu não vivo apenas de prestígio e sucesso, mamãe! Sou um ser humano, eu tenho sentimentos!... Eu vivo de amor também. ONIRA: - Amor não põe comida na mesa de ninguém.

MARCOS: - Mas faz a vida muito mais feliz, isso faz.

ONIRA: - Quanta bobagem, Marcos.

MARCOS: - Bobagem é o que a senhora está fazendo, ou melhor, o que a senhora fez, provocando tudo isso na minha vida!

ONIRA: - Está me acusando agora?

MARCOS: - Estou sim. Isso que você fez não é atitude de mãe protetora, como você diz, justifica. Isso é coisa de gente má, que não pensa no que os outros estão sentindo. Eu não sou um objeto na sua mão, mãe.

ONIRA: - Marcos! Olha só o jeito que você está me tratando! Aquela mulherzinha realmente virou sua cabeça do avesso!

MARCOS: - Não coloque a culpa nos outros. Você mesma fez a coisa chegar a esse ponto. Sua arrogância, prepotência, egoísmo! Eu nunca esperei isso de você, mãe... Aliás, eu nem sei se vou conseguir te chamar de mãe novamente.

 

Onira começa a sentir-se mal, senta-se na cama.

 

MARCOS: - E pode parar com esse showzinho aí. Eu não vou cair na sua conversa novamente.

 

Onira desmaia. Marcos se assusta.

 

MARCOS: - Mãe? (se aproxima, acode Onira) Mãe, fala comigo! Mãe!

 

Marcos se desespera, segurando Onira, que está desacordada.
 

CENA 18. EMPRESA AMARO. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

 

Sala de reuniões, ambiente à meia luz. Lívia está concluindo a

apresentação do seu projeto para a direção. (Rosa, Rafael, Jorge, Marilu, Paulo, Eduardo, Lorena, Vitória e Beatriz estão presentes). Num telão, estão sendo exibido o vídeo elaborado por Lívia para a apresentação. Lívia está um tanto nervosa, aflita, pela apresentação, mas principalmente pela discussão com Alexandre, na noite anterior. O vídeo termina. As luzes se acendem.

 

LÍVIA: - Então gente, este é o meu projeto para a Amaro. Responsabilidade social e ambiental, junto com crianças carentes. Com a utilização de material reciclável, gerados inclusive aqui na empresa, podemos fazer desse projeto um grande sucesso.

 

Lívia é aplaudida. Beatriz faz cara de poucos amigos.

 

EDUARDO: - Com certeza outros parceiros ficaram interessados no projeto. Vai ser bom para a empresa. Até financeiramente, visando novos negócios.

JORGE: - O projeto é ótimo, Lívia. Parabéns.

LORENA: - Tenho certeza que, bem implementado, vai sim, ser um sucesso.

 

Os diretores comentam, conversam entre si. Rafael se aproxima de Lívia.

 

RAFAEL: - Está tudo bem?

LÍVIA: - Está sim.

RAFAEL: - Estou te achando meio estranha, nervosa, preocupada. Tem certeza que ta tudo bem?

LÍVIA: - Tenho sim, Rafael. Obrigada pela sua atenção.

RAFAEL: - Você foi ótima. Parabéns.

 

Beatriz observa a conversa dos dois de longe, não suporta. Vitória se aproxima.

 

VITÓRIA; - Beatriz, melhora essa cara aí, amiga.

BEATRIZ: - Melhorar como vitória, se seu irmão está todo olhares para essa mulher aí.

VITÓRIA: - Mas você é a noiva dele!

BEATRIZ: - Estamos brigados.

VITÓRIA; - Mas a noiva continua sendo você...

 

Vitória se afasta. Beatriz pensativa. Marilu observa tudo.

 

MARILU (a si mesma): - Ganhei uma nova amiga contra a Lívia... Bom saber.

 

Rosa se aproxima de Lívia e Rafael.

 

ROSA: - Estava tudo ótimo, Lívia. a apresentação foi clara, direta, bonita.

LÍVIA: - Se não fosse você me ajudar também, Rosa, isso não seria possível Aliás, você e o Rafael, foram duas pessoas fundamentais para isso.

ROSA: - Obrigada querida, mas esse projeto tem muito de você. A sua mão, sua essência. Estou torcendo muito!

RAFAEL: - E pode ter certeza que nós vamos fazer dele o nosso carro-chefe no setor de responsabilidade social.

 

Lívia sorri, mas seu olhar é distante.

 

CENA 19. APTO CONRADO. INT. DIA.

 

Isabela acorda Conrado com um copo d’água na cara. Ele acorda

assustado.

 

CONRADO: - O que aconteceu?!

SARAH: - Ah, até que enfim!... Você desmaiou Conrado quando a gente disse que estava grávida de você.

CONRADO: - Grávidas?! As duas?!

ISABELA: - Sim, as duas...

CONRADO: - Mas gente, vamos com calma... Vocês tem certeza que os filhos sãos meus mesmo?

ISABELA: - É ridículo dizer isso, mas o meu é seu sim. Já o dessa aí...

SARAH: - Ei! Olha lá riquinha! O filho que eu tenho aqui é do Conrado sim. Lembro até do dia em que a gente/

ISABELA: - Por favor, queridinha! Poupe-me dos detalhes!

CONRADO: - Bom, já que as duas garantem que o filho é meu... Eu me comprometo em ajudar em tudo o que for preciso para que vocês tenham uma gravidez sadia, com todos os cuidados necessários.

SARAH: - Acho ótimo! E eu vim aqui justamente para dizer isso para você. Eu quero fazer um pré-natal na melhor clínica da cidade, e fazer tudo o que grávida faz, hidroginástica, ioga, tudo! Acho que é fundamental para ter uma gravidez com saúde e bem-estar.

CONRADO: - Claro, Sarah... E você Isabela?

ISABELA: - Eu não quero nada não.

CONRADO: - Não?! Como assim?

ISABELA: - Eu não quero nada de você, Conrado. Eu vim aqui mais era pra dar essa notícia pra você, até porque é justo que você saiba disso. Mas eu não preciso de nada...

CONRADO: - O filho também é meu, Isabela! E eu quero ajudar!

ISABELA: - E eu estou dizendo que não vai ser preciso!... (pega sua bolsa) O que você tinha que saber, já sabe. Tchau. (saindo)

CONRADO: - Ei, Isabela! Ô! Espera!

 

Isabela vai embora sem dar ouvidos.

 

SARAH: - Ai, Conrado, se ela não quer a sua ajuda, só porque ela é toda cheia de manias, frescuras, eu quero! Não vou criar esse filho sozinha, sem amparo nenhum!

CONRADO: - Não, claro que não vai Sarah. Eu vou ajudar no que foi preciso.

SARAH: - Ótimo! Nosso filho vai ser uma criança rica! Quero dizer, de saúde, felicidade, amor...

 

Sarah está empolgada, enquanto Conrado tenta assimilar a ideia de ser pai.

 

CENA 20. EMPRESA AMARO. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

 

Beatriz termina suas anotações para a revista, quando Rafael se aproxima.

RAFAEL: - Bom que você veio.

BEATRIZ: - Fala isso pela minha presença como pessoa ou como veículo de comunicação?

RAFAEL: - Por que essa frieza toda comigo, Beatriz? Pensei que você tivesse pensado, entendido o que eu/

BEATRIZ: - Eu pensei, pensei e não entendi e nem decidi nada.

RAFAEL (cochicha no ouvido dela): - Deixa essa marra de lado, meu amor... Tô com saudade de você...

BEATRIZ (se afasta): - Sai, Rafael, não faz assim...

RAFAEL: - Eu sei que você também está sentindo falta de mim.

BEATRIZ: - Eu preciso ir pra redação, terminar a matéria do projeto dessa/ da diretora de vocês. (saindo)

 

Marilu e Paulo observam, de longe e conversam, discretamente.

 

MARILU: - Viu só? A Lívia já está colocando as asinhas de fora. Deixou o patrãozinho em maus lençóis com a noiva. Espera essa Lívia.

PAULO: - Espera a Lívia, espera você, também. Já fiquei sabendo que você foi jantar na casa da Lorena.

MARILU: - Mas as notícias voam nessa empresa.

PAULO: - Está conseguindo ficar bem próxima dela então.

MARILU: - Tô sim. Conseguindo mais do que eu imaginei.

PAULO: - Não entendi.

MARILU; - Disfarça que ela vem vindo.

 

Lorena chega próxima dos dois.

 

LORENA: - E então, o que acharam do projeto?

MARILU: - Eu achei incrível. Ajudar as crianças carentes, com um trabalho tão legal. Tem tudo pra dar certo.

PAULO: - Ideia um tanto clichê, não é? Mas, para essa moça que chegou agora e não entende nada, até que foi grande coisa.

LORENA: – Pelo menos ela pensou em algo que enobreça a atuação da Amaro perante a sociedade, não é, Paulo? Tem gente que está aqui há anos e em nada acrescentou nesse aspecto.

 

Paulo não responde, porém, não gosta da indireta.

 

LORENA: - Venha, Maria Luísa, quero falar umas coisas pra você, sobre um relatório que eu quero que você elabore.

MARILU: - Vamos sim. (a Paulo) com licença.

 

Marilu e Lorena saem. Lívia passa por Paulo, que a chama.

 

PAULO (falso): - Lívia, eu queria dizer que a sua ideia é maravilhosa. Parabéns.

 

LÍVIA (um tanto apressada): - Obrigada, Paulo. (saindo)

PAULO (segura a mão de Lívia): - O Tarcísio certamente ficaria feliz em ver que você está se empenhando tão bem.

LÍVIA (solta-se, delicadamente): - Acredito que sim mesmo. Agora eu preciso ver umas coisas, com licença.

 

Lívia sai. Paulo a observa, cínico.

 

CENA 21 EMPRESA AMARO. BANHEIRO. INT. DIA.

 

Lívia entra aflita no banheiro. Caminha de um lado a outro.

 

V.O. DISCUSSÃO LÍVIA E ALEXANDRE.

 

ALEXANDRE: - Era você quem deveria estar lá! Eu não sou um assassino, Lívia! E você sabe disso.

ALEXANDRE: - Eu fui ao inferno Lívia por causa de você! E agora que você está bem de vida, me vira as costas?!

ALEXANDRE; - Você precisa me ressarcir de tudo o que eu passei por sua causa, Lívia! Você é uma assassina, esqueceu? Outra pessoa foi presa no seu lugar!

ALEXANDRE: - Imagina só, o escândalo que seria se todas essas pessoas que ficam em volta de você saber o que você fez no passado? Que você foi capaz de matar para chegar onde está!

LÍVIA: - Eu não vou dar nada pra você!

ALEXANDRE: - A única coisa que eu sei é que eu quero a minha parte nessa tua grana toda aqui. Senão eu abro minha boca e falo

pra todo mundo ouvir. Já pensou no que o Pedro vai pensar quando descobrir que a mãe dele/

 

Lívia se mostra apreensiva.

 

LÍVIA: - Meu Deus, não deixa que nada de ruim aconteça!... Não deixe que o Alexandre estrague minha vida, não deixe!

 

CENA 22. CLINICA DR FAUSTO. INT. DIA.

 

Onira é levada de maca pelos funcionários para o interior da clínica. Marcos acompanha, aflito. Encontra Gisa e Almir.

 

GISA: - Marcos?

MARCOS: - Gisa, minha mãe! Ela está muito mal!

 

Almir examina Onira.

 

ALMIR: - Emergência, rápido!

MARCOS: - Por favor, me ajuda!

GISA: - calma, vai ficar tudo bem!

 

Almir sai com os outros funcionários. Gisa acompanha. Marcos fica esperando, apreensivo.

 

 

CENA 23. CASA INÊS. INT. DIA.

 

Alfredo e Inês conversam.

 

ALFREDO: - Seu irmão é um dissimulado!

INÊS: - Ai Alfredo, eu estou com o coração com essa história toda!

ALFREDO: - Eu tive vontade de voar no pescoço dele lá na Amaro!

INÊS: - Calma, querido! Pelo amor de Deus, não se prejudique por causa dele!

ALFREDO: - Não, não vou. Ele já me prejudicou uma vez. Não vou deixar ele fazer isso novamente.

INÊS: - Eu fico com pena é da Beth. Ele seduziu ela, ta enganando a minha amiga!

ALFREDO: - Inês, você precisa falar com a Beth, alertar/

INÊS: - Ela não sabe de nada, Alfredo! Ela ta apaixonada... Vai ser uma decepção muito grande pra ela saber de tudo!

ALFREDO: - Ela precisa saber quem é o Eduardo de verdade! O psicopata que ele é, o vampiro que ele é! Senão, ela e toda família podem acabar numa pior, na miséria, sem nada!

 

CENA 24. MOTEL. INT. DIA.

Breno entra com Carla no mesmo quarto de motel onde ela esteve com Almir na noite anterior.

 

CARLA (abraça Breno): - Meu amor, que surpresa boa é essa?! Motel no meio da tarde?

BRENO: - Achei que você gostaria da surpresa.

CARLA: - Eu estou adorando!

 

Breno empurra Carla, que cai sobre a cama.

 

CARLA: - Nossa... Tá querendo um amor selvagem, é isso?

 

Carla levanta-se, aproxima-se de Breno, que a empurra novamente, com mais força. Carla estranha. Breno fecha a expressão, fica

sério.

CARLA: - O que foi Breno? Pra que fazer isso?

BRENO: - Não gosto de falsidade, não gosto de mentira, e principalmente, não gosto de gente desleal.

CARLA: - Por que você está falando isso pra mim?

BRENO: - Porque você foi tudo isso comigo. Falsa, mentirosa, desleal...

CARLA: - Breno, eu/

BRENO: - Traidora!

 

Carla se choca com Breno.

 

BRENO: - Eu vi você entrando num carro ontem, na avenida perto daqui e eu segui vocês. Vocês entraram nesse mesmo motel. E você volta aqui hoje comigo e age como se nada tivesse acontecido.

CARLA: - Breno, eu posso explicar.

BRENO (firme): - Então fala, Carla! Quem é você, de verdade?!

 

Breno pressiona Carla.

 

 

CENA 25. ESCOLINHA. INT. DIA.

 

As crianças estão no pátio da escola, aguardando para ir embora.

Na calçada, Alexandre se aproxima, enxerga Pedro e abre um sorriso. Alexandre entra na escola, é abordado por uma professora.

 

PROFESSORA: - Senhor, não pode entrar aqui. Apenas pais ou responsáveis pelas crianças.

ALEXANDRE: - Mas eu sou pai de um menino aqui. Aquele ali(aponta para Pedro)

PROFESSORA: - Do Pedro?! Mas eu nunca vi o senhor por aqui. E a dona Lívia não comentou nada que você viria. Ah sim, o senhor é o Jonas, não é?

ALEXANDRE: - Jonas?! Nem sei quem é esse cara! Eu me chamo Alexandre e sou o pai do Pedro e vim buscá-lo hoje. Não precisa

falar com a Lívia porque ela sabe.

PROFESSORA: - Desculpa senhor, mas eu não/

ALEXANDRE: - Está com dúvida? Chame o garoto aqui e pergunte pra ele!

 

A professora, mesmo desconfiada, chama Pedro. O garoto se aproxima, vê Alexandre.

 

ALEXANDRE: - Meu filho!

PEDRO: - Pai! (se abraça em Alexandre, feliz)

ALEXANDRE: - Hoje o papai vai levar você pra casa! Gostou da surpresa?

PEDRO: - Gostei!

ALEXANDRE (a professora): - Eu estava de viagem, a trabalho na Argentina, por isso nunca estive aqui.

PROFESSORA: - Tudo bem, desculpe as perguntas, o estranhamento, mas acontece que/

ALEXANDRE: - Eu tenho. Procedimento de segurança, claro. Bem, agora eu vou indo. Até logo!

PROFESSORA: - Até logo. Tchau Pedro!

PEDRO: - Tchau professora!

 

Alexandre sai, levando Pedro da escola. Pouco tempo depois, Jonas chega.

 

JONAS: - Olá! Eu me chamo Jonas e vim aqui buscar o Pedro para a dona Lívia. Ele já está pronto?

PROFESSORA: - O Pedro?

JONAS: - Sim. Onde ele está?

PROFESSORA: - O Pedro acabou de sair. Já foi embora com o pai.

JONAS (surpreso): - com o pai?! Impossível! Eu fiquei responsável por buscar ele hoje! A Lívia inclusive ligou pra cá, confirmando!

PROFESSORA; - Sim, mas o pai do garoto chegou aqui e levou ele embora. E disse que já havia falado com a dona Lívia e/

JONAS: - Não pode ser, minha senhora! O Pedro pode ser sido sequestrado!

 

A professora fica aflita. Jonas liga para Lívia.

 

CENA 26. EMPRESA AMARO. SALA LÍVIA. INT. DIA.

 

Lívia fica aflita ao telefone. A porta está entreaberta e Paulo

observa tudo, escondido.

 

LÍVIA (ao telefone): - como isso, Jonas?! Mas você não foi buscar o Pedro?! (T) então! (T) Pai? Mas/ (T0 eu não acredito! (T) Deixa, Jonas, eu estou saindo daqui. Me encontra lá em casa assim que você puder (desliga o telefone)

 

Lívia se mostra atormentada.

 

LÍVIA: - Mas ele voltou para atormentar a minha vida!

 

PAULO; - Ele quem?!...

 

Lívia pega sua bolsa. Paulo se afasta. Lívia sai da sala. Paulo se mostra curioso.

 

PAULO; - Aí tem coisa...

 

CENA 27. MOTEL. INT. DIA.

 

Carla e Breno, clima tenso no motel.

 

BRENO: - Fala Carla! O que você está me escondendo?! Aquele cara no carro era o seu amante, não era?

CARLA: - Não!

BRENO: - Ah não? E era o que? Seu pai, um primo, um amigo,colega de trabalho que veio fazer uma reunião com você no motel?!

CARLA: - Aquele homem era meu cliente!

 

Breno se cala, surpreso.

 

BRENO: - Cliente?

CARLA: - Eu ia falar para você...

BRENO: - Carla, você/

CARLA: - Eu sou garota de programa, Breno.

 

MUSIC ON: Zero - Liniker

Breno se mostra chocado.

 

BRENO: - Você mentiu esse tempo todo?!

CARLA: - Nunca fui assistente comercial, nunca trabalhei em outra coisa... Quando eu não podia atender suas ligações, eu estava trabalhando, recebendo por sexo com outros homens.

BRENO: - E aquele dia da festa, que você sumiu?

CARLA: - Eu encontrei um cliente lá. Fiquei com medo de que ele revelasse para você isso tudo, e fui embora. Eu fiquei com

medo, Breno!

BRENO: - Medo? Você deveria era ter vergonha disso! Você brincou com os meus sentimentos, Carla.

CARLA: - Não! Nunca! Eu sempre gostei, amei você de verdade!

BRENO: - me amou saindo com outros homens, me escondendo a sua verdadeira vida!... Garota de programa... Uma vagabunda!

CARLA: - Breno, por favor!

BRENO: - Não fala mais comigo, Carla!... Não quero ouvir seu nome, ver seu rosto, sentir seu perfume. Eu quero apagar você da

minha vida. Assim você fica livre para atender os clientes sem que eu ligue e atrapalhe tudo.

 

Breno vai embora, entristecido. Carla fica, chora, desolada. MUSIC OFF.

 

CENA 28. EMPRESA AMARO. SALA LORENA. INT. DIA.

 

Lorena e Marilu conversam.

 

LORENA: - Maria Luísa, o relatório está ótimo!

MARILU; - Obrigada Lorena! Às vezes você me elogia tanto que eu fico com medo de fazer alguma coisa errada e você se decepcionar comigo como aconteceu com a Tatiana.

LORENA: - Imagina, Maria Luísa! O que aconteceu com a Tatiana foi triste mesmo... Mas eu vejo que com você é diferente. Eu sinto que a gente tem uma energia diferente, algo maior, sabe? Eu confio em você. É isso. Eu confio inteiramente em você. De olhos fechados! (folheia uns papéis)

 

Marilu se surpreende. De repente, o celular de Marilu sinaliza

uma mensagem. Ela olha e abre um sorriso discreto, mas logo disfarça quando Lorena fala com ela.

 

LORENA: - O pessoal lá em casa adorou você.

MARILU; - Ah, que bom! Eu também adorei a companhia de todos.

LORENA: - Vamos marcar mais vezes!

MARILU: - Vamos sim, claro.

 

Marilu sorri, falsa.

 

CENA 29. CASA LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

 

Lívia chega em casa apressada, nervosa e se surpreende ao ver vê Alexandre no local, brincando com Pedro. Pedro se mostra feliz na companhia do pai. Lívia se aproxima, puxa o garoto para perto dela, o abraça fortemente. Alexandre observa tudo.

 

LÍVIA (a Pedro): - Meu filho! A mamãe te ama tanto!

ALEXANDRE: - Vai sufocar o garoto, calma.

LÍVIA (a Alexandre): - Você não tinha o direito!

PEDRO: - Mãe, o papai voltou!

ALEXANDRE: - Tá vendo? Ele gostou!

LÍVIA: - Fácil brincar com o sentimento de uma criança, não é? (a Pedro) filho, vai pro seu quarto. A mamãe quer conversar com o papai.

 

Pedro sai. Lívia fica a sós com Alexandre.

 

LÍVIA (parte para cima de Alexandre): - Desgraçado!

ALEXANDRE (tenta conter Lívia): - Calma! O garoto ta aí, não aconteceu nada!

LÍVIA: - Você não poderia fazer isso, Alexandre! Não pode chegar perto do Pedro, do meu filho!

ALEXANDRE (empurra Lívia): - Nosso filho!... Eu sou pai dele e posso sim estar perto dele quando quiser.

LÍVIA: - Não, não pode! Você nos abandonou, nunca se interessou por ele!

ALEXANDRE: - Quem me abandonou foi você, Lívia...

LÍVIA: - Some daqui, sai da minha vida, Alexandre!

ALEXANDRE: - Você me deve Lívia. E eu só vou embora da sua vida quando eu tiver o que meu, por direito.

LÍVIA: - Você não tem direito a nada!

ALEXANDRE: - Veremos... Ou você me ajuda, ou então a sua vida vai virar um inferno. E eu to só começando. (encara Lívia) Eu quero o meu dinheiro!
 

Alexandre sai. Lívia fica na sala, exausta, pensativa. 

 

CENA 30. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER

 

Imagens de São Paulo ao anoitecer. Mostra a Avenida Paulista, iluminada, as rodovias que cortam a cidade.

 

CENA 31. CASA CHARLOTE. INT. NOITE. 

 

Isabela chega na sala. Demétrio e Charlote conversam.

 

ISABELA: - Pai, mãe, queria falar com vocês.

DEMÉTRIO: - Fala, minha filha. Estamos todos só ouvidos para você.

ISABELA: - Obrigada, papai... Bem, eu nem sei como dizer isso pra vocês. Não sei qual vai ser a reação que vão ter, se riso ou raiva, mas eu quero que saibam que eu vou sim, tomar todas as medidas necessárias para que isso não se torne um peso, nem para mim, nem para vocês.

CHARLOTE: - Meu Deus, Isabela! O que aconteceu, minha filha?! Você está falando de um jeito, parece até que cometeu um crime!

ISABELA: - Desculpa mãe, não quero apavorá-los com isso... Mas sei que ficarão surpresos como eu fiquei quando descobri.

DEMÉTRIO: - Fala logo, Isabela!

ISABELA: - Pai, mãe... Eu estou grávida.

 

Charlote e Demétrio se olham, surpresos.

 

CHARLOTE: - Grávida?!

DEMÉTRIO: - Mas como?!

CHARLOTE: - Ora, mas como?! Estando, Demétrio! (levanta-se)Meu Deus, minha princesa! Está grávida! (feliz) Parabéns meu amor! (abraça Isabela)

ISABELA: - Parabéns? Mamãe, eu não estou preparada para isso!

CHARLOTE: - Não diga uma coisa dessas, Isabela! Toda mulher, bem dentro de si, mesmo que seja lá no fundo, traz consigo o instinto materno.

DEMÉTRIO: - Então quer dizer que eu serei avô!

ISABELA: - Vai sim, papai.

DEMÉTRIO: - E o pai dessa criança, Isabela? Quem é? Não me venha com essa moda de produção independente! Pra mim, filho deve ter pai e mãe juntos, por perto.

ISABELA: - Eu discordo um pouco de você papai e se pudesse teria feito sim uma produção independente. Mas não tive a mesma sorte. O pai é o Conrado.

CHARLOTE: - O Conrado?! Que coisa boa!

ISABELA: - Ah não, mamãe! Aí já é demais!

CHARLOTE: - Ele é apaixonado por você minha filha! Vai ser um pai extremamente carinhoso!

ISABELA: - Só imagino...

DEMÉTRIO: - Creio que ele vá cumprir com as obrigações de pai, senão eu mesmo terei que falar com ele, numa conversa bem séria...

ISABELA: - Não será preciso, pai. Eu já falei com ele, e já está tudo acertado... Agora é só esperar os nove meses.

CHARLOTE: - Se for menina, já tem nome?

ISABELA: - Sabe que nem pensei nisso ainda.

CHARLOTE: - Poderia se chamar Yolanda, nome da sua avó.

DEMÉTRIO; - Não, Charlote! Eu não iria suportar ter uma neta com o nome da minha sogra! (risos)

CHARLOLTE: - Demétrio!

DEMÉTRIO: - Isabela, se for menina, coloca Sofia.

ISABELA: - Sofia é um nome bonito, papai.

DEMÉTRIO: - Eu sei... é o nome da minha musa, Sofia Loren.

CHARLOTE: - A sua musa sou eu, Demétrio! Ai ai ai!

 

Isabela ri. Os três seguem conversando, animados.

 

CENA 32. MOTEL. INT. NOITE.

 

Marilu está no corredor, chega em frente a porta de um dos quartos do motel. Bate à porta. De repente, a porta se abre. CAM

mostra Fausto.

 

FAUSTO: - Sabia que você viria.

 

Fausto e Marilu se olham, maliciosos. Encerra com Pra Rua Me Levar – Ana Carolina

 
     
     


autor
Édy Dutra

elenco
Christine Fernandes como Lívia
Taís Araújo como Marilu
Zé Carlos Machado como Tarcísio
Fábio Assunção como Rafael
Bruno Ferrari como Jonas
Marcos Caruso como Paulo
Renata Domingues como Carla
Júlio Rocha como Breno
Bianca Castanho como Beatriz
Júlia Feldens como Vitória
André Bankoff como Fabrício
Danton Mello como Marcos
Lavínia Vlasak como Isabela
Caco Ciocler como Conrado
Janaína Lince como Sarah
César Mello como Alfredo
Aída Leiner como Inês
Luíza Curvo como Tatiana
Jonathan Haagensen como Plínio
Marco Ricca como Fausto
Sílvia Pfeifer como Lorena
Thaís Vaz como Mayra
Gisele Policarpo como Gisa
Guilherme Leme como Almir
Mônica Martelli como Louise
Sérgio Menezes como Kléber
Cyria Coentro como Nice
Ernesto Piccolo como Moisés
Natália Guimarães como Rita

Atrizes convidadas
Sônia Braga como Elizabeth
Regina Duarte como Rosa
Valquíria Ribeiro como Adriana
Ângela Leal como Agda
Mila Moreira como Charlote
Denise Del Vecchio como Onira
Beatriz Segall como Wanda
Arlete Salles como Alaíde

Atores convidados
Gracindo Júnior como Demétrio
Rodrigo Santoro como Henri
Juan Alba como Alexandre
Nill Marcondes como Eduardo
Roberto Bonfim como Roberto
Floriano Peixoto como Jorge

Participações especiais
Dudu Azevedo como Romão
Elisa Lucinda como Cidália
Antonio Pitanga como Tenório
Vanessa Lóes como Clair
Alexandre Slaviero como Hugo
Lui Mendes como Pereira
Mônica Martelli como Louise
Dudu Azevedo como Romão

Trilha Sonora
Pra Rua Me Levar – Ana Carolina (abertura)
Zero – Liniker

Produção

Bruno Olsen
Cristina Ravela
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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