The Devil's Band 1x02

 

FADE IN:

CENA 01. EXT. – MOTEL ONE – HIGH BRIDGE – NOITE:

     A imagem abre na fachada do luxuoso motel, apresentando os seus dois letreiros verticais de neon dispostos em cada uma das laterais da parede do arco de entrada.

CORTA PARA:

CENA 02. INT. – MOTEL ONE – HIGH BRIGDE - QUARTO – NOITE:

     JEREMY NORTON está sentado à margem da cama oval enquanto assiste uma MULHER ruiva extremamente sedutora exibir uma dança improvisada numa barra de pole dance. Ela traja espartilho preto em tule, com calcinha fio dental e cinta ligas com meias. Vamos referir-se a ela como: BACHSONCU.

JEREMY: Nossa, você é maravilhosa!

BACHSONCU: Você não viu nada.

JEREMY: Então, mostra pra mim.

     Bachsoncu para de fazer o que estava fazendo. Se insinua sensualmente enquanto se ajoelha e engatinha lentamente em direção a Jeremy. Ele afrouxa o nó da gravata, a lança ao chão, desabotoa os botões da camisa, abre e a lança também ao chão. Bachsoncu chega até ele e fica agachada de joelhos entre as suas pernas.

BACHSONCU: Bachsoncu vai fazer você morrer de tesão.

JEREMY: Bach o quê? Seu nome não era Carrie Anne?

     Bachsoncu não responde. Jeremy faz cara de quem deduziu alguma coisa.

JEREMY: Já sei. O nome faz parte da fantasia, não é?

     Bachsoncu puxa violentamente as barras da calça de Jeremy e isso faz com que ele role uma cambalhota na cama.

JEREMY: Ô louco! Você não é nada romântica, mas, gosto disso.

BACHSONCU: Você vai gostar do que Bachsoncu vai fazer com você.

JEREMY: Espero que sim. Eu gastei muita grana com essa noite.
     Bachsoncu se atira sobre Jeremy, o beija pescoço e depois dá uma mordida na orelha dele. Jeremy solta um grito e a empurra para o lado.

JEREMY (passa a mão na orelha): Ei! Vai com calma, menina! Ainda você me arranca sangue.

BACHSONCU: Vou te devorar todinho.

     Bachsoncu tira a calcinha, se atira novamente sobre Jeremy e prende seus pulsos com as mãos.

JEREMY (solta uma risada sem graça): Nossa! Você é um bocado forte para uma garota!

     Bachsoncu desliza suavemente a parte íntima dela pelo corpo de Jeremy até atingir seu rosto.

JEREMY: Hummm... safadinha! Já quer que eu vou para o prato principal.

BACHSONCU: Me chupa todinha enquanto Bachsoncu dança na sua cara!

     O sexo oral começa, porém, a posição da CÂMERA não mostra, apenas sugere que o ato está sucedendo. As MÃOS de Bachsoncu aperta os PULSOS de Jeremy. CLOSE >> Bachsoncu revira os olhos de prazer. Passados alguns segundos, OUVIMOS o SOM de MORDIDA. Jeremy solta um tamanho grito. Bachsoncu gargalha. Jeremy se solta, se põe sentado, leva as mãos a boca, seu lábio inferior está dependurado no canto da boca e depois observa o sangue entre os dedos.

JEREMY (histérico): O que é isso, porra?! A sua vagina tem dentes?

BACHSONCU (gargalha debochadamente): Quer uma mordidinha?!

     Ela salta sobre Jeremy, enfia cabeça dele entre as pernas dela e aperta com força. Enquanto tenta escapar ele se estrebucha com um grito abafado. O LENÇOL da cama vai umedecendo com uma poça de sangue. REDUZ para NEGRO de TELA.

FADE TO BLACK.



1x02 - THE SONG OF THE SLUT
SIDE A | TRACK 2

CENA 03. EXT. - THE BRIDGE TAVERN –  MADRUGADA:

     PLANO GERAL >> do bar com sua estrutura construída embaixo da ponte do Tyne na rua Akenside Hill.
     O SOM de instrumentos musicais chega até nós vindo de dentro dele.

CORTA PARA:

CENA 04. INT. - THE BRIDGE TAVERN –  MADRUGADA:

     O corte é feito direto no rosto de Damien cantando num microfone à música: Carrie Anne dos The Hollies.

DAMIEN: Hey Carrie Anne, what's your game now, can anybody play? Hey Carrie Anne, what's your game now, can anybody play?

Ei, Carrie Anne, qual o seu jogo agora, alguém pode jogar? Ei, Carrie Anne, qual o seu jogo agora, alguém pode jogar?

     A banda está em meio a uma apresentação e toca num pequeno palco montado no centro do bar. Em volta deles um GRUPO seleto de pessoas cantam, dançam e batem palmas empolgadamente.

DAMIEN: When we were at school our games were simple.

Quando estávamos na escola os nossos jogos eram simples.

LENNY: I played a janitor, you played a monitor.

Eu jogava com um zelador, você jogava como um monitor.

SCOTT (resmunga): Then you played with older boys and prefects.

Então, você jogou com meninos mais velhos e preferidos.

CLIFF (com um novo chapéu coco): What's the attraction in what they're doing?

O que há de atrativo no que eles estão fazendo?


     Cliff faz uma virada de bateria e a GALERA vibra.

DAMIEN: Hey Carrie Anne, what's your game now, can anybody play?
Ei, Carrie Anne, qual o seu jogo agora, alguém pode jogar?

     Um SOM de vibração de celular insistente sai abafado no microfone de Damien. Os membros entreolham-se confusos.

DAMIEN: Hey Carrie Anne...

     O SOM vibra de novo. Damien para de cantar. A plateia vaia. Os demais param de tocar. Damien apanha o celular, verifica tela e se vira para os rapazes.

DAMIEN: 16 chamadas perdidas da Devilin. Deve se algo importante. (para o público) Infelizmente, vamos ter que parar por aqui. Problema de saúde em família.

     Os rapazes começam a aguardar os instrumentos e desconectar os fios. De forma enfurecida, o DONO do bar corta passagem entre as pessoas e chega ao palco.

DONO (enraivecido): Como assim? Mas, eu paguei adiantado para a fominha da sua empresária.

DAMIEN: Desculpe. Eu prometo recompensá-lo. Da próxima vez tocamos de graça.

     Damien salta com a guitarra do palco e vai.

DONO: Ah, vão para o inferno!

     Lenny passa pelo dono.

LENNY (coloca a mão no ombro dele): Acredite, viemos de lá!

CORTA PARA:

CENA 05. INT. – MOTEL ONE – HIGH BRIGDE - QUARTO – MANHÃ:

     Primeiro entram Devilin e Eric, vestidos de macacões da Necroclean. Em seguida o quarteto. Mas, Damien se adianta, passa na frente de todos e funga o ar.

DEVILIN (fechando a porta): Eu deixei a cena do crime como estava. Não mexemos em nada, caso precisassem.

     Damien balança a cabeça concordando e olha em volta. Há sangue esguichado por todo o quarto, inclusive uma imensa poça de sangue viscoso na cama.

DAMIEN: Estranho, mas, não há cheiro de rato morto ao ar. (funga o ar de novo) Nem cheiro de enxofre.

CLIFF: E nem há alimentos estragados, pois, confirmei com o chefe da cozinha.

DAMIEN (se vira para Devilin): Mas, o que faz você pensar que esse crime foi cometido por um demônio?

DEVILIN: O fato de a vítima ter o membro sexual devorado.

     Lenny cobre a genitália com a mão e faz cara de dor.  Devilin caminha até a janela. Lenny a acompanha com olhos e para o olhar no bumbum dela, nota que a calça do macacão está muito, mais muito apertado ao quadril. Lenny solta um sorrisinho safado e lança um olhar para Cliff, que faz o mesmo.

DEVILIN: Bem, foi o que eu ouvi um dos policiais falar.

DAMIEN: Aí a coisa muda de figura.

     Eric acua-se num canto, um enorme crucifixo pende ao seu peito e com certo medo no olhar ele encara os rapazes.  Eric puxa Devilin para perto e fala baixo.

ERIC: Você está louca? Trazendo estranhos à cena do crime. (balança a cabeça de forma indignada) Nós vamos ser presos por isso.

DEVILIN (irritada): Para de ser covarde! Você parece mulher!

ERIC: Eles são demônios, Lin! (espia por cima do ombro de Devilin) Será que são confiáveis? E se eles nos matarem?

DEVILIN: É você quem vai acabar se matando com esse crucifixo gigante no pescoço. Se passar próximo da piscina do motel é capaz de se afundar e morrer afogado.

LENNY (arranha a garganta): A polícia falou mais alguma coisa?

DEVILIN: Também escutei dizer que a vítima Jeremy Norton foi levada ao hospital com vida. Parece que as câmeras o flagraram entrado no motel com uma mulher misteriosa. Isso é tudo o que eu tenho. Mas, posso conseguir mais informação com um amigo da polícia.

     Eric retorce os olhos com a colocação de Devilin. Scott estende o isqueiro de Chama Negra ao ar, acende e dá uma volta de 360 graus, mas, a chama do isqueiro não muda de cor. Ele se vira para Damien e balança a cabeça negativamente. Damien caminha pelo quarto, inspeciona o local, de cabeça baixa vai em sentido à porta, abre e sai no corredor. E os demais o seguem.

CORTA PARA:

CENA 06. INT. – MOTEL ONE – HIGH BRIGDE – CORREDOR - MANHÃ:

DAMIEN: Sem sangue e vestígios ectospectrais. Fica difícil.

CLIFF: Vamos abrir o demonote. Aí, você invoca todos os demônios de uma só vez e acabamos com eles.

LENNY: Isso aqui não é liquidação de queima de estoque da outlet do inferno, não, ô paspalho!

DEVILIN: Se fosse assim seria mais fácil.

DAMIEN: Mas, não é, existe regra. De acordo com a lei natural das coisas o demônio precisa cometer uma infração astral no equilíbrio para ser invocado, então, ser detectado o seu modum possessivum e saber seu nome, caso contrário não há invocação.

LENNY: Bem que você falou Damien: que esses demônios estão ficando cada vez mais espertos.

MORGAN (fora da tela): Ou alguém tá ensinando alguns truques de sigilo espectral para eles.

     A NOSSA VISÃO MOVE >> para o final do corredor. E lá, está Morgan recostado ao arco de entrada. Damien vai até ele.

DAMIEN: Você tem algum problema em se manter longe, não é mesmo? O que aconteceu com que eu te falei: se a gente precisar a gente te chama!?

MORGAN: Sinto, te decepcionar, meu caro Damien. Mas, eu não trabalho para você. E outra, o meu rabo também está na reta do inferno. Ou vamos ter que trabalhar juntos ou nos matar. (olha para os demais ao fundo) Vocês escolhem.

     Nisso, uma CAMAREIRA de uniforme vermelho aparece de fasto puxando um carrinho com bandejas de comida. É Lucy. (quem dá vida à personagem nesta cena é a atriz Sandra Bullock). Ao fazer essa cena ela dá um tamanho empurrão em Morgan.

LUCY: Serviço de quarto!

LENNY: Sempre de gracinha! Já te disseram que você não tem a menor graça?

LUCY: Já te disse que há uma vaga para você na décima esfera do inferno, bobão?

LENNY: Existe uma décima esfera no inferno?

     Lucy faz que sim. Lenny engole a seco e laceia a gola da camisa. Lucy encara a todos e ajunta as mãos próximo ao peito de forma emocionada.

LUCY (ensaiada, quase chorando): Aí, que lindeza! Todos os meus meninos juntos! Era tudo que eu queria: trabalho em equipe.

MORGAN: Você queria tanto isso que nós nem sabíamos da existência um do outro.

LUCY: O importante que agora já sabem.

DAMIEN: Chega dessa rasgação de seda.

LUCY: Sempre impaciente, Damien. (olha para Devilin e Eric) Vocês devem ser Devilin e Eric Ulrich, não é mesmo?

     Devilin faz que sim. E Eric meio que se esconde atrás de Devilin e fala algo ao pé do ouvido dela.

ERIC (baixinho): Caraca! Por que ela falou o meu nome inteiro e o seu não?

DEVILIN: Prazer em conhecê-la!

     Devilin estende a mão ao ar para cumprimentá-la, mas, Lucy passa por ela, não retribui a gentileza, vai até o amedrontado Eric e para diante dele.

LUCY (sem olhar para Devilin): Já da minha parte, eu tenho o total desprazer de conhecê-la, tantã. Você não fede e nem cheira.

     Devilin fica visivelmente sem graça.

LUCY (fita Eric profundamente nos olhos): Bonito olhos você tem!

     Eric esbugalha os olhos e fica sem jeito. Lucy olha para o crucifixo pendendo ao peito dele e observa a peça na mão.

LUCY: Você acha que isso vai te proteger?

     Não há resposta. Lucy bate com o dedo indicador na cabeça de Eric.

LUCY: O que você tem aí dentro, isso sim, vai te proteger, babão! (volta-se para os demais com voz ensaiada) O destino de um é partilhado por todos.

DAMIEN: Como sempre, você vem, dá o seu showzinho e depois desaparece sem mais nem menos. Deve ser verdade sobre o que dizem de o diabo ser mentiroso.
     Lucy explode numa nuvem de fumaça contra o ar. Damien respira com insatisfação.

LENNY: Damien, talvez, aqui não tenha mesmo um crime cometido por um Infernal.

DAMIEN: Você sabe muito bem que no mundo dos mortais, os demônios agem de maneira sigilosa e obscura. Quanto mais poderosos mais cautelosos. Eles têm certeza de que aqui no plano terreno, não são protagonistas. Mas, os Infernais se organizam com ações calculadas conforme suas crenças e planos. Eu quero apurar e ter certeza disso. Ok?

     Lenny balança a cabeça concordando.

DAMIEN (para Devilin): Faremos o seguinte: eu irie juntamente com você descobrir mais informações com o seu amigo da polícia. (para os rapazes) Enquanto vocês, aproveitem a estadia da vítima no hospital, deem um pulo na casa dele e procurem por alguma coisa que possa nos ajudar. (para Cliff) Estudos garantem que, em média, as pessoas possuem 13 segredos e 5 deles nunca foram revelados a ninguém e 1 há um sempre escondido num computador. Use aquele lance que te ensinei.

     Cliff faz que sim e sai acompanhado de Lenny e Scott.

MORGAN: E eu?

DAMIEN: Você fica de reserva.

MORGAN: E o que aconteceu com que Lucy falou: o destino de um é partilhado por todos?

DAMIEN: E Lucy lá sabe o que fala? Se soubesse mesmo não tinha deixado escapar 666 demônios do inferno.

     Damien dá as costas a Morgan, e sai seguido de Devilin e Eric.

ERIC (fora da tela): E vamos deixar a cena do crime daquele jeito?

DEVILIN (fora da tela): Depois, o Carl vem e limpa.

MORGAN (grita para o ar): Então, vamos ver quem pega esse demônio primeiro!

DEVILIN (fora da tela): Idiota, você me deve uma moto.

     A CÂMERA fecha em Morgan.
CORTA PARA:

CENA 07. INT. – MOTEL ONE – HIGH BRIGDE – FUNDOS - MANHÃ:
    
     Michael faz força para espionar dentro de uma janela.

LUCY (fora da tela): Sabia que é feio bisbilhotar?

     Michael se vira e dá de cara com Lucy (Helen Mirren) estacada atrás dele. Ela usa um vestido vermelho shape mídi justo, mangas longas em tricô grosso e recorte no ombro.

MICHAEL: Me respeita, tinhosa! Bisbilhotano não, urubuservano.

LUCY (cruza os braços à altura do peito): Soube que andou falando mal de mim. Que coisa feia! Isso é pecado, viu?

MICHAEL: Dá uma reíva docê. Sempre quereno colocá as pessoas em mar lençóis. Ocê gosta de banzé na cuia!

LUCY: O que você está fazendo aqui?

MICHAEL: Ocê mi deixa di ovo travessado. Vim sapeá. Tô di zóio nocê e seus garotos. Pra vê se tudo tá em ordi. (faz com os dedos) Um ticadinho assim qui ocê e seus the British Bobos, saí da lei, vai ser um arriégua daquelis.

LUCY: Não precisamos de você! Os meninos e eu, cuidaremos de tudo. Nada vai sair da ordem.

MICHAEL: Iguar aqueli angú de caroço no centro da cidade? E outra, ocê tá careca di sabe qui sô da ordi dos Stateras, encarregado di vê que a ordi das esferas é mantida. Os nossos adversários são os demonhos ao inveis docê, porque eles qui se esforçam para o caos. Ieu sô zeloso na minha dedicação para manter a ordi como deveria sê.

LUCY: Você e a mesma ladainha. É que esses demônios estão mais poderosos e fazem com que os rapazes se exponham mais. Volta para o Éden. E se algo sair do controle, eu te envio uma mensagem de voz do whatsaspp, pode ser?

MICHAEL: A sua fia da danação! Chispa daqui! Antes qui ieu ti dô um tornando di fogo celestiar!

     Lucy gira e explode numa espiral nuvem de fumaça contra o ar. FECHA em Michael resmungando algo inaudível.

CORTA PARA:

CENA 08. EXT. – RUA PRÓXIMO AO MOTEL ONE – DIA:

     O ROSTO abobado de Devilin PREENCHE a TELA. Os olhos dela estão imóveis e vidrados. O som de uma buzina SOA ao ar e mistura com o ECO da VOZ de Damien chamando-a.

DAMIEN (fora da tela): Devilin! Devilin! Devilin!

     O QUADRO se abre com Devilin estacada no meio da rua. Um VEÍCULO vem em direção dela. Damien se adianta, age a tempo e a tira de frente do carro. Eric corre até os dois.

ERIC: Você está louca?! Você quer se matar?!

DEVILIN (chacoalha a cabeça): O que aconteceu?

DAMIEN (para Devilin): Et veniens staret ex nusquam media in via.

DEVILIN: O quê? Não entendi nada.

DAMIEN: Como assim? Eu falei que: você parou do nada no meio da rua.

DEVILIN: Não. Não foi isso que você falou. (pausa) Et... veniens staret ex alguma coisa!

ERIC: Pronto! Agora tá ficando surda também.

DEVILIN: Teve ter sido uma tontura. Mas, não lembro como cheguei aqui. A única que coisa que lembro é de estarmos dentro do motel. (estapeia o ar) Ah! Isso não é importante agora. Vamos localizar o demônio.

     Devilin e Eric, entram numa van estacionada, na lateral do veículo tem um adesivo escrito: Necroclean. Ela fica à direção e ele no banco de passageiro. Damien lança um olhar indagador sobre Devilin.

DEVILIN: Damien, você não vem?

     Damien faz que sim, faz correr a porta lateral da van, entra no fundo e fecha.

INSERT – MUSIC: The Yardbirds - For Your Love

CORTE BRUSCO:

CENA 09. INT. – CASA DE JEREMY NORTON – QUARTO – DIA:

     Lenny e Scott, acabam de ajudar Cliff a saltar a janela e entrar. Há um notebook sobre uma cômoda. Cliff senta-se em frente dele. Lenny e Scott, ficam de pé atrás Cliff.

CLIFF: Damien me explicou que a maneira mais prática, também mais conhecida, de bisbilhotar o que uma pessoa anda fazendo na internet é dar uma olhada no histórico e, se estiver apagado, dar uma olhada nos cookies salvos no computador.

     Cliff dedilha algumas informações nas teclas. Abre se uma janela.

CLIFF: Mas, isso já tá ultrapassado, pois, quem visita sites indevidos sempre se preocupa em limpar essas informações temporárias antes de deixar o computador. Mas, o que a maioria talvez não saiba é que o plugin do Flash, usado para exibir vídeos, também armazena dados no PC, mais conhecidos como Shared Objects ou cookies do flash, de forma um pouco mais discreta.

NO NOTEBOOK

     O painel de configurações de armazenamento do Flash apareça na tela. Dentro da janelinha há uma lista com os sites que guardaram informações através do Flash.

CLIFF: Percebem que dentro da janelinha há uma lista com os sites que guardaram informações através do Flash?

     Lenny e Scott, fazem que sim.

CLIFF: A partir daí fica fácil descobrir alguns dos sites que as pessoas têm visitado nos últimos dias. Nessa lista aparecem endereços como redtube, xvideos ou qualquer outro que contenha os termos xxx. Tem a ver com conteúdo inapropriado. Olha a quantidade de sites pornográficos! Esse Jeremy Norton, é um tremendo de um safado!

LENNY: Ah, muleque! Você não é tão burro quanto parece. (pausa) Só de imaginar a Devilin naquele macacãozinho apertadinho na bundinha dela, já me dá coisa. Vamos aproveitar e ver uns sites com algumas gostosas nuas!

CLIFF: Sabia que a Devilin ia ser a nossa: Yoko. Nada disso! Vamos manter o foco.

LENNY: É. Bem que um dia eu vi você num site: anãs peitudas!

     Cliff coça a cabeça e fecha o note. Os três saltam para fora da janela e vão. Ao lado do notebook, a CÂMERA fecha no retrato de Jeremy com roupas de pastor juntamente com a ESPOSA e um CASAL de filhos.

CORTA PARA:
CENA 10. EXT. – CASA DOS HARRISON – DIA:

     TRAVELLING >> a CÂMERA avançando sobre uma das janelas.

     CORTA PARA:

CENA 11. INT. – CASA DOS HARRISON – SALA DE ESTAR – DIA:

     GREGORY HARRISON, um garotinho de uns sete anos, está debruçado de cotovelos ao chão com o rosto afundando aos punhos e olha fixamente para a tela de uma tevê com o canal sem sinal.

GREGORY: Eu gosto de jogar videogame. (pausa) Não. Eu não gosto de descer no porão, porque eu tenho medo.

     LAILA HARRISON, uma garota de 13 anos, pula por cima de Gregory, pega o controle remoto da mão dele, joga-se ao sofá, aponta para tevê e coloca num canal com sinal.

LAILA: Parece maluco! Tá falando sozinho de novo?

GREGORY (levanta-se): Põe de volta naquela canal. Eu estava conversando com o meu amigo Monzabar.

LAILA: Afe, menino! Que nome besta! Nem tinha nada ali.

GREGORY (grita): Claro que tinha.

LAILA:  Pereba, você tá um pouco crescidinho para ter um amiguinho imaginário, não acha?

GREGORY: Não estou! E não me chame assim que eu não gosto.

     Laila levanta-se e faz uma dancinha engraçada enquanto canta: Pereba, pereba, pereba! Gregory vai para cima dela. E inicia uma disputa pelo controle. Laila balança o controle ao ar, mas, Gregory não consegue alcançar.

GREGORY: Você é mesmo uma arrombada! Bem que Monzabar falou.

LAILA (cobre a boca com a mão): Ah! (grita para o ar) Ó manhê o Gregory me xingou de um palavrão!

GREGORY (voz gutural): É isso mesmo, sua vadia imunda! Você é uma cadela que deu o rabo para todos os moleques da escola! Sua maníaca chupadora de rola.

     Laila fica sem reação e cai aos prantos. De súbito, Gregory começa a se estrebuchar, revirar os olhos, contorcer os dedos das mãos, espumar pela boca e por fim cair desacordado ao chão. Laila corre em apelo ao irmão e chacoalha o menino, mas, ele não acorda.

LAILA (grita para o ar): Pai! Mãe! Anabeth! (abraço o irmão pelo pescoço) Desculpa, Greg! Acorda, por favor! (grita de novo) Pai! Mãe! Anabeth!

     Pouco tempo depois, entram correndo à sala o CASAL HARRISON, LINDA e DORIAN, acompanhado da governanta ANABETH. Eles correm até as duas crianças.

CORTA PARA:

CENA 12. EXT. - NEW CASTLE POLICE DEPARTMENT – DIA:

     Há uma típica movimentação policial em frente ao prédio, naquele entra e sai de pessoas.

CORTA PARA:

CENA 13. INT. - NEW CASTLE POLICE DEPARTMENT – DIA:

     Damien está em pé próximo ao balcão da recepção. Devilin cruza a porta giratória da entrada e vai até ele.

DEVILIN: Encontraram traços de queratina nas feridas de Jeremy Norton.

DAMIEN: Queratina?

DEVILIN: Sim. É uma proteína extremamente forte que é um componente importante na pele, cabelo, unhas, cascos, chifres...(pausa) ...e dentes.

DAMIEN: É você disse que ele teve o pênis arrancado.

DEVILIN: Havia também bactérias do grupo Lactobacillus Casei, que formam a chamada flora vaginal. Esses lactobacilos faziam parte da composição de um dente semi-serrilhado encontrado cravado na parte escrotal de Jeremy. (faz cara de quem pensa) Ou é uma boca de dentes com vagina ou uma vagina com dentes.

DAMIEN: Seria como uma espécie de símbolo para predadores sexuais. Uma literal analogia de devorar sexualmente.

DEVILIN: Como assim?

DAMIEN: Muitas vezes objeto de desejo de um demônio por algo durante o processo transmôniaco, os transformam literalmente naquilo que desejam. Ela é uma devoradora de sexo. Isso explica de ela ter dentes na vagina... (pausa) ...e depois devora a energia sexual.

DEVILIN: Que horrível!

DAMIEN: A Maldição está presente em todos os demônios, mas varia para cada um deles. Alguns sentem uma compulsão pela luxúria, outros procuram destruição e miséria. Entre as Maldições estão o sadismo e a sanguinolência, a loucura e a busca compulsiva por sexo.

DEVILIN: A polícia também até agora não conseguiu encontrar a mulher misteriosa flagrada nas câmeras. Meu amigo, Stone, colocou para esquadrinhar o rosto dela num software para equiparar com um banco de dados de outros rostos captados por imagens satelitais, mas, até agora nada. Vamos que Eric está nos esperando na Van e te damos uma carona.

INSERT - MUSIC:  The Zombies - Time of the Season

CORTA PARA:

CENA 14. EXT. – QG DA BANDA – TARDE:

     Damien acaba de entrar. E os rapazes vão até ele.

CLIFF: Conseguimos algumas informações na casa de Jeremy Norton.

LENNY: É verdade. Você tinha razão. O crime pode ter sido cometido por um demônio. Jeremy Norton era um frequentador assíduo de sites pornográficos. Certamente tem uma ligação sexual no crime.

DAMIEN: Eu sempre tenho razão. Consegui algumas coisas informações com a Devilin. A maldita Infernal tem dentes na vagina.

CLIFF: Dentes? Como assim dentes?

LENNY (cerra os dentes): Que nem estes!

CLIFF: Não enche!

DAMIEN: Nãos sei, mas, de alguma forma durante o processo transmôniaco nasceu dentes nas partes íntimas da viciada em sexo.

     Cliff faz cara de quem lembrou de algo, apanha o demonote, abre e folheia as páginas.

CLIFF: Dias desses fuçando as páginas, vi um desenho curioso. Achei. Este aqui.

     Cliff passa o livro para Damien, que analisa a imagem.

CLIFF: Olha o desenho. É uma vagina com dentes. Viu?

DAMIEN (faz que sim): É verdade.

     Lenny e Scott, cercam Damien e analisam a imagem juntos.

LENNY: É. Hoje você está mandando bem.

     Lenny toma o livro da mão de Damien e passa para Cliff.

LENNY: Agora lê pra gente, porque essa escrita em Loquitor nas formas de estranhas runas só você entende.

CLIFF (lendo): Estamos lidando com uma criatura chamada...





DAMIEN: Vamos agir rápido! Invocá-la e mandá-la de volta ao inferno.
    
     Damien apanha case, abre e alça a Balada da morte. Lenny apanha o Espelho de Narciso.

DAMIEN: Estão prontos!

     Todos fazem que sim.

DAMIEN (fecha os olhos): Bachsoncu!

     Nada. Ele chama mais uma vez. Nada. Outra vez. Nada. Tenta pela última vez. E nada.

DAMIEN: Ué! O que será aconteceu?!

CLIFF: No livro menciona que ela era imune a ataques mentais. Talvez, isso inclua invocação.

DAMIEN: Mas, que droga tudo isso pra nada.

     Damien lança a guitarra longe.

LENNY: Calma, Damien!

DAMIEN: É essa maldita Lucy! Concede a porra de um poder que não nos serve de nada.

     Scott resmunga algo para Damien.

DAMIEN: Você tem razão. Jeremy Norton está no hospital, talvez, há fluidos ectospectrais no corpo dele.

LENNY: Eu restaurei o pêndulo e podemos usá-lo.

DAMIEN: Então, vamos ao hospital!

     Todos fazem que sim.

DAMIEN: Mas, antes preciso trocar uma palavrinha com a Lucy. (fecha os olhos) Lucius, an motus astral me ad te!

Lucy, num movimento astral permita-me ir até você!

CORTA PARA:

CENA 15. INT. – ESCRITÓRIO DE LUCY – TEMPO INDETERMINADO:

     Lucy está sentada atrás de sua mesa verificando alguns papéis. Ela veste um macacão branco com decote V, com top em crepe encorpado, sem forro e sem manga. As VOZES de Damien e Marie Claire discutindo fora da sala chegam até ela.

DAMIEN (o.s): Sai da frente da porra da porta, Marie Claire! Eu preciso falar com ela!

MARIE CLAIRE (o.s): Já disse: não. A Senhorita Lucy está ocupada no momento.

     A porta é escancarada. Marie Claire rola para dentro e cai de bumbum ao chão. Damien entra e fecha a porta com força. Lucy se levanta e coloca as mãos na cintura!

LUCY: Mas, que diabo está acontecendo aqui?!

DAMIEN: Vim conversar com você.

LUCY: Mas, que inferno! E precisa tratar a tapada desse jeito?

MARIE CLAIRE (se levanta): Desculpe, Madame! Ele é muito insistente.

LUCY (tira os óculos de vista): Então, fala logo!

DAMIEN: Sua vadia Infernal! Não é possível! Você me concebeu um Infernales Potestates que nem mesmo funciona. Fui invocar o nome do demônio sexusaddicta e não consegui. Quero saber por quê?

Infernales Potestates são as habilidades sobre-humanas concebidas a um demônio. Lucy faz uma brincadeira no piloto chamando as de A Marca da Besta.

LUCY: E você acredita que eu tenho respostas pra tudo? (pausa) A verdade é que os demônios são tão numerosos, que multiplicam a minha presença, dando a impressão de eu ser praticamente onipresente.

DAMIEN: Quem cria esses nomes? Como são batizados?

LUCY (respira fundo): Ao nascerem no Inferno, os demônios são batizados com O Abscôndito, um nome em Loquitor, que você já sabe. Mas, não é eu e nem um ser que batiza o demônio: cada novo infernal nasce sabendo seu Nome Verdadeiro. Quando passa pelo processo transmôniaco na primeira vez, o novo demônio ouve nas profundezas de sua mente esse nome ser repetido sem parar.

Abscôndito é o nome secreto de demônio que cada filho do inferno recebe logo que são transformados em demônios e ganham seus poderes. Loquitor a língua nativa falada no inferno.

     Damien balança a cabeça de maneira inconformada.

LUCY: É um nome sem tradução direta e quase impronunciável para qualquer um a não ser para nós, demônios. Mas, o nome é também a maior das fraquezas dos demônios, como você viu com Kruuldreshbasba, pois, quem conhece o Nome Verdadeiro de um demônio pode controlá-lo.

DAMIEN: Então, alguém pode estar controlando-a?!

LUCY: Tem grandes possibilidades. Um clérigo ou místico que conheçam um Nome Verdadeiro e os rituais certos são capazes de manipular um demônio com grande facilidade. Por isso, demônios guardam para si mesmos seus nomes verdadeiros e adotam outros nomes. Mephistus e outros nomes são só nomes temporários, que mudam de acordo com os tempos, enquanto o Nome Verdadeiro é um segredo.

DAMIEN: Espero que seja verdade. Porque estou começando a acreditar naquele anjo caipira. Pois, ele deve estar cheio de razão quando disse: que você se diverte à nossa custa.

LUCY: O tempo que você perdeu pra vir aqui, me insultar, alguém pode estar morrendo por aí nesse momento, sabia?

DAMIEN: E será culpa sua! Você não nos dá as respostas.

LUCY: Engraçado, tudo é culpa do Diabo? A bolsa de valores despencou: é o Diabo. Minha filha ficou grávida: é o Diabo. Eva fez adão comer a maçã: é o Diabo. (pausa) Não, a maçã fui eu mesma. Mas, enfim!

     Lucy sai detrás da mesa, vai até Damien, cruza os braços à altura do peito e o encara a um palmo do rosto.

LUCY: Já tenho um Celestial na minha cola zeloso por Ordem, e agora você. Olha, Damien, eu tenho te aturado todos esses anos. As suas reclamações. E as suas chorumelas! (pausa) Estou te avisando, você está me tirando fora do sério. Se não quiser continuar, é só falar. Que eu juro que te reservo um canto trevoso em Túndalo.

DAMIEN: Lucy, eu quero que você vá tomar...

     Lucy estala os dedos e Damien desaparece numa nuvem de fumaça, mas, a voz dele ecoa no ar.

DAMIEN (v.o): ...no cuuuuu!!!!

LUCY: Que moleque mais malcriado! Enche meu pacová! (pausa) É mais fácil criar filhos fortes do que consertar homens com fraquezas.

MARIE CLAIRE: Mas, madame, não acha melhor dizer-lhes a verdade?

LUCY: Ainda não é o momento. (a empurra para fora) Vai! Vai! Vai! Vai caçar o que fazer.

     Lucy fecha a porta. CLOSE em seu rosto.

CORTA PARA:

CENA 16. EXT. - EXHIBITION PARK – NOITE:

     A LUA cheia PREENCHE A TELA. A CÂMERA desce por entre as árvores. Dois RAPAZES, não mais que 20 anos, estacados debaixo de um coreto.

GAROTO #1: Você marcou com ela aqui? Neste Lugar? Mas, aqui é um lugar público.

GAROTO #2: E o que tem? Para de reclamar! É a primeira vez que a gente comer uma bucetinha sem pagar nada, se anima, cara!

GAROTO #1: Não sei, não. E se nós pegarem?

GAROTO #2 (ri): Ao menos a gente vai tá fudendo uma buceta.

GAROTO #1: Onde você a conheceu?

GAROTO #2: Na rua. Eu estava passando, foi aí que então, eu vi uma gostosa com uns tremendos de uns peitões e com uma bunda do tamanho da lua...

     OUVE-SE um BARULHO. A princípio, os rapazes se assustam, mas, depois percebem Bachsoncu sair detrás de uma moita. Ela possui outra forma de mulher e loira.

GAROTO #2 (abobado cutuca o outro): É Ela!

GAROTO #1: Que louraça belzebu! Ela é incrível! Gostosa demais!

GAROTO #2: Eu falei pra você.

     Bachsoncu desfila até eles e lhes careciam as faces.

BACHSONCU: Quem vai ser o primeiro petisco de Bachsoncu?

     Encantados, ambos levantam as mãos. Bachsoncu escolhe a dedo, dá a mão ao garoto #1 e ele retribui o gesto. Ela o joga ao chão, abaixa as calças dele à linha dos joelhos, arria a saia e senta-se por cima dele. Os dois transam e gemem. O garoto #2 assisti à cena babando e esfrega as mãos com excitação. Eis que o garoto #1 começa a gritar feito louco.

GAROTO #2: Caralho, Samuel! Já tá gozando! Essa mulher dever ser demais! Então, vai logo que é a minha vez.

SAMUEL (para o garoto #2): Socorro, Stan! Ela está me cortando, cara!

     Stan percebe que debaixo dos dois formou uma poça de sangue, e foge abandonando o amigo.

MAIS À FRENTE – PASSAGEM DE TEMPO

     Escondido, o rosto atento de Stan surge entre uns arbustos. Desesperadamente, joga os olhos em várias direções. Não vê ninguém. Resolve sair do esconderijo.

BACHSONCU (fora da tela): Oi, meu petisquinho!

     Stan ia correr, mas, Bachsoncu grita para ele parar. Ele para.

BACHSONCU: Vem pra Bachsoncu.

     Stan se vira, tem os olhos vidrados, como se estivesse hipnotizado e ele segue até ela. Ela se agacha à altura da cintura dele e abaixa o zíper da calça. A LUA cheia em meio as nuvens.

CORTA PARA:

CENA 17. EXT. - ROYAL VICTORIA INFIRMARY – NOITE:

     O Grito de Stan vaza nessa cena. Pessoas transitam em frente ao prédio do hospital. O Mausoléu estacionado a meio fio da calçada.
CORTA PARA:

CENA 18. INT. - ROYAL VICTORIA INFIRMARY – QUARTO – NOITE:

     Jeremy está deitado no leito com aquelas parafernálias de quem sofreu um coma induzido. HELEN NORTON sentada à margem da cama, alisa o rosto do marido. Da margem oposta da cama, está o quarteto

HELEN: Não sei o porquê isso aconteceu com a gente. Somos pessoas tão religiosos. (pausa) Nunca imaginei que Jeremy pudesse fazer uma coisa dessa.

DAMIEN: Acontece nas melhoras famílias!

HELEN: De qual jornal vocês são, mesmos?

CLIFF (coça a nuca): Da Newcastle Magazine!

HELEN (franze a testa): Nunca ouvi falar.

LENNY (faz sinal para Cliff): Você não vai entrevistar à Senhora Norton?

CLIFF: Entrevistar? Pra quê?

     Lenny faz sinal para Cliff com a cabeça.

CLIFF: Que foi tá com cacoete? Não? Torcicolo, então?

     Lenny fulmina Cliff com os olhos.

CLIFF: Ah! A entrevista, é claro! (pisca para Lenny) Nós somos repórteres. (pisca de novo) É pra isso que viemos aqui.

     Cliff ia piscar mais uma vez quando Lenny dá um safanão nele.

LENNY: Vai logo, sua anta!

     Cliff vai até Helen, a puxa pelo braço e a leva a um canto.

CLIFF: Vamos ali para ficarmos à vontade.

HELEN: Pra quê? Não dá pra fazer dali da cama mesmo?

CLIFF: Não discuta comigo. Vai!

     Cliff dá um empurrão em Helen, as pernas delas bambeiam e ela quase cai, mas, ele a segura a tempo.

CLIFF: Me desculpe, Senhora Norton! É que eu tenho uma mão pesada.

HELEN: É eu vi. (pausa) Mas, o que você quer saber?

     Cliff faz cara de quem não sabe o que falar. Ao fundo, VEMOS Scott se aproximar de Jeremy. Helen quer virar para ver o que eles estão fazendo e Cliff dá um puxão nela, que se queixa de dor.

CLIFF (faz cara de quem pensa): Você está em qual nível no Pokémon Go?

HELEN (sem entender): Mas, que tipo de pergunta é essa, rapaz?

     Cliff fica sem jeito, coça a nuca, põe as mãos nos bolsos e olha em volta. Ao fundo, VEMOS Scott levantar o isqueiro de CHAMA NEGRA e acender em alguns pontos do corpo de Jeremy.

CLIFF (faz cara de quem pensa de novo): Qual... seu... principal truque para superar um pé na bunda?

HELEN (brava): Não estou entendo onde você quer chegar. Está de brincadeira com minha cara? Só pode.

     Cliff faz sinal para os rapazes se apressarem. Nisso, Helen tenta se virar, mas, Cliff traz o rosto dela de volta para ele.

CLIFF: Qual filme mais fez você chorar até hoje?

     Ao fundo, Scott balança a cabeça negativamente para Damien. Os rapazes fazem sinal para Cliff para se retirarem.

CLIFF: Só mais uma pergunta: Monica, Rachel ou Phoebe?

     Helen fica sem entender nada. Damien, Lenny e Scott, saem do quarto

CLIFF: Tudo bem, não precisa responder essa. Só foi por curiosidade. Passar bem!

     Cliff faz que vai sair e volta.

CLIFF: Só pra você saber. Eu prefiro: a Phoebe.

     Cliff vai.

CORTA PARA:

CENA 19. EXT. - ROYAL VICTORIA INFIRMARY – NOITE:

     O quarteto atravessa as portas de saída do prédio e para ante a escadaria.

LENNY (para Cliff): Monica, Rachel ou Phoebe? Que tipo de pergunta é essa?

CLIFF: Vai! Todo mundo ama os Friends!
LENNY: A sua inteligência me surpreende.

DAMIEN: Continuamos procurando uma agulha no palheiro. Não temos nada ainda. E a polícia não conseguiu identificar o receptáculo do demônio.

MORGAN (fora da tela): E não vai conseguir, mesmo!

     Damien joga olhos para o lado. Morgan está sentado sobre o capô do Mausoléu. Damien desce as escadarias, vai até ele e para um palmo do rosto dele.

DAMIEN: Mas, qual é o seu problema, cara?

MORGAN Calma, você devia meu ouvir antes de querer lutar comigo. (pausa) Sei que a invocação não deu certo.

DAMIEN: Agora anda nos vigiando?

MORGAN: Sei que você é o macho alfa desse bando, mas, estou nisso há mais tempo e vocês precisam me ouvir. E eu posso ajudar. Precisamos trabalhar em equipe, pois, tanto eu quanto vocês, não iremos chegar à lugar nenhum.

     Damien se afasta e faz cara de quem se dispõe a ouvir.

LENNY: Desembucha!

     Mausoléu levanta o capô e Morgan cai ao chão de joelhos. Cripta avança sobre o Thunderbird. Morgan se levanta, se queixa de dor e limpa a sujeira das roupas com as mãos.

MORGAN: Tenho impressão que esse carro me odeia!

DAMIEN: Só ele?

MORGAN: Então, a polícia não vai conseguir localizar o demônio de classe sexusaddicta, em razão de o demônio ter controle de aparência.

CLIFF (confuso): Controle de aparência?

MORGAN: Isso mesmo! Não precisa necessariamente de um receptáculo. Ela consegue mudar sua aparência totalmente para se tornar o desejo sexual de seu oponente. (pausa) Poderia ser até um de nós.

     Os rapazes se entreolham.

MORGAN: O Demonote de vocês está incompleto. Venho estudando de perto a ação, a relação e estilo de vida dessas criaturas. Criei um diário também. E o chamo de: O diário de Morgan.
    
     Lenny e Cliff, caem na risada.
LENNY (rindo): Aposto que é rosa.

CLIFF (rindo): E guarda papéis de balas kisses entre às páginas, igual a uma garotinha!

MORGAN: Eu estou falando sério. Ao contrário do Demonote, meu diário é muito mais completo e complexo. Creio que nem tudo a Lucy vai poder falar por causa do equilíbrio, vamos ter que descobrir por si sós. Talvez, seja a nossa penitência.

     Damien balança a cabeça concordando e, nisso, o celular toca e ele atende.

DAMIEN (com o celular apertado ao ouvido): Pode falar, Devilin! (pausa) Sim. Ok. Eu sei onde fica Exhibition Park. Estamos indo pra lá!

     Damien desliga o celular. E todos fitam ele.

DAMIEN: Encontraram outras duas vítimas no mesmo estado do de Jeremy Norton.

CORTA PARA:

CENA 20. INT. – VAN DA NECROCLEAN – NOITE:

     Devilin ao volante e Eric ao lado, no banco de passageiro. Ela acaba de desligar o celular e o coloca sobre o painel.

ERIC: Qual é o seu interesse nisso agora? Você não acha que está se envolvendo demais?

DEVILIN: Nunca fiz nada de bom na minha vida. Não custa ajudar.

ERIC: Devilin, eles são demônios. Até agora eu não consigo acreditar no que eu vi aquele dia, no centro da cidade. Não bastava eles, mas, o idiota daquele repórterzinho é um demônio também. (pausa) E você transava com ele.

     Devilin faz uma careta de quem sente tonturas.

ERIC: E a Lucy, meu! Falou meu nome inteiro, cara! (arregala os olhos) O meu nome deve estar anotado no livrinho do capeta. Aquele de quando erámos pequenos e a nossa mãe falava de que toda malcriação feita, o tinhoso anotava bem nele, o nosso nome.

DEVILIN: Você viaja.
     Sem que Eric perceba, Devilin meio que desmaia. Ela bate a testa no volante, o carro perde o controle, quase se choca com outro, num susto ela recobra a consciência e toma controle da direção.

ERIC: Ei, Devilin! Está tudo bem?

DEVILIN (faz que sim): Sim, estou. Deve ser fome ou cansaço.

ERIC: Quer que dirija?

DEVILIN (brava): Eu já disse: estou bem!

CORTA PARA:

CENA 21. INT. - ROYAL VICTORIA INFIRMARY – NOITE:

     Um ENFERMEIRO ajuda Gregory a se deitar na mesa de uma máquina de Ressonância Magnética. O enfermeiro dedilha algumas informações numa tela suspensa ao lado do aparelho e uma esteira automática faz com que ejete a parte da cabeça do menino para dentro do tubo. Um feixe vermelho esquadrinha o rosto do Gregory de cima a baixo.

CORTA PARA:

CENA 22. INT. - ROYAL VICTORIA INFIRMARY – QUARTO – NOITE:

     Uma MÃO segura um mapa gráfico do cérebro de um resultado de exame de ressonância magnética. O Dr. Nick Evans analisa compenetradamente o conteúdo do papel. Gregory está deitado no leito e Laila está sentada ao dele. Ao lado, em pé, próximo à cabeceira, estão Linda e Dorian. O dr. Nick vai até eles.

DR. NICK: A epilepsia ocorre principalmente em crianças. As causas mais comuns são fatores ou doenças genéticas, problemas de oxigenação cerebral ocorridos durante a gestação ou parto, malformações cerebrais e meningites...

DORIAN (preocupado): É sério, Doutor Evans?!

DR. NICK: Mas, o laudo da ressonância magnética da ATM de Gregory mostra que está tudo normal.

LINDA: Ai que bom!
     Dorian e Linda, abraçam-se.

LINDA: Mas, o que será que pode ter acontecido?!

DR. NICK: Não sei. Pode ter sido uma convulsão febril decorrente de febre alta. (pausa) Há indivíduos que apenas perde a consciência e fica com o olhar parado por segundos, voltando ao normal em seguida; crises parciais. Mas, podem ficar despreocupados!

DORIAN: E enquanto aos palavrões? Nunca tinha feito.

DR. NICK (ri): No momento de raiva, quando batemos o dedinho do pé na quina de um móvel, tomamos uma fechada no trânsito ou nosso time leva um gol, quem nunca falou um palavrão?

     O casal ri.

DR. NICK: E isso pode ter acontecido na frente do seu filho. (pausa) Mas, enquanto ao amigo imaginário é apenas uma das formas de ele lidar com a realidade. Não é a minha especialidade, entretanto, esses amigos podem surgir aos 3 anos, mas, são mais comuns por volta do quarto e do quinto ano de vida da criança. Aconselho que procurarem um perito no assunto. Se quiserem, eu tenho uma amiga. A Doutora Vanda Blackwell.

     O casal agradece o Dr. Nick. E os três vão saindo da sala enquanto Laila abraça o irmã e diz:

LAILA: Nunca mais eu vou te chamar de pereba!

GREGORY (com voz gutural baixa): Se afasta de mim vagabunda!

     A menina dá salto num susto e passa a encarar o irmão.

CORTA PARA:

CENA 23. EXT. – VISTAS ÁREAS DE NEWCASTLE – NOITE:

CORTA PARA:

CENA 24. EXT. – EXHIBITION PARK – NOITE:

     Um CERCO policial foi montado. Na distância, VEMOS Devilin e Stone conversando. A NOSSA VISÃO MOVE PANORAMICAMENTE >> e o quarteto e Morgan, estão próximo ao coreto. Devilin passa por baixo do cordão de isolamento e vai até eles.

DAMIEN: E aí? Tudo bem?
DEVILIN: Um pouco. O Stone está um pouco desconfiado. Questionou por que vocês estavam aqui. Menti para ele que vocês eram da imprensa.
     Devilin olha para o lado. Ao longe, Stone com as mãos na cintura, olha na direção deles.

LENNY: Não sei, não! Mas, acho que esse cara vai dar problemas!

DEVILIN (solta um sorrisinho safado): Depois, eu o recompenso. (manda um beijo para Stone) Umas das vítimas deu um cartão de uma boate da rua onde conheceu o demônio. A boate abre depois da meia-noite e fica no outro lado da cidade.

     Já nessa cena OUVIMOS o SOM dos Riffs de guitarra da introdução da música: Venus do Shocking Blue, na casa noturna.

CORTA PARA:

CENA 25. INT. – BOATE FLARES – MADRUGADA:

     Os riffs que começaram na cena anterior PROSSEGUEM aqui. O GLOBO espelhado com um canhão de LED e o efeito câmera lenta da estroboscópica, faz um jogo de luz numa MASSA, que dança alegremente ao som da música. A CÂMERA passeia entre as pessoas e chega à entrada. O quinteto atravessa a portaria. Damien está com a case alçada às costas e Morgan com o arco e flechas.

MORGAN: É aqui que ela encontra as vítimas!

DAMIEN: Nada como um lugar desse para encontrar sexólatras!

     Cliff chacoalha a cabeça ao som da música igual um bobo. Lenny dá um cutucão com o ombro nele.

LENNY: Para com isso! Parece uma cacatua louca!

CLIFF: Ah! Não enche! Me deixa em paz!

     Um RAPAZ passa por eles, os olha de cima a baixo e depois ri.

RAPAZ: A sexta dos cosplays foi semana passada, galera!

DAMIEN: Vamos nos dividir!

MORGAN: Tomem cuidado! Um sexusaddicta também controla as sombras.
DAMIEN (irritado): Tenha mais alguma coisa que você queira lembrar?
     Morgan faz que não. Todos assentem e vão. TRAVELLING >> em Lenny que corta pela multidão, tira o pente automático do bolso, dá umas passadas nos cabelos e depois guarda. Ele para e arrisca alguns passos de dança improvisado com uma Bela MOÇA. Ele a deixa dançando, vai e se abeira de um...

BAR

     Lenny senta-se ao balcão. O barman vai até ele.

BARMAN: Vai querer alguma coisa, senhor?

LENNY: Vou querer uma loira gostosa se é que você me entende!

BARMAN: Você vai querer cerveja nacional ou importada?

LENNY (ri): Estou falando de mulher, colega!

BARMAN (assente com a cabeça): Ah! Sim. Eu não gosto muito. (avança sobre Lenny e fala baixo) Mas, aqui, é o que mais tem. Acredite, tem xoxota nacional e importada.

LENNY: Gostei de você!

BARMAN: Eu também. É uma pena você não gostar de outra fruta!

     Lenny ri e o Barman vai atender outro cliente. No final do balcão, Lenny avista uma LOIRA GOSTOSA. E ela ri e se insinua para ele. Lenny ri de volta.

LENNY (para si mesmo): Deixa isso pra depois! Você está aqui para uma caçada!

VÁRIOS PLANOS DE SCOTT

     Ele anda em meio à multidão, de pessoa em pessoa, levantando o isqueiro de frente com seus olhos. Alguns acham que ele é maluco. Outros se divertem e acendem um isqueiro também.

NA ENTRADA

     Aparece Bachsoncu na forma de uma outra mulher lindíssima e negra. As pessoas ficam fascinadas quando a veem entrar, tanto homens quanto mulheres. Eles querem tocá-la. Convidá-la para dançar. Bachsoncu não dá a menor bola e embrenha-se na multidão. O grupo seleto a segue.

NA PARTE SUPERIOR
     Damien com as mãos apoiadas sobre a grade de proteção espia atentamente lá embaixo.

DAMIEN: Acho que ela acabou de cruzar o salão.

NA PARTE SUPERIOR OPOSTA

     A CÂMERA por cima dos ombros de Morgan >> na distância, Bachsoncu dança com algumas pessoas envolta dela, que parecem discutir entre si para ver quem vai dançar com ela.

MORGAN: Com certeza é ela. Onde tem moscas tem merda.

NO BAR
    
     A Loira levanta um copo de bebida oferecendo a Lenny. Ele não se aguenta, se olha na superfície espelhada ao fundo do bar, examina sua imagem, molha o dedo na língua e passa nas sobrancelhas, ajeita os cabelos e jogo um beijo para si próprio e vai até ela.

LENNY: Eu nem preciso falar que você é linda, pois, você deve ter espelho em casa, né?

     A loira confirma. Ela dá uma golada da bebida e se insinua dançando para Lenny. Ele avança para beijá-la. NOVO ÂNGULO >> do beijo, quando Lenny se aproxima, surge o ROSTO de Michael.

MICHAEL (dá ums piscadelas): Uhhh! Garanhão, ocê não vai mi pagá uma abrideira pra mode a gente salgá o galo primeiro?

     Lenny arregala os olhos e se assusta.

LENNY: Ah, seu anjo filho da puta!

     Michael se enverga de rir. Quando Lenny vai dar um soco nele, Michael se espalha numa nuvem de fumaça que desaparece contra o ar e acaba por acertar em cheio a cara do Barman, que cai desmaiado ao chão. Michael reaparece do outro lado do balcão e continua a rir.

LENNY: Olha só o que você me fez fazer!

MICHAEL: Isso é pra ocê aprendê a ficá esperto, seu desmilinguido!

CENTRO DO SALÃO

     Bachsoncu dança numa pista de dança de piso de LED em 3D. As placas coloridas e luminosas mudam constantemente de cor debaixo dos pés dela. A multidão que assiste a venera. Cliff se acerca da pista e passa a olhá-la. Ele franze a testa e lança um olhar confuso em razão de algumas pessoas se ajoelharem e venerá-la com uma deusa.

CLIFF (alisa o queixo): Possui uma beleza estonteante de invejar e seduzir a todos. (pausa) É Bachsoncu!

     Quando Cliff dá por si, já é tarde, Bachsoncu está próximo dele. O globo ocular dela está totalmente enegrecido. Cliff se vira para correr. Bachsoncu estende a mão ao ar em direção à nuca dele. Cliff freia bruscamente.

PHOEBE (fora da tela): Onde você pensa que vai?!?!

     Cliff se vira e dá de cara com Phoebe (personagem da série Friends vivida pela atriz Lisa Kudrow). Os olhos dele brilham.

CLIFF: Phoebe Buffay?!

PHOEBE: Oi, eu sou Regina Phalange! (pausa) Brincadeiras.

     Ela pisca para Cliff, e ele faz o mesmo.

PHOEBE: Vem! O que você está esperando? Sei que sempre foi seu sonho dançar igual ao John Travolta!

     Ela estende a mão a Cliff, e ele faz o mesmo. Ambos sobem na pista de dança. Como num passe de mágica, a roupa de Cliff torna-se o terno branco do personagem Tony Manero do filme “Os Embalos de Sábado À Noite”. Cliff fica vislumbrando com a roupa. Uma fumaça artificial se espalha pelo o ar. Começa a tocar a canção: Stayin’ Alive do Bee Gees. Cliff imita os trejeitos de John Travolta, tira o blazer, roda ao ar e depois lança longe. Ele e Phoebe dançam coreograficamente.

MAIS ÀTRAS

     Damien, Scott e Morgan, buscam Bachsoncu em meio à multidão, e dão de cara com Lenny.

DAMIEN: Cadê o Cliff?

     Lenny aponta. Na distância, é possível VER Cliff dançando sozinho.

MORGAN: Foi hipnotizado!

LENNY: É um idiota mesmo! Aquele Celestial está aqui! Disse: se alma do demônio se arrepender, ela sobe com ele.

MORGAN: Que celestial?

DAMIEN: Michael. Um anjo caipira.

MORGAN: Nossa! Isso já tá começando a virar uma salada.

     Nisso, Morgan recebe um golpe de Bachsoncu e voa em meio às pessoas. Lenny ia investir num golpe, mas, Bachsoncu levanta à mão ao ar em direção a sua testa e Lenny fica petrificado como uma estátua. Ela faz o mesmo em direção de Damien e Scott.

DAMIEN: Nem todos são viciados em sexo!

     Uma aura vermelha circula Damien, que avança sobre Bachsoncu, e num efeito especial ele dá uma rajada de socos espectrais, que saem em forma de energia. Bachsoncu é arrastada para trás com os golpes. As pessoas correm assustada. Scott acende o isqueiro, coloca fogo em seu punho direito, que se incendeia numa chama negra e dá um soco no demônio. Ela cai ao chão e parte do rosto dela fica desfigurada.

MAIS À FRENTE

     As pessoas passam correndo por Michael!

MICHAEL: Qui banzé eles estão fazeno aqui. Arriégua!

     Michael olha para pista e Vê Cliff dançando sozinho.

MAIS ÁTRAS

     Bachsoncu se levanta com dificuldade. Ela fecha os olhos e abre os abraços.

BACHSONCU (grita): Mea sunt omnia!

Vocês todos são meus!

     Algumas pessoas que passavam correndo, param e seus rostos transfiguram-se numa carranca enraivecida. Eles avançam sobre Damien e Scott, que ora desviam do ataque ora usam uma técnica de pressão para desmaio. Morgan aparece, aponta a flecha para uma MOÇA possuída, mas, Scott o impede com um chute na sua apontaria.

MORGAN: Seu idiota!

DAMIEN (para Morgan): A nossa regra é poupar até o máximo a vida de um receptáculo.

MORGAN: Regra idiota! Enquanto isso a nossa passagem expressa ao inferno está sendo comprada. Antes eles do que nós.

     Na discussão, eles se distraem e a multidão ensandecida saltam sobre eles e os cobrem de porrada. Bachsoncu foge.

MAIS À FRENTE

     Uma aura azul envolve Michael e irradia do seu corpo cobrindo toda extensão da boate.

MICHAEL: Reditus!

     A energia explode num pulso elétrico. As lâmpadas estouram. A música para. As pessoas entreolham-se sem entender nada.

CENTRO DO SALÃO

     Cliff ainda dança com Phoebe. Eles dançam e rodopiam enquanto se beijam. OUTRO ÂNGULO >> de Cliff. Ele está beijando o ar e abraçando a si próprio.

CORTA PARA:

CENA 26. EXT. – BANHEIRO – AMANHECER:

     Um banheiro público de beira de estrada. Um CARRO passa a toda velocidade entre ele e a CÂMERA. Ainda nessa cena ouvimos o URRO de Bachsoncu.

CORTA PARA:

CENA 27. INT. - BANHEIRO – MADRUGADA:

     Um SOCO estilhaça a superfície de um espelho. É Bachsoncu. Ela está parada diante da própria imagem. Tem uma nova forma de uma mulher morena, porém, o seu rosto continua desfigurado. Ela cobre o rosto com as mãos e chora.

VOZ DE HOMEM: Tá tudo bem aí? (pausa) É que eu ouvi um choro!

     Bachsoncu solta uma risada. O HOMEM entra e se aproxima lentamente dela, que está de costas.

HOMEM: Tudo bem, moça!

     Quando Bachsoncu se vira, o homem se assusta e sai correndo. Ela estende o braço às costas do homem e mesmo assim ele fugiu. Bachsoncu verifica a palma da mão.

MICHAEL (fora da tela): Infezmente, a humanidadi só enxerga a beleza físca!
    
     Bachsoncu olha para o lado. Michael está sentado à margem da pia comendo um pacote de balas de gomas. Ele joga algumas na boca e aponta o pacote para Bachsoncu.

MICHAEL: Ocê qué? São rearmente incríveis. (pausa) Então, como ieu tava dizendo: ainda não aprendero a vê a beleza na arma. Mais, miesmo se tivesse apreendido, fugiria da miesma forma, já quí, possui uma arma horrenda. Ocê não tem mais puder di beleza estonteante sobre ninguém neste prano. (pausa) Si agora, ocê se arrependê profundamente di seus pecados... (estende a mão para ela) ...ieu ti levarei a um lugar ondi ocê nunca imaginô estar.

     Bachsoncu hesita, mas, estende a mão também. Assim que a mão de Michael se aproxima, ela estapeia a mão dele e espalha-se numa nuvem de fumaça contra o ar e desaparece. Michael olha para o alto, acerta aba do chapéu e sorri. Ao lado dele se materializa o cavalo Tenebroso, que relincha.

MICHAEL (sorri): É, Tenebroso! Quase.

CORTA PARA:

CENA 28. EXT. – LONG PLAY CAFÉ – MANHÃ:

     Pessoas passam em frente a lanchonete.

INSERT – MUSIC: The Searchers - Love potion number 9

CORTA PARA:

CENA 29. INT. – LONG PLAY CAFÉ – MANHÃ:

     NOEL LIAM, um homem de 34 anos, está sentado a uma mesa, num canto próximo à janela e verifica o conteúdo do cardápio. Eric acaba de entrar, atravessa entre as mesas, vai até Noel e para diante dele. Noel fecha o cardápio, faz sinal para Eric se sentar, e ele se senta.

NOEL: Não pedi nada ainda. Estava esperando você chegar.

ERIC: Estou sem fome.

NOEL: Tem alguma notícia pra mim, sobre a Devilin?

ERIC: Nada ainda. (pausa) Acho que ela não deve ter envolvimento naquela assassinatos de crimes satânicos. Ela só é xereta, mesmo.

NOEL (fecha a cara): Você a segue desde o Brasil. E até agora nada. (pausa) Tá gostando dela, não é, mesmo?

ERIC: Claro, que não.

NOEL: Será que eu vou ter que te lembrar do porquê que você entrou nessa?

ERIC (bravo): Quem teve a família toda morta quando criança, foi eu.

     Alguns clientes os encaram. Eric se recompõe.

NOEL (inspira): O que Os Atos de Feitiçaria representam pra você?

ERIC: Uma sucessão de leis da Inglaterra para regular a magia e as sanções para a sua prática, ou quem fingisse a sua prática.

NOEL: Qual foi o ato que a primeira lei do Parlamento dirigida especificamente contra feitiçaria, aprovada por iniciativa do Arcebispo Thomas Arundel em 1401?

ERIC: De haeratico comburendo.

NOEL: E?

ERIC: Será criminoso quem praticar, ou causar a prática, de exorcismo, feitiçaria, encantamento por feitiço ou, para obter dinheiro, consumir o corpo de qualquer pessoa, elemento ou deuses, provocar ilicitamente qualquer pessoa a amar, desprezar Cristo, ganância de dinheiro, para derrubar qualquer Cruz, ou para declarar quando os Deuses são roubados.

NOEL: Muito bem. Ou seja?

ERIC: Se o acusado de bruxaria não renunciar a essas crenças, ele ou ela será queimado vivo numa estaca.

NOEL: Saiba que com sua devoção e fé, você tem o poder de expulsar mortos-vivos, da mesma maneira que pode os invocar e os controlar para realizar nossos objetivos.

     Eric concorda com a cabeça.

NOEL: Agora, me conte mais sobre essa tal banda do diabo e dessa tal Lucy Feris. Mas, antes... (bate ao peito) Devoção e fé! Viva à Ordem Clériga de Arundel, Viva!

ERIC (também bate ao peito): Devoção e fé! Viva à Ordem Clérigo de Arundel, Viva!

CORTA PARA:

CENA 30. INT. – CORREDOR DO PRÉDIO DE DEVILIN – MANHÃ:

     Uma MÃO bate à porta. Uma mulher chamada FRIDA aguarda que alguém atenda. O rosto de Devilin surge no vão entre o batente e a porta. Frida solta um sorriso. Devilin faz o mesmo e a puxa para dentro com força. As duas se atracam aos beijos. Devilin ia fechar a porta com o calcanhar. Mas, alguém segura a porta. É Stone. Ele sorri para as duas e elas fazem o mesmo. Stone fecha a porta na NOSSA CARA. Marie Claire aparece com a forma do Enfermeiro e fica olhando para a porta.

CORTA PARA:

CENA 31. INT. – QG DA BANDA – DIA:

     O corte é feito diretamente no rosto de Lenny dizendo.

LENNY: Se não fosse por causa do Cliff já tínhamos apanhado o demônio.

     Cliff vai para cima de Lenny. Damien e Scott, apartam e ficam entre os dois.

CLIFF: Agora a culpa é minha? Você também foi hipnotizado, seu burro. Você é tão burro que quando entrou no concurso de burrice, eles disseram: Desculpe, não aceitamos profissionais.

LENNY: Ah, é? Vai beijar o ar, seu demoniozinho burro! (faz o gesto de chifres com os dedos) Você é tão burro, mais tão burro, que foi atropelado por um carro parado.

CLIFF: Ah, é? E você é tão burro que eu tive que tomar 3 ônibus e um trem só para chegar ao seu lado... (faz aspas com os dedos) ...inteligente.

LENNY (bate palmas ironicamente): E você é tão burro que uma vez roubou uma amostra grátis.

CLIFF (faz joinha com os dedos): Você é tão burro que pensava que um MacBooK fosse um lanche do McDonald’s.
LENNY: Ah, seu desgraçado! Agora eu vou te matar.

DAMIEN (empurra um e empurra o outro): Já chega! Não dá para vocês agirem como adultos pelo menos uma vez?

     Os dois fazem que não, viram a cara e ficam de costas um para o outro.

DAMIEN: Vocês não percebem que é justamente assim que os nossos inimigos querem que ficamos. Vão! Se desculpem um com outro.

     Os dois hesitam e resmungam: Me desculpe.

DAMIEN: Agora deem os dedinhos e se abracem. Somos um time.

     Os dois obedecem, mas, fazem tudo rapidamente e desleixado e voltam às posições que estavam. Scott resmunga algo.

SCOTT: Na se por vo es briga? E vi demo.

DAMIEN: Verdade. Então, dá pata usar a dubla vista.

     Scott faz que sim.

CLOSE EM SCOTT

     Seus olhos reviram nas órbitas e são substituídos por um espaço branco.

INSERT – VÁRIOS PLANOS

     A imagem faz uma viagem em alta velocidade, passa por pedestres nas calçadas. Ruas apinhadas. VOZES misturadas são ouvidas. Transportes públicos. SIRENES de carros de polícia. Bachsoncu dentro de uma fábrica abandonada. A imagem congela e retrocede até...

VOLTAR À CENA EM SCOTT

     Scott está ofegante e se recompõe.

DAMIEN: Conseguiu localizá-la?

     Scott faz que sim, apanha o isqueiro e acende o eterno cigarro amassado. Ao fazer essa ação, uma quantidade de chama é atraída do isqueiro em direção a Cliff, pega fogo na manga da blusa dele e ele pula de susto.

CLIFF: Quer me colocar fogo?
LENNY: Viu, está virando cada vez mais demônio!

     Scott faz sinal de vamos para os demais. E os quatro saem correndo pela porta. A NOSSA VISÃO MOVE à janela. Morgan está de pé ao parapeito encostado na parede do prédio. Depois sai de cena.

CORTA PARA:
CENA 32. EXT. – FÁBRICA ABANDONADA – DIA:

     Damien estaciona Mausoléu em frente a TELA. Os quatros saltam do veículo. Damien corre em direção ao porta-malas, abre, apanha a case e fecha.

CORTA PARA:

CENA 33. INT. – FÁBRICA ABANDONADA – DIA:
    
     Bachsoncu com um véu enrolado na cabeça parada diante de um HOMEM.

HOMEM: O quê? Você me trouxe até aqui e não vou precisar pagar nada? (olha em volta) Isto aqui não é pegadinha, é?

BACHSONCU: Porque você não relaxa e deixa Bachsoncu realizar seus desejos?

     Em SEGUNDO PLANO, VEMOS os rostos de Damien, Lenny, e Cliff, um a um, saírem detrás de uma parede em ruinas. Bachsoncu se ajoelha e abre o zíper das calças do homem.

HOMEM: Deixa-me ver como você é direito. (tira o véu dela) Ah, meu Deus!

     Homem sai feito louco fechando o zíper. Bachsoncu ia correr atrás dele quando...

DAMIEN (fora da tela): Deixe-o em paz, Infernal!

     Bachsoncu freia e vira-se. Damien com a case alçada às costas a encara, e os demais em pé atrás dele.

BACHSONCU: Por que nos caça? (pausa) Sabe, as religiões estão erradas. Demônios não lutam contra Deus. Demônios não desejam a destruição do Universo.

CLIFF: Como ela consegue falar o nome do homem lá de cima?

     Os rapazes entreolham-se confusos.

BACHSONCU: Demônios querem apenas uma coisa: Poder. No mundo caótico de hoje, os humanos só baseiam sua fé na evidência dos fatos já consumados, justo quando não se precisa mais da fé para criar a verdade. Portanto, a nossa é usar o poder dos humanos da melhor forma para desfazer o julgo de Deus.

LENNY: E nós com isso?

     Damien faz sinal para que Lenny fique quieto e deixe-a falar.

BACHSONCU: Apenas através do Poder um demônio pode sobreviver na sociedade infernal. Mas, para consegui-los, precisamos nos alimentar dos pecados dos homens, das almas dos pecadores. O poder de um demônio vem da corrupção. (pausa) Túndalo é o reino dos demônios. Mergulhado nos subterrâneos do Mundo Espiritual, esse reino de terror é a parada final das almas dos pecadores. Lá, elas serão torturadas. Lá, os demônios nascem e aprendem a importância do Poder.

LENNY: Infelizmente, você vai ter que voltar para lá.

BACHSONCU: Se vocês conseguirem me pegar!

     Os rapazes correm na direção de Bachsoncu e ela desaparece numa nuvem de fumaça.

CORTA PARA:

CENA 34. EXT. – FÁBRICA ABANDONADA – DIA:

     Bachsoncu aparece correndo em meio às ruinas. Quando atinge certa distância da fábrica, ela é atropelada por Mausoléu. Ela rodopia no ar e cai com o rosto entre um par de SAPATOS. É Scott. Ele sorri para ela.

BACHSONCU: Ah! O desgraçado que me deformou!

     Ela tenta fugir, mas, Scott a prende com o pé, pisando sobre seu peito. Damien surge com a Balada da Morte em mãos. Ele revira os olhos e faz o seu solo demoníaco. As CORDAS agarram Bachsoncu. Enquanto ela grita e esperneia de dor se transmuta na sua forma real. O número 13 em brasa surge no alto da testa dela.

CLIFF (para Lenny): Se apresse!

     Lenny apanha o Espelho de Narciso e corre em direção dela.

BACHSSONCU: Ninguém me comanda. Nenhum homem. Nenhum deus. Nenhum ancião. Nenhum príncipe. O que é a idade para aqueles que são imortais? O que é o poder para aqueles que desafiam a morte? Convoque a sua maldita caçada. Veremos quem arrasto gritando comigo para o inferno.

     Num efeito digital a sombra de Bachsoncu se esgueira pelo chão, vai até as pernas de Lenny e as agarra, prendendo-o.

LENNY (faz força): Damien, eu não consigo me soltar!

     Bachsoncu faz grande força. Nisso, uma flecha de fogo corta as cordas etéreas da guitarra. Isso faz com que Bachsoncu role para um lado e Damien para o outro.

MORGAN (fora da tela): Flecha de fogo voraz!!!

     Morgan aparece, dá um espetacular salto mortal por cima do demônio e o atinge com uma flecha de fogo bem no meio da testa. Bachsoncu transforma-se em uma tocha humana. Um grito hediondo escapa de sua garganta. Ela queima como papel amassado, muito mais rápido que um ser humano normal queimaria: em poucos segundos está reduzida ao pó. Morgan caminha até o montante de pó que restou de Bachsoncu, estende ao ar uma vaso-urna funerária egípcio para cinzas, abre a tampa e num efeito especial a urna suga para dentro as cinzas de Bachsoncu e ele fecha.

MORGAN: Das cinzas as cinzas, do pó ao pó! Ai que dó, seus bocós! (ri) Mais sorte da próxima vez.

     Assim que Morgan se vira para ir embora. Um SOCO vem na direção dele. É Cliff, o autor do golpe. Morgan rola ao chão, se senta, passa a mão no queixo e encarra Cliff profundamente. Cliff tem o cenho fechado, os lábios contraídos e as írises em seus olhos são duas pequenas bolas de fogo, que depois desaparecem.

CLIFF: Fica mais esperto da próxima vez.

     Cliff pega a urna e vai com ela debaixo do braço até Lenny, que ajeitava o cabelo diante ao espelho e sorri para sua imagem.

LENNY: Aí molecote! Gostei de ver.

     Cliff fica sem jeito e passa a urna para Lenny. Ele abre a urna, coloca Espelho de Narciso na boca do vaso e o fóton de luz suga as cinzas em espiral para dentro do espelho.

LENNY: Toma aqui o seu pinico!

     Lenny joga a urna de Morgan ao chão. Damien e Scott, riem e vão até Lenny e Cliff. Os três bagunçam o cabelo de Cliff. Os quatros saem abraçados. Morgan se levanta, apanha a urna e os vê se afastarem. Cripta derraba próximo de Morgan, levanta uma cortina de poeira e BUZINA em diversos tom.

MORGAN: Agora que você me aparece?!

CORTA PARA:

CENA 35. – INT. – QG DA BANDA – TARDE:

     Damien está sentado no meio do esquadro onde era para ter uma janela. Ele tem o rosto de uma pessoa reflexiva. Lenny entra no cômodo e vai até ele.

LENNY: E aí, tudo bem?

DAMIEN (se vira): Estava aqui pensando, apenas. (pausa) Primeiro, o nome do demônio, que não conseguimos invocar e, depois, que demônios não podiam falar o nome do homem lá de cima e, Bachsoncu falou. Qual é da Lucy?

LENNY: Se eu soubesse nós estaríamos nessa caçada infernal.

DAMIEN: Eu preciso trocar uma outra palavrinha com ela.

LENNY: Eu também preciso.

DAMIEN: Sobre o quê?

LENNY: Sobre Morgan. (pausa) O cara ganha um arco e flechas de fogo. E pra mim, ela me dá a droga de um espelho.

     Os dois gargalham.

LENNY: Agora é sério. Eu andei pensando. A página do guia das sombras foi tocada por Lucy, que não deixa de ser um demônio.

DAMIEN: Sim.

LENNY: E se nos pegarmos uma partícula de um dos pedaços da página das quatro partes que você encontrou, diluirmos na água ou coisa do tipo e tentar encontrar com o pêndulo?

DAMIEN: Não tinha pensado nisso.

LENNY: Onde estão os pedaços da página?

DAMIEN: Num local seguro.

     Assim que Scott entra pela porta acendendo o cigarro amassado, ambos disfarçam e param de conversar. Damien salta do esquadro, apanha o blazer slim preto sobre o sofá e veste.
SCOTT (resmunga): On vo va?

DAMIEN: Marquei com a Devilin hoje de manhã, de encontrá-la. Preciso lhe dar algo. Me empresta o isqueiro?

     Scott passa o isqueiro para ele. Damien vai. Lenny apanha a guitarra e Scott o baixo. A NOSSA VISÃO MOVE panoramicamente à janela. Lá embaixo, está Cliff lavando Mausoléu.

CORTA PARA:

CENA 36. EXT. – QG DA BANDA - BECO – TARDE:

     Cliff ensaboa o capô do veículo.

CLIFF (cantando): Somos os The British Boys todas as minas gostam de Nós! (faz dancinha engraçada) Somos os The British Boys todas as minas gostam de Nós!

     Subitamente, Cliff para e fica olhado a manga do blazer queimada.

MORGAN (fora da tela): Você também sentiu?

     Cliff se vira, vê Morgan e faz posição de luta.

MORGAN: Calma lá, campeão! Eu só vim aqui pra conversar.

CLIFF: Sentiu o quê?

MORGAN: O poder. Hoje de manhã, quando espionava vocês, vi o fogo do isqueiro de Scott ser atraído para o seu corpo. Mais tarde, quando me deu aquele baita soco, também vi a chama nos seus olhos. Você possui habilidade sobre-humana: fogo diabólico. É uma pirocinese infernal. Ela te dará a capacidade de gerar e controlar o fogo. Você poderá criar centelhas de fogo ou apagá-las.

CLIFF (faz cara de desconfiado): Como você sabe?

MORGAN: Porque eu já vi antes. Através dos tempos, Lucy teve muitos outros caçadores, mas, poucos deles manifestaram essa capacidade. (pausa) Ela é muito rara. É uma capacidade com múltiplas funções e níveis. Exige muito esforço do usuário.

     Cliff faz cara de quem está indeciso, coça a cabeça e olha para baixo.

MORGAN (se aproxima mais): Eu posso ajudá-lo a ampliar e a controlar essa força.

     Cliff hesita, faz cara de quem vai dizer não.

MORGAN: Mas, é claro. Se você quiser. Não será uma tarefa fácil. E vou logo dizendo que pode ser perigoso. Que muitas das vezes essa força se manifesta através da raiva. Foi o que aconteceu de manhã, quando brigou com Lenny e o que aconteceu a tarde quando brigou comigo. Você vai ficar se escondendo atrás dos seus amigos para o resto da vida? E aí o que você acha?

CLIFF (cruza os braços ao do peito): E o que você ganha com isso?

MORGAN (dá de ombros): Experiência, talvez!

     A CÂMERA fecha no rosto pensativo de Cliff.

CORTA PARA:

CENA 37. EXT. – PRAÇA – TARDE:
    
     Damien e Devilin conversam enquanto andam por uma trilha ladeada de árvores.

DEVILIN: Pena que eu não vou poder ir ao seu show hoje à noite.

DAMIEN: Não tem problemas. Eu marquei com você aqui justamente para falar do episódio de ontem.

DEVILIN: Dos meus apagões?

DAMIEN: Não. De você ter me ouvido falar em outra língua.

DEVILIN: Como assim?

DAMIEN: Loquitor é a língua falada no Inferno e no Éden. Tanto os anjos como os demônios conhecem Loquitor e a falam fluentemente, como se fosse uma língua nativa.

DEVILIN: Não estou entendo onde você quer chegar.

DAMIEN: Para aqueles que conseguem ouvir Loquitor, ela lembra um pouco o latim, mas, poucos conseguem ouvir Loquitor da maneira que é falada. Ela permite a comunicação entre quaisquer seres inteligentes. Aqueles que ouvem Loquitor, entenderão as palavras ditas em sua linguagem nativa.

DEVILIN (ri): E de uma hora para outra, sem mais nem menos, eu a aprendi?

DAMIEN: Por exemplo: um Americano ouvirá um demônio falando como se o demônio falasse inglês, enquanto um Brasileiro o ouvirá em português, mesmo que o demônio esteja falando com os dois ao mesmo tempo. (pausa) Da mesma forma, aqueles que conhecem Loquitor podem entender todas as línguas faladas. Demônios e anjos entendem tudo o que falam a eles, não importa em que língua a conversa está sendo feita.

     Devilin para e freia Damien.

DEVILIN: Calma aí! Você está me dizendo que eu sou um demônio?

DAMIEN: Claro que não.

DEVILIN: Aí que alívio!

DAMIEN: Mas, pode ser sinais de possessão.

     Devilin fecha a cara.

DAMIEN: O maior objetivo dos demônios na Terra é corromper as almas. Nem todos os indivíduos são corrompíveis, apenas aqueles que estão inclinados a cometer pecados. Com míseras palavras, podem induzir o indivíduo a realizar atos hediondos; como roubar, trair e matar.

DEVILIN: Então, eu sou uma pecadora? É isso que você está me dizendo?

DAMIEN: Eu não falei isso. Só seus atos e desejos podem dizer quem você é. Mas, só procuram pessoas que se afinizam com o caráter deles.

     Devilin respira fundo e abaixa a cabeça.

DAMIEN (levanta o rosto dela pelo queixo): A forma original de um demônio é horrenda, cada demônio possui uma forma diferente do inferno, desde espectrais à desproporcionais. Entretanto, no mundo dos vivos, um demônio pode possuir qualquer humano que não tenha uma marca ou...

     Damien apanha algo no bolso do casaco, suspende o punho ao ar, abre a mão e desenrola dependurado entre os dedos um cordão de couro com um pingente.

DAMIEN (con’t): ...Um amuleto de proteção. O receptáculo de um demônio não dura para sempre, e ele precisa abandoná-lo sempre que voltar para o inferno.

DEVILIN (pega o amuleto): É pra mim?

DETALHE DO PINGENTE NAS MÃOS DE DEVILIN

     Tem um formato de escravelho segurando uma pedra vermelha acima da cabeça.

DAMIEN (fora da tela): Sim. É uma joia egípcia. Vai te ajudar! E te proteger de ataques. É o amuleto de Khepra.

VOLTA À CENA

     Devilin coloca o cordão no pescoço e faz posição de quem vai agradecer dando um abraço. Mas, mesmo antes que ela possa fazer, Damien levanta o isqueiro diante dos olhos dela.

DAMIEN: Só pra ter certeza!

     Os dois riem.

DEVILIN: Não se preocupe tanto! Deve ser por causa dos apagões. Eu já marquei uma consulta com um tal de Dr.  Nick Evans. Dizem que é um grande neurocientista e neurocirurgião! (olha de novo para o amuleto) Nossa! Isto deve valer uma nota. Acho que ganharia muito dinheiro com ele. Ficaria rica.

     Damien ri. Os dois abandonam a cena. Pouco tempo depois, Eric entra em QUADRO e fica espiando a partida deles.

CORTA PARA:

CENA 38. INT. – CASA DE NICK – ESCRITÓRIO – NOITE:

     O Dr. Nick entra na sala, joga um molho de chaves sobre a mesa, se dirige a um armário e abre as portas revelando no seu interior um altar totalmente negro. Sobre o altar, diversas estatuetas de figuras estranhas. Ele dispõe cinco fotos sobre o altar, quatro de crianças e uma de um adulto. Três crianças reconhecemos ser: Reba MacCartney e o casal de irmãos, Gregory e Laila Harrison. A quarta foto é de um garotinho de uns 7 anos, sobre a imagem as iniciais: P.L. Já a adulta, é Devilin White. Ele apanha um livro negro e lê.

DR.NICK: Antichristus est qui faciat daemonium ratione reciproca missionem Christi. Operis sui corruptioni carnis aims a vitiis et peccatis. Legend habet ut notam mark eius sectatores est aenigmatica, quae est primo sciendum quid sit numerus: DCLXVI...

O anticristo é um demônio que realiza a missão inversa de Cristo. A sua obra visa a corrupção da humanidade pelos vícios e pecados. Reza a lenda que marcará seus seguidores com uma marca enigmática, que normalmente se entende ser o número: 666.

CORTA PARA:

CENA 39. INT. - INFERNO BAR & NIGHTCLUB – MADRUGADA:

     O lugar está vazio. Lenny, Scott e Cliff, passam pela CÂMERA carregando os seus porta-instrumentos. Conversam algo que não é ouvido, riem e saem de CENA. A CÂMERA se aproxima de Damien, num canto do palco, enrolando uns fios. Um HOMEM passa próximo dele.
INSERT – MUSIC: The Tremeloes - Here Comes My Baby

HOMEM: Foi um bom show, Damien!

DAMIEN (se vira): Valeu, Clark!

     Clark se vai. Damien guarda os fios numa caixa. Lucy surge atrás dele. Ela traja um vestido vermelho em tricô grosso chevron, com shape justo e fendas laterais.

LUCY: Ótimo trabalho que vocês fizeram com Bachsoncu.

     Damien para o que estava fazendo, se vira, coloca a mão na cintura e passa a encarar Lucy.

DAMIEN: Obrigado!

LUCY: Não vai brigar comigo? Blasfemar contra a minha pessoa? Falar que: uma ora eu falo uma coisa e que outra ora eu falo outra?

DAMIEN: Não. Vou guardar para um momento certo. Tenho muito que falar.

     Damien dá as costas para ela, apanha a guitarra e prepara para colocá-la dentro de uma case.

LUCY: Saiba que não é verdade aquela coisa que falei de te mandar para Túndalo!

     Damien se vira bruscamente.

DAMIEN: Você acha que eu fiquei com medo da sua ameaça? (olha para o lado, ri e a encara de novo) A contrário de você Lucy, eu tenho amigos. E me preocupo com eles. E eles precisam de mim para terminar essa caçada. A equipe ficaria fraca com um a menos.
     Damien se vira apanha um LP, volta e passa para Lucy.

DAMIEN: Aí está o seu mais novo sucesso. Ouça até sangrar os tímpanos.

     Lucy vira a capa do disco para si e lê em voz baixa.

PONTO DE VISTA DE LUCY
     A capa do disco tem o rosto de Bachsoncu. Na parte superior da capa está escrito: A banda do diabo e na parte inferior escrito: A Canção da Vagabunda.

VOLTA À CENA

     Damien dá as costas novamente para Lucy e ela desaparece. Passado algum tempo, surge Stone, atrás dele. Damien se vira bruscamente.

DAMIEN: Você quer mais alguma coisa?

STONE: Não. Eu só queria te parabenizar pelo show.
    
DAMIEN: Desculpa! Pensei que fosse outra pessoa.

STONE: O seu nome é igual ao daquele vocalista... Daquela banda... (coloca a mão sobre a testa e pergunta para si mesmo) ...Como é o nome mesmo?

     Stone estala os dedos e faz cara de quem está pensando.

DAMIEN: The British Boys.

STONE: Isso mesmo!

DAMIEN: Nós somos os novos The British Boys. Você não viu a placa lá fora?

STONE: Tinha placa? Não, não prestei a atenção, não. A minha mãe era muito fã deles. Mas, ainda bem que morreram. A banda era ruim pra diabo. (pausa) Pensei que vocês fossem da imprensa.

DAMIEN: Sabe como é. Fazemos um pouquinho de cada.

     Stone ri, balança a cabeça concordando, dá tchau com a mão, faz que vai sair e volta.

STONE: Não pude deixar de notar. Antes, você estava aqui conversando sozinho. (pausa) Acho que não deve estar bem da cabeça. (pega um cartão no bolso) Tenho um médico, amigo meu, inclusive.
     Passa o cartão para Damien.

INSERT - TATUAGEM

     Ao fazer essa ação a manga do blazer de Stone recua e a costa do pulso fica à mostra, nela há a tatuagem das letras: DCXLVR.  
STONE (o.s): Dr. Nick Evans, médico da cabeça.

VOLTA À CENA

     Stone se despede com um sinal e sai. Damien fica estacado com o cartão na mão e o encara até o perder de vista.

CORTA PARA:
CENA 40. INT. – CASA DOS HARRISON – QUARTO DE LAYLA – NOITE:

     O rosto de Laila preenche a TELA. Ela está dormindo. De repente um clarão azul em suas pálpebras a faz acordar. O QUADRO se abre. Laila senta-se na cama, protege a visão com o antebraço para ver melhor. A TEVÊ sobre a cômoda está ligada. Um RUÍDO. Ela se assusta e se cobre rapidamente. O lençol cai levemente, como se fosse puxado. Revela Laila com os olhos apertados. Ela abre lentamente os olhos, primeiro um e depois o outro. Se ajoelha, se curva devagarzinho à margem da cama e estica o pescoço.

DEBAIXO DA CAMA

     Uma MÃO puxa a ponta do lençol. O rosto de Laila surge lentamente de ponta-cabeça. Primeiro os cabelos, depois a testa e o rosto por completo.

PONTO DE VISTA DE LAILA

     Há apenas brinquedos espalhados.

VOLTA À CENA

     Laila recolhe a cabeça e o lençol cobre a NOSSA VISÃO.

QUARTO DE LAILA

     Quando ela volta para trás dá de cara com Gregory.

FADE OUT.


CREATED BY:
L.F D'Oliveira
 

 
STARRING:
 
Dane Dehaan…………………………………………………………………………………………………Damien Gray
Aaron Taylor-Johnson……………………………………………………………………………Lenny Hide
Paul Dano………………………………………………………………………………………………………Scott Thorn
Daniel Radcliffe……………………………………………………………………………Cliff Castevet
Eddie Redmayne…………………………………………………………………………………Morgan Jeckyll
Zoe Saldana……………………………………………………………………………………………Devilin White
Michael Ealy………………………………………………………………………………………………Eric Ulrich
Alison Sudol……………………………………………………………………………………………Marie Claire
 
GUEST STARRING:
 
Matthew Lillard...........................................Stone, The Criminal Expert
Charlie Hunnam…………………………………………………………………………………Dr. Nick Evans
Kit Harington………………………………………Marie Claire'S Alternative Form
Mark Addy…………………………………………………………………………………………………Jeremy Norton
Dinusha Chandratilleke…………………………………………………………………………Bar owner
Jacob Tremblay……………………………………………………………………………Gregory Harrison
Ellie Darcey-Alden………………………………………………………………………Laila Harrison
Jenny Agutter……………………………………………………………………………………Linda Harrison
Michael Angelis……………………………………………………………………………Dorian Harrison
Annabelle Wallis…………………………………………………Anabeth, The Housekeeper
Alex Lawther……………………………………………………………………………………………………………Boy #1
Nat Wolf………………………………………………………………………………………………………………………Boy #2
Lysette Anthony……………………………………………………………………………………Helen Norton
Alfie Allen………………………………………………………………………………………………………………Barman
Adam Harvey………………………………………………………………………………………………………Noel Liam
Vanessa Madeline Angel……………………………………………………………………………………Frida
Aml Ameen………………………………………………The Man in the abandoned factory
Andrew Shim………………………………………………………………The Owner of Inferno Bar
 
SPECIAL GUEST STARS:
 
Jeff Brigdes…………………………………………………………………………………………Angel Michael
Helen Mirren………………………………………………………………………………………………Lucy Ferris
Sandra Bullock…………………………………………………………Lucy's Alternative Form
Simone Simons………………………………………Bachsoncu’s Alternative Form #1
Abi Titmuss……………………………………………Bachsoncu’s Alternative Form #2
Megan Good………………………………………………Bachsoncu’s Alternative Form #3
Amelia Shankley…………………………………Bachsoncu’s Alternative Form #4
Ana Maria Mulvoy Ten…………………………………Michael's Alternative Form
Lisa Kudrow……………………………………………………………………………………………Phoebe Buffay
Andrée Bernard……………………………………………………………Doctor Vanda Blackwell
 
FADE IN:
 
CENA 41. INT. – CONSULTÓRIO DRA. VANDA BLACKWELL – DIA:
         O ROSTO de Damien PREENCHE a TELA. ZOOM OUT >> o QUADRO vai se abrindo lentamente, revelando ele deitado num divã.
 
DRA. VANDA (fora da tela): Quando lidamos com narizes de Pinóquio… temos de ser Gepetos, Damien.
    
     O QUADRO se abriu completamente para INCLUIR a Doutora VANDA sentada numa cadeira próximo ao divã.
 
DAMIEN: É que quem tem a tendência para esconder a verdade é algo que me assusta, doutora. Até porque avaliar a veracidade do que é dito pela Lucy a cada momento é uma tarefa impossível.
 
DRA. VANDA: É que as mentiras geralmente são doces e as verdades amargas.
 
DAMIEN: Sim, mas, eu prefiro chorar sabendo a verdade, do que sofrer por causa de mentiras. Doutora, a Lucy mente tanto, que acho que pra ela todo dia é primeiro de abril.
 
DRA. VANDA: Você pode tentar a prova dos nove: pergunte várias vezes a mesma coisa, peça que ela reconte o sucedido repetidas vezes.
 
DAMIEN: Será que dá certo? Ela mente tanto que se der boa noite, eu tenho que abrir a janela pra ver se está de noite mesmo. Sabe?  Eu gosto de verdades. Não importa o peso das palavras, a verdade é sempre a melhor opção. Não precisa me contar tudo. Só não minta pra mim.
 
DRA. VANDA: Eu te entendo. São duas coisas que mais quebra a confiança: a mentira e a traição. E ela mente e trai sua confiança.
 
DAMIEN: Exatamente. Ela sempre diz: não minto, apenas oculto alguns fatos de menor importância. Eu queria entender a dificuldade das pessoas em falar a verdade, a Lucy consegue olhar dentro dos nossos olhos e mentir, isso é a maior covardia. Do que adianta estarmos certo se as pessoas só acreditam na mentira.
 
FADE OUT.
 
CREDENTIAL:
 
*Tony Manero personagem interpretado pelo ator e cantor John Travolta, no filme Os Embalos de Sábado À Noite.
 
*Menção a Louraça Belzebu referência à personagem Katia Flavia da música que invadiu as rádios e televisão em 1987, de Fausto Fawcett. 
 
PREVIEW SOUNDTRACK:
The Yardbirds - For Your Love
The Zombies - Time of the Season
Shocking Blue - Venus
The Searchers - Love potion number 9
The Tremeloes - Here Comes My Baby
MUSICAL PERFORMANCE:
 
The Hollies – Carrie Anne
Bee Gees – Stayin’ Alive
 
CREATED, WRITTEN, PRODUCED & DIRECTED BY:
 
Luiz Fernando de Oliveira
 
OPENING THEME BY:
 
The Animals – The House of The Rising Sun
 
EXECUTIVE PRODUCERS:
 
Cristina Ravela & Bruno Olsen
 
SPECIAL THANKS TO:
 
Deise Coelho
 
PRODUCED BY:
 
8 MILIMETRES FILMS & PRODUCTIONS
 
SOON DISTRIBUTED BY:
 
House of Series & Factory Films
 
WEBFLIX 2018 © All Rights Reserved – LFO

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


Copyright © 2018 - WebTV
www.redewtv.com
Todos os direitos reservados
Proibida a cópia ou a reprodução
 
FADE IN:
 
CENA 01. INT. – SALÃO DE EXECUÇÃO – PRISÃO – DIA:
 
     Sala de execução e aplicação de injeção letal em uma prisão da Califórnia, Estados Unidos.
 
     Um RELÓGIO no alto da parede marca 15:57pm. Um PARAMÉDICO, um ENFERMEIRO e um AUXILIAR preparam as injeções. Os tubos com agulhas são aplicados aos braços de Charlotte deitada sobre a mesa de execução e depois ela é conectada ao monitor cardíaco e aos cateteres. Um GUARDA observa atentamente os procedimentos deles.
 
SALA DOS EXECUTORES
 
     DOIS EXECUTORES civis cuidam da aplicação e outra equipe fica na organização – fechar cortinas, acompanhar o condenado.
 
SALA DE EXECUÇÃO
 
     O guarda olha para o relógio e são 16:00pm.
 
GUARDA: Charlotte Lee Ray. Você é condenada à morte com injeção letal pelo Estado da Califórnia, pela morte fria e calculada com requintes de torturas de Salomon Bart Lee Ray, seu marido. Deseja pronunciar uma última palavra?
 
     Lágrimas escorrem pelas bordas do rosto de Charlotte.
 
CHARLOTTE: Diga: a minha a filha que eu amo muito.
 
CORREDORES
 
     Um GUARDA corre às pressas e chega a deslizar quando faz uma curva para outro corredor.
 
SALA DE EXECUÇÃO
 
GUARDA: Em nome do Estado da Califórnia...
 
     O guarda que corria pelo corredor abre a porta com tudo, toma fôlego e respira.
 
GUARDA #2: O Governador do Estado estudou durante meses o caso de condenação a pena capital e manteve contatos com familiares da vítimas, juízes e polícias, e chegou à conclusão de que: há demasiadas dúvidas sobre este castigo e demasiadas falha no sistema. E perdoou Charlotte Lee Ray.
 
     Charlotte retorce os olhos aliviada enquanto chora e ria ao mesmo tempo.
 
CORTA PARA:
 
CENA 02. INT. – PRISÃO – SALA DE ESPERA - DIA
 
     Charlotte entra na sala. O VULTO enorme de um homem virado e parado diante a janela.
 
CHARLOTTE: Governador!
 
     Quando o homem se vira, ela se depara com o ator ARNOLD SCHWARZENEGGER.
 
ARNOLD: Charlotte, ocê orô! Ieu vim até ocê!
 
CHARLOTTE: Como assim?
 
     A figura de Arnold se transmuta na imagem do anjo Michael. Ele retira o chapéu em forma de saudação.
 
MICHAEL: Anjo Mike ao seu dispô!
 
CHARLOTTE (abobada): Calma lá! O que está acontecendo aqui? Como você fez isso? Quem é você?
 
MICHAEL: Mi disserô qui ocê cantava muito bem na igreja e a sua voz era capaz di espantar os demonhos!
 
CHARLOTTE (confusa): Mas, o que isso tem a ver?
 
MICHAEL: Im brevi ocê saberá! Hasta la vista, baby!
 
     Michael coloca o chapéu. A música marca. CLOSE >> no rosto de Michael sorrindo e ele desaparece.
 
FADE OUT.
 
END CREDITS.
 
INFO TRAILER
 
VÁRIOS PLANOS:
 
     - A CÂMERA SOBREVOANDO os arranha-céus de Londres. >> Em meio a uma MULTIDÃO o ator Daniel Radcliffe sai de dentro do edifício Shard London Brigde.
 
     NARRADOR: Hardy Dickens seria uma pessoa comum...
 
A TELA ESCURECE.
 
     NARRADOR: Senão fosse pela sua grande habilidade de super memória.
 
     - Hardy Dickens num jantar romântico com uma moça.
 
     HARDY: Eu sofro de hipertimesia é um distúrbio de memória em que a pessoa se lembra de todos os momentos de sua vida, até os mínimos detalhes.
 
     MOÇA (passada): E por isso você está terminando comigo?
 
     HARDY: De certa forma, lembrei de 30 coisas, quer dizer 33 coisas chatas que você fez... até essa 34 que você acabou de fazer com o rosto.
 
     A TELA ESCURECE.
 
     - O ator Samuel Jackson (Nigel Foreman) dá uma palestra para vários homens engravatados. Atrás dele, um TELÃO com o rosto de HARDY DICKENS.
 
     NIGEL: Existem aproximadamente 60 pessoas no mundo com esse diagnóstico. Os pacientes podem contar em detalhes sobre qualquer dia de suas vidas, mesmo da primeira infância.
 
A TELA ESCURECE.
 
     - Nigel aponta para foto.
 
     NIGEL: E precisamos dele. Hardy Dickens. Mais conhecido como HD entre os amigos. Um exímio analista de sistemas de uma das maiores companhias europeia.
 
TELA ESCURECE.
 
     - Hardy encara a câmera.
 
     HARDY: Eu consigo reproduzir fragmentos completos de livros lidos há muitos anos ou contar uma notícia de qualquer dia ou ano.
 
     NARRADOR: Até onde uma doença pode ser encarada como superpoderes?
 
A TELA ESCURECE.
 
     - Hardy e Nigel conversam.
 
     HARDY (chora): As pessoas com hiperestesia não podem retocar suas memórias ou embelezar os momentos desagradáveis, que prefeririam esquecer. Elas literalmente não se esquecem de nada.
 
     NIGEL: É por isso que precisamos de seu talento.
 
A TELA ESCURECE.
 
     - Nigel entrega um cartão para Hardy, dá as costas e vai embora com a mão no bolso.
 
     NIGEL (v.o): Pense direto sobre minha proposta, garoto!
 
A TELA ESCURECE.
 
     - Hardy e Nigel estão enfurnados dentro da traseira de um furgão equipado com parafernálias de alta tecnologia.
 
     NIGEL: Somos uma agência não-governamental, de fato, muito preocupada com o futuro do mundo.
    
     HARDY: E o que você quer que eu faça?
 
A TELA ESCURECE.
 
     NIGEL: Queremos que invada uma base militar na Coréia do Norte. Temos certeza que estão muito além da fabricação de armamento nucleares.
A TELA ESCURECE.
 
     HARDY: O quê? Roubar informações?
 
     NIGEL: Você não precisar roubar nada. Somente memorizar as plantas dos planos e sair de lá.
 
A TELA ESCURECE.
 
     NIGEL: Não precisa ter medo. Você vai receber ajuda. Tem um cara que tem uma doença de condição genética rara que leva a uma ausência total de medo.
 
A TELA ESCURECE.
 
     - Hardy e uma MOÇA conversam.
 
     MOÇA: Então, você tem super memória?
 
     - Hardy ri e faz que sim.
 
     HARDY: E você?
 
     MOÇA: Uma mutação no gene MSTN, responsável pela formação da miostatina, que limita o crescimento muscular... (Hardy faz cara de paisagem, a moça apanha uma barra de ferro entorta)...faz com que eu desenvolva o dobro de massa muscular normal.
 
     A TELA ESCURECE.
 
     - Nigel é confrontado por um HOMEM.
 
     HOMEM: Você confiou em Hardy. Agora temos informações secretas na cabeça de um foragido.
 
A TELA ESCURECE.
 
     - Hardy foge correndo de uma saraiva de balas.
 
A TELA ESCURECE.
 
     HARDY: O seu braço está quebrado!
 
     RAPAZ: Não se preocupe. Eu sofro de a analgesia congênita é uma síndrome na qual a pessoa não sente dor de jeito nenhum.
 
CARTÃO de TÍTULO >>
 
DOS MESMOS PRODUTORES DE THEY, DRAKE, THE DEVIL’S BAND e PSYCHO GIRLS.
 
     UMA SÉRIE de PLANOS RÁPIDOS: Fuga. Morte. Sangue. Gritos. Correria total.   CARTÃO de TÍTULO >>
 

UM SÉRIE DE L.F. D’OLIVEIRA




Compartilhar:

Postar um comentário

 
Copyright © WebTV | Design by OddThemes