The Devil's Band 1x01





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FADE IN: 

     Sobre o fundo negro, ouvimos o ESTRONDO de um trovão. 

 ABRE EM:

CENA 01. EXT. – CASA DE ESTHER BLAKE – NOITE/CHUVA:

     Legenda: Newcastle, Nordeste da Inglaterra. Dias atuais.

     ÂNGULO ALTO>> Um GUARDA-CHUVA aberto preenche a TELA. A chuva impiedosa açoita o tecido florido. Ele é fechado revelando ESTHER BLAKE vestida de enfermeira. Esguia. Cabelos longos. 25 anos. Abre a porta com a chave e entra... 

CORTA PARA: 

CENA 02. INT. – CASA DE ESTHER – SALA – NOITE DE CHUVA: 

     Quando vai fechá-la, o BICO de uma bota trava a porta. Ela se assusta e escora o corpo na porta para bloquear a passagem. ALGUÉM do lado de fora força a entrada. A porta é escancarada. Ela rola por cima do sofá e cai de cara ao chão. A CLARÃO de um relâmpago revela a SILHUETA de um HOMEM estacado à entrada. Veste capa de chuva e o capuz obscurece parte do rosto. Ele avança sobre ela. Esther se ergue, rodopia o guarda-chuva e o acerta em cheio na cabeça. Ela se adianta e salta o balcão que divide a sala da... 

COZINHA DE COPA AMERICANA    

     Ela derruba vários utensílios domésticos e cai ao chão. A MÃO dele sai de dentro de um dos vãos da armação do balcão e a puxa pelos cabelos. Ela grita e faz força para escapar. Solta uma careta de dor quando a nuca fica presa contra o vão, de onde escorre uma linha de sangue. 

ESTHER: Socorro! Alguém me ajude! 

     A MÃO dela tateia o chão em busca de uma tesoura de carne. Ela alcança a tesoura e perfura o peito da mão dele, mas, ele não solta. Esther leva a tesoura à nuca e corta o rabo de cavalo. O tranco faz com que ele role ao chão. Ela foge para o... 

CORREDOR 

     Desesperada, tropeça nas pernas. Sobe as escadas engatinhado. Para no topo e continuar a correr ao ver que o homem ainda a segue. Ela entra no... 

QUARTO

     Onde, corre à janela, levanto o tampo e desce pela... 

ARMAÇÃO DE MADEIRA PARA PLANTAS PREGADA À LATERAL DA CASA    

     Quando acaba de descer, olha ao alto sentido à janela e não vê ninguém. Ao se virar para fugir, arregala os OLHOS. Já é tarde. Ela leva uma pancada na cabeça. 

FADE TO BLACK:

FADE IN:

CENA 03. – INT. – CASA DE ESTHER – GARAGEM – NOITE CHUVOSA: 

     Uma LUZ DESFOCA a visão da TELA. Gradualmente vai surgindo uma LÂMPADA pendendo contra o teto. Esther está nua amarrada e amordaçada com fitas silver tapes a uma maca. Se desespera quando VÊ que a cavidade abdominal está aberta e os órgãos internos expostos. Cortinas de plásticos foram erguidas em torno dela e sacos plásticos espalhados ao chão. Uma MÃO com luva de borracha abre uma fenda entre as cortinas. Surge um homem extremamente alto. Meia idade. Expressão cadavérica e cenho fechado. Ele é KRUULDRESHBASBA. Usa roupas plásticas com um avental de açougueiro e capacete semiaberto de escudo transparente para rosto. A moça chora abafado e lágrimas escorrem pelas laterais de seu rosto. 

KRUULDRESHBASBA: Zhiu! Galma carota. Focê zofreu uma Labarotomia (laparotomia), izzo non é um prática rezende, fem da andiguitate, mas deve crante expanson no zéculo finte. Focê non fai morrer, ainta. (suspira) Me zinto fifo te nofo. 

     Kruuldreshbasba ri, abre um estojo porta facas e levanta a manta interna revelando diversos tipos de facas. 

KRUULDRESHBASBA: Zentia valta de gaminhar no crama, gaminhar no galzada. Quando griança, habitaçon bobre, humilte, zem água, zem luxa. Dey piçava no crama, e mama tizia: non piça no minha crama, facapunto! E focê lembra a mama. 

     Ele apanha uma faca, traz para perto do rosto e analisa a lâmina da arma.  

KRUULDRESHBASBA: Mas, dey otiava a mama. 

     CLOSE na Faca indo em direção aos olhos de Esther. 

FADE TO BLACK:

   

 

     
   
 
1x01 - THE BALLAD OF THE INQUISTOR
SIDE A | TRACK 1
     
 

FADE IN: 

CENA 04. INT. – CASA DE ESTHER – GARAGEM – MADRUGADA: 

     Abre na IMAGEM de Esther morta, toda retalhada e presa a uma cruz invertida. O sangue escorrendo do seu pescoço formou uma imensa possa de sangue. Num PLANO de SOBREPOSIÇÃO na mesma cena, o corpo de Esther vai DESAPARECENDO gradualmente e na mesma proporção vai SURGINDO uma EQUIPE de PERITOS CRIMINAIS. UNS examinam detalhadamente a cena do crime. Enquanto OUTROS coletam provas. Todos trabalham a todo vapor. FLASHES fotográficos são tirados. Uma MÃO acaba de fechar o zíper de uma lona de nylon preta ocultando o rosto de Esther. DOIS HOMENS removem o saco de transporte para cadáver...   

PASSAGEM DE TEMPO 

     Um dos peritos conhecido por STONE, vai até DEVILIN WHITE (personagem vivida pela atriz Zoe Saldana) e ERIC (personagem vivido pelo ator Michael Ealy), estacados na soleira da porta.

STONE (retira a máscara cirúrgica descartável): Tudo o que precisávamos já foi coletado. A cena do crime está liberada.

DEVILIN: Ótimo serviço, Stone.

     Eles se despedem. Stone sai acompanhado de sua equipe. Devilin e Eric entram. Ambos curiosos, olham em volta. Enquanto conversam tiram coisas do lugar, colocam de volta, abrem gavetas.

ERIC: Deve ter sido difícil para o namorado encontrar a namorada morta. (balança cabeça de forma inconformada) Tem maluco pra tudo.

DEVILIN: É. (respira fundo) Acho que deixaram abertas as portas do inferno.

ERIC: Sem testemunhas. Deixaram-na morta numa cruz invertida. (faz cara de quem parou para pensar) Será que tem a ver com alguma espécie de seita satânica?

DEVILIN (ri): No imaginário popular, sim. Mas, na verdade a cruz invertida é um dos símbolos da Igreja Católica. É conhecida como a cruz de São Pedro. (apanha um cigarro, acende, traga e bafora). Tem a ver com a decisão de Pedro, que não acreditava ser digno de ser crucificado como Jesus e pediu que fosse crucificado de cabeça-para-baixo.

ERIC: Então, possa ser que haja fundamento religioso por trás desse crime?

     Devilin – vacilação de olhar, traga outra vez, solta outra baforada e por fim faz que sim e que não com a cabeça.

DEVILIN: Na antiguidade, o sangue era muito importante nas religiões. No entendimento dos homens daquela época, era que o Todo Poderoso criou o mundo e uma série de leis básicas. Uma delas era: a absolvição do pecado individual. (pausa, outra baforada) Então, se pecasse, tinha que sacrificar um animal ritualisticamente para saldar o débito. Vísceras eram arrancadas e sangue era espalhado pelo corpo do sacrificante.

ERIC: É possível que o assassino encarava a vítima como um animal? E queria se livrar do seu pecado?

DEVILIN: Certamente. É como fosse um porco abatido e pendurado de ponta-cabeça num cabide para carnes. (pausa) Isso não tem só a ver com sacrificar, mas, também a ver com uma tortura fria. Porque dizem que o sofrimento de Pedro foi maior do que o do próprio Jesus, em questão de a morte ser de cabeça-para-baixo o fez viver por mais tempo em agonia. Sua respiração não foi sobrecarregada e o sangue continuou irrigando, irrigando, irrigando a cabeça por mais tempo

ERIC: Entendi. Quem matou Esther Blake queria vê-la agonizando. Estamos lidando com um torturador. (pausa) E a mídia já divulgou o crime na manchete dessa manhã.

DEVILIN: Eles são rápidos. (dá última tragada na bituca de cigarro, joga no chão e pisa) Uma onda de crimes estranhos vem acontecendo ultimamente por aqui, não acha, Eric?

     Eric confirma balançando a cabeça. Um SOM propaga no ar.

DEVILIN (saca uma arma): Escutou?

ERIC: Eu não ouvi nada.

     Devilin faz correr a cortina de plástico e aponta o revólver em várias direções. Não há nada atrás das cortinas. Caminha mais adiante, VÊ um armário, vai abrir a porta, mas, o celular TOCA. Ambos se assustam. Devilin desiste da ação, comporta a arma à linha traseira da cintura, coloca a mão dentro do bolso da calça, retira o celular e atende.

DEVILIN: Necroclean limpezas pós mortem. (pausa) Sim. Somos especializados na realização de limpeza de cena de crime, suicídio, homicídio e encontro de cadáver, putrefeito ou não. (pausa) É claro, atendemos residências, prédios, condomínios, hotéis, pousadas, pensões e empresas em geral. Ok. (pausa) Envia o endereço para o nosso e-mail no verso do cartão. Até.

     Devilin desliga o celular e o guarda novamente no bolso.

DEVILIN: Mais trabalho.

ERIC: Você, é louca!? Onde arrumou a arma?

DEVILIN (retorce os olhos): Hoje em dia, qualquer um consegue uma arma. E outra, às vezes pode haver um assassino maluco que retorna à cena do crime.

ERIC (balança a cabeça): Você mandou bemzão. Você é inteligente demais. Até parecia uma detetive. Você tinha que ser da polícia.

DEVILIN (ri): Eu não quero ser detetive, mas, quero ficar rica com isso, muito rica, quero nadar em dinheiro.  Mas, chega de conversa fiada. E vamos voltar à nossa realidade. Senão o Mahoney liga, nos acelerando, perguntando: (trejeito engraçado de Mahoney) Já terminaram a limpeza? E a gente nem terminou.

     Ambos caminham até a porta, abrem uma maleta, colocam macacões de segurança com o logo da Necroclean às costas, botas de PVC, luvas de vinil, toucas de TNT, máscaras descartáveis e óculos de proteção. Devilin abre outra maleta, essa contém um kit de limpeza: borrifadores, panos de camadas grossas, alvejantes, etc.

DEVILIN: Mãos a obras.

     Os dois começam a borrifar o local e inicia-se a limpeza.

CORTA PARA: 

CENA 05. EXT. – MAUSOLÉU – EM MOVIMENTO – AMANHECER: 

     Mausoléu é um Thunderbird Negro 1955. A PRIMEIRA APROXIMAÇÃO é na placa do carro: TDB-666. A CÂMERA DOLLY IN desliza suavemente o para-lamas, passa pelo farol brilhante, sobe a lateral da porta do motorista e ENQUADRA Damien guiando o veículo.

     INSERT - MUSIC: Steppenwolf – Born To Be Wild. 

CORTA PARA:

CENA 06. INT. – MAUSOLÉU – EM MOVIMENTO – AMANHECER:

     Ao lado de Damien está Cliff, que usa um chapéu coco. Nos bancos traseiros, estão Scott e Lenny. Lenny olha-se no espelho e joga uma mecha para o lado.

LENNY: Eu não aguento mais essa coisa de mudar a cor do meu cabelo. Uma ora a gente é banda de rock. Outra ora é boyband. Agora, banda emo, e de garagem. Era o que faltava.

DAMIEN (bravo): Você acha que eu gosto? Mas, é única forma de não chamarmos atenção. Não é mesmo Scott?

     Scott geme algo, sempre com o cigarro amassado e nebuloso na boca e faz que sim com a cabeça.

CLIFF: A ilusão mística ainda faz com que vocês se pareçam homens para os mortais. E eu que pareço com uma garota. (pausa) Todos conseguiram desenvolver suas capacidades sobre-humanas. Quanto mais praticam mais forte ficam. (tira o chapéu) Eu consegui apenas desenvolver um par de chifres.

LENNY: Você sabe que quanto menos se dedicar à caçada se transforma num demônio.

CLIFF: E nem ao menos os chifres são invisíveis aos olhos humanos. Sem contar os chifres e as não-habilidades. Olhando pra mim e pra vocês: usamos as mesmas roupas desde a época que morremos e ainda somos a mesma merda.

LENNY: É, mas, em questão de merda, só fale por si próprio que se borrou todo no acidente de avião.

CLIFF: Vai à merda! Isso já faz 52 anos.

DAMIEN: É. Faz 52 anos que nós estamos nessa merda.

     Os demais esboçam tristeza no rosto. Os olhos de Cliff enchem de lágrimas.

DAMIEN: E até parece que vocês se acostumaram com essa merda. (balança a cabeça com insatisfação) Após viajar o mundo, continuamos numa caçada sem fim e sem volta...

     Damien coloca a cabeça para fora e vislumbra a paisagem ao redor.

DAMIEN: Agora estamos de volta à nossa casa. Onde tudo começou. (balança a cabeça de novo) E o pouco tempo que estamos aqui, já deu para perceber que não há mais nada nos demais países e parece que os demônios restantes vieram todos para a Inglaterra. A cidade mais populosa. (pausa) E vieram para cá, porque: a repressão religiosa contra cristãos provocou na Inglaterra mais mortes de acusados de heresia do que em qualquer país da Europa. Quantos pecadores não devem estar em reencarnados aqui.

     Todos confirmam com a cabeça.    Lenny se inclina para frente, se aproxima do banco do motorista e coloca a mão sobre o ombro de Damien.

LENNY: Falta pouco, irmão. (pausa) Já caçamos 457.

CLIFF: É. Só faltam 209.

DAMIEN: Pau no cu! Vocês não percebem que cada vez eles ficam mais forte. Agora, só restou a elite. E o tempo que perdemos à caça-los, pois, esses desgraçados trocam de receptáculos como trocam de roupas. Isso se o relógio do tempo não reiniciar.

     Scott resmunga algo.

DAMIEN: Eu, pessimista? (esbofeteia o volante) Caçar 666 demônios, é pessimismo? Rodar um mundo gigante atrás desses filhos das putas, é pessimismo? Agora me diga onde entra: otimismo, aí?

     Um silêncio toma conta do veículo. Fica assim por um tempo, e Cliff quebra o gelo.

CLIFF (aponta para fora da janela): Chegamos. Conforme o jornal, aqui é o local onde o crime aconteceu.

CORTA PARA:

CENA 07. EXT. – CASA DE ESTHER – GRAMADO – AMANHECER:

     ÂNGULO visto de dentro da casa, através da janela. O Thunderbird estaciona. Os quatro saltam de dentro dele, atravessam o jardim e caminham em direção à porta.

CORTA PARA:

CENA 08. EXT. – CASA DE ESTHER – ENTRADA – AMANHECER:

     Cliff se adianta e estoura o vidro da janela com o cotovelo. Quando se vira orgulhoso do seu feito, dá de cara com Lenny, que está com a mão na maçaneta com a porta aberta.

LENNY: A porta está aberta. Mas, é uma besta mesmo.

     Cliff coça a nuca sem jeito. Damien e Scott riem. Todos se agacham e passam pelo cordão de isolamento.

CORTE DESCONTÍNUO:

CENA 09. INT. – CASA DE ESTHER – GARAGEM – AMANHECER: 

     Damien funga o ar. Nisso, surgem Cliff e Scott, que entram.

CLIFF: Há sinais de atividade demoníaca nesta casa. Abri algumas caixas de leite e todas estavam azedas. Todos alimentos da despensa e da geladeira, estragados.

DAMIEN (confirma com a cabeça): Sim. Há cheiro de enxofre e de rato morto no ar. Realmente um demônio esteve por aqui.

     Cliff mostra a Damien um pequeno frasco de vidro como aqueles de amostra de perfume, e há algo dentro dele.

CLIFF: Tinha uma imperceptível partícula de sangue na armação quadriculada da copa da entrada, fiz a raspagem e coletei pra gente. (pausa) Scott usou o isqueiro, pela luminosidade ectospectral, certamente foi um crime cometido por um demônio.

     LEGENDA: Ectospectral: substância visível considerada capaz de produzir materialização de um demônio.

DAMIEN: A luminosidade estava negra?

CLIFF: Não, estava escurecendo ainda.

LENNY: Droga! Ainda não dá para usar para localizá-lo.

DAMIEN (balança a cabeça): Vai levar um tempo. Mas, até lá, ele já terá feito uma nova vítima.

CLIFF: O jornal não detalhou a morte da vítima, apenas que foi encontrada numa cruz invertida. Vou ver se há algo parecido com isso.

     Cliff folheia, folheia e folheia. Lenny se enche.

LENNY: Conseguiu encontrar algo?

     Cliff faz que não.

LENNY: Só você consegue lê-lo e ainda não aprendeu a mexer nessa merda.

LUCY (fora da tela): Bonjour, mes enfants!

     LEGENDA: Olá, minhas crianças!

     Cliff dá um salto para trás, cai de bumbum no chão e aperta a mão contra o peito para controlar a respiração.

CLIFF: Aí que susto do caralho! Odeio quando você faz isso. Você não pode usar a porta como uma pessoa normal? (levanta-se) Quer me matar?

     Lucy está parada diante da janela (só que nesta cena quem dá luz a personagem é a atriz Alexis Bledel). Ela traja um curto vestido vermelho de viscose em elastano e sapatos de saltos igualmente vermelhos.

LUCY (se vira): Comment allez-vous chasser?

     LEGENDA: Como vai a caçada?

CLIFF (rindo): Que chique o diabo fala francês.

     Damien rasga Cliff com o olhar. Ele disfarça, assobia e olha ao redor. Lenny fita Lucy dos pés à cabeça e faz com a boca: Fiuzzzzz!

LENNY: Gostei dessa sua versão menos rodada.

LUCY: Só que não é pro seu bico.

     Agora Damien encara Lenny.

LENNY (lança um olhar confuso): O que foi?

     Damien volta atenção à Lucy e aperta os punhos.

DAMIEN (bravo): Já que você veio até aqui. Por que você mesma não caça?

LUCY: Damien! Damien! Damien! Quanta raiva! Tanto ódio no coração faz mal pra alma. (pausa) Vim aqui, porque esse palerma raramente consegue ler esse livro.

DAMIEN: Você mente pra diabo. Sinto que você pode caçar esses demônios, mas, não quer. Se diverte à nossa custa.

LUCY: Estou aqui para auxiliar vocês, mas, não para cumprir a missão de vocês. (com voz ensaiada) Quando tudo parecer perdido, procure o que reflete o que são e aquilo que mais desejam...

LENNY: E?

     Lucy caminha pela sala, dá a volta em torno de um armário, Cliff a segue e dá com a cara na parede.

CLIFF (cobre o nariz com mão): Ah! Eu a odeio. A vagabunda desapareceu como sempre. Odeio essas charadas.

     Damien faz cara de quem está pensando.

DAMIEN: Se o demônio torturou Esther até morrer é evidente que ele seja um executor... (pausa) E se é um executor, o que ele mais deseja é executar as vítimas.

     Cliff folheia algumas páginas do livro, fixa os olhos em uma delas e LÊ em VOZ alta:
 

DAMIEN: Possui fraquezas, esse demônio de classe Cruciatu?

CLIFF: Não, nenhuma anotação sobre elas.

DAMIEN (para Scott): Consegue localizar esse demônio com o campo de observação da dupla vista?

     LEGENDA: Campo de Observação (dubla vista): Radar que tem a capacidade de perceber, memorizar e analisar as ondas cerebrais de um demônio ou qualquer ser.

LENNY: É muito difícil utilizar a dubla vista: sem ter feito contato ou ao menos ter visto o demônio pelo menos uma vez.

     O SOM de BUZINA propaga no ar.

CLIFF: É o Mausoléu nos alertando de algo.

     Cliff se adianta e espia através da janela.

PONTO DE VISTA DE CLIFF

     Um HOMEN trajado num terno, segura uma placa na mão enquanto anda pelo gramado.

CLIFF (fora da tela): Pela roupa é bem provável que seja corretor de imóveis

     O homem vai até o centro do gramado, estaca o suporte da placa à terra e nela há os dizeres: À Venda. Depois o homem caminha em direção a casa.

VOLTA À CENA

CLIFF: Galera, vamos sair pelo fundo.

     Todos vão.

CORTE DESCONTÍNUO:

CENA 10. EXT. – CASA DE ESTHER – DIA: 

     Os rapazes acabam de entrar no veículo e o carro sai cantando pneu. No outro lado da rua, na calçada. Um homem chamado: MICHAEL (o ator que dá vida ao personagem é Jeff Bridges) fica observando a partida deles. Ele traja chapéu e botas de caubói, enfurnando num sobretudo. Carrega também uma capa com violão às costas e alçado na diagonal ao peito. Michael está mascando fumo e depois cospe ao chão. Quando o ÂNGULO vai atingir CLOSE do seu rosto, ele abandona a CENA.

CORTA PARA:

CENA 11. INT. – LONG PLAY CAFÉ – DIA:

     SANDRA e REBA MACCARTNEY cruzam a porta do estabelecimento. Mãe e filha estão de mãos dadas. A menina de nove anos se mostra bastante animada. A mãe por volta dos 40, sorri com a animação da filha. O lugar está bastante preenchido. Pessoas devoram suas panquecas e tomam os seus cafés.

SANDRA: Escolhe uma mesa, querida.

REBA (procura e aponta): Quero aquele banco próximo à janela.

     Reba se separa da mãe e corre para a mesa. Sandra sorri e segue para o balcão de atendimento. Reba senta-se à mesa e começa a fuçar no celular. No PLANO DE PERFIL de Reba em HALO DESFOCADO, é possível VER através da VITRINE, em SEGUNDO PLANO >> Damien, Lenny, Scott e Cliff, saírem de um beco, caminham no outro lado da calçada e somem do QUADRO. Reba para de fazer o que estava fazendo e passa a olhar para o ar. Algo chama a atenção dela, mas, não vemos o que é. CÂMERA TRAVELLING >> em Sandra que segura uma bandeja e caminha até à mesa.

SANDRA: Trouxe waffles com calda de caramelo seu preferido.

     Quando Sandra dá por si e concentra o olhar na filha, percebe que Reba treme ao mesmo que tem expressão abobada e fixa para o ar. Sandra derruba a bandeja e corre até a menina.

SANDRA (segura firme nos ombros de Reba): O que foi querida?

     A menina não responde e continua a fixar o ar. Sandra chacoalha a filha.

SANDRA (desesperada grita): Fala comigo, meu amor!

     A histeria de Sandra desperta a curiosidade de alguns CLIENTES. E uma FUNCIONÁRIA corre até as duas.

         CORTA PARA:

CENA 12. EXT. – PLANO GERAL DE UM PRÉDIO ABANDONADO – TARDE: 

FUSÃO PARA:

CENA 13. INT. – QG DA BANDA – TARDE: 

     É um quarto de um dos apartamentos no edifício abandonado. As paredes quase sem cor devido à ação do tempo, duas janelas com venezianas carcomidas, situadas na parede oposta à porta. O teto no qual há um lustre luxuoso, mas, empoeirado. Num canto, estão Lenny com a guitarra, Scott com o baixo e Cliff na bateria. Eles fazem uma passagem de som. Cliff interrompe.

CLIFF: Vamos ficar horas fazendo jams?

LENNY: Até chegarmos ao som exato.

CLIFF: Tocar a mesma música vai agilizar o nosso processo de passar o som?

LENNY: Vamos estar familiarizado com o som que aquela música deve ter do palco, o que vai nos fazer ajustar os equipamentos na velocidade da luz.

     Cliff assente. Scott aponta para o outro lado da sala. À frente deles, uma TEVÊ antiga com imagem em preto e branco sobre uma cômoda velha. Lenny vai até ela e aumenta o volume. A Tevê preenche a TELA. Nela uma JORNALISTA fala atrás de uma bancada.

JORNALISTA: Na manhã de hoje, horas após ao assassinato da enfermeira Esther Blake...   

     No telão atrás da repórter aparece a imagem de Esther Blake.

REPÓRTER: A polícia chegou a confirmação do DNA do assassino. Trata-se de um sargento reformado do exército. Shelton Davis foi preso nessa manhã, quando tomava café da manhã com família. Shelton Davis alega inocência.

     A imagem de Shelton surge no telão. Ele desce a escadaria de um tribunal, acompanhado de HOMEM trajado de terno fino, possivelmente o advogado. Quando é abortado por uma repórter, ele para na escadaria e é entrevistado por ela.

SHELTON (olha para câmera com cara de piedade): Não faça isso comigo, gente. Eu tenho família. (chora copiosamente)  Como um homem na minha idade, com quase 70 anos, faria algo com uma moça vigorosa e com praticamente cinquenta anos mais jovem do que eu?

     Imagem de Shelton Davis congela.

JORNALISTA: Os motivos que levaram Shelton Davis a assassinar a enfermeira, ainda permanece um mistério. Mas, não para por aí. Ele está enfrentando também sérias acusações de violência doméstica, após ter sido preso, um dos filhos do casal Davis denunciou o pai... (a moça agrupa alguns papeis e bate contra a mesa) ...Teremos mais notícia no jornal da noite.

LENNY: Uma hora dessas Kruuldreshbasba já deve ter possuído outro receptáculo.

     Surge Damien com um notebook em mãos vindo de outro cômodo do apartamento.

DAMIEN: Chequei os antecedentes da enfermeira para se certificar das reais intenções do demônio. (pausa) Esther Blake não era flor que se cheira. Há várias queixas contra ela de violência contra idosos. Se mudou a pouco tempo para Newcastle. Mas, antes disso, morava em Bolsover, se chamava Gloria Stern, trabalhava num asilo, onde maltratava e torturava velhinhos.

CLIFF: Esta é a ligação entre eles.

LENNY: Foi o que atraiu Kruuldreshbasba até ela.

DAMIEN: Invadi o servidor da polícia pela deep web. E fiz um levantamento geográfico de alguns possíveis torturadores com base em coordenadas. Em cima disso criei um plano de contingência para neutralizar a ação demônio.

LENNY: Mas, a polícia não vai nos rastrear por causa do IP da máquina?

DAMIEN: Não, estou usando o Wi-Fi público da cidade. Como geralmente é compartilhado por centenas de usuários por dia, está basicamente irrastreável.

CLIFF: Damien, você é um poço de inteligência.

DAMIEN: Não podemos dormir. Não podemos comer. Temos que ocupar nosso tempo livre com conhecimento. (pausa) Enquanto o sangue espectral não fica pronto, vamos nos dividir e visitar essas pessoas e garantir a segurança delas.

CORTA PARA:

CENA 14. EXT. – VISTAS ÀREAS DE NEWCASTLE – TARDE: 

     Em tomadas rápidas ENTREVEMOS alguns pontos de interesse da cidade: O monumento de Grey, que consiste em uma estátua de Lord Grey no topo de uma coluna de 40 metros de altura; A principesca ponte do Tyne na sua forma arqueada, incrustada sobre o rio Tyne que liga Newcastle à Gateshead; e o Beamish Museum, um museu a céu aberto da era vitoriana.  

     INSERT MUSIC: The Box Tops - The Letter  

CORTA PARA:

CENA 12. INT. – APARTAMENTO DE DEVILIN – QUARTO – TARDE:  

     Devilin e Eric acabam de fazer amor. Cada um deita de um lado da cama e olham para o teto. Corpos suados e cobertos com o lençol. Eric vira-se para Devilin, apoia o cotovelo no travesseiro e recosta a cabeça na palma da mão.

ERIC: Devilin, eu quero que você seja a minha namorada

DEVILIN (retorce os olhos): De novo com essa história. Já conversamos sobre isso. Gosto de ser livre. Eu sou sem rumo, sem paradeiro.

     Eric sem jeito confirma. Devilin o joga na cama e senta-se sobre ele.

DEVILIN (com cara de safada): A gente não pode ser apenas amigos e dar umazinha de vez em quando? Agora eu quero que você me coma.

ERIC (ri): O quê? Mais uma? Nós fizemos quatro vezes. (pausa) Você é insaciável.

     E recomeçam o que estavam fazendo. A CÂMERA se DESLOCA PANORAMICAMENTE do casal para a janela, o céu MUDA de dia para NOITE. 

CORTE DE CONTINUIDADE:

     A CÂMERA volta da janela para a cama do casal. Houve uma PASSAGEM DE TEMPO, é noite. ZOOM IN >> em Eric que dorme sozinho na cama. A CÂMERA ZOOM OUT com TRAVELLING vai se afastando dele, da cama, tomando distância até incluir Devilin no quadro. Uma luz azul reflete no rosto dela. MUDANÇA de PLANO >> OUTRO ÂNGULO de Devilin, ela está sentada de pernas cruzadas numa cadeira reclinável diante à tela de um computador. Ela está de babylook e calcinha. Os DEDOS dela dedilham algumas informações no teclado. Devilin apanha um anel de cebola empanada, coloca de uma vez na boca e mastiga de boca aberta, faz com que uma camada de gordura se se espalhe em volta da boca. O QUADRO se abre, jogadas sobre a escrivaninha há vários tipos de embalagens como: caixas de pizzas, papéis de chocolate, balde de frango, caixas de comida chinesa e pacotes de bala. A CABEÇA de Eric entra em quadro e beija o pescoço de Devilin.

DEVILIN: Já estava na hora, hem dorminhoco!

ERIC: Caraca! Não vai me dizer que você comeu tudo isso?

     Devilin faz que sim.

ERIC: E eu que pensava que era eu quem comia muito. Nossa, você é gulosa!

     Eric apoia as mãos nas costas da cadeira, inclina a lateral da cabeça encostando na dela e passa a ler o monitor.

DEVILIN: EEEEh! Enxerido!

ERIC: O que é isso?

DEVILIN: É meu blog.

ERIC (ri): Você tem um blog?

DEVILIN: Por acaso é crime ter um blog?

ERIC: Não. É que você não tem cara de blogueira.

DEVILIN (vira-se para ele): Então, eu só tenho cara de puta pra você me comer?

ERIC: Wow! Calma lá! Não foi isso que eu quis dizer.

DEVILIN (volta-se para o computador): Nossa, tem hora que você me estressa!

     Eric move os lábios como se estivesse lendo o conteúdo da tela.

ERIC: É sobre o quê?

DEVILIN: Mistérios inexplicáveis.

     Eric faz cara de paisagem.

DEVILIN: Eu investigo alguns locais em buscas de fatos estranhos ou de ordem sobrenatural.

ERIC (bate nas costas dela): Falô, Dean Winchester!

DEVILIN: Para de ser bobo.

     Devilin vira a tela para Eric. Há uma imagem com quatro pessoas, parece ser três rapazes e uma moça. Mas, não dá tempo de ver direito, pois, Devilin traz a tela de volta ao campo de visão dela.

DEVILIN: Esta banda, The British Boys, era uma banda de rock incrível... (faz cara de decepção) ...hoje em dia é uma espécie de boy band inglesa. Estão na ativa até hoje, mesmo 54 anos depois que os integrantes originais da banda morreram num desastre de avião, porém, fora da mídia. Preferem tocar em barzinhos sem chamar muita atenção. Não dão e nem gravam entrevistas. Não sabemos nada sobre a vida pessoal deles. Muito menos quem é o seu empresário. A cada ano que passa a banda sofre uma troca de membros. Até os nomes dos integrantes antigos são mantidos, não sei bem o porquê, mas, onde quer que passem acontece um evento de morte pseudo satânica ou de ordem sobrenatural.

ERIC: Como assim?

DEVILIN: Eles chegaram aqui a pouco tempo. (faz cara de quem pensa) Por volta de três meses. Sem contar a morte muito estranha de Esther Blake, houve outros três casos de mortes estranhas no país. Teve uma senhora em Bolsover, no interior da Inglaterra, que jura de pés juntos que lá há: A Igreja de Satanás, foi rápida ao se pronunciar que os supostos satanistas de Bolsover estariam mentindo sobre seu posicionamento religioso. Os responsáveis por essa igreja disseram que não existe nenhum membro realmente satanista.

     Eric faz o sinal da cruz. Devilin gargalha.

DEVILIN: Aposto e ganho que há muita possibilidade dessa banda tocar nessa cidade. Porque, eles fizeram uma turnê por alguns país, inclusive no Brasil, no senado do Palácio do Planalto... (pausa) ...e os mesmos eventos aconteceram. 

ERIC: Então, foi isso que te atraiu à Inglaterra?

DEVILIN: Claro que não.

ERIC: Uma série de assassinatos estranhos e você chegou a pouco tempo a Newcastle. (ri) Se eu fosse você, voltaria de onde você saiu

DEVILIN: Eu? Eu que não volto ao Brasil. Lá é muito quente, parece o inferno. (ri e suspira) As únicas coisas verdadeiramente boas, lá naquele lugar foram: o Nilo Rodrigues... (revira os olhos) ...um jornalista que eu conheci e que me ensinou várias técnicas de investigações. (se abana de calor) É claro, o Mandrake Pub.

     Devilin ri, depois estômago dela RONCA e ela aperta a mão contra a barriga.

DEVILIN: Acho que ainda estou com fome.

CORTA PARA:

CENA 13. INT. – ESCRITÓRIO DE LUCY – TEMPO INDETERMINADO:

     Lucy está sentada na poltrona e lê o livro: Anjos e Demônios de Dan Brown. Ela está metida num vestido longo branco, modelo em tricô, decote reto e com alças fixas. Balança a cabeça negativamente e vira a página. Balança a cabeça outra vez e vira mais uma vez a página. Balança mais uma vez a cabeça, cobre a mão com a boca e enfurecida fecha o livro em um bater de palmas. 

LUCY: Quanta baboseira!

     Alguém bate à porta. Ela é aberta. E aparece Marie Claire segurando uma bandeja.

MARIE CLAIRE: Olá! Seu chá de garra de diabo!

LUCY: Nossa, menina! Como você demora!

     Lucy apanha xícara de chá da bandeja de Marie Claire e dá uma golada profunda.

LUCY: Perfeito!

     Marie Claire se enche de orgulho e solta uma risadinha.

LUCY: Não fica animadinha, convencida. Entre dez acertos você erra onze. (beberica) Os rapazes tiveram algum progresso?

MARIE CLAIRE: Já descobriram o nome do demônio.

LUCY: Esses são os meus meninos! Não vejo o momento de ouvir o meu mais novo sucesso.

CORTA PARA:

CENA 14. EXT. – PRÉDIO DE APARTAMENTOS – BECO – NOITE: 

     Lenny e Cliff, dobram a esquina e caminham pelo beco. Ambos param diante de uma escada de incêndio, que dá acesso às janelas laterais do prédio. Lenny encara Cliff. 

LENNY: É aqui mesmo o endereço? 

CLIFF: Pela quarta vez: sim. É a janela do terceiro andar.

LENNY: Não é mais fácil batermos na porta em vez de entramos furtivamente pela janela?

CLIFF: Não. Uma hora dessas Kruuldreshbasba já pode estar torturando a vítima.

     Lenny balança a cabeça de forma indignada, puxa a escada retrátil para baixo, quando vai subir, Cliff o empurra e sobe primeiro na frente.

LENNY: (subindo depois): Desculpe, primeiro as damas.

     Cliff alcança a varanda do terceiro andar e espia dentro da janela. No apartamento, é possível VER um HOMEM nu amordaçado e amarrado a uma cadeira de madeira.

CLIFF: Demônio sem vergonha e tarado! Tem um homem nu amarrado numa cadeira!

     Lenny surge por detrás de Cliff. Pela janela, VEMOS um TRAVESTI de cabelos ruivos vestido de Dominatrix com roupas em látex preto. Ele segura um chicote e está parado diante do homem nu.

LENNY: Puta que me pariu! Que demônio feio da desgraça!

APARTAMENTO DO DOMINATRIX – SALA

     O Dominatrix levanta o chicote à altura da cabeça pronto para descer contra o homem. Cliff e Lenny, quebram a vidraça e rolam para dentro. O travesti solta um grito histérico e chora.

CLIFF: Tape os ouvidos, talvez o grito dele nos derrube.

     Ambos tampam os ouvidos. O Dominatrix muito assustado coloca a mão sobre o peito para se acalmar do susto.

DOMINATRIX: Quem são vocês? E o querem?

CLIFF (para Lenny): Ele não parece tão perigoso. Solte o homem enquanto eu dou um jeito nele. Não sei porque, mas, esse não tá me dando medo.

     Lenny desamarra o homem que se esperneia amordaçado, enquanto Cliff vai até ao Dominatrix. Para diante dele e o encara da cabeça aos pés, pois, o travesti tem o dobro do tamanho dele.

CLIFF: Desce aqui que eu quero enfiar a mão na sua cara!

     O Dominatrix faz que não.

CLIFF: Ah, é?

     Cliff toma o chicote da mão dele e começa a chicoteá-lo. O travesti se esgoela enquanto corre por todo o cômodo derrubando coisas e cambaleando.

CLIFF: Toma! Toma! Toma! Você não vai torturar aquele pobre homem.

LENNY (desamarrando): Isso, Cliff! Mete o sarrafo no desgraçado!

     Por sua vez, o Dominatrix se cansa de apanhar, segura o chicote e arranca de Cliff.

DOMINATRIX (prende o cabelo com elástico): Agora você vai ver o que é bom pra tosse, bebê!

     O travesti joga o chicote ao chão, olha para uma mesinha, onde há diversos apetrechos sexuais, escolhe um baita pênis de borracha e com ele acerta um golpe bem na boca de Cliff, os óculos de vista dele chegam a ficar tortos. Ele faz cara de nojo e cospe ao chão. O travesti salta em cima de Cliff e ambos rodam pela sala numa disputa engraçada. Cada um puxa o objeto para um lado e para outro.

CLIFF: Me dá essa rola, caralho!

DOMINATRIX: Essa rola é minha!

     Ficam nessa disputa por um tempo, por fim, os dois acabam por estatelar no chão. O Dominatrix sobe por cima de Cliff, e investe no objeto como se fosse uma faca. Cliff faz força para impedir o golpe, o objeto se aproxima de seu rosto.

CLIFF: Socorro, Lenny! Ele vai me matar com a rola!

     Os olhos de Cliff saltam às órbitas, pois, o objeto se aproxima dele.

DOMINATRIX: Bebê, eu vou te matar sufocado com essa coisa! Você vai ter que engolir tudinho!

CLIFF: Se apresse, Lenny!

     Cliff apanha um enfeite de gesso caído ao chão e acerta em cheio a cabeça do travesti, que cambaleia atordoado para o lado. Cliff se levanta. Por fim, Lenny acaba de desamarrar o homem e tira a amordaça. O homem empurra Lenny e corre até o travesti.

HOMEM: Ele não estava me torturando. Eu paguei pelos seus serviços.

CLIFF: Pagou?

HOMEM (levanta o travesti pela cabeça): Tudo bem com você, Estrela de Fogo?

     Lenny vai até Cliff.

CLIFF (para Lenny): Estrela de Fogo? Quase morri com uma rolada.

LENNY (ri): Ia morrer da forma que sempre sonhou, né safado?

CLIFF (empurra Lenny): Vá à merda!

HOMEM: Saião daqui desgraçados!

     Lenny e Cliff se vão.

CLIFF (apanha um papel do bolso e verifica): Era o prédio de número 69... (coça a cabeça) ...e não 96.

LENNY: Viu onde nos meteu? Eu falei para olhar o endereço direitinho.

   CORTA PARA:

CENA 15. EXT. – PONTE DO TYNE – MANHÃ: 

     O sol se levantando ao fundo na ponte do Tyne. E os raios deixam um desenho do reflexo da ponte espelhado na superfície do rio Tyne. 

CORTA PARA:

CENA 16. INT. – QG DA BANDA – MANHÃ: 

     Damien e Scott, sentados no sofá. Damien tem um aspecto impaciente

DAMIEN (verifica o relógio de pulso): Eles estão demorando.

     Scott balança a cabeça e resmunga algo.

DAMIEN: Sim. Mas, já era para eles terem chegado.

     Lenny abre a porta, entra e a fecha. Damien e Scott vão até ele.

DAMIEN: Como foi?

LENNY: Fomos em alguns endereços, mas, boa parte deles não se encontram no país. E vocês como foram?

DAMIEN: Nada bem. Perdemos a noite sem nenhum resultado. E o Cliff?

LENNY: Então... (coça o nariz) ...fomos num endereço errado. E ele resolveu ir ao endereço correto sozinho... Você sabe... Ele quer porque quer impedir o processo transmôniaco de qualquer jeito.

DAMIEN: E você o deixou sozinho?

LENNY: Você sabe muito bem como ele.

DAMIEN: Sei. Ele só se mete em confusão. Eu te peço uma única coisa: pra ficar de olho nele.

LENNY: Poxa! Eu não sou babá. (pausa) E outra: é uma chance de ele fazer algo direito.

DAMIEN: Precisamos agir logo, pois, o noticiário divulgou que outro corpo foi encontrado pela polícia, nas mesmas condições ao de Esther Blake.

CORTA PARA:

CENA 17. EXT. – PRÉDIO DE DEVILIN – MANHÃ: 

     ÂNGULO BAIXO >> A CÂMERA desce do topo do prédio até Devilin e Eric estacados entre a portaria e a escadaria. Ambos se despedem com um beijo. Eric desce as escadas, vai embora e dobra a esquina no fim da calçada. Devilin lança o olhar fora da tela. 

NO OUTRO LADO DA RUA 

     Está o repórter MORGAN JEKYLL sentado numa HARLEY-DAVIDSON PANHEAD NEGRA 1955, arma o pezinho da moto e salta dela. Ele tem uma câmera fotográfica ao pescoço. Ele acena para ela, atravessa a rua distraído, um carro quase o atropela, desvia do veículo e vai até Devilin na...

ESCADARIA 

     Ele para diante dela.

MORGAN: Tudo bem com você?

DEVILIN: Antes de você aparecer eu estava bem.

MORGAN: Nossa, eu quase fui atropelado!

DEVILIN: Pena que o motorista não tenha uma boa mira.

MORGAN: Tem mais alguma coisa pra mim?

DEVILIN: Tenho uma faca afiada dentro da gaveta. Você quer?

MORGAN: Infelizmente vou ter que recusar a sua oferta.

DEVILIN (cruza os braços à altura do peito): Aposto que era você escondido no armário, ontem, lá na casa da Esther Blake.

MORGAN (dá de ombros): Sabe como é. Eu que gosto de notícia de primeira mão. (pausa) Pensei que pudéssemos ter uma manhã sadia de sexo.

DEVILIN: Como você eu não quero mais nada.

     Morgan se aproxima dela, faz cócegas na barriga dela e ela ri.

DEVILIN: Para seu idiota!

MORGAN (a segura pelo rosto): Eu sei que você me quer. Você não vive sem sexo.

     Morgan avança para beijá-la. Devilin vacila, mas, acaba cedendo aos encantos do rapaz e o beija lascivamente.

PERTO DALI

     Pela calçada, vem Eric, parece que resmunga algo como se tivesse esquecido alguma coisa, freia bruscamente, meneia a cabeça e volta o caminho.

ESCADARIA

     Devilin olha a máquina fotográfica ao peito de Morgan.

DEVILIN: Essa geringonça funciona?

MORGAN: Como é que é? Geringonça? Isto aqui é uma relíquia. Esta belezinha é uma câmera Flexaret vi automat de 1939, fabricada na Tchecoslováquia.

DEVILIN (se afastando para entrada e faz cara de safada): Huuum. Vem, aqui conhecer a minha Tchecoslováquia. (chama com o dedinho indicador) Vem tirar umas fotos de mim nua.

     Devilin roda a porta giratória e entra. Babando, Morgan dispara atrás dela.

     INSERT MUSIC: Cream - Sunshine Of Your Love

CORTA PARA:

CENA 18. EXT. – BECO PERTO AO LONG PLAY CAFÉ – MAIS TARDE: 

     Dois HOMENS muito suspeitos param na entrada. Antes de seguir, eles checam o movimento ao redor dele, e entram sorrateiramente no beco. Por fim, chegam ao Thunderbird estacionado próximo a uma caçamba de lixo. Um dos homens desliza a mão na lateral do veículo. 

HOMEM #1: Olha, que belezinha! Deve valer uma grana. 

     O homem #2 chacoalha a cabeça confirmando. 

HOMEM #2: Fica de vigia enquanto eu faço o trabalho.

     O homem #1 faz que sim, dá as costas ao amigo e observa entrada do beco. O homem #2 dá a volta no veículo, para de frente com o capô, faz força, mas, não consegue abrir. Ele tira uma pé-de-cabra escondido atrás da cintura, força o capô e por fim, surge a brecha. Ele levanta, coloca a tala reclinável para sustentar o capô e depois regala os olhos.

HOMEM: Q-U-E P-O-R-R-A É E-S-T-A?

PONTA DE VISTA DO HOMEMM #2

     Onde deveria ser o motor, tem um SISTEMA DIGESTIVO. E justamente no lugar onde era para ser o carburador há algo equivalente a um CORAÇÃO, pois, pulsa igual a um. As MANGUEIRAS bombeiam sangue a todo vapor.

VOLTA À CENA

     Homem #1 sem sair do seu posto pergunta:

HOMEM #1: Há algo errado?

HOMEM #2: Irmão, nunca vi nada igual antes.

     OUVIMOS o SOM de MOTOR acelerando. De repente, o capô se fecha com a metade do homem #2 dentro. Ele grita e esperneia de dor. O homem #1 corre para ajudá-lo. De dentro do suposto motor, esguicha sangue com carne triturada e lava o homem #1. Inutilmente ele puxa o comparsa pelas pernas, que é engolido para dentro do capô, até sobrar nas mãos dois pares de botas. O capô se fecha com força. Homem #1 fica petrificado olhando para o veículo. O disparo frenético da BUZINA e o FARÓIS que acedem, faz com que o homem fuja desnorteado com as botas nas mãos.

CORTA PARA:

CENA 19. EXT. – AOS REDORES DE QUAYSIDE – MAIS TARDE:

     TRAVELLING >> em Cliff andando por uma calçada. 

PONTO DE VISTA DE UMA MÁQUINA FOTOGRÁFICA. 

     Vários flashes são tirados de Cliff ao som de um obturador.

VOLTA À CENA

     TRAVELING >> em Cliff que passa em frente ao Long Play Cafe. Para à margem da calçada próximo à faixa de pedestres e espera o SINAL ficar verde.

MAIS ATRÁS

     Na calçada oposta, está Morgan. Ele tem em mãos a câmera fotográfica. De repente uma FOTOGRAFIA se materializa na mão dele.

DETALHE DA FOTO

     É a foto de Cliff. No centro do corpo dele há uma massa negra envolto de uma aura avermelhada com uma luz azul.

VOLTA À CENA

MORGAN: Era o que eu imaginava.

     Bate a foto na palma da mão e sai.

MAIS À FRENTE

     Cliff atravessa a rua até a calçada oposta. Quando vai dobrar a esquina para entrar no...

BECO

     Cliff arregala olhos, corre, chega até o veículo, crava as mãos nos cabelos e golpeia o ar. Várias linhas de sangue escorrem do capô, passam pelo para-lamas e forma uma poça de sangue no chão.

CLIFF: Mas, que droga, Mausoléu! O que foi o que você fez?

     Cliff chuta o pneu do carro, a porta de motorista abre sozinha, bate em Cliff e ele cai de bunda ao chão.

CLIFF: Mas, que filho da puta!

     O carro da ré, dá meia volta, queima os pneus e some no fim do beco.

CLIFF: Caralho! Como esse carro é sensível. O Damien vai me matar.

CORTA PARA:

CENA 20. INT. - ROYAL VICTORIA INFIRMARY – CONSULTÓRIO – TARDE: 

     O rosto de Reba preenche a TELA. Uma MÃO passa uma caneta, para lá e para cá em frente aos olhos dela. Mas, a menina permanece com um olhar imóvel e distante. O QUADRO se abre revelando Reba sentada numa maca, diante dela estão a mãe e o Dr. NICK EVANS. 

PASSAGEM DE TEMPO

     O Dr. Nick está atrás de sua mesa e Sandra sentada numa cadeira de frente com ele. Ela segura um lenço e tem os olhos vermelhos.

DR. NICK: Você disse que esse episódio começou ontem de manhã?

SANDRA: Sim. Fomos tomar café da manhã fora.

DR. NICK: Nada fora do normal aconteceu antes?

SANDRA: Não que eu saiba.

DR. NICK: Algo recente que poderia deixa-la nesse estado?

SANDRA (escorre a mão pelos cabelos): O pai... (pausa) Faz um mês que nos deixou.

     O Dr. Nick balança a cabeça compreendendo a informação.

DR. NICK: Vou traçar um diagnóstico de autismo tardio.

SANDRA (indignada): Como assim autismo?

DR. NICK: Sra. MacCartney, este diagnóstico obedece a três critérios centrais, que são: socialização, comunicação e comportamento.

SANDRA: Mas, ela já está com nove anos, ouvi dizer que esses sintomas são detectados na infância. E Reba é rodeada de amigos, sem maiores problemas de ordem geral, o mais provável é que não se trate de autismo.

DR. NICK: Sim, te entendo, Sra. MacCartney. Mas, tenho pacientes adultos diagnosticado com autismo, porque na infância escaparam da rede diagnóstica por serem autistas de alto funcionamento. (pausa) Mas, há também quadros de stress elevado, que desenvolve alterações comportamentais, e quadros agudos de ansiedade podem facilmente ser confundidos com autismo, cujo envolva episódios traumáticos como: ter sofrido maus tratos...

     Sandra fulmina o médico, em razão da última colocação. O doutor continua.

DR. NICK: ...Mas, a perda de um dos pais, ou qualquer outra situação que justifique uma possível situação-limite.

     Sandra transmite um ar mais aliviado.

DR. NICK: Aquele sinal no peito esquerdo de Reba, é autoinfligido? Parece a letra “A” riscada com faca no peito.

SANDRA: Não, não, é de nascença.

DR. NICK: É que me pareceu recente.

SANDRA (sorri forçado): Mas, não é.

Sandra olha para trás, ao fundo.

PONTA DE VISTA DE SANDRA

     Reba está sentada numa poltrona com o olhar absorto ao ar. FECHA na menina.

CORTA PARA:

CENA 21. INT. – QG DA BANDA – TARDE: 

     O CORTE é feito direto no rosto de Cliff já falando.

CLIFF (coça a nuca e enrola para falar): Tem um probleminha... (ri sem jeito) ...O Mausoléu comeu um cara e depois fugiu.

     Os quatro estão de pé no centro da sala.

DAMIEN: Caralho! Quem esqueceu de alimentá-lo?

CLIFF (fala de forma fingida): Não era minha vez.

LENNY: Nem a minha.

     Todos olham para Scott que resmunga algo parecido com: “Também não era a minha vez”.

DAMIEN: Então, estou ficando louco? Era minha vez? Depois eu cuido disso.

LENNY: Foi ideia sua fundir a estrutura molecular daquele demônio com o Thunderbird.

     Damien balança a cabeça de forma indignada.

LENNY: O sangue do demônio já está no ponto!

DAMIEN: Ok. Vamos tentar o pêndulo.

     Todos vão a caminho de uma mesa. Damien tira do bolso um PÊNDULO puntiforme de cristal negro preso a uma corrente extensível. Lenny passa o frasco com o sangue do demônio para Damien. E ele embebece a ponta do objeto no sangue negro e viscoso.

DAMIEN: Cliff, o mapa!

     Cliff vai até uma cômoda, abre uma gaveta e volta com o mapa em mãos. Os demais abrem espaço para Cliff e ele estira o mapa sobre a mesa. Damien posiciona o pêndulo ao ar alguns centímetros acima do mapa. O pêndulo oscila em torno de um ponto fixo. A ponta executa movimentos alternados em torno da posição central do mapa, até buscar uma posição de equilíbrio.

DAMIEN (aponta no mapa): Aqui neste ponto há a localização de um distúrbio místico.

LENNY: Sem o Mausoléu como é que a gente vai chegar lá antes que o demônio fuja para outro lugar?

     A CÂMERA fecha no rosto de Cliff. 

CORTA PARA:

CENA 22. INT – CARRO – EM MOVIMENTO – POUCO MINUTOS DEPOIS: 

     O carro anda devagar quase parando. Um SENHOR de idade está ao volante. Cliff no banco de passageiro. Sentados ao fundo, espremidos, estão Damien, Lenny e Scott. Os três de cara amarrada. Cliff olha para trás e sorri para os rapazes. Os três fazem careta para ele. Sem graça, Cliff vira para frente. 

LENNY: Ótima ideia a sua: chamar um Uber!

CORTA PARA:

CENA 23. INT. – NECROCLEAN – BANHEIRO – TARDE:

     Um MÃO gira um registro. O CHUVEIRO esguicha um jato d’água. O QUADRO se abre para incluir uma fileira de chuveiros com alguns HOMENS tomando banho. Devilin acaba de entrar. Ela está vestida de macacão de segurança, segura um capacete alçado num dos braços e debaixo do outro há notebook. Ela passa pela repartição entre o banheiro e o vestiário.

DEVILIN: Bom dia, rapazes!

     Devilin causa um alvoroço entre eles, e meio a gritos, assobios e cantadas baratas.

UMA VOZ GRITA: Devilin, vem aqui me dar banho.

DEVILIN (grita de volta): Desculpas, Carl. Eu não trouxe algodão para enxugar suas partes íntimas.

     Causa outro alvoroço. Ela faz a curva numa fileira de armários e encontra Eric, que acaba de vestir uma calça.

DEVILIN: E aí! Tudo bem? (pausa) Hoje nem falou comigo. Nem olhou na minha cara.

     Ele se senta numa banco extenso e calça um par de meias.

ERIC: Por que você é assim?

DEVILIN (olhar confuso): Assim como?

ERIC (calça botas) Tão promíscua. Vi você entrar com o idiota daquele repórterzinho no seu prédio.

DEVILIN: Então, é por causa disso, que você está bravinho hoje? (nervosa) Você me conheceu assim. Nada impede de você também comer outras bucetinhas de vez em quando.

ERIC (veste uma camisa): Eu estou com quase quarenta anos. Você acha que vou ficar por aí atrás de rabo-de-saia?

DEVILIN: Como você é exagerado. Você só tem trinta.

ERIC: Não importa. Dá no mesmo.

DEVILIN: Tá. Tá. Tá. Tá. Depois a gente conversa sobre isso.

     Devilin se senta ao lado dele, apoia o notebook no colo e abre o equipamento.

DEVILIN (dedilha algumas informações): Eu preciso te mostrar um negócio. É uma imagem que foi raqueada do sistema de segurança de câmeras de uma loja de conveniência.

ERIC: Mas, como assim? Onde você conseguiu isso?

DEVILIN: Ué. Na deep web.

ERIC: Deep o quê?

DEVILIN: É uma parte da web que não é indexada pelos mecanismos de busca, como o ToGo e, portanto, fica oculta ao grande público.

ERIC: Então, a polícia não teve acesso as essas imagens?

     Devilin faz que sim e vira a...

TELA

     A imagem mostra Shelton Davis andando por uma calçada. Ele para de frente com uma MOÇA de ascendência chinesa. Ela quer passar, mas, ele bloqueia a passagem dela.  Ele a segura pelo pulso. A moça o estapeia diversas vezes no rosto e faz força para fugir. Subitamente Shelton desmaia e a moça sai tranquila como se nada tivesse acontecido.

DEVILIN: Viu? Essa imagem foi gravada na mesma noite em que Shelton Davis assassinou Esther Blake. Alguma merda aconteceu ali. E eu já descobri quem é a tal moça. Ela se chama Meg Chan. Um grupo de investigação da deep web a encontrou para mim. Nós podemos ir lá falar com ela para eu fazer uma nova matéria no meu blog.

ERIC: Ah, lá vem você de novo! É melhor parar de se meter nessa roubada e deixar as investigações para polícia. Vamos voltar para aquilo que nós sabemos fazer de melhor: limpar cenas de crimes.

DEVILIN: Você quer ficar o resto da vida com o cu pra cima limpando chão sujo de sangue?

     Não há resposta. Devilin de forma nervosa bate o notebook ao fecha-lo, apanha o capacete e o alça ao braço direito, se levanta e sai.

DEVILIN (balança a cabeça): Lamentável.

     Eric faz cara de quem parou para pensar e depois vai atrás dela.

ERIC: Você só mete em furadas.

CORTA PARA:

CENA 24. INT. – PRÉDIO DO APARTAMENTO DE MEG CHAN – TARDE: 

     Damien, Lenny, Scott e Cliff, sobem alguns lances de escada. Eles chegam no topo de um andar. Damien abre uma porta que dá acesso a um... 

CORREDOR 

     A porta se abre lentamente. Surge o rosto de Damien. Antes de sair, ele verifica os dois lados. Ele faz um sinal de que está tudo bem. E todos saem. Damien levanta o pêndulo ao ar. O objeto se estica e guia sozinho para frente como se fosse um cachorro preso à coleira.

DAMIEN (baixinho): A energia espectral vem daquele apartamento. (pausa) Vamos devagar, qualquer esforço a mais pode liberar uma carga espectral e ele pressentir a nossa chegada.

     Damien faz sinal com a mão para que o grupo aguarde sua ordem. Lenny avança e passa na frente dele.

DAMIEN (baixinho) O que está fazendo?

     Lenny cobre a boca com o dedo, tipo “Shiu!” e faz um gesto como se transmitisse: “Deixa comigo”.

     Antes mesmo que Lenny possa alcançar a porta, ela voa para cima do quarteto, os projetando contra a parede do...

APARTAMENTO OPOSTO

     Abrindo um buraco. Todos levantam com certa dificuldade em meios aos destroços da parede e se queixam de dor.

LENNY: Que merda, eu lavei meu cabelo hoje e já tá cheio de pó.

CLIFF (olha em volta) Droga, eu não acho o meu chapéu.

DAMIEN: Vamos ter cuidado ao usar nossos poderes. Para não chamar a atenção.

     Os demais fazem que sim. A silhueta de uma MULHER aparece no buraco da parede. Ele solta uma gargalhada.

KRUULDRESHBASBA: Focêis son um pandinha de merta e muido ruim. Non docam borra nenhuma!

     Kruuldreshbasba foge em seguida. Lenny tira o pó das roupas e salta o buraco atrás dele. Começa a tocar:

     INSERT - MUSIC: In A Gadda da Vida – Iron Butterfly

LENNY: Ah, seu filho da puta!

CORREDOR

     De alguma forma o demônio já desapareceu. TRAVELLING >> em Lenny enquanto toma impulso e salta em direção à vidraça no fim do corredor.

NOVO ÂNGULO >> de Lenny VISTO pelo lado de fora da vidraça. Lenny salta contra ela, os vidros se estilhaçam em NOSSA DIREÇÃO e ele salta por cima de NOSSA VISÃO >> a CÂMERA gira um LOOP de 160 graus, a queda dele termina em cima do telhado do prédio adjacente.

CORREDOR

     O trio estacado olhando para o que restou da vidraça.

DAMIEN: Não é possível. Eu devo falar japonês.

     Damien e Scott, se apressam em alta velocidade rumo à escadaria.

CLIFF (grita): Não se preocupe comigo. Tá bom? Como eu não tenho poder vou de elevador.

     Cliff para diante do elevador e aperta o botão para chama-lo. Enquanto espera, ora se apoia numa perna, ora se apoia na outra. Ele VÊ um papel dobrado caído no chão, apanha, abre, quando vai ler, ele OUVE o BIP da chegada do elevador, dobra o papel de novo e coloca no bolso. As portas se abrem e Cliff entra.

ELEVADOR

     Há um CASAL de velhinhos escorados num canto e eles OBSERVAM a altura da cabeça de Cliff. A IDOSA faz sinal da cruz e se encolhe nos braços do marido. Cliff sorri para eles. O casal está tremendo e acuado ao canto.

CLIFF (apontando): Neste momento, vocês devem estar se perguntando o que é esta protuberância na minha cabeça, né?

     O casal não responde e continua a encará-lo. Cliff se vira para frente e depois volta atenção neles.

CLIFF: É que eu tenho um problema gravíssimo com espinhas. (para si mesmo) Deixa quieto.

TÉRREO

     O elevador se abre. Assim que chip sai dele, dá de cara com Lucy, que está fardada com uniforme de sargento do exército. Ela sopra um apito com força nos ouvidos de Cliff.

LUCY: Vamos cadete, mexa essa bunda gorda!

     Lucy chuta a bunda de Cliff.

CLIFF (bate continência): Sim, senhor, sargento pincel!

     Enquanto Cliff sai pela portaria, ela sai atrás dele apitando.

CLIFF (canção de puxada): Quando eu morrer quero ir para o inferno de BERETA. Pra dar um tiro na cara do capeta. E o diabo vai gritar muito assustado: Homem lá de cima, tira daqui esse soldado...

TRANSIÇÃO PARA:

CENA 25. EXT. – RUAS – VÁRIOS PLANOS -  TARDE: 

     Os rostos de Damien e Scott perdidos entre uma multidão na calçada. Eles checam ao redor enquanto caminham.

DAMIEN: Eu nem vi o receptáculo do demônio. Pela silhueta deveria ser uma mulher.

     Scott faz que sim. Damien apanha o pêndulo e ele se estica para frente. A CÂMERA faz um CHICOCTE >>

MAIS À FRENTE

     Devilin e Eric andam pela mesma calçada.

DEVILIN (olha um papel): O endereço fica quatro quadras pra frente.

     Uma MOÇA de ascendência asiática passa por eles. Ela está de touca e caminha de cabeça baixa com as mãos nos bolsos. Vacilação de olhar de Eric.

ERIC (olha para trás): Aquela moça! Eu tenho certeza que era ela.

     Devilin passa a segui-la.

ERIC: Você tá maluca. Aonde você vai?

DEVILIN: Ei, moça! Eu posso falar com você.

     A moça continua a andar e aperta o passo. Devilin faz o mesmo.

DEVILIN: Meg Chan, não é?

     Subitamente, a moça para, retira a touca, se vira para Devilin e passa a encará-la. Eric chega por detrás da amiga.

A moça, que na verdade hospeda Kruuldreshbasba, avança sobre eles. Lança Eric sobre o para-brisas de um carro, que se desgoverna e invade a vitrine de uma loja.

NA RUA

      Eric rola de dor no chão. Os carros se desviam dele. Uma MÃO puxa ele pelo colarinho da camisa, no momento em que um caminhão quase o atropela, e derruba algumas madeiras da carroceria. O Veículo passa a toda velocidade.

MICHAEL (apoia as mãos na cintura): Eita sô. Ocê e a sua amiguinha fica dando cabo a machado. Ô no qui dá.

     Eric se levanta, pega um pedaço de pau e corre para ajudar a amiga.

MICHAEL: Mal-agradicido.

NA CALÇADA

     Devilin faz não com as mãos e anda de fasto à medida que Kruuldreshbasba avança.

DEVILIN: Desculpa, eu não queria ter incomodado você.

     Eric chega por trás de Kruuldreshbasba e quebra uma madeira nas costas dele. O demônio se vira realmente zangado.

ERIC: Foi sem querer, eu juro.

     Kruuldreshbasba avança contra Eric, aperta a sua garganta e o levanta alguns centímetros do chão. Eric esbugalha os olhos, está sem ar e esperneia. Damien e Scott, que correm em meio aos pedestres e se aproximam. O demônio larga Eric, que cai ao chão e foge. Devilin ajuda Eric a se levantar e ele tenta controlar a respiração.

ERIC (engolindo ar): Você só mete em furada. (alisa o pescoço) Caramba, não é possível, essa garota só pode ser a filha do Jackie Chan. (pausa) Se não fosse aquele caubói me ajudar.

     Eric aponta para rua, mas, Michael não está mais ali. Devilin procura-o com olhar.

DEVILIN: De quem você está falando?

ERIC: Ele estava ali quase agora.

     Damien e Scott, esbaram neles.

DEVILIN: Vocês são cegos. (pausa) Minha nossa! São: eles!

ERIC: Eles quem?

DEVILIN: Os integrantes da banda The British Boys. Eu não te falei, onde quer que tenha coisas estranhas, lá, estão eles. (corre). Vamos segui-los.

     Devilin corre na frente. Eric hesita, retorce olhos e por fim, resolve correr atrás dela.

ERIC: Agora era uma boa hora para se ter um arma, não é mesmo, Devilin?

DEVILIN: Sim. Mas, eu esqueci a minha arma em casa.

     Os dois chegam a um beco. Correm até uma moto Honda CBX 750 (1989) estacionada. Devilin pula no acento e Eric na garupa. Os dois colocam os capacetes. Ao fazer essa ação Devilin olha para cima.

PONTO DE VISTA DE DEVILIN

     Ela vê no alto, Lenny saltar de uma distância quase que impossível de um prédio ao outro.

VOLTA À CENA

DEVILIN: Caraca, meu! Você viu aquilo?

ERIC: Eu não vi nada.

DEVILIN: Você só dorme, cara! (pausa) O dia está ficando melhor do que eu esperava.

     Devilin posiciona a moto, empurra o pezinho de apoio com o calcanhar, acelera, canta os pneus e arranca. Ao fazer essa ação, a CBX dá uma leve empinada e Eric rola para trás e cai ao chão. Devilin freia bruscamente. Eric se levanta com dificuldade e vai até ela quase se arrastando.

DEVILIN: Vamos, logo!

ERIC: Ah, me desculpe de eu ter quase: QUEBRADO A MINHA COLUNA!

DEVILIN: Vê se agora segura na minha cintura.

     Eric se senta, faz o que foi pedido e a moto sai rasgando. 

CORTA PARA:

CENA 26. EXT. – MARGEM DE UM PRÉDIO – TARDE:

     Lenny corre na margem de um prédio. Na distância, lá embaixo, numa calçada é possível VER Kruuldreshbasba derrubando pedestres enquanto foge. 

LENNY (fala sozinho): Ele vai dobrar a esquina à esquerda a duas quadras à frente de vocês.

CALÇADA

     CORTA para PLANO MÉDIO >> de Damien e Scott, correndo com a CÂMERA DOLLY IN. Como se tivesse ouvido por transmissão de pensamento, Damien responde a Lenny.

DAMIEN: Nós já o vimos.

LENNY (v.o): Vou ver se o intercepto lá frente cortando caminho.

MARGEM DO PRÉDIO

LENNY: Damien, por que você não dá o salto espectral?

     LEGENDA: Salto espectral – permite que o usuário pule de corpos em corpos compatíveis para facilitar a caçada.   

     Lenny não percebe que acabou a margem do prédio e cai. Antes de chegar a cair numa caçamba de lixo, ele estatela em vários empecilhos estruturais durante a queda.

BECO

A cabeça de Lenny emergi do latão e ele salta para fora.

LENNY: Droga, hoje não é o meu dia!

     Lenny ajeita o cabelo, apanha um pente automático e dobrável (parecido com um pente canivete), passa nos cabelos, depois guarda e corre em direção à parede. Num momento a la Criss Angel, Lenny impressionantemente escala a parede correndo. TRAVELLING na DIAGONAL >> nele. Quando atinge certa altura, Lenny pisa no VIDRO de uma janela e cai dentro do banheiro de um...

APARTAMENTO

LENNY: Ah, ainda não me acostumei com esses saltos.

     Lenny ia se levantar, mas, quando se depara com uma GAROTA nua no chuveiro, ele freia o movimento, apoia o cotovelo no chão, recosta o punho fechado na lateral da cabeça e passa assistir a moça tomar banho.

LENNY: Não liga pra mim, não. Pode continuar o que você estava fazendo.

     A moça solta um grito e se esconde atrás da toalha. Lenny sai correndo.

CALÇADA

     Damien e Scott, ainda corre em meio aos pedestres. Scott encara Damien.

DAMIEN: Ok. Eu vou usar. Só tenho 90 segundos.

CORTA PARA:

CENA 27. EXT. MONTAGEM/VÁRIOS PLANOS DE DAMIEN:

     - Num efeito especial a APARÊNCIA FANTASMA de Damien sai do próprio corpo, voa no ar rapidamente entre as pessoas e salta no corpo de uma MENINHA negra de uns nove anos. A menina joga o sorvete no chão e larga da mão da MÃE. E passa correr atrás de Kruuldreshbasba quando ele passa por elas. A menina investe na corrida, quando está quase próxima ao demônio, uma MÃO a segura pelo braço. É a mãe da menina. Kruuldreshbasba atravessa a rua.

     - Agora, Damien pega carona num motorista. O caminhoneiro, engata a primeira, pisa no acelerador e atravessa o farol fechado. O caminhão bate em alguns carros. O motorista dispara a BUZINA, veículos desviam, pedestres se abrigam dentro de lojas. O para-lamas do caminhão está colado ao demônio, prestes a atropelá-lo. Kruuldreshbasba salta numa loja. A dianteira do caminhão estatela na quina da parede de um prédio e fica preso. O demônio continua sua fuga.

     - Um RAPAZ ajuda uma VELHINHA atravessar a rua, de repente a mulher joga a bengala e passar a seguir o demônio. O rapaz fica com cara de bobo sem entender nada. O corpo da velha se cansa e para. O demônio gargalha.  

CORTA PARA:

CENA 28. EXT. – RUA – PONTE DO TYNE – TARDE: 

     Cliff aparece no fim da rua pedalando uma bicicleta infantil de cor rosa e florida, aro 20, com cestinha e cadeirinha de boneca na garupa. Ele pedala com força e usa um capacete rosa que mal cabe em sua cabeça. Ao entrar numa esquina dá de encontro Kruuldreshbasba. E ambos se estatelam no chão. De forma enfurecida, o demônio avança sobre Cliff, que grita, não consegue se levantar e sai engatinhado. Cliff se levanta como um pugilista e faz estranhas posições de boxes. O demônio não está entendendo nada. 

CLIFF: Fica aí parado, seu demônio demoníaco! (fecha o punho) Senão eu vou te matar até que você morra e fique sem vida.

     O demônio vai para cima de Cliff, que cobre o rosto com os braços.

INSERÇÃO

     Uma veloz FLECHA de FOGO vem em direção ao demônio.

VOLTA À CENA

     Mas, ele se joga para o lado antes que ela possa acertá-lo. A flecha fica cravada ao chão e depois desaparece. Cliff lança o olhar fora da tela. NOSSA VISÃO MOVE na direção do que ele VÊ. É Morgan parado na pilastra de um prédio de cinco andares. Ele tem em mãos um Arco composto e recurvo com corda de fogo, no braço esquerdo um protetor de braço, na mão direita um protetor de dedos, protetor peitoral e uma aljava preso às costas (coldre usado para carregar flechas). O demônio foge. Morgan dá um salto espetacular e mergulha na frente de Cliff.

MORGAN: Aquele Demônio é meu. Eu vou caçá-lo.

     Surge Lenny por detrás de Morgan. Ele tenta golpeá-lo na nuca. Mas, Morgan é ágil, se esquiva, e puxa Lenny pelo o antebraço e o lança longe ao rio.

CLIFF: Você é um bocado forte.

MORGAN (avança na direção de Cliff): Nem você. Nenhum de vocês vão me impedir.

     Nisso Mausoléu passa rasgando em alta velocidade, atropela Morgan com tamanha violência. Ele rodopia três vezes ao ar antes de encontrar o chão. Mausoléu freia fazendo um cavalinho de pau.

CLIFF: Ah, muleque! Esse é meu garoto! (faz o gesto de banana para Morgan) Não creu neu, papudo. Si finou-se!

     Morgan se levanta, fecha o punho, vai até Cliff e se prepara para desferir um golpe nele. Uma MÃO segura o golpe de Morgan. É Damien e ao dele está Scott.

DAMIEN (para Scott e Cliff): Ajudem Lenny. E vão atrás do demônio enquanto eu cuido dele.

     Cliff e Scott vão. Damien agarra Morgan pelo colarinho, roda-o e o crava numa parede. O impacto causa linhas de rachaduras na parede atrás dele. Morgan se desprende, ajeita o pescoço e cabeça que ficaram tortos, como se não tivesse acontecido nada ri para Damien.

MARGEM DO RIO TYNE

     Cliff e Scott, ajudam um Lenny encharcado a sair do rio.

LENNY: Meus cabelos. Mas, que merda hoje realmente não é o meu dia. (torce a borda do terno) Quem é o desgraçado?

CLIFF: Provavelmente outro caçador.

LENNY: Cadê o Mausoléu?

CLIFF: Sumiu de novo.

LENNY: Vou ajudar Damien.

     Cliff segura o braço de Lenny.

CLIFF: Damien pediu para que nós continuássemos na captura do demônio.

     Os três saem de CENA. Ao fundo VEMOS Damien e Morgan travando uma luta feia.

MAIS ATRÁS

     Morgan dá um pontapé em Damien, que voa por cima de Devilin e Eric quando chegam de moto. A CBX perde o controle, se choca contra uma mureta e os dois rolam ao chão. Morgan vai até à moto, se agacha, faz força, levanta a CBX na altura da cabeça e depois a lança contra Damien. Damien rola para o lado e moto explode contra a parede.

DEVILIN (para Eric): Eu não acredito no que os meus olhos acabaram de ver...

ERIC: Como ele conseguiu fazer aquilo? Ele levantou aquela moto como se fosse um brinquedo.

     Damien arranca um poste de luz cravado do chão, rodopia e bate na lateral da cintura de Morgan, que voa longe. Antes de fugir, Damien encara Devilin e Eric. Ênfase na troca de olhares entre Damien e Devilin.

DEVILIN: Tanto Morgan quanto aquele rapaz me devem uma explicação. Principalmente Morgan, que me deve uma moto nova.

     Devilin e Eric levantam-se.    

CORTA PARA:

CENA 29. EXT. – GARAGEM DE TRENS – ANOITECER: 

     Uma linha ferroviária. Parece um cemitério para trens antigos e fora de uso. Há alguns VAGÕES estacionados. TRAVELLING >> por baixo do vão de uns dos vagões, VEMOS três PARES de PÉS. NOVO ÂNGULO >> Lenny, Scott e Cliff, atravessam um emaranhado de trens.  

LENNY: E aquela bicicletinha rosa?

CLIFF: Roubei de uma menininha. (pausa) Agora, que eu vou para o inferno mesmo.

LENNY: Era da Estrela de Fogo?

CLIFF: Não enche, Lenny! Boca dura, já saiu contando, né?

     Lenny e Scott gargalham. Um BARULHO propaga ao ar. Scott faz com que Lenny e Cliff parem. Scott se encosta num dos vagões, se agacha e enfia a cabeça por debaixo do vão.

PONTA DE VISTA SCOTT

     Vê dois PARES de pernas de ALGUÉM.

VOLTA À CENA

     Scott contorna o vagão, pula em frente de um MENDINGO maltrapilho, levanta o isqueiro na altura dos olhos do mendigo e o acende.

MENDIGO: Ô loco! Você quer me matar de susto.

     O mendigo se afasta. De repente, o demônio salta do interior do vagão e arremessa Scott longe e ele acaba por desmaiar, quando se choca com uma parede. O demônio foge de novo e se embrenha entre os vagões.

LENNY: Vamos!

CLIFF: E Scott?

LENNY: Ele vai ficar bem.

MAIS À FRENTE 

     Lenny e Cliff saem detrás de um trem. Lenny aponta para o chão.

LENNY: Tá vendo aquilo na areia?

     Cliff faz que sim.

LENNY: Talvez, sejam as pegadas do demônio.

     Lenny se agacha e Cliff faz o mesmo. Lenny pega do bolso traseiro da calça dois pares de luvas negras de couro. Lenny calça um par, entrega o outro par para Cliff e depois apanha da parte interna do terno, três enormes pregos e um pequeno martelo.

CLIFF: O que é isso?

LENNY: Pregos. Você não está vendo? Pedi prum cara roubar pra mim da Catedral de Bamberg, na Alemanha, quando caçamos Bhalon. (pausa) Coloque as luvas. São pregos com quais pregaram Cristo à cruz.

CLIFF (calça as luvas): E como você sabe que vai dar certo?

LENNY: Eu não sei. Vamos ver agora.

     Lenny coloca a ponta do prego no centro da pegada e dá uma forte martelada. Ao longe, OUVIMOS um grito horrendo.

CLIFF (ri ansioso): Urra! Agora é a minha vez.

     Cliff toma o prego e o martelo de Lenny. Cliff martela o prego na pegada. Outro URRO propaga no ar. Aí, que Cliff martela seguidas vezes a pegada.

CLIFF: Toma seu desgraçado. Toma! Toma! Toma!

     Lenny faz com que Cliff pare e toma os objetos dele.

LENNY: Calma aí. Só funciona uma vez para cada pegada. (aponta) O grito parece ter vido de lá daqueles vagões.

     Lenny e Cliff seguem para o tal ponto. Não há nada lá, além de uma trilha de sangue negro e viscoso no chão. Eles seguem a trilha e ela termina sobre uma pilha de areia. A pilha de areia tem uma forma estranha, parece o contorno de um corpo. Lenny e Cliff se entreolham.

CLIFF: Acho que com a segunda martelada, ele deve ter caído ali de dor.

     Lenny faz que sim, mira o prego na altura do formato que parece da cabeça e martela. Um GRITO frenético. O demônio salta de um vagão, aperta as mãos contra a cabeça enquanto grita e rodopia, cambaleia até se estatelar ao chão. Scott e Cliff vão até ele. Ambos observam o demônio estirado no chão. Depois batem cada um a palma da mão na do outro.

LENNY & CLIFF: Yesss! Conseguimos!

     Distraídos com o feito, nem notam quando o demônio subitamente abre os olhos e se levanta por trás dois. Kruuldreshbasba coloca as mãos nos ombros deles e os jogam contra um vagão. Os rapazes se levantam queixando de dor. Já é tarde quando percebem que um outro vagão vem na direção deles, deixando os esmagados entre dois vagões. NOVO ÂNGULO >> em Kruuldreshbasba empurrando mais um pouco o vagão para imprensa-los e depois fugir. Lenny e Cliff fazem força para sair do meio dos vagões.

LENNY: Mas, que droga!

CLIFF: Somente o Damien tem força extrema. Vamos ficar presos aqui para sempre numa eternidade sem fim.

     Os dois gritam socorro. Scott passa por ali se arrastando. OUVE os gritos delem vindo do meio dos vagões. Ele dá de ombros e sai de cena. 

CORTA PARA:

CENA 30. EXT. – METRÔ DE TYNE AND WEAR – ENTRADA – NOITE: 

     O SINAL da pole para a estação na Percy Street preenche a tela.  O QUADRO se abre PANORAMICAMENTE, a oeste atrás do outro lado da rua fica o campus da Universidade de Newcastle - o Edifício Bruce (à esquerda) e o Edifício Herschel (à direita). Kruuldreshbasba aparece cambaleando entre as PESSOAS, que se queixam. Ele entra no sistema de metrô, mas, deixa um rastro de sangue negro pelo chão. Pouco tempo depois, surge Scott seguindo o rastro, ele também entra. 

FUSÃO PARA:

CENA 31. INT. – METRÔ DE TYNE AND WEAR – NOITE:

     Um METRO passa em alta velocidade em frente da CÂMERA e se perde no fim do túnel. A CÂMERA se desloca para escadaria que dá acesso à plataforma. Scott acaba de descer por ela. Vasculha ao redor. Kruuldreshbasba colocou a touca e está embrenhado entre a multidão. Scott passa por ele. Olha entre as pessoas. Algumas soltam um burburinho: “Que cara estranho”, “Parece maluco”, “Nossa, tem a cara do Paul Dano”. De repente, Scott para, dá um passo para trás, olha na direção da moça com a touca na cabeça, rapidamente ele levanta o isqueiro na altura dos olhos dela e acende.

DETALHE NOS OLHOS DA MOÇA

     Pequenos fios negros dançam nos globos oculares, parecidos com sanguessugas mergulhados na água.

VOLTA À CENA

     Ela gargalha e uma linha de sangue negro risca a testa dela e rosto se transfigura numa carranca horrenda. O demônio age de forma rápida e empurra Scott para os trilhos. E depois foge novamente. Ainda no ar Scott se estatela na frente do METRO e é levado pelo transporte. Os PASSAGEIROS ficam horrorizados. Eis que OUVIMOS um assobio, Scott emerge do túnel escuro, caminha tranquilamente como se nada tivesse acontecido. Ele sobe na borda da plataforma. Um HOMEM vai até ele.

HOMEM: Você está bem rapaz?

     Scott faz que sim. O Homem olha para o pulso de Scott e a MÃO dele está torcida.

HOMEM: Mas, seu pulso.

     Com o auxílio da mão esquerda Scott desentorta a mão direita, coloca no lugar, aperta o punho para se certificar que está tudo bem e depois sai assobiando rumo à escadaria. O homem fica boquiaberto sem entender nada.  

         CORTA PARA:

CENA 32. INT – QG DA BANDA – NOITE: 

     A porta de entrada vista por dentro. Ela é escancarada. Entra Damien com várias escoriações e um corte no lábio inferior. Os demais entram depois dele. 

DAMIEN (com as mãos na cintura): Não acredito que vocês deixaram o demônio fugir. (pausa) Eu perdi o meu tempo ajudando esses dois babacas. 

LENNY: Babaca não. Se for falar de babaca, só fale pelo Cliff. Que é realmente um babaca.

     Cliff empurra Lenny, que empurra de volta.

DAMIEN (grita): Vocês que querem parar!

     Os dois param.

DAMIEN: Vocês parecem crianças. (pausa) Na briga com aquele outro infeliz caçador, a porra do pêndulo rachou. Vai levar um tempo para restaurá-lo. E agora, o que a gente faz? Não vai dar para localizar o demônio. (pausa) E o Scott disse que não conseguiu ver direito o demônio, porque ele foi empurrado no trilho do trem, ou seja, agora não dá para usar nem a porra da dupla vista.

LENNY: E o outro caçador? Acabou com ele?

DAMIEN: Não, o babaca fugiu. (respira fundo) A desgraçada da Lucy tem muito que explicar sobre aquele outro caçador.

     CLOSE >> no rosto vermelho de raiva de Damien.  

CORTA PARA:

CENA 33. INT. - ROYAL VICTORIA INFIRMARY – ENFERMARIA – DIA:

     Um ENFERMEIRO separa algumas bolsas de sangue sobre uma mesa e depois coloca numa caixa de isopor. Damien surge a atrás do rapaz. Ao se virar ele se assusta com Damien.

RAPAZ (leva a mão ao peito): Quem é você?

DAMIEN: Não tem graça, Marie Claire.

RAPAZ: Brincadeirinha. (pausa) E os rapazes?

DAMIEN: Estão esperando lá na recepção.

RAPAZ: Nossa! Você está tão bonito hoje. (se aproxima de Damien) Posso te beijar?

DAMIEN (revira os olhos): Já falamos sobre isso.

RAPAZ (se arrisca mais uma vez): Sexo nem pensar, né?

DAMIEN: Sabia que fica esquisito demais você falando essas coisas no corpo de um homem, Marie Claire?

RAPAZ: Era o único corpo que eu tinha para possuir, e que trabalhava neste setor.

DAMIEN:  Ao menos os sangues são de gente morta?

RAPAZ: Sim. Coletei no necrotério.

     O rapaz fecha a caixa de isopor.

RAPAZ: Boa sorte, na caçada e des...

     Damien toma a caixa de isopor da mão dele, não o espera nem terminar de falar e sai.

CORTA PARA:

CENA 34. INT. - ROYAL VICTORIA – ESTACIONAMENTO – DIA:

     Mausoléu estacionado numa vaga. Devilin entrecorta as fileiras de carros. Se aproxima de mansinho da rabeira do Thunderbird, contorna o veículo à lateral da porta do motorista, se debruça na janela fechada e tapa as laterais do rosto para enxergar melhor o lado de dentro.

DAMIEN (fora da tela): Precisa de ajuda?

     Devilin se vira. O quarteto está parado atrás dela. Cliff tem à cabeça um chapéu Cartola.

DEVILIN (gagueja): Não é que...

DAMIEN: Se eu fosse você mantinha distância dele.

     Devilin se afasta bruscamente.

DEVILIN: É que eu fiquei intrigada com os números de eventos que aconteceram ontem na cidade e...

LENNY (cortando-a): E aí resolveu nos seguir?

     Violentamente, Scott a agarra pelo pescoço e a escora contra a porta do veículo. Ela grita assustada. Ele levanta o isqueiro acesso na altura dos OLHOS dela. E nada. Não passa de OLHOS comum.

DAMIEN: Pode soltá-la.

     Scott obedece.

DEVILIN (alisa o pescoço): Nossa. Eu pensei que ele ia me atear fogo.

DAMIEN: Os incidentes que aconteceram ontem, é uma história muito longa.

DEVILIN: Eu gosto de coisa longa.

DAMIEN: Vamos entrar.

LENNY (puxa Damien um canto): O quê? Você vai contar pra ela sobre nós?

DAMIEN: Sim. Há quanto tempo nós guardamos este segredo e não compartilhamos com alguém além de nós mesmos?

     Lenny vacila e depois faz que sim.

DAMIEN (para Devilin): Pode se sentar no banco de passageiro.

CLIFF: Mas, o banco de passageiro é o meu lugar!

LENNY (estapeia a cabeça de Cliff): Ah! Entra logo ali atrás e para de choramingar. Vai comprar um outro chapéu! Porque com esse aí você está parecendo o Willy Wonka! Só falta tirar um coelho demônio dessa cartola!

     Damien e Devilin sentam-se à frente. E os demais se sentam nos bancos traseiros.

CLIFF (baixinho): Mas, ali era o meu lugar.

     Damien se vira para Cliff, ele está quieto olhando para fora da janela. Damien volta ao volante.

CLIFF (baixinho): Mas, era o meu lugar mesmo.

     O carro sai de TELA.

CORTA PARA:

CENA 35. EXT. - THE RISING SUN COUNTRYSIDE CENTRE – DIA:

     O Thunderbird estacionado próximo de uma cerca de madeira que envolve o parque, mas, do lado de fora, na rua. Lenny, Scott e Cliff, estão debruçados na cerca. Ao longe, é possível VER Damien e Devilin sentados à beira de um rio. Eles estão conversando. Lenny faz cara de reflexivo.

LENNY (resmunga): Temos que nos abrir! Conversa fiada. (olha para Scott) Ele quer é abrir as pernas dela e compartilhar a bitóla dele com ela.

     Ambos riem.

CLIFF: Essa tal de Devilin vai é se tornar a nossa Yoko, vai separar o grupo.

LENNY: Huumm! Tá com ciúminhos?

CLIFF: Estou falando sério. Como aconteceu com os Beatles. Eles vão ter filhos chamados: Damilin ou Devilien ou coisa assim.
    
     Cliff afunda o queixo na cerca.

DENTRO DO PARQUE

DEVILIN: Caraca! É uma história inacreditável! Mas, depois de tudo o que vimos ontem, não tem como não acreditar.

DAMIEN: Eu não sei como a Lucy ainda não apagou a sua memória.

DEVILIN: Talvez, ela gostou de mim. (ri) Sei lá.

DAMIEN (ri): Mas, a história não pode ser divulgada no blog.

DEVILIN: Talvez, eu omita alguns fatos, maquie outros e por aí vai.

DAMIEN: Não. Você tem que prometer que não vai ser publicada.

DEVILIN: Ok. Eu prometo.
DAMIEN: Jura?

DEVILIN: Eu juro. (faz o sinal de paz e amor) Palavra de escoteiro. (pausa) E mesmo assim vocês continuaram tocando, com outras aparências e o mesmo nome.

DAMIEN: Tocar e cantar é o que nós mais gostamos de fazer. Se fosse para escolher tocar e cantar por toda vida entre queimar no inferno eternamente. Ficaríamos com a primeira opção. A música é algo que ainda mostra uma parte da nossa humanidade. Mas, se bem como um semônico percebi que o demônio não existe... (risos) ...ele é o próprio homem.

FORA DO PARQUE

     Na distância, os rapazes VEEM Damien se levantar e depois ajudar a Devilin a fazer o mesmo. Damien vem em direção deles e Devilin segue em outro sentindo.

LENNY: Lá vem o apaixonado Damien.

     Pouco tempo depois, Damien chega até eles. Scott resmunga algo para Damien.

DAMIEN: Ela foi ao banheiro.

LENNY E CLIFF (cantam): Damien ama Devilin. Damien ama Devilin. Damien ama Devilin.

     Enquanto cantam, estalam os dedos, batem palmas e dançam de forma amalucada. Scott se ajunta a eles e começa a dançar. Damien sorri e balança a cabeça negativamente. De repente, Devilin aparece. Sem graça, Lenny e Scott, param imediatamente. E só Cliff continua sozinho, que nem bobo, quando abre os olhos dá de cara com Devilin.

DEVILIN: Tudo bem aí?

     Cliff ainda no embalo, vai parando devagarzinho, sem jeito coça a cabeça, ajeita a cartola, ajeita os óculos de vista, olha para o alto e passa inspecionar o lugar à sua volta.

CLIFF: É. Acho que vai chover.

     Damien e Devilin, ambos se agacham e passam entre as ripas da cerca. Todos seguem para o carro.

CORTA PARA:

CENA 36. EXT. - QG DA BANDA – BECO – DIA:
 
     Damien se agacha à traseira de Mausoléu, desrosca a tampa do tanque de gasolina, apanha uma bolsa de sangue e despeja dentro. Repete o processo por algumas vezes. Surge uma SOMBRA por cima de Damien. É Lucy. Ela está num vestido vermelho rodado e com decote longo. Ele se vira e levanta.

DAMIEN: Ainda bem que você apareceu, cadela. Precisava conversar com você.

LUCY (cruza os braços à altura do peito) Eu digo o mesmo. Mas, só que sou eu que começo. O que foi aquele show ontem, no centro da cidade? Tudo bem, que vocês são uma banda. Mas, não é pra tanto. E as coisas que já falei: sobre o equilíbrio natural das coisas? Parece que entrou por um ouvido e saiu pelo o outro. Eu tive que limpar as sujeiras de vocês, e apagar a memória de muitas pessoas, para esquecerem os eventos que ocorreram. (pausa) Antes, você era mais cuidadoso. Agora você está perdendo as rédeas da sua banda. Acho que daqui pra frente você deveria pensar em: carreira solo.

DAMIEN: Pronto? Agora eu posso falar?

     Lucy faz que sim.

DAMIEN: Como vamos atingir a meta de 666 demônios para nos livrar da maldição, sendo que, há outra pessoa caçando nossos demônios, muito antes de nós.

LUCY: Não se apegue aos números, apenas me tragam-nos de volta.

     Farto, Damien joga uma bolsa de sangue vazio ao chão.

DAMIEN: Ora você fala uma coisa, e ora você fala outra.

     Damien golpeia o ar e as veias saltam em seu pescoço.

DAMIEN: Eu estranhei o número de quanto tínhamos caçados. Eles diminuíram muito rápido.

LUCY: É sinal que cedo ou mais tarde se livrarão da maldição.

DAMIEN: vá tomar no cu, seu diabo do inferno! Há mais caçadores? E quantos têm?

LUCY: Só vocês quatro... (retorce os olhos) ...e o palerma do Morgan. Ele também foi atrás de mim, na parte da tarde de ontem, choramingando aos meus ouvidos. Não era à toa que vocês não se conheciam com tantos demônios à solta pra caçar.

DAMIEN: E você nem pra nos avisar da existência de nós. Quando foi que esses demônios fugiram?

LUCY (esbraveja): Isso não é importante agora. Você quer se livrar, e livrar seus amigos da maldição ou não?

     Damien a encara profundamente por alguns segundos e depois faz que sim.

LUCY: Então, continue a caçada e mantenha o trato como combinado. (pausa) Só não apaguei a mente daqueles dois enxeridos: a tantã da Devilin e o parceiro babão dela. Porque achei que os dois idiotas vão servir para auxiliar e facilitar a caçada de vocês. Eles têm acesso a cenas de crimes. Vi vocês dois no parque, já estão bem amiguinhos. Mas, cuidado com ela, não sei o porquê, mas, não me inspira confiança. Mas, mesmo assim seja cauteloso.

     Damien faz que sim.

LUCY (voz ensaiada): A cada ato de bravura, você crescerá mais e mais e será recompensado a tempo. Num rogo de proteção sobrenatural para a fundação de um templo.

     Aparece Lenny com um bilhete em mãos, acompanhado de Scott e Cliff.

LENNY: Damien, o Cliff encontrou...

     Os rapazes pararam porque perceberam a presença da Lucy ao lado.

LENNY: Olha ela aí! Resolveu dar as caras.

     Lucy estava indo embora, mas, volta.

LUCY: A propósito, marquei um show para vocês amanhã à noite, no Inferno. Eu queria que fosse no Casanova, mas, o Membrana Mucosa já vai tocar lá.

     Lucy contorna uma pilastra. Cliff a segue, dá a volta e ela sumiu.

MICHAEL (fora da tela): Não aquerdita em tudo qui ela fala, não.

     Os rapazes se viram. Michael está recostado a uma pilastra e chupa um pirulito. Ao lado dele, um CAVALO árabe de cor branca.

MICHAEL (aponta com o pirulito para eles): Ela está enganano ocêis. Ela fica aí emendano os bigodes. Agora o Diabo é cardoso. O diabo qué recuperá aquelas armas? Ela qué qui eles queimem no fogo do inferno.
    
Michael joga o pirulito fora, retira do bolso do sobretudo um porta cigarros metálico, abre, apanha um cigarro de palha e acende.

MICHAEL (oferece para os rapazes): Ocêis querem? (olha ao redor) Quanto tempos ocêis estão nisso? Anus? Daí a pouco será séculos. Ela não vai devolvê suas armas, não, e faz isso para se divertí. Si diverte a custo di ocêis. Lucy é uma véia amiga. (estica com o indicador a parte inferior do olho) Ó. Ieu a conheço.

     Damien avança em direção dele.

DAMIEN: Quem é você?

MICHAEL: Descurpe, minha farta di respeito.

     Michael tira o chapéu em forma de saudação e faz reverência.

MICHAEL: Anjo Michael, ao seu dispô!

     Recoloca o chapéu, estufa o peito e ajeita a fivela do cinturão com as mãos.

INSERT NA FIVELA

     A inscrição “DEUS” reluz o reflexo do sol.

VOLTA À CENA

     A fivela faz réstia ao rosto dos rapazes causando-lhes dor aos olhos.

MICHAEL: Mais, se quisé pode mi chamá di: Mike, mesmo. E só orá e mi chamá. Venho tão rápido quanto uma raposa.

     O cavalo relincha.

MICHAEL: Carma, amigão! (alisa a cara do cavalo) Este pangaré aqui é o Tenebroso. Meu parceiro.

     Lenny avança também na direção dele.

LENNY: E o que você quer da gente?

MICHAEL: Queru sabê si ocêis argum dia pensarô recorrê a Deus?

     Os rapazes se entreolham.

CLIFF: Não podemos nem falar o nome dele.

MICHAEL: Aí, seus The British Bobos! Deus tem várius nomis. Alá...

     Cliff olha para trás procurando.

MICHAEL: Buda, Maomé, Krishna. Caramba à quatro. Seus toupêras. Precisa lavar arma pra falá com Deus.

CLIFF (rindo): Com água e sabão?

     Michael coloca a mão na cintura e sustenta uma postura séria.

MICHAEL: Já deu?

     Cliff fica ligeiramente sem graça.

MICHAEL: Ié um The British Bobo, miesmo (balança a cabeça de forma indignada e olha para o céu): Pela espada di San James. Dispois, ieu sou o caipira.

     Michael joga o cigarro ao chão, o pisoteia, se apoia na sela e sobe no cavalo.

MICHAEL (põe o dedo no olho de novo): Ó. Tô di zóio nocêis. Pra vê si ocêis e nem aquela tinhosa saia fora da lei e da ordi das coisas. Sou xirifi do Senhor. (pega na ponta da aba do chapéu e levanta um pouco) Inté mais vê!

     Michael estira o arreio e o cavalo sai trotando. Os rapazes o acompanham com os olhos até o caubói se desmaterializar contra o ar. Scott resmunga algo para Lenny.

LENNY: Verdade. Era só o que nos faltava. Mais um para encher o saco. Agora só falta a mula-sem-cabeça vir atrás de nós.

CLIFF: Se ela não tem cabeça. Como vai vir atrás de nós?

LENNY: Ah, não enche.

DAMIEN (para Lenny): Foco. O que você queria mostrar?

LENNY (passa o bilhete para Damien): Este bilhete que Cliff encontrou ontem no prédio de Meg Chan.
    
     Damien lê o conteúdo do bilhete.

CLIFF: É um endereço. Possa ser que seja da próxima vítima de Kruuldreshbasba.

DAMIEN (furioso): E agora que você resolve mostrar pra gente? Reze pra que a vítima esteja viva. (pausa) Vamos! Como não saiu nada sobre uma nova morte no jornal. Talvez o crime não a aconteceu ainda.

     Damien e Scott vão, mas, ficam Lenny e Cliff.

CLIFF: É que eu me esqueci.

LENNY: Só não esquece a cabeça porque ela está grudada.

     Lenny abandona Cliff.

CLIFF: Nossa, gente! Que mau humor!

     CORTA PARA:

CENA 37. EXT. – ESTRADA - FAZENDA HARRIS – NOITE:

     O Thunderbird estaciona numa área rural. Os rapazes descem do veículo. Na distância, VEMOS uma fazenda numa parte elevada da região.


DAMIEN: Antes de virmos, fiz uma pesquisa rápida sobre ele. O desgraçado chama-se: Herman Harris. Ele foi acusado de torturar a esposa e a filha. Foi absolvido e agora vive recluso da cidade.

     Damien vai ao porta-malas e o abre. Apanha a case com a guitarra e alça ao peito e às costas.

DAMIEN: E se tivermos sorte e Kruuldreshbasba for ritualístico. Irá cometer o crime na mesma hora em que assassinou Esther Blake...

     Ao longe, um GRITO desesperador.

LENNY: Tenho certeza que a hora é agora.

     Eles se agacham e devagarzinho abrem caminho entre a mata.

MAIS À FRENTE

     O caminho termina no fundo da fazenda. Eles contornam a lateral da casa. No percurso checam as janelas e portas. Damien chega na porta principal.

DAMIEN (baixo): Está aberta.

     Damien desliza lentamente a maçaneta, mas, a porta RANGE com abertura. A tempo Damien se joga para o lado, pois, um TIRO faz um ROMBO na porta. Silêncio.

DAMIEN: Herman Harris?

     Um outro TIRO faz um novo ROMBO na porta.

LENNY: Senhor Harris, viemos lhe ajudar.

HERMAN (fora da tela): Como eu vou saber. Uma desgraçada me acabou de me cegar.

DAMIEN: Porque nós viemos pegar essa desgraçada.

LENNY (PARA Damien): Acho que o demônio o atacou, mas, sentiu a nossa presença e fugiu.

DAMIEN (se aproxima cautelosamente da porta): Senhor Harris, estamos entrando.

DENTRA DA CASA – COZINHA

     A porta é aberta vagarosamente. Surge devagar o rosto de Damien e depois dos demais. Eles entram. HERMAN está sentado numa cadeira e carrega uma espingarda na mão. Dos olhos deles escorrem sangue. Eles vão até ele.

CLIFF: Tudo bem com o senhor?

HERMAN: Como tudo bem? Se os meus olhos estão queimando.

LENNY: Ele deve ter olhado o demônio diretamente nos olhos.

CLIFF: Verdade. Isso acontece quando a vítima se arrependeu dos pecados. Ele é quase um santo perto de um demônio.

HERMAN: Demônio? Como assim?

LENNY: Não é nada.

HERMAN: Eu fiquei cego e não surdo.

DAMIEN: Vamos deitá-lo na mesa.

     Scott lança ao chão pratos e talheres da mesa.

HERMAN: Não se preocupem de quebrar todas minhas pratarias e louças.

     Os rapazes colocam-no sobre a mesa.
DAMIEN: Scott, use a moedas de Judas!

     Scott apanha do bolso duas moedas de ouro e coloca uma em cada um dos olhos de Herman e enfaixa com um lenço preto. OUVE-SE o ESTRONDO do motor de uma caminhonete e seguido de um BARULHO de madeiras se QUEBRANDO.

DAMIEN (corre): É ele.

     Damien, Lenny e Scott vão. E Cliff fica com Herman.

CLIFF (segura a mão do homem): Eu prometo que o senhor vai ficar bem. Fique com a atadura por pelo menos dois dias cheios. Vou pedir outra coisa pro Senhor: não fale nada sobre a gente e nem que tivemos aqui.

     Herman confirma com a cabeça. Depois Cliff sai para fora de casa.

CORTA PARA:

CENA 38. INT. – FAZENDA HARRIS – CELEIRO – NOITE:

     Damien acaba de abrir a porta do celeiro. Os demais estão atrás dele. Na parte do fundo do celeiro há um imenso BURACO na parede de madeira. Lenny golpeia o ar.

LENNY: Mas, que droga o desgraçado fugiu!

DAMIEN: Não, espera aí. (faz cara de quem pensa) Hoje de tarde, Lucy falou umas de suas charadas. (pensa mais uma vez) Algo do tipo: A cada ato de bravura, você crescerá mais e mais e será recompensado a tempo. Num rogo de proteção sobrenatural para a fundação de um templo. Mas, o que será que ela quis dizer?

CLIFF: Ato de bravura: talvez ela quer dizer que se você dedica mais à caçada.

LENNY: E se dedica mais: você ganha uma recompensa. Mas, que recompensa?

DAMIEN: Mas, talvez seja literalmente uma: “recompensa”. Mas, talvez um dom.

     Scott resmunga algo.

DAMIEN: Isso, Scott! Antigamente as pessoas evocavam os espíritos para sagrar um templo. (pensa) Então, Lucy quis dizer que agora eu tenho o dom de evocação.

CLIFF: Caraca, que massa! Uma espécie de download demoníaco. Agora vai facilitar nas nossas caçadas. Já estou imaginando agente cantando pra fazer subir o demônio.

     Damien aperta os olhos.

DAMIEN (grita): Kruuldreshbasba!!!

PONTO DE VISTA DE DAMIEN

     A imagem está obscurecida. Quando abre os olhos, Kruuldreshbasba está no centro celeiro.

VOLTA À CENA

KRUULDRESHBASBA: Quem me infoca!

     Lenny avança, salta sobre ele e investe em socos.

LENNY: Isto por dizer que a minha banda é ruim. E isto é por zoar o meu cabelo. E mais isto por ser um demônio cretino.

     Cliff corre até Lenny e o segura.

CLIFF: Assim você vai matar o receptáculo.

     O demônio aproveita da distração dos dois e lança Lenny sobre o alto do celeiro. Cliff desvia do ataque. Damien e Scott avançam contra o demônio. Kruuldreshbasba rodopia um trilho de ferro e acaba por acertar Damien e Scott. A projeção de Damien abre um buraco na porta do celeiro fazendo com que caia para fora. E Scott é projetado para o estábulo e os GADOS MUGEM. Como Lenny não deu sinal de vida, Cliff sobe o lance de escadas que dá acesso à...

PARTE SUPER DO CELEIRO

     Cliff vê Lenny caído em meio a um punhado de feno e acordando lentamente. Antes de Cliff correr até Lenny, o demônio salta bem na frente dele e segura um garfo de Feno e aponta para Cliff. Ao se afastar Cliff tropeça nos próprios pés. O demônio levanta o garfo acima da cabeça, quando vai desferir um golpe contra Cliff, uma flecha de fogo atravessa uma das mãos dele. Ele grita de dor, rola e cai lá embaixo.

NO LADO OPOSTO, NA PARTE SUPERIOR

     Está Morgan com o arco em posição de mira. Ele sorri, alça o arco ao peito e dá um salto espetacular até onde...

CLIFF ESTÁ

MORGAN (estende a mão para Cliff): Você está me devendo. Já foram duas vezes essa semana.

     Cliff hesita, mas, acaba por lhe dar a mão. Morgan ajuda Cliff a se levantar. Nisso surge Lenny em posição de briga.

MORGAN: Calma, campeão! Eu não vou roubar o demônio de vocês. Para mata-lo, a flechada teria que ser bem no centro da testa. (senta à margem da escada) Eu só vim assistir ao show!

LÁ EMBAIXO

     O demônio levanta com dificuldade para fugir, mas, dá de cara com Scott, que aplica um golpe no peito e faz com que o demônio voe para longe. Scott acende o cigarro amassado e traga. Nisso, Damien chuta o que restou da porta, fazendo com que ela se escancare. Ele já entra com a guitarra Balada da Morte em mãos e alçada ao corpo. Os OLHOS de Damien reviram-se nas órbitas, dando lugar ao um espaço totalmente branco. Posiciona a guitarra e a dedilha como se fosse possuído por uma força invisível. É um solo bem elaborado da música: The House Of The Rising Sun dos The Animals. Num EFEITO DIGITAL: CORDAS ETÉREAS saem da guitarra, oscilam ao ar feito cobras e vão em direção a Kruuldreshbasba, que tentar escapar. Duas das cordas agarram-se aos seus PULSOS. Outras duas agarram-se aos tornozelos e as duas últimas laçam o seu pescoço. Kruuldreshbasba é arrastado. Ele crava os pés à terra e tenta resistir. Damien toca violentamente. As pontas dos DEDOS dele sangram. Kruuldreshbasba é retirado do corpo de Meg. Ele estrebucha quando se separa da MOÇA. Meg desmaia e cai ao chão. O demônio aparece na sua horrenda forma original. Fuzila Damien com olhar e grita numa linguagem estranha. Lenny apanha o Espelho de Narciso de dentro do terno, dá um mortal da parte superior e mergulha diante o demônio. Ele segura com força espelho com as duas mãos ante o demônio, que urra. O objeto começa a estremecer e uma descarga de fóton de luz sai de dentro do espelho. VEMOS fenos, terras e pedriscos começarem a se mover ao chão. Elas começam a girar em um espiral, e vai ficando mais e mais forte. O número 93 em brasa surge no alto da testa do demônio. O espiral aumenta sua intensidade. Agora VEMOS ferramentas e pequenos objetos voando em espiral. AO lado, um TRATOR começa a girar em círculos e a sair do lugar. O vento poderoso e BARULHENTO atinge todos ali. No centro do espiral do espelho, há uma luz que aumenta sua intensidade e traga Kruuldreshbasba, que rodopia para seu centro. O ambiente fica mais claro e o espiral cessa transformando-se no final numa leve brisa iguais a flocos de neve. Lenny atira o espelho ao chão, pisa em cima e o quebrando. O espelho se restitui e Lenny guarda dentro do terno. Damien e Lenny se ajoelham-se de tanta fraqueza, levantam-se com dificuldade e se cumprimentam. Scott, Cliff e Morgan, correm até os dois.

MORGAN: Que showzaço!

     Damien concorda e ri.

     CORTA PARA:

CENA 39. FAZENDA HARRIS – ESTRADA – NOITE:

     Os rapazes e Morgan segurando um capacete, estão parados próximo ao Mausoléu.

MORGAN: Vocês deveriam reconsiderar a minha oferta. Eu também toco guitarra. E posso ajudar vocês.

CLIFF: Não bastava a Devilin Yoko. Agora só faltava o quinto Beatle. (pausa) Ô Camarada! Cinco é muito. (faz quatro com os dedos) Quatro é perfeito.

MORGAN: Então, você gosta de quatro?

CLIFF: Como é que é? Me segura senão vou enfiar a mão na cara desse cara.

     Ninguém faz o que ele pediu.

CLIFF: Eu falei para vocês me segurarem.

     Morgan ameaça ir até ele e Cliff se esconde atrás de Damien.

MORGAN: Os The Hollies eram cinco. Nós podemos unir força.

     Os três arrastam Damien, se afastam, se abraçam, fazem uma roda e cochicham por um tempo. Voltam-se para Morgan.

LENNY: Nós nem te conhecemos.
MORGAN: Então, me dê uma oportunidade de mostrar quem eu sou.

     Os quatro fazem uma roda de novo. E voltam em seguida.

CLIFF: Se você rebolar como a Beyoncé.

MORGAN: Posso ensiná-los a como expandir seus poderes.

     Lenny, Scott e Cliff iam se afastar para fazer a roda de novo, mas, Damien os impede.
DAMIEN: Chega dessa palhaçada. (olha para Morgan) Se a gente precisar, a gente te chama.

MORGAN: Ok. A gente podia dividir os demônios. Mas, vocês que sabem. Sou muito bom em caçada.

LENNY: Tenta a sorte.

     Morgan coloca o capacete e olha para trás. No outro lado da estrada, está Meg Chan sentada na garupa da Harley-Davidson de Morgan. Ela chora, funga o nariz e limpa com o punho da jaqueta dele.

MORGAN (volta para eles): Droga! A minha única jaqueta preferida. Pode deixar que eu cuido da garota e explico tudo pra ela. (pausa) Andei conversando com Meg, ela cuida avó doente, só que não tem a menor paciência com a velha e, adivinham: a mau trata o tempo todo.

     Morgan olha para o carro. Herman está sentado no banco de passageiro.

MORGAN: Enquanto ao velho Harris?

DAMIEN: Pode deixa que nós cuidamos dele.

MORGAN (grita): Cripta!

     A moça se assusta e quase cai porque a moto se desloca sozinha até Morgan. Ele monta na moto.

MORGAN: Vamos menina!

     Cripta dá partida acelerando. Mausoléu começa a buzinar disparadamente.

CLIFF: Olha aí! Mausoléu tá querendo uma namorada.

MORGAN: Não mesmo!

     A moto canta os pneus e sai em alta velocidade. Os rapazes contornam o carro, entram e o veículo dá partida.

CLIFF (fora da tela): Eu já falei que o banco de passageiro é o meu lugar.
LENNY (fora da tela): Para de choramingar

     O carro se perde no fim da estrada. REDUZA para NEGRO de TELA>>.

         FADE TO BLACK:

FADE IN:

CENA 40. INT. – CAIS DE BELMONT – MANHÃ:

     Damien está sentado à margem do ancoradouro, com um violão e com o olhar perdido. Na distância, é possível AVISTAR algumas embarcações navegando. Ele começa a tocar a canção: Me And The Devil Blues de Robert Johnson.

DAMIEN: Early this mornin’ when you knocked upon my door. Early this mornin', ooh, when you knocked upon my door. And I said, Hello, Satan. I believe it's time to go. Me and the Devil was walkin' side by side. Me and the Devil, ooh was walkin' side by side. And I'm goin' to beat my woman. Until I get satisfied.

     LEGENDA: Hoje de manhã cedo quando você bateu em minha porta. Hoje de manhã cedo, ooh quando você bateu em minha porta. E eu disse: Olá, Satã. Acho que é hora de irmos. Eu e o Demônio estávamos andando lado a lado. Eu e o Demônio, ooh estávamos andando lado a lado. E vou espancar minha mulher. Até que eu fiquei satisfeito.

     Lenny surge e senta-se ao lado de Damien.

LENNY: Tudo bem, Damien?

     Não há resposta. Damien para de tocar, se põe de cócoras, apanha uma pedra e lança ao mar. A PEDRA faz um efeito de oscilação contra água.

DAMIEN: Você é feliz, Lenny?

LENNY: Não estou entendendo o porquê da pergunta.

Damien sorri sempre com o olhar perdido.

DAMIEN: Eu pensava que felicidade era os gritos histéricos das fãs, os flashes fotográficos e a fama.

     Damien ataca outra pedra na água. Lenny se coloca na mesma posição do amigo.

DAMIEN (cont’): Depois, que voltamos do inferno. A primeira coisa que fiz: foi ir atrás da minha mãe. (respira fundo) Foi muito triste. Ela não me reconheceu e nem sabia quem eu era. Pensou que eu fosse um de nossos fãs e fechou a porta na minha cara. Ela sofria muito a minha morte. (os olhos cheios d’água) Eu não tive nem tempo sequer de dizer: Adeus. E nem ao menos dizer: eu te amo. Usando a dupla vista, a visitei por várias noites, em seu sofrimento e em seu sono angustiante. Era só nós dois. Quando morreu somente eu fui em seu enterro.
     Lenny coloca a mão no ombro do amigo. Por fim, uma gota de lágrima risca o rosto de Damien.

DAMIEN: Quando criança, às vezes eu me machucava. Ela fazia curativo. Às vezes trazia café na cama. Me levava ao parque. Aquilo para mim era ser feliz. (pausa) É por essa e outras, que eu comecei a buscar uma forma de acabar com Lucy Ferris. Faz um bom tempo que venho pesquisando. Demorei, mas, encontrei a um ano atrás.

LENNY: Como assim?

DAMIEN: Reza a lenda, que existe um livro chamado: guia das sombras, e que nele continha um poderoso conjuramento, que podia aprisionar o demônio eternamente. Porém, Lucy Ferris, de alguma forma descobriu, e como a página não podia ser destruída, ela dividiu a página em 5 partes, as escondendo espalhadas pelo mundo. Pode estar: escondidas em objetos antigos, enterrado em covas, etc. Eu encontrei quatro delas.

LENNY: Por que não nos falou antes?

DAMIEN: Porque vocês não sabem guardar segredo. (pausa) De início, vamos manter isso somente entre nós dois. (pausa) Encontrei uma no Fort Thomas, no estado do Kentucky. A outra, encontrei em Victoria, no Canadá. Quando enfrentamos o demônio Abash, e ajudamos Helena Smith.

      Lenny balança a cabeça compreendo a conversa.

DAMIEN: A terceira, encontrei em Lalish, no norte do Iraque. Quando fomos atrás de Malek-Taus. A quarta, encontrei em Turin, na Itália, também era o lar de uma das mais prósperas comunidades satânicas de toda a Europa.

LENNY: Mas, constatamos que satanismo só existe no imaginário popular.

DAMIEN: Mas, é a Lucy quem diz isso.

     Lenny confirma ao mesmo tempo que se mantém em estado de hesitação.

DAMIEN: O mais interessante desta história, é que dizem que a cidade de Turim forma um triângulo mágico com Londres e São Francisco propenso à prática de magia negra.

LENNY: Então, a quinta parte pode estar tanto em Londres como em São Francisco?
DAMIEN: São Francisco não está, eu chequei. E na semana passada, em Londres; quando caçávamos Bradak, vasculhei toda a cidade; e não há nenhuma possibilidade de estar lá.

LENNY: Deve estar em algum lugar da Inglaterra.

     Damien faz que sim.

DAMIEN: Mas, não sabemos onde. Ainda. (pausa) Só que há: um, porém, nisso tudo. Somente cinco crianças, que são reencarnações de antigos bruxos e que possuem os sinais escarlates, podem restaurar a página. E o livro ser lido e esconjurar Lucy Ferris. O pássaro sombrio aparecerá e levará Lucy para as profundezas do inferno, e nos livrará da maldição de uma vez por todas.

LENNY: Certo, vamos fazer de tudo pra que isso aconteça. (pausa) E quantas crianças você já encontrou?

DAMIEN (joga uma pedra): Nenhuma ainda. (pausa) Mas, há indício que todas elas se encontram-no centro do triângulo. Bem provável que estejam aqui na Inglaterra.

LENNY: Mas, como você conseguiu essas informações?

DAMIEN: De uma fonte desconhecida.

LENNY: Mas, é segura essa fonte?

DAMIEN (faz que não): Eu não sei. Contudo, foi ela ou ele que me deu as pistas dos paradeiros das páginas. Mas, não somos só nós que sabemos de Lucy.

LENNY: Será outro demônio?

DAMIEN (vacila com a cabeça): Talvez sim. Talvez não. Mas, isso não importa. (aperta o punho) Desde que nós consigamos acabar com Lucy, pra mim, já tá bom.

     Damien joga a última pedra, apanha o violão, levanta-se, e abandona Lenny. Ele fica encarando o mar, pouco tempo depois se levanta também e sai de cena. DOIS PARES de BOTAS de caubóis invade a tela. Michael observa os dois rapazes se afastarem, sorri e sai do quadro.

CORTA PARA:

CENA 41. EXT. - INFERNO BAR & NIGHTCLUB – NOITE:

     Pregado à parede tem um vistoso cartaz da banda: The British Boys. Formada por três rapazes e uma garota. A imagem tem os atores: Thomas Brodie-Sangster (Damien), Jun Matsumoto (Lenny), Maicon Rodrigues (Scott), Elizabeth Cappuccino (Cliff).

CORTA PARA:

CENA 42. INT. - INFERNO BAR & NIGHTCLUB – NOITE:

     O PLANO está REDUZIDO em NEGRO de TELA. Mas, dá para OUVIR o BURBURINHO da plateia. Uma VOZ anuncia.

VOZ: Ele são daqui de Newcastle. Os novos: T-H-E B-R-I-T-I-S-H B-O-Y-S.

     A luzes se acendem. No centro do palco, todos começam a tocar seus respectivos instrumentos e Damien passa a cantar a música: Somebody To Love da banda Jefferson Airplane.

DAMIEN: When the truth is found to be lies. And all the joys within you dies.

     LEGENDA: Quando a verdade se revela mentira. E todos os contentamentos dentro de você morrem.

     Fazer a troca entre os atores principais e seus alteregos em meios aos ângulos. Uma CENA composta de muitas TOMADAS ÁREAS. A CÂMERA sobrevoa o público. O bar imenso está lotado. O JOGO de LUZ faz com que o ambiente fique psicodélico.

DAMIEN, LENNY & CLIFF: Don't you want somebody to love? Don't you need somebody to love? Wouldn't you love somebody to love? You better find somebody to love.

     LEGENDA: Você não deseja ter alguém para amar? Você não precisa ter alguém para amar? Não amaria ter alguém para amar? É melhor encontrar alguém para amar.

     A CÂMERA sobrevoa o público. PERCEBEMOS: Lucy e Marie Claire; Devilin e Eric; Michael; espalhados entre as pessoas. Damien faz um solo na guitarra e Lenny e Scott cercam ele. 

DAMIEN: When the garden flowers baby are dead yes. And your mind, your mind, is so full of red.

     LEGENDA: Quando morrem as flores do jardim. E seus pensamentos estão ruborizados.

     CORTAR de um para outro enquanto dançam. Próximo à margem do palco, Devilin bates palmas aos altos. Michael arrisca alguns passinhos, dança de forma amalucada e desengonçada, esbarra nas pessoas e as incomoda. Lucy chacoalha o esqueleto e dança com Marie Claire.

DAMIEN, LENNY & CLIFF: Don't you want somebody to love? Don't you need somebody to love? Wouldn't you love somebody to love? You better find somebody to love.

     LEGENDA: Você não deseja ter alguém para amar? Você não precisa ter alguém para amar? Não amaria ter alguém para amar? É melhor encontrar alguém para amar.

LUCY (grita para um rapaz ao lado): São os meus meninos!

MARIE CLAIRE: Damien, eu te amo. (olha para uma moça ao lado) Ele é meu namorado.

DAMIEN: Your eyes, I say your eyes may look like his. But in your head baby I'm afraid you don't know where it is.

     LEGENDA: Seus olhos, eu disse, seus olhos podem parecer com os deles. Mas em sua cabeça baby, temo que você não saiba onde está.

     Nisso, entram cinco MOÇAS vestidas de DIABRETES ao palco (é uma fantasia de diabinha sexy, composta de espartilho de couros, lingerie, luvas, chifre, meia arrastão 7/8 vermelha e tridente nas cores vermelhas). O público masculino vai a delírio. Lenny fica doidinho com que vê.

DAMIEN, LENNY & CLIFF: Don't you want somebody to love? Don't you need somebody to love? Wouldn't you love somebody to love? You better find somebody to love.

     LEGENDA: Você não deseja ter alguém para amar? Você não precisa ter alguém para amar? Não amaria ter alguém para amar? É melhor encontrar alguém para amar.

     As meninas dançam de forma coreografada e esbanja muita, mais muita sensualidade.

MARIE CLAIRE (para Lucy): Eu que tive a ideia das diabetes.

LUCY: Diabretes!

     Lucy faz careta para ela. Michael dança igual a elas, sempre irritando as pessoas. Damien sola. Scott dedilha o baixo. Lenny dança com uma diabrete. Cliff detona na bateria.

DAMIEN: Tears are running ah running down your breast. And your friends baby they treat you like a guest.

     LEGENDA: Lágrimas escorrem ah escorrem pelo seu peito abaixo. E seus amigos baby o tratam como uma visita.

     Próximo ao palco. Eric se insinua para Cliff, que torce o nariz para ele e faz cara de nojo.

ERIC (para Devilin): Nossa! A baterista é uma gatinha. Bem que você podia pedir ao seu amigo pra ele me apresenta-la.

DAMIEN, LENNY, SCOTT RESMUNGA & CLIFF: Don't you want somebody to love? Don't you need somebody to love? Wouldn't you love somebody to love? You better find somebody to love.

     LEGENDA: Você não deseja ter alguém para amar? Você não precisa ter alguém para amar? Não amaria ter alguém para amar? É melhor encontrar alguém para amar.

     CORTE BRUSCO:

CENA 43. INT. – ESCRITÓRIO DE LUCY – INFERNO – SEM TEMPO:

     Como de costume, Lucy está sentada na poltrona de pernas cruzadas e balança uma delas impacientemente como se esperasse algo. Ela usa um conjunto social branco. Marie Claire abre a porta e entra. Lucy vai ao encontro dela. Marie Claire segura um embrulho como o de uma correspondência e passa para Lucy.

LUCY: O meu mais novo sucesso chegou?!

     Ela rasga o pacote. É um disco de vinil. Os olhos de Lucy brilham de felicidade. Ela chega a rodopiar com o disco apertado contra o peito. Marie Claire ia fazer o mesmo, mas, Lucy a empurra da sala.

LUCY: Vai! Vai! Vai! Vai arrumar o que fazer!

     Marie Claire sai tropeçando nos pés. E Lucy fecha a porta com a força atrás dela. Ela vislumbra a capa do disco.

PONTO DE VISTA DE LUCY

     A capa do disco tem o rosto de Kruuldreshbasba. Na parte superior da capa está escrito: A banda do diabo e na parte inferior escrito: A balada do inquisidor.

VOLTA À CENA

      Lucy arranca o disco da capa, o coloca no gramofone, posiciona a agulha sobre as estrias do disco e entra o chiado. Antes mesmo de a música começar, Lucy se acomoda em sua poltrona e espera. Em vez de sair uma música, o som EMITE vários gritos de lamentos e choro do demônio. Lucy fecha os olhos, de início ela sorri, mas, depois seu cenho fecha e lágrimas escorrem dos seus olhos.

FADE OUT.
   

 

     

CREATED BY:

L.F D'Oliveira
 

STARRING:

 

Dane Dehaan…………………………………………………………………………………………………Damien Gray

Aaron Taylor-Johnson……………………………………………………………………………Lenny Hide

Paul Dano………………………………………………………………………………………………………Scott Thorn

Daniel Radcliffe……………………………………………………………………………Cliff Castevet

Eddie Redmayne…………………………………………………………………………………Morgan Jekyll

Zoe Saldana……………………………………………………………………………………………Devilin White

Michael Ealy………………………………………………………………………………………………Eric Ulrich

Alison Sudol……………………………………………………………………………………………Marie Claire

 

GUEST STARRING:

 

Werner Herzog……………………………………………Shelton Davis/Kruuldreshbasba

Zuleikha Robinson………………………………………………………………………………Esther Blake

Matthew Lillard...........................................Stone, The Criminal Expert

Harris Dickinson………………………………………………………………………………………………Realtor

Kaitlyn Oechsle………………………………………………………………………………Reba McCartney

Phoebe Fox………………………………………………………………………………………Sandra McCartney

Sofia Boutella……………………………………………………………………………………………Dominatrix

Liu Yifei………………………………………………………………………………………………………………Meg Chan

Harry Peacock………………………………………………………………………………………………Burglar #1

Max Brown…………………………………………………………………………………………………………Burglar #2

Charlie Hunnam…………………………………………………………………………………Dr. Nick Evans

Zani Jones Mbayise…………………………………………………………………………………Black Girl

Retta………………………………………………………………………………………………Black Girl Morther

Aleksander Krupa…………………………………………………………………………………Truck Driver

Julie Dawn Cole……………………………………………………………………………………………Old Woman

Alan Bennion……………………………………………………………………………………………………………Beggar

John Oliver……………………………………………………………………………………………………Subway Man

Kit Harington………………………………………Marie Claire'S Alternative Form

 

SPECIAL GUEST STARS:

 

Jeff Brigdes…………………………………………………………………………………………Angel Michael

Helen Mirren………………………………………………………………………………………………Lucy Ferris

Sean Bean…………………………………………………………………………………………………Herman Harris

Jim Parsons………………………………………………………………………………………………………Naked Man

Christopher Plummer………………………………………………………………………………………………Uber

Paul Freeman & Jacqueline Bisset……………………………………………Old Couple

Alexis Bledel……………………………………………………………Lucy's Alternative Form

Thomas Brodie-Sangster………………………………Damien's Alternative Form

Jun Matsumoto…………………………………………………………Lenny's Alternative Form

Maicon Rodrigues…………………………………………………Scott's Alternative Form

Elizabeth Cappuccino………………………………………Cliff's Alternative Form

FADE IN:

CENA 44. – QG DA BANDA – BECO – DIA:

     Cliff caminha até o Mausoléu estacionado. Quando ele vai enfiar a chave na fechadura do veículo o carro dá ré. Cliff repete a ação e o carro anda para frente

CLIFF: Vai, Léu! Eu já pedi desculpas.

     Cliff volta até o carro, tenta abrir a porta com a chave, mas, não consegue.

CLIFF: Me deixa entrar!

     A porta do passageiro se abre. Ele contorna o veículo, mas, quando chega a porta se fecha, daí então, abre se a porta do motorista. Ele repete ação. A porta do passageiro se abre de novo.

CLIFF: Chega de graça, Léu!

     O carro buzina.

CLIFF: O quê? Eu não vou sentar a minha bunda suja em você?

     Cliff coloca as mãos na linha da cintura.

CLIFF: Se você não parar de malcriação, eu não vou te levar mais para passear no cemitério.

     A porta do motorista se abre.

CLIFF (passa a mão no teto do carro): Isto, bom garoto!

     Quando Cliff coloca metade do corpo para dentro, a porta se fecha e ele fica imprensado. A BUZINA dispara. Cliff chora de dor. A CÂMERA se afasta deles.

CLIFF: Damien! (nada) Lenny! (nada) Scott! (nada) Lucy! (nada) Alguém! (nada) Homem lá de cima!

FADE OUT.
    
CREDENTIAL:

*Menção a Nilo Rodrigues e Mandrake Pub, homenagem à serie Anti-Herói e a escritora Cristina Ravela

*Menção a Banda Membrana Mucosa e casa noturna Casanova, referência a banda de John Constantine e local onde costumam tocar na HQ: Hell Blazer.

PREVIEW SOUNDTRACK:

Steppenwolf – Born To Be Wild.
The Box Tops - The Letter
Cream - Sunshine Of Your Love
In A Gadda da Vida – Iron Butterfly
Them – Gloria

MUSICAL PERFORMANCE:

Robert Johnson – Me And The Devil Blues
Jefferson Airplane - Somebody To Love

CREATED, WRITTEN, PRODUCED & DIRECTED BY:

Luiz Fernando de Oliveira

OPENING THEME BY:

The Animals – The House of The Rising Sun

EXECUTIVE PRODUCERS:

Cristina Ravela & Bruno Olsen

SPECIAL THANKS TO:

Deise Coelho.

PRODUCED BY:

8 MILIMETRES FILMS & PRODUCTIONS

SOON DISTRIBUTED BY:

House of Series & Factory Films

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Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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FADE IN:

CENA 01. INT. – CASA DE CHARLOTTE – PORÃO – DIA:

     Um HOMEM (Eric Dane) está amordaçado e amarrado a uma cadeira, enquanto CHARLOTTE LEE RAY (Rebecca Gayheart) usa um maçarico para queimar suas partes íntimas. O homem solta um grito abafado e esperneia.

CORTA PARA:

CENA 02. INT. – CASA DA CHARLOTTE – QUARTO DE CASAL – DIA:


     Charlotte esvazia gavetas e joga as roupas numa mala sobre a cama. A filha AMANDA (Ruby Barnhill) de doze anos surge na entrada.

AMANDA: Mamãe, está acontecendo alguma coisa?

CHARLOTTE (se vira): Vamos filha, apanhe suas coisas. Temos de ir!

AMANDA (confusa): Ir para onde? E o papai?

     Amanda fica estacada observando a ação frenética da mãe.

CHARLOTTE (grita): Se apresse Amanda!

     Amanda se apressa e sai de cena. Charlotte apanha um maço de dinheiro de um compartimento escondido no assoalho. Ela coloca um piercing no nariz, apanha um cigarro do maço e acende.

CORTA PARA:

CENA 03. INT. – CASA DE CHARLOTTE – GARAGEM – DIA:

     A imagem está OBSCURECIDA. OUVE-SE um RUÍDO PLÁSTICO. É Charlotte. Ela remove a capa protetora para carro e revela um IMPALA negro 1968. Ela e a filha chorosa entram.

CORTA PARA:
    

CENA 04. INT/EXT. – AUTOESTRADA – NOITE:


     Alternar as imagens para dentro e fora do veículo. O Impala passa a toda velocidade. Charlotte guia como um piloto de fórmula 1. A estrada está bloqueada com VIATURAS policiais. É uma blitz. Um OFICIAL com insígnias de sargento vai de carro em carro. o impala freia. Charlotte recosta a cabeça ao volante e chora copiosamente. Pelo PARA-BRISAS, VEMOS a aproximação do Sargento em direção ao Impala.

FADE OUT.

END CREDITS.







INFO TRAILER

     VÁRIOS PLANOS:

     - O SOL causticante oscilando calor na linha do horizonte. >> Um HELICÓPTERO APACHE sobrevoa uma região vegetada. >> CARTÃO de TÍTULO:

VIETNÃ, CAMBOJA.
A TELA ESCURECE.

     - Dele, desce a atriz Michele Rodrigues trajada com roupas estilizada de guerrilha. Ela usa um tapa-olhos e segura uma metralhadora. >> CARTÃO de TÍTULO:

CAPITÃ JANE ONE-EYED.

     NARRADOR: Quatro mulheres distintas...
A TELA ESCURECE.

     - A cabeça da atriz Shannon Elizabeth emerge da água de um rio. Ela espreita entremeada à água como um crocodilo. Coloca uma faca na boca e nada à margem do rio. >> CARTÃO de TÍTULO.
TANGO MCNAMARA

     NARRADOR: Elas reunirão forças...
A TELA ESCURECE.

     - A atriz e cantora Jessica Simpson dirige um Porsche em alta velocidade e atropela um soldado. Salta do veículo, puxa com o dente o lacre de uma granada e lança contra outro soldado. >> CARTÃO de TÍTULO.

LIBBY MOTHERFUCCKER

     NARRADOR: Para um único propósito:
A TELA ESCURECE.

     - A atriz Tiffany Claus dá um salto espetacular por cima de um homem e o enforca com uma corda. >> CARTÃO de TÍTULO.
ERIN BULLET.

     NARRADOR: Salvar a filha do presidente dos estados unidos.
A TELA ESCURECE.

     - Jane dá instruções para as demais garotas.

     JANE: Temos que trazê-la viva. Ela é filha de um grande amigo meu. >> CORTA:

     - Tango golpeia um SOLDADO em várias partes do corpo com facas. >> CORTA:

     - Libby num combate corpo a corpo com o ator Jean Claude Van Damme (Coronel Gailer). Ela leva a pior. >> CORTA

     - Erin corre a toda velocidade por uma ponte que desmorona atrás dela. >> CORTA

     CORONEL GAILER: Matem todas, menos Jane Caolho. Tragam-na para mim, eu mesmo vou esquarteja-la. >>CORTA

     - Jane guia uma moto em alta velocidade. Salta dela enquanto a moto explode num JIPE do exército. >> CORTA

     - Tango corre enquanto linhas de balas se formam atrás dela. Ela se joga por detrás de uma barricada. A tempo Tango apanha uma BASUCA, mira num helicóptero. BUM!

     TANGO: Mais sorte na próxima vez.
    
     - Libby aciona vários mecanismos de bombas. Mostrando a explosão em vários pontos em CORTES RÁPIDOS. >> CORTA

     - Erin é ferida num braço por uma BALA e rola morro abaixo. Quando o autor do disparo vai checar se ela morreu, é recebido com um tiro na cabeça. Ela sopra o cano fumegante da arma e sorri.
A TELA ESCURECE.

     - Uma área costeira explode e Jane Caolho mergulha ao mar. Uma linha de fumaça ergue ao ar. A cabeça dela emerge da água. E ela assiste uma base militar pegar fogo.

     NARRADOR: ELAS SÃO PERIGOSAS. >> CORTA

     - Tango grita e alveja um grupo de SOLDADOS com uma METRALHADORA de assalto M60 enquanto uma pilha de balas se forma ao chão.

     TANGO (grita feito louca): Morram, desgraçados!

     NARRADOR: ELAS SÃO FURIOSAS. >> CORTA

     - Libby aplica uma chave área no ator JET Li e o imobiliza. Ele se levanta com ela presa ao pescoço.

     NARRADOR: ELAS SÃO DESTEMIDAS. >> CORTA

     - Erin pilota o helicóptero apache. Num voo rasante. Ela alveja soldados com as metralhadoras acopladas na aeronave.

     NARRADOR: ELAS SÃO SANGRENTAS... CARTÃO de TÍTULO >>

DOS MESMOS PRODUTORES DE THEY, DRAKE e THE DEVIL’S BAND.

     UMA SÉRIE de PLANOS RÁPIDOS: Fuga. Morte. Sangue. Gritos. Correria total.   CARTÃO de TÍTULO >>

UM FILME DE L.F. D’OLIVEIRA

     NARRADOR: ELA SÃO... >> NEGRO de TELA.

     No fundo da TELA surge uma BALA, vindo em NOSSA DIREÇÃO, girando lentamente e formando ao seu redor ondas de repulsão contra de resistência do ar. Ela se aproxima mais, até que... EXPLODE. Seus diversos estilhaços se espalham e giram, giram rapidamente, até abrir formando no título principal...

PSYCHO GIRLS:
Armadas Até Os Dentes

     O TÍTULO também explode e quebra em muitos pedaços.

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