Talismã - Capítulo 08




CAPÍTULO 08
 
     
     
     
     
 
 
 

CENA 01. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. INT. DIA.

Continuação do capítulo anterior. Tarcísio se encanta por Lívia.

TARCÍSIO: - Qual o seu nome?

LÍVIA: - Me chamo Lívia.

Tarcísio e Lívia trocam olhares.

PAULO: - Muito obrigado, Lívia. Agora, se nos permite, estamos no meio de uma conversa importante.

LÍVIA: - Claro. (desvia o olhar de Tarcísio). Com licença. Se precisarem de alguma coisa, podem me chamar.

Lívia se retira.

PAULO: - E então você está decidido mesmo?

TARCÍSIO: - Paulo, você viu?!

PAULO: - Vi o quê?

TARCÍSIO: - Essa moça, a Lívia.

PAULO: - O que tem essa moça?

TARCÍSIO: - Não sei, mas... Ela tem algo que me chamou a atenção.

PAULO: - Só você mesmo para ter a atenção atraída por uma recepcionista de restaurante.

TARCÍSIO: - Ela tem algo especial.

PAULO: - Ei, Tarcísio! Volta pra terra! Vamos falar do que interessa agora, que é o seu futuro, o fim do seu casamento e sua nova vida junto com a Marilu. Isso sim é especial e merece um tratamento cuidadoso!

Tarcísio fica pensativo.

CENA 02. CASA TARCÍSIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Inês consola Elizabeth.

INÊS: - Mas Beth, isso que você foi uma loucura! Você perdeu a razão!

ELIZABETH: - Quem perdeu a razão, o respeito e o bom senso foi ele! O Tarcísio levou aquela vagabunda pra festa, mostrou pra todo mundo a nossa crise. Imagina a minha humilhação! Eu fiquei sem chão.

INÊS: - Mas e agora, com esse divórcio, como ficarão as coisas?

ELIZABETH: - Eu não sei. Com certeza pobre eu não vou ficar. Até porque o Tarcísio fez dinheiro em cima do patrimônio que eu já tinha. Então a minha parte eu levo. Agora só preciso arranjar um bom advogado.

INÊS: - Não falo apenas no dinheiro. Falo de você. Como vai ser daqui pra frente?

ELIZABETH: - Não sei, Inês. Sinceramente eu não sei. Eu to precisando relaxar, colocar a cabeça no lugar. Agora é tanta coisa acontecendo que eu não consigo nem pensar.

INÊS: - Por que você não viaja então?

ELIZABETH: - Viajar?

INÊS: - É. Vai para o exterior, tira um tempo pra você. Deixa essa cabeça entrar nos eixos. Aí, quando você voltar, resolve todas essas pendências com o Tarcísio.

ELIZABETH (cogita): - Viajar... Já tem tempo que eu não saio de casa mesmo.

INÊS: - Então!... Paris, Londres, Amsterdã.

ELIZABETH: - Nova York. Adoro o universo de Nova York.

INÊS: - Vá para Nova York então! Aproveita a oportunidade amiga pra pensar em você, no seu futuro, na sua vida. Vai te fazer bem, com certeza.

ELIZABETH: - Acho que você tem razão, Inês. Essa viagem vai me fazer bem.

CENA 03. PENSÃO BEM QUERER. PÁTIO. EXT. DIA.

Oscar varre o chão quando percebe que alguém se aproxima. Ele olha e vê Rosa, que vai se aproximando, um tanto apreensiva. Oscar para, impressionado.

ROSA: - Oi.

OSCAR: - Oi.

ROSA: - Você deve ser o seu Oscar.

OSCAR: - Sou eu sim. E você é/

ROSA: - Rosa. Me chamo Rosa. Eu sou/

OSCAR: - A filha da...

Nesse instante, Alaíde chega.

ALAÍDE: - Oscar, queimou a lâmpada da cozinha, depois você troca lá/ (percebe Rosa/ surpresa) Você?!

ROSA: - Desculpem aparecer aqui assim, sem avisar. Vejo que estou atrapalhando, causando mal-estar, eu volto outra hora.

ALAÍDE: - Imagina! Fique! Eu é que te peço desculpa pela nossa reação, mas é que você não aparece aqui há anos!

OSCAR: - Achávamos que nem estivesse mais aqui no Brasil.

ROSA: - De fato eu não estive, mas já faz alguns dias que eu voltei.

ALAÍDE: - Fez bem. Nós precisamos conversar.

ROSA: - E eu já sei do que se trata. É sobre minha mãe.

OSCAR: - É sobre sua mãe sim.

Os três se olham.

CENA 04. APTO MARILU. QUARTO. INT. DIA.

Marilu e Henri conversam. Ela deitada na cama, ele sentado numa poltrona, próximo.

HENRI: - Você sabe muito bem como tratar esse homem, hein? Ele fez direitinho o que você pediu.

MARILU: - Mas Henri, eu não sou boba né? Tem que saber jogar direitinho. Mas não é tão fácil assim. Tarcísio é um homem difícil, de personalidade forte.

HENRI: - Mas mesmo assim. Ele saiu decidido a botar pra quebrar contra a mulher/

MARILU (firme): - Ex-mulher!

HENRI: - Claro, ex-mulher.

MARILU: - A mulher dele agora sou eu.

HENRI: - É, só falta oficializar né?

MARILU: - Ah, isso é detalhe.

HENRI: - Um detalhe importante, diga-se de passagem. Ele se separa da mulher, fica com você. Mas vocês nem casados, nem noivos, nem num compromisso mais formal estão ainda. Pode muito bem surgir outra pessoa e fisgar ele.

MARILU: - Tá agourando a minha felicidade, é isso, Henri?!

HENRI: - Longe de mim fazer isso, mas é uma possibilidade que pode acontecer.

Marilu fica pensativa.

HENRI: - Amarra logo esse homem pra você não perder esse futuro brilhante, cheio de conforto e dinheiro!

MARILU: - Eu vou pensar nisso. Mas antes, quero que você me ajude também.

HENRI: - O que quer que eu faça?

MARILU: - Não deixa o Tarcísio, por hipótese alguma, colocar os pés dentro da Age Aquarious! Não quero nenhuma vagabunda dando em cima dele. Eu não tenho como me apresentar lá, nem sair de casa nesse estado. Mas você vai ser meus olhos e meus ouvidos lá dentro.

HENRI: - Como sempre fui, não é?

MARILU: - Mas agora ainda mais do que nunca. O Tarcísio vai ser só meu. Não quero ninguém, tá ouvindo? Ninguém perto dele!

HENRI: - Claro, pode deixar que tomarei conta disso. Mas, lá na boate eu me garanto, e aqui fora? Como você vai fazer pra cuidar os passos dele?

MARILU: - Eu tenho alguém que me ajuda nisso.

HENRI: - É? Quem?!

MARILU: - Você não precisa saber quem é. A única coisa que interessa pra você agora é fazer a sua parte. Só isso.

Os dois se olham, cúmplices.

CENA 05. AMARO. SALA RAFAEL. INT. DIA.

Rafael e Vitória conversam.

RAFAEL: - Aconteceu isso mesmo?!

VITÓRIA: - Sim.

RAFAEL: - E por que você não me ligou, não me avisou?

VITÓRIA: - Não adiantava de nada, Rafa! Você ia fazer o quê? Gritar com eles? Só ia aumentar a discussão.

RAFAEL: - E a mamãe, como ficou?

VITÓRIA: - Arrasada né? Papai pediu divórcio. Vai falar com o Alfredo e providenciar tudo.

RAFAEL: - A separação deles eu já dava mais do que confirmada. Mas não dessa forma, com brigas e agressões.

O telefone de Vitória toca. Ela vê a chamada.

VITÓRIA: - É a mamãe!

RAFAEL: - Atende!

VITÓRIA (ao telefone): - Oi mãe! Como você tá? (T) Tá melhor mesmo? (T) Sim, to com o Rafa (T) Acho que dá sim (T) Tá bom, estamos indo. Beijos (desliga o telefone)

RAFAEL: - E aí, como ela tá?

VITÓRIA: - Tá bem, mas disse que quer falar com a gente, hoje à noite.

RAFAEL: - Não disse nada sobre o assunto?

VITÓRIA: - Não. Mas é pra gente ir pra mansão.

RAFAEL: - Bom, então vamos. Saímos daqui e vamos direto pra lá...

VITÓRIA: - Tá certo. Já almoçou?

RAFAEL: - Ainda não. Tá afim de ir comigo? A Beatriz vai comer com a Isabela, parece que estão precisando conversar.

VITÓRIA: - Claro, vou com você.

Os dois saem da sala.

CORTA PARA

CENA 06. CORREDOR. INT. DIA.

Rafael e Vitória saem da sala dele. Lorena caminha com uns documentos em mãos, vê Vitória e Rafael saindo no corredor, mas não os chama. Percebe que estão apressados. Tatiana se aproxima dela.

TATIANA: - O que foi, Lorena?

LORENA: - Nada não. Eu ia entregar esses documentos para o Rafael. É da reunião da parte da tarde, mas ele saiu com a vitória. Talvez tenham ido almoçar. Bom, depois eu levo. O Tarcísio já voltou?

TATIANA: - Ainda não. Nem ele nem o doutor Paulo.

LORENA: - Bem, eu vou deixar esses documentos na sala do Tarcísio e tratar de almoçar antes que termine meu horário. Você já almoçou?

TATIANA: - Ainda não.

LORENA: - Aceita meu convite?

TATIANA: - Claro! Eu não gosto de comer sozinha.

LORENA: - Então tá. Te aguardo na copa daqui a cinco minutos.

TATIANA: - Estarei lá!

CENA 07. RESTAURANTE. INT. DIA.

Isabela e Beatriz conversam, sentadas à mesa.

ISABELA: - Sabe que eu fiquei pensando naquilo que você me disse.

BEATRIZ: - E o que foi que eu te disse? (risos)

ISABELA: - Pra dar uma chance pro Conrado.

BEATRIZ: - Ah, claro... E aí, vai dar uma chance pra ele?

ISABELA: - Não sei ainda. Essa história toda me deixou um pouco chateada.

BEATRIZ: - Mas Isabela, pensa comigo. Vocês dois não tem nada um com o outro, você vive dizendo que não liga pro que ele fala ou faz. Agora, pra quem não tá nem aí pra ele, você até que tá dando bastante importância, não acha?

ISABELA: - Você tá achando, Beatriz, que eu estou me fazendo de difícil, é isso?!

BEATRIZ: - Eu acho!

ISABELA: - O quê?!

BEATRIZ: - Acho sim. Mas você é turrona, não quer dar o braço a torcer.

ISABELA: - E eu já acho que você ficou louca. Eu realmente não gosto do Conrado. E só fiquei chateada, porque achei um desrespeito ele marcar de jantar comigo e ficar de agarramento na porta do restaurante com outra mulher. Ninguém merece uma coisa dessas!

BEATRIZ: - Aham.

ISABELA: - Não tá acreditando em mim né?

BEATRIZ: - Tô, claro, porque não acreditaria?

ISABELA: - Conheço essa sua cara... (levanta)

BEATRIZ: - Onde você vai?!

ISABELA: - Pegar a sobremesa. Só um doce pra me fazer relaxar agora.

Beatriz ri. Isabela sai.

CENA 08. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. INT. DIA.

Tarcísio e Paulo vão saindo. Próximos da porta, Lívia e Roberto conversam, quando Tarcísio se aproxima.

ROBERTO: - E então, doutor Tarcísio, satisfeito com os nossos serviços? O senhor já é meu cliente aqui há bastante tempo, então sua opinião é importante.

TARCÍSIO: - Roberto, você sabe que o seu restaurante é o melhor da cidade, indiscutivelmente. Mas, uma coisa me chamou atenção aqui hoje.

ROBERTO: - O que foi? Não serviram seu prato como gosta? Não lhe trataram com respeito? Eu juro que/

TARCÍSIO: - Não, Roberto, não se preocupe. Eu fui tratado muito bem. E é sobre isso que eu queria falar. Essa linda moça que está ao seu lado é uma excelente recepcionista.

Lívia sorri, feliz com o elogio.

TARCÍSIO: - Ela é nova aqui, não?

LÍVIA: - Sim, sou sim.

ROBERTO: - Vejo que acertei então em contratá-la.

TARCÍSIO: - Acertou e muito bem. (se aproxima de Lívia) Pode ter certeza que virei aqui mais vezes.

LÍVIA: - E será muito bem recebido, doutor... (esqueceu o nome)

TARCÍSIO: - Tarcísio.

LÍVIA: - Desculpe! (ri, sem graça)

TARCÍSIO: - Imagina, isso acontece.

Paulo se aproxima.

PAULO: - Vamos Tarcísio, ainda temos uma reunião importante.

TARCÍSIO: - Vamos sim, claro. (a Roberto e Lívia) Até a próxima, tenham um bom dia.

ROBERTO: - Igualmente para o senhor!

Tarcísio e Paulo saem.

ROBERTO: - Lívia! Você recebeu um elogio de um dos homens mais importantes do Brasil!

LÍVIA: - Nossa, fiquei sem saber o que dizer! Ele me pareceu ser uma pessoa legal.

ROBERTO: - Ele é cliente há anos aqui do restaurante. Então agora você já sabe, tratamento mais do que especial pra ele. Eu vou lá na cozinha, ver como andam as coisas. Toma conta aqui.

LÍVIA: - Sim, pode ir.

Roberto sai. Lívia fica pensativa.

CENA 09. PENSÃO BEM QUERER. SALA. INT. DIA.

Rosa conversa com Alaíde e Oscar.

ALAÍDE: - Por que você sumiu no mundo, Rosa?

ROSA: - Eu precisava de um tempo para mim. Infelizmente, quando eu deixei minha mãe sob os cuidados de vocês, nós tínhamos vindo de uma grande briga.

OSCAR: - Foi grande mesmo, pra você nunca mais procurá-la. E isso já tem anos!

ROSA: - Eu me casei, fui para a Europa. Como meu marido tinha uma boa condição financeira, eu conseguia enviar dinheiro para vocês. Vejo que empregaram bem.

ALAÍDE: - Não vou negar que sua ajuda foi de grande valia. Conseguimos estruturar melhor a pensão, pagar a faculdade do Jonas.

ROSA: - Jonas?

OSCAR: - Nosso filho.

ROSA: - Vocês tiveram um filho? Que bacana!

ALAÍDE: - Sim, já tá um homem feito! Formado em publicidade e tudo! Garoto dá um orgulho que só vendo.

ROSA: - Que bom. Fico feliz por vocês.

OSCAR: - Mas nos diga, Rosa, porque você voltou só agora?

ROSA: - Desde que meu marido faleceu, há uns dois anos, eu passei a sentir algo estranho.

ALAÍDE: - Como assim?

ROSA: - Sensações, sonhos esquisitos. Passei a sonhar muito com a minha mãe. Ela me falava coisas que eu não conseguia decifrar, como se fossem enigmas, profecias. E desde que eu cheguei no Brasil, essas coisas se intensificaram muito.

Oscar e Alaíde se olham. Rosa percebe.

ROSA: - Vocês estão sabendo de alguma coisa?

ALAÍDE: - Olha Rosa, fico toda arrepiada até de falar. Mas, isso é muita coincidência.

ROSA: - O que? Do que vocês estão falando?

OSCAR: - É mais ou menos por esse período, que a sua mãe, a Wanda, tem tido uns surtos.

ROSA: - Surtos?

ALAÍDE: - É, ela anda falando umas coisas, parece até que tá prevendo o que vai acontecer. Ela nunca teve algo assim antes. Ficamos muito assustados. E desde a chegada da Lívia, a nova moradora da pensão, a Wanda tem tido essas loucuras quase que todos os dias!

ROSA: - Não são loucuras, Alaíde. A minha mãe sempre teve esse dom, de prever as coisas.

OSCAR: - Mas agora é demais, Rosa. Ela fala em talismã, amuleto, metamorfose. Junta tudo e faz uma salada de coisas estranhas.

ALAÍDE: - Se você sentiu e ela também, é sinal que vocês duas estão numa sintonia muito forte. Há uma ligação nisso tudo.

Nesse instante, Wanda entra na sala. Os três se surpreendem.

WANDA: - Eu sabia que você iria voltar, Rosa. Eu sabia.

Wanda e Rosa trocam olhares.

MUSIC ON: Toda la noche – Mario Bautista feat. Alok

CENA 10. MOTEL. QUARTO. INT. DIA.

Carla e um cliente (30 anos) entram no quarto do motel aos beijos. Muito tesão. Os dois caem sobre a cama, vão se despindo. Carla sobe no cliente, que está deitado. Ela vai tirando a blusa, sensualmente.

CLIENTE: - Isso gata! Tira tudo!

Carla tira a blusa, encara o cliente, sensual. Mas ao olhar o rosto do rapaz, ela enxerga o rosto de Breno. Sua expressão muda. Ela se afasta.

MUSIC OFF.

CLIENTE (estranha): - O que foi?!

CARLA: - Eu não posso.

CLIENTE: - Não pode o quê, gata? Vem cá!

CARLA (pega a blusa): - Não dá, eu não vou conseguir!

Carla sai correndo. O cliente fica sentado na cama, sem entender.

CLIENTE: - Mas que maluca!

CENA 11. AMARO. SALA TARCÍSIO. INT. DIA.

Tarcísio e Paulo entram.

PAULO: - Então agora você vai precisar se ausentar.

TARCÍSIO: - Me ausentar? Pra quê?

PAULO: - Como assim, pra quê? Pra tratar dos seus assuntos pessoais. Essas coisas precisam de atenção, meu amigo. Não dá pra conciliar o trabalho aqui da empresa com algo tão sério como esse assunto de divórcio, divisão de bens.

TARCÍSIO: - Imagina, Paulo. Eu consigo dar conta disso tudo sem precisar me afastar da empresa.

PAULO: - Bom, você que decide. Só quero que saiba que eu estou aqui, a disposição para dirigir o que for preciso aqui na Amaro.

TARCÍSIO: - Eu sei, sim, Paulo. Sei da sua competência e dedicação. E principalmente, da sua confiança. Pode deixar que, no que eu precisar, te chamarei.

Alguém bate à porta, entra em seguida. É Tatiana.

TATIANA: - Com licença, doutor Tarcísio, doutor Paulo. Já estão todos na sala de reunião esperando por vocês.

TARCÍSIO: - Obrigado Tatiana. Mas eu não vi ainda os documentos que tinha pedido para a Lorena me entregar.

PAULO: - A Lorena sempre com a cabeça na lua.

TATIANA: - Se me permite, doutor Tarcísio, acho que os documentos estão sobre a sua mesa, na pasta branca.

Tarcísio olha, encontra os papéis.

TARCÍSIO: - Estão aqui sim. Obrigado mais uma vez, Tatiana.

TATIANA: - Por nada, doutor Tarcísio. A Lorena é uma excelente profissional. Não se enganaria com documentos importantes como esses.

Paulo olha para Tatiana, faz pouco caso.

TATIANA: - Com licença. (sai)

TARCÍSIO (analisando os papéis): - Tudo aqui. Perfeito.

PAULO: - Vamos então?

TARCÍSIO: - Vamos sim. Mas vá na frente, Paulo. Eu antes quero ver um e-mail aqui, estou aguardando resposta.

PAULO: - Claro. Te vejo na reunião.

Paulo sai.  Tarcísio caminha pela sala, pensativo.

TARCÍSIO: - Lívia... Lindo nome.

CENA 12. CASA CHARLOTE. SALA. INT. DIA.

Charlote e Onira conversam.

ONIRA: - Então desde que meu marido faleceu, vivemos apenas eu e meu filho.

CHARLOTE: - Bom que ele te ajuda bastante.

ONIRA: - O Marcos é um companheiro sem igual. Educado, carinhoso, gentil. Sortuda a mulher que casar com ele.

Toca a campainha.

CHARLOTE: - Deve ser a Agda.

Charlote vai até à porta, recepciona Agda.

CHARLOTE: - Minha amiga! O que foi que aconteceu?

AGDA (entrando na sala): - Uma tragédia já anunciada, Charlote. Tarcísio pediu divórcio para Elizabeth.

CHARLOTE: - Meu Deus! Ela deve estar arrasada!

AGDA: - Pois é, ficou em casa chorando. A Inês foi lá, fazer companhia pra ela. Eu não tenho paciência pra essas coisas, você sabe. Pra mim esse casamento já teria acabado há muito tempo. Mas a Beth sempre foi boba, acreditou num conto de fadas. E deu no que deu. Caiu do cavalo.

CHARLOTE: - Agda, deixa eu te apresentar uma amiga minha, Onira.

ONIRA: - Olá, prazer.

AGDA: - Prazer, Onira. Como vai?

ONIRA: - Eu vou bem, mas pelo o que pude perceber, você está com problemas em casa? Sinto muito.

AGDA: - Eu? Com problemas em casa? Que nada, minha querida! Estou agora é aliviada! Não aguentava mais aquela arrogância toda do Tarcísio andando pelos corredores da minha casa. Estou é feliz que ele vai embora de vez.

CHARLOTE: - Nossa, Agda! Isso é jeito de falar!

AGDA: - Desculpe, Charlote, se às vezes eu choco você. Mas você me conhece, sabe que não consigo ficar com certas coisas engasgadas aqui na garganta. E Demétrio e as crianças?

CHARLOTE: - Demétrio está bem, deu uma saída. E Breno e Isabela estão trabalhando. Bom, acho que já posso mandar servir o almoço.

O telefone toca. Charlote atende. Agda senta-se no sofá, ao lado de Onira.

CHARLOTE: - Alô? (T) Oi Inês! (T) Sim, pode vir. (T) Mas, você não está aí com a Beth? (T) Sei... (T) se é assim, menos mal então. (T) Claro, pode vir. Estamos esperando você. (T) Beijos. (desliga o telefone)

AGDA: - A Inês?

CHARLOTE: - Ela mesma. Está vindo pra cá também. Disse que a Beth tomou um calmante, está mais tranquila. Até dormiu.

AGDA: - Bom, menos mal mesmo.

Antes que Charlote se retire, Onira se aproxima dela.

ONIRA: - Olha só, Charlote, acho que eu já vou indo pra casa.

CHARLOTE: - Como assim, Onira? Não vai ficar pra almoçar conosco? É só mais alguns minutos, a Inês já está vindo.

ONIRA: - Mas é um almoço de amigas, vocês provavelmente vão querer ficar à vontade pra conversar.

CHARLOTE: - Imagina, Onira! Você é minha convidada, faço questão. E as meninas não vão se importar de ter você conosco.

AGDA: - Por mim, pode ficar.

CHARLOTE: - Fique. Depois eu peço para o motorista deixá-la em casa.

ONIRA: - Tudo bem, me convenceu.

CENA 13. AMARO. CORREDOR. INT. DIA.

Tatiana caminha quando Paulo a corta. Ela carrega uns documentos.

PAULO: - Aonde você vai?

TATIANA: - Vou levar esses papéis para a Lorena, Paulo.

PAULO: - Doutor Paulo!

TATIANA: - Claro, desculpe.

PAULO: - Se a Lorena permite que a tratem como se fossem do mesmo nível tudo bem. Aliás, vocês são mesmo nível, meras serviçais. Mas eu, este tipo de tratamento não admito. Sempre que você se reportar à mim, é doutor Paulo.

TATIANA: - Tudo bem, eu entendi, doutor Paulo.

PAULO: - E que documentos são esses?

TATIANA: - São cópias do novo contrato da empresa com os europeus.

PAULO: - Me dê isso.

TATIANA: - Mas a Lorena pediu para que eu levasse/

PAULO (firme): - Eu mandei você me dar esses papéis. Agora.

Tatiana entrega os documentos para Paulo.

PAULO: - Eles ficarão comigo. Eu vou revisar e/

TATIANA: - Mas eu mesma já me encarreguei de revisar, cada papel desses. Está tudo correto.

PAULO: - Ah, então você revisou?

TATIANA: - Revisei sim. Está tudo certo, conforme foi acordado.

PAULO: - E que competência você tem para fazer isso?

TATIANA: - Eu sou a secretária da empresa. É uma das minhas funções.

PAULO: - Você não é ninguém aqui dentro, Tatiana. E seus dias aqui estão contados.

Tatiana olha apreensiva para Paulo. Rafael surge no corredor, com Vitória.

PAULO (sussurra para Tatiana): - Uma palavra sequer sobre nossa conversa e sobre esses contratos, eu juro que adianto sua saída daqui de dentro.

Tatiana não responde, um tanto aflita. Rafael e Vitória se aproximam.

VITÓRIA: - Não estamos atrasados para a reunião, né?

PAULO: - Quase. Estou indo pra lá agora.

RAFAEL: - Vamos então.

VITÓRIA: - Tudo bem, Tati?

TATIANA: - Tudo sim, Vitória. Eu vou pra minha mesa buscar minha agenda.

Tatiana sai.

PAULO: - Vamos então?

Paulo, Rafael e Vitória seguem para a sala de reuniões. Paulo “esconde” os papéis de Rafael e Vitória.

CENA 14. CASA CHARLOTE. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Agda, Onira e Charlote na sala, quando a campainha toca.

CHARLOTE: - Deve ser a Inês.

A empregada surge para atender a porta. Inês entra.

INÊS: - Oi meninas, desculpem a demora! Mas o trânsito em São Paulo está cada vez mais cruel.

Onira fica sem jeito ao ver que Inês é negra.

AGDA: - Esse trânsito mesmo está um inferno. E então, Inês, como a Beth está?

INÊS: - Chateadíssima, Agda. Mas acho que ela tomou uma decisão que vai fazer bem para ela.

AGDA: - Que decisão?

CHARLOTE: - Poderemos falar sobre isso durante a refeição. O que acham?

INÊS: - Melhor, assim conversamos com calma.

CHARLOTE: - Inês, querida, deixa eu te apresentar uma nova amiga. Esta aqui é a Onira. Onira, esta é a Inês.

INÊS (simpática): - Muito prazer, Onira.

Inês estende a mão em cumprimento a Onira, que se sente pouco à vontade diante da situação. Mesmo assim, Onira cumprimenta Inês, mas rapidamente solta sua mão.

CHARLOTE: - Bem, acho que agora podemos ir para a mesa então.

ONIRA: - Desculpe mais uma vez, Charlote, mas eu preciso ir embora.

CHARLOTE: - Mas Onira, já conversamos sobre isso. Não há problema nenhum em você ficar aqui conosco.

ONIRA: - Eu sei, mas realmente, é um assunto sério, delicado. Eu me sinto mais à vontade deixando vocês aqui, conversando tranqüilas. Por favor, peço que entenda.

CHARLOTE: - Claro, não tem problema. Vou pedir para o motorista te levar.

ONIRA: - Não, não. Não quero que se incomode. Eu pego um táxi aqui em frente.

CHARLOTE: - Imagina! Táxi! O motorista te leva/

ONIRA (pega sua bolsa, vai saindo): - Não precisa não, Charlote. Eu dou um jeito. Muito obrigado pela recepção. Estava tudo ótimo. Bom almoço para vocês!

Onira vai embora.

AGDA: - E ela não quis ficar mesmo.

CHARLOTE: - Coitada, eu até compreendo. Ficou um pouco perdida diante desse assunto. Mas vamos para a mesa, porque eu estou morrendo de fome! (risos)

CENA 15. RUA. EXT. DIA.

Carla caminha pela rua, um tanto confusa. Pega o telefone e liga para Breno. Ouve-se, em off, a voz indicando caixa postal.

CARLA: - Droga... Alô! Breno, sou eu, Carla. Eu sei que você deve estar muito chateado comigo, eu pisei na bola com você. Mas eu queria te ver. Ainda hoje a noite. Se puder, ou quiser, me encontra naquele bar da Vila Madalena, onde a gente foi no outro dia. Estarei esperando por você lá. Beijo. (desliga o telefone). (T) Espero que eu esteja fazendo o que é certo.

CENA 16. CASA CHARLOTE. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Inês, Charlote e Agda almoçam.

AGDA: - O almoço saiu tarde, mas está uma delícia!

CHARLOTE: - Obrigada!

INÊS: - Está mesmo, dos deuses!

CHARLOTE: - Pedi pra Hilda fazer aquele macarrão com molho francês que você me passou a receita, lembra Agda?

AGDA: - E está perfeito! Sua cozinheira está de parabéns. Vou pedir para ir dar umas aulas para a Nice lá em casa.

CHARLOTE: - Ah, Agda, não fale assim. A Nice também cozinha muito bem.

AGDA: - Tá bom, vou fingir que acreditei. Mas eu gostaria de saber o que realmente me interessa. Inês, você tinha dito que a Beth havia tomado uma decisão importante pra ela.

INÊS: - Ah, claro. Eu a aconselhei a fazer uma viagem. A sair do país, dar um tempo lá fora, para que as coisas se acalmem, e depois, quando ela voltar, resolver tudo como deve ser.

CHARLOTE: - Fez muito bem aconselhar a Elizabeth dessa forma, Inês.

INÊS: - E ela achou boa a ideia.

AGDA: - E quando ela vai? Já escolheu o destino e quanto tempo vai ficar?

INÊS: - Ela pretende partir o mais rápido possível. Acredito que amanhã mesmo ela já esteja embarcando para Nova York. E vai ficar lá o tempo que ela achar necessário.

AGDA: - É, pensando bem, vai ser bom pra ela sim, ficar esse tempo fora. Longe do Tarcísio.

CHARLOTE: - Uma pena essa história chegar a esse ponto. Mas isso também já era de se esperar. Ainda mais depois dele levar a amante para a mesma festa onde estavam a Beth e os filhos.

AGDA: - Por isso o motivo de toda discussão lá em casa hoje. A Beth seguiu a vagabunda e estapeou a mulher. Conseguiu se rebaixar ao mesmo nível da vadia.

INÊS: - Ela estava tomada de raiva, descontrolada. Não dá pra imaginar como é a sensação de ver seu marido no mesmo lugar com você, mas com outra mulher.

AGDA: - Ex-marido, Inês. O Tarcísio e a Beth não são mais marido e mulher faz tempo já. Há anos.

CHARLOTE: - Mesmo assim, não deixa de ser desagradável tudo isso. Uma pena mesmo. Agora só nos resta torcer para que tudo se resolva e que ambos fiquem bem.

INÊS: - É verdade. (T) E o Demétrio, Charlote?

CHARLOTE: - Deu uma saída. Aliás, já era para ter voltado, pelo tempo em que saiu. Ele disse que ia encontrar uns amigos, mas que não demoraria. Ficando longe das apostas, já me deixa aliviada.

INÊS: - Devem estar jogando conversa fora.

CHARLOTE: - Espero que sim. Faz tempo que não se veem.

CENA 17. JOCKEY CLUB. INT. DIA.

PLANO GERAL do ambiente. CORTA PARA Demétrio, fazendo uma aposta. Ele pega o bilhete, se mostra confiante. CORTA PARA o momento da corrida dos cavalos. Demétrio acompanha o páreo da tribuna social, ao lado de outros senhores que também fizeram apostas. O cavalo no qual Demétrio apostou perde a corrida. Um dos senhores comemora a vitória. Demétrio se mostra um tanto chateado.

DEMÉTRIO: - Foi sorte, não técnica. Mas na próxima corrida, eu levo.

CENA 18. PENSÃO BEM QUERER. SALA. INT. DIA.

Wanda e Rosa se olham.

WANDA: - Quanto tempo, Rosa. Quanto tempo!

ROSA: - O tempo necessário para que eu pudesse arrumar minha vida.

WANDA: - Eu sei. Eu sempre soube que você conseguiria e que voltaria pra me ver. (vai subindo as escadas) Venha comigo, precisamos conversar.

Rosa olha, um tanto nervosa, para Alaíde e Oscar.

ALAÍDE: - Vai lá, Rosa. Se acerte com sua mãe.

Rosa segue Wanda.

ALAÍDE: - Espero que tudo se resolva da melhor forma possível!

OSCAR: - Vamos rezar pra que isso aconteça.

Alaíde e Oscar se mostram apreensivos.

CORTA PARA

CENA 19. QUARTO WANDA. INT. DIA.

Wanda e Rosa conversam.

ROSA: - A Alaíde e o Oscar me disseram que você/

WANDA: - Sim, eu fiz previsões. E elas estão acontecendo.

ROSA: - Por que você não controla isso? Não vê que pode machucar, assustar as pessoas?

WANDA: - O meu objetivo não é assustar ninguém. Eu só quero que as pessoas saibam como lidar melhor com o que o destino lhes reserva. Coisa que, no início, você não soube aceitar.

ROSA: - Você acabou com a minha vida!

WANDA: - Eu apenas mostrei pra você que o seu sonho não poderia ser real. Rosa, o Tarcísio não poderia ser seu. E nunca será. O destino dele está reservado para outra pessoa.

ROSA: - Mas você poderia ter me ajudado a mudar as coisas! Você não fez nada para que eu pudesse reverter tudo, conquistasse o meu objetivo. Para que eu pudesse ser feliz.

WANDA: - Eu previ tudo isso, minha filha. Essa foi a minha ajuda, a porta para a tua felicidade.

ROSA: - E você acha que eu fui feliz durante todos esses anos, casada com um homem que eu não amava de verdade?

WANDA: - Mas por interesse você não se casou. Essa pessoa te ajudou muito.

Rosa começa a chorar.

WANDA: - Não se preocupe. Não foi culpa sua. Ele morreu e isso já estava marcado no destino dele.

ROSA: - Chega! Eu não quero mais ouvir!

WANDA: - Ainda tem muita coisa para acontecer na sua vida, Rosa. E você precisa ser forte para enfrentar.

ROSA: - Então me fala o que é que vai acontecer! Me fala logo! Estou farta desses seus enigmas, desses recados misteriosos! Chega! Não quero passar por tudo aquilo de novo!

WANDA: - Mas você passará. E será ainda mais doloroso.

Rosa olha espantada para Wanda, que a encara.

CENA 20. CLÍNICA DR. FAUSTO. CORREDOR. INT. DIA.

Fabrício sai de um dos quartos. Pega o telefone. CAM mostra no papel de parede do aparelho, uma foto de Fabrício e Vitória abraçados, felizes. Fabrício contempla a foto. Adriana se aproxima, percebe o sentimento de Fabrício.

ADRIANA: - Liga pra ela.

FABRÍCIO: - Oi Adriana. Nem percebi você aí.

ADRIANA: - Eu sei como é isso. A gente fica com a cabeça longe e nem percebe o mundo ao redor.

FABRÍCIO: - Você acha que eu deveria?

ADRIANA: - Eu acho. Corra atrás daquilo que é importante pra você. E eu sei que a Vitória é importante pra você.

FABRÍCIO: - Mas se ela não quiser falar comigo?

ADRIANA: - Você só vai saber se ligar.

Fabrício pensa um pouco e decide ligar para Vitória. Dá caixa postal.

FABRÍCIO: - Caixa postal.

ADRIANA: - Não desiste. Ela vai falar com você.

Adriana abraça o amigo, sai. Fabrício fica pensativo.

CENA 21. SÃO PAULO. EXT. DIA

Takes rápidos da cidade em seu cotidiano na transição do dia para noite.

CENA 22. APTO MARILU. QUARTO. INT. NOITE.

Tarcísio e Marilu deitados na cama. Ela com a cabeça sobre o peito dele, enquanto ele a conforta.

MARILU: - Você não sabe como é bom ficar aqui assim, com você. Me fazendo carinho, me deixando protegida.

TARCÍSIO: - Eu sabia que você ia gostar. Assim que a reunião lá na empresa acabou, vim direto pra cá.

MARILU: - Assim você me deixa mal-acostumada, tendo você vinte e quatro horas do meu lado. Não vou deixar você nem ir pra empresa mais! (senta na cama) Por que a gente não tira um tempo pra nós?

TARCÍSIO: - Tempo pra nós?

MARILU: - É, uma viagem, um final de semana pra fora. Um momento só pra gente. Eu nunca tive ninguém assim, que me desse atenção. Quero aproveitar o máximo todos esses momentos que tenho com você.

TARCÍSIO: - Eu te entendo, Marilu, mas eu não posso sair da empresa agora. Estamos com negociações importantes acontecendo. Mas quem sabe depois? Prometo pensar.

MARILU: - Promete mesmo?

TARCISIO: - Claro, prometo. (levanta-se)

MARILU: - Onde você vai?

TARCÍSIO: - Pro hotel.

MARILU: - Você não vai passar a noite aqui comigo?!

TARCÍSIO: - Eu não posso, meu bem. Tenho que resolver uns assuntos da empresa ainda.

MARILU: - Eu não posso acreditar, Tarcísio! Eu aqui querendo ficar mais tempo com você e você querendo ir embora pra cuidar da empresa?

TARCÍSIO: - Eu sou o dono da Amaro, preciso estar a par de tudo que acontece lá. Você está comigo já há algum tempo, deveria saber disso. Eu gosto de controlar os meus negócios de perto.

MARILU: - Tudo bem, desculpa. Eu só pensei que/

TARCÍSIO: - Nos falamos amanhã.

Tarcísio se aproxima de Marilu, a beija e vai embora. Marilu, chateada.

MARILU: - Que saco... Se bem que, quanto mais trabalha, mais dinheiro pra mim.

Ela ri.

CENA 23. BAR. INT. NOITE.

Carla aguarda ansiosa por Breno, na mesa do bar. Ela olha a hora no relógio, parece chateada diante da demora de Breno.

CARLA: - É, ele não vem mesmo.

Carla pega sua bolsa na cadeira, vai se levantando para ir embora, quando alguém a chama. Ela se vira para ver quem é. É Breno.

CARLA (feliz): - Breno!

BRENO: - Não ia me esperar?

CARLA: - Pensei que não viesse mais.

BRENO: - Eu até pensei em não vir. Mas não teria como. Eu preciso saber o porquê que me deixou sozinho na festa.

Carla fica um tanto sem graça.

BRENO: - Por que, Carla? Por que você é assim, tão misteriosa?

Breno e Carla se olham. Ela um tanto apreensiva.

CENA 24. CASA ONIRA. SALA. INT. NOITE.

Marcos chega.

MARCOS: - Mãe, cheguei!

ONIRA (off): Estou aqui, filho!

Marcos escuta a voz de sua mãe, vai em direção ao banheiro. Onira está no local, lavando as mãos incessantemente.

MARCOS: - Nossa, lavando bem forte as mãos.

ONIRA: - Me sujei feio, agora tem que limpar.

MARCOS: - E aí, como foi a visita lá pra sua amiga?

ONIRA: - Tudo bem. A Charlote é uma pessoa maravilhosa. Foi um dia muito proveitoso. E você?

MARCOS: - Também tive um dia proveitoso. Acho que conseguimos fechar mais uma campanha. Amanhã tenho a decisão.

ONIRA: - Que bom, meu filho! Eu já vou preparar o nosso jantar.

MARCOS: - Que bom! Vou pro quarto, largar minhas coisas, tomar um banho.

ONIRA: - Faça isso, querido.

Marcos se afasta. Onira segue lavando as mãos. Está pensativa.

INSERIR FLASHBACK,

CENA 14

[...]

CHARLOTE: - Inês, querida, deixa eu te apresentar uma nova amiga. Esta aqui é a Onira. Onira, esta é a Inês.

INÊS (simpática): - Muito prazer, Onira.

Inês estende a mão em cumprimento a Onira, que se sente pouco à vontade diante da situação. Mesmo assim, Onira cumprimenta Inês, mas rapidamente solta sua mão.

FIM DO FLASHBACK,

Onira abre o armário do banheiro, pega a garrafinha com álcool. Coloca sobre as mãos e esfrega.

ONIRA: - Sabe-se lá onde aquela negra esteve.

Onira esfrega as mãos com o álcool, como se quisesse se “higienizar” pelo fato de ter cumprimentado Inês.

CENA 25. RESTAURANTE EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.

Kléber está no palco, ajustando o equipamento para tocar. Lívia se aproxima.

LÍVIA: - Espero que você toque as músicas ótimas que tocou ontem.

KLÉBER: - Vou tocar essas e muitas outras. Você vai ver. Repertório de hoje está demais! E você também, tá diferente, mais alegre.

LÍVIA: - Eu?

KLÉBER: - É. Olhos brilhando. Tá igual àquele dia, quando o seu Roberto aceitou você aqui.

LÍVIA: - É, acho que eu estou sim, um pouco mais alegre (risos)... Sabe que, hoje recebi um elogio de uma pessoa muito importante que é cliente aqui do restaurante?

KLÉBER: - Sério? Que maneiro!

LÍVIA: - Sim. Tarcísio é o nome dele. Parece que é gente da grana.

KLÉBER: - Nossa, que legal! Fico feliz por você, Lívia. Sinal de que seu trabalho está sendo muito bem feito.

LÍVIA: - Obrigada. Eu também fiquei muito feliz. Ele me pareceu realmente sincero com os elogios, sabe? Não foi algo para fazer média com o seu Roberto ou algo parecido. Ele me passou uma impressão diferente.

KLÉBER: - Como assim?

LÍVIA: - Sei lá, não sei explicar.

KLÉBER: - Eu é que não sei explicar onde estão os cabos desse microfone.

Afasta-se para procurar. Lívia pensa alto.

LÍVIA: - Só sei que senti uma sensação boa, só de estar perto dele.

Lívia fica pensativa.

CENA 26. PENSÃO BEM QUERER. SALA. INT. NOITE.

Oscar e Alaíde estão apreensivos com a conversa de Rosa e Wanda no quarto. Jonas chega em casa.

JONAS: - Boa noite pessoal! (percebe o clima) O que aconteceu?

OSCAR: - A filha da Wanda está aí.

JONAS: - Como é que é? Filha?! A Wanda tem filha?

ALAÍDE: - Ai, meu filho, é uma longa história. Mas ela tem filha sim, que tinha ido embora e que agora voltou.

OSCAR: - E as duas estão sozinhas no quarto, conversando há um bom tempo.

JONAS: - E isso é bom ou ruim?

ALAÍDE: - Vamos rezar para que seja bom, né? Mas confesso que eu estou nervosa.

JONAS: - Calma, mãe. Eu vou pegar um copo d’água pra você (saindo)

OSCAR: - Traga dois. Eu também quero.

Jonas sai. Oscar e Alaíde se olham.

CORTA PARA

CENA 27. QUARTO WANDA. INT. NOITE.

Wanda e Rosa se encaram.

ROSA: - Lá vem você com essas suas meias palavras. Já chega! (segura Wanda pelos braços, a sacode) Fala logo! O que vai acontecer comigo? Fala!

WANDA (soltando-se): - Pare Rosa, controle-se!

ROSA: - Eu estou farta de ficar esperando a tragédia bater à minha porta!

WANDA: - Você não pode mudar o seu destino. Ninguém pode mudar o que já está decidido.

ROSA: - Você pode. Você pode a partir do momento que tornar as coisas todas mais claras. Se fosse assim, eu estaria feliz agora e não com essa angústia aqui dentro do peito.

WANDA: - Será, Rosa? Será que você e o Tarcísio seriam felizes mesmo?

ROSA: - Esse é o meu destino.

WANDA: - Mas não é o destino dele.

ROSA: - E qual é o destino dele? Fala! Qual é o destino do Tarcísio?! Com ele vai ficar? Fala!

WANDA: - Com a borboleta. Ele vai transformar a lagarta em borboleta! A detentora do talismã!

ROSA: - Está vendo? Não está falando nada com nada! Está ficando louca! Louca!

WANDA: - Não é loucura! O Tarcísio será o responsável pela metamorfose, mas essa transformação terá um preço caro para ele.

ROSA: - Do que você está falando?

Wanda está em transe, parece transtornada. Rosa fica nervosa.

ROSA: - Do que você está falando, mamãe?

WANDA: - O Tarcísio, a metamorfose, a borboleta... O talismã!

ROSA: - O que é isso?! O que são essas coisas?

WANDA: - O Tarcísio, a metamorfose, a borboleta, o talismã! (se agarra em Rosa) A proteja, Rosa! Proteja!

ROSA: - Proteger quem, mamãe?! De quem a senhora está falando?!

Wanda, transtornada, se afasta de Rosa e sai correndo do quarto. Rosa, aflita, vai atrás dela.

CORTA PARA

CENA 28. SALA. INT. NOITE.

Alaíde, Oscar e Jonas ouvem os gritos vindos do andar de cima.

OSCAR: - É a Rosa!

Wanda desce as escadas e sai correndo para a rua.

ALAÍDE: - Mas o que aconteceu?!

Rosa chega, nervosa.

ROSA: - Pra onde foi a mamãe?!

JONAS: - Ela saiu pra rua!

Rosa sai correndo atrás de Wanda. Alaíde, Oscar e Jonas vão junto.

CENA 29. PENSÃO BEM QUERER. EXT. NOITE.

Wanda passa apressada pelo pátio da pensão. Na porta do prédio, Rosa, Alaíde, Jonas e Oscar saem, chamando por ela. Wanda está transtornada. Ela sai na calçada e atravessa a rua. Um carro vai passando pelo local, mas não consegue frear a tempo, e acaba atropelando Wanda. Rosa fica em choque.

ROSA (grita): - Não!

Wanda cai no chão. Rosa corre para ajudar Wanda. Jonas vai junto. Alaíde se abraça em Oscar, nervosa. O dono do carro se mostra apreensivo. Rosa acode Wanda, a coloca em seus braços. Jonas se aproxima. Wanda ainda caída no chão.

JONAS: - Cuidado! Não mexe muito nela não!

ROSA: - Mãe! Fala comigo, mamãe! Por favor!

WANDA (fraca): - Filha... A minha missão aqui está sendo cumprida. Eu preciso ir agora.

ROSA: - Não, mãe! Não vá.

Na pensão, Pedro sai à porta.

PEDRO: - Tia Alaíde, to com medo!

ALAÍDE: - Ai, Pedrinho, meu querido. Vem, vamos lá pra dentro com a tia. Não precisa ter medo não.

Alaíde entra na pensão com Pedro. Oscar continua a observar o acidente. Na rua já tem uma grande movimentação.

WANDA: - Para a minha missão ser completa, eu preciso que você me prometa uma coisa.

ROSA: - Mãe, você precisa ser forte!

WANDA: - Me prometa, Rosa, que vai proteger a borboleta.

ROSA: - Borboleta? Do que você está falando mãe?

WANDA: - A guardiã do talismã. Esteja sempre do lado dela, aconteça o que acontecer. Essa é a sua missão.

ROSA: - O que você está falando, mamãe?

JONAS (para si mesmo): - Borboleta, talismã... As mesmas palavras que ela disse pra Lívia.

ROSA: - Mãe!

WANDA: - Promete, Rosa.

ROSA: - Eu prometo.

Wanda, mesmo fraca, sorri para Rosa. Aos poucos, seu sorriso vai se fechando. Rosa chora. Wanda morre nos braços de Rosa.
 
     
     

autor
Édy Dutra

elenco
Christine Fernandes como Lívia
Taís Araújo como Marilu
Zé Carlos Machado como Tarcísio
Fábio Assunção como Rafael
Bruno Ferrari como Jonas
Marcos Caruso como Paulo
Renata Domingues como Carla
Júlio Rocha como Breno
Bianca Castanho como Beatriz
Júlia Feldens como Vitória
André Bankoff como Fabrício
Danton Mello como Marcos
Lavínia Vlasak como Isabela
Caco Ciocler como Conrado
Janaína Lince como Sarah
César Mello como Alfredo
Aída Leiner como Inês
Luíza Curvo como Tatiana
Jonathan Haagensen como Plínio
Marco Ricca como Fausto
Sílvia Pfeifer como Lorena
Thaís Vaz como Mayra
Gisele Policarpo como Gisa
Guilherme Leme como Almir
Mônica Martelli como Louise
Sérgio Menezes como Kléber
Cyria Coentro como Nice
Ernesto Piccolo como Moisés
Natália Guimarães como Rita

Atrizes convidadas
Sônia Braga como Elizabeth
Regina Duarte como Rosa
Valquíria Ribeiro como Adriana
Ângela Leal como Agda
Mila Moreira como Charlote
Denise Del Vecchio como Onira
Beatriz Segall como Wanda
Arlete Salles como Alaíde

Atores convidados
Gracindo Júnior como Demétrio
Rodrigo Santoro como Henri
Juan Alba como Alexandre
Nill Marcondes como Eduardo
Roberto Bonfim como Roberto
Floriano Peixoto como Jorge

Participações especiais
Dudu Azevedo como Romão
Elisa Lucinda como Cidália
Antonio Pitanga como Tenório
Vanessa Lóes como Clair
Alexandre Slaviero como Hugo
Lui Mendes como Pereira

Trilha Sonora
Pra rua me levar - Ana Carolina (abertura)
Toda la noche – Mario Bautista feat. Alok

Produção

Bruno Olsen
Cristina Ravela
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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