Anti-Herói - 1x04





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ATO DE ABERTURA

            NILO
(V.O)
“Hoje, eu tive um sonho. Sonhei que tudo de ruim na minha vida havia se apagado. E como todo sonho estranho, acordei em um pesadelo”.

FADE IN

CENA 1 INT. - IGREJA – DIA

Legenda: Continuação do episódio anterior...

Todos animados diante da alegria contagiante de Nilo e Ari. Ambos caminham na direção da saída, quando Nilo avista RAFAELA (jovem morena, cabelos pretos e longos e olhos verdes) com cara de insatisfeita. Nilo não entende. Assim que atravessam a porta, a forte luz cobre a tela e /

CENA 2 EXT – REDAÇÃO CARIOCA NEWS – DIA

Nilo se vê sozinho, sem entender nada. Ele avista Rafaela de costas, andando apressada. Nilo segue.

Rafaela é abordada bruscamente por Vince. Ambos discutem, não dá para ouvir o que dizem.

            NILO
           Vince?

Nilo se apressa, mas quando está se aproximando /

= = CORTE DESCONTÍNUO = =

Nilo se vê diante de uma bela casa, dois andares, pintura rosa e janelas compridas. Árvores circundam o local. Um funk toca nas proximidades, uns moleques correm por alí.

Nilo olha bem atento para um deles, que se mostra acuado. Some. Nilo volta a sua atenção à casa. Sorridente, prepara-se para abrir a porta e /

CENA 4 INT. - CASA DESCONHECIDA – DIA

Nilo depara-se com um corredor sombrio, paredes pichadas em vermelho com a mensagem: “ASSASSINO! ASSASSINO!”. Reconhecemos ser a casa de VINCE.

Nilo, assustado, chega à sala, toda bagunçada, móveis fora do lugar, livros e retratos jogados ao chão. Uma zona. A TV ligada exibe um trecho da série Raíza, no qual Nilo aparece no cemitério, aos prantos.

Gritos abafados vêm do alto da escada.

           NILO
         Ari? ARI?

Nilo puxa algo da sua cintura e aponta ao léu, fazendo alusão a uma arma. Corre pelas escadas, aflito.

           NILO
Não vou deixar isso acontecer de novo!

Não há ninguém nos corredores, mas a porta de um quarto está derrubada. Nilo, temeroso, avança sobre o

QUARTO

e dá de cara com LILA, ensaguentada e MORTA no chão. O berço manchado de sangue, ainda balança sozinha. Nilo, desesperado, GRITA de pavor e tristeza.

            NILO
          NÃAAAAAO!

Nilo chora copiosamente, cai de joelhos, vencido pelo baque. E no meio do seu grito /

FADE TO BLACK

FADE IN    

            RAFAEL
            (O.S)
Mataram a pessoa que você ama, Nilo. Você precisa fazer alguma coisa.

CENA 5 INT. CARRO DE RAFAEL – NOITE

Nilo DESPERTA bruscamente. O olhar em transe, como se ainda presenciasse a trágica cena do sonho. Rafael ao lado, instigante, mãos enluvadas.

            RAFAEL
Eu sei de quem é a culpa. É de Moni Vasco!

Nilo encara-o, seu rosto transfigura-se em ódio, hipnotizado.

            RAFAEL
Agora, você precisa acabar com ela, Nilo (exibe o celular com a foto de Moni). Moni Vasco mandou matar sua esposa de forma mais cruel possível. (soletra, firme) Você-vai-matá-la!

Nilo faz que sim. Rafael abre o porta-luvas e pega uma 38.

           RAFAEL
Carregadíssima.

Em seu olhar malicioso.

FADE OUT

FIM DO ATO DE ABERTURA

 
     

 

     
   
 
1x04 - EU ESTAVA NO MEIO DE ALGO...
     
 

PRIMEIRO ATO

FADE IN

CENA 4 EXT. - REDAÇÃO CARIOCA NEWS – NOITE

Lila fazendo uma ligação, enquanto ao fundo estão Roger, Paulinha e Murilo.

            LILA
Então tá certo, Moreira. Vamos continuar mantendo contato e descobrir quem matou Vince Lemos. Boa noite.

Lila mal desliga o celular e Roger vai até ela, cismado.

           ROGER
E aí? O delegado queria o quê com o Nilo?

           LILA
Nilo não tá lá, Roger.

           ROGER
Como assim, mulher?!

           LILA
Eu apenas sondei e o Moreira não falou nada. Se o Nilo estivesse lá, ele teria falado.

Roger estranha. Murilo e Paulinha chegam junto, curiosos.

           MURILO
E então, gente? Nilo foi chamado na polícia pra quê?

           ROGER
(nervoso)
O que os urubus da Novo Dia querem aqui? Um furo de reportagem contra o Nilo? (faz a negativa com o dedo) Podem dando meia volta.

           MURILO
Cara, eu não vim aqui atrás de furo nenhum, eu /

           ROGER
(encara, pose de durão)
Veio atrás de quê, então?

Murilo engasga, vacila o olhar.

           PAULINHA
Olha, a gente viu o Nilo ser levado pela polícia, ok? E se ele não tá na delegacia, ele pode tá em perigo. A gente sabe que tem muito policial por aí fazendo servicinho extra.

           MURILO
Ha! White problems! Nilo é loiro do olho azul. A única enquadrada que ele levaria é /

           LILA
(corta / durona)
Nem completa, Murilo! Do mesmo jeito que você difamou e fez acusações contra o Nilo, pode ter alguém querendo matá-lo. São mídias como essa pra qual vocês trabalham que levam uma pessoa ao fundo do poço.

Murilo engole mais essa. Roger gosta, sorri satisfeito.

           PAULINHA
Tá bom, né? O esculacho já foi dado, Lila. Será que vocês querem saber pra onde o Nilo foi levado?

           LILA
Qual é a sua ideia, garota?

CENA 5 EXT. - BAIRRO VALQUÍRIA – NOITE

Takes pontuados, revelando uma área deserta, barzinho fechando. Homem entra em casa rápido. Um silêncio paira no ar.

Corta para o MORRO

Um barulho de moto ao longe. Um funk toca em algum lugar dalí.

CENA 6 INT. - BAR 94 / VALQUÍRIA – NOITE

Nenhum cliente. O barman loiro, saradão, acaba de dar uma limpa no local. Vai até a porta, dá uma conferida e, quando se prepara para fechar /

Nilo INVADE com tudo, empurrando o loirão, que cai sobre as cadeiras. Nilo empunha a arma na direção do barman.

            NILO
Moni Vasco.

O barman hesita, dá uma de espertão e tenta acertar uma pernada na mão do herói, mas Nilo está mais aceso do que nunca. Desvia e dispara uma bala, que pega de raspão no braço do barman. Este resmunga de dor.

DO OUTRO LADO, NA CASA DE MONI /

Butuca e um outro homem se alarmam diante de uma mesa cheia de bebidas e armas. Butuca se levanta, empunhando seu rifle.

            BUTUCA
Que parada foi essa?! Tá rolando tiro, cumpadi!

O comparsa pega a pistola de cima da mesa e já vai pra porta.

            COMPARSA
Bora vê o que é isso, antes que a Moni acorde e /

A porta é aberta abruptamente na cara do comparsa, que vai ao chão. Nilo aparece, olhar vidrado, arma apontada. Butuca já na mira.

            BUTUCA
Tu é maluco, rapá! Pensa que impressiona com essa pose de máquina mortífera? Tu não pode entrar aqui assim não!

           COMPARSA
É o Nilo!

           BUTUCA
Podia ser o Papa. Tu vai morrer!

           NILO
Você morre primeiro.

É quando ele recebe uma porrada na nuca. Nilo perde as forças e cai. Branco aparece pelas suas costas, com uma pistola, cercado por outros homens, já preparados. Butuca faz cara feia.

           BRANCO
Ué, gente? Nera pra abater não?

CENA 7 EXT. - VALQUÍRIA – NOITE

Raul, dentro de um sedan preto parado, fala ao telefone qualquer coisa. Em segundo plano, um crossfox vermelho estaciona.

Corta para o INTERIOR do crossfox

Lila ao volante, atenta à movimentação. Roger ao seu lado. Atrás, Murilo e Paulinha, preocupados.

           LILA
Olha lá. É o Raul Antunes.

           ROGER
Ficou fácil. Seu fã.

Murilo aproxima-se dos dois, apreensivo.

           MURILO
Eu vou falar de novo que é pra não terem dúvidas: eu não entro aí, ok? Paulinha já rastreou o celular do amiguinho de vocês. Eu nem teria vindo, sério.

            ROGER
(debocha) Vai dá pra trás, Murilo?

            LILA
Deixa, Roger. Talvez ele prefira sair e ir andando por essas ruas. Refletir, né? Faz bem.

Murilo volta ao seu lugar, Paulinha cutuca-o, chateada. Roger acha graça.

CAM AFASTA-SE do carro, faróis piscam. Raul percebe, desliga o celular, desconfia. Abre a porta e desce. Põe a mão na cintura onde tem uma arma e aproxima-se do crossfox. A janela é abaixada, revelando Lila. Raul sorri, aliviado, não disfarça a admiração.

            RAUL
Lila Machadão? (olha pro interior) Ih, agora tá de comitiva pra me entrevistar, é, linda? Juro que nem fiz nada desta vez (ri, safado).

            LILA
To aqui pelo Nilo, Raul. Rastreamos o celular dele. Tem como tu ajudar nessa?

            RAUL
Nilo? Aqui? Pô, neguinha, se eu soubesse que vocês tudo estariam aqui eu tinha até passado umas colônias (sorri, sedutor).

            ROGER
O papo é sério, cara.

            RAUL
(levanta a voz) To falando contigo, camarada?

Roger emudece.

           LILA
Nilo foi trazido pra cá à força. Pode ajudar ou não?

           RAUL
Vai depender. Tem ideia de onde exatamente ele tá agora?

Lila e Roger entreolham-se.

FADE OUT

FADE IN

PLANO AÉREO do morro de Valquíria durante o amanhecer.

CENA 8 INT. - CASA DE MONI / QUARTO – DIA

No rosto de Nilo, dormindo. Até que desperta no susto. Pelo seu PONTO DE VISTA, a imagem desfocada vai revelando, aos poucos, Butuca e o restante da gangue, composto por homens e mulheres. Todos com as armas nas mãos.

Moni Vasco passa a frente deles, olhar sacana e sorrisinho arteiro.

           MONI
Como tá o garotão? Teve bons sonhos?

A imagem torna-se nítida, todos riem. CAM afasta-se e mostra Nilo deitado na cama, com as mãos amarradas à cabeceira. Ele tenta se desvencilhar.

           NILO
O que eu to fazendo aqui? Quem são vocês?

           MONI
Ele não sabe quem somos.

Pessoal ri. Moni estende a mão.

           MONI
Prazer (percebe o erro / corrige), ops! Meu nome é Vasco. Moni Vasco. Um mito. Uma deusa. Uma lenda.

Sorri, sedutoramente.

CENA 9 INT. - CASA DE MONI / SALA – DIA

Branco vem com uma travessa contendo café, torradas e pães. Serve à mesa, onde Lila, Roger, Paulinha e Murilo estão. Roger e Murilo não escondem o deslumbre com a casa.

           BRANCO
Taí, gente, tudo do bom e do melhor. Moni disse que nóis tem que tratar bem os amigos do Nilo, senão vamo tudo parar no jornal.

Branco dá uma risada. Paulinha disfarça o riso e Branco percebe. Pisca pra ela. Branco dá uma sacada na pulseira de ouro de Murilo. Olho chega a brilhar.

            BRANCO
Pô, maneira essa pulseira aí. Da boa mermo?

Paulinha e Murilo trocam olhares. Murilo hesita, mas retira a pulseira.

            MURILO
(mente) Presente de uma antiga namorada. Se quiser ficar com ela…

Branco pega, maravilhado, coloca no pulso.

            BRANCO
Caraca! Valeu mermo! Nunca consegui nada sem esforço. Mas ó, se Moni perguntar, diga que foi presente teu, tá? Se ela achar que eu tracei, ela me pipoca todo.

Ri de novo. Todos na expectativa, receosos, mantendo a calma.

SOBE A SONOPLASTIA: Rock You Like a Hurricane - Scorpions

CENA 10 EXT. - RUAS DA CIDADE – DIA

Takes de vários pontos da cidade. A Baía de Guanabara; a Presidente Vargas repleta de gente, o vai e vem dos ônibus; a Rio Branco e o seu trânsito caótico; povo entrando e saindo dos metrôs.

Corta para os becos charmosos do centro da Capital, até a fachada da PUB MANDRAKE /

FIM DA SONOPLASTIA

CENA 11 INT. - PUB MANDRAKE / ESCRITÓRIO – DIA

Na TELA DO LAPTOP exibindo imagens de uma câmera de segurança na entrada do morro de Valquíria. De um carro, SAI Nilo, com a arma na mão, adentrando o morro.

            RAUL
(O.S) Ainda bem que os moleques sabem que não podem mexer com o nosso justiceiro (ri).

Vinnie, a frente do laptop, encara Raul. O bandido fecha o riso.

            VINNIE
(sério) Parece que os moleques da Moni também sabem disso.

            RAUL
Nilo tava drogadão. Daquele jeito, sabe? Alguém quis ferrar bonito com o cara.

           VINNIE
(pensativo) Não gosto quando os meus planos são interrompidos. Se ao menos o Nilo tivesse matado a Moni, seria menos um problema na minha vida. (encara Raul) Já cuidou daquele nosso amigo?

           RAUL
Pô, já foi pro saco. Uma hora alguém ia reconhecê-lo lá daquele prédio. Mas diz aí, o que é pra fazer?

Vinnie se levanta, Raul faz o mesmo imediatamente.

           VINNIE
Você pode voltar pro teu serviço. (estende a mão) Daqui eu cuido.

Ambos se cumprimentam. Raul SAI de cena, deixando Vinnie alí, pensativo. Ele vira o laptop onde a cena do carro de polícia ainda é mostrada. No estranho olhar de Vinnie.

CENA 12 INT. - DELEGACIA / VESTIÁRIO – DIA

No coldre sendo colocado na cintura. CAM SOBE e revela Rafael, sorrindo, todo se achando.

            RAFAEL
A essa altura, aquele herói de merda já deve tá em todos os sites. Pobre Nilo.

Ainda rindo, Rafael pega o dispositivo do armário e, ao fechar, SUSTO. Toninho bem alí ao lado, sisudão, como sempre.

            RAFAEL
Pô, Toninho! Leva essa tua cara pra assustar tua vó, quase me mata!

Rafael termina de se arrumar, Toninho só na vigilância.

            TONINHO
(sério, curioso) Por que o Nilo estaria em todos os sites?

            RAFAEL
Quê? (disfarça) Ah, qualé, Toninho? Tá cedo demais pra implicar comigo, né não?

            TONINHO
Pra onde tu levou o Nilo ontem à noite?

Rafael paralisa, mas finge que nem é com ele.

            TONINHO
O delega sabe que tu usa o carro daqui pra dar um rolê com o garotão metido a justiceiro?

            RAFAEL
Lá vem você com esse papo de (imita) “o delega sabe”? Não se conforma de ficar em segundo plano, né? (aproxima-se, quase mete o dedo na testa de Toninho) Põe uma coisa nessa tua cabeça: eu sou o investigador daqui, você não. Quem devia fazer as perguntas aqui sou eu, você não. Sacou?

            TONINHO
(tom) Tu se acha, né? Saia desse pedestal, cara!

            RAFAEL
Quando você sair aí de baixo, eu saio daqui de cima, que é pra eu não ter que pisar em falso.

Rafael se afasta, aos risos. SAI.

           TONINHO
(resmunga) Eu ainda te mato, seu filho da puta!

Em seu olhar cheio de ódio.

CENA 13 EXT. - DELEGACIA – DIA

Rafael vai saindo, com aquele sorriso de deboche. Desce as escadas, quando avista alguém fora da tela. CAM SUBJETIVA enquadra-o através da janela de um carro. Rafael se aproxima.

            RAFAEL
O que tá fazendo aqui, William?

William sorri, sonso.

            WILLIAM
Entra no carro.

            RAFAEL
Eu agora não posso, alguém /

            WILLIAM
(por cima) Não é um pedido, Rafael.

Rafael se intimida, olha ao redor. Mostra-se vencido.

FADE OUT

FIM DO PRIMEIRO ATO

SEGUNDO ATO

FADE IN

SONOPLASTIA: Jorginho, Me Empresta a 12 – MC Carol

CENA 14 EXT. - BAIRRO E MORRO DE VALQUÍRIA – DIA

Takes de vários pontos do bairro. Pessoas voltando da padaria; dois caras em cima de uma moto; um cara mal encarado na porta de uma loja de ferramentas; um chapadão vendendo drogas em plena rua, fala arrastada, ninguém entende.

Corta para o morro. Moleques trocando um baseado na esquina; Um ou outro de fuzil na mão, tocaiado em uma laje.

CAM vai pegar a fachada do BAR 94 /

FADE MUSIC

CENA 15 INT. - CASA DE MONI / SALA – DIA

Branco e um comparsa tomando conta dos jornalistas, todos sentados à mesa ainda. Murilo disfarça, se aproxima mais de Paulinha.

            MURILO
(cochicha) Será que o cinderelo vai demorar muito pra acordar?

            PAULINHA
(murmura) Acho que fazer piada aqui não é uma boa ideia, Murilo.

Lila e Roger sacam os cochichos. É quando Roger avista Moni adentrando o local, cercada por Butuca e o restante da gangue. Abre caminho para Nilo passar.

Roger se levanta, reconhecendo Moni de quando a “salvou” (cena 19 – episódio 2). Moni nem dá confiança, mantém o olhar arteiro para com todos.

            MONI
Acho que precisamos trocar umas ideias, né não, brow?

Nilo encara a todos.

= = CORTE DESCONTÍNUO = =

A gangue armada, toda de pé ao redor da sala.

            MONI
É isso. (para Lila) Seu namoradinho foi alvo da DP. Queria matar dois bonitos com um tiro só. (sorrisinho sedutor) No caso, euzinha e o herói aí.

            LILA
(para Nilo) Lembra com quem esteve antes de vir parar aqui?

            NILO
Não. Não lembro de nada. Foi tudo como um sonho.

            LILA
Essa DP já matou muita gente. Cê teve sorte.

            MONI
Não precisa agradecer, sua linda (Lila fecha a cara). Eu tenho muito prazer em receber seu herói aqui.

Branco e Butuca escondem o riso.

            ROGER
(levantando-se) Bom, ahn...acho que já deu a nossa hora /

          NILO 
(para Moni) Eu peço desculpas por qualquer coisa. E agradeço a hospitalidade, Moni. (irônico) Foi uma ótima experiência acordar amarrado na cama.

Moni se aproxima, safada. Lila levanta-se, encarando a traficante.

            MONI
Quando você quiser repetir, bonitão…

            MURILO
Mas cê não vai querer saber quem te atacou, Nilo? Não tem uma câmera no  morro, sei lá, essa pessoa pode tentar /

            NILO
(corta)
Tá querendo aumentar a pauta do dia, Murilo? (Murilo emudece) Não é o suficiente escrever que o falso herói invadiu Valquíria armado e foi nocauteado?

           MURILO
Cara, eu to de boas, ok?

           BRANCO
(animado / pra Butuca) Ih, vai sair porrada.

           MONI
Eu to te mirando, malandro. Tu não é o jornalista da Novo Dia?

Murilo nem responde, cismado. Troca olhares com Nilo.

           BRANCO
Vai, malandro! Responde a Moni!

RISOS.

           MURILO
Sim, mas eu vim na paz. (abre os braços) Não filmei nada, podem conferir, se quiserem.

           BUTUCA
Relaxa aí, maluco! A gente sabe que tu não ia meter o louco aqui dentro.

Tensão. Nilo dá uma olhada para Moni, como se quisesse dizer algo, mas Lila faz a frente.

            LILA
Vamos?

CENA 16 EXT. - MORRO DE VALQUÍRIA – DIA

Pessoal descendo o morro, gangue armada, vizinhança só mirando a passagem ilustre de Nilo. Crianças até param de brincar.

            MOLEQUE
É o Nilo!

Nilo não sabe se sorrir para eles; fica sem graça. Todos chegam ao pé do morro. O crossfox de Lila parado alí, com um sujeito tomando conta.

           MONI
Daqui vocês seguem. Espero que tu apareça outras vezes, mas sem surpresas, viu?

Nilo olha para uma Lila bem séria. Ele sorri e faz que sim para Moni. Ela dá a mão e ambos se cumprimentam. Depois, os intrusos entram no carro sob o olhar dos traficantes.

CENA 17 INT. - PUB MANDRAKE / ESCRITÓRIO – DIA

No rosto de Rafael, suando frio, olhando para algo fora da tela. Por trás dele, um homem de cara amarrada caminha, dando umas sacadas de vez em quando no sujeito. CAM mostra que diante de Rafael está o laptop com as imagens de segurança de Valquíria.

Vinnie se agacha, apoiando-se no investigador.

           VINNIE
Eu espero que você tenha uma excelente explicação para me dar.

           RAFAEL
Olha, Vinnie...(olha para o segurança) É necessário isso mesmo?

Vinnie faz um sinal para o segurança, que encara Rafael. Logo o segurança SAI. Assim que a porta bate, Vinnie se levanta, passa as mãos pelos cabelos, até se voltar para o amante.

            VINNIE
Já pensou na explicação ou não tem? (Rafael engole a seco) Você tem sorte de Nilo estar vivo. (surpresa em Rafael) Só preciso pensar o que farei com você...

            RAFAEL
(medo / apressado) Vinnie, eu não fiz nada, o cara tava doido, pediu pra eu levá-lo pra /

            VINNIE
(corta / tranquilo) Calma, Rafael! (apanha uma garrafa de vodca de um bar) Estou profundamente decepcionado com você mesmo. Você devia saber que os meus olhos estão em Valquíria, meu querido.

Vinnie se serve da bebida e serve o amante também. Rafael não bebe.

            VINNIE
Vai recusar uma Jack Daniels? Está com medo de eu ter batizado com uma DP e fazer você se jogar da ponte Rio-Niterói? (ri, sacana)

            RAFAEL
Eu te amo, Vinnie. Posso perder a cabeça às vezes, mas /

            VINNIE
(por cima) Sabe o que mais me chamou atenção em você quando nos conhecemos? A sua arrogância, a sua prepotência, nenhum receio de fazer inimigos. A sua altivez e sarcasmo involuntários. Isso me atrai. Mas você tem algo que me irrita.

Vinnie bebe um gole da vodca. Pensa um pouco.

            VINNIE
As suas crises de ciúmes. Isso ainda te mata.

Rafael se levanta, nervoso, olhar quase marejando.

            RAFAEL
Você quer que eu diga o quê? Hen? O meu namorado só sabe falar do Nilo, só elogia e admira o Nilo. Você quer que eu lide como com isso?

            VINNIE
(tom firme)Essas foram suas últimas palavras?

            RAFAEL
Vinnie, pelo amor de Deus!

Vinnie pega o telefone, prestes a discar. A mão de Rafael desliga o aparelho. Ambos se fitam.

           RAFAEL
Eu sei quem matou Vince Lemos! (T) As últimas digitais encontradas antes da morte dele não restam dúvidas. Me dê uma chance? Eu ainda posso te ajudar muito.

Vinnie, até então sério, abre um sorriso e toca no rosto do amante.

           VINNIE
Eu sabia que podia contar com você. Jamais mataria quem me absorve por inteiro.

Rafael sorri de alívio. Em Vinnie.

CENA 18 INT. - REDAÇÃO NOVO DIA / SALA DE REDAÇÃO – DIA

A porta do elevador abre. Murilo sai, chateado, mas dá logo de cara com Thales.

            THALES
(mãos na cintura) Ah, pronto! Chegou a madame! Isso são horas de chegar? Tava o quê? Penteando o cabelinho? Dando um trato no visual?

            MURILO
Não te devo explicações, Thales. Tu não é meu chefe!

Murilo quase sai, mas Thales cria barreira.

            THALES
Mas se a nossa chefe souber, cê vai ter que se explicar, viu?

           MURILO
(altera-se) Quer contar, conta, Thales. Quer uma cadeira pra ir mais rápido? Te empurro daqui, saco!

Thales, discretamente, empurra Murilo pro INTERIOR DO ELEVADOR, encarando-o com raiva.

           THALES
Cê endoideceu? Tá achando que pode falar assim comigo?

           MURILO
Eu não tô bem, Thales! Será que eu não posso ter um bad moment?

           THALES
Não, aqui não. Você sabe que aqui ninguém tem vida pessoal. Amora te come vivo se tu vier com um papinho desse. (observa) Você tá estranho tem dias. Que é?

           MURILO
Thales, tenho que voltar ao trabalho.

           THALES
Te meteram em coisa errada?

           MURILO
Eu posso tá com dor de barriga, não? Esse pode ser o meu bad moment, que tal?

Murilo tenta se desvencilhar, mas Thales prensa-o na parede.

           THALES
Fala pra mim: te sacanearam de novo? (Murilo se chateia) Pô, Murilão, te livrei da cadeia já, te arrumei emprego /

           MURILO
(corta) Ah, obrigado por me lembrar disso, Thales. Valeu mesmo!

Murilo empurra Thales e SAI do elevador. Em Thales, com cara de frustrado.

CENA 18 INT. - CASA DE RAUL / BANHEIRO – DIA

Raul lavando o rosto, fecha a torneira, apanha uma toalha. Vai SAINDO, sem camisa, enquanto seca o rosto e entra no

QUARTO

E dá de cara com Valdete, deitada na cama, de blusinha cropped e shortinho bem sexy, toda se querendo.

            RAUL
Pô, princesa, tenho que trabalhar, faz isso não.

            VALDETE
(dengosa) Tu não para em casa, mô. Essa noite tu chegou e eu já tava mortinha de cansaço.

Raul se aproxima, admirando as pernas lisinhas da garota.

            RAUL
Tu sabe que nem tenho hora, né?

Valdete se ergue e entrelaça a cintura de Raul com as pernas. Ele quase cai, mas se mantém.

            VALDETE
Soube que o tal do Nilo esteve no morro. Não me diga que passou a noite paparicando o heroizinho de merda?

Raul afasta as pernas dela com força. Dá as costas.

            RAUL
Pô, neguinha! Pra que judiar do cara. Te fez o quê?

Valdete fica de quatro, se aproxima dele. Agarra a cintura, sensualizando.

            VALDETE
Ele anda tomando o seu tempo, gostoso. Isso que ele me fez (mordisca sua cintura / Raul pira).

            RAUL
(revira os olhos de prazer) Pô, o Nilo tava drogadão, foi lá pra matar a Moni (ri).

            VALDETE
É? (aperta a cintura, provoca) Mas parece que não foi dessa vez, né, mô?

            RAUL
Não teve tempo (ri). Teria me poupado (se corta), para, Valdete!

Raul se volta, agarra a garota pela nuca e tasca-lhe um beijão. Cai por cima, CAM nem acompanha.

= = CORTE DESCONTÍNUO = =

Raul se levanta, suado e exausto. Veste a regata branca, enquanto Valdete na cama, quase embrulhada no lençol.

             RAUL
Sacanagem, hen, Valdete? Agora vou ter que voar lá pro serviço.

             VALDETE
Mas bem que tu gostou.

             RAUL
Pô (ri, safado). Desse jeito. Agora deixa eu ir. Se cuida, hen!

Valdete vê Raul sumir pela porta.

= = CORTE DESCONTÍNUO = =

Valdete, na LAJE, estendendo suas blusinhas, enquanto TOCA um Vai Malandra por alí. CAM se aproxima, no maior suspense. Até que alguém a abraça pelas costas. Valdete dá gritinho de susto, manhosa.

            VALDETE
Ai, merda! Quer me matar?

CAM revela Butuca.

            BUTUCA
Só se for de prazer, minha neguinha.

Butuca beija o pescoço da garota, e ela faz que gosta.

CENA 19 INT. - DELEGACIA / SALA DO DELEGADO – DIA

Moreira em sua mesa, observando o celular em mãos. A porta abre, Rafael adentra, cismado.

            RAFAEL
Então, Moreira? Posso chamar o meliante pro depoimento ou você vai conversar com ele fora daqui?

Moreira se recosta na cadeira, pensativo.

           MOREIRA
Não precisa chamá-lo assim, Rafael.

           RAFAEL
(mãos na cintura) Como não? Ele tem passagem pela polícia, Moreira! Se escondeu que tava no laboratório, é porque matou o Vince Lemos.

           MOREIRA
Eu vou conversar com ele, Rafael. Seguirei seus conselhos. Chamaria muita atenção se um jornalista entrasse na delegacia.

Moreira foca na tela do celular. Rafael disfarça um estranho olhar malicioso.

CENA 20 EXT. - CAFETERIA MEGACAFÉ – DIA

Um ônibus cruza a estrada bem na nossa frente e, quando atravessa, CAM pega Moreira dentro da cafeteria, sentado, como se alguém estivesse observando-o.

CENA 21 INT. - CAFETERIA MEGACAFÉ – DIA

Moreira tomando uma xícara de café, celular sobre a mesa. Até que vê alguém e se levanta, prontamente.

           MOREIRA
Que bom que veio.

Nilo diante dele, preocupado. CLOSE em sua expressão.

  FADE OUT

 

FIM DO SEGUNDO ATO

ATO FINAL

FADE IN

CENA 22 INT. - REDAÇÃO NOVO DIA / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Amora acaba de entrar, apressada, toda posuda no salto alto. Até que para, chateada.

           AMORA
Esqueci meu tablet no carro, droga!

Thales sentado logo alí, mostra-se atento.

           THALES
Opa! Deixa comigo! (para Murilo) Murilão! Cê pode pegar o tablet da Amora rapidinho? (pisca o olho, malandro)

Murilo olha para ambos. Thales sorri, debochado, faz sinal de positivo com a mão. Murilo dá um sorriso amarelo.

CENA 23 INT. - REDAÇÃO NOVO DIA / ELEVADOR – DIA

Murilo aperta o botão, aguarda, com raiva.

           MURILO
Tá me testando, Thales, tá me testando. Deixa estar que tu não me pega não.

Quando a porta se abre, Rafael está saindo. Ambos se encaram.

           RAFAEL
Ah, você é o Murilo Guedes, não é?

           MURILO
(desconfiado) Isso...Acho que te conheço /

Rafael se adianta e estende a mão. Murilo cumprimenta, sem entender.

           RAFAEL
Eu sou investigador de polícia. Com quem eu falo sobre um furo de reportagem?

            MURILO
(ressabiado) Pode falar comigo mesmo. É sobre...?

            RAFAEL
(sorri, vitorioso)
Sobre a morte de Vince Lemos. Se prepara para a grande manchete: Nilo Rodrigues é o assassino.

Na cara de espanto de Murilo, engolindo tudo em seco.

CENA 24 INT. - CAFETERIA MEGACAFÉ – DIA

Nilo e Moreira sentados à mesa.

           MOREIRA
Você sabe que eu tenho profundo respeito pela sua história, não sabe?

           NILO
(tenso) Onde quer chegar, delegado?

           MOREIRA
Você não tem em mim a mesma confiança que eu tenho em você. Entendo. (T) Quem já foi fichado na polícia, não morreria de amores pelo delegado, não? (ri)

Nilo não esconde o incômodo. Olha para os lados, como se desejasse sumir dalí.

           NILO
Levantou a minha ficha, é?

           MOREIRA
O próprio sistema faz a varredura quando encontramos digitais em algum local do crime, Nilo. Mas eu juro que esperava que você me contasse.

Nilo encara-o, sem reação.

           MOREIRA
Você matou Vince Lemos. (T) E não foi em legítima defesa.

No BAQUE em Nilo. Ele tenta dizer algo, mas BURBURINHOS chamam a atenção. Pelo vidro, um CARRO vem com tudo em cima deles, quase não dando tempo para Nilo e Moreira, assustadíssimos, se levantarem. Ambos tentam saltar dalí, quando o carro INVADE o local, estilhaça o vidro, cadeiras e mesas voam. Desespero nas pessoas. O carro dá uma freada brusca.

Diante do estrago, Nilo se arrasta até Moreira, caído no chão, ferido e consciente. Um sujeito com uma meia calça na cabeça sai do carro e puxa uma arma. Nilo é rápido, e quando o sujeito aponta a pistola, Nilo saca a arma do coldre de Moreira e ATIRA certeiro contra a cabeça do sujeito. O sujeito TOMBA, arrancando gritos de horror dos demais.

Nilo encara a própria mão armada, surpreso com ele mesmo. Olha para o delegado, que segura na mão de Nilo, e fecha os olhos.

FADE OUT

FADE IN

VISTA AÉREA da cidade à noite. Sirenes de polícia ecoam pelos quatro cantos do cenário revelando o clima denso.

CENA 25 INT. - DELEGACIA / SALA DO DELEGADO – NOITE

Rafael se afasta da porta e verifica o celular. Mostra-se chateado.

            RAFAEL
Mas porque esse filho da mãe não divulgou a notícia ainda? Que droga!

A porta logo atrás está entreaberta e Toninho dá as caras, cismado. Rafael nem saca. O celular dele toca. Rafael atende, irritado, mas dá uma conferida atrás. Toninho disfarça.

            RAFAEL
(ao tel.)
Olha, serviço feito pela metade. O delega foi salvo pelo seu queridinho, tá bom? (revira os olhos) Ah, tá, o Nilo atrapalha seus planos e você briga comigo? (bufa / abaixa a voz) Vinnie, Moreira é forte, vai acabar saindo dessa. Acha que ele vai livrar o Nilo? (T) Tá bom, tá bom! Vou dar um jeito nisso.

Rafael desliga o celular.

            RAFAEL
Eu tenho é que dar um jeito nesse Nilo…

Toninho lá atrás, ouviu tudo.

CENA 26 EXT. - REDAÇÃO NOVO DIA – NOITE

Murilo guardando as coisas na bolsa. Paulinha vai até ele, preocupada.

           PAULINHA
E aí? Acha que o Nilo te entregou?

           MURILO
(nervoso, nem a encara) Cê tá vendo a polícia aqui? Eu não to vendo, cê tá vendo?

           PAULINHA
Caraca, Murilo! Eu também to aflita com essa situação.

Murilo larga o que está fazendo, olha ao redor – Thales conversando com um colega – e olha para Paulinha.

           MURILO
Cara, pensa comigo: era muito mais fácil o Nilo ter se entregado há semanas do que agora, porque antes tinha uma boa desculpa pra eu tá com ele na hora do crime, mas agora? Agora não há desculpa d’eu ter me calado, a não ser que eu seja cúmplice!

           PAULINHA
Se você tivesse falado com ele, conversado de boas, né?

           MURILO
(irônico) Puxa, Paulinha, como é bom ouvir que eu podia ter mudado tudo isso, hen.

Paulinha revira os olhos. Thales chega neles, animado.

           THALES
Murilão, nem guarde suas coisas. Preciso de você pra cobrir uma manchete quente, hen.

           MURILO
Que papo é esse? Já cumpri meu expediente.

           THALES
Hora extra, já ouviu falar? Te apresento. É o seguinte, parece que  o Nilo invadiu a cafeteria, atropelou o delegado e meteu tiro pra tudo que é lado. (dá um tapinha no ombro dele) Vê isso pra mim e já!

Murilo e Paulinha trocam olhares, espantados.

CENA 27 EXT. - HOSPITAL CENTRAL – NOITE

Ambulância chegando. Movimento de pessoas entrando e saindo. Sirenes de ambulância tocando ao longe.

CENA 28 INT. - HOSPITAL CENTRAL / RECEPÇÃO – NOITE

Local cheio, TV ligada com a numeração de senha. Nilo de um lado para o outro, inquieto. Roger se levanta, impaciente.

           ROGER
Nilo, daqui a pouco a outra imprensa estará aí. Melhor tu ir pra casa, brother.

           NILO
Eu só saio daqui depois de saber do Moreira. Eu também sou a imprensa, Roger!

Lila já chegou alí.

           LILA
Você tá nervoso, Nilo. Poderá falar alguma coisa indevida e piorar a situação. Deixa que a gente cuida de tudo.

Nesse momento, quatro enfermeiros cruzam o caminho deles. Logo atrás, surge Moni, disfarçada de enfermeira, cabelos amarrados, pouca maquiagem. Só Nilo percebe. Moni faz um sinal para acompanhá-la.

CENA 29 EXT. - HOSPITAL CENTRAL / JARDIM – NOITE

Nilo caminha, enquanto procura por Moni. Dá uma sacada atrás de uma ambulância; olha adiante para uma sala de exames. Faz que não entende. É quando se volta e dá com Moni, já sem o uniforme branco.

           MONI
Fortes emoções, hen, bicho.

           NILO
O que tá fazendo aqui?

Moni passa a mão na gola da camisa dele, sedutora.

           MONI
Te ver.

Nilo esfrega a mão no rosto, olha pros lados, incomodado. Moni ri, sapeca.

           MONI
E dizer que você não poderá salvar as pessoas o tempo todo. (sussurra) Uma hora elas morrem.

E sorri, charmosa. Os dois ficam se olhando, Nilo com as mãos na cintura; Moni mexendo os ombros de um lado pro outro.

          NILO
Além desse fato surpreendente, o que mais tem a me dizer?

          MONI
Que se tu quiser proteger o delega, terá que fazer guarda no quarto dele, a menos que você não queira pagar pela morte de Vince Lemos.

Nilo vai para trás, surpreso com o papo da malandra.

          NILO
O quê? Do que cê tá falando?

          MONI
Não vamos entrar por aí, garotão. A pessoa que não devia saber já sabe e fará de tudo pra te proteger. (T) Vinnie Ludwig.

          NILO
(abismado) Ah, mais uma a acusá-lo! Isso não faz o menor sentido!

          MONI
Certeza? Tu realmente acha que ele tava satisfeito em ver o irmão pagando de líder comunitário em Valquíria?

Nilo engole em seco, perplexo com a novidade e, ao mesmo tempo, confuso.

          NILO
Você tá me dizendo que ele mandou matar o Moreira? (Moni faz que sim) E quantos ele vai matar pra me livrar da cadeia?

          MONI
Todos (susto em Nilo). Todos que ameaçarem a sua vida e a sua liberdade. Vou te passar a letra: melhor tomar cuidado com acessos de raiva em público. Vinnie gosta de quem você gosta. Senão, (imita uma arma com a mão) pow! (assopra o dedo como se fosse o cano da arma).

E gargalha, louca.

          NILO
Por que tá me dizendo tudo isso? (esperto / desconfia) O que ganha tentando me ajudar?

Uma ambulância chega com tudo, porta se abre e enfermeiros saem, apressados. Nilo se distrai com a confusão. Quando se volta, percebe que Moni foi embora.

Nele, ainda baqueado.

CENA 30 INT. - HOSPITAL CENTRAL / RECEPÇÃO – NOITE

Um copo plástico é jogado na lixeira. Lila dá uma sacada no horário do celular, preocupada. Roger chegando alí, ansioso.

          ROGER
Lila, olha quem chegou.

Lila avista Paulinha e Murilo caçando alguém, munidos de uma câmera.

          LILA
Cadê o Nilo, Roger?

Roger ainda olhando para os concorrentes.

          ROGER
Menor ideia, Lila.

CENA 31 EXT. - HOSPITAL CENTRAL / CTI – NOITE

Um enfermeiro sai por uma porta com uma bandeja contendo seringa e outros utensílios. Atravessa o corredor e passa ao lado de Nilo, disfarçando enquanto bebe água do bebedouro. Nilo espia o enfermeiro sumir, joga o copo plástico na lixeira e caminha, discretamente, até a porta do

QUARTO

Onde estão alguns pacientes, todos entubados. Moreira está mais adiante, desacordado. Nilo fecha a porta, apreensivo, e se aproxima do delegado. Por um instante, Nilo é tomado por lembranças.

= = INSERT AUDIO = =

          MOREIRA
Você sabe que eu tenho profundo respeito pela sua história, não sabe?

 

          VINNIE
(por cima) Seja lá quem o matou, não vai se esconder por muito tempo. (encara-o) Eu garanto.

 

          MONI
Que se tu quiser proteger o delega, terá que fazer guarda no quarto dele, a menos que você não queira pagar pela morte de Vince Lemos.

 

          MURILO
Tu não tem moral pra falar de mim. Perde a cabeça quando vê que tá perdendo a reputação, né? É só isso que importa!

= = AUDIO OFF = =

Nilo já bem próximo da cama de Moreira, olhando seu semblante calmo. Ao fundo, Murilo encontra-o pelo vidro da porta.

CORTA PARA ele que, pelo seu ponto de vista, Nilo está com as mãos nos tubos ligados à Moreira. Murilo quase posiciona a câmera, mas está paralisado demais para isso.

VOLTA PARA as mãos de Nilo segurando os tubos, como se fosse apertá-los ou arrancá-los. No rosto de Nilo, que fecha os olhos.

FADE TO BLACK

FIM DO EPISÓDIO

 
     

 

     

AUTORA

Cristina Ravela

APRESENTANDO

AARON ASHMORE................................Nilo Rodrigues

ILDI SILVA........................…............Lila Machado

FELIPE ABIB...................................Roger Ribeiro

IGOR RICKLY...................................Vinnie Ludwig

YASMIN GOMLEVSKY.................................Moni Vasco

THIAGO FRAGOSO................................Thales Araújo

CHANDELLY BRAZ…............................Paulinha Avellar

SÉRGIO MENEZES................................Murilo Guedes

 ELENCO SECUNDÁRIO

LARISSA BRACHER...............................Amora Molinos

MARIANA LIMA............................…………...Emília Brito

BRUNO FERRARI..................................Rafael Brito
EMÍLIO DE MELLO............................Delegado Moreira

MARCELO GONÇALVES...................................Toninho

RICARDO VIANNA.......................................Branco

JONATHAN AZEVEDO.....................................Butuca

ED OLIVEIRA............................................Raul

BLOTA FILHO.........................................William

 PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

RODRIGO HILBERT.................................Vince Lemos

FERNANDA VASCONCELLOS..............................Rafaela

NATHÁLIA DILL...........................................Ari

 ATORES CONVIDADOS NESSE EPISÓDIO

 ERIKA JANUZA.........................................Valdete

 TRILHA SONORA

ROCK YOU LIKE A HURRICANE..........................Scorpions

JORGINHO, ME ESPRESTA A 12..........................MC Carol

PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Cristina Ravela
Rafael Oliveira


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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