Anti-Herói - 1x02





1x02
 
     
 
 
 

ATO DE ABERTURA

            NILO
(V.O)
A verdade é uma cinza humana jogada na minha cara. Eu havia matado um homem. Eu matei o herói que havia em mim?

FADE IN

CENA 1 INT. - APTº DE NILO E LILA / QUARTO – NOITE

Nilo e Lila aos beijos, se pegando, de contra a parede. Nilo beija seu pescoço, alisa sua cintura e /

Ambos caem na cama, já sem roupa, Nilo faz movimentos bruscos. Lila arranha suas costas, contorcendo-se de prazer.

CORTE DESCONTÍNUO

Nilo deita na cama, ambos suados e exaustos. A garota olha para Nilo com olhar ao léu. Destaque para o seu rosto, com um hematoma e alguns pequenos ferimentos causados pelo caco de vidro.

            LILA
Será que agora você pode me contar o que aconteceu?

            NILO
A culpa é sua. Não resisto a esse seu corpinho.

Ambos riem.

           LILA
Me refiro a ontem à noite. Por onde andou? Ou acha que eu não reparei essas marcas na tua cara?

Nilo fecha a cara, pensa em algo.

           NILO
Não foi nada. (Lila o encara, insatisfeita) Ok, eu fui atrás do Murilo.

Lila se levanta, preocupada.

           LILA
Sério?! Você agora deu pra resolver as coisas na porrada?

           NILO
Não me julgue. Ele me difamou! Olha, eu já passei por coisas demais na minha vida /

           LILA
(por cima) E eu passei junto. Eu vi as suas perdas, Nilo. Você já sofreu atentados.

           NILO
E por isso eu devo aceitar calado? O que virá depois de uma difamação?

           LILA
Você não matou ninguém. É isso que importa. (aperta seu queixo, dengosa) Meu herói.

Nilo engole a seco, preocupado.

CENA 2 INT. - APTº DE NILO E LILA / QUARTO – DIA

No casal dormindo. Agora é possível perceber um quarto amplo, arejado, com uma porta para a varanda. Pisos escuros contrastando com as paredes brancas e um cartaz da Liga da Justiça em uma delas.

Ao lado do guarda-roupa, uma escrivaninha com laptop, impressora, canetas e livros.

Nilo desperta, dá uma olhada em Lila. Levanta.

CENA 3 INT. - APTº DE NILO E LILA / COZINHA - DIA

Nilo prepara o café. O celular sobre o balcão TOCA. Nilo apanha uma toalha, seca as mãos e verifica a chamada. Trata-se de uma mensagem.

POV DE NILO — Surge uma mensagem na tela: “Parece que alguém queimou o próprio filme”

Um clique e o vídeo se abre. É a gravação da noite anterior na qual Nilo mata Vince Lemos. — FIM DO POV

Lila já está logo atrás, espreguiçando-se.

            LILA
É o Roger? Aposto que é pra enviar algum meme novo. Acertei?

Na expressão assombrada dele.

FADE OUT

FIM DO ATO DE ABERTURA
 
     

 

     
   
 
1x02 - A VERDADE É UMA CINZA HUMANA
     
 

PRIMEIRO ATO

FADE IN

SONOPLASTIA: Defame Me - New Years Days

Takes pontuados da cidade. Destaque para a Central do Brasil sempre lotada, a Cinelândia cercada pela Biblioteca Nacional e o Theatro Municipal. O Museu de Belas Artes. O vai e vem dos ônibus nas principais vias.

Na fachada da delegacia.

FIM DA SONOPLASTIA

CENA 4 INT. - DELEGACIA / SALA DO DELEGADO - DIA

No rosto do delegado Moreira, sentado em sua cadeira, cotovelos apoiados sobre a mesa e as mãos no queixo, pensativo.

            MOREIRA
Então...foi isso? Você não conhecia a vítima, mas ela entrou em sua casa, em seu laboratório sem o menor esforço. Você sabe que pode contar comigo, não sabe, Emília?

Emília, diante dele, mantendo a calma.

            EMÍLIA
Eu sou muito grata pelo senhor ter colocado o meu irmão como seu braço direito aqui. Jamais mentiria.

            MOREIRA
Quem mais tinha acesso ao laboratório, além de você e do seu irmão? Porque esse sujeito, seja lá quem for, não lutou sozinho.

Emília olha rapidamente para o policial TONINHO (moreno, 49 anos, carrancudo e magro), de pé, encarando-a com desprezo. O escrivão anotando tudo.

            EMÍLIA
Seja lá quem entrou, delegado, parece que entrou sem esforço também. Sinal de que preciso redobrar a segurança, não é?

Moreira faz que sim, recosta em sua cadeira, vencido.

CENA 5 EXT. - DELEGACIA – DIA

Toninho desce com o celular a postos. Verifica se ninguém está olhando.

            TONINHO
A vegana dos infernos acabou de sair. Se fez de coitada pro delega. (T) Uma sonsa que nem o irmãozinho dela. (T) Tá bom, chefia, relaxa, vo fazer besteira nenhuma não. Vo só ficar na maciota.

Toninho desliga, raiva estampada na cara.

CENA 6 EXT. - REDAÇÃO NOVO DIA - DIA

Murilo (com hematoma no rosto) acaba de descer da van, ajeitando a bolsa a tiracolo. Aguarda, ansioso, o ônibus passar, mas vai logo atravessando a rua. Quando o ônibus some da tela, Murilo dá de cara com Nilo, esperando-o na calçada.

            MURILO
(deboche)
Você gosta mesmo de chegar de surpresa, né?

Nilo, com cara de poucos amigos, mostra o celular com o vídeo.

            NILO
O que significa isso?

            MURILO
(irônico)
Um furo de reportagem?

Nilo quase avança, mas não parte pra cima.

            NILO
Você aproveitou pra gravar tudo quando poderia ter me ajudado. As coisas não precisavam ter terminado daquele jeito.

            MURILO
(tranquilo)
Eu não ia te ajudar a sujar as mãos, Nilo. Não sou um assassino.

            NILO
Você tava lá, viu que eu não tive a intenção/

            MURILO
Usar um objeto cortante para se defender de um alucinado não parece uma proposta de alguém bem-intencionado, Nilo.

            NILO
Eu usei algo cortante para te defender! (Murilo fecha o sorriso de escárnio) Não se esqueça que se você vai me detonar no teu jornal é porque tá vivo.

Murilo vacila o olhar, incomodado com a verdade. Porém, não o suficiente para perder a pose.

            MURILO
Ninguém vai lembrar de mim quando o teu nome estiver no jornal. É a história do herói que virou assassino.

            NILO
Cê tem razão. Ninguém vai lembrar de você. A diferença entre nós dois é justamente essa: eu tenho um nome a zelar.

Thales já chegando alí, desconfiado.

            THALES
(mãos na cintura)
Opa, opa! A que devemos a honra do falso herói aqui diante da Novo Dia?

Nilo e Murilo fitando-se.

            NILO
(para Thales)
Vim olhar pra essa tua cara de sebo.

Nilo sai de cena. Thales, lado a lado de Murilo, vendo Nilo ir embora.

            THALES
O que ele queria?

            MURILO
Olhar pra essa tua cara de sebo.

Sério, Murilo dá as costas, deixando Thales mais desconfiado.

CENA 7 INT. - MANDRAKE PUB – DIA

Funcionários arrumam as cadeiras; limpam mesas; outros repõem as prateleiras com bebidas.

Vinnie, sentado à mesa de poker, verificando o celular. William chega por alí com um papel dobrado.

             VINNIE
Que cara de enterro é essa, William?

             WILLIAM
Rafael mandou entregar. É do IML.

Vinnie, estranhando, pega o papel e abre. Espia William, levanta da mesa; fecha o papel e devolve. Ajeita o paletó e quase sai, quando /

            WILLIAM
Senhor...?

            VINNIE
Não precisa me dar os pêsames, meu amigo.

Vinnie deixa o cenário. William olha para o papel, compreensivo.

CENA 8 INT. - MEGACAFÉ - DIA

Nilo e Roger sentados ao lado de uma área envidraçada, com vista para uma rua de frente. Roger bebe o mate, ansioso.

            ROGER
Com o laboratório fechado, como vamos dar continuidade às investigações?

            NILO
Precisamos ir pra Valquíria, mas não agora, tá, Roger?

            ROGER
Ah, qualé! Valquíria já tá virando cenário de Urban Legend: quem entra, não sai. Quem tá fora, tem medo de entrar. Ninguém nem gosta de citar o nome. (faz segredo)Sabe o que fiquei sabendo? Que a casa daquela família assassinada tá abandonada. Será que nem drogado invade? Aí tem.

             NILO
Roger, acho melhor você aproveitar a sua tarde de folga. O chefe mandou eu dar uma averiguada no laboratório.

             ROGER
Como assim? A polícia não cercou tudo? (Nilo nem encara-o) Ai, posso ir junto? Valquíria tem ares de bairro proibido.

             NILO
Você não tinha dito que tava ansioso pelo seu dia de folga? Então...

             ROGER
(fazendo manha)
Detesto quando você se esquiva. Cê devia levar em conta que o chefe disse primeiro pra mim que quer descobrir quem é o assassino.

             MOREIRA
(O.S)
Eu também, rapaz.

Nilo se assusta, mas disfarça a tensão.

             MOREIRA
Desculpe, posso?

             ROGER
Claro! Senta aí com a gente. Conte pra nós, como vão as investigações sobre a morte de João Víthor?

Moreira olha para Nilo, um olhar admirado.

             MOREIRA
Ahn, foi concluído que o ator sofreu um infeliz acidente. (debruça os braços sobre a mesa) Mas não se preocupe, Nilo, que o Jack Freitas só voltará a rodar o filme daqui a um mês.

             NILO
Porque eu me preocuparia?

             MOREIRA
Eu sei o quanto é difícil pra você reviver o passado. (pousa a mão sobre a mão de Nilo) Conte comigo para o que precisar.

Na troca de olhares sinuosos entre Roger, passando para Moreira, até encontrarmos os de Nilo. Nilo retira a mão, levanta-se.

             NILO
Desculpe, preciso ir. Roger, cê paga aí?

             ROGER
(inconformado)
Mas cê disse que ia pagar pra mim...

Nilo já saiu batido dalí. Roger observa-o se afastar. Pega a carteira do bolso da camisa, saca uma grana e deixa na mesa.

            MOREIRA
Isso porque eu cheguei?

            ROGER
Não é nada pessoal, delegado, mas o dever me chama.

Roger levanta e sai apressado. Moreira espia, sem entender.

Na fachada do Mandrake Pub. CAM direciona para uma das janelas do triplex.

CENA 9 INT. - MANDRAKE PUB / CASA DE VINNIE / SALA - DIA

Um ambiente requintado, arquitetura tipicamente russa (pisos escuros, tapetes estampados; móveis rústicos; candelabros extravagantes tornam o local mais sofisticado).

Vinnie e Rafael vêm da direção do corredor, abraçados.

           VINNIE
Pensei que não viria. Você tem o poder de me acalmar.

            RAFAEL
Sinto muito pelo seu irmão. Sei que não se davam bem, mas /

            VINNIE
(por cima)
Quero que você me informe de cada passo do Moreira. Ele não vai abafar esse caso como fez do ator. Vince Lemos era muito importante para a sociedade.

            RAFAEL
(insatisfeito)
Moreira arquivou o caso porque era o nome do Nilo envolvido, isso sim.

Vinnie sorri, aproxima-se do bar e apanha uma garrafa de Jack Daniels.

           VINNIE
Não seja modesto, meu caro. Sei que você convenceu o delegado a esquecer esse caso (Vinnie serve dois copos). Você tem lábia.

Rafael sorri, malicioso. Vinnie oferece a bebida.

           RAFAEL
To no meu horário de serviço, Vinnie.

           VINNIE
Moreira costuma chegar muito perto de você pra...(faz um gesto em direção a boca) verificar o aroma?

Ambos sorriem, Vinnie pega Rafael pela nuca e o beija na boca. Beijo intenso, mas rápido.

           RAFAEL
Agora, será que você pode me dizer por que protege esse Nilo? Tu sabe que ele tá do lado da lei, então /

Vinnie dá as costas, bebe sua vodca num gole só.

           VINNIE
Ora, meu querido, não está com ciúme, não? Todo bom vilão tem um amigo herói. (vira-se para ele) E eu sou o vilão dessa história.

Vinnie ri, Rafael também, mas sem confiança.

CENA 10 INT. - MANDRAKE PUB - DIA

Vinnie desce as escadas, William vem ao seu encontro.

           WILLIAM
Rafael já foi?

           VINNIE
Sim, saiu pelos fundos, como sempre.

Vinnie ajeita suas abotoaduras, enquanto nota a preocupação em William.

           VINNIE
Ora, William, não maltrate sua aparência com essa testa franzida, homem; diga, o que lhe aflige?

           WILLIAM
O senhor sabe que não gosto de fazer conjecturas, mas...o quanto confia nesse Rafael?

           VINNIE
(coloca a mão em seu ombro)
Ah, William, sempre preocupado com o meu bem-estar. Rafael não me oferece riscos; está nas minhas mãos muito mais do que eu na dele.

           WILLIAM
É, mas um rapaz ciumento pode ser muito perigoso, ainda mais alguém com o cargo dele. Ele já sabe que tá concorrendo diretamente com Nilo Rodrigues?

Vinnie acha graça, toca o rosto do amigo, carinhosamente.

           VINNIE
Como você é maldoso, William. Nilo é apenas um bom amigo.

           WILLIAM
Hmm, eu e os presentes importados sabemos disso. Qual será o próximo passo?

           VINNIE
Quero a herança deixada pelo meu querido e finado irmão, Vince.

           WILLIAM
Mas antes o senhor precisa resolver umas pendências.

           VINNIE
Então, a cabeça de Moni Vasco primeiro.

Vinnie ri, sedutor, junto a William.

CENA 11 EXT. - BAIRRO VALQUÍRIA - DIA

Um grupo de viciados fumando num canto. Um rapaz qualquer escapa de um senhor de dentro da padaria, enquanto segura um saco de pães.

           HOMEM
Seu filho da puta! Se eu te pego, eu te capo!

O garoto sai rindo, encontra os amigos viciados e distribui os pães.

CENA 12 INT. - BAR 94 / VALQUÍRIA - DIA

Na droga sobre a mesa. Branco faz carreira de pó, deita o rosto e se prepara para aspirar a droga, quando leva um safanão na nuca. O pó se espalha.

            BRANCO
Pô, Butuca! Olha a merda que tu fez!

Butuca e mais alguns outros caem na gargalhada.

            BUTUCA
Tá sempre chapado só pra não bancar o ativo.

Branco se levanta com sangue nos olhos, derruba a cadeira.

            BRANCO
Tá querendo levar uma bazuca no meio da cara, seu retardado?

Butuca segura o bandido, tentando acalmar.

            BUTUCA
To de caô, rapá. Todo mundo aqui sabe que tu é macho pra caramba, né não, rapaziada?

Os outros concordam, aos risos, mas logo mudam o foco ao ouvir um canto. É Moni chegando, sorridente, sacudindo os ombros e com uma garrafa de champanhe; rodopia com um olhar sagaz.

            MONI
(cantarola)
Malandramente...se achava o cara, mas quebrou a cara, virou churrasquinho de gente. (os caras batem palmas) Ah, safado, devia era tá bem chapado, agora dou recadinho pra ti: Nós se vê por aí, nós se vê por aí...

Moni gargalha, felicíssima.

            BUTUCA
Moni, quem você matou?

            MONI
Essa é a parte chata: não matei ninguém, brow. Vince Lemos foi morto por exceder o limite de veganismo (ri).

Butuca olha para os demais, sério.

            BUTUCA
Cumé que foi isso?

            MONI
Olha que ironia: Vince virou churrasco no laboratório vegano, sacou? Esse povo desistiu de respeitar os animais; já foi logo metendo o homem na brasa.

Todos, até então, sérios, gargalham juntos. Moni abre a garrafa de champanhe, que explode em espuma.

            MONI
Agora, Vinnie Ludwig que me aguarde!

No festejo deles.

CENA 13 INT. - CRACHÁ VERDE / LABORATÓRIO - DIA

O local está com boa parte em cinzas, bagunçado, área demarcada com fitas amarelas.

            NILO
(O.S)
Acha possível encontrarem minhas digitais?

CORTE DESCONTÍNUO

Nilo e Emília próximos ao balcão da LOJA, no momento, vazia.

            EMÍLIA
O Moreira tá empenhado /

            NILO
(soca o balcão)
Droga!

Emília tenta confortá-lo, tocando em seu ombro.

            EMÍLIA
Eu não disse nada sobre você, fique tranquilo /

            NILO
(larga dela, revoltado)
Eu não posso ficar tranquilo, Emília! Eu matei uma pessoa!

            EMÍLIA
Foi em legítima defesa, Nilo. Qualquer um entenderia /

Nilo caminha com as mãos na cintura, de um lado para o outro.

            NILO
O que sugere? Que eu me entregue?

            EMÍLIA
Ahn...A imprensa já te acusou pela morte de João Víthor, imagine se souberem que você matou um homem aqui?

            NILO
Se ao menos eu tivesse matado um bandido…

Emília olha para Nilo, surpresa, mas ele nem saca.

            NILO
Eu já passei por tempos difíceis, mas matar um inocente tá sendo demais pra mim.

            EMÍLIA
Você já contou pros seus amigos? Pra Lila?

Nilo faz o pensativo, reluta em responder.

            NILO
Não…

            EMÍLIA
E por que não?

            NILO
Eu não sei qual seria a reação deles se souberem que a imagem de herói que a Lila ajudou a construir...

CAM BUSCA Roger no LADO DE FORA, ouvindo tudo, esbabacado.

            NILO
(O.S / cont.)
...Não existe mais.

Roger SOME dalí.

CENA 14 INT. - REDAÇÃO NOVO DIA / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Murilo, animado, vem segurando um milk-shake de um lado e o celular de outro. Encontra Paulinha sentada, redigindo um texto.

            MURILO
Fala aí, Paulinha. Hoje tem, hen.

Murilo senta do outro lado, bebe o milk-shake rapidamente e deixa o copo sobre a mesa. Esfrega as mãos, ansioso, sob o olhar curioso de Paulinha.

            PAULINHA
Posso saber o que tem hoje?

            MURILO
A melhor bomba da semana. Sabe a morte daquele ator lá? (Paulinha faz que sim) E a novela Escolhas da Vida? (a garota assente) Esquece. O que tenho aqui vai acabar com a audiência de ambos. Vamos botar pra ferver!

Ambos riem. Murilo se concentra diante do computador sem perceber que Thales está por alí e ouviu a conversa.

FADE OUT
 

FIM DO PRIMEIRO ATO

SEGUNDO ATO

FADE IN

CENA 15 INT. - BAR 94 / VALQUÍRIA – DIA

Homens bebendo, jogando sinuca; riem de qualquer coisa. Algumas mulheres fumando à mesa também jogam conversa fora.

Corta para uma SALETA

Na tela do PC, o Google Maps está aberto exibindo as proximidades da Carioca News. Butuca aponta para uma construção inacabada.

            BUTUCA
Aqui ó. Dá pra fazer uma boa mira. Tem como errar não. Ninguém nem vai sacar que tamo dentro dessa casa.

Branco deposita um pó branco no copo de cerveja.

            BRANCO
Mó doideira isso. Né mais fácil meter uma bala nas fuças daquele Vinnie?

            BANDIDO #1
Já tentamos isso da outra vez. Tá com o tio Alzheimer, pow? Perdemos quatro na operação, cumpadi.

            BUTUCA
É, por causa disso, neguinho ligou o Russo ao esquema.

            BRANCO
Joga uma bomba naquele restaurante dele, ué.

            BUTUCA
Falou o cara. Se mirar no loiro lá, capaz de acertar o guarda-costas dele, que ninguém liga.

RISOS, inclusive do Branco. Moni, por alí, bebendo uma skol beats.

            MONI
Não quero desperdiçar munição, amigos. A minha ideia é brilhante. Se não posso pegar um tubarão, pego o peixe pequeno.

            BUTUCA
Já é!

No sorriso malicioso de Moni /

Na fachada da Redação NOVO DIA

            THALES
(V.O)
Foi isso mesmo que ouvi...

CENA 16 INT. - REDAÇÃO NOVO DIA / ESCRITÓRIO – DIA

Corta diretamente em Thales, de pé, mãos na cintura, aquela pose de nervosinho e metido a sabichão.

            THALES
Ele disse que tem uma bomba...alguma coisa a ver com a morte de João Víthor (se atrapalha)...que ele fez uma escolha, algo assim.

Amora, sentada diante dele, cotovelos sobre a mesa, mãos apoiando o queixo.

            AMORA
Escolha, é? Interessante...
Bom, a polícia arquivou o caso desse ator, mas...(pensativa) será que houve uma reviravolta? (ansiosa) Será que descobriram que o Nilo o matou mesmo?

            THALES
Bem provável. Quer que eu chame o Murilo aqui?

            AMORA
Sim, sim. Como ele planeja uma pauta sem falar comigo antes? Chame-o agora!

Thales faz que sim.

CENA 17 INT. - REDAÇÃO CARIOCA NEWS / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Movimentação típica. Roger conversa com um colega e, em segundo plano, surge Nilo, adentrando o local, meio cabisbaixo.

            NILO
Fala aí, gente! Oi, Roger.

O colega sai dalí, Roger dá uma olhada rápida para Nilo, mas nada diz. Vai para a sua mesa e senta.

            NILO
Algum problema, Roger?

Roger disfarça, se atrapalha na hora de arrumar a mesa; deixa  cair algumas canetas.

            ROGER
Não...Por quê? Você tem algum que queira compartilhar comigo?

            NILO
Ahn...Eu? Não…

            ROGER
Então, ótimo.

Roger não o encara. Lila aparece alí e abraça Nilo, desconcertado com a recepção de Roger.

            LILA
(para Nilo)
To precisando de você. Quero saber o nome da vítima do laboratório, e eu tenho certeza de que o delegado Moreira não hesitaria em dá-lo a você primeiro.

           ROGER
Coisa de privilegiado, né não?

Nilo e Roger se fitam. Lila observa ambos, enquanto Nilo se mostra cercado pela desconfiança.

           NILO
Ok. Deixa comigo.

Nilo SAI. Roger dá um sorriso amarelo para Lila.

CENA 18 INT. - REDAÇÃO NOVO DIA / ESCRITÓRIO – DIA

Em Amora, com uma caneta em mãos e o olhar maquiavélico.

           AMORA
Suponho que a informação seja segura, né? Veio da própria polícia?

           MURILO
A informação é segura, sim, Amora. Será um choque pra todos.

           THALES
Tem a ver com aquela morte lá…?

           MURILO
Sim /

Amora bate na mesa, eufórica.

           AMORA
Eu sabia! Nilo matou o ator, né?

Murilo saca a confusão, tenta desfazer o mau entendido, mas /

            AMORA
(cont.)
Quero nomes de todos os envolvidos neste jornal, hen. (pensativa) Os amiguinhos deles vão todos pagar por esse crime, e a Carioca News é bem capaz de fechar as portas (ri, animada), agora sim eu acabo com eles.

           MURILO
Mas o que os amigos teriam a ver com isso?

           AMORA
Não seja ingênuo, Murilo. Obviamente que ele teve ajuda. Você não espera que ele seja o justiceiro fantasma, né? Quem estava com ele, e não impediu, é tão bandido quanto ele.

Murilo emudece, olha para Thales, que sorri, ávido pelo que está por vir.

CENA 19 EXT. - REDAÇÃO CARIOCA NEWS – DIA

No vai e vem das pessoas e dos carros. CAM percorre rapidamente pela via e encontra um carro preto, estacionado junto a tantos outros.

Corta para o seu interior

O motorista, com uma tatuagem de teia de aranha no rosto, e ao lado de Branco, olha para o banco de trás. Moni passa batom vermelho, ajeita os cabelos e averígua o decote. Butuca ri.

            BUTUCA
Nunca vi ninguém se produzir pra levar pipoco nas fuças.

Os outros riem. Moni também ri, mas de surpresa, agarra o queixo de Butuca, séria.

            MONI
É bom tu lembrar que a bala é de raspão, seu Zé ruela! Se eu me machucar feio, puxo o teu porrete e transformo em vara de pescar! (solta seu queixo).

            BUTUCA
Que isso…Tu acha que sou homi de vacilar a mira, mulé?

            BRANCO
Bora com isso, gente? O cara já deve tá chegando.

CORTE DESCONTÍNUO

CAM dá um flagra em Butuca, no alto da janela de um prédio inacabado, posicionando uma pistola de um lado e com um celular na outra mão.

...Nilo vem numa rua próxima, falando ao celular. Ele para diante de uma banca de jornal.

...Butuca diz algo no celular. Corta diretamente para o carro preto. Dele, sai Moni Vasco, toda produzida; ajeita o decote e joga os cabelos nos ombros. Branco, no banco de carona, faz sinal de positivo.

...em contrapartida, Roger vem pela calçada da Carioca News com o seu lanche e um copo de guaraná.

...Moni atravessa a rua, toda pomposa. Apanha o celular do decote.

           MONI
E aí? Qual a visão? Nilo tá vindo? (T) Ok.

Neste instante, Roger avista Butuca na janela, mirando em Moni. Roger corre em sua direção, larga o lanche e pula na bandida.

            ROGER
Cuidado!

Roger agarra Moni e ambos batem de contra um furgão, saindo da mira de Butuca. Olho no olho. Em Roger, admirado.

            ROGER
Você tá bem?

            MONI
(atordoada)
O que você fez?

            ROGER
Tentaram te matar. Cê...cê tá bem mesmo?

            MONI
Aham...Preciso ir.

Moni sai batida, deixando Roger com cara de bobo apaixonado.

            ROGER
Ei! Qual o teu nome! Que mulherão...

CENA 20 INT. - BAR 94 / VALQUÍRIA – DIA

Bar cheio. Os caras bebendo cerveja, assistem ao noticiário. Moni, Butuca e Branco atravessam o local, chateados.

CENA 21 INT. - BAR 94 / CASA DE MONI / SALA – DIA

Uma cerveja é colocada sobre o balcão de um minibar. Branco apanha os copos e vai servindo a todos.

Local amplo, equipado com home theater, TV grande na parede, móveis seminovos. Cenário típico de quem tem grana.

Moni bebe a cerveja num gole só, irada.

            MONI
Mas que merda, hen! Tinha que ter um otário no caminho? Tinha?

            BUTUCA
Cumé que o maluco me viu escondido alí, caralho?

            BRANCO
(ri) Cê devia ter usado óculos. O mané deve ter visto esse seu olho branco na escuridão.

Butuca mete um safanão em sua nuca.

            BUTUCA
Ó o respeito, caralho!

            MONI
Com a vontade que eu tenho de meter um pipoco na cara de alguém, esse malandro deu foi sorte.

            BRANCO
Coitado, gente. Ele largou até o lanche do Bob’s pra salvar a donzela da Moni.

RISOS.

            MONI
Filho de uma puta, isso sim. (larga o copo) Cara, era só eu dar uma seduzida no herói Nilo, contar uma historinha pra boi dormir e levar um teco de raspão pra dramatizar o meu enredo. (joga-se no sofá) O cara ficaria na minha mão. Era só isso.

            BUTUCA
To vendo que vai ser dureza trazer esse carinha pro teu lado, hen, Moni.

            BRANCO
Traz à força. (todos o encaram) É, gente, qualé? Rapta e abre o jogo logo.

Butuca analisa a possibilidade, enquanto Moni, deitada no sofá, pensa um pouco.

            BUTUCA
E aí, Moni? Qual vai ser?

             MONI
Branco tá certo (Butuca nem crê). Porque inventar uma história, se posso contar a verdade?

            BRANCO
Sério?

            MONI
Acho que esse Nilo precisa saber de umas coisinhas…

Butuca e Branco entreolham-se, curiosos. Fecha em Moni, misteriosa.

CENA 22 INT. - NOVO DIA / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Paulinha acaba de sentar, passada com o que Murilo acaba de lhe dizer.

            PAULINHA
Você tava lá? E você vai detonar o cara que salvou sua vida?

            MURILO
Fala baixo, garota! (olha ao redor) Nilo é um assassino e ponto. Essa é a bomba que a Novo Dia tá esperando há anos.

            PAULINHA
Murilo, quem vai comprar a história de que ele matou um inocente, quando poderia ter matado o assassino da própria esposa?

            MURILO
Isso tem anos, Paulinha, anos! E quem garante que ele não matou aquele assassino? Alguém viu o que aconteceu naquela igreja? Não viu. Tu viu? Não viu também. Mas agora com essa bomba, o povo vai começar a questionar.

Paulinha abaixa a cabeça, pensa um pouco.

            PAULINHA
(incrédula)
Você acha mesmo que ele matou porque quis? Não foi em legítima defesa?

            MURILO
Paulinha, ele matou, grave isso. Só o fato de ter matado, já mancha a reputação de herói.

            PAULINHA
Você que sabe, Murilo. Só não se esqueça de que ele salvou a sua vida pra que agora você pudesse jogar o nome dele na lama.

Paulinha se levanta, quase sai, mas toca no ombro do colega.

            PAULINHA
Ah, arrume um advogado. A polícia vai querer saber como você conseguiu a gravação.

Murilo não esconde a cara de preocupado.

CENA 23 INT. - CARIOCA NEWS / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Nilo redigindo um artigo. Roger, mais a frente, deixa escapar uma olhada para o colega, que faz o mesmo. Fingem não se importar.

O celular de Nilo vibra. Número desconhecido. Nilo atende mesmo assim.

            NILO
Fala.

            THALES
(V.O)
Fala, grande falso herói! Tá preparado pra hoje?

            NILO
Thales? Como sabe o meu número?

CENA INTERCALA COM

CENA 24 INT. - NOVO DIA / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Thales, ao celular, no canto da parede.

            THALES
Gosta de se esconder, né? Acho que o seu joguinho acabou.

            NILO
Escuta, Thales, ninguém liga pra o que tu acha, tá? Me esquece.

            THALES
Peraí! Antes quero te convidar a acessar o site da Novo Dia, daqui a pouco. Cê vai curtir o título: Nilo Rodrigues é um assassino! (risos).

Nilo, paralisado com a bomba.

            THALES
(cont. / V.O)
Curtiu a manchete ou você acha que devemos acrescentar suas fotos de antes e depois da fama de herói, hen?

Ouvimos a risada dele. Nilo desliga o celular lentamente. Percebe que Lila, do outro lado, o espia. Roger também. Como se todos tivessem escutado a conversa. Mas é só impressão.

FADE OUT

 

FIM DO SEGUNDO ATO

ATO FINAL

FADE IN

Pessoas surpresas, olhando para seus celulares. Outros, para seus computadores, passados com alguma notícia.

A tela de um PC exibe o site da NOVO DIA com uma grande manchete: “Homem que cuidava da comunidade Valquíria é morto em laboratório — Vince Lemos era sócio de um hospital veterinário, caridoso, mas com uma triste história: sua família fora assassinada no bairro Valquíria, sem solução”.

            AMORA
(O.S)
É isso que tu chama de bomba, Murilo?

CENA 25 INT. - REDAÇÃO NOVO DIA / ESCRITÓRIO – DIA

Amora contorna Murilo, este bastante desconcertado. Thales espia, de braços cruzados, frustrado.

            AMORA
Cadê a acusação contra Nilo pela morte de João Víthor? Cadê?

            MURILO
Amora, eu nunca disse que a bomba era essa.

            AMORA
Como não? (para Thales) E aí, Thales? Tem nada a dizer não?

           THALES
Eu to tão chocado quanto você, Amora. Eu ouvi ele dizendo que a bomba era referente ao assassinato do ator.

           MURILO
Gente, a polícia já encerrou o caso. Aquilo foi acidente.

Amora chega bem perto de Murilo, quase encostado a cara, revoltadíssima.

           AMORA
Acidente eu vou promover aqui se você não me convencer de que essa bomba vai ser útil pra mim.

           MURILO
(pressionado)
O cara era benevolente e foi morto num laboratório como bandido. O mesmo laboratório em que o Nilo frequenta. Só isso já tá causando nas redes.

           AMORA
Então trate de encontrar uma relação entre esses dois. E rápido!

Em Murilo, sem saída.

CORTE DESCONTÍNUO

Murilo atravessando o corredor. Vê Paulinha, sentada, fazendo um gesto positivo com as mãos. Murilo abaixa a cabeça e segue.

CENA 26 RUA DA CIDADE – NOITE

Roger se apressa, quase correndo. Nilo atrás.

            NILO
Ei, ei!

Nilo pega Roger pelo braço.

            ROGER
Que é, Nilo?

            NILO
Eu que pergunto. Tá assim por quê?

            ROGER
Assim, como? Eu to do mesmo jeito.

            NILO
Cê tá chateado. O que aconteceu?

            ROGER
Nada, Nilo, eu hen. Eu to ótimo! Quem viu, viu e quem não viu, tá vendo bem.

Roger quase vai dando as costas, mas Nilo insiste.

            NILO
A gente mora no mesmo prédio, Roger. Posso te levar de carro, cê sabe.

            ROGER
Minha mãe sempre dizia pra não pegar carona com estranhos.

Nilo cruza os braços, aguardando Roger abrir o coração. O jornalista respira fundo. Ainda hesita, mas /

            ROGER
Por que não me contou?

Nilo não é bobo; meneia a cabeça, faz que entendeu, mas disfarça.

            NILO
Como soube?

            ROGER
(magoado)
Eu tive que ouvir a sua conversa com a Emília, porque você mesmo não confiou no teu brother aqui.

            NILO
Não tá sendo fácil pra mim, Roger. Eu matei Vince Lemos, o cara considerado um cidadão de bem, que lutava por justiça em sua comunidade. (suspira, sentimental) O que pode ser pior que isso?

            ROGER
Você não confiar na gente. (Nilo desvia o olhar, envergonhado) Eu tenho certeza de que foi em legítima defesa.

            NILO
Ele tava drogado, Roger.

            ROGER
Um bom motivo /

            NILO
(corta) Um bom motivo pra eu me sentir um bandido. (T) Pessoas drogadas não sabem o que estão fazendo. Eu sabia o que fazia. E não to nada bem, meu amigo. Eu o vi agonizar no...(tampa a boca, sofrido).

Roger o encara, tocado pelas palavras. Um instante de silêncio e Roger o abraça.

            ROGER
Eu estarei sempre contigo, brother.

Com a cabeça no ombro de Roger, Nilo avista Murilo do outro lado da calçada, que nem continua; para, sem graça, e vai embora.

CENA 27 RUA DA CIDADE - NOITE

SONOPLASTIA: Lamb – Wise Enough

VISTA AÉREA da cidade. As luzes da Candelária; a Presidente Vargas com poucos transeuntes, perigosa; becos sendo ocupados por moleques /

SÉRIE DE PLANOS

a) Vinnie, em sua CASA, sentado no sofá e segurando um copo de vodca. Fala ao celular.

            VINNIE
Fala, meu querido Raul! To precisando de você mais do que nunca em Valquíria...

b) Moni sela um envelope com a língua. Depois, espirra um perfume no ar e envolve o envelope. Sorri, sapeca.

c) Na capa do livro “Nilo – Na Inquisição dos Novos Tempos, de Lila Machado” sendo lido por alguém de mãos negras. CAM CORTA para uma mensagem no prólogo do livro:

“Para a pessoa que transformou o meu jeito de escrever, de contar histórias. Para essa pessoa que me permitiu chegar o mais perto de um justiceiro. Você é meu herói, Danilo!”

CAM, enfim, revela o leitor: Murilo, sério e pensativo.

FUSÃO PARA

A vista aérea da cidade. CAM BUSCA garotos fumando; mendigos se recolhendo com seus jornais e papelões; jovens saindo da balada, rindo, entrando em carros finos. O trânsito na Linha Amarela. CAM sai por cima, algumas luzes se apagam. A tela escurece.

FIM DA SONOPLASTIA

FADE OUT

FADE IN

CENA 28 INT. - APTº de NILO E LILA / SALA – DIA

Nilo mal se senta e a campainha toca.

           NILO
Deixa comigo, Lila!

Assim que abre a porta, dá com o porteiro, estendendo um envelope a Nilo.

            NILO
Obrigado.

Nilo fecha a porta, olha para o envelope sem remetente. Abre.

Pelo seu ponto de vista, Nilo puxa uma fotografia. Nela, a imagem de Vince Lemos abraçado a Vinnie Ludwig, em algum passado distante. A fotografia é virada do avesso, onde há uma inscrição: “Estou chegando ao Rio, meu querido irmão. Espero vê-lo em breve. Ass.: Vinnie Ludwig. Março de 2015”.

           LILA
Era o quê, Nilo?

CAM dá um close dramático em Nilo. Até que /

FADE TO BLACK

 

FIM DO EPISÓDIO
 
     

 

     

AUTORA
Cristina Ravela

APRESENTANDO

AARON ASHMORE................................Nilo Rodrigues

ILDI SILVA........................…............Lila Machado

FELIPE ABIB...................................Roger Ribeiro

IGOR RICKLY...................................Vinnie Ludwig

YASMIN GOMLEVSKY.................................Moni Vasco

THIAGO FRAGOSO................................Thales Araújo

CHANDELLY BRAZ…............................Paulinha Avellar

SÉRGIO MENEZES................................Murilo Guedes

ELENCO SECUNDÁRIO

LARISSA BRACHER...............................Amora Molinos

MARIANA LIMA............................……….…..Emília Brito

BRUNO FERRARI..................................Rafael Brito
EMÍLIO DE MELLO............................Delegado Moreira

MARCELO GONÇALVES...................................Toninho

RICARDO VIANNA.......................................Branco

JONATHAN AZEVEDO.....................................Butuca

ED OLIVEIRA............................................Raul

BLOTA FILHO.........................................William

TRILHA SONORA

DEFAME ME.....................................New Years Days

WISE ENOUGH.............................................Lamb

PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Cristina Ravela
Rafael Oliveira


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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